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Nota da autora: Eu nunca pensei que esse capítulo fosse dar tanto trabalho! Quero agradecer muito a todos que me acompanharam até aqui... Já faz mais de um ano... Esse capítulo é pra todos vocês!
Música 1: When you’re gone – Avril Lavigne (primeira parte do fic)
Eu procurei tanto uma música, e essa acabou sendo a primeira que eu ouvi quando comecei a busca pela música do capítulo xDD, mas relutei um pouco em colocá-la... A letra linda e meio que também transmite os meus sentimentos em relação a despedida do fic.
Comento sobre a segunda música no final.
Capítulo 24 – New World
– Lily! Querida! – ouvi a voz de Mary me chamando longe.
Eu nem sei quem me ajudou a levantar. Estava tão atordoada que nem ao menos prestei atenção nisso.
I always needed time on my own
Eu sempre precisei de um tempo sozinha
I never thought I'd, need you there when I cried
Eu nunca pensei que precisaria de você
Quando eu choro
And the days feel like years when I'm alone
E os dias parecem anos
Quando eu estou sozinha
And the bed where you lie is made up on your side
E a cama onde você deitava
Está arrumada ao seu lado
– Como ele está?
– Não sei – murmurei em um fio de voz. – Não disseram nada.
– Eu vim assim que soube! Você deve estar se sentindo péssima! – Mary me abraçou, mas eu me mantive completamente imóvel. – Me contaram que você estava com ele na hora.
Eu apenas confirmei com um leve aceno de cabeça, e não falei mais nada.
Ficamos em silêncio por alguns minutos, até que eu me lembrei de uma coisa muito importante.
– Eu preciso que a senhora ligue para aquele chefe de polícia que está sendo responsável pelas investigações das tentativas de assassinato contra o James – falei lentamente, tentando não embolar as palavras.
– Por quê? – Mary perguntou confusa.
– Porque eu me lembrei de tudo – respondi tentando demonstrar tranquilidade.
– Sério? – Mary exclamou alarmada. – Quando? Como?
– De repente... Quando vi James daquele jeito... Voltou tudo – falei pausadamente. – Como eu posso ter esquecido? – levei as mãos ao rosto, e recomecei a chorar.
When you walk away I count the steps that you take
Quando você vai embora
Eu conto os passos que você dá
Do you see how much I need you right now?
Você vê o quanto eu preciso de você agora?
– Não foi sua culpa – Mary tentou me consolar.
– Eu podia ter esquecido de qualquer momento da minha vida, menos os que passei com ele! – exclamei desesperada. – Eu entendo perfeitamente porque ele me queria longe dele... A expressão que ele fez quando eu não o reconheci depois do acidente.
– Tem uma coisa que você não sabe, Lily, mas foi por sua causa que James resolveu realizar o tratamento.
– O quê? – perguntei confusa.
–Quando você estava em coma – Mary confidenciou. – Ele prometeu que se você acordasse, ele iria procurar o tratamento.
–Então... Por minha causa...
– Pense no quanto James vai ficar feliz quando souber que você lembrou tudo.
– Ele... Ele teve uma parada respiratória. Foi horrível – falei tentando deletar aquela cena da minha cabeça. – E agora essa falta de noticias!
– Notícias ruins chegam muito rápido! – Mary disse sabiamente.
– E o senhor e a senhora Potter? – perguntei hesitante.
– Estão a caminho. Procure se acalmar. Tenho certeza de que foi apenas um susto. Agora é melhor que eu tente entrar em contato com o chefe de polícia, não é mesmo? O assassino não pode fugir.
– Ele não vai fugir – balancei levemente a cabeça. – Pelo menos não se não ficar sabendo que eu recuperei a memória. Ele esteve embaixo do nosso nariz o tempo todo e sequer desconfiamos.
– É alguém que conhecemos? – Mary perguntou estupefata.
– E muito bem – balancei levemente a cabeça. – É o Peter.
– O... O quê? – Mary ficou chocada com a revelação. – Tem certeza, Lily?
– Não queria, mas tenho sim – respondi encolhendo os ombros.
Mary ia dizer alguma coisa, mas o chefe da equipe médica que atendia James via em passos rápidos pelo corredor.
Imediatamente, tentei me levantar, e por ainda estar debilitada por pouco não fui de encontro ao chão, mas consegui me sustentar de pé.
– Como ele está, doutor? – perguntei aflita.
– O pior já passou.
Não pude conter o suspiro de alivio que quis escapar pelos meus lábios. E derramei mais lágrimas, porém desta vez de felicidade.
– O perdemos por um momento, mas conseguimos reanimá-lo e agora ele precisará ficar em observação – o médico informou rapidamente.
– Eu posso vê-lo? – perguntei esperançosa.
– Por enquanto não, senhorita Evans. Ele ficará inconsciente por algumas horas.
Ter que esperar era o pior.
Decididamente, eu odiava ter que ficar aguardando por algo que eu nem ao menos sabia direito o que era. Esperando James acordar, ou demonstrar alguma melhora mais significativa. Qualquer coisa que fosse! Eu só queria que aquele médico me deixasse entrar para vê-lo de uma vez, mas só me diziam para esperar, esperar e esperar.
E parece que quanto mais a gente pede para que o tempo passe rápido, mais devagar aqueles ponteiros do relógio parecem andar.
Eu só iria ficar calma quando visse James bem e respirando.
Levei um susto quando senti meu celular vibrando dentro do bolso. Procurei um lugar onde eu pudesse falar um pouco mais alto, e atendi a ligação.
– Ele está bem? – Melissa exclamou exasperada, assim que atendi.
– Está – respondi em um murmúrio.
– Não é o que parece.
– Não me deixam entrar para vê-lo, e eu estou ficando mais angustiada por ter que esperar – falei um pouco aborrecida. – Como você ficou sabendo?
– Ora... Já deu em tudo que foi canal de televisão – Melissa disse como se fosse a coisa mais obvia do mundo. – Mas os médicos não liberaram nenhuma informação, então só se sabe que ele passou muito mal e está na UTI.
– Eu estava com ele na hora em que aconteceu – falei lentamente. – E voltou tudo, Mel. Na hora em que caiu a ficha de que ele podia estar me deixando, minha memória voltou completamente.
– Pelo menos alguma coisa boa aconteceu, não é mesmo? – Melissa exclamou em um tom mais animado. – Espera... Então, você lembrou quem é a pessoa que está tentando matar o James?
– E que quase me matou também no processo – confirmei pendendo levemente a cabeça para o lado. – Mas eu não acho seguro ficar falando sobre isso com você pelo telefone.
– Ah, não! Você não vai me deixar aqui morrendo de curiosidade! – Melissa praticamente me deixou surda com o berro que deu. – Sirius, Remus e Peter estão querendo ir para os Estados Unidos o mais rápido possível. E eu vou junto!
– Acho que James não iria querer que vocês largassem a escola assim – falei um pouco incerta.
“E duvido muito que o Peter tenha permissão para vir depois que todo mundo ficar sabendo o que ele fez...”.
– Não estaríamos largando a escola – Melissa resmungou irritada.
Girei os olhos quando Melissa começou a reclamar e dizer que eu não era muito diferente deles. Pelo menos aquela conversa toda me distraiu por alguns minutos, e quando eu voltei para a sala de espera, encontrei os Potter reunidos.
Apesar de ter passado esses dias com eles, eu não me sentia a vontade na presença dos pais de James. Eles eram gentis e me tratavam bem, mas eu meio que me sentia uma intrusa por estar ali naquele momento. Eu não sei, mas tinha a impressão de que a Sra. Sarah Potter preferia que o filho ainda namorasse com Melissa.
– Onde você estava, Lily? – Mary perguntou assim que eu entrei na sala.
– Melissa acabou de ligar – respondi um pouco hesitante. – Estava preocupada. Disse que saiu a noticia sobre o mal estar de James em vários canais.
– Minha mãe me disse que você se lembrou de tudo – o Sr. Potter disse, de repente, chamando a minha atenção.
– É verdade – murmurei timidamente.
– Eu já entrei em contato com o chefe de policia de Londres – ele falou rapidamente. – Logo irão tomar seu depoimento para que aquele... – percebi que ele teve que se segurar para não deixar escapar um xingamento. – Aquele assassino.
– Sim, senhor – abaixei levemente a cabeça. – Eu acho que vou até a lanchonete...
– Não, Lily, querida – Mary falou me segurando levemente pela mão. – Pode deixar que eu e Oliver iremos até lá. Fique aqui fazendo companhia para Sarah. Logo voltamos com um café bem novinho.
Ótimo. Pelo jeito Mary resolvera que era hora de eu me aproximar da mãe de James. Só que eu não tinha a mesma opinião de jeito nenhum!
– Sabe, Srta. Evans... – a Sra. Potter falou um pouco depois que Mary e o filho saíram da sala.
– Me chame apenas de Lily, por favor – pedi um pouco sem jeito.
– Lily – ela se ‘corrigiu’. – Nós nunca tivemos oportunidade de conversar direito. Minha sogra gosta muito de você.
– Eu também gosto muito dela – falei, sem entendi bem onde aquela conversa iria chegar.
– James sempre fala em você – Sarah continuou como se eu não tivesse interrompido. – Eu confesso que a principio fiquei curiosa a seu respeito. É lógico que percebi que James tinha um interesse especial por você além daquela história toda de ‘A garota que pulou em James Potter’ – fiquei vermelha com a lembrança. – E fiquei preocupada com esse interesse demonstrado por ele.
– Por quê? – mordi a língua após perguntar. Eu e minha língua que não sabe ficar quieta dentro da boca!
– Porque eu não queria que meu filho sofresse uma desilusão caso você fosse apenas uma garota comum querendo um pouco de fama às custas dele – Sarah explicou calmamente.
Eu abri a boca, totalmente indignada só com aquela suposição. Mas não falei nada. Ela tinha razão em desconfiar. Vai se saber o que já apareceu na vida de James por causa da fama.
– A senhora preferiria que ele ainda estivesse namorando a Mel – conclui.
– Não, não – ela apressou-se em dizer. – Melissa é uma ótima garota, mas ela e James não dariam certo. Temperamentos parecidos, sabe? Sem umas briguinhas o relacionamento fica chato. Passei a prestar mais atenção no que ele dizia nos e-mails e no tom de voz dele, e notei que ele estava cada vez mais apaixonado por você. Foi quando você conheceu a minha sogra e ela também se encantou por você. Devo dizer que foi um alivio, pois ela costuma ser mais ciumenta em relação ao James do que eu. Eu estava planejando convidá-los para passar as festas de final de ano conosco para que enfim pudéssemos conhecê-la, aí veio a noticia da doença que nos pegou totalmente de surpresa. Eu não sabia nada sobre a história da perda de memória e achei que você fosse deixá-lo.
– Eu não faria isso!
– Agora eu sei – Sarah balançou levemente a cabeça. – E não tenho palavras para expressar a gratidão que sinto. Sem você, acho que James não estaria conseguindo passar por tudo isso.
– James é forte – falei em um tom de confiança que até então não tinha me permitido usar. – Tenho certeza de que ele vai passar por tudo isso.
– E eu poderei convidá-la para passar alguns dias em nossa casa – ela sorriu, e percebi que James herdara aquele gentil sorriso. Nem de longe eu sentia mais o medo que senti quando ficamos sozinhas. – E poderemos nos conhecer melhor. Eu sempre quis ter uma filha, mas acabei tendo apenas os meninos.
– A senhora deve ter sido mimada por ser a única mulher da casa – falei e não pude deixar de retribuir o sorriso.
– Imagine – ela balançou levemente a mão. – A diferença de Richard e James é de mais de dez anos... Foi uma ciumeira quando o James nasceu... Depois os dois viviam as turras... E James nunca foi exatamente um anjinho. Então, não tive muito tempo para receber mimos e mordomias. Tenho ótimas histórias de James para contar para você, mas farei isso na frente dele porque ele morre de vergonha.
Tentei imaginar a cena, mas era meio surreal pra minha cabeça imaginar o James morrendo de vergonha por algo de embaraçoso que ele havia feito e a mãe dele entregava de lambuja.
– Sabe, James tinha razão – Sarah sorriu e eu curvei levemente a cabeça para o lado sem entender. – Você é uma bruxinha. Lança feitiços para conquistar as pessoas.
Entendi menos ainda, mas sorri (meio sem jeito).
– Sarah! Lily! – Mary entrou quase correndo na sala, nos assustando. – Ele acordou!
– Graças a Deus – Sarah murmurou enquanto juntava as mãos.
Demorou um pouco para os médicos liberassem as visitas, e tiveram que ser de um por um já que James ainda estava em observação na UTI. Apenas os pais dele e a avó tiveram permissão para entrar. Eu tive que aguardar que ele fosse submetido a outros exames e fosse transferido para o quarto. Mas pelo menos, me garantiram que ele estava muito bem.
– Você pode entrar agora, Srta. Evans – uma enfermeira veio me avisar. – O médico liberou e o Sr. Potter não pára de perguntar pela senhorita.
Eu não sabia se ia até lá correndo (apesar de saber que não deveria correr já que estava em um hospital) ou se começava a dar pulinhos ou qualquer outra coisa.
Acabei seguindo até o quarto em passos lentos, pensando bem no que iria dizer.
Mas esqueci tudo quando abri a porta e o vi esperando por mim.
When you're gone
Quando você está longe
The pieces of my heart are missing you
Os pedaços do meu coração sente a sua falta
When you're gone
Quando você está longe
The face I came to know is missing too
O rosto que eu conhecia está perdido também
– James! – exclamei, e mesmo sabendo que não deveria, corri até ele e o abracei (do jeito que deu já que ele estava cercado de aparelhos). – Você me assustou!
– Per.. Perdoe-me – ele disse com dificuldade.
– Não! Não fale! Você não pode forçar a sua garganta!!! – exclamei exasperada. – Nós conversamos em outra hora. Eu só queria ver você agora.
Mas é claro que James não se conformou com isso, e pegou o caderninho que já estava do seu lado.
– James... – supliquei. – Você não pode fazer esforços.
“Não é esforço nenhum escrever!”
– É claro que é! Você teve uma parada respiratória e foi parar na UTI! Tem noção da gravidade disso?
“Se você continuar insistindo eu vou começar a CANTAR!”
– Por que eu tinha que arrumar um namorado tão teimoso? – perguntei enquanto encarava o teto.
“Porque eu sou o Ser mais perfeito deste mundo inteirinho”.
Estreitei os olhos quando li a frase.
– Você já está perfeitamente bem – resmunguei enquanto fazia o movimento de que iria me levantar para sair do quarto, mas James me segurou pelo braço, e olhar dele me fez ficar onde eu estava.
“Sem brincadeiras agora. Eu só estava querendo te fazer ficar mais relaxada. Eu não sei o que aconteceu. Eu estava bem. Lembro-me de estarmos conversando sobre o Harry e sobre o seu futuro sobrenome, e depois nada. Sinto muito pelo susto. Mas, você realmente não achou que eu fosse desistir, não é mesmo?”
Suspirei profundamente.
– Eu me assustei... E fiquei com muito medo... Você ficou completamente imóvel e por mais que eu chamasse, você não respondia – falei quase que em um murmúrio. – Uma vez você disse que queria ser feliz comigo lembra? ‘Eu te amo, Lily... Vamos ser felizes juntos?’ – percebi que ele arregalou os olhos diante da frase, com certeza entendeu o que aquilo queria dizer. – Eu não conseguiria ser feliz sem você, James Potter.
“Você recuperou a memória?”.
Apenas balancei levemente a cabeça em um sinal positivo.
Eu podia sentir a felicidade que James transmitia através de seu olhar.
“Quando?”
– Um pouco depois que você passou mau – murmurei. – Não me assuste mais assim, por favor.
James acariciou o meu rosto. Não foi preciso que ele escrevesse nada para que eu entendesse o que ele estava dizendo.
“Vou ser forte...”.
Ficamos daquele jeito por algum tempo, até que ele resolveu ‘falar’.
“E você lembrou também da pessoa que tentou me matar?”
Engoli em seco. Com certeza não era a melhor hora para ele saber que era um dos melhores amigos dele que estava tentando matá-lo.
– Lembrei – falei um pouco hesitante. – O chefe de policia encarregado do caso já foi avisado. Eu descrevi a pessoa, e fizeram um retrato falado – não sei de onde tirei isso. – Parece que é um psicopata querendo fama. Com certeza vão prendê-lo agora.
James apenas balançou levemente a cabeça. Ficamos apenas nos encarando por um minuto, até que eu me lembrei do que Mary havia me dito.
– Se eu não tivesse acordado do coma... – comecei um pouco hesitante. – Você não teria aceitado fazer o tratamento?
James ficou confuso com a pergunta.
“Mary contou”, concluiu, insatisfeito.
– Eu teria que saber alguma hora, James.
“Você é teimosa! Eu sabia que ia acordar se soubesse que eu iria fazer o tratamento. Foi o único jeito que encontrei... A maneira de manter minha esperança viva.”
– Olha quem fala em teimosia.
James depois deixou que um suspiro de cansaço escapasse de seus lábios e fechou os olhos. Percebi que não era o melhor momento para discutirmos quem era o mais teimoso.
– Você precisa descansar – falei enquanto o acariciava. – Pode dormir. Eu vou ficar aqui cuidando de você.
When you're gone
Quando você está longe
The words I need to hear to always get me through the day
As palavras que preciso ouvir pra eu sempre conseguir ir adiante com o dia
And make it ok
E fazer tudo estar bem
I miss you
Eu sinto a sua falta
Cantarolei sem nem sentir. Foi a primeira música que me veio à cabeça.
Vi os olhos de James se fecharem em um pouco mais, e eu pude saber que ele estava sorrindo.
– Eu sabia que naquele dia na Ala Hospitalar... – ele falou em um tom rouco, e emiti um som de insatisfação por ele estar desobedecendo aos médicos. – Eu não estava sonhando. Sua voz me acalma.
Fiquei vermelha ao me lembrar. Logo depois de cantar, eu roubei um beijo dele. Será que ele também se lembrava disso?
É lógico que eu não ia perguntar.
– Eu canto – sussurrei timidamente. – Mas você vai dormir e obedecer aos médicos para se recuperar o mais rápido possível.
James apenas apertou a minha mão com força em resposta.
We were made for each other
Nós fomos feitos um para o outro
I'll keep forever
Para todo o sempre
I know we were
Sim, eu sei que fomos
All I ever wanted was for you to know
Tudo que eu sempre quis foi você saber
Everything I do I give my heart and soul
Que tudo o que eu faço te dou coração e alma
I can only breathe
Eu acho difícil até respirar
I need to feel you here with me
Eu preciso te ouvir aqui comigo
[ALGUNS MESES DEPOIS]
– Nervoso? – perguntei enquanto recebia um abraço.
– Por que estaria? O palco é meu segundo lar – James respondeu com um ar de presunção que eu simplesmente odiava.
– Convencido – resmunguei entre os dentes.
– Ora, é a verdade – James sorriu. – É como andar de bicicleta. Não se esquece nunca.
– Você sabe que a volta vai ser complicada, não é? As pessoas ficaram abaladas depois que souberam que o Peter tentou... – comecei a falar, mas parei quando vi a expressão de tristeza de James, e eu realmente não queria trazer más recordações para ele.
James se recuperava da última cirurgia. Tivera permissão dos médicos para terminar o tratamento no Inglaterra e isso realmente o animara muito. Já estava em casa, recebendo assistência medica particular, voltara a falar e o cabelo começara a nascer uma vez que havia terminado as aplicações de quimioterapia.
Mas estava na hora dele enfrentar a verdade acerca do seu assassino. Durante todo aquele tempo tivemos que esconder a verdade dele. Peter era um dos melhores amigos James, e ele sempre deixou claro que confiava plenamente nos amigos. Seria um grande choque quando contássemos a verdade.
– Tenho medo de como ele vai reagir – murmurei para Melissa enquanto esperávamos que Peter chegasse.
Ele estava respondendo ao processo em liberdade, mas estava praticamente em prisão domiciliar já que não podia sair sem uma escolta policial haja vista que a população ficou revoltada quando soube que um dos próprios membros da banda vinha atentando contra a vida de outro.
– Uma hora ele terá que saber. Já conseguimos esconder por muito tempo. E é melhor que ele saiba por nós do que pela televisão – Melissa comentou tentando parecer despreocupada, mas percebi seu tom de receio.
James passava grande parte do tempo ou dormindo, ou dedilhando o violão. Estava tomando remédios muito fortes e que causavam enjôo e sono. Além disso, fora proibido pelos médicos de assistir televisão com a desculpa de que noticias sensacionalistas quanto a sua saúde não iriam fazer bem a ele, entretanto, a realidade é que a noticia que Peter era a pessoa que queria vê-lo morto era que iria deixá-lo totalmente transtornado.
Sirius e Remus quando souberam a verdade não conseguiram se segurar, e partiram para cima do ex-amigo e o deixaram bastante machucado. Eu não sou adepta nem defendo a violência, mas devo dizer que Peter mereceu totalmente.
– Bom – respirei fundo. – Vou subir e conversar com ele.
– Nós vamos esperar aqui – Sirius falou rapidamente. – Assim que ele chegar, nós o levaremos até lá. Conheço o Prongs, ele vai querer conversar com aquele rato para saber que motivos o levaram a fazer aquilo.
Subi as escadas em passos lentos. Quando cheguei no corredor do segundo andar ouvi o violão soando levemente. Bati levemente na porta do quarto dele.
– Quem é? – ouvi a voz abafada de James perguntar.
– Eu. Posso entrar?
– Claro! – exclamou animado. – Você nem precisa pedir, minha flor.
Sorri timidamente e me aproximei da cama.
– Quero beijo – James falou antes de fazer um enorme bico.
– Você sabe que estamos em quarentena – respondi enquanto balançava levemente a cabeça.
– Ordens médicas sem noção! Te beijar não é esforço!!! – James reclamou agitado.
– James. Por favor, tenho um assunto sério para falar com você. Não é hora para brincadeiras.
– E quem disse que eu estou brincando? – James retrucou enquanto cruzava os braços.
– Sua família e os médicos chegaram a um acordo, e eles decidiram que é hora de você saber a verdade sobre o assassino – falei em um fôlego só porque se não fosse assim eu não teria coragem de falar e muito menos James iria parar de brincar.
– O quê? – James perguntou confuso. – Que verdade? Você não me disse que o assassino era um psicopata que queria fama e que já está preso?
– É verdade que ele é um psicopata, mas eu não contei tudo – falei um pouco hesitante. Talvez não tivesse sido uma boa ideia ir falar com ele sozinha. James ficou quieto, esperando que eu continuasse. – Não seria bom para a sua saúde saber.
– Pare de enrolar, Lily e fale de uma vez! – James pediu exasperado.
– Naquele dia em que nós estávamos conversando, eu te empurrei para que você não levasse o tiro, mas também porque eu não queria que você visse quem era – comecei pausadamente. – Porque a pessoa é muito próxima de você e eu não queria que você sofresse.
– Você está começando a me assustar – suspirei e peguei o violão que ele ainda segurava. Depois segurei as mãos dele entre as minhas e ocupei um espaçozinho do lado da cama. – E não me enrole mais! Eu sei o discurso que você deve ter preparado sobre ‘Todos estamos ao seu lado’.
– Foi o Peter – o meu tom saiu mais alto do que eu queria, e quase enrolei a língua.
– O quê? – James perguntou ficando mais branco que uma folha de papel.
– Ai meu Deus! Era por isso que eu não queria contar. Você vai passar mau! – exclamei fazendo o movimento de que iria me levantar para chamar um médico, mas James me segurou.
– Eu estou bem, Lily! – James praticamente gritou, totalmente exasperado. – Eu preciso que me explique essa história direito! Como assim foi o Peter? Tem que haver algum engano! Ele é meu... Ele é meu amigo.
– Todos também ficaram chocados – falei em um sussurro. – Eu queria que fosse um engano, James, mas não é. Eu vi! Ele atirou naquele dia na escola. Estava cansado de nenhum plano dar certo.
James balançava a cabeça de um lado para o outro em um sinal de que se negava terminantemente a acreditar.
– Ele confessou – falei por fim.
– Não há razão para ele ter feito isso! – James exclamou desesperado. – Nós sempre nos demos bem. Não tem motivo – ele começou a repetir isso sem parar.
– Fique calmo, James! – pedi entrando em pânico por causa da reação dele. Eu sabia que seria ruim, mas não tanto.
– Como você quer que eu fique calmo com uma coisa dessas? – James gritou e eu me encolhi, com medo. Ele percebeu, e levou uma das mãos ao rosto. – Desculpe. Eu não queria...
– Eu entendo o que você está sentindo, James.
– Não. Você não poderia entender – James murmurou amargurado. – Ele ao menos disse a razão? Porque deve existir alguma...
Balancei levemente a cabeça.
– Ele se recusou a falar. Apenas disse que contratou as pessoas para te matar e, depois ele mesmo tentou terminar o ‘serviço’.
Senti vontade de me bater por ter falado daquele jeito. Eu só repeti o que Peter disse no depoimento, mas é claro que James ficou arrasado.
Batidas na porta. Fui até lá para abrir e dizer que James não estava preparado para conversar com Peter, mas assim que James o viu (acompanhado por Remus, Sirius e Melissa) quase pulou da cama.
– James! Eu não acho que seja o melhor momento para...
– Deixa ele entrar! Eu quero que ele diga na minha cara a razão pela qual fez tudo isso! Ele quase nos matou, Lily! Eu tenho o direito de saber a razão!!!
Sirius e Remus seguraram Peter (cada um segurou um braço do ‘rato’) e o puxaram para dentro do quarto. Fiz o movimento de que iria impedir aquela loucura, mas Melissa me deteve.
– É melhor deixar, Lily.
– Eu jamais imaginei, Peter... E só quero saber a razão – James disse em um tom sério que eu jamais o havia visto usar antes. – Pensei que fossemos amigos.
– Amigos! – Peter zombou. – Vocês nunca foram meus amigos! Estavam sempre presos em seus mundinhos!
– Que asneira é essa que você está falando? – Sirius vociferou entre os dentes.
– Remus estava sempre curtindo sua dor de cotovelo porque Melissa não queria saber dele! – Peter exclamou ironicamente. – Não estava nem aí pra ninguém! Sirius só queria saber de pegar qualquer vadia que aparecesse na frente dele. E James, o pior! O astrozinho da banda. Chamando a atenção de todo mundo. Se ele morresse, nós estaríamos muito melhor!
Antes que qualquer um dos presentes tivesse alguma reação, eu atravessei o lugar em passos rápidos e acertei um tapa certeiro no rosto de Peter que cambaleou e só não caiu porque ainda estava sendo segurado por Sirius e Remus.
Todos ficaram surpresos com a minha reação.
– Você não merece de jeito nenhum a amizade que eles tinham por você! – exclamei revoltada. – E sabe o que você vai conseguir com essa atitude? Ficar sozinho! É um invejoso! Egoísta!
– Por favor, o tirem daqui – James pediu, em um tom cansado. – Depois do que eu ouvi, não há razão para querer saber de mais nada. Ele não é quem pensávamos que fosse.
Depois disso, não voltamos mais a ver Peter. Apenas pela televisão. E James sempre pedia que mudássemos de canal quando iam falar sobre o assunto. Ele ficara – evidentemente – chocado com a noticia de que era Peter o autor das tentativas de assassinato. Ele bem que tentava demonstrar o contrário, mas era evidente a sua tristeza.
Uma tarde, enquanto eu lutava com o crochê, James, enfim, resolveu puxar conversa sobre o assunto. É claro que ninguém o obrigara a falar nada sobre Peter enquanto ele não quisesse. Eu sabia que ele havia feito uma reunião com Sirius, Remus e Richard para decidir o futuro da banda, e é claro que tiveram que falar sobre Peter e a única manifestação de James foi: ‘Ele está obviamente fora do grupo’ e nada mais.
– Ele poderia ter te matado... – James começou a dizer, e eu nem precisei perguntar sobre quem ele falava. – Quando soube que você recuperou a memória.
– Seria perca de tempo dele ficar planejando tentar me matar porque assim que eu recuperei a memória contei tudo para a sua avó – falei sem me alterar. – E mesmo que tentasse, ele não ia conseguir, James, os planos dele eram furados.
– Ele fez muito mau para você, Lily – James exclamou exasperado. – Como você pode não ficar com raiva dele?
– Peter causou mais danos a você – falei desviando o olhar do projeto de sapatinho para poder encará-lo. – E quem disse que eu não tenho raiva? Só que eu não vou ficar pensando no que poderia ter acontecido. Peter não merecia a amizade nem a confiança de vocês. É difícil, eu sei, esquecer, mas não há nada a ser feito. A vida continua. Você está praticamente curado e voltará a fazer shows normalmente. E ele vai ser julgado e preso.
James não falou nada. Apenas voltou a dedilhar o violão.
– Desculpe-me, James – falei em um murmúrio. – Não queria te trazer lembranças ruins.
– Está tudo bem – James procurou sorrir para me acalmar.
Depois não pudemos mais conversar porque Remus entrou no camarim surtando por alguma coisa que eu entendi (parece que uma das cordas do baixo da ‘sorte’ dele tinha acabado de arrebentar e ele não ia tocar se não desse um jeito).
– Olha o escândalo, Remus – Melissa resmungou, contrariada, seguindo o namorado.
É. Depois de muitas conversas, vais e vens, os dois resolveram se acertar. E devo dizer que eu fiquei extremamente feliz com isso. Porque era claro e evidente que eles dois tinham um sentimento muito grande! E depois que ficou tudo esclarecido sobre a paternidade de Remus, eles deveriam ter logo engatado um namoro, mas Melissa ficou enrolando, dizendo que primeiro ia esperar James ficar bom e não sei mais o que. Aí o James resolveu fazer chantagem (dizendo que ou esses dois se acertavam de uma vez ou ele ia cantar em alto e bom tom – quando ele estava terminantemente proibido de fazer isso) e o namoro se oficializou.
Só havia uma coisa não muito legal sobre tudo isso, e ao mesmo tempo meio estranha. O pai de Mel se separou da mãe do Remus depois que ficou sabendo de tudo e procurou a mãe da Mel e eles se entenderam. Então, o Sr. Lupin procurou a Sra. Astin e eles estão noivos! E agora os dois estavam morando em Birmingham!
Eu achei que o Remus fosse reagir muito mal, mas ele simplesmente balançou os ombros e falou que já esperava isso.
E a Melissa disse que se a mãe fosse feliz, por ela estava tudo bem.
Mas que era muito estranho, isso era.
– Você sabe que eu não vou conseguir tocar bem se não começar o show com aquele baixo! – Remus retrucou irritado.
Ele estava infinitamente melhor do que quando eu o conhecera. Mas eu entendo, ele sofria por um amor que julgava ser totalmente impossível e não correspondido.
– Superstições bobas – Melissa disse despreocupada.
Girei os olhos quando percebi que aquela discussão ia longe. Eles podiam estar namorando, mas nem por isso não viviam que nem gato e rato.
– Já já dão um jeito no baixo e eles param – James murmurou no meu ouvido, com um ar de riso.
– Não sussurra assim na minha orelha, James! – exclamei exasperada. Havia sido pega de surpresa, e fiquei completamente arrepiada. E ele percebeu isso, e soltou uma leve risada.
– É, eu causo esses efeitos nas mulheres – falou todo petulante enquanto passava uma das mãos pelos cabelos.
– Convencido! – exclamei emburrada.
Eu era a única mulher que ele tinha permissão para fazer aquilo.
– Ciumenta – e parece que ele leu a minha mente.
– Não sou – retruquei fingindo indiferença.
E antes que eu tivesse tempo para falar qualquer coisa, James me puxou pela cintura e me abraçou. Minhas pernas ficaram completamente bambas. Ainda bem que ele estava segurando forte. E até me esqueci que não estávamos sozinhos.
James era mais alto do que eu então tive que ficar na ponta dos pés para poder fitá-lo.
– Por que você gosta de mim? – perguntei enquanto passava as mãos ao redor do pescoço dele.
– Não tenho a menor idéia – James sorriu. – Ruivas são esquentadas e estressadas.
– Engraçadinho – falei em tom de quem estava zangada, mas não pude deixar de sorrir.
– Seus olhos – ele disse mais sério. Depois passou a mão pelo meu rosto. – Quando você pulou em cima de mim...
– Ah, não lembre dessas coisas!
– A primeira coisa que eu pensei foi: “Uma doida!”, mas quando eu vi os seus olhos... Não vou dizer que foi amor a primeira vista porque eu não acredito nisso, mas fiquei encantado. Adoro os seus olhos ainda mais quando brilham desse jeito.
E sem esperar por uma resposta, me beijou.
Fechei os olhos em uma fração de segundo. Eu sentia aquele turbilhão de sentimentos a cada vez que James me beijava. Eu pensava que fosse passar, mas a cada vez era mais forte. Era como se uma onda tivesse me atingindo em cheio, e tudo ao meu redor não importasse mais. O mundo resumia-se a James.
Ele deslizou as mãos pelo meu cabelo e o libertou da liga no qual estava preso, e senti seus dedos adentrando entre as mechas, me acariciando lentamente. Eu, por minha vez, queria mostrar a ele que não era mais tão ingênua como ele deveria pensar que eu ainda era, e movia minha língua numa dança lenta e sensual com a dele. Freneticamente.
Respirei fundo e tentei recobrar a sensatez. ‘Impossível’, conclui quando senti a mão dele entrar, sem permissão, pela brecha da minha blusa.
Seu sabor, seu aroma, seu calor. Deixavam-me completamente fora de mim.
Por quê? Por quê? POR QUÊ? Por que a boca dele tinha aquele gosto de chocolate? Isso era minha perdição. Era sim. Por isso eu não conseguia pensar em nada que não fosse corresponder.
Não sei quanto tempo ficamos nos beijando. Por mim, poderia durar o resto do dia, do mês, do ano.
– Eita que agora eu só estou servindo de candelabro – mas Sirius entrou no camarim e soltou a ‘pérola’ fazendo com que eu e James nos separássemos, sem graça.
– A culpa é sua que não arruma uma namorada – James retrucou não muito contente por termos sido interrompidos.
– Eu? Arrumar uma coleira pra mim? ‘Tá doido? – Sirius disse e começou a rir, com aquela risada que lembrava um latido. – E vocês iam ter que parar de se agarrar de todo jeito! Temos um show pra fazer, esqueceu?
James me soltou e eu fui para perto da Mel. Parece que o baixo de Remus já estava okay. Ela sorriu e segurou minha mão. Ficamos observando os Marauders fazerem uma ‘reunião’, fizeram um circulo e juntaram as mãos. Depois falaram palavras de incentivo e saíram do camarim.
A bateria seria ocupada por um rapaz chamado Jack Creevey e ele estava muito emocionado pela oportunidade. Havia sido realizada uma seleção, e ele foi o escolhido dentre muitos que lutaram pela vaga.
– Vamos! Eu não quero perder um segundo desse show! – Melissa exclamou animada enquanto me puxava pela mão.
– Eu também não! – falei no mesmo tom. – Mel...
– Hum? – ela perguntou sem parar de andar.
– Está tudo bem entre você e o Remus? – perguntei um pouco hesitante.
Ela era minha amiga, mas não gostava muito de falar sobre esse assunto em especial comigo. Eu acho que é por causa de toda aquela história de eu ter sido encantada pelo Remus há algum tempo atrás.
– Claro – Mel sorriu. – Perdemos muito tempo, não foi? Mas estamos bem. Ele é super carinhoso comigo e eu estou realmente apaixonada por ele. Sabe... Quando você não enxerga os sentimentos que estão na sua cara?
– É lógico que eu sei – correspondi o sorriso. – E, Mel, pode falar comigo quando precisar! Você sabe que eu vou ouvir sempre, não é?
– Eu sei disso, Lily, se eu não falei nada é porque não queria te incomodar com os meus problemas – Melissa falou e parou de andar.
– Até parece que ia! Somos amigas!
Ela não disse nada. Apenas me abraçou. E ficamos assim por um tempo. Não era preciso dizer mais nada.
– Ah! Antes que eu me esqueça! – Melissa disse, de repente. – Falei com a Alice! Ela e o Frank estão namorando!
– Aleluia! Aqueles dois se entenderam! – exclamei feliz. – Nas férias nós iremos lá visitá-la, não é?
– Mas é evidente! Se eu não for, minha mãe até me mata! – Melissa disse, e passou o dedo pelo pescoço em um sinal de brincadeira. – Ela cismou que quer que eu seja a dama de honra! Imagina só isso!
Comecei a rir, e logo voltamos a andar para ir até o camarote que havia sido reservado para nós.
Havia toda uma expectativa para o inicio do show. Os fãs começaram a gritar o nome da banda seguidamente. A casa de shows estava totalmente lotada.
James foi o primeiro a subir no palco. A platéia foi a loucura. Gritos e choro. Ele acenou enquanto Sirius e Remus ocupavam os seus lugares. Sem falar nada, tocaram a primeira música. Depois a segunda.
Dava pra sentir o quanto James estava feliz. Ele cantava, cantava, cantava. A emoção transparecendo em cada trecho das músicas.
No final da terceira música, James se dirigiu à platéia.
– Boa noite! – exclamou feliz. – Somos The Marauders! – falou em uma voz profunda e rouca que fez com que as fãs dessem gritinhos. Eu falei para ele não fazer isso! Mas ele me escuta? – Vocês não podem nem imaginar o quanto eu estou feliz de estar aqui hoje. Foi uma luta difícil, mas eu venci. Só tenho a agradecer aos médicos que cuidaram de mim, a todos vocês que enviaram cartas de incentivo, a minha família que não me abandonou em um momento sequer, aos meus amigos Marauders que continuaram compondo para voltarmos com tudo e a Lily Evans que desde o inicio acreditou que eu iria ficar completamente curado.
Corei com a menção do meu nome. Senti alguns flashs pipocando na minha direção.
– Eu sei que a volta vai ser difícil, mas estamos dispostos a trabalhar duro para conquistar ainda mais fãs e levar nossas músicas para mais longe – James continuou. – E teremos muitas músicas novas esta noite. Inclusive a próxima. Escrevi essa música um pouco depois que sai do hospital. Eu gosto de dizer que enquanto estava doente, minhas asas foram levadas. Mas as recuperei e agora está começando um mundo novo para mim. Muito obrigado por estarem aqui. Agora, New World.
Eu não conhecia aquela música.
Mais uma vez, James e suas surpresas.
Fazer o quê? Eu adorava as surpresas que ele arrumava.
Onde se tem uma realidade certa
É uma tolice voltar-se para o dia que passou
O céu se prolonga até o infinito
Para um mundo onde nem se quer as sombras são projetadas
A melodia era animada e fez com que todos começassem a pular. E a letra também não era dificil.
Parecia que ele havia seguido meu conselho, e decidido pensar apenas no futuro que nos aguardava. Deixar de pensar nos dias que se passaram.
Se você estender sua mão para mim
Poderei te levar agora mesmo
Flutuando mais alto que todos
Para uma zona sem gravidade
A escuridão, enfim, havia terminado. James havia conseguido superar as trevas da doença, e voltado com tudo.
E eu o amava cada vez mais.
Abra suas asas bem afiadas, junte o vento e levante vôo
Fortes pulsações ultrapassem o tempo e ecoem
Eu estou acordando no novo mundo
Nessa parte da música, a parte do palco onde James estava começou a se elevar. Era tipo como um elevador. E dava a impressão de que ele estava realmente voando.
Apoiei a cabeça entre as mãos, que estavam apoiadas na bancada do camarote e sorri.
Ele estava feliz. Muito feliz.
No final do show, James agradeceu mais uma vez e ainda voltaram para um ‘bis’. Eu acho que estava enganada sobre ser difícil a volta. Eles eram totalmente amados pelas pessoas. E a garra e euforia que demonstraram durante todo o show contagiou a todos.
– Só poderia ser meu namorado – exclamei feliz, o abraçando, assim que ele entrou no camarim.
Eu e Melissa havíamos saído um pouco antes do final do show para esperá-los.
Vi Remus segurar a mão da namorada e levá-la para um canto.
– E lá vou eu ser candelabro... – Sirius resmungou enquanto ia atacar a mesa de bebidas.
– Se você fica falando essas coisas – James começou como se não tivesse ouvido o comentário de Sirius. – Eu vou ficar mais convencido.
– Impossível! – ri da cara de indignação que ele fez. – Eu amei o show, os efeitos, as músicas novas! Foi tudo perfeito! E o melhor, você pode cantar, cantar e cantar!
– Graças a você – James me abraçou. E eu me senti protegida, como só me sentia ali, entre os braços dele. – Estou acordando em um novo mundo – repetiu a frase da música.
– Estamos acordando em um novo mundo – o corrigi antes de beijá-lo.
E eu sabia que nossa história estava apenas começando.
FIM
Acabou! Nem acredito que consegui xDD
Eu só tenho a agradecer mais uma vez a todos que leram o fic. Espero que tenham curtido o final.
A música que eu usei no final do capítulo é de um grupo japonês chamado L’arc-en-ciel. Eu sou totalmente apaixonada por eles e a ideia para o fic veio quando eu ouvia o cd novo deles então eu não podia terminar o fic sem usar nenhuma música. Eu coloquei o link com o vídeo da música no meu perfil para quem quiser ouvir a música.
Eu estou com ideias para um novo fic James/Lily, até comecei a escrever, mas ainda não sei se vou levar a adiante. Mas como eu sou de lua pode ser que em breve nos encontremos de novo por aqui.
Muito obrigada a Anna, Lethicya Black, 28Lily, Lady Aredhel Anarion, Lin Argabash, Beella P. Moony, Aline Cullen, Maria Lua, patilion, Thaty, 1 Lily Evans, Brenda Black-Cullen, Muffim, Delly Black Fenix, Bárbara, danda jabur, melguinha3, Luu Prongs, Camila Lopes, Caroool! ;D, S2 Lily. S2, Nina G., Mari lP., Lily Nessie, Lika Slytherin, gy p. c. j. e elleen c. pelas reviews.
Obrigada também a todos que add a fic nos favorites e alertas.
A Beella P. Moony criou uma comunidade no Orkut para o fic. Eu ficaria muito feliz se vocês participassem!
Até uma próxima.
Branca Takarai.