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Author of 18 Stories |
Titulo: À noite sem lua.
Cap: primeiro ato.
Autora: Helena Hiwatari Masako (Helena Becker Cordeiro)
Gênero: romance/mistério.
Advertência: beyblade não me pertence.
Observações: estou postando apenas essa fic contra minha vontade, sendo que fui obrigada pela minha amiga Hakei. Resposta para o desafio que Daniel me mandou.” Numero 04 Romance entre Kai e a autora. Uma fic dramática junto com romance. Sem cortes, sem conteúdo adulto, sem beijo, apenas insinuação.”
Resumo: “Saiba que eu tenho te assistido, todas as vezes que meu olhar cai sobre ti” Uma noite sem lua era aquela, mas ela odiava noites assim. Ele não sabia qual a razão e assim a perguntou. Não esperava que seus olhos ainda tivessem algum brilho.
Notas da autora: resumindo, fui obrigada a aceitar esse desafio. Tinha escrito no mês passado e agora estou postando, e peço desculpas para aqueles que esperam ansioso o ultimo capitulo de Os Contos Exilados, por causa das provas e avaliações não pude nem começá-la. Espero que gostem.
Por que penso em você?
Primeiro ato.
Por mais escuro esteja essa noite solitária de inverno, seus olhos avermelhados conseguiam ver através do véu negro que cobria a bela paisagem coberta pela neve macia e gelada lá de fora. Era uma noite sem lua onde ela resolveu se esconder dos olhares curiosos que a consumiam cada vez mais intensamente. Tudo parecia estar em um silencio perfeito a não ser pela pequena melodia antiga vindo do radio logo atrás daquela figura ali, que levava aos seus lábios finos uma bebida vermelha em uma taça de vinho. O doce gosto de sangue era uma das coisas que mais presa, deixando-o mais calmo, pois esperava uma visita rápida, no entanto a pessoa que queria ver estava atrasado, e atraso é uma das coisas que ele não suporta.
Era sempre assim, quando mandava ela vir aqui, nesse lugar onde todos os seus desejos são realizados, mas há um preço a pagar. Um lugar onde você pode escolher, se quer ser torturado, punido, humilhado ou morto. Era incrível, ela sempre arranjava um jeito de se atrasar mesmo sendo tão pontual a ponto de ser a primeira a estar disposta nos lugares onde as missões ocorrem. Qual a desculpa daria agora? O cachorro escapou pelo portão dos fundos e correu até uma loja de doces ou o carro ficou sem gasolina e ela aproveitou para abastecer e comprar alguns cookies? Sempre tinha duvida de qual levar, se o de chocolate ou o de nozes.
Não se importava tanto agora, já estava acostumado mesmo com essas atitudes infantis que ela tinha de vez em quando. Às vezes uma criança mimada, outras uma sádica sarcástica e por fim calada e sonhadora. Um temperamento pequeno ela tem, assim pode-se dizer. Era uma das pessoas que o deixava irritado quanto às missões já que ela nunca levava a serio, sempre brincando. Assim ela agia, sempre colocando uma mascara em seu rosto, ofuscando sua verdadeira identidade. Era um mistério a ser resolvido quanto se dirige a família e amigos, nunca soube nada ao ponto de dizer que a conhece. Mas por que estaria pensando nela agora?!
Sentiu a ultima gota de sangue tocar sua língua, lá se foi os minutos prazerosos. Colocando a taça na mesa de madeira mais perto dele, sua atenção se voltou para a musica que agora tocava na radio. Desde quando era criança ouvia essa musica, mas nunca prestou atenção nela, era em russo e agora ele sabia o que ela significava. A letra era tão idiota, tanto quanto ela. Novamente pensando que poderia saber tudo sobre tudo, será que há restrições?
Dirigiu-se até a poltrona mais próxima e ali se jogou nela. Viu seu reflexo no espelho a sua frente, simplesmente era algo realmente esquisito pois dizem que um vampiro não possui alma, e os espelhos refletem seu corpo e sua alma. Bem, sinceramente ele não tinha mais alma, ela valia muito e assim ele a vendeu, porem tinha um coração mesmo que não batesse direito. Será que era isso que fazia a diferença? Passou seus dedos entre os fios do seu cabelo bicolor, massageando seu couro cabeludo. Muitas vezes ficava pensativo, mas poucos assuntos vinham em sua mente.
Suspirou enquanto impacientemente rolava seus olhos pelo seu aposento. Um dos lugares mais confortáveis fora seu quarto, onde era seu refugio para o mundo lá fora. O único lugar que ele se sentia bem consigo mesmo, o único lugar que ele podia se preocupar sem pensar nas coisas que fazem sua vida se tornar tão perigosa. O relógio deu onze badaladas, dez minutos atrasada, seu maior recorde. Bem, era noite de comemorar.
Se levantando, passou suas mãos pela sua roupa baseada em azul marinho, preta com detalhes amarelos, a arrumando assim se livrando de toda as partes meio amassadas. Dando o primeiro passo, uma forte dor em seu peito ele sentiu, e seu primeiro pensamento era que não poderia estar acontecendo novamente. Segurou com força essa região da roupa, era algo tão ruim que sentia, como seu coração estivesse a ponto de explodir, como a dois anos atrás. De joelhos no meio da sala ele sentia sua respiração agora forçada. Ouvindo os sussurros daquelas almas que uma vez retirou a vontade de viver, conseguiu se levantar ainda com dificuldade e tropeçando em seus próprios pés ele se dirigiu para a estante mais a sua frente.
Seu corpo tremia incontrolavelmente, mesmo com dificuldade conseguiu abrir a primeira gaveta daquela caixa de madeira. Retirou uma seringa já preparada onde um liquido negro estava, e com suas mãos tremulas ele a posicionou acima de sua pele pálida quase da cor da lua. Era incrível a dor que sentia, como se quisessem retirar um membro de seu corpo a força apenas com as mãos, as unhas entrando em sua pele arrancando pedaços de sua carne desejada por todos. Mirou sua veia azul já levantada, piscou varias antes de sentir a agulha entrar nele. Uma das coisas que mais odiava nesse mundo, sentir a agulha tocar sua veia e espalhar o liquido em seu corpo, percorrendo os caminhos rapidamente. Era algo horrível principalmente quando era criança foi submetido a inúmeros testes, quase sempre se relacionando com agulhas.
Era como um soro que agia muito rápido, mantendo a calma e esvaziando toda a dor que sentia. Essas contrações, dores que constantemente sentia causado pelos inúmeros produtos químicos introduzidos quando era pequeno. Tentou drenar seu sangue, passando a um novo e limpo, mas não deu certo. Os produtos tinham atingido os ossos que expeliam a substancia. Mesmo sendo um vampiro as coisas não funcionavam as mil maravilhas, seu dom, sua maldição. Agora já estava de pé e assim guardou a seringa com cuidado num lugar seguro, longe dos olhares curiosos. Respirou fundo antes de se dirigir para perto da janela, onde antes estava apreciando a paisagem do lado de fora. Seu organismo agora tinha voltado ao normal, bom sinal.
Escutou o portão de ferro ser aperto, era um rangido irritante se estivesse perto demais, de longe o farfalhar do motor ficava mais forte a cada centímetro que avançava. Abrindo uma garrafa com o saca-rolhas, lentamente via o liquido precioso encher a taça e assim ali ficou, saboreando sua bebida preferida observando cada passo dado, cada movimento dócil que ela fazia constantemente. Por que estaria agindo assim? Nenhum motivo respondeu, será que estava começando a odiá-la?
Pelo vidro viu-a desligar o motor da moto. A única luz lá de fora vinda do farol acesso agora tinha se apagado, e tudo voltou a escuridão total. Os movimentos em sintonia com o vento, como uma borboleta voando numa ventania sem perder o ritmo. Essas eram apenas algumas palavras ditas por ela ecoavam por sua cabeça, trazendo lembranças de seu passado obscuro como num passe de mágica e novamente se encontrava em seus pensamentos, se perdendo deles.
Flash back.
Se encontrava sentado num sofá vermelho no meio da sala branca da empresa. Em suas mãos um livro estava mas sua atenção se voltava para a pequena discussão ao seu lado. Entre ela e seu chefe, seu avô na verdade. É tão divertido ouvir esses tipos de briga, até mesmo porque eles não vazem questão de ele estar ali ou não. Uma raposa contra um cordeiro. Interessante. Mas agora já passava dos limites, colocou seu fone de ouvido em suas orelhas e ligou seu aparelho eletrônico, e assim ficou ouvindo musica baixa.
-Bonito não é? A missão faliu- agora seu avô esbravejava na cadeira de couro macio. O som de sua mão se chocando contra a mesa de madeira foi ouvido talvez pelo corredor inteiro.
-Não foi por minha causa!- do lado oposto, ela estava. Agora seu rosto mostrava uma expressão de indignidade, recusava dizer que foi por causa dela que tudo quase foi a falência. Mesmo assim dava para ver através de seu cabelo ondulado um pequeno sorriso que se formava quando ela abaixava a cabeça.
-E como você explica os acontecimentos? Se o Kai não estivesse lá, talvez você não estivesse mais aqui- Voltaire agora estava mais nervoso do que antes. Rolava de um lado para o outro sua caneta de metal impaciente por uma resposta.
-Ouço chamarem meu nome- Kai afasta um pouco um fone mas vê que a conversa não era com ele. Assim recoloca o fone percebendo que seu avô ficava mais inquieto a cada segundo e ela apenas mostrava que estava num dos seus piores dias, sarcasmo a dar e sobrar. Sim, estava sádica e era difícil de vê-la assim.
-Digamos que foi um erro de sorte- se levanta da cadeira antes ocupada por ela, agora focando nos olhos seu superior.
-Sorte não tem erros, Masako- dessa vez dirigiu o olhar para aquele rapaz ali sentado, Kai nem ligou. Como diziam... ele sempre tem razão sobre tudo. A sorte não possui erros se não deixaria de ser sorte e passaria a ser apenas coincidência, Talvez ela ainda não saiba disso.
-Hnf, diga-se de passagem que não me dou bem com ela.
-Saia da minha sala e arranje um jeito de conseguir o material.- seu avô já tinha perdido a paciência com a garota ingênua a sua frente. Será que ela era toa burra a ponto de não saber que não se deve mexer com uma fera desprotegida? Bem, apenas porque ela garantia sua vida, pois ele estava ali junto à reunião.
-Certo chefe, mas não me esperem- se dirigindo até a porta, ela parou. Sabia que vinha algum aviso, sempre há.
-Não machuque ninguém- agora sua voz tinha voltado ao normal, fria como sempre. Focava agora um maço de papeis a sua frente, totalmente digitados. Talvez seja algum documento importante para a próxima missão ou, apenas entradas na jusitça.
-Não conte com isso- abriu a porta e antes de sair apenas sorriu. Um sorriso falso de quem vai aprontar uma, mas ele desapareceu quando a fechou, voltando a ser a mesma pessoa fechada que caminhava pelas escadas até seu veiculo.
A sala agora em que ocupada pelos dois ficou em silencio caindo no esquecimento. Entediado o mais novo se levantou e saiu pela porta dizendo apenas um até logo. Como ela conseguia agir assim? Quando finalmente tinha terminado de descer as escadas parou perto da saída do hall e olhou para o lado, do canto dos olhos podia vê-la com seu casaco preto amassado que ia até perto dos joelhos encostada na parede branca, de olhos fechados. Ele apenas a ignorou e se, pois para fora do estabelecimento pela porta da frente, vendo as centenas de carros passarem por ele na rua a sua frente. Milhares de luzes podiam ser vista em seus olhos, que passavam rapidamente sem se importar com nada. Quem dera que sua vida fosse assim corrida, mas não se preocupando com o que pode acontecer. Nada é como desejamos que seja um dia, sempre havendo contradições, mesmo que não sejam compreendidas a tempo.
Às vezes estamos tão concentrados em fazer o que desejamos que não se tocamos que perdemos tudo que era valioso para a gente. Ele não contava que aquele momento era o momento precioso que nunca iria voltar.
Final doFlash Back.
Continua.