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Resumo: (Resposta ao desafio dos feelings II do Mundo dos fics)
Resumo: (Resposta ao desafio dos feelings II do Mundo dos fics). Seiya só tinha mais dois dias para cumprir aquela missão de uma vez, mas conseguiria matar a garota que, sem querer, conquistara seu coração? (Saori/Seiya) UA.
Nota da autora: Este é um fic ‘curto’ que eu escrevi como resposta ao desafio do Mundo dos Fics para o II desafio dos feelings. Dividi em 3 capítulos para trabalhar os sentimentos melhor. Bom, eu não escrevo uma fic de CdZ há um ano pelo menos (ou mais), espero não ter enferrujado.
Divirtam-se com a leitura.
BLAME
Capítulo I – ASSASSINO DE ALUGUEL
Ele a olhou mais uma vez. Seu prazo estava terminando, e não poderia mais protelar o seu trabalho. Já havia sido interpelado diversas vezes pelo seu chefe sobre a conclusão daquele serviço, e o assassino apenas respondia estar observando sua vitima. Como era o melhor do grupo, não recebia nenhum tipo de repreensão nem reclamação.
Tinha apenas mais dois dias.
Mas a verdade é que não conseguiria matá-la.
Grande ironia. O maior assassino de Tókio enfeitiçado por causa de um belo sorriso.
Porém, teria que esquecer qualquer coisa que fosse, abafar aqueles sentimentos estranhos que lhe atormentavam noite e dia, e concentrar-se apenas em uma coisa: Saori Kido não podia continuar viva.
– Por aqui outra vez, senhor Roshi – Seiya quase pulou da cadeira quando a garota apareceu a sua frente segurando um cardápio. Ele cerrou os olhos levemente. Por que ela conseguia sempre pegá-lo desprevenido? – Desculpe-me. Não tinha intenção de assustá-lo.
– O mesmo de sempre – Seiya limitou-se a dizer.
– Claro – Saori sorriu gentilmente e se afastou.
Seiya trincou os dentes levemente. Como ela conseguia sorrir depois de tudo que presenciara. Era como se nada ela tivesse visto, ou ouvido.
Mas a verdade é que ela fora testemunha de um assassinato, e estava sendo protegida pela policia para auxiliar nas investigações. Porém, eles não tinham idéia de que havia um espião dentro do grupo e que repassava todas as informações para a facção da qual Seiya Ogawara fazia parte.
E não fora nada difícil encontrar e se aproximar de Saori.
– Aqui está, senhor Roshi – Saori disse com o mesmo sorriso, enquanto colocava o copo de saquê diante dele.
– Seiya – ele falou um pouco aborrecido. – Já lhe disse para deixar essas formalidades de lado.
– Eu já lhe disse que não posso tratar os clientes com tanta intimidade, senhor Roshi – Saori disse sentindo o rosto arder um pouco.
– Bobagem – Seiya balançou levemente a cabeça. – Eu não sou apenas um cliente, não é mesmo, Sophie? – percebeu, com certa satisfação, que Saori corou ainda mais enquanto apertava a bandeja levemente entre as mãos. – Afinal, eu já lhe ajudei uma vez. Não somos tão estranhos.
– Sim, é verdade – Saori murmurou enquanto abaixava a cabeça visivelmente constrangida com a conversa. – Eu nunca lhe agradeci direito pela ajuda naquela noite – ‘E nem ao mesmo posso lhe dizer meu verdadeiro nome’, a garota acrescentou mentalmente.
– Então pode começar chamando-me apenas de ‘Seiya’ – ele disse com um sorriso capaz de derreter qualquer uma.
Saori abriu ligeiramente a boca, mas antes que pudesse pronunciar qualquer coisa seu chefe na lanchonete a chamou e Saori foi obrigada a se afastar.
– Pare de ficar de conversa boba com os clientes e trate de trabalhar! – foi a repreensão que a garota recebeu ao se aproximar do balcão, mas não se importava nem um pouco.
Olhou mais uma vez para Seiya, e percebeu que ele estava observando o pouco movimento da rua desinteressadamente. Ainda sentia seu coração palpitar dentro do peito. Como não podia gostar dele? Ele salvara sua vida há poucas semanas atrás. Era verdade que raramente tinham oportunidade de conversar, mas Saori não podia negar que ficara encantada por aquele olhar desde o primeiro encontro que tiveram.
Já era bastante tarde. Saori voltava sozinha para o apartamento que dividia com uma amiga. Demorara mais tempo do que imaginara terminando de limpar as mesas da lanchonete. Era claro que estava com medo, mas não iria parar de viver por causa do assassinato que havia visto. Estava no lugar errado, na hora errada, essa que era a verdade.
Mas não tinha o que temer. Era isso que pensava. A polícia estava a protegendo, havia dado uma identidade falsa: Sophie Vallar e arranjado um emprego novo para ela. Apenas quem sabia a verdade sobre tudo aquilo era sua amiga June que dividia o apartamento e também fazia parte da policia, além de proteger Saori quando esta não estava no trabalho.
June ligara mais cedo perguntando a Saori se ela queria companhia para voltar para casa, mas a garota afirmara estar bem e não precisar de nada. Agora, arrependia-se um pouco de tal resposta, mas tratou de seguir em frente e pensar que logo estaria em casa.
Foi quando percebeu um grupo de quatro homens vindo em sua direção. Tentou ficar calma, e fingir que estava tudo bem, mas entrou em pânico quando eles vieram diretamente até ela, e sem nenhuma cerimônia, a arrastaram até um beco. Saori tentou gritar, mas um dos homens a segurou com força enquanto o outro tapava a sua boca.
A jovem sentiu lágrimas rolarem pelo seu rosto. Não tinha a menor idéia do que eles queriam fazer com ela. Não diziam uma única palavra, não riam, seus rostos eram os mais inexpressíveis possíveis.
Saori tentou falar. Perguntar o que queriam. Não tinha dinheiro algum. Seu bondoso avô morrera há muitos anos: deixara suas empresas praticamente às portas de uma falência e sua neta em uma situação difícil, obrigando a garota a passar o restante da sua adolescência em um orfanato.
“O que eu fiz de errado para merecer isso tudo?”, Saori se perguntou enquanto fechava os olhos.
E não viu quando um rapaz apareceu e puxou os meliantes de cima dela. Nem ao menos teve coragem para olhar o que estava acontecendo. Queria sumir. Apenas viver em paz, em um lugar onde ninguém a perturbasse.
– Você está bem? - o rapaz colocou a mão sobre o ombro dela, mas Saori o repeliu enquanto levava as mãos ao rosto. – Tudo bem, eu já os afastei de você.
Saori, ainda um pouco hesitante, olhou para o rapaz a sua frente.
– Você está tremendo – ele disse enquanto tirava o casaco que vestia para cobri-la. – Não precisa se preocupar – acrescentou com um sorriso. – Está tudo ok, agora. Vou te levar em casa.
– Obrigada – Saori disse quase que em um murmúrio. Ainda estava muito assustada, mas não pode deixar de notar como os olhos daquele rapaz eram bonitos. Castanhos vivos.
– Seiya – ele disse rapidamente. – Meu nome é Seiya Roshi.
– Sophie – Saori sentiu-se péssima por ter que mentir para o rapaz que a ajudara, mas prometera que não iria contar a ninguém seu verdadeiro nome.
– Vamos, Sophie – Seiya disse gentilmente. – Me diga onde mora.
Fora mais fácil do que Seiya imaginara. Saori ainda estava muito frágil por ter presenciado o assassinato, e apesar de tentar se fazer de forte estava muito assustada. Ela o levara até o apartamento em que estava morando, e ainda o deixara entrar. Se quisesse, Seiya poderia ter terminado com aquele trabalho no mesmo dia, mas resolveu estudar sua próxima vítima.
Péssima idéia.
Percebera que Saori era uma garota gentil, e batalhava muito para sobreviver dignamente. Por causa do assassinato ela precisava se esconder, não podia visitar os amigos e tivera que trancar a faculdade de Turismo.
Mas, mesmo com todas as recomendações da policia ainda havia um lugar que ela continuava freqüentando: O orfanato onde passara boa parte da sua vida.
Seiya a seguira diversas vezes até lá, e daí começou sua perdição.
Aquele sorriso!
Uma pessoa com um sorriso tão sincero não merecia morrer. E, Seiya, em anos como assassino de aluguel jamais se vira diante de uma situação como aquela: Ponderando os motivos pelos quais deixar alguém vivo. Ele apenas seguia ordem da facção. Nunca se perguntara se aquela matança iria trazer algum beneficio as pessoas.
Seu chefe dizia que sim. Que o Japão seria um lugar melhor para viver quando eles exterminassem alguns ‘senhores’ que controlavam a economia e a política do país.
Tudo ia bem. Até que Jabu fez uma lambança. Ele fora enviado para matar o herdeiro de um grande grupo marítimo que era mais conhecido por viver em farras e com muitas mulheres. Jabu conseguira entrar na mansão do magnata a noite, e matá-lo, mas Saori – que então trabalhava como secretária de Julian – estava na casa para deixar alguns documentos e presenciou tudo. Conseguiu fugir antes que Jabu a matasse e foi imediatamente a policia para relatar o fato.
Entre os policiais estava Misty, um dos espiões da facção, que prontamente relatou o fato ao chefe e este mandou que Seiya limpasse a bagunça que Jabu havia deixado.
Não podiam deixar nenhuma testemunha viva. Não importava se era mulher, criança ou velho. Essa era a lei do grupo.
E agora só tinha mais dois dias.
– Senhor Roshi – Seiya fechou os olhos, irritado. Ela conseguira mais uma vez. Pegá-lo desprevenido. – O senhor deseja mais alguma coisa?
– Duas – Seiya disse pausadamente. – Primeira, que pare de me chamar de senhor antes que eu fique me sentindo um velho! Segunda, - emendou antes que Saori tivesse chance de reclamar. – Que aceite sair comigo hoje.
– Sa...Sair? – Saori exclamou surpresa. – Eu não sei.
– Por que não? – Seiya perguntou erguendo levemente a sobrancelha. – Por acaso, você está namorando?
– Não – Saori disse rapidamente. – Eu não estou namorando.
– Então está decidido – Seiya sorriu feliz. – Mais tarde, depois do seu expediente eu passo aqui e vamos para algum lugar. Conheço barzinhos ótimos. Assim você não vai ter desculpa para continuar me chamando de ‘Senhor Roshi’.
Ele deixou o dinheiro da bebida sobre a mesa, e sorriu antes de deixar o lugar.
– O que aconteceu, Sophie? – Hilda, companheira de Saori perguntou, mas esta ainda estava estupefata demais para conseguir dizer reagir.
– Ele me convidou para sair – Saori disse ainda tentando assimilar o que acontecera.
– Sério? – Hilda falou contente. – Era isso que você queria não, era? Não pára de falar no seu amor com olhos cor de chocolate desde a primeira vez que o viu.
– Hilda! – Saori exclamou, sentindo o rosto arder.
– Mas é a verdade – Hilda riu um pouco da expressão da colega. – E ele veio aqui todos os dias apenas para te ver.
– Quem disse? - Saori fingiu desinteresse enquanto recolhia o dinheiro, e o copo.
– É a verdade! – Hilda disse balançando a cabeça freneticamente. – Todos os dias! Ele vem até aqui para ficar apenas te observando!!
– VOCÊS QUEREM PARAR DE CONVERSA FIADA E IR TRABALHAR? – o dono da lanchonete gritou antes que Saori pudesse responder.
Hilda voltou para perto do balcão resmungando, e Saori olhou discretamente para a porta pela qual Seiya passara minutos antes.
“É apenas delírio da Hilda...”, foi o que a jovem pensou antes de voltar ao trabalho.