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Bela Patty
Author of 14 Stories

Rated: M - Portuguese - Drama/Humor - Reviews: 54 - Updated: 08-02-08 - Published: 07-12-08 - id:4390363

A ARMADILHA

A Armadilha – Capítulo III – Partindo para a ação

No capítulo anterior: Kamus começa a ler o blog do escorpiano e descobre o motivo de sua angústia. Milo afasta-se cada vez mais de todos. O francês sugere ao grego relacionar-se com outra pessoa, mas fica em dúvida com relação aos próprios sentimentos. Afrodite liga para o aquariano durante a madrugada, diz ter achado o blog e faz uma revelação bombástica: o escorpiano pretende se suicidar. Kamus fica fora de si, mas o sueco o acalma. Os dois bolam uma armadilha para evitar o suicídio do grego.

-oOo-

(final do capítulo anterior)

- Milo, é o Kamus. Você ligou para mim?

- Não. – a voz ficou quase inaudível.

- Tudo bem, boa noite.

- Boa. – desligou.

Em seguida o francês ligou para o sueco.

- Dido?

- Oi.

- Vamos colocar nosso plano em ação.

-oOo-

Santuário. Manhã seguinte. Na área de treinamento...

O aquariano chegou à arena quase uma hora antes do horário de início dos combates. Seu intuito era ter tempo para conversar tranqüilamente com o grego e evitar a fuga do outro. Entretanto, neste aspecto o escorpiano não foi colaborativo e apresentou-se apenas após a abertura do treinamento.

Apesar de seu plano inicial fracassar, o francês não se abalou. Esperou pacientemente até o intervalo da manhã para uma abordagem eficaz.

- Bom dia, Milo, eu gostaria de te fazer um convite. – foi direto ao assunto.

- Bom dia, Kamus. Um convite? – indagou curioso.

- Quero te convidar para um jantar na sexta-feira.

- Um... jantar?

- Um jantar entre amigos.

- Legal. – disse sem muito entusiasmo – Quem vai?

- Eu e você.

- Engraçado, Kamus. – falou sem sorrir – Um jantar entre amigos, com apenas dois amigos?

- Qual o problema? Não podemos jantar juntos, como amigos?

- Podemos, mas... esse não é um tipo de convite comum. O que você está aprontando?

- Não estou aprontando nada. Apenas faz tempo que não conversamos. Podemos aproveitar para colocar o papo em dia.

O escorpiano foi ficando mais sério e olhando para o chão.

- Não sei, Kamus. Ultimamente não sou o que pode ser chamado de “boa companhia”. Acho melhor deixar para outra oportunidade. – olhou para o aquariano.

- Eu assumo o risco. Afinal, terei um final de semana inteiro para me recuperar da sua “má companhia”. – sorriu – Vamos. – insistiu – Em homenagem aos velhos tempos de amizade.

Milo sorriu em resposta.

- Esse seu sorriso significa um “sim”? – questionou esperançoso.

O escorpiano sorriu novamente.

- Tudo bem, Kamus. Em homenagem aos velhos tempos.

- As nove na minha casa?

- Não é melhor na minha? Vamos ter que descer de qualquer jeito.

O francês não queria que o outro soubesse que o jantar seria no templo de Aquário. Era melhor deixá-lo acreditar que sairiam do Santuário.

- Preciso te mostrar algo em minha casa antes de descermos.

- Tudo bem. Como quiser.

- Então te espero às nove.

- E qual será o restaurante?

- Surpresa. – disse e virou-se, retornado ao seu posto.

Milo ficou algum tempo olhando para o amigo, tentando decifrar o que se passava na cabeça do outro.

-oOo-

Sexta-feira. Templo de Aquário...

O aquariano foi cedo para casa e começou os preparativos. Colocou o vinho para gelar, arrumou a mesa, colocou a lasanha no forno. Não dava para exigir grandes dotes culinários de um cavaleiro. Verificou se a torta holandesa não havia derretido no caminho de subida até sua casa e foi para o banho.

-o-

- Kamus? – o grego chamou-o por volta das nove à porta de seu templo – Posso entrar?

- Alguma vez eu já o impedi de entrar? – o francês apareceu com uma calça de microfibra escura e uma camisa azul clara.

- Nossa, se eu soubesse que o jantar era de gala teria me arrumado melhor. – o escorpiano vestia calça jeans e uma camisa branca um pouco justa.

- Humpf. Você sabe que fica bem de jeans e branco.

- Eu fico bem de qualquer jeito. – piscou maroto.

O aquariano sorriu. Aquele era o tipo de comentário que o grego faria em qualquer ocasião e, ultimamente, se tornara tão raro ser ouvido.

- Que bom. Vejo que está de bom humor.

- De ótimo humor. – sorriu – Até decidi viver esta noite como se fosse a última.

- Boa proposta. – o francês forçou um sorriso, lembrando-se da ameaça no blog do escorpiano.

- Humm... Que cheiro bom. Vai me dizer que o jantar é aqui?

- Descubra você mesmo. – replicou.

- Lasanha!! – exclamou, deliciado, ao aspirar o ar.

- Não é lasanha.

- Tenho certeza que é. Adoro lasanha. Reconheço este aroma em qualquer lugar.

- Ok, espertinho, sente-se. – apontou a mesa na sala de jantar, toda arrumada.

- Nossa, será que mereço um jantar assim? – olhou em volta zombeteiro – Onde estão os violinos?

- Violinos?

- Pelo jeito você vai me pedir em casamento.

O francês riu.

- Você não muda, Milo.

- Mudo sim, Kamus. Pode apostar. – disse com seriedade e ficou encarando o outro.

- Bem, então porque você não senta e me conta o que mudou?

- Foi você quem fez a lasanha? – indagou ao sentar-se.

- Completamente. Montei e assei.

- Humm... Será que saio vivo deste jantar? – questionou sorrindo.

- Bem, acho que posso garantir a refeição, – disse ao retornar com a massa – mas você terá que se contentar com a ausência dos violinos. – colocou a lasanha sobre a mesa, sentando em seguida.

- Nada de violinos? Que pena. – replicou fingindo decepção – Justamente hoje que coloquei meu melhor perfume.

O aquariano olhou para o amigo e sorriu. Era exatamente isso o que admirava no grego: seu bom-humor.

- Parece-me que hoje você está bem espirituoso. Posso dizer que eu estava com saudade deste seu jeito.

- Prometo ser o Milo, – beijou os dedos, como uma promessa – apenas o Milo e somente o Milo, até o final do jantar.

- Só até o final do jantar?

- Infelizmente depois do jantar eu viro abóbora. Aí não posso prometer mais nada.

- Então vamos aproveitar o jantar antes que o final chegue. Você abre o vinho?

- Vinho francês? Caramba! Mereço mesmo tal tratamento?

- Não fique assim tão feliz. – o aquariano brincou – Na verdade vou te oferecer um vinho francês meio velho e encalhado.

- Uff. Sabia que eu não estava com esta bola toda. – pegou a garrafa e ficou sério – Reserva de 1990?

- Eu não disse que era velho? – sorriu.

- Não podemos abrir este vinho, Kamus.

- Por que não?

- É um vinho velho e caro. Você deveria guardá-lo para uma ocasião especial.

- E um jantar em minha casa não é uma ocasião especial? Você sabe quantas vezes eu cozinho durante o ano?

- Estou falando sério, Kâ.

O francês sorriu. Fazia tempo que o amigo não o tratava por diminutivos.

- Eu também. – deu uma pequena pausa – E não se preocupe, Ucho. Tenho outro. Depois, você não vai tratar esta noite como sendo a última? Quero que seja especial.

- Cuidado com o que você deseja, cavaleiro de Aquário.

- Por quê?

- Seu desejo pode se tornar realidade.

- Então que tal aplacar meu desejo e elogiar a lasanha que eu tive tanto trabalho para fazer? – disse, colocando um pedaço da massa no prato do amigo.

- Fala sério, Kâ. Até eu consigo fazer uma lasanha. Basta colocar uma massa, um queijo, um presunto, outra massa, outro queijo, outro presunto.

- Ah, mas eu duvido que o molho que você faça seja tão bom quanto o meu.

- Molho pronto de caixinha? – perguntou e os dois riram.

O jantar seguiu animadamente, inclusive na hora da sobremesa quando o aquariano serviu a torta holandesa.

- Hummm, Kamye. Esta torta está ótima. Melhor que a lasanha. Foi você quem fez?

- Obviamente não, Milo.

- Por isso me pareceu tão boa. – riu debochado – Desculpa, é brincadeira. A lasanha estava deliciosa.

- É. Eu percebi pelo tanto que sobrou. – olhou para o refratário quase vazio.

- Só podia comer um pedaço? – questionou fingindo indignação.

- Claro que não. – sorriu.

De repente um silêncio se abateu sobre os dois. O escorpiano olhou profundamente para o francês. Kamus ficou sem-graça.

- Antes de começarmos o jantar você disse que havia mudado. – disse ao grego – Em que você mudou?

- Em tudo.

- E por quê?

- Assunto muito delicado.

- Então por que não sentamos no sofá e você me conta?

- Tudo bem. – sorriu.

Os dois se levantaram e sentaram no grande sofá, mais ou menos próximos.

- Então, o que lhe aflige? – o aquariano perguntou.

- Como eu disse, é um assunto delicado.

- E você pode me contar o que é?

O grego deu um suspiro e ficou algum tempo quieto. Depois olhou para o francês e perguntou-lhe:

- Kamus, você já se apaixonou por alguém?

O aquariano ficou alguns segundos sem resposta.

- Bem, acho todo mundo já se apaixonou por alguém, não? – respondeu, pouco à vontade.

- Estou apaixonado por uma pessoa. – disse, sem tirar os olhos do amigo.

- Mesmo?

- Sim. Na verdade estou apaixonado há anos.

- Deve ser uma pessoa muito especial.

- Fascinantemente especial.

O francês não conseguiu evitar um pequeno sorriso.

- E esta pessoa... sabe que você gosta dela? – perguntou sem encarar o escorpiano.

- Talvez. Quer dizer, acho que ela desconfia.

- E... você pensa em se declarar? – questionou, olhando timidamente para o grego.

- Já me declarei.

- E?

- Antes de ir para a Espanha tentei beijá-la à força e levei um belo soco. – disse e sorriu enigmaticamente.

Kamus sentiu o rosto queimar e desviou o olhar.

- Talvez ... ela não estivesse preparada para viver este amor. – o aquariano replicou sem encará-lo.

- É. – disse pensativo – Talvez ela não tenha se dado conta que aquilo não era brincadeira, mas amor de verdade.

O silêncio voltou a se abater sobre ambos.

- Bem, – o escorpiano levantou-se – obrigado pelo jantar. Foi ótimo.

- Você já vai?

- É melhor. Daqui a pouco vou acabar te constrangendo, isso se já não o fiz. Melhor que eu vá embora.

- Mas nossa conversa mal começou.

- Ao contrário, Kamus. A gente conversou demais.

- Eu te chateei?

- Claro que não, Kâ. – disse com um sorriso triste – Sou eu quem não sou mais uma boa companhia há tempos.

- Fique.

- Obrigado pelo convite, mas preciso ir. Outras obrigações me aguardam.

- Que obrigações?

- Aquelas as quais um homem não pode fugir. – deu uma pausa e olhou para o francês de cima a baixo – Obrigado pelo jantar, Kamus. Pode apostar que foi inesquecível.

- Pelo seu ar de tristeza, eu não diria isso.

- Engano seu, caro amigo. Foi uma noite única. – andou até a saída – Adeus. – olhou rapidamente em volta e depois pousou o olhar sobre o aquariano – Vou sentir saudades. – disse com a voz embargada.

- Da lasanha?

- De você. – virou-se e saiu rapidamente.

O francês logo saiu atrás dele. A luz que refletia no rosto do grego não mentia. Seus olhos brilharam. Estavam cheios de lágrimas.

-o-

Milo desceu as escadas com velocidade. Adentrando seu templo foi direto para o quarto. Abriu a gaveta do criado mudo e a revirou completamente. Sem achar o que queria, retirou-a e virou o conteúdo na cama. Nada.

- É por isso que você procura? – o aquariano perguntou, exibindo na mão direita alguns envelopes de comprimido.

O escorpiano secou violentamente o rosto, deu dois passos na direção do amigo e estendeu a mão.

- Me dá. – ordenou com seriedade, sem conter a mão que tremia.

- Claro que não. Você não precisa disso.

- Kamus, não se meta em minha vida. Você não sabe o que está falando.

- Não sei? Acha que sou estúpido? Acha que não sei o que você vai fazer com estes comprimidos?

- Isso não te diz respeito. – secou os olhos com fúria – Devolva os remédios e vá embora.

- Não vou devolver.

- Não seja imbecil. Se eu não conseguir agora, basta esperar algumas semanas e comprar mais.

- Tudo bem. – sorriu – Então você espera algumas semanas.

- ME DÁ, CXXXXXX! – o grego gritou, avançando de uma vez.

O francês foi jogado contra a parede, mas conseguiu segurar as mãos do escorpiano.

- Milo, pára!

- Me dá!

- Eu não vou te dar.

- Me dá logo! – disse e fez força no braço do aquariano, ouvindo um breve gemido de desconforto – Eu não quero te machucar, Kamus.

O francês colocou a mão com os envelopes para trás e Milo avançou, envolvendo o outro com os braços, tentando pegar os comprimidos.

- Esquece, Ucho. Eu não vou te deixar fazer isso!

A afirmação do aquariano fez o grego parar o que estava fazendo. Afastou-se lentamente do amigo.

- Por que, Kâ? – perguntou em tom de voz baixo, desprovido de esperanças – Por que não vai deixar? O que há para ser salvo?

- Você. – disse.

- Me salvar? Para quê? Para que eu possa viver em um mundo perfeito onde não existe dor e todas as pessoas são felizes? – perguntou sarcástico – Não me julgue mal, Kamus. Não sou tão idiota assim.

- Eu li seu blog.

- Estou percebendo.

- Como eu posso deixar você fazer uma loucura destas?

- De qual loucura você está falando? Sofrer por alguém inalcançável ou parar a dor de uma vez?

- Milo, o mundo não acabou. E você é inteligente, bonito...

- Por favor! – interrompeu o outro – Não me venha com frases prontas do tipo “a vida é bela”, “você vai encontrar alguém que te ame”, “eu não sou o cara certo para você”, “você merece alguém melhor”, “podemos ser amigos”, bláblábláblá.

- Não é isso que eu ia dizer. Eu ia dizer que você é inteligente, bonito e charmoso por si só. Não precisaria ter bebido naquela noite.

O escorpiano ficou algum tempo calado, olhando curiosamente para o francês, tentando entender as palavras do outro.

- Eu fui um idiota, Kamus. – disse finalmente, com visível arrependimento – Passei quase a vida toda apaixonado por você. Na nossa infância eu sempre queria brincar com você, lutar com você, ficar perto de você. Você era minha inspiração e continuou a ser até minha adolescência. Só que nesta nova fase eu fantasiava que você era um herói e me salvava dos perigos do mundo. – sorriu – Bobo, né? Coisa de moleque.

O comentário fez o aquariano sorrir também.

- De lá para cá todos estes anos se passaram e eu fiz mil planos e articulações, imaginando uma forma de revelar o quanto eu gostava de você. – deu uma pausa – E eu nem posso dizer como me senti quando você se foi. Eu fiquei vazio, oco, como um pedaço de nada. – demonstrou profunda tristeza – E quando você voltou... – sorriu abertamente – ...era como se meu melhor sonho tivesse sido realizado. Você era meu novamente. Mesmo que um “meu” figurado, distante, na casa de Aquário, sem saber absolutamente nada sobre meus sentimentos, mas “meu”. “Meu Kamus”. E isso me fazia bem. – sorriu.

O francês acompanhou o sorriso, porém ainda manteve o silêncio.

- Eu sei que fui ciumento, exigindo sua atenção o tempo todo, esbravejando quando você não me notava, mas acho que agora você sabe o porquê. E, por incrível que pareça, eu vivi feliz assim, cultivando um doce amor platônico. – deu outra pausa – Então eu tive aquele sonho e ele acabou comigo. Eu tinha certeza absoluta que eu ia morrer – ficou melancólico – e se fosse assim, eu jamais voltaria a ver seu rosto, ouvir sua voz, tocar em você, mesmo que fosse em um abraço de feliz aniversário. – deu mais uma pausa – Eu enlouqueci, Kamus. Imagine minha situação: anos a fio gostando de você, sem nunca dizer absolutamente nada, e em poucos dias eu poderia estar morto, sem ao menos ter revelado o que sentia.

Milo respirou fundo.

- Eu juntei toda a coragem do mundo, ou a que eu consegui juntar, e te chamei naquela quarta-feira antes da minha partida para me declarar. Eu nem dormi direito à noite.

- Pensei que as olheiras e a agitação eram pela viagem. – Kamus falou.

- Não. Não eram. Era tensão, mas não pela viagem. Era medo de falar com você.

- E por que você não disse nada naquele dia?

- Depois de você me chamar de infantil e cabeça-oca? Se eu falasse alguma coisa ou você daria risada e pensaria que era uma brincadeira ou ficaria furioso e me jogaria escada abaixo até Áries.

- É. Talvez. – o aquariano falou, pensando um pouco sobre o assunto.

- Eu entrei em desespero, Kâ. Faltavam poucos dias. Eu precisava te contar. Na sexta eu me arrumei, me preparando para uma declaração, mas fiquei tão nervoso que até no ensaio na frente do espelho eu fiquei mudo. – deu uma pequena pausa – Então eu abri uma bebida e tomei um copo. Mas a tensão não diminuía. E não diminuiu, até que eu tomei quase toda a garrafa. – olhou para baixo.

Os dois não trocaram palavras por alguns segundos.

- Eu fui tão egoísta, Kamus. Eu quis apressar as coisas por causa de um sonho imbecil e... – calou-se e ficou olhando para baixo – Na minha doce ilusão de “declaração amorosa” eu iria até sua casa, diria tudo o que eu te falei agora, você perceberia que era verdade, nos beijaríamos e... teríamos uma noite maravilhosa. Humpf! – deu um leve suspiro – Eu sou um grande idiota sonhador, isso sim. – ficou olhando para baixo – Isso nunca aconteceria.

- Não, Milo. Você não é idiota. – aproximou-se do grego – E como pode ter certeza que não aconteceria?

- Kamus, se eu repetisse tudo o que eu te disse agora, me aproximasse de você – aproximou-se um pouco, ficando muito perto – E tentasse te beijar, você se deixaria beijar?

- Eu... não sei.

- Se eu tocasse em seu rosto, – tocou o rosto do francês – desde que você não quisesse me matar, claro. Você está com vontade de me matar agora? – brincou.

- Não. – riu.

- Então se eu tocasse seu rosto e aproximasse meus lábios dos seus. – chegou perigosamente perto da boca do aquariano – Você aceitaria um beijo? – falou quase em um sussurro.

Kamus aspirou o perfume delicioso que o outro emanava e fechou os olhos momentaneamente. Quando os abriu, encontrou um belo par de olhos azuis.

- Esse seria o jeito certo de se declarar? – o francês perguntou baixinho, com a respiração alterada.

- Você é quem deveria me dizer. – o grego respondeu no mesmo tom, fazendo seus lábios roçarem de leve nos lábios do outro.

Kamus estremeceu de leve, fechou os olhos e abriu um pouco a boca. Milo aproximou-se lentamente.

Os lábios tocaram-se com suavidade. A língua morna invadiu a boca francesa com delicadeza. Instantes depois o aquariano parou o beijo e afastou-se. O escorpiano abriu os olhos e ficou parado, esperando. Kamus não tirava os olhos dos lábios do grego. Milo moveu-se milímetros de distância em direção à boca do outro e parou.

O francês ficou alguns segundos firme, mas não resistiu. Avançou.

De delicado, o beijo passou a ardente. As línguas serpentearam incessantes em busca de satisfação. Mãos deslizaram pelas costas alheias, aproximando os corpos. Os remédios caíram no chão. A temperatura aumentou, a respiração tornou-se ofegante, as carícias se intensificaram.

Milo parou o beijo e olhou felinamente para o amigo. Aproximou os lábios do pescoço do aquariano e deu uma chupada de leve. Kamus fechou os olhos e jogou a cabeça para trás, entregando-se. Enquanto o beijava, o escorpiano começou a desabotoar-lhe lentamente a camisa. Quando o fez, retirou-a devagar e sorriu ao ver as inúmeras sardas. Puxou-o para junto de si e passou a beijar-lhe o ombro e o peito. Parou. O francês estava bastante ofegante.

O grego pegou em sua mão e levou-o em direção à cama. Pegou o edredom que a enfeitava e retirou-o, junto com as coisas da gaveta espalhada. Empurrou gentilmente o aquariano para a cama e retirou-lhe o cinto.

Kamus estremeceu quando o outro desabotoou sua calça, abriu-a e começou a beijar sua barriga. Ao sentir a mão ousada tocar seu membro, o francês gemeu. Entretanto aquele era só o começo. Milo abaixou-lhe a cueca e beijou sua virilha. Fechou a mão em volta do sexo do amante, lambeu-lhe toda a extensão e abocanhou-lhe a glande, fazendo pressão com a boca. O aquariano soltou um gemido mais alto e instintivamente sentou-se. O escorpiano sorriu e empurrou o outro novamente para a cama, atacando sua boca e deslizando a mão por seu sexo.

Kamus estava muito excitado, mas queria mais das preliminares. Puxou o grego para junto de seu corpo e girou por cima dele. Pegando a camisa do outro, começou a desabotoá-la. Ao ver o peito nu do escorpiano aproximou os lábios, lambeu, sugou e mordiscou-lhe o mamilo. Milo ofegou e fechou os olhos, demonstrando puro prazer aos toques ousados do francês. Os arrepios de deleite do grego fizeram o aquariano sorrir. Com um sorriso malicioso abriu o jeans do escorpiano e deslizou a mão para dentro, despudoradamente. Milo gemeu e arqueou as costas de tesão.

- Eu quero você. – o francês sussurrou com lascividade no ouvido do grego, abaixando-se um pouco para morder o ombro moreno com luxúria.

-oOo-

Templo de Escorpião. Tarde de sábado...

- UHUH!! – o escorpiano gritou e saiu correndo pela sala – Eu não disse que desta vez eu ia acabar com você, francesinho? YEAH!! – socou o ar três vezes.

- Tudo bem, Milo. Você venceu. – colocou o controle do videogame de lado – Mas precisa ficar gritando, dançando e pulando para tudo quanto é lado?

- Desculpe, meu querido cavaleiro de Aquário, – aproximou-se – mas sou insaciável por vitórias.

- Pelo que vi ontem à noite, não apenas por vitórias. – sorriu enigmaticamente.

O grego sorriu em resposta.

- Isso é um desafio, francesinho?

- Que tipo de desafio?

- Que eu não consigo te deixar alucinado em menos de um minuto?

- Um minuto? Humpf! Você não é tão bom assim. – o aquariano desdenhou.

O escorpiano sorriu e aproximou-se do outro.

- Tem certeza? – sussurrou e enfiou a língua dentro do ouvido do francês enquanto deslizava a mão por seu corpo e alcançava seu sexo.

- Ainda bem que eu não apostei nada. – Kamus gemeu.

- Agora que começamos, só paro com a vitória. – puxou o outro para junto de si.

-oOo-

Templo de Escorpião, manhã de domingo, pouco antes do almoço...

Milo conferiu mentalmente o que havia colocado em sua mochila: roupas, videogame, jogos, algumas coisinhas íntimas... O francês saíra de sua casa há pouco e o esperava no Templo de Aquário para almoçarem.

Pegou o tubo de lubrificante e jogou dentro da mochila antes de fechá-la.

Estava saindo de sua casa quando se lembrou de algo muito importante. Pegou o telefone e fez uma ligação.

- Alô? – o interlocutor atendeu.

- Deu certo. – o grego falou

- DEU?? – o interlocutor gritou do outro lado da linha – E como foi?

- Ele também queria.

- Eu sabia. Agora diga: sou ou não sou demais?

- Sem estrelismos. – a princípio o escorpiano falou com rispidez, mas logo riu – Valeu. Pode apagar os e-mails. Tô te devendo uma das grandes.

- E quando vou saber os detalhes?

- Quando eu tiver tempo.

- Por que você não vem agora?

- Agora não dá. Eu estou indo para... outro templo. – disse e sorriu.

- Hummm... sei. – riu – Então vou pegar uma senha e sentar no final da fila.

- Vou fazer tempo para você. – o grego prometeu – Isso se não rolar um ciúme.

- Nossa! Já está assim?

- Você sabe. O Milucho é irresistível.

- E um grande mentiroso.

Os dois riram.

- E o que você vai fazer com os soníferos?

- Jogar fora, como os dois primeiros. – o escorpiano respondeu.

- E se ele desconfiar?

- Digo que minha insônia acabou depois que ele entrou na minha vida.

- Aposto que não foi só na sua vida que ele entrou.

Os dois riram.

- Depois a gente se fala.

- Ok, Milo de Escorpião. Seja bem-vindo de volta à normalidade. – o outro disse.

- A verdadeira volta dos que não foram.

- Sério mesmo que existe um site de cartas suicidas?

- Você está me atrasando. – o grego reclamou.

- Ai, ai. Isso é que é vontade de dar.

- Olha como fala comigo!

- Bem vindo ao clube, “mona”. – disse e riu gostosamente.

O grego desligou, rindo bastante.

Afrodite, ainda rindo, colocou o telefone no lugar e foi até seu quarto. Ligou o computador e acessou o e-mail.

- O Milo está louco? Apagar? Como eu faço para apagar um e-mail? – ficou pensativo – Hummm... Acho que é só não acessar mais. Só isso.

Por via das dúvidas o sueco apagou de seu computador tudo o que remetesse a seus dois personagens: Pequena Vênus e Tide, criados a partir de relações com o seu próprio nome. Antes de apagar a planilha que continha os dias e o que deveria acontecer em cada um deles, deu uma última lida.

ANTES DA ESPANHA

01 Semana antes - Milo fala que acha que vai morrer. Afrodite (tenho que ser convincente) faz um escândalo para atrair mais cavaleiros para ouvir a história.

(dias depois) Milo fala com Kamus em particular sobre o sonho. (em particular? Danadinho, não? Rsrsrs)

Primeira Tentativa – Sexta – Milo beija Kamus. (tomara que dê certo, assim o Milucho não vai ter que fingir ser o que não é por um bom tempo)

VOLTA PARA A GRÉCIA (se a “Primeira Tentativa” falhar)

Dia 01 – Quarta – Volta do Milo.

Dia 02 – Quinta – Milo fala com Saori.

Dia 04 – Sábado – Milo apronta as três caixas. Afrodite (euzinho) fala com Kamus e faz ele ir até o templo de Escorpião para pegar o Milo mexendo nas caixas. Com muita sorte, a curiosidade do aquariano o faz abrir a “não abrir nunca mais”

(assim que der) – Afrodite vê o máximo de cavaleiros juntos, inclusive o Kamus, fala sobre o Milo, sugere depressão e amor não-correspondido.

(assim que der) – Milo fala para Kamus que vai conversar com Afrodite. Afrodite conta a Kamus sobre o blog. (Milo fará um blog mais sóbrio, afinal ele está descrevendo uma desgraça e não uma comédia – que pena rsrsrs)

(assim que der) – Milo reclama no blog de alguma coisa que o Kamus fez.

Dia 14 – Terça – Tide (eu!!) escreve para o Milo.

Dia 15 – Quarta – Milo, no blog, agradece a Tide. (eu de novo!!)

Dia 25 – Sábado – (postagem do blog de 24 – Sexta) – Milo vai a uma balada e fica apenas 20 min.

Dia 33 – Domingo – (postagem do blog de 32 – Sábado) – Milo vai até uma balada gay. (desperdício eu não ir junto rsrsrs)

Dia 35 – Terça – Pequena Vênus (eu!!) escreve para Milo.

Dia 36 – Quarta – Milo passa a sorrir mais, por causa da Pequena Vênus. (eu sou demais, não? rsrs)

Dia 46 – Sábado – Milo, no blog, se revolta com sua situação.

Dia 47 – Domingo – (postagem do blog de 46 – Sábado) – Milo broxa com uma loira (por que não ruiva? Não consegui convencer o Milucho a mudar)

Dia 53 – Sábado – Milo fala, no blog, do remédio para insônia.

Dia 57 – Quarta – Milo fala, no blog, em suicídio na sexta. Afrodite fala do site para Kamus e o convence (vai ser difícil) a convidar o Milo para sair.

Dia 58 – Quinta – Lembrar Milo de não responder nada no blog.

Dia 59 – Sexta – Dia do suicídio – Lembrar Milo de deixar os remédios na gaveta da cozinha, pois Afrodite vai combinar isso com Kamus (se o cavaleiro de Aquário soubesse rsrsrs)

Segunda TentativaMilo tenta se aproveitar de sua fragilidade para fisgar o Kamus.

Dia 60 – Se o Milo me ligar é porque não deu certo a “Segunda Tentativa” e vamos ter que pensar em alguma coisa muito boa!

- Meu caro francês, espero realmente que você aproveite o momento. Aquele grego louco te ama. Foi por isso que aceitei fazer parte desta armadilha maluca.

Sorriu.

- E se eu tivesse que fazer de novo? Como seria? O que eu mudaria?

Ficou pensativo

- Bem, a história eu deixaria a mesma. Este lance de sonho macabro, carta de perdão, mudança radical, blog escondido, falso suicídio, é tudo muito legal. Mas o que eu mudaria? Eu deveria chorar ao entregar a carta para o Kamus? (1) Ou chorar ao ligar para ele de madrugada? (2) – riu – Não. Seria forçado demais. – pensou um pouco – Bem, se eu tivesse que fazer tudo de novo, acho que não diria que o Milo tinha amnésia. Assim o Mask não teria me dado uma bronca na frente do meu público. (3) Público! Isso mesmo! Talvez eu mudasse um pouco o meu texto, eu seria mais... teatral.

Levantou-se em um rompante e pegou o vidro de perfume que estava próximo.

- Muito obrigado. Sinto-me honrado por receber esta premiação de melhor ator. – segurou o vidro com mais força – Em primeiro lugar eu gostaria de agradecer ao Brad Pitt, pois foi por causa dele que eu me interessei por cinema. – riu – Quem não concorda comigo? – riu ainda mais.

E ainda ficou uns bons minutos se divertindo com seu discurso de vitória.

-oOo-

Nota da autora – explicações

( 1 ) Fato mencionado do capítulo I – O início de tudo.

( 2 ) Fato mencionado do capítulo II – Descobertas.

( 3 ) Máscara dá uma bronca em Afrodite no Capítulo I – O início de tudo, quando este sugere que o Milo tem amnésia.

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Nota da autora – Agradecimentos

Agradeço a todos que acompanham a fic, em especial a quem escreveu: Sa-chan (não tenho seu e-mail então não pude responder, mas obrigada pela review. Bjins), Shiryuforever94, Paola Scorpio, Camis, Justpeachy (também não tenho seu e-mail, mas agradeço imensamente mais um coment. Sobre o nome da fic, leia este novo cap e tire suas próprias conclusões rsrs. Bjos), Anjo Setsuna, Haina Aquarius-sama, Giselle, Graziele, Mfm2885, Leo no Nina, Thyana, Ophiuchus no Shaina, Princess Andromeda, Persefone-San, Litha-chan.

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Nota da autora - Contato

Podem me contatar, brigar, criticar, reclamar, dar dicas ou só escrever para bater papo no erika(ponto)patty(arroba)gmail(ponto)com (não tem o BR); ou via review neste site.

Bela Patty .

Agosto / 2008


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