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Author of 33 Stories |
Autora: Blanxe
Beta: Niu
Casais: 5x4 1x2 basicamente.
Classificação: Universo Alternativo, Yaoi, Swing, Lemon, Romance?
Aviso1: Leu a classificação ae? Então, é Swing, logo, ninguém é de ninguém, pelo menos no que se refere à sacanagem geral...
Aviso2: Esta fic foi feita em réplica ao desafio lançado por Kiara Salkys: 5x4, onde o Duo e o Wufei só podem ter um pelo outro uma grande amizade; o Heero tem que traçar o Wufei (1x5 – Blanxe chora mt) em algum ponto da história; o nome do Solo só aparecer se for na lápide de um cemitério (Kiara psica que adora matar o Solo); e eu não me lembro, mas tem alguma coisa sobre 1x2 (ohohohohoh).
Tema Escolhido - Swing: troca de casais com consentimento de ambos os lados... a regra principal é: os casais que chegarem à ‘festa’ obrigatoriamente continuarão os mesmos, ao irem embora... mas Kiara disse que regras foram feitas para serem quebradas e que poderia juntar algum extra a esse tema se achasse que ficaria muito PWP...
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Boundaries
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Wufei observava Duo. Há uma semana, desde que haviam visitado a casa de swing, o amigo vinha agindo de maneira peculiar. Não poderia condená-lo, já que ele próprio também se sentia um pouco estranho.
Não se arrependia – de forma alguma – e talvez fosse por isso que se sentia incomodado, ainda que soubesse que este sentimento deveria ser normal. Indagava-se se para Duo estava sendo a mesma coisa.
Para ele, a experiência com o marido do melhor amigo fora algo impar. Heero se mostrara alguém completamente o oposto do que imaginara. A imagem do homem reservado, do marido romântico, carinhoso e cuidadoso na cama – segundo Duo – se quebrara no instante que seus lábios se tocaram pela primeira vez. O descendente de japoneses demonstrara-se um amante exigente e intenso, e despertara em Wufei um desejo quase insaciável.
Não foram poucas as vezes que, durante aquela semana, pegara-se pensando no oriental e no que haviam compartilhado. Perguntava-se se Duo estaria refletindo sobre seu encontro com Quatre, também.
Era estranho não estar incomodado por seu namorado ter passado a noite com outro homem. Amava Quatre, disso tinha a mais plena certeza. Era, sim, possessivo e, quando qualquer engraçadinho se aproximava de seu amante com segundas intenções, tomava uma postura agressiva. Talvez sua tranqüilidade em relação ao swing fosse a garantia de que não existiam sentimentos envolvidos.
Fora somente sexo.
Ainda assim, era incômodo ver Duo quieto no escritório. Um Duo calado, introvertido, nunca fora um bom sinal.
- Tem uma nova ordem de despacho na sua mesa. – avisou, assim que viu o amigo de trança entrar no escritório aquela manhã.
Um breve sorriso, o caminhar comedido até a própria mesa, e finalmente uma resposta.
- Sem problemas!
Cansado de fingir ignorar a postura estranha do americano, Wufei parou o que fazia e indagou:
- Está tudo bem?
Duo parou por um ínfimo instante, sentou-se à sua mesa e virou o rosto para o chinês. Um sorriso largo despontava em seu semblante quando garantiu:
- Tudo perfeito.
O sorriso não parecia falso e, por um momento, o fez acreditar que possivelmente poderia estar exagerando; criando coisas que só existiam em sua mente. Entretanto, nada afastava aquela desconfiança de que algo estava muito errado.
oOo
Retornou diretamente, depois do trabalho, para o apartamento que dividia com o namorado. Assim que entrou, o sorridente loiro veio recebê-lo. Buscou corresponder, com um leve sorriso, ao entusiasmo dele, mas sua tentativa foi completamente em vão, pois Quatre percebeu, antes mesmo de abraçá-lo, que estava perturbado.
Tentando demonstrar casualidade, o amante deu-lhe um selinho e sondou:
- E aí? Como foi seu dia?
Wufei não tinha qualquer intenção de mentir ou omitir sobre como se sentia ou suas desconfianças, pelo contrário. Agradecia a perspicácia do árabe em sempre notar quando precisava conversar ou quando estava atribulado com algo.
- Estranho. – confessou, vendo o loiro manter a feição tranqüila.
- Estranho num bom sentido ou num ruim? – Quatre indagou, displicente.
- Não sei… - disse, dando de ombros e indo colocar a pasta de trabalho em cima da mesa da sala. - Pode ter sido impressão minha.
Sentiu o estresse do namorado por causa de seu rodeio ao invés de ser direto e quase teve vontade de rir.
- O que aconteceu? – o loiro finalmente perdeu a fachada de tolerância. - Com esse mistério todo até eu estou ficando apreensivo.
Wufei suspirou, tirando o elástico que prendia os cabelos negros, bagunçando um pouco as mechas lisas, para só então contar:
- Duo… Não acho que ele esteja bem.
Quatre franziu as sobrancelhas loiras e, ficando muito sério de repente, expôs a sua preocupação:
- Ele está doente?
- Não. Ele está… quieto. Esquisito. – contou, vendo o amante ficar ainda mais intrigado. – Eu acho que depois da noite em que trocamos de parceiros, ele mudou, mesmo que esteja tentando demonstrar o contrário.
O árabe desviou o olhar de um jeito pensativo. Parecia tentar achar lógica nas palavras de Wufei ou arrumar um meio de justificar o que o namorado lhe contava.
- Acho que todos nós, de alguma forma, mudamos com o que fizemos, não concorda? – expôs o loiro.
Wufei, internamente, não poderia concordar mais com o amante. Mesmo que tentassem disfarçar, haviam sido afetados diretamente por suas decisões de se unirem de uma forma diferente. Não sabia quanto a Heero, pois não o encontrara desde aquela noite, mas podia afirmar que Quatre vinha demonstrando sutil interesse de repetirem a aventura, enquanto ele – Wufei – estava confuso com o intenso desejo que o marido do melhor amigo provocara em si. Duo era quem parecia estar evidenciando algo diferente, que ainda não sabia distinguir se era positivo ou negativo. Não tinha ideia do que o americano poderia estar pensando, pois sempre que tentara engajar em um diálogo, o amigo simplesmente achava um jeito de demonstrar que estava ficando paranóico.
- Pode ser que tenhamos sido afetados pelo que fizemos, Quatre. – Wufei ponderou. - Mas… o Duo não está normal. É diferente.
Mesmo se preocupando com o amigo de seu namorado, o árabe tentou manter o bom humor na conversa que tinham ali.
- Quem sabe ele quer repetir a dose e está com vergonha de admitir?
Wufei sorriu de maneira sarcástica. Novamente, o amante trazia à tona o assunto de fazerem o programa mais uma vez. Não era totalmente avesso à ideia, no entanto, primeiramente tinha que desvendar o motivo de Duo estar tão introvertido naqueles dias.
- Duo? Com vergonha? Você não o conhece muito mesmo. – o chinês afrouxou a gravata, vendo o loiro lhe fazer uma careta debochada.
- Estou tentando conhecer. – replicou o outro, insistindo na pergunta: - Mas não acha que ele pode estar afim?
- Eu não sei. – deu de ombros, pensando por um momento se Duo deixara alguma margem de interesse que demonstrasse vontade em repetir o swing.
- Posso falar com o Heero se você quiser. – Quatre se ofereceu.
Imediatamente, Wufei tomou uma posição defensiva.
- Quem disse que eu quero alguma coisa? – interpelou, elevando uma de suas sobrancelhas escuras.
- Eu estava falando sobre o comportamento do Duo. – Quatre riu, se aproximando do oriental. – Mas, se a carapuça serviu…
- Ora seu…
Foi impedido de xingar o namorado quando este cobriu sua boca com a dele. Contra os métodos escusos de Quatre, não havia como argumentar. E, decerto, não havia nada que dissesse que poderia encobrir o que deixara escapando, no meio de sua pequena confusão.
- Tudo bem. Eu te entendo. – Quatre disse amenamente, olhando-o nos olhos, e bastou isso para que Wufei se tranquilizasse um pouco. - Eu vou ligar amanhã para o Heero e podemos conversar sobre o Duo. Quem sabe ele tenha notado algo também ou tire de vez essa paranóia da sua cabeça.
Sorrindo aliviado, beijou o loiro mais uma vez, e agradeceu em meio a seus lábios.
- Obrigado, Quatre.
- Te amo. – o loiro replicou, antes de ter a boca atacada pelo namorado.
oOo
Duo havia chegado do trabalho, notando, com um alívio incomum, que o marido ainda não estava em casa. Deixou sua pasta de trabalho pelo sofá da sala e se encaminhou primeiramente ao quarto, onde pegou algumas roupas limpas no armário, e seguiu depois para o banheiro.
Ao entrar embaixo do jato de água morna, suspirou em contentamento, enquanto os músculos cansados do dia de trabalho relaxavam.
Heero entrou no apartamento dez minutos depois, o canto de sua boca expressando um leve sorriso ao ver a luz da sala acesa e a pasta do marido jogada no sofá, como de costume. Deixando suas coisas perto de onde estava a pasta de Duo, caminhou pelo apartamento em busca do jovem americano.
Não demorou para que encontrasse seu amado completamente nu, saindo do chuveiro. O corpo esguio com a água ainda escorrendo pelo contorno de seus músculos e os cabelos extremamente longos e molhados, que estavam soltos como uma cortina castanha ao longo do corpo do moreno… Heero jamais deixara de sentir aquela falta de ar momentânea toda vez que olhava para o marido, principalmente quando o encontrava naquele estado.
Ficou observando a beleza masculina a sua frente, encostando-se brevemente ao batente da porta, até que ele notasse sua presença ali.
- Como foi o seu dia?
Depois de um momento de desconcerto, Duo lhe sorriu, pegando a toalha branca para se enxugar e replicou:
- Tranquilo e o seu?
- Muito melhor agora. – Heero admitiu, se aproximando do marido. Segurando-o delicadamente pela cintura, colou seus corpos, sem se importar que estaria se molhando um pouco. Beijou-o na boca, gentilmente, para em seguida sussurrar, olhando em seus olhos: - Senti saudades.
Duo lhe sorriu, afetuosamente, e se afastou, enrolando a toalha na cintura.
- Quer comer alguma coisa? – questionou, sem se importar com o olhar curioso que Heero lhe lançava.
- Estou com um pouco de fome, mas…
Catando as peças de roupa em cima da pia do banheiro, Duo avisou, antes de deixar o aposento:
- Tome um banho que eu vou esquentar qualquer coisa pra gente comer, tá legal?
Com os olhos fixos e perturbados na figura que saía do recinto, Heero concordou:
- Tudo bem.
Durante o jantar, Heero disfarçou o incomodo que ainda sentia ao ser, mais uma vez, impedido de tocar intimamente seu marido. Não havia sido a primeira vez que Duo o evitava e, a princípio, não notara que americano estava se esquivando. Mas naquela noite, juntava todas as outras tentativas de se aproximar dele, sutilmente, que haviam sido descartadas por um Duo escorregadio e, às vezes, com desculpas tolas. Agora que chegava de fato a conclusão de que algo parecia estranho, Heero estava imensamente incomodado.
Observando o marido durante o período em que comiam, não vira nada de significativo que pudesse lhe dar uma pista sobre a conduta dele. Ele conversava normalmente, falava sobre o trabalho e de como estava pensando em pedir para ser transferido de setor para assim ver se conseguia um aumento.
Para ele, um Duo normal, que no dia-a-dia estava acostumado a lidar. Então, por que aquele sentimento de que estava sendo deixado de fora de algo importante?
Quando terminaram de comer, Duo o enxotou para o quarto, dizendo que ficaria um tempo trabalhando em alguns papéis para entregar no serviço no dia seguinte.
Isso fortalecia a ideia de que Duo estava evitando ficar perto de si.
Frustrado, internamente, Heero escovou os dentes e foi para o quarto, onde começou a ver um programa esportivo na televisão, disposto a esperar que o marido viesse se recolher.
Duo permaneceu na sala até o início da madrugada e, depois de escovar os dentes e entrar no quarto de casal, notou com evidente alívio que o marido parecia ter dormido com a TV ligada.
Pegando o controle remoto em cima da cama, desligou o aparelho, colocando o acessório na mesinha de cabeceira, e deitou-se cuidadosamente para não acordar o outro. Cobriu-se e virou-se para desligar a luminária, mas sua ação estagnou-se quando sentiu seu corpo ser envolto pelo braço forte do oriental.
- Pensei que não viria nunca. – Heero murmurou, junto ao pescoço do americano.
Duo tentou ocultar seu constrangimento e explicou:
- Achei que já estava dormindo.
Heero deslizou a mão por debaixo da camiseta que o jovem de trança usava e, beijando sua nuca, indagou:
- Queria que eu estivesse dormindo?
- Não. – Duo respondeu quase afoitamente, estapeando-se mentalmente por estar demonstrando um certo nervosismo. Recuperando a fala tranquila, deu uma desculpa: - É que você parece tão cansado que eu…
- Não estou cansado. – o oriental afirmou, virando o rosto do americano para si. - Estou com saudades de você.
Incapaz de impedir, Duo teve os lábios tomados pelo marido, cuja boca se moveu sobre a sua num beijo suave.
- Heero… - o moreno, de cabelos castanhos claros, murmurou em meio ao gesto.
Sem intenção de dar chances para que Duo lhe negasse o que mais desejava dele, Heero deslizou a mão pelo lado do corpo do outro, abaixando, no caminho, a boxer que este usava, fazendo o mesmo não prestar resistência quando acariciou entre suas nádegas.
Duo fechou os olhos, tentando relaxar. Permitiu que Heero o beijasse, o cariciasse e o possuísse à sua maneira. Em certo momento, conseguiu travar sua mente por completo e até apreciar os toques e o vai e vem dentro de seu corpo, mas quando começou a escutar o arfar de prazer do companheiro, os grunhidos e os gemidos, qualquer excitação se esvaiu.
De bruços na cama, era embalado por um ritmo carinhoso e sensual, no qual estava acostumado e adorava ser tratado, mas deixara de ser responsivo ao ato, esperando que Heero apenas encontrasse a satisfação que buscava.
Não demorou muito para que isso ocorresse, quando, numa última estocada, ele despejou sua essência em seu interior.
Com a respiração pesada, Heero saiu de cima de seu corpo e beijou suas costas, virando-o para si depois. Apreciando a nudez do moreno de cabelos longos, o oriental notou com estranheza e espanto, o sexo limpo e flácido do marido.
- O que houve? – perguntou, preocupado.
Constatar que não dera prazer a Duo e que, ao que parecia, sequer o havia excitado, trazia para Heero um temor crescente.
- Nada. – Duo respondeu, rindo de uma maneira sem graça. – Acho que sou eu quem está exausto, na verdade.
- Mas… - Heero viu, perfeitamente, a mentira nos olhos ametistas que se desviaram dos seus, assim como o corpo delgado que lhe deu as costas e, antes de apagar a luz da luminária, falou:
- Está tudo bem, Heero. Vamos dormir.
Mas tudo o que o japonês não conseguiu fazer foi dormir. Consumido pela sensação de impotência e confusão, passou em claro a noite, tentando achar uma explicação para o que havia acontecido.
oOo
No dia que se seguiu, Heero abdicou de seu horário de almoço para ir encontrar-se com Quatre. O loiro havia telefonado para seu celular pela manhã, querendo marcar para conversarem. Não entendeu a princípio qual o motivo do árabe estar entrando em contato consigo, mas devido ao incidente da noite anterior, acreditava que poderia desabafar com ele, e assim tirar um pouco do peso que vinha carregando dentro de si.
Combinara de ir até o apartamento onde Quatre morava com Wufei. O outro estava de folga e o local era bem perto de onde trabalhava. Por isso, não demorou para que estivesse sentado no sofá da bem mobiliada habitação, com o loiro ao seu lado contando o motivo de ter lhe chamado para conversar.
- Wufei está achando Duo estranho, mas acho que ele está preocupado demais.
Heero olhou para o árabe, como se tivesse sido pego de surpresa. E realmente havia sido. Não sabia que Duo estava agindo de maneira esquisita com alguém além dele. Isso provava que o comportamento do marido estava abrangendo fora do relacionamento que mantinham. Infelizmente, não sabia dizer se aquilo era um bom ou um mau sinal, mas aproveitou para contrariar o pensamento de Quatre.
- Eu acho que Wufei está certo.
O loiro o olhou com um pouco de descrença, porém, indagou:
- Duo está mesmo diferente, então?
- Ele me evita, Quatre. – Heero desabafou, como se estivesse completamente perdido. - No início eu pensei ser minha imaginação, mas agora…
- Agora? – o árabe motivou, colocando a mão no ombro do oriental.
- Ele sequer parece sentir prazer em estar comigo. – murmurou, num timbre derrotado.
Quatre foi abatido por aquela revelação e lembrou-se da suspeita que Wufei levantara anteriormente. Não queria ainda acreditar que Duo fosse imaturo ao ponto de estar confundindo as coisas ou simplesmente não sabendo lidar com o que haviam feito.
- Acha que o swing poderia tê-lo afetado tanto assim? – indagou ao oriental.
- Eu não sei, Quatre. – disse frustrado, enterrando a cabeça entre as mãos. - Eu não sei o que pensar… Eu tenho medo.
Compadecendo-se do estado praticamente desesperado do japonês, Quatre quis saber:
- De quê?
- Dele ter gostado tanto de estar com outra pessoa que não veja mais satisfação em estar comigo.
Quatre quase deixou uma risada escapar do quão dramático o amigo estava sendo, mas manteve-se sério, para o outro não pensar que estava debochando de sua confissão.
- Que besteira. – disse, apertando o ombro do moreno e garantindo: - Duo te ama, Heero.
O moreno ergueu o rosto e replicou, com sinceridade:
- E eu o amo demais.
Quatre sorriu, aquecido e comovido pela confissão do homem ao seu lado. Não achava que Heero pudesse fazer aquele tipo de declaração em voz alta, já que ele sempre fora tão reservado quanto aos seus sentimentos e pensamentos. Mas aquele fato, em sua mente, mostrava o quanto o outro confiava em si para contar o que havia em seu intimo.
Com o sorriso tornando-se um pouco mais largo e caloroso, o árabe acariciou o ombro do amigo, na intenção de passar-lhe conforto num momento difícil. Não entendia o que poderia estar passando na mente de Duo, e, pelo visto, nem o próprio Heero conseguia compreender, além de parecer confuso e extremamente vulnerável por isso. Era como se o oriental estivesse perdido, sem saber como reagir ou o que pensar, e queria ajudá-lo naquela situação. Se Duo se sentia mal em relação ao swing, ele – Quatre - também tinha sua parcela de culpa e deveria fazer algo para mudar isso.
- Isso foi uma coisa linda de se dizer, Heero. – Comentou, olhando ternamente para o amigo. – Tenho certeza de que ele sabe disso. Pode ser uma confusão momentânea... – Tentou confortá-lo com suas palavras, mesmo tendo certeza de que não havia feito um bom trabalho. Na verdade, sequer sabia o que dizer... talvez precisasse conversar com Duo para entender o que realmente se passava em sua mente.
- Será? Ele não pareceu pensar nisso ontem. Me senti incapaz de lhe dar prazer. – O japonês comentou, e Quatre, subitamente, se deu conta de outra coisa que o incomodava: Heero estava inseguro quanto ao seu desempenho sexual. Surpreso, o loiro olhou para o amigo por alguns segundos, ponderando sobre o que fazer.
Não negaria que se sentia atraído por ele, mais até do que deveria, e, talvez, pudesse usar dessa atração para ajudá-lo a superar sua insegurança. A grande verdade era que tinha motivos um pouco mais egoístas para tal, já que gostaria de provar um pouco do que Wufei havia experimentado e que parecera gostar tanto com Heero. E aquela era a oportunidade perfeita para saciar sua curiosidade e desejo, além de fazer com que o japonês pudesse se sentir um pouco mais confortável consigo mesmo ao saber que era capaz de suprir a necessidade sexual de outro homem, mesmo que este não fosse Duo.
Sem pensar muito mais, inclinou-se para frente e beijou a boca do oriental de forma suave, atento para todas as suas reações.
- Não acho que você seja incapaz de dar prazer a ele ou qualquer outra pessoa, Heero. – sussurrou, reparando na expressão surpresa do outro, mas não se deteve em tomar seus lábios de maneira mais enfática.
A princípio, Heero mostrou-se estático, mas pouco a pouco correspondeu ao ato, aprofundando o beijo. Não se sentia ultrajado pelo loiro o estar beijando, o que acontecia estava bem longe disso.
- Vamos aproveitar a outra parte de nossa troca. – Quatre ofegou, em meio aos seus lábios úmidos, deslizando a mão por seu tórax, até chegar ao meio de suas pernas, onde apalpou a ereção que começava a se formar dentro da calça do oriental.
Poderia ser por causa de toda aquela ideia de swing que Duo estivesse agindo de maneira estranha consigo, mas Heero se via incapaz de negar a excitação que crescia em si. Quatre o pegara num momento frágil, e encontrava lógica para o que iria fazer com ele através das palavras ditas pelo mesmo.
Consideraria o avanço que cometia como parte da barganha que haviam concordado em relação à troca de casais.
- Tire as roupas. – ordenou, imperativo.
Quatre sorriu, satisfeito por Heero ter aceitado. Sendo assim, obedeceria com prazer ao comando do oriental de olhos frios. Levantou-se do sofá e sem desviar os orbes verdes dos azuis, despiu-se atrevidamente das peças que cobriam seu corpo pálido. O olhar lascivo que Heero lhe dedicava fizera com que seu membro despertasse por completo, ansiando pelos toques daquele homem.
O árabe queria provar exatamente do que Wufei se deleitara na casa de swing e nada o faria desperdiçar aquela oportunidade.
Estendeu a mão para o oriental e este a aceitou, se erguendo do sofá e deixando ser guiado para mais adentro do apartamento, seu olhar preso ao corpo nu do outro homem.
Quatre o levou até o quarto de casal. O mesmo quarto onde passava as noites e fazia amor com Wufei – pensou o japonês. Mas isso só serviu para atiçá-lo ainda mais.
- Injusto somente eu estar assim para deleite de seus olhos. – o loiro disse, com um sorriso enviesado.
Ele beijou Heero, começando a tirar as roupas que o oriental vestia, enquanto as mãos deste, atrevidamente, vagavam por seu corpo, como se quisessem conhecer o território que em breve pensava que exploraria.
Quatre deixou o outro homem exposto, lambendo os lábios ao reparar na ereção rija que parecia implorar por atenção. Estava disposto a dar toda a assistência necessária para que Heero não saísse dali decepcionado.
- Acomode-se na cama. – Quatre pediu, enquanto caminhava até a cômoda do quarto.
Heero acatou o pedido e deitou-se na cama. O loiro se juntou a ele, rapidamente, trazendo consigo um pequeno recipiente, que fez com que franzisse o cenho.
- É um óleo de massagem. – elucidou, abrindo o frasco. - Quero acariciar cada parte de seu corpo.
Heero estremeceu por antecipação, mas nada disse. Observou o loiro despejar uma quantidade do dito óleo nas mãos e em seguida inclinar-se maliciosamente sobre seu corpo. As palmas macias entraram então em contato com sua pele e começaram a acariciá-lo.
O sorriso de Quatre se alargou quando o moreno em sua cama fechou os olhos. Aproveitou para massagear o tórax esculpido do outro homem, espalhando a essência de uva, por toda a extensão dos músculos bem trabalhados, fazendo questão de levar um certo tempo na região do peito.
Heero abafou os gemidos ao sentir os dedos do árabe brincarem com seus mamilos, circundando-os e apertando-os levemente. Grunhiu frustrado quando o carinho deslizou para as laterais de seu corpo, indo parar em sua pélvis.
Leves espasmos atingiram seu sexo quando Quatre começou a tocar sua virilha, subindo e descendo com mão, enquanto o mesmo abaixava a cabeça e encostava levemente a língua no topo de sua ereção, dando suaves lambidas no líquido perolado que minava dali.
- Quatre… - resmungou Heero.
Tudo o que o oriental queria no momento era afundar-se dentro do loiro e saciar aquela ânsia. Porém, a pegada das mãos de Quatre em seu quadril, indicava que ele não permitiria que aplacasse seu desejo tão facilmente.
- Não seja impaciente, Heero. – o árabe pediu, entre uma lambida e outra no sexo rijo do oriental. – Hoje, eu estarei no comando.
Heero franziu o cenho, percebendo o significado das palavras do outro assim que o mesmo baixou mais uma das mãos e sentiu um dos dedos embebedados pelo óleo tocar sua entrada.
Abriu a boca para protestar, mas Quatre não permitiu.
- Nessa brincadeira você tem que estar disposto a ceder também, Hee-chan.
O japonês engoliu em seco ante ao arrepio que percorreu seu ser. O apelido que Duo costumava chamá-lo nos lábios de Quatre parecia tão apelativo e o distraiu por segundos suficientes para que o loiro inserisse um dedo em seu interior.
Nunca fora submisso antes, nem mesmo para o marido. Sempre se negara a ceder poder sobre seu corpo alguém daquela maneira, e o incômodo sentido por aquela intrusão só fazia com que firmasse sua resolução. No entanto, Quatre também parecia determinado a mudar as regras de seu jogo.
O loiro ergueu uma de suas pernas e a apartou, ganhando mais espaço para inserir um segundo dedo no ânus do moreno, ganhando um gemido de desconforto.
- Relaxe. – sussurrou, movimentando os dedos dentro da passagem estreita, enquanto beijava e mordiscava a coxa que segurava.
Quatre sabia que se Heero não sucumbisse ao que fazia, seria difícil conseguir dar algum prazer a ele, mas não estava disposto a desistir. Queria acrescentar algo diferente ao ato, e conhecia o fato de que o oriental era irredutível quando se tratava de ser passivo: ele não se submetia a ninguém. Por isso, tentava provar o contrário e, dentro de si, via-se vitorioso por estar conseguindo com que Heero permitisse que o ‘molestasse’.
Ao adentrar o corpo do moreno com um terceiro dedo, forçou mais os dígitos no interior do canal, procurando o ponto em questão que faria com que Heero, definitivamente, mudasse de ideia quanto a ser possuído.
Heero estava trincando os dentes, buscando se adaptar à nova experiência, mas encontrava-se longe de aceitar o que acontecia. Sentindo-se muito incomodado, segurou o pulso de Quatre, querendo evitar que ele prosseguisse. Entretanto, naquele mesmo instante, seu corpo arqueou-se na cama, uma das mãos agarrando-se ao lençol e a outra fechando-se com mais força ao redor do pulso delicado do loiro. Um gemido rouco deixou sua garganta, ao mesmo tempo em que seu corpo inteiro era surpreendido por um choque de puro prazer.
Quatre alargou o sorriso, repetindo o movimento várias vezes, adorando ver o rosto de Heero deixar a expressão de desconforto e adotar um semblante de êxtase. Excitava-o ver o estado de vulnerabilidade do sempre tão estóico japonês.
- Está gostando, Hee-chan?
O moreno não respondeu, mas os ruídos que ele tentava evitar que deixassem sua garganta eram suficientes para garantir ao árabe suas intenções.
- Então, se prepare para me receber. – o loiro retroagiu os dedos, fazendo o oriental ofegar.
Heero sentia-se desorientado demais para protestar, mas mal acreditava que estava permitindo que Quatre posicionasse o membro rijo em sua entrada e lentamente o penetrasse. Cerrou os olhos novamente, mordendo o lábio inferior, enquanto era preenchido pouco a pouco. Mesmo tendo sido preparado, a sensação de ter o volume do árabe abrindo caminho em seu interior era muito diferente e, até mesmo, mais doloroso.
Suportou, sem reclamar, afinal, tinha deixado que começasse, não seria ele a pará-lo justo naquele momento.
Assim que seu membro foi completamente confinado pela passagem, Quatre ergueu a outra perna do japonês, retroagindo e afundando-se novamente no canal estreito.
- Quatre, isso…
- Paciência, Heero. – o loiro disse, alisando as pernas fortes do oriental e impulsionando a própria pélvis para frente e para trás, entrando e saindo do ânus do outro. - Você sabe que vai ficar bom logo-logo.
Sabia que deveria ser bom, mas nunca pensara no quão doloroso seria até chegar lá. Heero mantinha em sua mente à imagem do marido, do deleite que esse exibia em seu semblante quando estavam fazendo amor, do prazer que reconhecia em cada linha e contorno de seu rosto. Seu Duo adorava que o possuísse, então, alguma experiência boa poderia tirar dali.
Quatre continuava se movendo, nem muito cuidadosamente, nem brusco demais. Usava de um ritmo constante, preciso, mas sensual, fazendo suas partes inferiores se chocarem em meio ao ato.
Só foi aumentando o vai e vem à medida que os gemidos por seu nome, vindos de Heero, se tornavam mais constantes e urgentes. O corpo abaixo do seu estava tão suado quanto o dele e os ofegos eram impossíveis de serem mantidos sob controle. Querendo mais contato com o japonês, firmou uma das mãos em suas costas e trouxe seu corpo para cima, fazendo com que ele ficasse sentado sobre sua ereção. Tal posição o fazia enterrar-se ainda mais dentro da passagem apertada, escutando Heero gemer mais alto, ao mesmo tempo em que abraçava seu corpo e mordia seu ombro.
Heero não pensara que poderia ser ainda mais preenchido por Quatre, quando o toque da glande, bem dentro de si, causou um forte espasmo, que corria por seu corpo, aquela sensação inigualável e prazerosa fez com que buscasse imediatamente por mais.
Moveu-se de encontro à pélvis do árabe, equiparando os movimentos que faziam o sexo intumescido entrar e sair dentro de si. Empalava-se com força e precisão, conseguindo que fosse atingido naquele ponto mais uma vez e outra e outra… A cada nova investida, sua pele se arrepiava.
Quatre sentia a rigidez de Heero friccionando contra seu ventre, causando um contato constante devido à proximidade que mantinham. A boca do oriental mordia e provava da pele de seu pescoço com chupões fortes, fazendo com que seu senso se perdesse completamente nas sensações. Heero tirava toda a sua sanidade e ele já estava em seu limite, por isso, ocupou ambas as mãos nas nádegas do outro homem, apertando-as com força, sentindo a maciez da carne e as apartando, ganhando mais acesso à entrada na qual seu sexo se movia. Com as mãos firmes, aplicou mais intensidade ao subir e descer do corpo do moreno, o qual tomou os lábios e aceitou de bom grado a língua que lhe invadiu a boca.
A viscosidade morna que foi expelida em jatos por seu abdômen, ao mesmo tempo em que seus lábios abafavam no beijo o grito de prazer de Heero, fez com que Quatre o apertasse mais contra si e perdesse o foco, quando as paredes internas se fecharam ao redor de seu sexo, comprimindo-o em fortes e urgentes espasmos. O loiro finalmente grunhiu, despejando todo prazer que sentia no corpo do oriental.
Com os lábios ainda unidos, buscando um contato mais leve entre os ofegos, Quatre deitou o corpo entorpecido de Heero na cama, pesando seu sobre o dele e o beijando enquanto acariciava seu rosto. Os olhos azuis escuros semi-abertos observavam o semblante exaurido e satisfeito do árabe, que mantinha os próprios orbes verdes fechados, apenas deixando-se ser beijado, como se permanecesse envolto pelo êxtase...
oOo
De longe, os olhos esmeralda o observavam atentamente. Cada passo, cada gesto, cada movimentar da longa trança castanha que serpenteava pelas costas do moreno. Ele ficara verdadeiramente fascinado pelo homem com quem dançara uma única vez no clube de swing. Isso não acontecia frequentemente. Na realidade, isso jamais acontecera consigo, mesmo depois de tanto tempo trabalhando naquele ramo. Nunca alguém despertara sua atenção tão fortemente que seus instintos o obrigassem a investigar a ficha dos clientes para descobrir o máximo possível sobre aquele jovem.
Saber que o mesmo era casado não o impedira de procurar por mais informações sobre o rapaz por um método fora da legalidade.
Ficara sabendo onde o moreno trabalhava e por isso, quando o vira deixar o prédio no horário de almoço, o seguira e agora andava pelo shopping como uma sombra discreta, querendo apenas observá-lo à distância.
Duo Maxwell era, sem questionamentos, o homem mais bonito que já tivera o prazer de cruzar. Mas existia no moreno de trança, muito mais do que uma beleza exuberante. O magnetismo que o atraía para aquele jovem era maior do que qualquer sentimento banal que já considerara importante em sua vida. Queria arriscar conhecê-lo e saber se o encanto de uma única dança se quebraria no momento em que conversasse mais profundamente com ele.
Porém, quando o objeto de seu desejo parou a frente de uma das lojas de roupas, não resistiu ao impulso de se aproximar.
Quando o rapaz viu seu reflexo pelo vidro da vitrine e se virou, com os olhos assustados, seus orbes verdes se chocaram com os violetas pertencentes ao americano. Ele ficou mesmerizado com a tonalidade das esferas que brilhavam diretamente para si. Enquanto dançara com o moreno, na casa de swing, jurara que a cor dos olhos do outro eram apenas um efeito das luzes na pista de dança, mas agora… agora via que aquele azul-violeta era real.
Como não ficar atordoado por um homem daqueles?
- Eu disse que ia tirá-lo para dançar novamente, mas, por agora, será que aceitaria almoçar comigo?
oOo
Continua...
Notas:
Kiara, tae a atualização do nosso desafio... o 5x4 ainda está bem de plano de fundo, mas como o tema é swing, aos poucos eles vão ganhando mais destaque nos capítulos seguintes, ok?
Aos que ainda acompanham essa história, espero que o capítulo tenha agradado, pelo menos um pouco.
Blanxe