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: B s . A A A    : full 3/4 1/2   : E E   : Light Dark Books » Harry Potter » Para sempre na memória

Nicole-'Melwen'-Siebel
Author of 4 Stories

Rated: T - Portuguese - Romance/Humor - Lily Evans P. & James P. - Reviews: 11 - Updated: 09-13-08 - Published: 08-03-08 - id:4445058

Capítulo I: Cartas

Um par de olhos azuis se abriu para fitar o teto do quarto. Era estranho acordar e dar de cara com o teto bege do quarto que ele ocupava na casa dos Potter. Estava acostumado com a escuridão do Largo Grimmauld número doze. No entanto, sentia-se muito mais feliz na casa dos Potter, onde havia passado quase todo o período de férias. Desde que fugira de sua casa, sua família não viera procurá-lo e nem sequer escrevera para ele.

Ainda sonolento, Sirius Black levantou da cama e seguiu até o espelho, esticando os braços para se espreguiçar, e fitou seu reflexo.

Sirius era muito mais alto do que a maioria de seus colegas. Tinha cabelos castanho escuros, quase negros, mantidos mais ou menos na altura do queixo, e olhos azuis acinzentados. Seu rosto era anguloso e seu sorriso era digno de um galã. Seu físico também era invejável: tinha músculos definidos, apesar de não ser nenhum "bombado". Era muito popular entre as garotas da escola e isso lhe rendia fama de "galinha". A fama não era muito justa, afinal, Sirius não havia ficado com tantas garotas assim, mas como as garotas viviam se oferecendo pra ele e por ser bonito, passaram a considerá-lo uma espécie de pervertido.

Bocejou e foi até o armário pegar uma camiseta.

Poucos minutos depois, descia as escadas para tomar o desjejum.

Tiago, o melhor amigo de Sirius, já estava sentado à mesa tomando café e lendo jornal. Era alguns centímetros mais baixo que Sirius e tinha cabelos negros e rebeldes, que estavam sempre bagunçados e espetados, por mais que ele tentasse arrumá-los. Seus olhos castanho esverdeados eram cobertos por um par de óculos de aro redondo e preto.

-Quem não conhece pensa que você é muito intelectual! - Sirius gracejou vendo o amigo concentrado na leitura.

-Bom dia pra você também, Almofadinhas! - Tiago respondeu, sorrindo.

Sirius sentou-se, serviu-se de café e torrada e olhou para o amigo, que voltava a ler o jornal.

-O que tem de interessante aí? - Perguntou, antes de dar uma mordida em sua torrada.

-Parece que houve outro ataque a trouxas. O tal de Voldemort anda mesmo recrutando seguidores e atacando várias famílias trouxas ou de mestiços. - Tiago suspirou, dobrando o jornal e colocando-o sobre a mesa.

Sirius sorveu um gole de seu café.

-E o ministério não faz nada, claro. - Disse. - Na real, não sei o que achar disso.

-É.E parece ser muito perigoso, esse tal de Voldemort. - Tiago fez uma careta analitica. -Mas deixa esse idiota pra lá. Ansioso pelo começo das aulas?

-Oh. Vai ser demais rever todo mundo. - Disse Sirius, se animando. - Zoar com o Ranhoso...

-Claro. E ver a Lily... - Tiago deu um suspiro sonhador.

-Tava demorando... - Sirius revirou os olhos.

-Não posso fazer nada. - O garoto míope sorriu. - Você sabe que sou louco por aquela ruiva.

-Se é... - Observou Sirius. - Você escreveu para ela todos os dias das férias e ela nem te respondeu! Larga dessa, Pontas, você pode ficar com a garota que quiser.

-E eu quero a Lílian. Escreva o que estou dizendo, Almofadinhas, eu ainda vou me casar com aquela ruiva. - Os olhos de Tiago tinham um brilho perseverante.

-Ta, enquanto isso acho que vou ver você apanhar muitas vezes, ainda...

-Eu faço o que for preciso pela minha ruivinha. - Disse solenemente, sorrindo em seguida.

...

A manhã estava apenas começando quando Lílian Evans terminou de arrumar o preparando a mala para regressar à Hogwarts.

-Túnia, você viu a minha blusa verde? - Ela perguntou para a irmã mais velha, que estava no quarto em frente.

-Não vi nada seu. - Petúnia Evans respondeu rispidamente.

Lílian voltou para o próprio quarto.

Sentou-se na cama, analisando a pilha de roupas que já separara para levar para a escola. Os livros já estavam empilhados sobre sua escrivaninha, bem como todos os seus demais materiais.

-Acho que não estou esquecendo de nada... - Murmurou, pensativa.

Abriu seu malão e começou a organizar tudo no espaço que dispunha. Primeiro as roupas e depois as outras coisas.

Olhou para sua escrivaninha. Uma caixa de papel cor-de-rosa estava sobre a superfície desta. Dentro dela estava a correspondência das férias. Na verdade, não toda a correspondência. Ali ela guardara as cartas que Tiago Potter havia mandado. Seria mentira dizer que ela não lera nenhuma das cartas, quando ela havia lido todas, mas não respondera nenhuma. Não iria dar esse gostinho ao Potter. Pegou a caixa e fitou-a. Resolveu colocá-la na mala também.

Aqueles pergaminhos períodicos a tinham irritado no começo. Quando começaram a chegar todos os dias, ela ficou furiosa. Xingava Tiago Potter de todos os nomes e palavrões que conhecia, mas isso não mudou nada. Foi então que a curiosidade a dominou... O que Tiago havia escrito naquelas cartas afinal?

E foi a partir daquele dia que ela passou a ler as cartas dele e aguardá-las, com uma espécie estranha de expectativa, que durou até aquele dia.

Quando terminou de arrumar o malão, Lílian atirou-se na cama, deixando seus cabelos caírem cascateando sobre o eram ruivos e ondulados e se alongavam até um pouco abaixo de seus ombros.

Seus olhos verdes agora olhavam para o teto iluminado do quarto de paredes amarelo claro, uma das cores favoritas de Lílian.

Os raios de sol que entravam pela janela deixavam a cama ainda mais aconchegante e ela teve vontade de ficar ali e dormir. Levantou-se de súbito. Tinha muita coisa pra fazer e não tinha tempo pra dormir.

Seguiu até o primeiro andar da casa para ajudar sua mãe com as tarefas do lar.

...

Tiago terminou de enfiar as coisas em seu malão.

-Meu senhor, essas meias já estão sujas desde o começo das férias, não pode levá-las! - Uma elfa doméstica entrara no quarto e apreendera o par de peças.

-Ah, não importa, Dindi. - O adolescente deu de ombros.

-Importa sim. - Disse a elfa. - Deixe que eu separo as roupas limpas, meu senhor.

Dindi era uma elfa muito prestativa. Começou a dobrar as roupas de Tiago e a organizar seu malão.

Ele aproveitou para escrever sua carta diária para Lílian.

Quando terminou, foi até a gaiola de sua coruja, Penélope, e prendeu a carta no pé da ave que alçou vôo pelos céus de Londres, indo buscar seu destino.

...

Lílian terminava de picar algumas cenouras para a salada do almoço quando um som insistente se fez presente.

Petúnia olhou feio para a janela, onde uma coruja marrom estava batendo com o bico.

-Outra dessas corujas! - Exclamou ela.

Lílian franziu o cenho e foi até o animal.

Pegou a carta que a ave trazia. Sabia que se tratava da coruja de Tiago.

-Mãe, vou subir um pouco. - Anunciou ,seguindo para o quarto com o pergaminho trazido pela coruja em uma das mãos.

Só depois de fechar a porta ela teve coragem de abrir a carta. Sentia necessidade de privacidade quando lia as cartas do maroto míope.

"Querida Lily, chegamos ao final das férias e você não respondeu nenhuma carta minha... Não tem importância, amanhã nós nos veremos e isso já me deixa feliz. Espero que você esteja bem. Até amanhã. Com todo o amor do mundo, Tiago."

Aquela era a mais breve das cartas até agora. Ela sentiu uma coisa estranha ao pensar que encontraria-o no dia seguinte.

Durante todos os dias das férias ele havia escrito cartas para ela. Nessas cartas, Lílian encontrou um Tiago que não conhecia. Um Tiago que ela imaginava não existir. De fato, muito do que ela pensava sobre o maroto não parecia combinar com o que ele lhe escrevera. Mesmo assim, ela duvidava dele... Afinal, cartas são cartas, são apenas palavras.



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