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Aries no Ma
Author of 9 Stories

Rated: T - Portuguese - Romance/Angst - Light Y. & L - Reviews: 26 - Updated: 03-06-09 - Published: 09-11-08 - id:4532198

Notas da autora: Primeiramente, obrigada pelas reviews! Desculpem pela demora! Eu disse que vocês iam precisar de paciência comigo... mas quem espera sempre alcança, esse é meu lema! XD Esse capítulo me deu um pouco de trabalho... principalmente depois de voltar às aulas na faculdade... mas aqui está! Enjoy!

III

Teoria

Raito entrou o mais discretamente possível em casa, mas para seu alívio Sayu ainda não voltara da escola e sua mãe deixara um bilhete avisando que tinha ido fazer compras.

Subiu direto para seu quarto e bateu a porta com força.

- Desgraçado!!

Jogou-se na cadeira e apoiou os braços na escrivaninha, escondendo o rosto com as mãos.

Ryuuku parecia estar se divertindo.

- Dessa vez ele realmente te pegou de jeito!

- Cala a boca, Ryuuku! - e jogou no shinigami a primeira coisa que conseguiu alcançar, mas o porta-lápis passou direto pelo deus da morte, como se fosse um fantasma, e ele continuou gargalhando.

- Ele teve a capacidade de me humilhar desse jeito... - murmurava Raito, mais para si mesmo do que qualquer coisa. - E eu... eu simplesmente... caí como um pato!

Deu um soco na mesa, respirando depressa.

- Foi um golpe baixo... maldito... e tudo só pra ver se eu ia reagir. E eu reagi, e ele conseguiu.

Raito voltou a esconder o rosto nas mãos. Podia ouvir que o Shinigami ainda ria baixinho. Apesar de L tê-lo humilhado no começo, com certeza aquilo tudo era uma fachada. Era só para deixá-lo bravo, constrangido e com vontade de se vingar. Se tivesse apenas brigado com Ryuuzaki, talvez ele não tivesse aumentado tanto suas suspeitas. Ou talvez pudesse fingir que achava tudo aquilo imoral... quem sabe a imagem do bom moço diminuísse suas suspeitas. É claro que era tudo muito estranho. Sabia que L arriscava muito às vezes, mas essa era uma ação completamente suicida... que motivos teria para fazer isso?

Bem, ele tinha ficado vermelho. E não tinha deixado Raito ver como estava a situação entre suas pernas. E tinha decidido falar com ele muito de repente. Todos comportamentos muito estranhos para o detetive. Mas uma coisa era certa: ele não se mostrou imune ao próprio veneno. Ao provocá-lo, também ficou alterado...

Um sorriso maligno se formou nos lábios de Raito. Havia uma possibilidade mínima, mas...

Só podia ser isso. Só podia ser isso! De alguma forma, L sentia-se realmente atraído por ele... de que outro jeito teria representado tão bem?

Mas a melhor parte era que ele também exercia alguma influência sobre o detetive. Se soubesse como usar isso, poderia manipulá-lo como bem entendesse...

Não conseguiu refrear uma gargalhada. Ryuuku olhou-o, espantado. Em um instante, já tinha assimilado o plano do adversário e bolado um jeito de usá-lo contra ele.

- O feitiço volta contra o feiticeiro, L... – disse, mais para si mesmo.

Levantou-se, despiu o casaco e afrouxou a gravata.

- Quer ver um show, Ryuuku?

O shinigami riu, obviamente satisfeito pelo fato de que aquilo não terminaria ali, e não voltaria ao seu tédio.

- Como é que você vai pegar ele, dessa vez?

- Você vai ver. Vai ser um espetáculo.

***

Um. Eu o provoco e ele se afasta, recusando a proximidade ou ignorando-a.

Dois. Eu o provoco e ele aceita a proximidade. Depois de terminado o teste, reclama de coisas banais como o fato de eu brincar com os sentimentos dos outros.

Três. Eu o provoco e ele não só aceita a proximidade, como a encara como um desafio e tenta contra-atacar.

Possibilidade um: nada muda.

Possibilidade dois: a chance de Yagami Raito ser Kira diminui.

Possibilidade três: a chance de Yagami Raito ser Kira aumenta proporcionalmente à intensidade com que contra-atacar.

L mordeu a ponta do dedo, enquanto repetia para si mesmo pela qüinquagésima vez as três possibilidades, como se seu cérebro ainda não tivesse se convencido de que aquilo era lógico.

E como poderia ser lógico? Não era lógico! Eram conclusões absurdamente subjetivas!

Não. Ele estudara o comportamento de Kira o suficiente para saber que ele iria agir daquela maneira. O comportamento das pessoas era previsível. Principalmente o dele.

O detetive sentiu um frio na barriga. Era tão previsível que ele havia acertado na mosca a reação que Raito teria, jogando tudo para o alto. É claro que havia a possibilidade de dar tudo errado. Yagami poderia achar que ele era louco. E se contasse para Soichiro?

...Não. Qualquer que fosse a possibilidade, tinha certeza de que Raito não contaria para o pai. Resolveria aquilo sozinho. Mas como ele resolveria...? Era isso que, de certa forma, estava tirando o sono de L.

Há várias semanas ele tinha decidido qual seria a sua tática de ataque, e estava só esperando o momento certo para usá-la. Aquela tática totalmente suicida. Aquela tática em que ele corria o enorme risco de estar se deixando levar pelas emoções.

L sentiu um arrepio ao lembrar do teste e das reações de Raito. Era fácil entender porque ele fazia tanto sucesso com as garotas... e que L estava se sentindo incrivelmente atraído por ele há muito tempo, tempo suficiente para estar agora duvidando da sua intuição. Nunca havia tido um pressentimento tão forte tendo tão poucas provas. Por isso, agora resolvera arriscar tudo. Ou quase tudo. Raito, ou quem quer que fosse Kira, não tinha seu nome. Mesmo assim, era um plano extremamente arriscado, quase suicida. Era o preço que teria de pagar por ousar tanto, pensava o detetive. A primeira parte já havia sido executada e, como ele previra, Raito havia reagido. Isso era um ponto a favor de L, que confirmava suas suspeitas: se ele fosse Kira, reagiria. A segunda parte, ainda mais arriscada, estava por vir; mas seria a derradeira. Tirá-lo tão fora de si que acabaria se traindo ou confessando alguma coisa. Mas ao mesmo tempo que poderia sair vitorioso, uma vez que Raito exercia também influência sobre ele, havia a possibilidade de acontecer o contrário. Isso dependia somente da força de vontade do detetive em resistir a qualquer que fosse o contra-ataque de Raito que, agora, ele sabia que viria mais cedo ou mais tarde.

***

Ele ouviu passos se aproximarem. Não precisava olhar. Já sabia quem era.

- Boa tarde, Yagami-kun. – disse, sem se virar.

- Onde estão todos?

De fato, a sala estava praticamente vazia, exceto pelos dois. L pôde perceber uma certa inocência excessiva naquela simples frase. Notou também que ele não havia respondido o seu “boa-tarde”, provavelmente porque ainda estava bravo com ele ou simplesmente não havia ninguém ali para quem fingir uma cordialidade.

- Saíram. Foram atrás de uma pista. Eu disse que seria inútil, que era provavelmente uma pista falsa plantada por Kira... mas eles quiseram investigar mesmo assim.

Se L tivesse olhado para Raito, veria que nessa hora ele deu um pequeno sorriso.

- Mas se era uma pista falsa, por que permitiu que eles saíssem? Devia ter me chamado, duvido que saíssem se eu e você concordássemos.

- Pelo simples fato de que eu mesmo disse que deve-se investigar alguma coisa mesmo que haja apenas uma ínfima possibilidade de que seja verdade. E, além do mais, sei que Kira não fará mal a eles. O seu objetivo no momento é apenas afastá-los da central.

L também não viu que o sorriso de Raito tremeu ligeiramente.

- Como pode ter tanta certeza disso?

- Porque eu mesmo estou seguindo uma pista muito mais palpável e, se eu estiver correto, essa é a conclusão mais óbvia.

- Talvez você esteja presumindo demais, Ryuuzaki.

- Talvez. Mas você não me perguntou qual era a pista falsa que eles estão seguindo. Só posso presumir que você já saiba qual é.

Seguiu-se um silêncio.

- Não, eu não sei. Mas pensei que, se você acha que é falsa, eu só poderia concordar. Qual é essa pista, afinal?

- Kira mandou um recado dizendo que faria um pronunciamento através de um representante, mas que deveria ser mantido em segredo, apenas entre os que receberam a mensagem. Infantil e precipitado, não é digno de Kira. Ele deve ter decidido às pressas. Ou...

- Ou...?

L finalmente olhou para trás, encarando Raito.

- Ou ele sabia perfeitamente que eu não cairia nesse truque, e mandou um recado tentador o suficiente para todos os outros irem investigar, mas apenas eu permanecer na central.

Mais uma vez, silêncio. E então, Raito começou a rir.

- Ha, ha, ha! Realmente, Ryuuzaki, acho que você às vezes presume demais. Eu suspeitaria que essa é apenas uma armadilha para tentar descobrir quem ainda realmente está atrás dele.

- Se for assim ele vai falhar, porque todos estão usando capacetes e codinomes para se comunicar. Mas se for a outra opção, e eu estou certo de que é, gostaria de dizer a Kira que não estou sozinho na central. Watari está na sala dele, como sempre.

O sorriso de Raito se desfez mais uma vez.

- Pare de ser cínico. Sei que você acha que está falando com Kira nesse momento.

- Bem, então me prove o contrário, Raito-kun.

Novamente, uma pausa. Raito encarou o detetive demoradamente. E então começou a andar, olhando à volta, como se estivesse estudando o lugar. L apenas esperou. Raito começou a se aproximar, até que ficou próximo o suficiente para L ouvir seu murmúrio. Ele se apoiou com uma mão na mesa em frente ao detetive.

- Ryuuzaki...

- Sim?

- Watari está realmente vendo tudo o que acontece aqui?

Te peguei, Kira”, pensou o detetive. Dessa vez, foi ele quem não conseguiu refrear um sorriso.

- Sim, está.

Raito pareceu achar muita graça de alguma coisa.

- Foi o que pensei. Acho que isso pede um lugar mais reservado, não?

- Isso só aumenta minhas suspeitas sobre você, se quer saber.

- Puxa, então vou ter que me esforçar. Vamos? – e indicou a saída com as mãos.

L se levantou.

- As damas primeiro, Raito-kun.

- Muito engraçado. Então pode ir na frente.

O detetive chegou a dar uma risadinha, mas logo seu semblante voltou à inexpressão habitual. Sem falar mais nada, ele foi à frente de Raito.

Deve estar pensando que foi muito fácil me deixar sozinho aqui, mas eu gostaria de ver como ele vai se safar dessa, tirando minhas suspeitas sobre ele. Se eu conseguir a prova que quero...”

E saiu para o conhecido corredor, indo na direção do único lugar sem câmeras de toda central.

Raito o acompanhou com os olhos e sorriu quando o detetive deu as costas para ele.

Foi fácil demais, L... pode arquitetar o quanto quiser, porque daqui a pouco você vai estar nas minhas mãos...”.

E seguiu-o, assobiando levemente.

Uma agradável penumbra pairava no quarto quando L entrou. A persiana estava fechada e o detetive não fazia muita questão de acender a luz. Mas assim que Raito entrou, em seguida dele, a primeira coisa que fez foi apertar o interruptor. Depois, fechou a porta atrás de si.

- Eu gostaria de propor um brinde – e, de dentro do casaco, tirou uma garrafa de saquê. – Onde você guarda os copos aqui?

L levantou as sobrancelhas diante daquele gesto estranho, e apontou um armário ao lado da mesa.

- Qual o motivo da comemoração?

- Bem – disse Yagami, enquanto pegava os copos – se você faz questão de um motivo, que tal o fim de suas suspeitas sobre mim?

O detetive segurou o copo que ele oferecia e já servia a bebida.

- Isso é chantagem ou é alguma ameaça?

Raito riu, enquanto se servia também de saquê.

- Ha, ha, ha! Você me diverte, Ryuuzaki. Não confia mesmo em mim, não é?

L não respondeu. Olhou para o próprio copo, para a garrafa de saquê nas mãos de Raito e para o copo dele.

- Que foi? Acha que está envenenado?

O detetive demorou dois segundos antes de olhar para ele com a cara mais inocente do mundo.

- Você não seria tão burro.

- Sim, você tem razão – e ofereceu um brinde, erguendo o próprio copo.

L fez o mesmo, e ambos beberam. O detetive fez uma careta. Estava acostumado com coisas mais doces. Mas não parecia realmente haver algo de estranho no saquê. Eles haviam bebido da mesma garrafa, e L tinha acompanhado cada movimento de Raito ao pegar os copos.

Por um momento ambos se encararam. Sem dizer nada e sem oferecer a L, Raito se serviu de mais uma dose, tomou de um gole e limpou a boca com as costas da mão.

- Bom. Agora eu preciso de algo mais doce – disse, sorrindo, enquanto tirava o copo da mão de L e o deixava na mesa, junto ao seu.

- O quê, Raito-kun?

Raito alargou o sorriso e se aproximou de L, tão de repente que este se assustou e deu um passo para trás.

- Você – disse, tão próximo que L podia sentir o hálito de bebida.

O detetive ofegou ao ver os lábios a centímetros dos seus. Não ousou se mexer, mas Raito fez isso por ele. Pressionou seus lábios contra os do detetive, que imediatamente respirou fundo e o agarrou pela cintura.

Raito brincava com os lábios do detetive, pegando-os entre os seus ou apenas roçando de leve. L registrou vagamente a estranha delicadeza com que fazia isso. Quis aprofundar o contato e passou a língua pelos lábios de Yagami, fazendo todo o contorno da boca, provocando-o. Mas Raito não cedeu. O detetive forçou a língua contra os lábios de Raito, mas eles permaneceram fechados à sua entrada. L afastou o rosto para olhá-lo, intrigado.

- Algum problema, Ryuuzaki-kun? – sussurrou, sorrindo.

E então L percebeu.

Arregalou os olhos e empurrou Raito para longe, mas era tarde demais. Seu cérebro começou a girar e ele se segurou na mesa para não cair. Sua vista começou a turvar. Raito surgiu na frente dele, um borrão colorido entre manchas pretas.

- Oh, me desculpe. Eu costumo provocar esse efeito.

E deu uma gargalhada que foi sumindo junto com os outros sons do ambiente, sendo substituídos por um zumbido atordoante.

Ele tentou alcançar Raito com uma das mãos; sua vista escureceu completamente, e ele perdeu os sentidos.

Notas da autora: Ok, vocês não me mataram da primeira vez, então não me matem agora, certo?? Já estou escrevendo o próximo capítulo: “Prática”. Pra compensar a teoria... e posso garantir que a garrafa de saquê vai estar bem mais vazia. Sem mais! Não esqueçam das reviews. Até!



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