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Author of 99 Stories |
Disclaimer: Naruto pertence ao Masashi Kishimoto.
N/A: É a terceira ficlet que escrevo hoje. Chamem o papa pra me exorcizar que baixou um santo aqui.
16– 1878
.OLHO MÁGICO.
Aquele número a perseguia. Por mais que não quisesse efetivamente encara-lo, por toda a sua vida foi obrigada a vê-lo. Ele a atormentava de tal modo que, quando não estava o observando, sentia sua falta. Fora condicionada a isso. De maneira alguma gostava dele ou algo do tipo. Ino apenas se acostumara. Sim, costume.
Ela tinha quatro anos na primeira vez. Seu pai segurava sua mão com felicidade e ficava repetindo o quanto ela iria se divertir. Eles ficaram dois cinco minutos completos parados em frente à porta que servia de apoio para o número ornamentado: 1878. Décimo oitavo andar, apartamento 78. Então, Nara Shikako abriu a porta para eles e deixou que aquela fosse a primeira de muitas visitas posteriores.
Ino continuou a encarar a porta nas vezes seguintes. Não entrava sempre, às vezes só ia o chamar para brincar no jardim de sua casa. Quando cresceram um pouco mais e Ino arranjara amigas meninas e de sua idade, já não ficava na porta esperando por ele. Digo, não que ele soubesse. Algumas vezes, quando se sentia só, ela ia sorrateiramente até o apartamento, ficava sentada olhando aquele número e imaginando que horas ele abriria a porta. Ia embora ao se dar conta que ele não abriria enquanto ela não tocasse a campainha.
Ao formarem o Time 10, o apartamento 1878 tornou-se um lugar para se reunir e trabalhar em equipe. Encontravam-se lá para melhorar jutsus, traçar estratégias, coisas do tipo. Não era muito proveitoso, agora ela sabia disso, mas com 12 anos a idéia parecia certa e digna. Yoshino servia deliciosos bolinhos e esse era um atrativo a mais para Ino gostar do lugar. Mesmo que depois ela, Shikamaru e Chouji fossem obrigados a lavar as louças...
Mas é claro que algo aconteceria e os Nara resolveram se mudar. O apartamento, próprio para um casal sem filhos, já não comportava a quantidade de coisas e um Shikamaru entrando na adolescência. Compraram uma casa, com um quintal com balaços e um jardim na frente. Ficava a dez minutos da casa de Ino, mas por alguma razão, ela preferia andar os 45 minutos que a separavam de Shikamaru no apartamento.
Por muito tempo não conseguiu associar sua estranha obsessão pela porta daquele lugar com Shikamaru. Não entendia que ambos estavam interligados e que sua vontade de ver a porta ligava-a diretamente à sua vontade de ver o amigo. Ino apenas achava que havia se acostumado de tal forma com aqueles números a encarando que não poderia se desvencilhar deles. E o fato dela ter se apaixonado por Shikamaru não era razão forte o suficiente. Ela não gostava dele. Fato. Ponto final. Fim.
Porém os anos foram passando, alguns beijos de aniversário foram dados, aquela coisa que ela não queria admitir acabou sendo forte demais para esconder. Então eles resolveram se casar. Com 25 anos, de braço dado com o seu pai, exatamente como ela sonhou.
E Shikamaru comprou o apartamento 1878 de volta. Porque, por mais que Ino pensasse que era cuidadosa o suficiente, ela não era. E enquanto ela encarava silenciosa a porta, Shikamaru a encarava de volta pelo olho mágico. Ansioso pelo momento em que ela tocaria a campainha.
Enfim ela tocou. E ele estava lá para recebê-la.
Fim.
N/A: Uma senhora licença poética aqui. Eu sei muito bem que o intuito do tema 1878 era ser uma data, porém eu não sou tão esperta a ponto de conseguir escrever uma fic de Naruto, cujo universo não segue nosso tempo espaço normal, e ela ficar decente usando o óbvio. Então eu preferi adotar o tema como um número inteiro. O lance dos beijos de aniversário foi explicado na ficlet anterior. Engenhoso, não?
Dark Faye
(30/06/08)