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Disclaimer: Rk não me pertence
“É verdade?”.
Parte 8
Por Chibi-lua.
Hajime Saitou estava cansado, dez anos atrás ele não sentia exaustão ao passar a noite em claro, mas o peso da idade já começava a fazer diferença em sua vida. Após somente três horas de sono, Saitou estava novamente de pé.
Fechando os olhos, ele deitou o copo de chá sobre a mesa da cozinha, e passou os dedos por entre os fios de seu cabelo. Rapidamente a conversa que teve horas antes com o secretário de relações exteriores veio a sua mente.
Flashback.
“Infelizmente é verdade.” O secretário confirmava o desaparecimento do chefe da organização secreta japonesa.
Saitou que já não confiava no secretario, suspeitou. .../...Esse desaparecimento é muito conveniente.../...Mesmo assim, ele não disse nada, apenas franziu a testa e encostou-se à parede do escritório.
“E quais são os esforços em encontrá-lo?” Ichiro chegou mais perto da mesa do secretário. O desaparecimento de Kojishirou o deixou extremamente aborrecido. O chefe era mais que um mestre. Kojishirou era como um pai.
.../... O senhor Kojishirou não seria pego facilmente, aposto que armaram para ele... Não descarto a possibilidade desse secretário e do ministro estarem envolvidos. Esses políticos estão tentando se livrar dele desde que assumiu a direção da organização. Nesse covil, um homem integro não dura.../... Ainda calado, o lobo apenas refletiu.
A voz do secretário de relações exteriores quebrou a reflexão de Saitou.
“Temos uma equipe trabalhando nisso... Porém, a carruagem que o transportava do porto até o centro de Tókio foi encontrada abandonada em um desfiladeiro. Os cavalos, o cocheiro e nosso ilustre passageiro estão desaparecidos. Não temos pistas do que pode ter acontecido.” O secretario respirou fundo e balançando a cabeça, declarou:
“Senhor Saitou, o senhor é o mais experiente, deverá assumir as funções do chefe até que ele seja encontrado” .
Saitou sentia que a carga de responsabilidade sendo jogada em suas costas. Ichiro olhou para Saitou com certo alívio, pelo menos nenhum corrupto ia ser o chefe deles. O jovem já estava se acostumando a trabalhar com Hajime Saitou ,o capitão da 3ª divisão do Shinsengumi.
“E quanto a “família”?” Saitou queria um cigarro, desesperadamente.
“O governo está em negociação. Por enquanto queremos apenas que vocês monitorem os passos deles, e continuem nos informando o que eles pretendem. E por favor, aguardem nossas ordens antes de tomar decisões bruscas”. Para o secretário, o assunto morreria ali. Saitou, Ichiro e os outros espiões de Kojishirou deveriam acatar, ou sofrer as conseqüências por insubordinação.
“Claro, como no caso do teatro que poderíamos ter agido muito, mas...” Ichiro resmungou baixinho. O secretário se fez de desentendido, Saitou apenas balançou a cabeça.
“Por enquanto não podemos expulsá-los do país”. O governo sempre soube das investidas da “família”, e soube da presença de Giacomo e Ares no Japão desde que desembarcam do navio no porto de Yokohama.
Saitou e Ichiro trocaram um olhar.
“Hum...Expulsá-los? Não é bem o que eu tenho em mente.” Saitou resmungou.
Mas ele era esperto suficiente para saber que muitos políticos tinham relacionamento com as máfias, tanto Yakuza, quanto italiana, e provavelmente estavam sendo influenciados e pressionados por eles.
O secretário conhecia a fama de Saitou, ele soou frio, mas continuou mantendo a mesma postura. Calmamente ele disse:
“Senhor Saitou. Vamos agir diplomaticamente, afinal o Japão está abrindo suas portas para os paises estrangeiros. Se expulsarmos essas pessoas poderemos ter problemas com importações e exportações futuras.” O homem bebeu um copo de água. “Atentados ocorrerão, mas é possível que o Japão tire proveito da presença deles em nosso país.”
Saitou sentiu seu lobo interior nunca foi predisposto à conversa mole, e o político o enrolava. Ele provavelmente arrecadava dinheiro para proveito próprio. Esse falso moralismo e jogo de interesses fez com que Saitou quisesse atravessar sua espada na garganta do homem a sua frente, obviamente conteve-se.
O lobo de Mibu se lembrou de uma das leis do Shinsengumi. ... /...Não é permitido se desviar do caminho que um homem deve trilhar.../... Não era hora, nem momento
Ichiro por lado não escondeu seu descontentamento.O novato estava furioso “Resumindo, não importa pessoas inocentes morrendo. O que importa é que “nós” consigamos tirar proveito da presença deles aqui. Quem sabe negociando armas, munição, táticas de guerrilha. Vamos aprender como ele atacam povoados e outros paises? Que tal?” Ichiro levantava a voz a cada palavra. Ele podia ser preso por desacato, mas o sangue ferveu naquela hora.
“Ora, seu moleque...”. A feição do secretario demonstrou que se o jovem agente não se calasse enfrentaria conseqüências.
“É o bastante”. Saitou repreendeu, e o jovem se calou. Saitou olhou para o secretario e declarou. “Aguardo instruções. Vamos Ichiro”
Ichiro obedeceu e o seguiu. Furioso, mas calado.
O experiente espião tinha muito controle emocional, é claro que ele não gostava das armações do secretario, mas aquele não era o primeiro político corrupto que encontrava, e não seria o último. “Ichiro. Primeiro vá a delegacia e procure saber se durante a noite aconteceu algum incidente envolvendo a quadrilha. Em seguida, vá até a casa da Kamiya, verifique se o pai entrou em contato, ou se algo estranho aconteceu no dojo nos últimos dias. Se necessário você tem autorização para levá-la a um lugar seguro...Eu já estou sabendo que você se encontrou com ela na outra noite, portanto, Kaoru Kamiya já sabe que você voltou para o Japão”.
“Mas, senhor Saitou, a Kaoru não sabe que seu pai está vivo...Senhor Kojishirou pediu sigilo absoluto. Eu devo contar?” Ichiro sabia que enfrentariam problemas caso Kaoru descobrisse a verdade. Provavelmente Kaoru nunca mais falaria com ele novamente.
“Eu sei do acordo feito para que Kojishirou aceitasse o posto de diretor da companhia e toda a farsa envolvendo sua morte. Por enquanto mantenha a verdade coberta, mas... eventualmente, será necessário mexer nesse vespeiro.” Saitou acendeu um cigarro, ele observou Ichiro acenando com a cabeça e partindo para sua missões. “Seja discreto, não esqueça que você é um agente secreto.”
Saitou não sabia se com o desaparecimento do Chefe, os espiões estavam sendo expostos ou não. Ele precisa ir para casa quanto antes. “Quanto a mim, tenho minha própria família para me preocupar.” Ele disse pra si mesmo.
Fim do flashback.
Saitou tirou a mão da frente do rosto, ele notou que ainda estava na cozinha de sua casa. ..../...Queria dormir mais um pouco, porém, preciso voltar para a estação de polícia. Hora perfeita para o chefe desaparecer.../....
O experiente espião suspirou ruidosamente. “Hunf!”
Seus pensamentos tomaram outro rumo quando escutou os gritos vindos do interior da casa. Os gritos incontroláveis aumentavam de intensidade de forma dolorosa. O sempre impassível policial precisou controlar seu temperamento. Ele só queria um momento de tranqüilidade, só um momento. E agora sua cabeça latejava.
“O que foi agora?” O policial para o corredor da casa.
Uma bela mulher, de longos cabelos negros e soltos apareceu no corredor. “O que foi agora?” Ela caminhava rapidamente, os gritos continuavam na sala ao lado. Ela estava vestida apenas com o leve e transparente yukata azul.
“O que você acha?” A mulher no auge de seus trinta gritou. Seus grandes olhos castanhos esverdeados brilharam de irritação.
Tokyo passou rapidamente por Saitou, seus cabelos voaram com a velocidade de seus movimentos fazendo um bonito balanço em volta do seu corpo. Chegando no balcão da cozinha, ela se abaixou à procura de um pacote de sal nos armários.
Os gritos infantis ecoavam pela casa e ficavam mais fortes à medida que o garoto de três anos de idade se aproximava da cozinha. “Kami sama, o que acontece com esse moleque?” Saitou gritou alto para vencer os decibéis do garoto. “Será que você pode calar a boca Tsutomu ou é pedir muito?”
“Hajime.” Tokyo o fulminou com o olhar.
“Tokyo, por favor” O policial não quis soar tão grosseiramente, mas sua cabeça estava a ponto de explodir e seu filho não parava de gritar.
As bochechas do garoto estavam vermelhas como duas pequenas maças. “Vem cá, Tsutomu” Tokyo pegou o garoto no colo e o sentou no balcão da cozinha. Grossas lágrimas escorriam pela face infantil.
Saitou se levantou e parou ao lado dela, assim como ele, Tokyo era alta para os padrões japoneses e seus ombros se encontravam. Saitou percebeu um calombo roxo se formando na cabeça do menino.
“Deixe-me ver.” Percebendo a irritação emanando de sua esposa, ele mudou completamente o tom de sua voz.
Tokyo estava complemente insatisfeita com seu comentário anterior e ele não queria arrumar encrenca com sua esposa.
“O que você aprontou agora hein, filho?” Saitou passou a mão na cabeça da criança. Puxando o cabelo para trás e analisando o machucado na cabeça de Tsutomu.
“Ele bateu a cabeça na quina do criado-mudo.” Tokyo ofereceu água para o garoto. O choro dele começou a diminuir, Tsutomu agarrou-se na mãe.
“Hajime, segure Tsutomu com firmeza.”Tokyo pegou uma faca em uma mão e o um punhado de sal na outra.
“Tokyo, o que você vai fazer?” Por um milésimo de segundo, Saitou ficou preocupado.
Ele olhou para Tokyo de um jeito estranho.
Seu hiper-ativo filho estava levando Tokyo a beira da loucura, o menino não dava um minuto de sossego para ela, ele demandava atenção vinte quatro horas por dia, e Tokyo estava começando a perder a paciência. Mas sua esposa nunca faria nada para machucar Tsutomu. Saitou acreditava fielmente nisso, mas não podia deixar de perguntar. “Tokyo?”
A bela mulher apenas sorriu para Saitou “Anata, como você pode sequer pensar...?” Tokyo conhecia seu marido melhor do que ninguém. Ela quase pode ler os pensamentos passando pela cabeça de seu lobo.
“Desculpe...Eu estou cansado e não estou raciocinando direito” Saitou segurou seu filho, a criança em seus braços começou a espernear novamente.
Com um sorriso gentil, Tokyo beijou o rosto da criança, fazendo com que os soluços diminuíssem, “Shii shiii....Calma Tsutomu-chan, mamãe vai fazer o machucado parar de doer, certo” . Em seguida colocou o pequeno punhado de sal na cabeça de Tsutomu e deitou a faca por cima como uma chapa. Ela segurou firme por um bom tempo. Tsutomu chorou mais um pouco, mas logo passou.
“Querido, sua mãe não fazia isso quando você batia a cabeça?”. Tokyo sorriu para Saitou que segurava Tsutomu em seus braços.
“Não. Eu nunca vi isso antes.” Saitou sorriu brevemente para sua esposa. “Só você para inventar essas coisas”.
“É para diminuir o inchaço.” Ela tirou a faca da testa do menino, colocando de volta no balcão. Depois limpou o sal da cabeça de seu filho, pegando-o no colo e balançando entre beijos e carinhos até que ele parasse de chorar completamente.
“Você acha que pode lidar com a situação aqui em casa? Eu preciso ir”. Saitou não queria, mas ele precisava.
“HEI” O policial imediatamente percebeu a expressão no rosto de Tokyo mudando para pior.
“Mas...você acabou de chegar e não tinha folga hoje? Hajime você não dorme já fazem três noites. Aonde isso vai chegar?” O belo rosto deTokyo demonstrou seu desagrado. Ela entendia a profissão de seu marido, e apoiava o máximo que podia, mas Saitou estava exagerando.
“Tokyo, eu tenho obrigações.” Era inútil tentar convencê-la do contrário. Saitou não conseguia se desvencilhar de suas regras, suas obrigações. Foi assim com o Shinsengumi, era assim com essa nova organização. Sua vida particular sempre ficaria em segundo plano.
“Se você tem que ir, então vá logo, mas tome cuidado, não quero receber a noticia que fiquei viúva porque meu marido morreu em uma viela qualquer”. Ela disse descontente. Quantas vezes Tokyo já tinha dito isso antes...
Tsutomu parou de chorar, e Tokyo colocou o menino no chão e ele correu imediatamente para a sala chamando por Eiji e procurando alguma brincadeira nova.
“Tokyo” Saitou não queria perder a paciência. Se ele tivesse que explicar mais uma vez porque estava ausente nos últimos dias, acabaria discutindo com Tokyo, e infelizmente ele não tinha tempo para discutir com sua esposa, e o mais importante, não tinha tempo para fazer as pazes depois. “Comece a arrumar as coisas. Eu consegui uma casa nas montanhas, dentro de dois dias uma carruagem vai levar você, os meninos e a mudança pra lá”.
“Anata, mas...” A bela mulher enfiou os dedos entre os longos cabelos e soltou um suspiro. “Eu não quero me mudar.”
“É para o bem de nossa família. Eu sinto muito” Saitou aproximou-se, Tokyo tinha personalidade forte. Ele sentiu o ki dela aumentando de irritação, mas apesar disso ele sabia não conseguiria conviver com mulher nenhuma além de Tokyo.
“Mas... por que?” O olhar de Tokyo caiu para o chão. Ela não queria se mudar, logo agora que tinha feito amizade com algumas pessoas. A casa onde viviam era ótima. A vizinhança era ótima. As crianças adoravam. Eiji, seu filho adotivo, estava freqüentando uma escola da região.
“Eu não tenho tempo para explicar, mas se eu estou dizendo que você vai se mudar é porque é necessário” Saitou realmente amava sua esposa, amava seu filho, amava sua família. Ele faria de tudo para proteger aquelas pessoas, até mesmo sumir da vida deles se fosse extremamente necessário...
“Até quando nossa vida vai ser assim?” .../...Provavelmente sempre será.../... Tokyo sempre soube qual era a profissão de Saitou. Ela sempre soube o que o destino tinha preparado para seu marido. Sempre acatou as mudanças constantes, os nomes falsos, a segurança redobrada ao entrar e sair de Tokyo estava começando a cansar de viver assim. Ela queria ser uma esposa normal, com um marido normal. Pelo menos por um tempo.
Enquanto Tokyo divagava, Saitou se aproximava mais dela, um lobo encurralando sua presa.
“Sinto muito” A voz de Saitou no pé ouvido arrepiou Tokyo. Ela estava com saudades do corpo quente de seu marido. “Eu odeio quando a gente briga assim.”
“Hum” Foi à resposta que a garganta dela pode dar. Tokyo sentiu a mão de Saitou acariciando carinhosamente seu cabelo. “Hajime...Fica mais um pouco. Já faz uns dois meses que nós não... ficamos juntos.”
“Eu prometo. Quando esse caso acabar, eu vou tirar um tempo para você e para as crianças...Eu prometo.” O lobo beijou apaixonadamente seus lábios. Saitou segurou o rosto de Tokyo em suas mãos. “Eu sei que já disse isso antes, mas dessa vez é serio. Acredita em mim?”
“Sim...Hajime...”Tokyo abriu sua boca e jogou seu corpo contra o dele pedindo mais. Porém, de maneira frustrante Saitou se afastou e deixou Tokyo sozinha na cozinha.
Tokyo encostou seu corpo contra o balcão, e ficou olhando as costas de seu marido desaparecendo pelo corredor da casa. “Hajime.”
Ela escutou o portão de casa se fechando e soube que Saitou já tinha partido.
.../...Sempre acreditei em você.../...
Giacomo não estava contente naquela manhã. O Japão não era um país desagradável, pelo contrário, o verão japonês era quente e agradável. O jardim da mansão estava repleto de pequenas flores. A casa em si era luxuosa e aconchegante. Mesmo assim, ao lado de sua apaixonada Chiara, do outro lado do mundo, no exótico Japão, Giacomo sentia falta da terra mãe, a Itália.
A princípio suas aventuras internacionais lhe trouxeram grande satisfação, mas conforme o tempo foi passando, Giacomo não conseguia deixar de se perguntar o que seu pai diria de tudo aquilo que estava fazendo. Provavelmente o repreenderia dizendo que o que ele estava fazendo não tinha nada a ver com a máfia, e sim puro terrorismo barato.
Seu pai apenas diria apenas que ele era um mercenário.
Suas ambições sempre foram audaciosas. Quando se desvencilhou da máfia italiana a alternativa mais lucrativa foi tirar proveito do processo de escravidão.O comercio de escravos era tão lucrativo que quando se deu conta dominava o submundo africano, e de diversas ilhas asiáticas.
Há alguns anos atrás conseguiu fechar uma grande negociação com o Japão. Ele trouxe armas e munição para uma grande batalha, e seria pago com diamantes. Porém um grupo secreto atrapalhou as negociações, Giacomo entregou as armas, mas não recebeu seus diamantes. E o mais importante, aqueles diamantes iriam produzir nitroglicerina, uma nova forma de explosivo, em grande escala.
Seu pensamento voltou para o presente. Chiara não estava, o que lhe deixava ainda mais aborrecido. O livro que começou a ler estava esquecido em cima da mesa do escritório, assim como a xícara de chá.
Duas batidas na porta tomaram sua atenção..
“Pois não?” Giacomo disse. A porta abriu vagarosamente.
“Senhor, com licença Desculpe interrompê-lo, só vim informar que o Senhor Ares chegou.” O empregado gorducho curvou-se, e começou a se retirar do escritório.
“Fa bene. Peça para que Ares venha até aqui.” Giacomo balançou as mãos dispensando o homem.
Alguns minutos depois, um homem no auge de seus quarenta anos, com cabelos e olhos castanhos, vestido em um gi e hakama entrava no escritório da mansão.
Giacomo riu. “Que isso? Usando roupas giaponesa agora?” Giacomo sentou na sua cadeira, e do outro lado da mesa Ares fez igual.
Ares gargalhou. “Bom, em terras inimigas, aja como o inimigo. E adivinhe, eu passei a noite me divertindo na terra dos olhinhos puxados. Pude até experimentar a famosa espada japonesa, é uma arma impressionante.”. Ares abriu uma caixa que estava em cima da mesa, tirou um charuto de dentro, rapidamente acendeu e começou a fumar. “E como estamos?”
“Benne mio amigo. O ataque ao teatro foi um sucesso. Deixamos a policia, os políticos, o governo de cabelo em pé. O ataque ao ministério do exercito já está programado, mas...” Giacomo fez o mesmo que Ares, tirou um charuto da caixa, acendeu e começou a fumar.
“O plano está saindo como previsto, qual o problema?” Ares sabia que Giacomo era inseguro. Ele precisou empurrar Giacomo até o limite para que o jovem se rebelasse contra o pai e usasse sua grande fortuna para viajar pelo mundo. Ares realmente precisava que Giacomo o visse como um mestre.
“Você ainda hesita Giacomo...Me pergunto se em algum momento da historia Genghis Khan hesitou ao conquistar seu império que ia do Pacifico a Ucrânia....E lembre-se, dominou um império quatros vezes maior que Romano usando arcos e flechas... Agora, com essa nova arma, imagine as possibilidades...Você deseja ter o seu nome escrito nas historias como o filho de um chefe da máfia, ou como um conquistador do mundo moderno?” Ares colocou conhaque em uma taça e experimentou. Do canto de seu olho ele acompanhava Giacomo digerindo todas as coisas que havia acabado de dizer. “Seu pai ficará tão orgulhoso.”
Durante duas décadas Ares acompanhou a ascensão do grande chefe, o pai de Giacomo na Europa, mas sempre o invejou. Quando Giacomo tinha uma certa idade, Ares percebeu que poderia manipular o jovem, fazendo com que o “rapaz” conquistasse tudo aquilo que ele próprio almejava.
“Você acha mesmo?” Giacomo era tão carente da figura paterna que fez como que seu plano saísse melhor que o imaginado..
Mas com sua influencia, Giacomo já estava dominando a máfia na Europa Oriental e grande parte da Ásia. Ares se orgulhava pelo fato de ter convencido Giacomo a entrar no lucrativo negocio de escravos.
“Obvio que sim” Ares suspirou um pouco irritado, Giacomo parecia ser só um garoto mesmo.
Ares encarou Giacomo. “O que seu pai, o grande chefe da máfia, faria para chamar a atenção dos políticos e abalá-los a ponto de fazer tudo que nós pedirmos?”
Giacomo lembrou de um dos movimentos mais básicos da máfia italiana. Seqüestro.
“Vamos realizar um dos movimentos mais conhecidos da máfia italiana. Vamos raptar a filha deste homem.” Giacomo abriu um caderno e apontou para um nome.
“Esse homem não estava envolvido no frustrado plano de 1876.” Ares sorriu. Giacomo estava sendo ousado, ele gostou disso.
“Exatamente por isso. Os políticos não se importam tanto assim com o povo. Mas quando nós mexemos com os entes queridos, a coisa muda... E esse homem é honesto... Tenho certeza que nossos diamantes vão aparecer rapidamente depois desse seqüestro.” Giacomo sorriu. Era um bom plano, um plano digno de seu pai, o chefe da máfia italiana. “É um homem muito importante, por isso eu quero que você cuide pessoalmente do caso. Nem Chiara deve saber, se alguém der com a língua nos dentes, o seqüestrado dessa moça vai ser nossa ruína.”
“Não se preocupe com isso. Considere feito”. Ares leu o nome do político que teria sua filha raptada. “Aritomo Yamagata, ministro do exército. Giacomo, tenha em mente que seqüestrando a filha desse homem vamos estar comprando briga pra valer.”.
“Você tem noção de quantos milhões vale aquela caixa de diamantes? E o meu irmão morto? E meus esforços para trazer vários navios de armamento em 1876?” .../...Eu bombardeio esse país se for necessário, mas eles não vão me passar a perna e esperar que tudo vai ficar na mesma.../... “Eu sei que você gosta de fazer isso. Considere um presente por me trazer até o lugar onde eu estou hoje. Divirta-se Ares”.
“É assim que se fala garoto” Ares saiu do escritório com um sorriso no canto do lábio. .../...Ele é tão fácil de manipular.../...
“Realmente, tava faltando algo típico da máfia nessa historia, e nada melhor do que seqüestro para receber uma divida.” Giacomo lembrou do chá na mesa e bebeu um gole. “Até esfriou.”
Chiara estava escondida na outra sala, escutando a conversa pela divisória da biblioteca. Ela colocou a mão no peito que batia como um tambor. Se não bastasse o atentado ao teatro, o atentado ao prédio do ministério, a morte de dezenas de inocentes...Agora seqüestro de uma jovem completamente inocente também entrava na lista de crimes de Giacomo.
.../...Maldito Ares. É TUDO CULPA DELE. Ele sempre consegue o que quer. Mas eu prometi. Farei tudo que eu puder pelo bem de Giacomo. Até protegê-lo dele mesmo, até matar Ares se for preciso.../...
Lagrimas escorreram da face de Chiara. A jovem prostituta siciliana, que foi salva da morte em um borde na Itália por Giacomo sabia que cada dia que passava, seu salvador ficava mais longe da salvação.
Cada ataque que ele planejava, significava o futuro deles chegando ao fim. Um relacionamento que começou de forma trágica ia terminar de forma trágica. Chiara precisava impedir Giacomo. Ela tinha que tentar, nem que para isso tivesse que sabotá-lo. “Eu preciso me encontrar com o senhor Saitou.”
Com a face rosada, um incontrolável sorriso no canto dos lábios, e expressivos olhos dourados Kenshin Himura percebeu que estava encrencado. Ele estava encrencado e ninguém mais podia salvar sua já condenada alma. Mesmo depois do banho gelado antes de raiar o sol, o misterioso e calmo ruivo continuou a sentir a eletricidade circulando pelo seu corpo. Era tão forte como a energia do feng shui que rodopiou pela caverna quando ele ajudou Jinpu a derrotar Reisui.
.../...Eu deveria de ter saído do quarto assim que ela adormeceu, mas foi impossível...Eu não consegui resistir.../... O hitokiri lembrou de como o corpo de Kaoru encaixava-se perfeitamente no seu abraço. Seu olfato insistia em sentir o doce cheiro de jasmim e lavanda. Os músculos definidos de seus braços só queriam o calor da jovem mestra.
.../..A cabeça dela deitada no meu peito, os longos cabelos caindo como uma cortina. O som da respiração dela...Kami-sama, me ajude...Eu nunca desejei ninguém assim, nem, nem Tomoe.../.... O ex-hitokiri não sabia quanto tempo mais conseguiria suprimir seus desejos.
Kaoru adormecida conseguiu fazer seu sangue ferver, ele nem queria imaginar como seria compartilhar intimidade com ela completamente acordada.
“Itai” O pensamento fez com que Kenshin perdesse o rumo da faca que cortava os legumes para o café da manhã e cortasse seu próprio dedo.
O ex- hitokiri cortou o dedo, imediatamente o colocou na boca e chupou o filete de sangue. Kenshin fechou os olhos, respirou fundo. Ele precisava se recompor antes que os outros moradores do dojo Kamiya despertassem e o encontrassem naquela situação. Explicar o que estava acontecendo com seu corpo seria constrangedor demais.
“Ah, Kaoru....”
.../...A pele dela parece um veludo.../... Tão errado, suas mãos que causaram tanta dor e sofrimento não podiam estar deslizando sobre a pele pura e casta da shihandai. E ele ainda fez sem o consentimento dela, que dormia. Mas os seios perfeitos que escapavam pela gola do fino yukata eram mais do que tentadores.
Kenshin a se deu conta, seu corpo masculino respondia de forma primitiva. .../...Oh, eu pareço um pervertido...Kami, o que está acontecendo comigo?.../...
O espadachim passou pela madrugada mais torturante de sua vida, ele tentava se afastar de Kaoru, mas ela o abraçava. Ela suspirava e pedia entre murmúrios para que Kenshin não a deixasse. Os sons que saiam da garganta de Kaoru faziam o corpo de Kenshin arrepiar.
Antes que o galo cacarejasse o raiar do dia, Kenshin fugiu daquele quarto como se tivesse encontrado um youkai na frente. Ele agradeceu a todos os deuses por Kaoru continuar dormindo, explicar o que estava acontecendo seria difícil, e a resposta de seu corpo estava evidente demais para esconder.
O espadachim correu para o banheiro e jogou um balde de água gelada em seu corpo para acalmar seus nervos. Se Kenshin pudesse se dividir em dois, o Battousai enfiaria uma espada no estômago do rurouni. Foi o banho matinal mais frustrante da vida de Kenshin Himura, nisso as duas faces de sua personalidade concordavam perfeitamente.
.../...Quem sabe um dia.../.... Ele pensou absolutamente insatisfeito.
“Para com isso Kenshin Himura.” Ele fechou o punho e esmurrou a própria testa.
A cor violeta tingiu totalmente seus olhos. Kenshin não podia ficar o dia inteiro pensando nisso. E quando ela acordasse seria estranho demais. E existiam assuntos mais urgentes, como o assassinato que Kaoru havia testemunhando na noite passada e o fato do dojo estar revirado.
O espadachim escutou o som de uma carruagem se aproximando e parando na frente do portão principal do dojo. Ele saiu da cozinha e percebeu que os outros habitantes do dojo ainda estavam dormindo e as portas dos quartos ainda estavam fechadas. Apos algumas batidas no portão, Kenshin pegou a sakabattou e caminhou até lá.
“Pois não?” Cautelosamente, Kenshin abriu uma fresta no portão. Os olhos ametistas arregalaram. Ele não pensou que aquela pessoa fosse aparecer no dojo tão cedo.
“Ohayo” Vestido com uma roupa idêntica a de Saitou Hajime, Ichiro sorriu e abaixou a cabeça cumprimentando Kenshin Himura educadamente.
“Ohayo.” Kenshin respondeu abrindo de vez o portão.
“Desculpe incomodar. Sou o policial Ichiro...Miagi, e preciso falar urgente com...” Ichiro inventou um sobrenome qualquer. Ele sabia que Kenshin havia o visto no templo na noite passada, mas fez questão de continuar com o disfarce. Saitou deixou bem claro que fazia parte da missão ser discreto e não revelar a verdadeira identidade tão facilmente. E Ichiro gostava desse tipo de atuação.
Propositalmente atrapalhado, Ichiro abriu uma pasta e procurou um nome em uma lista com o dedo indicador... “Senhorita Kaoru Kamiya. Ah é um assunto particular...” Ichiro sorriu para Kenshin.
Kenshin franziu a testa. Ele tinha conseguido acalmar Battousai que acordou naquela manhã com a corda toda, mas Ichiro tinha feito seus esforços irem por água abaixo, com apenas um sorriso e uma frase. .../... Um assunto particular? Só por cima do meu cadáver. O que esse cara quer com a minha Kaoru?.../....Olhos dourados miraram Ichiro com intensidade. Qualquer outra pessoa desviaria o olhar, mas Ichiro não, o jovem fez o mesmo.
Ichiro e Kenshin se encararam. Se um inseto passasse entre os dois seria aniquilado sem dó.
“Ohayo minna-san” Kaoru abriu a porta do quarto naquela manhãsentindo-se bem melhor. Apesar da terrível noite anterior, Kenshin esteve ao seu lado, confortando-a.
“Oh oh Kami-sama” Kaoru quase teve um ataque cardíaco quando viu no pátio da casa, Kenshin Himura e Ichiro Gensai se encarando como se fossem lutar até a morte.
“O que está acontecendo?”
continua
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Hei, olha eu de novo \o/ Mais uma parte do meu fanfic terminada, viva!!!! Desculpem meus erros de português. Quanto a família de Saitou, segundo o manga, Tokyo era a esposa, e Tsutomu o primeiro filho, nascido na época que se “passou” Rurouni Kenshin.
Meu total agradecimento à:
Jou chan- até que foi rapidinho, espero que goste. Obrigada pelo review.
Lili-chan-eu também adoro ver o Kenshin com ciúmes- Obrigada pelo review.
K-chan- não se preocupe com detalhes. Muito obrigada pelo review.
Kika de Apus-Sim, continuo. Muito obrigada pelo review.
Muito obrigada por ler. Até o próximo, que já tá bem adiantado.
Chibi.