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EXCENTRICIDADE
AUTOR: EMPTYSPACES11
DATA: JULHO DE 2008
NOTA1: Os personagens de Sobrenatural não me pertencem. Sou apenas uma fã que gosta de brincar com as inúmeras possibilidades que se apresentam na relação dos mesmos. Meus textos não têm fins lucrativos.
NOTA2: Os personagens criados para desenvolver a trama são de minha autoria. Os nomes, bem como suas características físicas e psicológicas, são fictícios. Se houver qualquer semelhança com qualquer pessoa, é mera coincidência.
NOTA3: Os lugares descritos nas histórias não existem e se, houver qualquer semelhança, considere mera coincidência.
ADVERTÊNCIA: O conteúdo dessas histórias é adulto. Estão advertidos, portanto, os leitores.
RESUMO: Sam e Dean têm um trabalho fácil pela frente. Fácil? Bem, nem sempre o que parece simples é realmente rápida solução. Especialmente se Dean Winchester resolve que não está de muito bom-humor. Terror/Humor/Aventura.
EXCENTRICIDADE
CAPÍTULO 1
Quando abriram a porta da cripta, uma onda de ar carregando o cheiro de anos de prisão, os fez buscar outra direção. O cheiro era forte. Era cheiro de coisa velha. Era o cheiro que encontravam toda a vez que abriam um caixão. Cheiro de corpos em decomposição.
— Baaaah! Insuportável... – exclamou o mais velho, abrindo bem a porta e calçando-a com uma pedra arrancada do chão enquanto o mais novo o olhava – Insuportável... – repetiu, descendo os degraus com cuidado.
— Esse serviço me dá nos nervos, de vez em quando... – completou Sam, acompanhando Dean na descida.
Eram degraus de pedra. Tudo parecia ter sido construído com blocos enormes de pedra. O aspecto sombrio ficava por conta da decoração que podiam avistar direcionando as lanternas ao chegarem no final da escada – colunas, estátuas que não pareciam ser de anjos, mas de entidades míticas. Eles não estavam muito certos, mas tudo parecia fora do normal.
E já, no final da escada, podia-se sentir a umidade e o frio que emanava do lugar.
— Como alguém projeta uma tumba assim? O que esse cara tinha na cabeça? – reclamava Dean, focando a luz diretamente nos olhos do irmão.
— Dean! A luz... Está me cegando... – afastou a mão de seu irmão – E, respondendo à sua pergunta... Sei lá! Acho que ele queria um lugar diferente, exclusivo, totalmente excêntrico, assim como foi a sua vida. Não acha óbvio?
— Acho que deveríamos estar descansando em algum lugar quente. Ao menos hoje, nessa noite fria. Eu tenho até os ossos congelados. Sinto frio até nas últimas entranhas... Meu corpo todo está congelando!
— Pare de reclamar! Por que você não pára de reclamar por um instante? Está reclamando desde que saímos do motel. O que tem? Está se sentindo bem? – e querendo tirar uma piada daquilo tudo – O que é? Está se sentindo velho demais para isso? – sorriu para seu irmão.
— Não me provoque, Sammy, ou congelo o seu traseiro. Ouviu? – respondeu prontamente.
— Sim, claro que sim... Seria bem típico de você, não é?
Voltaram a encarar o lugar, entrando um pouco mais.
— Fala sério, Sammy. Ter um cemitério na propriedade já é algo anormal. Mas ter uma cripta que possui características como essa... É coisa de maluco, é ou não é?
— Pode até ser, mas como já disse, acho que ele não era uma pessoa comum, por isso construiu algo incomum.
— É. Para termos mais trabalho... – e parou por alguns instantes, fazendo Sam parar logo nas suas costas.
— O que foi, Dean? – indagou curioso.
— Estou tendo uma daquelas sensações ruins. Não está sentindo? – explicou Dean. Parecia mesmo intrigado com algo. Suas feições haviam tomado outra direção.
— Está começando a me deixar nervoso...
— Onde está seu senso de humor? Não é todo o dia que encaramos um lugar assim. Afora o frio, a vontade de não fazer o trabalho, os calafrios... Isso é melhor do que ficar sentado olhando você. Fala sério... Ta mais interessante que o quarto do motel que você escolheu.
— Não enche! – e voltando sua atenção para o que procuravam – Vamos terminar isso logo. Onde estão as gavetas?
— Vai ver que não existem gavetas. Não estou identificando nenhuma. As paredes parecem lisinhas. Mas... Olhe ali em frente. Parece uma porta – apontou para a direção, voltando a luz da lanterna também.
Era uma outra porta de ferro. O lugar onde estavam era, provavelmente, uma ante-sala.
— Estamos no hall de entrada da tumba, Sam! Não é uma coisa fantástica? Será que ele instalou aquecedores? – e caminhando em direção à porta – Vamos procurar a lareira. Essa tumba deve ter espaços iguais a uma casa. Podemos nos mudar, se tiver TV a cabo. O que me diz?
— Cala a boca, Dean! Vamos tentar abrir essa porta – chamou à atenção seu irmão. Estava achando que o serviço seria complicado.
— Com o que, Sammy? Comando de voz? Controle remoto? Temos que voltar para o carro e pegar o pé de cabra. Precisamos de uma marreta, também.
— Do que está falando, Dean! – Sam não agüentava mais seu irmão. Estava insuportável.
— Se você não reparou, a porta não tem fechadura. Nem maçaneta. Como acha que vamos abrir? Tem alguma idéia melhor do que a força bruta? – voltou-se e escorou-se com a mão em uma das estátuas. Olhando para a obra de pedra que o escorava, notou que numa das mãos jazia uma chave – Cara... Estamos com sorte. Olha só isso, Sam... – apontou com a luz da lanterna, iluminando a chave.
Sam aproximou-se. Retirou a chave da mão da estátua. Olhou detalhadamente para a estátua e, no pedestal, encontrou um orifício. Automaticamente enfiou a chave nele e girou.
— Sammy, Sammy, Sammy... Enfiou a chave com perfeição... – Dean falava e sorria enquanto observava seu irmão girar a chave.
Um instante depois de girar a chave, a porta abriu-se e uma tênue luz iluminou o lugar. Tudo ficou perfeitamente visível. A ante-sala era sinistra naquela luz, mais do que no escuro. As estátuas eram de deuses pagãos, identificados por Sam, enquanto Dean fazia comentários hilários sobre como haviam sido representados.
— Isso não tem graça, Dean. Essas são representações de deuses pagãos. Todos ele têm um significado!
— Eu não estou dizendo que isso não é importante, Sam. Mas veja por este lado... Esse cara que você diz que era “excêntrico”, devia ser totalmente “fora” de centro. Olhe para isso tudo! – deu uma volta sobre si – Se você me disser que tudo isso vai impedir de queimar o traseiro do senhor Carringhton...
— Dean! Só estou dizendo que essas entidades... Todas elas têm um significado e que, de repente, estão aqui por um motivo.
— Muito bem. Comece – parou de sorrir – Antes que eu desista de ouvir você. Mas não esqueça de me lembrar de chutar o seu traseiro caso isso venha a nos causar problemas inesperados...
— Olha para aquela estátua, Dean. Aquele é Nuadhu, o deus pagão da eterna saúde. Ele possui um braço de prata. Perdeu seu braço na primeira batalha e Dian Cecth, um poderoso curandeiro, lhe devolveu um outro braço, de prata. Foi obrigado a servir como líder para Tuatha de’ Danann, tribos descendentes de Danu, uma deusa guerreira. Essas tribos possuíam quatro talismãs de grande poder – a pedra, a espada, a lança e o caldeirão.
— Fala sério, Sammy… É realmente meu irmão? Tem certeza de que eu não fui adotado, ou você? Porque não tenho certeza de ter visto mamãe carregar você no ventre – balançou a cabeça, circulando por entre as estátuas – O que será que ele queria com tudo isso?
— Dean... O seu pressentimento... – Sam olhou para o irmão – Será que ele estava buscando a vida além da morte?
— Está me fazendo arrepiar, irmãozinho... E você não tem peitos...
— Vamos dar uma olhada na outra sala.