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Ci Malfoy
Author of 11 Stories

Rated: M - Portuguese - Romance/Humor - James P. & Sirius B. - Reviews: 14 - Published: 10-05-08 - Complete - id:4577234

Time: Kinky

Autora: Cy Malfoy

Beta: Marck Evans (o Marcolino filhote)

Par: James Potter e Sirius Black

Classificação: NC-17

Nº palavras: 6608

Disclaimer: Harry Potter não me pertence. O que é uma pena. xD

Avisos: SLASH! Relacionamento entre dois homens lindões! Não gosta, não leia. Se gosta, seja muitíssimo bem vindo. :D

Notas: Fic escrita para responder ao PSF Tournament, do grupo PSF.

Desafio: Faça uma moderadora feliz! Desafio da Bela.
Desafio original: 23 - Ele era seu melhor amigo, longa amizade. Mas então ele levou seu parceiro para cama.
Desafio proposto originalmente por: Magalud.


Parceiros

- Hey! Vocês já viram? Hogsmead no próximo final de semana!

A notícia de Peter me deixara mais nervoso do que eu já estava. Quando estava quase decidido a não contar nada, me aparece isso: Uma oportunidade!

- Uh, finalmente! Não agüento mais ficar trancado aqui dentro, fazendo lição! – disse Prongs, estirado no sofá e folheando a “Que vassoura?”.

- Como se você fizesse alguma... –Remus comentou, sem tirar os olhos do pergaminho em que escrevia frenéticamente.

Vi quando Prongs sorriu e virou mais uma página da revista.

- Não está animado, Moony? –Peter perguntou.

- Não. Nós temos N.I.E.M’s este ano. E uma porrada de deveres para fazer, se vocês lembram.

- Ah, Moony, você ‘tá brincando que vai ficar trancado aqui, fazendo dever, ao invés de ir a Hogsmead com a gente! – James falou, exasperado, endireitando-se no sofá e olhando incrédulo para Remus.

Moony ficou, de repente, muito vermelho e gaguejou um pouco antes de responder um baixo “Sim”. Na mesma hora, percebi James voltando-se para mim para trocarmos nossos costumeiros olhares de “Hum... sei”, mas, por algum motivo, eu fingi que não vi e me escondi mais atrás do livro que estava lendo.

Mas não por muito tempo. Peter achou aquela uma boa hora pra lembrar que eu estava presente na sala:

- E você, Padfoot, não vai? Você tem estado tão quieto...

De repente, como se tivessem combinado aquela conversa, eu tinha a atenção dos meus três amigos toda voltada para mim. Remus até mesmo parou de escrever e pousou a pena em cima do pergaminho!

- Peter tem razão, Padfoot – ele disse. – Há algo o preocupando? Você quer conversar sobre isso?

Sim, havia algo me preocupando. E não, eu não queria conversar sobre aquilo!

- Não é nada... Só... Uma carta dos meus pais... Aqueles assuntos de sempre, vocês sabem.

- Hum... Nunca vi você preocupado com cartas de seus pais, Padfoot...

Ótimo, James!

- Bem, agora eu estou, pombas! – eu disse, voltando a fingir que lia.

- É por isso, então, que você está com essa cara de tonto... Parado na mesma página há meia hora?

Sério, ter pessoas que te conhecem melhor do que você mesmo pode ser muito chato! Resolvi fechar o livro e mudar o assunto:

- Então, vocês já escolheram qual comida vão preparar para a professora Daniell?

- Padfoot, sério, eu não entendo o que diabos você e James estão fazendo na aula de Estudo dos Trouxas – Remus nunca acreditava que eu tinha interesse acadêmico por alguma coisa.

- Moony, qualquer coisa que faça minha mãe berrar de desgosto é bem vinda. E eu realmente gosto das aulas de “Etrilicidade”.

- Eletricidade, Sirius – James me corrigiu, rindo. – E eu estou na aula porque Lily também está.

Resolvi mudar o assunto novamente:

- Vocês repararam que a bunda do Longbottom cresceu nessas férias?

Não entendi o por que das caras assustadas. E da vermelhidão no rosto de Remus.

--x--

Ok, eu tinha um problema. Um problema muito preocupante, se você quer saber. Um problema que poderia acabar com minha vida. Sim, eu sou gay, mas isso não é um problema.

Ser completa e desesperadamente apaixonado pelo melhor amigo É um problema!

E esse problema se complicava ainda mais se esse seu amigo gostasse de mulheres. Mais especificamente de uma mulher. Uma alta e ruiva, com ar mandão e metida a sabe tudo. Evans.

James se arrastou como um bocó durante todo o nosso tempo em Hogwarts, e a garota sempre o esculachou. James sempre foi palhaço e irresponsável, o que irritava a certinha monitora da Grifinória. Mas agora que meu amigo criara um pouco de músculos devido os treinos de quadribol e que o número de besteiras que saiam de sua boca caiu de dez para sete por minuto, Evans decidiu que James merecia uma atenção maior. E é claro que James estava se atirando de cabeça nessa chance com a garota.

A sensação de estar estragando tudo para meu amigo me atormentava constantemente, mas eu também não conseguia fingir que não ouvia meu coração gritando para que eu terminasse com essa tortura de uma vez. Estou cansado de guardar isso pra mim.

James foi o primeiro amigo que eu fiz quando entrei em Hogwarts. Nós viajamos de trem juntos, dividimos nossos lanches, fomos selecionados para a mesma casa, dormimos no mesmo quarto. Aprontamos e cumprimos detenções juntos. Com o tempo, a amizade foi ficando mais forte.

Eu amo o Remus e até mesmo o idiota do Peter. Mas com o James é... diferente. Bem, acho que eu sempre soube que com o James seria diferente, desde o início; mas só fui ter certeza mesmo quando estar junto já não era o bastante. Eu queria tocar.

No início eu fiquei em pânico, é claro. Mas jamais tentei me afastar. James era, acima de tudo, meu parceiro.

E é claro que ainda estou em pânico. Parte de mim não agüenta mais tanto segredo, e a outra parte grita: “Seu idiota! É claro que você não vai dizer nada!”. Assumir que gosto de James e contar isso a ele estava sendo tão difícil quanto evitar azarar sonserinos nos corredores. Mas isso me parecia o mais certo a fazer.

--x--

A semana seguinte passou lenta e tediosa, exatamente como eu imaginara que seria uma vez que eu decidira me declarar a James em nosso final de semana em Hogsmead.

Eu quase podia ouvir a risada sádica do tempo espreitando pelos corredores, dormitório, estufas, atrás das estátuas, salas de aula... Vigiando meu desespero enquanto eu observava o ponteiro do relógio fazer uma longa e preguiçosa volta.

A ansiedade estava me deixando maluco. E eu já não tinha mais desculpas para todos os “Qual o problema?” de Remus, Peter e James.

Enquanto a semana passava lerdamente, tentei o que jamais havia tentado antes: Distrair-me com as lições de casa. Tive que jurar a um desconfiado Remus, quando pedi que ele me esperasse para estudar, que não, não tinha intenção alguma em provocar um incêndio na biblioteca. Madame Pince me revistou sete vezes antes de me deixar entrar.

Apenas cinco minutos depois de encontrarmos uma mesa e começarmos a fazer nossas lições, – eu tentando desesperadamente me concentrar nas páginas do livro aberto à minha frente, sem exatamente saber qual livro era – James apareceu na porta da biblioteca; os olhos arregalados e a típica cara de bobo que só ele sabe fazer. Madame Pince o revistou oito vezes.

- Sirius - ele foi chamando, ainda a dez metros de distância da nossa mesa, fazendo a bibliotecária estreitar os olhos e fazer “Shhhh”, - o que diabos você está fazendo aqui dentro?

- Estudando, oras. – eu respondi, como se isso fosse uma coisa comum vinda de mim.

- Sei... “Voando com os Cannons”?

Demorei alguns segundos para entender, até que ele indicou meu livro com a cabeça. Olhei para as páginas abertas no momento em que Chris Bayle caia de sua vassoura, logo após levar um balaço na testa lançado pelo batedor dos Cannons. Levantei os olhos a tempo de ver Moony esconder um sorriso atrás do próprio livro. Traído! Ele tinha percebido o tempo todo e me deixado fazer papel de bobo!

Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, James perguntou com voz estranhamente preocupada:

- O que está havendo, parceiro?

Parceiro! Tudo o que éramos. E eu queria mais.

- Nada, Prongs. Só estou... – repassei minha lista mental de desculpas esfarrapadas – cansado.

- Ah, Sirius, e você acha que nós somos idiotas? – começou Remus, fechando o livro. Péssimo sinal. – Algo muito mais sério do que o trabalho de Estudo dos Trouxas ou as cartas dos seus pais está te preocupando. Você pode se abrir com a gente, cara.

Enquanto Remus continuava seu discurso, percebi James desviar sua atenção. Para Snape. O ranhoso estava sentado a algumas mesas da nossa; o corpo inclinado sobre o pergaminho onde escrevia loucamente; tão inclinado que a ponta de seu narigão tocava a folha, vez ou outra. Seus cabelos oleosos caiam como uma cortina sobre seu rosto, escondendo-o de todos. Ou quase.

Remus ainda falava sobre companheirismo, confiança e ajudar um ao outro – um discurso muito parecido com o nosso quando tivemos que convencê-lo de que iríamos nos tornar animagos, – quando eu vi o que chamara a atenção de James. A mão de Snape continuava se movendo furiosamente sobre o pergaminho, mas seus olhos, dois pontos negros escondidos por uma cortina de cabelos, estavam fixos em algo à sua frente. Eu?!

Arregalei os olhos ao mesmo tempo em que James estreitava os dele e Remus bufava, irritado:

- Vocês estão me escutando?

Voltei minha atenção para Moony, mas não antes de ver Seboso notar o olhar de Prongs e devolver a “encarada” na mesma intensidade. E só depois voltar para sua lição. Achei aquilo muito estranho. Desde que as aulas começaram reparei que Snape tem dedicado muito tempo em nos observar. Resolvi deixar aquilo para lá, por hora, e acompanhar Remus para fora da biblioteca.

Nós três voltamos para a Sala Comunal naquela tarde em silêncio. Remus estava bravo porque, segundo ele, nós vivíamos o ignorando. Eu estava pensando em James. E James... bem, James estava resmungando baixinho, coisas que pareciam muito com “Seboso”, “tarado”, “um murro”, “idiota”. Ainda não sabia o motivo daquilo, mas não pude deixar de sorrir.

Os Marotos passaram aquela noite largados em frente à lareira, como sempre, mas em silêncio, o que não era normal. Remus lia um enorme livro enquanto fingia não ouvir as súplicas de Peter pedindo a lição de Transfiguração que era para o dia seguinte e que ele não fizera, pra variar. James brincava com um pomo surrupiado da caixa de Madame Hooch, encarando o teto, pensativo. E eu... bem, eu observava James.

Os óculos tortos em seu nariz, ridículo para alguns, era o charme de James para mim. Adorava vê-lo empurrá-lo de volta para seu lugar com a ponta do dedo médio; apenas um leve e automático empurrão. Os cabelos negros apontavam para todos os lados, incapazes de ficarem no lugar por mais de cinco segundos. As mãos grandes, lançando e recebendo o pomo de ouro no ar. Os olhos castanho-esverdeados. Olhos que me deixavam louco...

Olhos que estavam me encarando.

Saí do torpor, piscando várias vezes. James tinha parado de atirar a bola e estava apenas ali, no sofá da frente, um braço caído para fora do sofá enquanto a outra mão ajeitava os óculos em seu rosto. Ele estava me olhando! Merlin sabe há quanto tempo:

- Algum problema, Paddy?

- Não! – respondi mais rápido do que gostaria, levantando-me.

Melhor ir dormir.

--x--

A manhã do passeio em Hogsmead amanheceu limpa e fresca. Perfeita para perambular. Talvez para uma declaração...

Remus ainda estavam dormindo quando James, Peter e eu saímos para o café da manhã, o que era extremamente incomum. O Salão Principal estava lotado de adolescentes cheios de hormônios, loucos para um dia longe das vistas dos professores e excitados com a mínima oportunidade que tivessem em encurralar suas presas em um beco deserto. Eu era um desses.

Já estávamos na metade do café quando levantei minha cabeça da tigela de cereais e dei de cara com um grande e atrapalhado problema: Peter.

Oh, Gárgulas! Eu tinha me livrado de Remus com tanta facilidade que me esquecera que precisava me livrar de Peter também. Já estava cogitando a possibilidade de pagar alguém para sair com ele – o Longbottom parecia muito interessado, – quando a solução chegou à nossa mesa, na forma rechonchuda e espinhenta de Cecil Midgen – a Lufa-Lufa apaixonada por Peter.

- Pe-Pe-Pe-Pettigrew, vocêgostariadeiraHogsmead co-comigo? – ela perguntou. James soltou uma risada pelo nariz e fingiu deixar a colher cair embaixo da mesa, o puto.

Peter respondeu, sem hesitar:

- Não!

Não sei se foi o súbito “Não”, ou se foi a risada escandalosa de James, ainda debaixo da mesa, ou se foi a expressão assassina que tomou meu rosto. Fato é: Midgen abriu um berreiro e saiu correndo do Salão Principal.

- PETTIGREW! – eu gritei alucinado, vendo James sair de seu esconderijo se esgoelando de rir – Você está louco??

- M-mas, Padfoot, foi você quem disse que a Midgen...

- Não importa o que eu disse. Você DEVE sair com a Midgen hoje. Um dia tão bonito para um passeio. Ande, vá atrás dela.

- Nem pensar, Sirius! Além do mais, hoje eu quero um Dia de Machos. Só nós três e cervejas amanteigadas.

- Hahahahahahahahahahahahaha. Você tendo um Dia de Macho, Wormtail? –James riu mais.

- E você não acha que aproveitaria melhor seu Dia de Macho com uma garota? Se é que você me entende...

- Eca, não! Garotas são estranhas. – disse Peter.

Ele levantou-se da mesa antes de nós – o que era mais incomum do que Remus dormir até mais tarde, – arrumando suas roupas amassadas. E, por mais que eu estivesse zangado, não pude deixar de sorrir. Então eu não era o único Maroto que jogava no outro time?! Embora, achasse que nem mesmo Peter se dera conta disso.

--x--

Enquanto a professora Daniell explicava os métodos de cozimento dos trouxas e como nós os adaptaríamos a nosso favor, sem precisar de um “furgão”, eu devaneava sobre qual teria sido a reação de James se tudo tivesse saído como o planejado – lancei um olhar assassino para Peter – e eu tivesse contado tudo. Será que ele ainda estaria sentado ao meu lado, cochichando a todo minuto alguma piadinha e tão encostado em mim que qualquer movimento fazia nossos corpos se tocarem? O que era uma tortura para mim. Ou será que ele teria ido se sentar com a Evans, do outro lado da sala, o mais longe possível de mim?

Acordei com um beliscão de James:

- Ai! – eu resmunguei, massageando o braço e revidando com um soco. – Idiota!

- Padfoot! – James fez um movimento com a cabeça para a frente da sala, massageando o braço também.

Olhei para onde ele indicava, me deparando com a jovem professora Daniell nos olhando com olhar reprovador.

- Sr. Black, vou precisar repetir minha pergunta?

- É-é-é... Acho que sim...

A professora bufou antes de perguntar:

- Qual comida trouxa o senhor escolheu para a nossa aula?

- Ah, sim... – Qual era mesmo? Revirei meus pergaminhos (quase todos em branco) e achei uma pequena anotação: - Pizza calabresa.

- Ótimo! Os trouxas adoram pizza – ela sorriu. – Certo. Bem, o que estão esperando? Comecem a trabalhar, quero que pesquisem os ingredientes, anotem o que vão precisar e depois, nós vamos à cozinha. Mãos à obra!

Eu estava pesquisando alguns livros de receitas que a professora tinha nos emprestado, quando ela parou ao meu lado; sua mão em meu ombro e um sorriso bondoso no rosto.

Medo!

- Sr. Black – ela chamou, baixinho, – pode vir aqui fora um minuto, por favor?

Quando nós alcançamos o corredor a professora fechou a porta atrás de nós. Pude ver o olhar curioso de James nos seguindo.

- Meu querido, estou preocupada com você. Tem estado muito quieto e distraído nas últimas semanas, o que não é normal. Está com algum problema?

Será que eu estava ficando tão óbvio assim?

- Não é nada, professora. Nada importante.

- Sim... – ela disse, séria. – Eu imaginei que você me diria isso – Ela, então, sorriu. – Mas eu gostaria, mesmo assim, de te dar uns conselhos.

Agora eu estava com muito medo mesmo. Acenei para que ela continuasse.

- Seja você mesmo, Sirius. Não use máscaras. Não magoe quem você ama com mentiras e pior, não magoe a si mesmo.

Fiquei ali, com cara de besta, vendo a professora sorrir para mim, dando umas pancadinhas em meu ombro e abrir novamente a porta da sala. Mas antes de entrar, ela hesitou e voltou-se para mim, sussurrando em meu ouvido:

- James te adora, seu bobo.

Sim, eu estava ficando óbvio demais.

--x--

Estava a uma das mesas da cozinha, sentado sozinho com minha pizza. A aula tinha terminado há pouco. Fiquei pensando no que a professora Daniell me falara.

A porta da cozinha abriu-se, dando passagem a um confuso James. Voltei a comer minha pizza, – muito gostosa – sentindo que ele se aproximava de mim.

- O que está fazendo aqui, ainda? – ele perguntou.

- Comendo – respondi.

- Eu estranhei quando notei que você não tinha saído com os outros. Eu não tinha reparado... Estava com a Lily.

Claro.

- É, eu vi.

- Qual o problema, Padfoot? O que é que você tem?

Resolvi que mentir e adiar o momento não resolveria em nada. A professora Daniell tinha razão:

- Eu sou gay, Prongs.

Vi, pelo canto dos olhos, James cair sentado ao meu lado, no banco. Encarei-o. Ele tinha a boca aberta e, se não era minha imaginação, um brilho nos olhos arregalados.

Ele se recuperou o mais rápido que pôde e logo estava sorrindo para mim. O sorriso “E daí?” de Prongs.

- Vai me dizer que é por isso que você tem estado mais esquisito do que o normal?

Não, não era. Ri e fiquei quieto, observando James manter um sorriso no rosto e as sobrancelhas levemente franzidas, divertido. Ele não parecia incomodado com a situação, apenas... surpreso.

Após um longo tempo de silêncio, James fez:

-Ho Ho Ho. Agora eu sei por que você gostava de invadir o vestiário da Grifinória sem aviso!

- He He, pelos peitos da Moore é que não eram.

- Hi Hi, Sirius Black, seu cachorro! E você bem insistia para que Moony usasse o dormitório para se trocar, hum?

Nós rimos durante um tempo. James coçava o queixo a todo o momento, sinal típico de que estava considerando algo de muito interesse seu. Não pude deixar de me alegrar com isso.

- Pizza? – ofereci.

Nós ficamos ali, comendo pizza calabresa. Os elfos logo apareceram e retornaram às suas tarefas, nos oferecendo comidas o tempo todo. Pegamos alguns bolinhos com creme de chocolate para Peter e deixamos a cozinha, subindo em direção à Grifinória.

Durante todo o caminho, o sentimento de ter dito apenas meias verdades não me deixava. James veio falando durante todo o tempo, – normal – e fazendo brincadeiras comigo.

- E você dizia que eu era o veado! – ele falou, rindo escandaloso em frente ao quadro da Mulher Gorda. Ele estava prestes a dizer a senha quando eu segurei seu braço.

- Venha comigo – eu chamei, arrastando-o para longe dali.

Entrei numa das travessas do corredor da entrada da Grifinória e empurrei James contra uma parede, encostando-me na oposta e tomando fôlego. James não estava entendendo nada.

- Siri...

- Eu gosto de você, James.

-... Bem, eu gosto de você também, cara e...

- Não! Você não entendeu. Eu realmente gosto de você. Sou completamente apaixonado por você.

Um silêncio profundo e sufocante tomou o corredor. James não sorria mais. Ele tinha as mãos nos bolsos e os olhos fixos em mim. Continuei esperando. Após muito tempo (me pareceu uma semana), ele falou.

- Você tem certeza disso, sabe... Você não acha que está... confundindo...?

- Não, é claro que não. Eu simplesmente... sou louco por você.

James se inclinou sobre a parede e jogou a cabeça para trás. Os olhos fechados e uma expressão preocupada:

- Sabe, eu imaginei este momento tantas vezes, por tanto tempo, e cada vez era tudo tão mais inacreditável, que eu me forcei a acreditar que era impossível. – Não podia acreditar no que estava ouvindo. Ele estava... Estava?! – Eu nunca desconfiei que você...

- Você... – eu comecei.

- É... Quer dizer, eu não tenho certeza, Sirius eu só... imaginei que isso podia acontecer... Eu imaginei que... Se eu pudesse escolher, eu imaginei que escolheria você, entende? Céus! Nós somos tão amigos, Padfoot. Eu não quero estragar isso.

Dei um passo na direção dele, pronto para prometer que nada iria mudar, que tudo seria como sempre fora. Mas parei, imediatamente, quando ele levantou as mãos.

- Por favor, eu... na verdade, nós precisamos pensar sobre isso, Sirius.

- Sim, claro, mas... Deus sabe o quanto eu já pensei sobre isso, James. Mas eu posso continuar pensando, é claro – terminei, bobamente, fazendo James rir.

- Ótimo! Olhe, eu... Eu quero que isso aconteça, Sirius. Mas eu não quero que estrague a nossa amizade. E isso é o que me preocupa.

- Eu também não quero que nada estrague nossa amizade, Prongs.

Nós sorrimos um para o outro, decidindo esperar e pensar. E eu estava feliz e disposto a esperar o tempo que fosse necessário.

--x--

James precisou de dois meses para pensar. E eu estava quase batendo com a cabeça na parede. Tá, eu sei que disse que estava disposto a esperar, mas aquilo estava me deixando maluco, apesar de muito mais aliviado! Nas semanas seguintes à declaração nos falamos pouco, o que gerou uma nova onda de “Qual o problema?” e outra onda de “Nada”. Não que não estivéssemos nos falando, mas não era a mesma bagunça de antes. James estava sempre pensativo e eu estava sempre pensando em James. Comecei a achar que talvez essa relação não fosse dar mesmo certo.

A situação piorou quando estávamos às vésperas das férias de Natal. Sirius e James são pessoas felizes e animadas no Natal, não dois montes jogados no sofá, com ar vago e sorrisos forçados. Eu, esperando. Ele, adiando.

Na manhã do dia vinte e quatro de dezembro, estávamos no dormitório. Peter tinha acabado de descer, ansioso para pegar o trem e passar o Natal em casa – ele jurava que a ceia da Sra. Pettigrew batia a dos elfos de Hogwarts. Remus estava no banho. Ele ficaria na escola, como todo ano. E eu fiquei sozinho no quarto, limpando meu malão. Também não voltaria para casa, é claro.

James entrou no dormitório, com ar um pouco confuso e preocupado. Seu malão estava pronto ao pé da cama, mas ele não parecia muito decidido a ir para casa. Continuei dobrando minhas cuecas e tomei um susto quando ele falou:

- Você quer que eu fique?

- Hã?

- Você quer que eu passe o Natal em Hogwarts?

- Ué, você quem sabe.

- Eu estou perguntando para você.

- Bem, seria legal, sabe? De qualquer forma, Peter vai pra casa e aposto que Remus vai querer passar o feriado estudando.

- Ok. Eu fico, então.

Ficamos em silêncio. James me encarava tão intensamente que eu, Sirius Black, fiquei vermelho pela primeira vez na vida. Imediatamente tentei pensar em alguma piada para quebrar o silêncio constrangedor:

- He He, você viu a cara do Seboso quando a Madame Hooch disse que ele montava como a sobrinha del...

Ele me beijou. Sim, ele me beijou! Oh, Céus! Ei! Ei, ei, ei, aonde você vai? Não pára!

James se afastou, suas mãos ainda em meus ombros. Ficamos ali, apenas nos olhando. Eu estava feliz!

- Você... Você... – eu tentei falar alguma coisa, mas era complicado quando eu ainda sentia o gosto dele.

- Eu sempre quis isso, Sirius. Sempre. Mas eu tinha medo. Não da sua reação, mas do que aconteceria depois. Depois que a gente se entregasse de vez e não tivesse volta.

- Eu não sei você, James, mas eu me entreguei há muito tempo. E eu acho que... Eu acho que vale a pena arriscar. Nós somos parceiros, cara!

James sorriu para mim. E me beijou novamente. Mais intensa e apaixonada do que eu já o vira fazer com uma garota. E eu estava muito feliz!

Até que a porta do banheiro de abriu.

Tudo o que eu pensei em fazer foi me atirar em cima de James, gritando:

- Pede penico, Prongs.

James entendeu e gritou de volta:

- Nunca!

Remus saiu do banheiro, rindo:

- Vejo que já voltaram ao normal.

- Sim, está tudo bem agora – disse James sorrindo, embaixo de mim.

--x--

A vida é esquisita. Em um dia, James e eu estávamos nos evitando, no outro, não conseguíamos nos desgrudar. Pensar num momento longe de James já era estranho antes, agora era ainda mais esquisito, uma vez que agora era difícil ficarmos mais de dez segundos sem nos agarrar.

Como eu previra, Remus passara o feriado estudando. Ele saia logo cedo e voltava só na hora do jantar. James e eu, pela primeira vez, não o enchíamos com isso afinal, podíamos nos agarrar livremente.

Em poucos dias nosso namoro de quentes beijos em lugares estratégicamente escondidos transformou-se em emparedadas em meio a corredores muito usados. A gente não tinha noção do perigo. Nem vergonha na cara.

Além da falta de bom senso, resolvemos que provocação apimentava qualquer relação. Na véspera do Ano Novo estávamos nos pegando em uma passagem secreta escondida pelo quadro de Grunhilda, a caolha, e conhecida apenas pelos Marotos, quando a coisa começou a pegar fogo. James parecia ter mil mãos. E eu estava prestes a ficar sem pescoço.

- Está animado hein, Prongs?

- Hehehe – ele riu, encostando-se mais (se era possível) em mim, perdido em meu pescoço – Como se você também não estivesse. – ele provocou, me acariciando por cima de minha calça.

Eu puxei seu rosto e o beijei, invertendo as posições. James escorregou pela parede e eu o segui. A passagem era larga o bastante para James cair por cima de mim e me prender no chão. Aproveitei o momento em que ele se distraiu com a pele exposta pelos botões abertos de minha camisa, e inverti as posições novamente, prendendo seus braços acima de sua cabeça, os segurando com minhas mãos.

James franziu as sobrancelhas e enfiou sua perna entre as minhas, friccionando meu membro. Gemi, jogando a cabeça para trás; logo depois estava estendido no chão, completamente preso pelos braços e pernas de James. Nós nos encaramos e estreitamos os olhos um para o outro. Ahá! Quer brigar, é?!

Passamos os próximos quinze minutos provocando um ao outro com mordidas na orelha, lambidas no pescoço e beijos de tirar o fôlego. Quando um dos dois tirava a atenção do outro, agarrava a oportunidade de inverter as posições.

Após quinze minutos, a coisa deixara de ser sensual para se transformar em dois adolescentes suados e embolados no chão, um tentando ficar em cima do outro.

- Mas que droga é essa, Sirius? – James falou, quando caímos um ao lado do outro sem condições de continuar com nada. Nada.

- Eu que pergunto. Por que é que você ficou tentando subir em mim o tempo todo?

- Há! Porque eu pensei que a gente faria alguma coisa!

- É, eu também. Por isso eu estava tentando subir em você, porque achei que a gente fosse fazer alguma coisa.

- Você não está fazendo sentido, Sirius.

- Como não? Eu suponho que alguém tenha que ficar por cima, não?!

- Sim. E esse alguém sou eu.

- Hahahahahaha – eu ri. – Entendi. Você pensou que ia ficar por cima? Você?

- Mas é claro!

- James, mas é claro que eu vou ficar por cima.

- Hahahahahaha. Você não dá conta, Padfoot!

- O quê? E você acha que você consegue?

- Padfoot, eu nasci para ficar por cima.

- Que eu saiba, você até pouco tempo não gostava de homens, James Potter.

- Isso não vem ao caso. Além do mais, qualquer um iria me querer no comando.

- Hahahahahahaha. Prongs, até Evans ficaria no comando com você.

OPS! Eu e minha boca grande. Nós dois levamos uma detenção quando McGonagall nos pegou correndo sem camisa pelos corredores de Hogwarts: James atrás de mim tentando me azarar.

--x--

As férias acabaram e tudo voltou ao normal, inclusive as aulas. Esconder nosso relacionamento ficou bem mais difícil. Pensamos em contar para Remus e Peter, mas decidimos esperar e ver no que daria.

Duas semanas após as aulas recomeçarem, estávamos no Salão Principal jantando. Quando aconteceu.

James vinha observando Snape cada vez com mais intensidade. Era só ele encontrar o Ranhoso pelo caminho que ele começava a resmungar coisas como “atrevido”, “furar o olho”, “quem ele pensa que é?”. E aquilo realmente estava me irritando.

- James, por que diabos você fica encarando o Seboso com esses olhos de peixe morto?

- Aquele Seboso atrevido não tira os olhos de você desde o início do ano letivo!

- De mim?! – perguntei, espantado. Então me lembrei daquele dia na biblioteca. Mas aquilo era impossível! – James, você está louco. Você acha mesmo que Snape ia... você sabe...

- Eu vou lá perguntar qual o problema dele. – disse James, já se levantando. Remus o segurou pela manga da camisa.

- Ei, Prongs! Fique calmo, sim? Não acho que vocês deviam brigar por causa de Sev-Snape. Não acho que ele esteja a fim de Sirius.

- E como é que você pode ter certeza disso, Moony? – James perguntou, desconfiado.

- Bem... É só que... Oras! Você acha mesmo que Sev-Snape iria gostar de Padfoot?

- Ei! – eu disse, indignado.

- Não quis dizer isso eu só... Ah, você entendeu o que eu quis dizer, Sirius.

- Eu não quero saber. Vou lá falar com ele.

James se soltou de Remus e começou a caminhar até a mesa da Sonserina. Nós três o acompanhamos. Vi, de longe, Snape ficar tenso no banco. Mas, seria possível...?

- Ei, Seboso! Perdeu alguma coisa no Sirius? – James falou, olhando Snape de cima.

- Ora, e eu lá gosto de pulgas?

- Ora, seu... – eu avancei, mas Remus me segurou.

- Vamos embora daqui, por favor... – Moony pediu, nervoso. Ele evitava olhar para Snape.

- Algum problema aqui? – perguntou a professora McGonagall, se aproximando da mesa, andando muito mais reta do que de costume. Sinal de perigo.

- Nenhum problema, professora – Remus se apressou em dizer. – Nós só... só... viemos dar os parabéns pelo aniversário de Sev-Snape. – Snape e McGonagall arregalaram os olhos - Já estávamos indo embora.

A professora piscou algumas vezes antes de acenar com a cabeça e depois sacudir as mãos, indicando as portas do Salão, ainda com ar desconfiado:

- Bem, se vocês já terminaram...

Sem esperar segunda ordem, Moony, rapidamente, começou a nos empurrar em direção à saída. James ainda mantinha os olhos estreitos para Snape, que não parecia abalado.

Estranho...

--x--

A passagem secreta de Grunhilda, a caolha, virara nosso lugar de encontro e era lá que James e eu estávamos no Dia dos Namorados daquele ano. Voltamos a nos agarrar depois que eu, finalmente, conseguira arrancar a calça de Prongs. As mãos de James terminaram de abrir os botões de minha camisa e agora passeavam, livres, por meu peito. Ele inclinou-se sobre mim e deslizou sua língua por todo o meu tronco, parando em meus mamilos e mordendo-os. Eu gritei. Eu gemi. Eu me esfreguei.

Estava louco de tesão quando o derrubei no chão e ataquei seu pescoço. A perna dele se enfiou entre as minhas, me provocando. Eu o imitei, arrancando sua camisa e a atirando para o lado.

Foi quando a passagem secreta se abriu, revelando Remus Lupin. E Severus Snape. Ou a fusão dos dois.

Remus, nosso Remus, entrou na passagem sem ao menos notar que ela já estava ocupada. Ele EMPAREDOU o Seboso e eu pedi a todos os bruxos que fosse apenas para lhe acertar um soco. Não aquele chupão no pescoço que fez Snape gemer alto e ronronar.

Foi James quem acabou com a palhaçada, o que foi ótimo porque eu não tinha forças nem para fechar a boca que estava aberta desde que os dois entraram se agarrando.

- QUE PORRA É ESSA? – me orgulhei de Prongs. Ele tinha a sutileza de um hipogrifo sapateador.

- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! – os dois safados gritaram, assustados.

Moony foi, literalmente, jogado na parede oposta. Snape ficou grudado na parede como uma lagartixa. Mais pálido do que um pergaminho, mais assustado do que um tronquilho acuado.

- Pr-Prongs – Remus gaguejou. – Pad-Padfoot! E-eu posso explicar.

--x--

Certo. Da pior maneira, descobrimos o que Remus vinha tentando nos dizer há tempos. E entendemos, finalmente, porque ele defendia tão obstinadamente a tese de que Snape não estava dando em cima de mim. Todos aqueles olhares pertenciam a Remus.

O problema era que James estava magoado – e eu também, para falar a verdade. James estava encarando aquilo como uma grande traição.

A briga fora feia. Prongs gritava, eu gritava; até mesmo Moony gritava. E Peter entendia nada. James acusando, Remus defendendo e eu, inesperadamente, apenas tentando acalmar, enquanto Peter tentava entender. No final, Remus e James foram dormir um de costas para o outro.

No dia seguinte, os gritos continuaram. James gritava comigo, dizendo que eu devia estar apoiando-o e Remus berrava com os alunos do primeiro ano. Sério, era assustador. O lobisomem era um bichinho fofo perto do homem berrador que Moony se transformara.

As coisas estavam tão estressantes que até Peter entrara na dança, mesmo sem saber por quê. No meio da aula de Transfiguração, quando a professora McGonagall perguntara a ele sobre a lição de casa, Peter berrava que não tinha feito.

Pobre Peter.

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Enquanto nosso namoro seguia em segredo, Lily Evans, sem saber, estava estragando tudo. A ruiva aparecia nos lugares mais improváveis dela aparecer; sorria brilhantemente para James, exatamente nos momentos em que eu conseguia a atenção dele só para mim; deitava-se na grama à beira do lago, jogando os longos e ruivos cabelos para trás, roubando toda a cena do irresistível Sirius Black. Aquilo estava me irritando. Aquilo estava confundindo James.

Não precisava ser um gênio para notar o quão dividido James estava. Ele parecia tentar se atirar de uma vez em nosso relacionamento, como se isso fosse impedi-lo de fazer uma besteira. Ele cogitou contar para os amigos mais próximos, aos poucos, mas eu não quis. Eu queria que James estivesse certo sobre o que ele queria. Aos poucos, vieram as brigas.

Não conversávamos mais como antes. Nos momentos em que ficávamos completamente a sós, estávamos nos agarrando. Não que eu não gostasse, mas... Eu não queria que tudo fosse apenas uma transa. Ou uma tentativa dela afinal, Remus já se tornara o amigo inconveniente que sempre aparecia quando as coisas estavam esquentando, o que irritava James profundamente (eles ainda estavam sem se falar).

Mais alguns meses e nosso namoro estaria a um passo de afundar.

--x--

Naquele dia tivemos mais uma briga daquelas. Eu sabia que não devia pressionar, mas era complicado quando, além de estar perdendo o cara por quem era apaixonado, estava perdendo meu melhor amigo. E eu me sentia culpado afinal, fui eu quem começou com aquela história.

Acordei no meio da noite. Na verdade, não tinha conseguido dormir direito. Abri o cortinado da minha cama e dei de cara com a cama de James. Vazia.

Àquela hora da noite, bravo do jeito que estava, só havia um lugar onde ele podia estar.

Assim que entrei no campo de quadribol, vi o pontinho que era James fazendo loops e girando no céu estrelado. Sentei na arquibancada e esperei, assistindo-o.

Meia hora depois, James resolveu pousar. Ele desmontou da vassoura e caminhou direto para o vestiário da Grifinória. Eu o segui.

- O que está fazendo aqui? – ele perguntou, assim que me viu entrando no vestiário.

- Perdi o sono – respondi.

- Você não devia ter vindo aqui.

- James, a gente precisa conversar.

- Não acho que seja uma boa hora, Sirius – ele falou, terminando de tirar o uniforme de treino e entrando em um dos Box de banho.

- Cara, a gente não pode ficar brigando como duas garotas por qualquer besteira.

- Não é besteira, Sirius. É só que... Ah, você não entende.

- Então me explica!

- Não é só isso, ok? – James, de repente, estava gritando, saindo debaixo da ducha e andando até mim. – Existem... coisas mais graves do que um ciúme bobo nessa história.

- Então, o que é? Me diz, James.

- Nós dois. Nossa amizade. Lily.

- Eu sabia. Eu sabia que você ia dar um jeito de colocar ela nessa história.

- A gente não pode simplesmente fingir que Lily não é importante para essa história, Padfoot.

- E não é. James, isso é sobre você e eu.

- Mas eu não quero magoar a Lily.

- Então você tem que se decidir se quer ou não a Evans, porque eu não vou mais esperar por você, James – eu gritei.

James achou aquela uma boa hora para me dar as costas e voltar para o seu banho.

E eu entrei atrás.

O puxei pelo braço e o fiz me olhar nos olhos, tentando criar coragem para dizer o que queria. Para pedir o que queria.

Não tive coragem.

Eu colei meu corpo no de James, encostando-o na parede úmida do Box. A água da ducha caia sobre nós, mas nenhum dos dois se importava com isso. Tudo o que me importava eram as nossas línguas se provocando e as nossas mãos explorando nossos corpos.

James me livrou de meus pijamas antes mesmo que eu pudesse pensar em tirá-lo. Eles ficaram ali, no canto do Box, junto com minha cueca.

A pele de James era tão clara que qualquer apertão mais forte deixava o local vermelho, e eu me divertia com isso. Ele era todo sensibilidade. Onde quer que minha língua ou minhas mãos estivessem, ele arrepiava-se.

Prongs tinha o gosto da melhor e mais rara coisa do mundo, para mim. E eu queria morder, lamber. Chupar.

Assisti James jogar a cabeça para trás, segurando um gemido no fundo da garganta, enquanto ele sentia minha língua deslizando pelo membro dele, provando. Seus dedos logo se embrenharam em meus cabelos, procurando apoio ao mesmo tempo em que me puxava para mais perto dele.

Nos beijamos. Eu inverti as posições, me apoiando contra a parede e de costas para ele.

Me entregando.

Os beijos de James em minhas costas pediam permissão, ao mesmo tempo em que me acalmavam. Inclinei-me, empinando o quadril. Implorando por ele.

A mistura de sensações de dor e prazer fazia tudo ser divinamente bom e inesquecível. Ter James dentro de mim – apesar de todas as brincadeiras - era um sinal de entrega, não só minha. E eu podia sentir cada centímetro de seu desejo pulsando, me dizendo que aquilo era real. Ele me queria!

Quando James aumentou a velocidade, eu não conseguia enxergar, ouvir ou sentir mais nada que não fossem ele, seus gemidos, seu cheiro... E as cores, e o calor...

Deslizamos até o chão do Box, exaustos e satisfeitos.

Felizes.

Encolhi-me nos braços de Prongs – a água da ducha ainda caia sobre nós – e eu apenas fiquei ali, ouvindo seu coração voltar a bater compassado novamente, e sentindo sua respiração contra meu cabelo.

Ele me beijou. O beijo mais lento e cuidadoso que já tivemos. Nosso último beijo.

--x--

Estávamos sentados embaixo da árvore à beira do lago. Remus lia um livro, encostado na árvore. Peter o atrapalhava toda hora com perguntas idiotas. E eu observava Lily e James brincando com o pequeno Harry.

A vida é esquisita. Estamos em meio a uma guerra, mas estamos felizes. Não podemos ao menos levar o garoto para brincar no parque, - há muito não cabemos mais embaixo daquela capa da invisibilidade – por isso construímos, no fundo da casa dos Potter, um jardim tão parecido com o nosso pedaço favorito de Hogwarts. Isso nos faz feliz.

Assisto, de longe, a alegria do casal tentando equilibrar o menino na vassoura. É claro que eu ainda sou apaixonado pelo imbecil do Prongs, mas hoje eu aceito sua decisão. Foi ruim acordar sozinho na manhã seguinte à que fomos para a cama. Foi desesperador ouvir James me dizer que ficar com Evans era preservar nossa longa amizade. Foi complicado sorrir no casamento deles.

Apesar de tudo, hoje tudo isso é tão insignificante comparado ao valor da nossa amizade! Só hoje eu entendo que James fez sacrifícios para manter o que ele tinha de precioso e seguro em sua vida. Hoje eu entendo que faria o mesmo em seu lugar, porque é isso o que parceiros fazem: sacrificam-se.

E alguns deles dão escapadas noturnas.


Fim.


Notas da autora:

Cara, foi um parto com fórceps escrever essa fic. E ela quase não sai. x.x

Genteeeee, só depois que eu aceitei o desafio que eu vi que a fic precisava ser em primeira pessoa e, FATO: eu não sei escrever em primeira pessoa, eu não gosto de ler em primeira pessoa, eu tenho PAVOR de primeira pessoa. X.X

De qualquer forma, eu gostei do resultado. :)

Sobre o final da fic: a Bela-chan, a moderadora que pediu a fic, queria uma história com final feliz e que não fosse AU nem AR. O.O Logo, Sirius e James não poderiam terminar juntos. Eu realmente espero que esse final tenha sido feliz o bastante, na medida do possível. o.o

Desculpe qualquer coisa estranha demais nela, mas foi o máximo que eu consegui fazer. xDDD

Bem, pessoas, vocês já sabem: Reviews fazem bem para o ego da autora, sim. xD

Principalmente quando ela está insegura quanto a fic, e precisa de carinho e palavras doces. #fazendo olhos de filhote perdido#

E ela adooooora bater papo com vocês. FATO! :D

Beijinhos.

Cy


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