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Dark Faye
Author of 99 Stories

Rated: K - Portuguese - Romance/Drama - Reviews: 4 - Published: 11-27-08 - Complete - id:4680264

Disclaimer: Naruto, Rurouni Kenshin e Nana pertencem aos respectivos autores e essa estória não possui fins lucrativos.

N/A: Dia 3 foi o aniversário da Nandinha Shinomori e apesar de achar que ela merece mais do que eu jamais conseguiria escrever, esse é meu presente para ela. Eu realmente tentei escrever dez ficlets com dez casais que ela gosta, mas não consegui. Poizé Nandoca, eu ainda encarno no nosso projeto de Natal do ano passado, mas acho que ele é audacioso demais, já que entra ano, sai ano, não consigo concluí-lo. Enfim, espero pelo menos que você se divirta com as quatro ficlets que consegui escrever. As outras seis fico devendo.

.TAGS.

[olhos] [kunai] [medo]

[nejiten]

Viver sem medo é uma das coisas mais importantes na vida de um ninja. Não temer a morte, um desfecho doloroso, as mentiras, as vergonhas. Um ninja completo vive desprendido da vida, não tem medo nem da dor, nem das surpresas boas que fatalmente – subitamente – lhe são reservadas.

Neji sempre se considerara um ninja completo. Nada além de alguém perfeitamente dentro de todos os critérios que julgavam uma pessoa boa ou não para servir à Konoha. E isso queria dizer que ele era verdadeiramente destemido, uma rocha pronta para tudo, absolutamente tudo que viesse a acontecer.

E ele possuía características que o auxiliavam a prever todas as coisas que poderiam, um dia, o surpreender. Ao ler os movimentos de seus oponentes e interpreta-los corretamente com seu byakugan, Neji podia prever exatamente como as pessoas agiriam em todas as situações possíveis. E isso o deixava pronto.

Mas mesmo com seus poderosos olhos, com sua esperteza e inteligência, com seus movimentos perfeitos, ele não conseguia estar pronto para Tenten. Porque, diferente de Lee, que não sabia esconder nada e possuía uma personalidade extremamente transparente e fácil de ler, ela era apenas um emaranhado de sentimentos e contrariedades.

Ao não conseguir ler de forma satisfatória os sentimentos e a personalidade de Tenten, Neji sentiu-se repentinamente amedrontado. Não pelo fato de falhar em algo que era muito bom, mas sim pelos pensamentos que essa falha causou. Por que entender a ela seria tão importante? Eles apenas eram do mesmo time, nada demais. Não importava se ela ficava feliz quando estava com ele, ou se estava entediada, ou se o achava um babaca arrogante obcecado pelo destino que não queria cumprir.

Sempre se achara uma pessoa muito diferente das outras. Suas preocupações e ambições eram sérias demais e ele nunca soube o que é um passatempo ou descanso. Nunca vivera calma e tranquilamente ou lidara com assuntos aleatórios como todas as outras pessoas. No final das contas era praticamente como se estivesse meio morto por todos aqueles anos.

Portanto, ao simplesmente se importar com algo tão absolutamente insignificante para seus objetivos como os pensamentos de Tenten deixaram-no feliz. Ele descobriu que, como todas as outras pessoas que conhecia, também era capaz de se desprender e gostar de alguém.

Neji também não sabia direito se gostava de Tenten, porque tampouco havia gostado de alguém antes e nunca que iria conversar com Lee sobre isso pra saber como era. Ele sabia que se importava com o que ela pensava dele. Não de uma forma orgulhosa e sim com certo medo. Porque ele queria que ela o visse como alguém importante na vida dela e tivesse orgulho dele. Se ela pensasse algo fora disso, sabia que isso o magoaria. Ele também se preocupava com ela mais do que se preocupava com os outros. Se alguém machucasse Tenten, mesmo que um pouco, sabia que iria fazer alguma coisa instintivamente. Ele gostaria que ela parasse de errar de propósito quando atirava kunais nele em seus treinos, para que assim ela o ferisse e eles ficassem próximos.

Ele sabia que esses pensamentos e muitos outros nem tão puros classificavam-se num sentimento que ele temia e fugir de tudo isso era a melhor alternativa. Mas um ninja não deve temer nada. E mesmo sabendo que fatalmente iria se ferir e errar no processo, ele deveria enfrentar qualquer coisa. Até mesmo o amor.

- Pare de errar de propósito.

- Não vou simplesmente te acertar uma kunai no meio da cara.

- Mas poderia.

- Se eu quisesse, poderia acertar uma kunai no seu ponto cego, mas...

- Mas?

- Gosto demais de você para conseguir vê-lo sofrer.

Naquele instante, Neji conseguiu fazer uma leitura completa de tudo que antes parecia tão embaralhado em Tenten. Tudo que parecia perdido e inalcançável. E sentiu-se feliz por ser o ninja perfeito novamente. Ele não precisava ter medo das coisas boas que acontecem de surpresa na vida.

- Mas já que insiste...

Neji só precisava temer a pontaria perfeita de sua companheira de time.

*~*~*~*~*~*

[nuvens] [flores] [votos]

[shikaino]

Faltava menos de uma semana para o casamento dele com Ino, portanto, pelo cronograma, Shikamaru já deveria ter escrito seus votos há cinco dias atrás. Mas ali estava ele, olhando as nuvens e pensando em quando poderia roubar os votos que Ino escrevera e copiar...

Não era nada complicado e ele sabia exatamente o que gostaria de dizer. Ele a amava muito e tudo o que ele precisava dizer a ela passava freneticamente dentro dele. Porém, era só pegar um lápis que tudo se transformava num grande vácuo de idéias e ele nem ao menos conseguia lembrar do porque estava ali.

O fracasso com os votos não poderia persistir por mais tempo, caso contrário ele nem precisaria escrever mais, pois com certeza Ino não iria casar com ele. Shikamaru precisava de um sistema, como se fosse um grande mercado de sentimentos e ele precisasse de uma lista para pegar os certos e organiza-los no armário.

Falar sobre quando eles se conheceram

Eles eram crianças e Ino chorava à beça. Ela era reclamona e sempre tinham que brincar do jeito que ela queria. Passou a infância o xingando de preguiçoso – o que ele era, mas não precisava falar o tempo todo – e mandando nele. E ele era obrigado a ouvir Ino falar do Sasuke.

Falar do que eles têm em comum

Eles nasceram no mesmo mês. Em dias seguidos. E ambos têm rabo-de-cavalo. Eles usam brincos iguais e seus pais se conhecem desde quando tinham a idade deles. Eles eram do mesmo time e seus golpes combinavam.

Falar dos obstáculos pelos quais eles tiveram que passar

Eles não se amaram de primeira. Houve um Sasuke, um Sai e um Kiba. E também houve uma Temari que valia por quatro. Ele era preguiçoso e entediante, ela era irritante e narcisista.

Falar do amor que os uniu

Eles beberam muito naquela noite.

Shikamaru suava frio percebendo que a hora de falar seus votos estava chegando. Como ele falaria antes de Ino, podia simplesmente pôr tudo a perder naquele exato minuto. Mas só havia uma maneira de casar, e era aquela, então ele não poderia simplesmente fugir.

- Ino, eu amo você. E amo o que nós temos aqui. Com tudo de bom e de ruim. Eu amo você completamente, com todas as suas falhas e imperfeições, com as coisas que me fazem ficar louco, eu amo você. Portanto, eu estou aqui, jurando que vou amar você do jeito que você é pelo resto da minha vida e pedindo que você tente me amar, pelo menos um pouco, por esse tempo também.

Durante a festa, Shikamaru teve que explicar quais eram as falhas e imperfeições que Ino possuía, e ele foi obrigado a improvisar dizendo que as pessoas achariam bonito se ele dissesse isso. Mas a loira apenas sorriu de modo terno e o abraçou.

- Do jeito que eu sou, Shika. Isso significa improvisar muito ainda.

Shikamaru torcia para que Ino o fizesse suar frio e improvisar por muitas vezes mais.

*~*~*~*~*~*

[cabelo] [barco] [sorriso]

[misaoshi]

Existem coisas que definitivamente não mudam. Alguns aspectos da personalidade podem ser aperfeiçoados, mas jamais modificados. A obsessão que ela nutria pelo tutor nascera com ela. Era parte de sua alma, seu caráter, sua história. Misao poderia aperfeiçoar seus sentimentos em relação à Aoshi. Mas não modifica-los.

Antes de sair na jornada que a faria conhecer Himura, Okina tentara alerta-la sobre tudo que seu imaginário infantil não conseguia entender sobre Aoshi. Avisara a ela sobre a personalidade difícil e introspectiva, sobre o peso da responsabilidade em seus jovens ombros, sobre o sangue que ele carregava nas mãos.

Misao agradeceu todos os conselhos e avisos. No entanto, na mente jovial e simples dela, as coisas eram muito fáceis de serem superadas. Para uma personalidade distante, um sorriso. Para os ombros cansados, diversão. Para o sangue nas mãos, água limpa. Ela realmente acreditava que todos aqueles aspectos soturnos que rodeavam seu Aoshi eram fatalidades sem propósito e simples de serem contornadas.

Porém, como já dito antes, esse pensamento otimista, positivista, pertencia a uma Misao muito jovem. E a partir do momento no qual teve de lidar com todos os aspectos realmente negativos de Aoshi, lidar com todas as coisas ruins que ela não havia planejado e também lidar com todos aqueles sentimentos que ela jamais imaginou que um dia poderia ter, as coisas ficaram um tanto quanto complicadas para ela.

Quando Himura deu-lhe a missão de fazer com que seu tutor sorrisse de verdade, Misao não poderia ter ficado mais contente e animada. Foi como se ele desse uma razão para ela continuar com aquela esperança cega e aquele amor doentio. Porque, naquele momento, depois de tanta decepção, ela já não sabia se continuava a valer a pena toda àquela devoção exagerada. Então ela agarrou-se a esse fiapo medíocre de estímulo e seguiu em frente. Mesmo sem entender o porquê. Mesmo sem vontade.

E apesar de sorrir a cada palavra ríspida, apesar de fingir não ligar a cada ato bruto ou indiferente, apesar de reafirmar seu amor cada vez mais alto a cada recusa dela, no fundo, ela tentava convencer a si mesma. Porque já não haviam mais tsurus dobrados, ou aulas de espadas. Já não havia um Aoshi que afagava seu cabelo até ela dormir ou ficava ao seu lado enquanto o barco que fizera pra ela descia rio abaixo lentamente. Aquele Aoshi que brilhava em sua memória, não existia mais. E era por ele que Misao era apaixonada.

Após derrotarem Enishi, resgatarem Kaoru e enterrarem com dignidade os membros mortos da Oniwabanshuu, Misao tomou sua decisão. Afastou-se de Aoshi, preencheu seu dia com tarefas construtivas, tentou aprender o máximo possível de tudo aquilo que ela perdeu enquanto esteve envolvida em batalhas que não eram dela. Pensou que, colocando toda a sua energia em outro foco, não teria tempo de pensar em como seu amor infantil ainda resistia dentro dela, esperando que seu objeto de afeto voltasse a ser como era.

Mas claro que não deu certo.

- Posso conversar com você?

- Sim.

- Você sabe por que eu tenho esse cabelo comprido?

- Não.

- Quando eu tinha uns quatro anos, ouvi você dizer que gostava de cabelos longos. Então, prometi a mim mesma que teria longas madeixas para te agradar e te fazer feliz. Obviamente, você nunca reparou e eu tão pouco te disse alguma coisa.

- Mas está me dizendo agora.

- Sim, porque caso não te dissesse isso, você não entenderia o que vou fazer agora. – Misao rapidamente cortou a longa trança que se derramava pelo seu ombro com uma kunai. – Eu não entendia as coisas. Achava que amava você de verdade, mas na realidade, estava apaixonada pela imagem distorcida que eu tinha de alguém que não existe mais. Eu tentei por muitos meses te transformar numa pessoa que você não é e agora eu sei que isso é errado. Da mesma forma que você não reparou nos meus cabelos longos, também não deve ter reparado nos esforços sobre-humanos que fiz. Então, estou deixando você e a imagem que criei. E tentarei recomeçar.

- Eu sempre achei seus cabelos bonitos. – Aoshi disse de olhos fechados – Mas acredito que eles fiquem melhores curtos em você.

- O que?

- Eu tenho uma missão para cumprir e gostaria que você me acompanhasse. Acho que está pronta.

- Eu não sei.

- Depois de completar essa missão eu poderei relaxar e simplesmente ver um barco de papel boiar na correnteza. Com você, se ainda quiser.

Da mesma forma que Misao esteve esperando que Aoshi voltasse a ser o herói calado de sua infância, Aoshi esperava que Misao conseguisse se livrar dessa mesma infância e crescesse, para que enfim ele pudesse amá-la como a uma mulher, sem todos os pesos na consciência que isso acarretava.

E um sorriso aconteceu.

*~*~*~*~*~*

[princesa] [demônio] [canto]

[takurei]

Numa armadilha. Era assim que ela via-se naquele contexto insano no qual vivia. Tal qual o nome de sua banda indicava, Trapnest era uma armadilha que, uma vez preso, você não poderia sair jamais. Seus sentimentos por Takumi eram exatamente assim. Ele a prendeu de certa forma que, por mais que ela tentasse, por mais que lutasse, jamais conseguiria escapar dele e de suas palavras cortantes – certeiras, porém frias.

Sentimentos e emoções nunca foram coisas simples para Reira. O desejo dela sempre fora viver sem todas essas coisas sem forma, nas quais não se pode tocar ou definir. Ela sentia-se insegura sempre que precisava lidar com as emoções contraditórias que sentia.

Eu te amo, eu te odeio. Não quero te ver, sinto sua falta. Vá embora, olhe para mim. Viva apenas para mim, mas não fique aqui. Seja meu, não seja. Abandone-me, não me deixe.

Ela sentia tudo isso e muito mais todas as vezes que seus olhos cruzavam com os de Takumi. Reira não conseguia simplesmente dizer que o amava porque não era verdade. Ela o odiava por todos os poros por exigir tanto dela, por apoiar toda a banda em sua voz, por usar aquele tom irritante para convencê-la a fazer tudo que ele quer, por não olhar para ela como uma mulher. Ela o odiava muito por isso.

Em tese, ter alguém te santificando, santificando seus talentos e te enxergando sem um pingo de malícia seria a melhor coisa do mundo. Mas para Reira era uma pressão e uma posição que ela jamais almejara e desejava se desfazer com todas as suas forças. Ela queria que Takumi a enxergasse como a todas as mulheres do mundo. Como uma mulher comum, passível de erros, suja, imunda, que pudesse ser deflorada, abusada e amada.

Reira daria tudo para ser como Komatsu Nana por um dia. Uma existência insignificante, uma vida que não sustenta nenhuma outra, uma mulher ordinária onde Takumi depositava todas as suas frustrações e agia como um qualquer. Ela queria tudo que Nana possuía. Queria livrar-se daquela voz maldita que enfeitiçou aquele desgraçado e ser mais uma na multidão. Queria sumir da vista de Takumi, para que quando ele a visse de novo, conseguisse a enxergar com outros olhos.

- Demônios não terminam a história com as princesas que cantam para eles, não é?

- Não, eles precisam se tornar príncipes. Como demônios jamais se permitiriam tocar nas princesas. – Takumi respondeu sem olhar Reira nos olhos, sorvendo um grande gole de café.

- E quanto mais eu ainda precisarei cantar para que isso aconteça?

Takumi apenas sorriu para ela de forma triste. Porque ambos sabiam que aquele demônio não ia ser um príncipe jamais.

*~*~*~*~*~*

Fim.

N/A: Certo, FELIZ ANIVERSÁRIO! Já escrevi isso tantas vezes, em tantos lugares diferentes e pior, em DIAS diferentes, que começou a banalizar.

Sobre as duas ficlets da Naruto, tenho muito pouco a acrescentar, porque Naruto já sugou minha vida o suficiente. Eu nunca terei talento o bastante para escrever uma NejiTen decente e tampouco consigo escrever fics ShikaIno soltas, que não tenham relação com um monte de outras fics. Aí rolou uma coisa mediana com a força da juventude.

Sobre o Misaoshi (ficou legal essa contração não?) eu realmente gostei, porque me desesperei pensando num plot que não tivesse a ver com chá e as coisas que sempre escrevem. Como ela está com os cabelos curtos no Kenshin Kaden, achei que dava um bom gancho.

E Takurei. BOM. Para uma primeira – e provavelmente última – vez com o shipper, acho que não foi a pior coisa do mundo. Mas me assustou um pouco escrever com eles, fiquei com medo de falar besteira e você me odiar pelo resto da vida.

A título de curiosidade, eu ia escrever ainda: DG, Shunao, Royai, AlucardIntegra, MisatoKaji e Rangin. Eu tirei Hijioki da lista porque não saberia como escrever com eles novamente, então acrescentei Takurei. Olha que presente lindo que sairia. (mas que zoado, falar de como o presente seria e não foi...)

Enfim. O que vale é o esforço. E você sabe bem demais que só te ter saído quatro ficlets na seqüência é uma benção divina. Rola a vontade, mas falta a força. SEMPRE.

Adoro você.

.Dark Faye.

(27/11/08)



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