
| A Divisa Prateada
Author: Somigliana Hermione encontra uma estranha moradora do lago numa manhã. Sua nova amiga lhe dará discernimento sobre o homem mais misterioso de todos... SS/HG. This is the Portuguese translation of "The Silvering Divide" made by ferporcel.
Rated: Fiction T - Portuguese - Romance/Drama - Hermione G. & Severus S. - Chapters: 9 - Words: 26,841 - Reviews: 24 - Favs: 19 - Follows: 17 - Updated: 08-12-09 - Published: 11-30-08 - id: 4688830
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Traduzido por ferporcel
Betado por Thity Deluc e Clau Snape
O vento forte entalha pequenas ondulações pela superfície negra do lago, de modo que a água parece estar tremendo sob as nuvens inchadas. Hermione espera que não comece a chover antes dela voltar ao castelo. A cada poucos passos que dá, seus olhos se voltam de relance para o lago, na esperança de que Syrena emerja hoje. O congelamento passou há muitas semanas, mas Hermione não viu nenhum dos moradores do lago desde a manhã em que olhou pela janela do dormitório e o gelo pareceu ter sublimado com a chuva.
Hermione se pergunta se Syrena está numa coleira mais apertada dos pais do que costumava estar, ou talvez se ela ficou presa em tarefas de pós-congelamento. Hermione quer saber mais sobre como os selkies vivem; eles são seres inteligentes, e ela suspeita que eles tenham uma sociedade civilizada e estruturada.
Hermione suspira pensativamente e se volta em direção ao castelo; há apenas tempo para o café da manhã antes de outra aula de duelo de manhã de sábado com o Prof. Snape. E ela não perderia aquilo por nada no mundo, mesmo por uma chance de praticar um pouco de sereiano com Syrena. Hermione está um pouco nervosa com sua proficiência na língua difícil; é uma coisa memorizar um certo número de palavras e sons individuais, mas é outra coisa uní-las num semblante de coerência.
— Espere! — vem um grito agudo de trás dela. O som do sereiano no ar é muito mais gutural e destoante que a cadência abafada do livro-texto, mas Hermione fica excitada por entendê-lo; ela está sorrindo brilhantemente quando se vira.
A pele de Syrena está mais escura que quando Hermione a vira por último – está pintada e salpicada com folhas de algas verdes. Hermione se pergunta se tem a ver com o período de inatividade durante o congelamento ou se a química da água é só diferente durante o inverno. Hermione se agacha sobre as coxas para que elas fiquem mais próximas e ao nível dos olhos uma com a outra. Syrena poderia escolher sair da água, tirar a pele brilhante, mas Hermione sabe que ela ainda tem um pouco medo de andar com os Mágicos do Ar depois do fiasco com a lula.
— Olá, Syrena — ela diz, e ri com gosto do espanto que faz as sobrancelhas negras da Syrena subirem rapidamente.
— Como você aprendeu? — Syrena borbulha, dando pirueta na água de excitação.
Hermione não entende a totalidade do que Syrena diz, mas ela pesca sons familiares pelo ar e junta as peças de modo que a essência da pergunta de Syrena borbulha em foco. — Livro — Hermione diz, imitando a abertura e fechamento de um livro, porque não aprendeu muito sobre pronomes e gramática de sereiano ainda; respostas de uma palavra eliminam a probabilidade do significado se perder na tradução.
— Pensei que talvez Gallchobhar ensina você. — Syrena sorri seu sorriso torto e amarelo. — Mas livro é bom também. Estou feliz de podermos conversar. — Syrena gira na água, o cabelo verde a seguindo de forma preguiçosa.
Hermione franze a testa. — O que é Gall...? — ela pergunta, tropeçando no termo estranho e pouco familiar.
— Gall é um selkie que não nasceu neste lago. Um Forasteiro — Syrena explica.
— Muito... acontece? — Hermione luta para expressar a pergunta que está rompendo de sua língua, para torcê-la em sons que Syrena entenderá. Ela se sente frustrada de não poder se expressar melhor; aquela língua não floresce em compreensão clara na mente tão rápido quanto teoria de Feitiços ou variações de Transfiguração.
Syrena dá de ombros. — Às vezes. Alguns selkies vão para outros lagos para trabalhar, para fazer nova família. Outros vêm aqui, se juntar ao nosso povo.
Hermione assente com a cabeça porque um pouco de biodiversidade lhe parece saudável; ela sempre se perguntou como o grupo genético dos sereianos e dos centauros era limitado. Mas ela não consegue nem começar a imaginar porque Syrena pensaria que ela aprendera sereiano de outro selkie. — Por que...
Um chamado gorjeado na distância corta a pergunta de Hermione, e ela levanta os olhos para ver uma mulher selkie gesticulando impacientemente para Syrena. — Mamãe está adiantada — Syrena explica com um clique irritado de língua; suas guelras tremulam de irritação bem como as narinas de um humano fariam. — Amanhã? — ela pergunta esperançosa por sobre o ombro fino e cinza perolado.
— Sim — Hermione diz com um aceno de cabeça. Syrena dispara como uma flecha prateada rumo à mãe, e Hermione fica meio aliviada e meio irritada que a mãe de Syrena saiba que ela tem uma amiga Mágica do Ar com quem ela visita. Mas alívio ganha, no final, e até ter sido dado um jeito na lula com proteções adequadas, Hermione supõe que seja para melhor. Enquanto Hermione se apressa rumo ao castelo, ela se pergunta se Hagrid foi fiel a sua natureza novamente e tagarelou para o Cacique selkie sobre os hábitos viajantes da filha dele.
— O senhor sabia que Harry virá para o jogo de quadribol amanhã? — Hermione bufa enquanto levanta um escudo contra uma Azaração do Tropeço ricocheteante e serpenteante. Desde que Snape a acusou de ter um repertório bem limitado de feitiços na manga há duas semanas, ela fez de tudo para provar que ele estava enganado. — Tarantallegra! — Novamente, um aceno de varinha é suficiente para erguer um escudo contra o qual a azaração devolvida se dissipa com um leve brilho de luz verde.
— Pare — Snape diz abruptamente, vindo para frente da posição usual dele; logo à direita e atrás dela.
Hermione baixa a mão da varinha e se vira, puxando e endireitando a barra da camiseta. Ela deu para usar calça de agasalho porque o jeans que usou na primeira vez que tentou a sorte contra a parede simplesmente não lhe permitiu amplitude suficiente de movimento. Snape não mudou o modo de vestir desde que começou a ensiná-la a duelar; ele geralmente cai no próprio treino depois que ela sai. Hoje, ele está usando uma camiseta roxo escuro de torcedor do time de quadribol Orgulho de Portree. Cai bem nele.
Hermione esfrega a planta de um pé descalço contra a batata da perna e faz uma cara que obviamente diz: — O quêêêêê?
— Você está se defendendo quatro em cinco vezes, Granger — ele diz, girando a varinha pelos dedos ociosamente. — Você é obviamente mais bruxa que trouxa.
— Vou tomar isso como um elogio, professor — ela diz a ele, erguendo um pouco o queixo.
— Tome isso como quiser, Granger — ele diz com um sorriso malicioso que puxa algo em seu peito como se tivesse um campo magnético ligado ao sorriso dele. — Seja como for, depender pesadamente de um escudo é imprudente. Além do fato de nem sempre haver tempo para usar Protego, conjurar um escudo é também uma perda de energia vital. Adicionalmente, ele diminui o tempo do seu contra-ataque porque você pode se esquivar de uma azaração e não verbalizar um voleio num único momento. Um Protego quase sempre dobra seu tempo de reação.
— Eu sei — ela diz com um suspiro. — Acho que é só um hábito usar minha varinha se está na minha mão.
Snape bate a varinha contra a palma da mão, considerando. — Vamos tentar uma Azaração Anti-Escudo em você; isso deve remover inteiramente a tentação — ele diz. — Mantenha suas azarações razoavelmente inofensivas, Granger. — Ela sente uma onda de magia tilintar por sua pele enquanto o feitiço não verbal dele toma efeito.
Snape se mantém atrás dela, agora, com a varinha em posição – talvez para o caso dela deixar uma azaração sórdida voar por engano. Depois de vários minutos de esquiva e voltas semi-eficientes, Hermione oscila vacilante no poder firme de uma Maldição Trava Pernas. Ela murmura a contra-maldição de forma agravada.
— Provavelmente já chega por hoje, Granger — ele diz. — Nada mal, mas você precisará provavelmente fazer algum exercício concomitantemente, se você está levando isso a sério.
— Estou — ela diz determinadamente. — Que tipo de exercício?
Snape solta um suave hum – o som é um rumor aveludado fundo no peito dele. — Melhore sua flexibilidade — ele diz. — Você precisa melhorar a fluidez de seus movimentos.
— Está certo. — Hermione suspira desanimadoramente e sopra um cacho de cabelo para longe dos olhos.
Snape realmente parece estar se movendo em água quando duela. Ele faz o esporte parecer um tipo de balé – absoluta economia e graça de movimento. Com um quê sexy e mortal nele, é claro. Ela começa a recolocar os sapatos.
Snape toca as palmas das mãos no chão como que para deixar claro o ponto sobre a flexibilidade, e depois se endireita, sinuoso como um gato. — Granger — ele fala arrastado. — Potter me disse que vem para o quadribol amanhã, sim.
O sorriso de Hermione brilha de sua alma.
— Cinco Galeões como o Harry age como um idiota amanhã — Snape diz.
Hermione ri. — Eu não tenho certeza se essa aposta é justa, mas eu aceito. — Ela se demora à porta, imaginando se ele a deixará assisti-lo por um pouco desta vez. É uma busca tão perigosa – cada momento que ela passa nesta sala com ele, cada troca de palavras civilizada e sorriso torto, muda a natureza intrínseca da associação deles – mas ela não consegue deixar de querer que este algo sutil, esta amizade tênue, fique, cresça, brilhe.
— Agora, vá e faça algo construtivo — ele diz, flexionando os pulsos enquanto se prepara para encarar a parede. — Não vou proporcionar seu entretenimento matinal.
Harry assiste a partida de quadribol com o corpo inteiro, ficando visivelmente tenso quando a Lufa-lufa toma posse da goles, inclinando-se para frente na beira da arquibancada enquanto apressa Gina em direção aos gols. — Weasley é nosso Rei — ele grita, e a maioria dos alunos do primeiro ano na arquibancada da Grifinória ri nervosamente e o encaram; eles não se lembram dos dias do Rei Banana, nem conhecem Harry Potter como amigo, como uma pessoa de carne e osso real. A maioria deles não tem nenhum receio em ficar encarando "O Eleito" ao invés de assistir a partida.
Harry está certamente mais animado que o narrador, que é um menino macambúzio e de cara fechada da Corvinal, que despeja comentários secos sobre o jogo sem nenhuma inflexão de emoção na voz. — E Ginevra Weasley marca para a Grifinória — ele fala num tom monótono. — O placar é cinqüenta a dez para a Grifinória.
Hermione consegue dizer que Harry está morrendo para estar lá em sua vassoura – assistindo a partida de um ângulo céu acima, à espreita por aquele vislumbre dourado vitorioso. Os dedos dele se contraem quando o Pomo de Ouro passa zunindo atrás deles.
— Assisti os Morcegos contra os Flechas em Appleby na quarta-feira à noite — ele lhe diz —, mas nada bate as partidas de quadribol de Hogwarts.
Hermione sorri. Ela tem certeza que a Copa Mundial de Quadribol bate, mas ela entende o que ele quer dizer. — É bom tê-lo aqui, Harry — ela lhe diz. Harry sorri abertamente para ela por um momento, mas se vira de volta ao jogo quando a multidão parece encolher as cabeças entre os ombros quando recuam em antecipação, sibilam com a dor esperada.
— Mova-se ou você vai ser atingido, seu imbecil! — Harry move os ombros rigidamente, imitando como ele se moveria se fosse o apanhador sendo perseguido pelo pesado balaço. — Uh, ai. — Ele recua quando o balaço se conecta com uma batida pesada e corpulenta. — Quem é aquele ali mesmo? — ele lhe pergunta.
— É... — Hermione dá de ombros; o apanhador é um aluninho do segundo ano, e ela não sabe o nome dele. Entretanto, o narrador da Corvinal vem em seu resgate; ele secamente informa que Connor Jones levou um balaço, e parece que assistência médica é necessária.
Madame Hooch pede tempo enquanto Madame Pomfrey corre para fazer um Feitiço Diagnóstico rápido no apanhador grifinório atordoado.
— Você decidiu o que vai fazer ano que vem? — Harry pergunta. Tensão se desenrola do corpo dele como um laço, e ele se reclina preguiçosamente, os olhos verdes seguindo os círculos preguiçosos de Gina enquanto o time espera a partida recomeçar.
— Acho que vou aceitar aquele trabalho em Seres e Criaturas — ela diz decisivamente. Embora as palavras pareçam cair de seus lábios como se tivessem acabado de ser conjuradas em sua mente, ela sabe com certeza concreta que sua decisão é acertada.
Harry sorri abertamente. — Eu sabia — ele diz com um sorriso malicioso satisfeito. — Quim me deve dez galeões; ele apostou que você entraria para os Inomináveis ou St. Mungus, com certeza.
Hermione bufa. — Eu não acho que tenha o comportamento delicado de Curandeira — ela diz.
Harry corre a mão pelo cabelo – que se arrepia com a magia estática latente agarrada nos dedos dele. — Então, é a cruzada pelos elfos domésticos? — ele pergunta.
Hermione balança a cabeça. — Não, vou pedir por uma colocação na Divisão Aquática. — Lá embaixo no campo, Madame Pomfrey lança um Enervate no apanhador e lhe dá um tapinha de mãe nos ombros. Ele oscila um pouco ao se levantar, mas parece estar bem para terminar o jogo.
— Sereianos? — Harry pergunta, parecendo estupefato.
O apito soa novamente, e Gina mergulha rapidamente no campo com a goles sob o braço. Harry fica em pé num flash e gritando:
— Use a Manobra Porskoff, amor! Ei, aquilo foi uma tacada bruta, foi sim!
Hermione espera Harry sentar depois de torcer por Gina num gol fabuloso antes de responder:
— Gostaria de trabalhar com os sereianos e selkies e kelpies e afins – talvez agir como o contato do Ministério com os habitantes aquáticos. Entretanto, não estou assim entusiasmada para fazer o censo e usar galochas o ano todo, mas talvez tenha que trabalhar para subir deste ponto.
Harry lhe dá um olhar suspeito. — E esse interesse repentino é o motivo de você me pedir guelricho, é?
Hermione sorri. — É claro.
— Você teria que aprender sereiano, você sabe — Harry disse, inclinando-se para a esquerda e querendo que o goleiro grifinório defendesse uma tentativa fraca de gol da Lufa-lufa.
— Sim — Hermione responde em sereiano.
A expressão no rosto de Harry é impagável. — O que...?
Naquele momento, entretanto, o apanhador grifinório parece cair do céu na direção deles, e Harry concentra a atenção no traço vermelho rápido como um foguete. Hermione se encolhe na cadeira um pouco porque parece que ele está mergulhando diretamente para cima deles.
— Vai, vai, vai — Harry urge. O apanhador suspende sua queda metros acima de suas cabeças, segurando o pomo sobre a cabeça num gesto triunfante. Hermione coloca a mão no coração e deixa suspira aliviada.
— Jones pega o pomo; Grifinória vence a partida — o narrador diz, embora o fato seja patentemente óbvio pela reação da multidão – as palavras se perdem na comoção em volta de Hermione.
Harry está novamente em pé, sorrindo como um idiota e fazendo a dança da Grifinória com Dino, e ela assiste com um sorriso estupefato. Dino é o outro único grifinório em Hogwarts de seu ano, e ele também ficou animado em ver Harry hoje.
Então seu olhar é levado à arquibancada dos professores, onde Snape está em pé os observando, a expressão dele enfadonha e neutra. Quando ele ergue uma sobrancelha para ela e sorri com malícia enquanto tira a mão do bolso, fazendo o gesto inconfundível de "pague a dívida". Hermione dá um risinho e não consegue diminuir a largura maluca de seu sorriso em resposta.
Hermione fica com Harry enquanto esperam Gina tomar uma ducha e se trocar. Prof. Snape pára para cumprimentar Harry no caminho de volta ao castelo.
Hermione observa os dois homens de cabelos escuros apertarem as mãos, trocarem cumprimentos e conversa fiada amigáveis, e ela se admira de como o mundo parecia sair do eixo, como parece ter encontrado o encaixe perfeito... o lugar mágico onde qualquer coisa parece possível, onde a magia da cura e reconciliação é brilhante e tangível.
Hermione suporta o barulho pós-quadribol na sala comunal da Grifinória com incomum boa vontade. Ela se senta em uma das poltronas, as pernas lançadas sobre um dos braços, e ela ouve a conversa entusiástica de Gina sobre como ela joga muito melhor quando Harry está lá para assistir e como ela estava certa de ter visto uma das Harpias de Holyhead sentada na arquibancada dos professores.
— Ei, será que o bando de vocês pode calar a boca por apenas dois minutos, por favor? — Dino exigiu amuadamente de onde ele franzia a testa para o tabuleiro de xadrez.
A pequena Natalie McDonald sorri com malícia para ele. — Eles não têm nada a ver com o fato de você estar perdendo, Thomas; você caiu direitinho na minha distração e na minha segunda fileira de ataque. Hah!
De forma reveladora, Hermione inclina a cabeça para o lado, o lábio preso entre os dentes – algo que Natalie dissera chamou a atenção de sua mente esperta para um velho problema, que estivera circulando seu o cérebro como uma águia por meses já. As linhas na testa de Hermione relaxam um pouco enquanto as peças do quebra-cabeça começam a se encaixar em sua cabeça. — Gin... Eu tenho... que ir...
Ela sabe que solução irá propor ao Prof. Snape, e ela tem certeza que ele não vai achar que sua nova idéia é boba ou fraca. A horrível lula velha tinha finalmente encontrado uma oponente à altura!
— Aproveite a biblioteca — Gina diz com um sorriso aberto, saudando Hermione com a garrafa de cerveja amanteigada enquanto se vira de volta para a festa.
O coração de Hermione está batendo forte contra suas costelas quando ela chega às masmorras. Ela bate duas vezes, mas não há resposta. A porta de madeira apenas range para dentro sob o peso leve dos nós de seus dedos. Suas sobrancelhas se aproximam uma da outra numa carranca; não é do feitio de Snape deixar a porta aberta, muito menos desprotegida, quando ele não está no escritório.
— Professor? — ela chama. Pressiona as pontas dos dedos na porta e abre-a até a metade, despejando uma linha de luz dançante ao redor se seus pés e no corredor. — Prof. Snape? Você está aqui? — Sua voz carrega aquele sinistro eco das masmorras, e ela segura um tremor.
— Meu Deus, é horripilante aqui em baixo à noite — ela murmura. Um esboço de um borrão se arrasta na luz única e tremeluzente, e as longas sombras se movem e inclinam ameaçadoramente. Ela dá alguns passos para dentro do escritório de Snape, tentando não olhar para os olhos inertes e vagos que brilham nos potes de amostras.
— Prof. Snape? Você está bem? — Entretanto, o escritório dele está vazio – apenas a luz e a sombra fazem qualquer movimento. Talvez haja um desastre na sala comunal da Sonserina — ela racionaliza. Talvez ele tenha apenas ido para a cama e esquecido de trancar o escritório.
Hermione estremece no meio do escritório de Snape, mais do que ciente de que ela não tem permissão para estar aqui desse jeito. Ela decide que é provavelmente melhor ir embora, voltar amanhã. Ela está um pouco desapontada porque sua idéia realmente era brilhante desta vez; ela tem certeza que é a idéia, a solução para ajudar Syrena e a família dela.
Ela olha a estante mais próxima, pensando em como ela adoraria apenas meia hora com alguns daqueles livros. Um livro grande e verde chama sua atenção, e ela chega mais perto da estante, nas sombras. O título do livro é surpreendente e simples: "Selkie", e não é nenhum dos que ele vira na biblioteca de Hogwarts. Seu coração começa a bater mais rápido novamente, e excitação afoga sua cautela. Ela alcança o livro com dedos ávidos, puxa-o para fora da prateleira.
Clique.
Ela ativa um mecanismo escondido, e antes que possa dar um passo para trás, a estante está rodando rapidamente num eixo central escondido, e a ponta que está se movendo para longe da parede a empurrou forte para o escuro de modo que ela cambaleia para frente cegamente antes de recobrar o equilíbrio à beira de um gritinho assustado.
Clique.
O ar ao seu redor é negro e denso e frio, e ela tem uma sensação de algo molhado e escorregadio sob as solas dos sapatos. Parece que o ar gelado está congelado em seus pulmões antes dela se lembrar que está segurando o fôlego, e ela tem que se concentrar em usar os pulmões. O som ecoa pesadamente com uma qualidade sobrenatural agora. Medo martela em sua testa, e ela sabe que vai estar num mundo de encrencas por isso.
— Lumus — ela sussurra, e a luz de sua varinha é pequena e pálida no escuro. Ela está em algum tipo de passagem secreta – um túnel estreito que se curva abruptamente fora de vista numa esquina acentuada. As pedras ao seu redor parecem estar vertendo umidade, e estão lodosas e verdes de algas. Há um plinc-plinc abafado de água pingando; isso a deixa com os nervos à flor da pele. — Não é sangue — ela se conforta enquanto todos os seus piores pesadelos da infância ganham vida. Pânico a pressiona, pesado e opressivo.
Ela se vira e procura um mecanismo de saída na parede que deve fazer fundo com a estante, mas ela não consegue encontrar uma fenda na rocha, muito menos uma alavanca. — Tudo bem. Tudo bem — ela diz consigo mesma numa voz racional e calma (que treme um pouco no final, treme como suas mãos). — O túnel tem que levar a algum lugar... Hogsmeade provavelmente, como todos os outros túneis secretos... então você só precisa segui-lo e tudo ficará bem... tudo bem...
Então, ela segue a curva do túnel, confortando-se em tons baixos que parecem se absorverem nas paredes o quanto mais fundo ela vai. Quando ela avista uma barreira à frente, ela pára e solta um grito de frustração. Parece vidro escorregadio e verde, curvado numa saliência lisa e côncava em sua direção. Ela não consegue dizer se é sólida ou mágica, líquida ou ar. Um feitiço não lhe revela nada, e ela passa cinco minutos discutindo consigo mesma sobre a estupidez de tocá-la.
Depois de tentar lançar um mensageiro Patrono e falhar (o escuro e seu medo matam a luz), ela pressiona os lábios e tenta encarar o problema racionalmente. Eventualmente, seu desespero meio que vence, a metade dela que quer escapar daqui, agora. Ela está tremendo quando ergue uma mão trêmula em direção à barreira, e quando a ponta de seus dedos a tocam, ela dá um puxão duro e a suga para dentro. Ela roda e roda como se tivesse sido capturada num redemoinho, e depois está tudo preto esverdeado e gelado ao seu redor, e ela não consegue dizer onde é para cima e onde é para baixo, e o peso do mundo parece pressioná-la nos pulmões, e eles realmente devem estar congelados desta vez porque ela não consegue respirar e não consegue gritar.
E então o mundo se enche de brilho… alfinetadas de luz ofuscante e branca que piscam ao seu redor enquanto seus pulmões queimam. Ela não consegue encontrar sua varinha, e a negritude invasora no limiar das alfinetadas de luz parece algo trevoso e maligno; é um monstro que devora a esperança.
A última coisa que ela vê antes da escuridão invadir toda sua volta é um lampejo prata... um rosto familiar, e existe o sentimento longínquo de alguém a carregando dali, para cima, para longe, rumo à divisa prateada.
E depois existe apenas a escuridão.
N.A.: Gallchobhar: nome gaélico composto dos elementos gall (estrangeiro, estranho) e cabhair (ajuda, suporte).
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