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Capítulo Dois
O funeral de Lucius Malfoy foi presenteado com um céu coberto por nuvens negras e ar melancólico.
Geralmente, a morte de grandes homens no exército significava a presença de muitas pessoas em seu cortejo final, mas os Malfoys decidiram que o funeral seria uma cerimônia íntima. Além da família – ou de pessoas que futuramente seriam parte da família, como Slughorn, ou os Parkinsons, graças a laços entre sua filha e Draco - as únicas pessoas permitidas foram o Imperador e um pequeno grupo de soldados, estes de alto escalão e também parte do circulo intimo do mesmo.
Próximos ao caixão agora fechado e coberto por rosas vermelhas e brancas se encontravam a esposa de Lucius e seus dois filhos, as mãos pálidas e delicadas da viúva colocadas suavemente sobre a superfície envernizada da madeira do caixão, as lágrimas caindo copiosas e silenciosas pelas feições aristocráticas; enquanto seu rosto se mantinha inexpressivo à exceção das lágrimas, seus olhos, contudo, afundavam-se em uma dor que todos que o notavam chegavam a acreditar que Narcisa Malfoy jamais voltaria a sorrir, ou se vestir em algo que não fosse o negro do luto.
Draco Malfoy mantinha as mãos dentro dos bolsos de suas vestes negras, os olhos nunca fixos no caixão escuro, mas observando o sofrimento de sua mãe vez ou outra ao encará-la de soslaio, preocupado por ela. Ele, por ter sido endurecido com árduos treinamentos ao longo dos anos, não chorava, uma vez que a morte se tornara sua companheira desde que havia sido nomeado um soldado, mas isso não significava que ele não estava se sentindo perdido com aquela morte.
Ao lado de Draco se encontrava Isabel. Os cabelos vivos e vermelhos estavam cobertos por um chapéu elegante e escuro, de uma mesma tonalidade que o vestido longo e caro que vestia. Assim como o irmão, ela não mais encarava o caixão onde se encontrava o corpo de seu pai, mas contrariamente a ele ela chorava, do mesmo modo que sua mãe. A única diferença talvez era que enquanto todos poderiam ver as lágrimas de Narcisa, as lágrimas de Isabel eram cobertas graças a seu chapéu.
O cortejo finalizou quando o padre disse o último amém, e o caixão começasse a baixar em direção ao último lugar em que Lucius iria descansar. Neste momento, Narcisa perdeu sua compostura e deixou que seu corpo tombasse contra o filho, e chorasse abertamente. Deitando o queixo no topo da cabeça de sua mãe e a abraçando protetoramente e com força, Draco observou o caixão baixar, suas expressões sérias.
Isabel ergueu o rosto pela primeira vez, o rosto delicado marcado pelas lágrimas que antes ela havia derramado. Contudo, seus olhos já não possuíam fraqueza ou vulnerabilidade, mas estavam duros e frios. Observou enquanto os coveiros terminavam de arrumar a terra que agora cobria o corpo de seu pai, e só desviou sua atenção quando eles se afastaram, silenciosos, de seu trabalho agora pronto.
Narcisa fungou, mas Isabel não deu atenção à sua mãe, pelo menos não àquele momento. Naquele instante, estava permitindo que a morte de seu pai fincasse em suas entranhas, não mais na forma de sofrimento como uma filha possuía por um pai, mas na forma de incompreensão. Raiva.
Por que aquele homem estava morto? Tudo o que ela sabia era que ele havia sido abatido pelos utranianos, e considerara aquela informação cruelmente insatisfatória.
Não. Isabel queria compreender os detalhes. Ela queria compreender exatamente como seu pai, seu adorado pai, aquele homem que ela sempre se lembraria do sorriso gentil e amoroso por trás das palavras duras e das ordens dolorosas, havia sido capturado e morto pelos homens de Útra.
Quando sua indignação falara mais alto ao descobrir a morte de seu pai, dois dias antes, Isabel exigira respostas ao soldado que trouxera a informação, esta enviada diretamente do Imperador, enquanto sua mãe estava caída ao chão, aos prantos. O soldado pareceu se assustar com algo que vira nas íris castanhas da jovem, mas nem isso foi capaz de lhe trazer respostas. O rapaz em seu uniforme não sabia dos detalhes, também.
- Eu lhe desejo minhas mais sinceras condolências, Lady Malfoy. – a voz suave e baixa ecoou nos ouvidos de Isabel, e ela dirigiu sua atenção a sua mãe e seu irmão, deparando-se com a figura majestosa e poderosa do Imperador. – Ninguém, mais do que eu, sente pela perda de Lorde Lucius.
- Eu agradeço em nome de minha mãe, meu senhor. – Draco respondeu solene, ainda segurando a mãe em seus braços, que parecia sequer se importar com bom comportamento à frente do Imperador. – Aliás, agradeço em nome de todo meu clã.
Draco poderia dizer aquilo por ele, Isabel pensou, porque ela não agradecia por aquelas palavras. Em sua opinião, ela não havia encontrado desculpas ou condolências nas íris escuras e misteriosas de seu senhor. Sinceramente, ela podia se sentir até mesmo capaz de visualizar um pequeno deboche em todo aquele poder. Como se ele gostasse de ver o sofrimento que sua mãe e toda a família estava passando.
E ela definitivamente não gostou de ver aquilo.
Aproximando-se do irmão e da mãe, Isabel encarou o Imperador por longos segundos, antes que abaixasse o rosto e se inclinasse respeitosamente em sua direção, pedindo sua graça com a forma respeitosa que fora ensinada a fazer. O gesto passou despercebido a todos os presentes, mas não ao homem, e a jovem sabia disso muito bem, e sentiu prazer incalculável em sua ação. Fora um desafio tão velado e discreto que sabia que seu senhor não seria capaz de culpá-la por nada.
E ela queria que aquele homem visse o desafio e a determinação em seus olhos, da mesma forma em que fora capaz de sentir o deboche nos dele, com a mesma sutileza que ele havia utilizado.
Ele poderia ser o Imperador, mas o homem que morreu em seu nome fora seu pai, e Isabel exigiria respeito em relação àquilo.
- Meu senhor. – Isabel disse em voz baixa e melodiosa, cumprimentando-o. Ele pareceu ignorá-la, como se não fosse digna de sua atenção. A jovem sentiu prazer naquele ato silencioso e infantil de seu monarca, compreendendo aquilo como uma resposta ao que ela havia feito.
- Há alguns pertences de Lucius que serão entregue à família Malfoy dentro de alguns dias. – o Imperador dirigiu-se novamente a Draco, que assentiu, em silêncio. – Infelizmente, é tudo o que posso fazer num momento como este, Draco.
- Eu compreendo e agradeço, meu senhor. – Draco disse em voz baixa.
Como se aquelas poucas palavras bastassem, o Imperador deu as costas à família sem mais alguma frase, e dirigiu-se ao exterior do cemitério, acompanhado de seus homens. Draco continuou a consolar a mãe, enquanto os presentes começavam a se retirar, e Isabel continuou com os olhos fixos nas costas cobertas por tecidos elegantes de seu senhor.
Ela sabia que seus pensamentos, se alguma vez expostos à sociedade, seriam considerados profanos e dignos de penas capitais, mas não conseguia evitar. Algo nas palavras ou na forma como o Imperador encarava a agora reduzida família Malfoy eriçaram os pêlos de Isabel, e ela não conseguira se livrar da incômoda sensação que se alojara na boca de seu estômago, uma vez que seu pai a ensinara a valorizar muito bem seus instintos. E, por mais incompreensível que parecesse, estes mesmos instintos estavam completamente alertas a respeito daquele homem.
- Bel? – ao escutar a voz baixa de Draco, ela virou o rosto de modo que seus olhos pudessem encontrar os dele. As íris castanhas, endurecidas, encontraram as doloridas e confusas de seu irmão, e ele continuou: - O que está fazendo?
Balançando a cabeça, Isabel replicou com a voz baixa:
- Depois, Draco. Depois.
Na verdade, ela não sabia se iria realmente dizer suas preocupações a Draco. Claro, ele era seu irmão e não iria delatá-la por ter pensamentos daquele tipo, mas Draco também era um soldado e sempre deixava claro sua lealdade a quem quisesse ouvi-lo.
Isso era, de algum modo, frustrante.
- Minha pequena Rosa. – Slughorn a chamou com voz preocupada, aproximando-se dos Malfoys. Draco o ignorou completamente, obrigando gentilmente sua mãe a se afastar de onde agora residiria o corpo de seu marido. Isabel, contudo, não era tão sortuda. Sendo a futura esposa de Horace Slughorn, ela simplesmente não podia lhe dar as costas e ignorá-lo, por maior que estivesse sofrendo pela morte de seu pai.
Entretanto, a jovem Malfoy estava entretida demais em seus próprios pensamentos para ser interrompida por um homem irritante como ele. Não se importando do local onde estavam e com quem estava falando, ela o mediu friamente e respondeu frustrada:
- Meu nome é Isabel, lorde Slughorn. Isabel. Espero que o senhor compreenda isso perfeitamente antes de me chamar de Rosa novamente, ou qualquer comparação a flores vermelhas. Agora, se milorde me der licença, tenho que estar ao lado de minha mãe durante este momento.
Ela sabia que sua resposta e suas atitudes iriam trazer problemas mais à frente, com toda a certeza. Mas, diabos, ela odiava rosas, ainda mais agora que vira um monte delas sobre o túmulo de seu pai.
Emmeline Riddle ainda sentia as dores da noite anterior. Contudo, não reclamou ou pediu ajuda uma única vez. Mantendo a cabeça baixa, ela continuou seguindo o ritmo de todos os cativos, todos eles rumando para uma vida infeliz e completamente diferente do que estavam acostumados.
Após ter reclamado seus direitos, o major Black passava inúmeras vezes a cavalo próximo de onde sua escrava estava, certificando-se de que ela estava agüentando bem toda aquela viagem, pois não queria perder sua nova fonte de diversão. A jovem não o encarava, pelo menos não diretamente. Seus olhos apenas o espiavam vez ou outra, somente para perceber o sorriso lascivo que ele mantinha ao rosto quando a estudava.
Provavelmente ele estava se vangloriando mentalmente a respeito da forma como a tomara. Primeiro, quando já estavam em terras utranianas, cercados pela enorme floresta, seus soldados a soltaram da caravana e a arrastaram até que ela já não conseguisse mais ver os outros cativos.
Depois, eles arrancaram suas roupas, deixando-a apenas com as roupas intimas, e se divertiram um pouco com seu pavor, até que major Black aparecesse e terminasse o serviço, rasgando suas peças restantes e imediatamente arrancando um grito de dor de sua garganta ao penetrá-la profundamente.
O bastardo maldito, ela pensou ao observá-lo rir para si mesmo. Emmeline iria matá-lo, com toda a certeza. Talvez não aquela noite, mas era apenas uma questão de tempo.
Ela iria matar a todos.
- Senhor! Meu senhor!
O grito infantil e desesperado invadiu os ouvidos de Emmeline, e ela tornou a se concentrar na realidade ao perceber um garoto pequeno correr em direção à caravana. Ao fundo, já se era possível ver um pequeno vilarejo, ainda adormecido graças ao horário tão tardio.
- Whoa, moleque! – major Black gritou, pulando de seu cavalo e segurando a criança pelos ombros. – Que diabos está fazendo aqui, e a esse horário?
- Preciso falar com o general! – o garoto respondeu impaciente, tentando se livrar das mãos fortes do major. – Tenho uma mensagem urgente a ele!
- Que é que está acontecendo? Por que paramos? – perguntou o homem ruivo a quem Emmeline aprendeu ser o tenente Weasley. Ele parecia realmente aborrecido que todo o grupo tivesse parado justamente quando estavam tão próximos de sua casa.
- O pirralho quer falar com o Potter. – major Black respondeu ao tenente Weasley com o cenho franzido. – Que é que você precisa falar de tão importante?
- Isso só pode ser reportado ao general. – o menino retrucou de forma firme, inexplicavelmente firme para uma criança que poderia ter sua cabeça esmagada por aquele gigante, Emmeline pensou.
Major Black não pareceu gostar muito daquele tom.
- Olhe com quem está falando! – ele ergueu o tom de voz, mas o tenente Weasley respondeu, reconhecendo o garoto:
- Ele é um dos servos do Imperador, Sirius.
- Nem que fosse servo do Papa, ele tem que respeitar quem -.
- Black, já chega.
Tanto os dois oficiais quanto Emmeline se viraram para ver o general, ao lado de seu cavalo. Agora, não tão mais assustada quanto antes, ela conseguia estudar claramente cada detalhe daquele homem, desde os hipnotizantes olhos verdes, carregados de uma força que assustaria qualquer um, até a espada que ele carregada às suas costas, bem como outras armas escondidas por sua capa, mas que ela soube que existiam ao escutar titilarem à medida que ele caminhava.
Aproximando-se dos dois homens e do garoto, o general franziu o cenho e disse:
- Diga sua mensagem.
- General Potter – o menino começou, com um tom baixo e respeitoso, abaixando o rosto, e Emmeline compreendeu que a importância daquele homem provavelmente deveria ultrapassar a campos de batalha, e se sentiu profundamente aborrecida por não ter sido escolhida por ele. – o Imperador necessita de sua presença imediatamente.
O general Potter ficou em silêncio por alguns segundos, absorvendo a informação, e então perguntou friamente:
- Motivo?
- O assunto é sigiloso, general Potter. Não fui informado a respeito das necessidades de meu senhor.
O general inspirou profundamente antes de assentir ao garoto, dispensando-o de maiores explicações. Exasperado, encarou o major Black e o tenente Weasley e disse:
- Estejam em minhas terras logo após entregarem os escravos à venda. – subindo em seu cavalo, dirigiu-se ao homem ruivo: – Conversarei com o Imperador. Enquanto isso, impeça esse velho pervertido de cometer mais besteiras. – ele o aconselhou, referindo-se ao major Black.
- Maldito seja, Potter! – Black rugiu ao ver o homem desaparecer com seu cavalo em questão de segundos. – Fui eu quem o criei, moleque ingrato!
- Não fale assim do general, major. - Tenente Weasley repreendeu, um riso contido em seus lábios.
- Ora, não se meta, falo com esse fedelho do jeito que eu bem quiser!
Emmeline apenas ficou pensando nas palavras do garoto, a na urgência que aquela reunião parecia ter. Imaginou se tudo aquilo significava o que estava imaginando: se a traição de Lucius Malfoy já havia sido descoberta.
- Nunca diga uma coisa dessas, Isabel! - Draco Malfoy retrucou num tom baixo, sentindo-se furioso e envergonhado; ela conseguia ver a humilhação espalhada em suas feições aristocráticas com perfeição, as tonalidades rosadas preenchendo os espaços pálidos.
Contudo, como todas as vezes que discutiram, Isabel Malfoy não se sentiu abalada com a resposta de seu irmão. Cruzou os braços e empinou o queixo, dando-lhe um ar repleto de arrogância e classe, e desviou o olhar dos orbes cinzentos e frios de Draco. Observou o campo iluminado pela luz noturna pela luxuosa janela de um dos escritórios de sua casa e fechou os olhos.
- Tem razão - ela disse com uma voz baixa e suave, digna de uma mulher de sua classe. - eu não deveria ter dito uma coisa dessas a você. Sempre foi muito medroso, irmão.
Draco engasgou, agora seu ar envergonhado substituído por um ofendido.
- Não é questão de ser medroso, Bel! Você - Você tem consciência do que está dizendo? Percebe a gravidade de sua acusação? - perguntou num sussurro frustrado. - Você está -.
- Sei muito bem o que estou fazendo, Draco. - Isabel respondeu secamente, abrindo os olhos e tornando a encarar o irmão. - Por favor, não ofenda minha inteligência.
- Que inteligência, mulher? - ele perguntou frustrado. - Dizendo as coisas que diz, está provando ser apenas mais uma desmiolada da corte! Pior! Enquanto elas ficam se deleitando em jóias e futilidades, você está acreditando em traição! Dizendo que o Imperador - o Imperador! - pode estar envolvido -.
- Você não viu a maneira que ele falava? - ela perguntou inconformada, sua feição delicada e impassível substituídas por uma expressão incrédula. - Não percebeu a maneira condescendente que ele usou para tratar da morte de nosso pai?
- Você está louca! - Draco rebateu, gesticulando para provar seu ponto. - Vendo coisas, é o que eu digo! Para culpar o Imperador dessa maneira... Papai era um soldado! Papai servia nosso senhor... Ele servia sabendo que cedo ou tarde iria morrer para que nosso país vencesse!
- Você não entende! - Isabel há muito havia perdido sua compostura. Com o pescoço avermelhado por uma raiva crescente, ela se aproximou do irmão e fechou os punhos. - Papai sempre nos disse para valorizarmos nossos instintos... E algo me diz que não foram os utranianos que o mataram!
- Utranianos são selvagens! - Draco elevou seu tom de voz. - Por Deus, você está vendo o que faz? Está defendendo selvagens e culpando nosso senhor!
Isabel se empertigou, a fúria a tomando de modo inimaginável.
- Ele estava debochando a morte de nosso pai! - ela gritou. - Estamos há quase quinze anos em guerra com Útra... E papai ansiava terminar com essa guerra! Ele lutava por paz! Por nosso senhor! E esse homem - esse monstro - estava debochando de sua morte!
O som do tapa sendo desferido fez todo o aposento ficar mortalmente silencioso. Isabel levou uma das mãos ao rosto, queimando pela agressão, e encarou o irmão com incredulidade em seu olhar. Ele percebeu sua atitude, e ela percebeu a batalha que ele travava consigo mesmo em seus olhos, debatendo a possibilidade de desculpar-se de seu ato ou de continuar com sua postura firme.
Isabel balançou a cabeça, inconformada.
-Você...
- Isabel. - Draco disse baixinho, não sabendo exatamente o que dizer. Por fim, a jovem percebeu que ele decidira tomar seu golpe como correto. Empertigou-se e disse: - Ponha-se em sua posição como mulher. Pare de se meter nesses assuntos. Orgulhe-se da morte de nosso pai, foi uma morte honrada.
- Seu porco. - ela sussurrou, o olhar carregado de desgosto. - Papai o criou para jamais fazer em uma mulher o que acabou de fazer comigo.
Aquilo pareceu fazer o Malfoy mais velho vacilar. Engolindo em seco, deu às costas à irmã e disse com a voz suave e baixa:
- Recebi uma carta de nosso senhor. Ele virá aqui amanhã cedo, trazer alguns pertences de nosso pai.
Evitando pensar em qualquer coisa, abaixou a mão de seu rosto e saiu do escritório, rumando a passos silenciosos para outro lugar. Em breve Draco estaria em seus aposentos, pronto para dormir. Sua mãe já estava há horas em seu quarto, e seus empregados e escravos estavam dispensados por aquela noite. Isso lhe daria tempo o suficiente para conseguir abrir o único local daquela casa que ela sabia existir respostas para todas as suas perguntas.
- E então você verá que eu estou certa, Draco. - Isabel sussurrou, a obstinação em seus olhos.
- Meu senhor... Eu não compreendo. - o general disse com a voz suave, mas o monarca percebeu com clareza o punho se fechando, ao lado de seu joelho dobrado em total obediência.
- Acredito que tenha compreendido muito bem essa situação, general Potter. - o velho de longa branca respondeu tranquilamente, observando seu soldado mais fiel. - Adam Smith na verdade se chamava Lucius Malfoy. Ele era um infiltrado de Voldemort - acredito que seja esse o titulo que se deu...
- Mas aquele homem provou sua identidade! Provou ser um verdadeiro utraniano!
O velho balançou a cabeça, passando a mão sobre as têmporas enrugadas. Fechou os olhos.
- Na verdade... Eu sabia já há algum tempo sobre sua verdadeira identidade. Provavelmente desde o início.
Àquelas palavras, o general Potter ergueu a cabeça e encarou com incredulidade seu senhor. Pela primeira vez em anos, dirigiu-se ao monarca em um tom irritado e cansado, não respeitando suas posições.
- Se o senhor sabia, por que - Por que diabos o permitiu ficar ao nosso lado durante todo esse tempo? Por que me disse - por que me fez confiar nele?!
- Não acreditei que Malfoy pudesse escapar. - o velho retrucou cansado. - Entenda, Harry, isso foi a falha de um velho. Quis que você estudasse esse homem, esse soldado, para que assim tivéssemos mais informações a respeito de Zimá.
Harry Potter se levantou, seu tamanho jovem e enorme sobressaindo-se à figura enrugada e pequena de seu monarca. Estava furioso.
- Como pôde ter cometido uma falha dessas? Dumbledore, que diabos acontece com você? Sua velhice está atrapalhando sua lógica?
- Ei! - um soldado parado à porta se manifestou, com o cenho franzido. - Trate de forma correta seu senhor!
- Está tudo bem. - Dumbledore o dispensou com um aceno de mão. - Está tudo bem. Harry - ele tornou sua atenção ao general. - Você sabe muito bem porque agi dessa forma. Era necessário, você conhece as regras. Contudo, acreditei ser capaz de impedir que Malfoy escapasse de volta para as terras de Zimá. Não foi o que aconteceu.
- E agora Zimá tem informações o suficiente a respeito de nós. Ah, meu Deus. - Harry bufou furioso, passando as mãos sobre o rosto de modo cansado.
- Informações... Sim. Algumas corretas, mas grande parte delas erradas. - ao olhar confuso de seu subordinado, Dumbledore sorriu. - Acha que eu não estava preparado para uma situação dessas? Pensei em todos os detalhes, Harry.
Harry Potter franziu o cenho, encarando seu senhor.
- Devo admitir que estou com inúmeras perguntas prontas para serem feitas, Dumbledore.
Dumbledore sorriu.
- Imagino que sim. Por ora, há uma tarefa que eu desejo que faça. Leve Weasley e Black com você. -ele olhou por cima dos olhinhos de meia lua, acrescentando - Deixe o Imperador Voldemort ciente de suas ações, e o que podemos fazer com espiões.
Harry Potter o estudou por um tempo, antes de assentir.
- Sim, meu senhor.
Continua...
E, dizendo isso, saiu.