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Tammie Silveira
Author of 10 Stories

Rated: T - Portuguese - Family/Hurt/Comfort - Naruto U. & Sakura H. - Reviews: 15 - Updated: 01-07-09 - Published: 12-09-08 - id:4705761

Nome original: Medicinal Lullaby

Autora: Shikavashi

Tradutora: Tammie Silveira


Capítulo Três: As Duras Prioridades

Ele se tornaria um pai.

Ele teria uma família.

Ele era um Jinchuuriki e possuía tamanho estigma atado ao seu nome tanto como se fosse a própria Kyuubi.

Ele tinha a organização de nuke-nin mais poderosa do mundo tentando capturá-lo e matá-lo; uma facção que já havia demonstrado, muito mais do que uma vez, não ver problemas em matar alguém que se colocasse entre eles e sua meta.

Como ele conseguiria cuidar de Kensha e de sua filha quando mal conseguia cuidar de si mesmo? Como ele conseguiria proteger sua “família” quando ele mal conseguia salvar seu amigo da autodestruição? Como conseguiria ser forte o suficiente?

Ele envolveu seus braços ao redor de suas pernas e se curvou formando uma rígida bola, como se para se proteger do resto do mundo.

Como isso pôde acontecer? Ela estava em controle de natalidade! Que inferno, ele a vira tomar os remédios todos os dias, então sabia que aquilo não era alguma estratégia doentia para tê-lo. Então como diabos aquilo poderia ter acontecido?

A atmosfera mudou ao seu redor - ele podia sentir isso - e abriu os olhos não para encarar a pintura descascada de seu pequeno corredor, mas para o obscuro cárcere do selo. O demônio queria claramente conversar com ele sobre alguma coisa já que havia sido retirado da realidade tão subitamente.

“Kyuubi? Que diabos você quer?” ele disse sem medo para a escuridão atrás das barras. Foi detectado certa movimentação, ainda que imperceptível, e uma respiração profunda o inundou a medida que Kyuubi ria sombriamente.

Quanta imprudência. Eu apenas desejava discutir com você a respeito do filhote que ainda não nasceu. Não consigo imaginar porque está agindo tão surpreso com essa gravidez. Você realmente achou que seus contraceptivos humanos funcionariam em nosso sêmen?”

Naruto ficou boquiaberto certo tempo, encarando irritado para o contorno sombreado do demônio enquanto tentava interpretar o que ele queria dizer.

“O que está falando? Que o contraceptivo era inútil contra... uh... eu? E-espera um pouco... você disse NOSSO sêmen?”

Mais risadas envolveram o cárcere que lembrava uma masmorra.

Eu não sou ignorante a respeito dos mecanismos deste selo; e sei que você também não é, por mais ingrato que seja. O chakra que vocês humanos usam é diretamente separado de sua força vital, e enquanto seu corpo devora minha própria essência graças a este selo, sua força vital adaptar-se-á e sofrerá mutações para acomodar a minha própria. Portanto, nós estamos nos tornando fundamentalmente um. É isso que eu quis dizer com nosso sêmen, uma vez que você agora carrega parte do meu DNA. Nosso sêmen não sucumbiria aos efeitos de uma droga humana. Imaginei que isso fosse óbvio a você agora.”

Silêncio reinou durante os cinco segundos que Naruto, apesar de toda a merda que já havia sido posto durante as ultimas vinte e quatro horas, encarou inexpressivamente para o monstro aprisionado.

“Eu não consigo acreditar que estou tendo esta conversa com você,” ele finalmente murmurou, mais para si mesmo que para o monstro, enquanto passava uma mão sobre o rosto, “Isso é tão embaraçoso.”

A Kyuubi ignorou as reclamações de seu cárcere e continuou com sua argumentação:

Eu o chamei aqui para dizer que você irá parar com essa degradante autopiedade que começou, imediatamente. Você não irá sucumbir a suas inseguranças deploráveis e acabar colocando em perigo nosso próprio filhote. Você ainda é jovem de acordo com os padrões humanos e ainda não começou a compreender seu youki, quanto mais ser capaz de treinar seu próprio filhote para entender o dela. Com isso, precisara de minha ajuda. Está na hora para você agir como um homem e parar de se comportar como uma criança perdida.”

Naruto mostrou seus dentes ao gigante por ser capaz de pensar que poderia lhe dar algum sermão.

“Por que você se importa tanto? Você nunca deu a mínima para o que acontecia comigo fora do selo a menos que fosse para salvar sua própria vida!”

A face da Kyuubi estava subitamente pressionada contra as barras e pela primeira vez Naruto viu verdadeira fúria direcionada a ele e não a usual malicia e desdém.

É o nosso filhote que se desenvolve dentro daquela mulher,” a besta explodiu com os dentes cerrados, “E ela carrega ambos os nossos genes. E isso me é de muita importância, pirralho. Eu não esperaria alguém com histórico humano para compreender os mecanismos de honra e família. Demônios podem se desenvolver entre ódio e medo, mas nós não conhecemos conceitos como traição e negligência. Abandonar nosso próprio filhote não faz ninguém melhor que um humano.”

Naruto engoliu em seco, dando um passo para atrás com a repreensão repentina. Demorou apenas um pouco mais de tempo para ele ligar a declaração da Kyuubi a respeito da combinação de seus DNA e do fato que ele chamara sua filha de filhote.

“Você está dizendo... que ela - o bebê - ela será demoníaca?”

Ela carregará muitas de nossas características, sim.”

“Não,” Naruto disse simplesmente enquanto balançava a cabeça. “Não. Não. Isso não é nem - não tem como ela... porque eu sou humano e Kensha é humana -“

HAHAHAHAHA! Seu pobre e desiludido saco de carne! Você não é humano desde que seus canais de chakra se uniram com meu youki demoniaco há mais de uma década! Você sabe muito bem disso, tolo. Acho incrível que você continue a enganar a si mesmo acreditando que é um humano normal. Você não tem nenhum orgulho em sua superioridade? Nenhuma honra?”

Naruto fechou os olhos e tentou se acalmar o máximo que podia, não querendo dar ao demônio a satisfação de que estava o irritando, mas era extremamente difícil uma vez que a dura e fria verdade fora esfregada em sua face repetidas vezes. Parte dele sempre soubera que ele não era humano... E que ele jamais poderia ser humano... Mas, muito mais por causa da situação envolvendo seu pai, ele se recusou a reconhecer isso até que se sentisse preparado. Contudo, parecia que o mundo estava contra ele nesses dias porque, pronto ou não, suas ilusões foram sendo destruídas diante dos seus pés repetidas vezes.

“O que é esse youki que você tem tanto falado?” ele disparou enquanto contava mentalmente até dez antes de se incomodar a encarar a Kyuubi novamente.

A Kyuubi soltou um pesado suspiro que o fez parecer quase humano em sua irritação ao ter que explicar algo tão básico.

É energia demoníaca - e não é para ser confundido com chakra demoníaco. Os nove bijuu são únicos no sentido de sermos seres feitos de chakra demoníaco, e chakra - mesmo chakra de demônio -, pode ser manipulado. Mas todos os demônios possuem youki. E é poder que faz nossos corpos magicamente mais fortes, que nos curam mais rápido, e nos fazem envelhecer mais vagarosamente. Isso é algo que os humanos jamais terão controle, apenas imitarão. E é esse mesmo poder que cresce em você todos os dias enquanto você o drena de modo egoísta de mim.”

“ - Huh?” Naruto jamais admitira o quão admirado ficara pela explicação sobre aquele estranho poder que jamais ouvira falar antes; foi o suficiente para distraí-lo por quase toda a última frase. “O que você quer dizer quando diz que estou drenando isso de você?”

Eu não vou perder meu tempo tratando da sua estupidez, seu fraco!” a Kyuubi grunhiu. “Você sabe o que esse selo faz, então não me faça repetir tudo várias e várias vezes. Você não é humano, nosso filhote não é humano, você tem que acabar com essas suas fantasias humanas e desmioladas e ganhar controle sobre seu youki para que assim meu legado não pereça!”

O loiro praguejou alto, muito para diversão secreta do monstro, quando um ponto foi lembrado a ele, e ele começou a caminhar de um lado para o outro no chão úmido. Isso complicava as coisas em um nível completamente diferente. Uma coisa era se Kensha estivesse casada com ele, registrada como uma cidadã de Konoha e sua filha fosse humana - como ele inicialmente havia assumido que seria. Konoha não teria problemas em aceitá-los como uma nova família, especialmente desde que ele havia ganhado mais e mais em favor com a vila. Mas se eles descobrissem que a Kyuubi poderia indiretamente se reproduzir através dele...

Naruto estremeceu na medida em que memórias a respeito de sua infância ressurgiram após anos enterrados. Ele lutou contra o impulso de agarrar seu cabelo em frustração a cada bloqueio que aparecia em seu caminho para impedi-lo de fazer as coisas da maneira correta. Girando seus ombros, ele deu algumas longas inspiradas para se acalmar. Isso não iria acontecer, ele assegurou a si mesmo, não mais e não com sua filha. Porque ele estaria ali para ela, assim como Kensha; sua filha nunca ficaria sozinha e nunca estaria à mercê daquele ódio.

As palavras anteriores da Kyuubi ressurgiram em sua mente: “... Agir como um homem...”

A partir de agora ele iria começar a se concentrar em Kensha e na criança que ainda não havia nascido. Ele iria pegar mais e mais missões e ganhar uma quantidade decente de dinheiro, achar um local maior para eles, estudar todos aqueles livros sobre paternidade, e comprar tudo o que Kensha e o bebê precisassem. Faria isso antes que o mês acabasse, antes que o bebê nascesse. Metas como se tornar Hokage ou trazer Sasuke de volta ou conseguir um encontro com Sakura pareciam sem sentido para ele agora... Porque agora ele não iria mais viver por si mesmo.

A resolução em sua face devia ter sido visível à Kyuubi, porque a besta emitiu um grunhido satisfeito.

Vejo que decidiu ser mais sensato, moleque. Agora vá tomar conta do nosso filhote, e se qualquer coisa acontecer a minha linhagem, pode ter certeza que você não irá receber uma gota do meu chakra em sua próxima desgastante batalha.”

Naruto preferia morder sua própria língua a agradecer ao demônio por colocar um pouco de senso nele, então simplesmente lhe enviou um pequeno menear antes de se livrar do plano do selo. Seu corpo se encontrou com sua consciência, da mesma forma que ele estivera antes. A falta de esperança de outrora não era nada mais que um zumbido obscuro no fundo de sua mente, agora.

Ele prontamente se colocou de pé, com um olhar determinado e fixado a sua frente. A Kyuubi estava certa; aquele não era o momento para sentir pena de si mesmo. Ele havia prometido a Kensha que seria o melhor pai que pudesse, que iria cuidar e proteger ela e sua filha, e iria cumprir aquela promessa não importava como.


Seu pedaço de merda!”

Um pequeno garoto loiro, com não mais do que cinco anos, gritou quando o dedo de um grande pé atingiu seu estômago. Ele se curvou, as lágrimas manchando as bochechas redondas e estranhamente marcadas.

P-p-por favor,” ele gemeu, “pa-pare com isso...”

Ele foi presenteado com outro chute em suas costelas, dessa vez forte o suficiente para quebrar o osso subdesenvolvido. Conseguiu apenas chorar ainda mais quando a dor aumentou dez vezes - que apenas piorou com o reconhecimento que ninguém jamais o salvaria, que não teria ninguém para chorar por ele além de si mesmo quando aquele homem se fosse.

Você não pode me enganar, seu pequeno e obsceno demônio,” a figura gigante grunhiu, de modo que sua respiração acelerada caísse sobre o rosto traumatizado do garoto, “Na próxima vez em que você tentar roubar minha barraca de frutas eu trarei meus amigos.”

Com um último chute no estômago, o homem se sentiu satisfeito o suficiente para deixar a pequena silueta em sua própria miséria. Naruto foi deixado com apenas o som de seus próprios soluços e o som decrescente de passos como sua companhia. Um feixe de luz iluminou sua figura quando o homem saiu do pequeno sótão que antes havia sido seu porto seguro.

Através de um olhar embaçado, Naruto pôde reconhecer seu agressor balançando as mãos com a dona do orfanato, poupando ao velho homem algumas contas...


Naruto resmungou quando um filete de luz invadiu seus olhos. Em algum lugar de sua mente confusa ele percebeu que a posição de sua janela jamais permitiria que a luz invadisse sua cama daquela maneira a menos que fosse de tarde, mas estava muito cansado para se importar onde ele poderia estar. Uma tentativa de se afastar da luz ofensiva foi bloqueada por algum tipo de parede almofadada pressionada contra seu nariz. Agora ele tinha certeza que não estava em sua cama.

Ele abriu os olhos para se descobrir encarando o tecido marrom de seu sofá. Com movimentos endurecidos, ele conseguiu se sentar e cansadamente esfregou seus olhos enquanto tentava compreender o que estava acontecendo.

Por que ele estava no sofá?

Ele olhou para baixo e viu a seu short azul marinho e camiseta branca amarrotados.

E por que ele ainda estava com as roupas do dia anterior?

Ele colocou suas pernas para fora do sofá e algo caiu de seu colo. Olhando para o chão, viu um livro e o pegou.

“Paternidade para idiotas?” leu o título em voz alta, imaginando se ainda estava sonhando. Por que ele teria um livro sobre paternidade? Um único olhar ao redor do apartamento limpo trouxe todas as suas lembranças de volta. Jiraiya, Shikamaru, o trabalho de espionagem, seus pais, Kensha, o bebê, a Kyuubi...

Ele saltou do sofá, ignorando o grito de protesto de sua espinha pela noite desconfortável de sono no sofá, e correu ao seu quarto.

Ele abriu a porta o mais silencioso - mas rápido - possível para encontrar sua confirmação. Kensha estava deitada em sua cama, descansando no lado que pudesse encará-lo; seus olhos estavam gentilmente fechados e sua respiração, calma.

Anos de treinamento nas artes ninja o permitiram caminhar silenciosamente sobre o chão normalmente barulhento. Ele se agachou de modo que sua estivesse face a face com sua beleza de cabelos lilás. Apesar da aparência exausta que ela possuía quando havia chegado, havia algo ainda mais bonito nela do que quando a vira no País da Terra, e ele saia que o que era que a fazia parecer tão atraente aos seus olhos à medida que sua mão se moveu por vontade própria em direção ao ventre volumoso sob os cobertores.

“ ‘Dia bebê,” ele sussurrou ao ventre que subia e descia, adorando a sensação de vida sob seus dedos. Era sua filha que estava ali... Ele ainda não conseguia se livrar do fato que finalmente iria ter uma família.

Seus olhos se moveram para a face tranqüila de sua futura esposa. É verdade que o amor que ele sentia por ela não era exatamente o de um amante; não sentia borboletas em seu peito quando seus olhos se encontravam ou via fogos de artifício quando se beijavam. Mas ele era um Jinchuuriki, e o ditado “pedintes não pode escolher” era uma verdade para ele. Além disso, não era como se ele não se importasse com ela. Muito pelo contrário, ele queria protegê-la acima de tudo. Seus instintos já a reconheciam como sua família.

“Nuhh - Naruto?” Kensha bocejou com uma voz suave. Fora acordada pela cena muito bem-vinda de Naruto sobre ela, com uma das mãos deslizando contra sua dilatada barriga.

“Ei,” ele sussurrou, sorrindo a ela, “desculpe por te acordar, eu só estava a examinando. Como se sente?”

Ela coçou o olho com um sorriso doce, “Estou bem. Estou tão feliz que a noite passada não tenha sido um sonho... Que horas são?”

Ele olhou para o relógio próximo a sua cama e respondeu, “Oito e pouco. Eu ia fazer alguma coisa para comermos, mas percebi que não tenho nada a não ser ramen, então vou dar uma corrida até o mercado. Tem alguma coisa em particular que você queira?”

“Um...” ela mordeu o lábio e meio que se afundou em seu travesseiro, “Eu - Eu meio que queria um pouco... um pouco de purê de batata.”

Naruto piscou a ela mas deu de ombros após um momento.

“Tudo bem, mais alguma coisa?”

“Talvez... Ketchup?”

Ele não conseguiu evitar bufar um pouco com o medo que ela demonstrava ao fazer seus pedidos. Ela pausou, pensando que ele estava rindo de seus desejos.

“Você acha que eu sou esquisita?” ela perguntou com insegurança, puxando o cobertor a altura de seu queixo. Ele riu gentilmente e afagou o ventre dela novamente.

“Não, não! Bem, eu acho que esses pedidos são um pouco esquisitos, mas estava lendo um daqueles livros na noite passada então eu esperava por algo do tipo. Agora você pode parar de se preocupar tanto, por favor? Isso pode não ser bom para o bebê.”

Ela sorriu um pouco envergonhada e assentiu, “Você está certo, desculpe.”

Ele dispensou as desculpas com um aceno de mão, “Não se preocupe com isso. Apenas relaxe, certo? Eu vou até o mercado e fazer algumas outras coisas. Que tal você fazer uma lista para eu saber exatamente o que comprar?”

Os olhos dela se iluminaram e ela assentiu, lutando para conseguir se sentar. Ele a ajudou a se levantar da cama assim como havia a ajudado a deitar na mesma no dia anterior.

“Obrigada,” ela disse, alisando um pouco de seus cabelos bagunçados.

“Sem problemas. Eu coloquei suas roupas nas duas primeiras gavetas do meu armário,” ele apontou para o simples guarda-roupas contra a parede do lado oposto do quarto. “Apenas me encontre na cozinha quando você tiver terminado de se arrumar, você já sabe onde fica o banheiro.”

Ela assentiu e ele a deixou em sua privacidade, rumando de volta à sala de estar onde havia deixado a sacola do bebê e os livros sobre paternidade na noite passada. O envelope amarelo claro chamou sua atenção, mas ele se forçou a desviar o olhar. Ele tomaria conta daquilo em algum outro momento; pela primeira vez iria tomar conta de algo antes que não fosse Konoha.

“Certo,” ele disse a si mesmo, tentando colocar alguma atitude positiva para ajudá-lo em tudo aquilo, “hora de deixar tudo pronto. Kage bunshin no jutsu!”

Após fazer a familiar cruz com seus dedos, cerca de uma dúzia de clones apareceram.

“Certo, clones!” ele disparou em um tom mandão e cada um assumiu uma súbita postura de saudação, “Nós temos muita coisa para fazer em pouco tempo, então eu não quero encontrar nada de errado com cada trabalho, entenderam?”

“Sim senhor!” responderam as vozes de maneira sincronizada. Satisfeito, Naruto apontou para seis clones a sua direita.

“Cada um de vocês, peguem um livro sobre bebês e os memorizem!”

Imediatamente os corpos ordenados pegaram um livro sobre bebês da pilha descuidada sobre sua mesa e encontraram um lugar confortável para começar estudar.

“Vocês dois,” Naruto apontou para dois outros clones, “Vocês vão até a Tsunade-baachan e exigir mais missões. Tentem pegar rank-C se conseguirem, mas provavelmente ela só vai dar rank-D. E eu quero que vocês peguem missões separadas. Se ela perguntar alguma coisa diga que preciso de dinheiro extra e que isso é um treinamento para a durabilidade dos meus clones.”

“Senhor!” eles o saudaram e partiram. Ele encarou o próximo.

“Você vai ao mercado comprar os itens na lista que Kensha vai te dar. Pegue tudo que estiver ali, e não compre ramen -”

“Mas -”

“Sem mas!” Naruto interrompeu sua própria figura, que lhe devolveu um menear rancoroso. Ele se virou para o último clone, “E você vai ficar o dia todo com Kensha. Dê a ela o que ela quiser, fale com ela sobre o que ela quiser a respeito das mudanças de vida, e talvez lhe dê uma daquelas massagens que Jiraiya nos ensinou. Acho que ela gostaria disso.”

O último clone assentiu e se sentou no sofá para esperar Kensha sair do banheiro.

“Eu vou até a unidade de criptografia, se ela perguntar,” ele os informou, apressando-se até a porta. “Se bem que, com sorte, talvez eu tenha algum tempo para treinar após isso.”

Isso porque, se ele iria proteger Kensha e sua filha, teria que se tornar mais forte. E poderia começar melhorando o rasenshuriken - aos diabos com o que Kakashi dissera. Ele também planejava trabalhar no aperfeiçoamento do kage bunshin na maneira que ele e Jiraiya tinham trabalhado antes de - bem... apenas antes.

O cômodo estava silencioso após os primeiros segundos de sua abstinência enquanto os seis clones liam os livros e os outros dois esperavam por seus trabalhos envolvendo Kensha. A porta foi novamente aberta e cabeça do original Naruto apareceu novamente.

“E pelo amor de Deus, façam turnos para sumirem! Eu não quero ter um derrame no meio da droga do campo de treinamento!”


:O verdadeiro não está com eles:

“Eu não compreendo,” o pequeno e velho sapo coaxou a respeito da mensagem decodificada a sua frente, “Apenas com isso... É ainda muito vago.”

“Bem... Não há nada mais que você possa imaginar?” Shikamaru franziu o cenho, não satisfeito que sua pequena vitoria não tenha produzido frutos. Eles estiveram torcendo que o código revelasse algo completamente importante a respeito da identidade de Pein, mas nem de perto que a mensagem - descoberta apenas através da familiaridade de Naruto com a escrita de Jiraiya - estava os fazendo avançar.

Fukasaku balançou sua cabeça solenemente.

“Eu já disse a vocês o que sei sobre Pein... Ele é o tipo de homem que voltaria mesmo sendo morto... Mas isso é apenas minha especulação. Seria perigoso batalhar contra Pein num estado desses. Nós precisamos resolver esse mistério primeiro.”

“E como estão indo nossas outras fontes de informações?” Kakashi perguntou, referindo-se a um dos corpos de Pein que Jiraiya fora capaz de enviá-los antes de partir, “A autópsia e a interrogação.”

“Parece que os dois ainda vão levar mais algum tempo,” Sakura suspirou cansada.

Naruto, que estava encarando o nada, ergueu a cabeça com interesse, “Tipo quanto tempo?”

“Sei tanto quanto você...” Sakura retrucou asperamente, encostando-se à escrivaninha e o dispensando com um aceno de mão. Ela ainda estava incomodada com ele por causa do outro dia.

Por aquele momento Naruto se esquecera da mulher em sua casa, grávida de sua filha; à luz do descobrimento do assassino de Jiraiya, ele se descobriu retomando a raiva e o estresse que havia sido preenchido antes, o caminho para vingar seu mestre tornando a crescer.

“Mas que diabos é isso!?” ele gritou, não gostando da forma blasé que todo mundo ao redor dele parecia possuir sobre aquela situação, “É realmente hora para estarmos sentados não fazendo nada?”

Sakura se virou em sua direção, determinada a não deixá-lo escapar com sua nova atitude irritada.

“Interrogação à parte... as células e tecidos devem ser analisadas cuidadosamente em uma autópsia! Isso levará tempo, não importa quanto!”

“Levará pelo menos uma semana, eu imagino,” Tsunade concordou com sua aluna.

“Leva tudo isso...!?” Naruto grunhiu, abaixando sua cabeça em sinal de frustração.

“Não precisa ficar tão desapontado, Uzumaki-kun,” Shiho acenou para ele por trás de Shikamaru, arrumando seus óculos. Ela raramente saia da unidade de criptografia, então estar perante a figura da Hokage - com ninguém menos que Shikamaru-kun - com várias pessoas falando tão livremente em frente àquela poderosa mulher havia realmente sido estimulante para ela.

“Então... o que nós vamos fazer, quinta?” Shikamaru pressionou. Ele não estava com humor para ver o Naruto ficar todo empolgado.

“Não há nada mais para fazer além de esperar, realmente,” Tsunade respondeu, “Provavelmente será mais rápido que o normal. Shizune está cuidando da autópsia...”

“Vou dizê-los para se apressarem!” Naruto declarou, dando um passo determinado em direção à porta; ele sentia como se devesse fazer alguma coisa. Talvez... talvez se pudesse ajudar a fazer algum progresso na interrogação, então talvez aquela dor incômoda em seu peito pudesse parar.

“Pode parando, Naruto!!” Sakura latiu, “Eu não vou te perdoar se você se meter no caminho da Shizune-sempai!”

Naruto parou a poucos centímetros da porta, virando o rosto apenas um pouco para que Sakura pudesse ter noção do quão sério ele estava sobre isso.

“Eu vou vingar a morte do ero-sennin...”

Sakura congelou, parecendo golpeada por suas palavras.

“Então de jeito nenhum que eu vou simplesmente ficar parando esperando!” ele continuou de modo forte, resoluto em sua própria conclusão para continuar com os progressos que haviam feito.

“Naruto-chan...” Fukasaku clareou sua garganta, chamando a atenção de todos na sala, “o fato é que eu acho que o código não tem nada a ver com você.”

Aquilo foi a gota d’água para Naruto. A mensagem claramente tinha a ver com ele; ninguém teria sido capaz de avançar se ele não tivesse reconhecido a katakana. Ele era a “chave”, não era?

Ele se virou.

“QUE É QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO?”

Fukasaku não pareceu incomodado com sua súbita explosão, “Decifrado ou não, não tem jeito você conseguir vencer o Pein na maneira que está agora... Então venha comigo.”

Os olhos de Naruto se arregalaram; toda a fúria dentro de si se transformara em um conhecido sentimento de antecipação.

Um largo sorriso cruzou a boca gomosa do velho sapo uma vez em que ele percebera a atenção do garoto, “Isso é, se você não se importar em aprender da mesma forma que fiz com Jiraiya-chan... Eu o treinarei nas artes eremitas...”

O coração de Naruto estava vibrando com a proposta.

“E eu serei realmente capaz de acabar com Pein dessa maneira?” perguntou com sincera esperança.

“Eu não sei.” Fukasaku respondeu com honestidade, “Tudo o que sei é que, se permanecer do jeito que está, você não estará nem um pouco preparado. Importa-se, Tsunade?”

A pergunta, dirigida à Hokage, foi recebida com um sorriso satisfeito.

“Claro que não...,”ela respondeu no mesmo instante, antes de tornar sua atenção ao seu favorito, mas mais irritante, ninja, “Naruto, é melhor você dar duro nisso.”

“O treinamento nessas artes é mais duro do que você jamais possa imaginar!” Fukasaku adicionou, “Acha que você consegue?”

O coração de Naruto palpitou com o desafio. Ele iria receber um novo treinamento; um treinamento designado a pessoas incríveis como Jiraiya. Iria se tornar um eremita e honrar a morte de seu mentor ao desafiar o homem que o havia matado.

“Aquele Ero-sennin conseguiu, não conseguiu? Então de jeito nenhum que eu vou falhar! Eu -!” ele se calou, a antecipação esperançosa e inspiradora dissolvida em segundos, deixando um sentimento insuportável.

Subitamente, ele se lembrou que não era mais o gennin Naruto, o aprendiz de Jiraiya, o órfão sem obrigações o impedindo de se tornar mais forte. Agora ele era Naruto, o futuro pai, o que havia prometido a uma grávida desesperada que tomaria conta dela não importasse como, o que precisava ficar na vila.

Ero-sennin, me desculpe,” ele sussurrou em sua mente, fechando os punhos ao lado do corpo, “sua vingança terá que esperar mais um pouquinho.”

“Eu - eu não posso.” Aquilo provavelmente fora a coisa mais dolorosa que tivera que dizer desde que fizera aquela promessa à Sakura-chan três anos atrás.

O silêncio reinou no espaçoso escritório à medida que todos os presentes o encaravam, alguns com incredulidade, outros com verdadeiro terror.

Ele balançou sua cabeça para bloquear qualquer reação externa, reunindo tanta determinação e resolução quanto ele poderia para deixar seu ponto de vista claro. Ignorando aquelas faces boquiabertas e cenhos franzidos em sua direção, ele ergueu sua cabeça e encarou o sapo, pronto para uma briga.

“Me desculpe sapo velho, mas não posso aceitar sua oferta agora.”

“Q-que?” Sakura engasgou, realmente acreditando que havia escutado errado. Afinal, eles estavam ficando tão empolgados a respeito daquele tal treinamento. Até mesmo Naruto parecia pronto para aquilo; por que ele mudaria sua opinião daquela forma, de modo tão súbito?

“Você está brincando, certo?” Shikamaru adicionou de modo hesitante, “Quero dizer... Esse é o tipo de oportunidade que você morreria para ter. Você não pode estar falando sério sobre declinar esta oferta.”

“Você não se importaria de explicar, não é?” Tsunade perguntou o mais calmamente que conseguiu. O garoto com certeza deveria ter uma razão extremamente boa para recusar treinamento especial. Todos pareciam estar pensando as mesmas coisas enquanto esperavam impacientemente pela resposta dele.

Naruto sentiu o pânico crescendo dentro de si enquanto aqueles olhares o perfuravam. Agora seria o momento oportuno para confessar. Ele poderia explicar que havia engravidado uma garota e que precisava ficar com ela porque ela precisava dele mais do que qualquer um já havia precisado. Existiam outros ninjas para lidar com a Akatsuki, mas apenas um que poderia ser pai de sua filha.

Ele abriu a boca em antecipação ao admitir a verdade; seu coração estava batendo tão rápido que o sangue pulsando por seu corpo estava sendo o suficiente para deixar o local mais apertado... e mesmo assim isso não foi capaz de evitá-lo perceber aqueles olhares. Ele era um veterano em analisar o olhar de alguém, especialmente para perceber aspectos negativos.

Existia decepção naqueles olhares... Ele havia os chateado; mas isso ele havia esperado no momento em que dissera sua decisão em voz alta.

Havia também raiva, confusão e dor. Ele já poderia dizer que havia perdido um pouco de suas confianças, de seus respeitos, por recusar uma oportunidade de proteger a vila de modo melhor; ele não poderia ser o cara que eles iriam precisar agora, e por isso ele pedia desculpas. Mas sua decisão estava feita na noite anterior após a conversa com a Kyuubi e não iria voltar atrás. Fora tolo de sua parte se empolgar tanto com a perspectiva de treinamento; ele não precisava se lembrar de suas tarefas como pai. Ele não iria cometer esse erro novamente - agora sabia quais eram suas prioridades.

Fechou a boca com um clic audível. Ele não iria - não... ele não poderia contar a eles agora. E se eles tentassem tirar Kensha de si? E se eles não confiassem nele o suficiente para respeitarem sua decisão, talvez eles não confiassem nele o suficiente para ser um bom pai...

“É como eu acabei de dizer: eu simplesmente... Eu simplesmente não posso,” ele finalizou pateticamente, desejando poder trazer mais confiança às suas palavras. Os olhares pareceram se intensificar. Ele odiava aquilo, mas sua resolução já estava começando a se fortalecer diante de tudo aquilo, “Não agora. Não posso fazer isso agora...”

“Mas... você é... você é o garoto da profecia!” Fukasaku protestou. Naruto o encarou quase como implorando para que ele não pressionasse o assunto.

“Eu... Eu preciso ir. Eu peço desculpas, realmente, mas não posso fazer esse treinamento agora,” ele se virou rapidamente, desejando cair fora dali antes que aqueles olhares deixassem sua cabeça doendo. Ele não conseguia pensar direito.

“Naruto, pode parando já!”

A voz dura de Tsunade fez com que Naruto parasse próximo à porta, uma expressão dolorosa em suas faces.

“Explique-se.” Ela obrigou. Naruto deu um suspiro pesado e a encarou por sobre seu ombro.

“Eu não estou pronto para isso,” ele murmurou, ignorando o grito de orgulho por aquele tom. “Me desculpe, é sério, me desculpe...”

Ele saiu do escritório, ignorando os olhares que recebia.

“Eu não acredito no que acabou de acontecer,” Kakashi murmurou; sua única sobrancelha visível estava arqueada.

“Que problemático,” Shikamaru reclamou, desejando estar no momento lá fora naquele momento sendo feliz. Aquele prometia ser mais um daqueles dias.

Sakura também estava perdida. Ela continuou reprisando aquela cena diversas vezes em sua cabeça - a raiva de Naruto, sua determinação e então... e então o quê? Que foi aquilo? Que aconteceu com a história de se vingar pelo pervertido? Fora um discurso vazio?

“Acho que isso não podia ser evitado,” Tsunade suspirou, seu cenho ainda franzido pela reação confusa de Naruto. Aquela súbita reação não poderia ter sido causada pela morte de Jiraiya. Era por causa de seus pais? Existia algo a respeito de seus ancestrais que o impediam de continuar?

Sakura ergueu a cabeça de suas contemplações, “Mas, mas, Shishou... E Pein? Ele tem que -!”

“Ele não tem que fazer nada, Sakura,” Tsunade a lembrou gentilmente, “Há algo de errado com ele, mas sinto que não é bom o pressionarmos a respeito disso. Ele acabou de agir como um animal encurralado quando o fizemos.”

“Eu falaria com ele, Hokage-sama, mas já estou designado para partir em missão em breve,” Kakashi disse, desculpando-se à sua própria maneira. O comportamento de Naruto ao final daquela reunião havia sido, no mínimo, perturbadora para ele, mas isso era algo que ele poderia resolver quando retornasse do país da neve.

“Fukasaku-sama, desculpe-me,” Tsunade disse ao ancião, “Eu não teria previsto isso...”

“Está tudo bem, criança” o sapo assegurou com sua voz rouca, “o garoto deixou claro que estaria pronto em uma data posterior. Eu apenas temo que seus desejos possam fazer com que Pein tome vantagem. Vamos esperar que Naruto-chan venha até nós antes disso.”


“ARRGH! Aquele maldito idiota! Ele tem me evitado, eu sei disso!” Sakura grunhiu. Seu punho se chocou contra o chão onde sua oponente estava, fazendo com que o chão pouco acimentado se transformasse em uma massa de pedras e poeira.

“Que diabos, testuda!” Ino gritou pulando para uma distância segura de sua amiga certamente instável após quase perder uma perna, “É só uma disputa!”

Sakura abandonou sua posição de taijutsu e piscou, finalmente olhando ao redor e percebendo, com um sorriso embaraçado, que o campo de treinamento agora mais parecia com uma luta contra um Akatsuki do que com uma de suas amigas.

“Me desculpe Ino, ” ela se desculpou sinceramente, de certo modo envergonhada por perder o controle daquela maneira. Ela balançou seus ombros e se sentou no chão, observando os cortes em sua canela com um cenho franzido. Ino se juntou à ela, com preocupação evidente em suas feições aristocráticas.

“Sakura, que diabos há de errado com você? Você tem estado distraída o dia todo - e inacreditavelmente hostil ultimamente.”

A rosada se encolheu, sabendo que jamais fora do tipo de conseguir esconder suas emoções muito bem. Ela demorou um momento antes de responder, contemplando a melhor forma de expressar sua situação.

“Tem a ver com o Naruto, não tem?” Ino perguntou antes que Sakura pudesse responder. Sua amiga suspirou cansada e assentiu.

“É... Quero dizer, nós tivemos essa briga... er... não realmente uma briga, mas... ele gritou comigo e eu gritei com ele e ele se afastou... e... e então ele recusa essa grande oportunidade de treinamento especial. Um treinamento que apenas Jiraiya-sama recebeu! Eu não entendo isso! Ele parecia todo empolgado em um minuto e então - BAM! - nada! E desde então ele tem desaparecido da face da Terra! Até mesmo a Shizune-sempai disse que ele jamais foi checar a autopsia - não que eu teria encorajado isso - mas ainda sim eu teria esperado ele aparecer em algum momento nessas duas semanas! Sei que estivemos zangados um com o outro, mas eu não achava que ele simplesmente iria me ignorar! Que diabos é tudo isso?”

“Bem... talvez vocês dois simplesmente não tenham se esbarrado?” Ino tentou, esfregando um de seus músculos com ambas as mãos.

Sakura balançou a cabeça negativamente, “Kakashi-sensei disse que encontrou o Naruto treinando várias vezes quando eu perguntei a ele sobre isso. E Reiko-san disse que ela viu o Naruto no hospital outro dia! Teuchi-san disse que Naruto não vai à barraquinha de ramen há uma semana! O que isso lhe diz?”

Ino mordeu o lábio. Soava mais do que suspeito o fato de Naruto não ir à sua barraquinha de comida favorita e estar no hospital sem ao menos se encontrar com Sakura. Afinal, era sempre ela quem tomava conta de seus machucados.

“O que foi que eu fiz para merecer isso?” Sakura continuou, sua raiva tomando conta dela agora que estava se expressando em voz alta, “Um abandona a vila em busca de vingança e poder, e agora o outro é simplesmente... simplesmente... um perdedor imaturo! Quero dizer, que é isso? A academia? Por que ele não pode agir como um homem e vir falar comigo? Não foi nem mesmo uma briga! Qual é a dificuldade de me dizer o que há de errado ao invés de cerrar os punhos e agir esquisito todo o tempo? Isso é tão... tão... arrgh!”

“Sabe,” Ino disse gentilmente, “há alguns caras que nunca vão crescer. Eu não achava que o Naruto fosse desse tipo, especialmente após ver o quão poderoso ele tem se tornado, mas acho que estava errada.”

“Você é quem pegou o time bom, Ino,” Sakura assentiu em confirmação, cansada. A maior parte de sua raiva havia a drenado, a deixando apenas com uma sensação estranha de desapontamento.

“Huh? O que você quer dizer?” Ino perguntou. Ela amava seus meninos, ambos, mas um era um guloso e o outro era tão preguiçoso que era um milagre até mesmo conseguir abotoar suas calças durante a manhã.

“Chouji é uma das pessoas mais gentis que eu conheço,” Sakura explicou, “e qualquer um pode ver que Shikamaru está crescendo. É uma pena que a Temari tenha colocado suas garras nele antes de você, Ino-porca.”

“Eh? Psh, por-favor! Como se eu estivesse interessada naquele preguiçoso - gênio ou não!” Ino retrucou. “Além disso, se você está tão chateada a respeito disso, então porque você não vai até o apartamento dele e o confronta a respeito disso?”

“Há!” Sakura debochou, “Eu não vou dar a ele a satisfação de saber que ele me incomodou. Se ele quer ser um babaca a respeito disso, então tudo bem! Eu não preciso dele. Eu posso sair com o Sai e... e com você. É tudo o que eu preciso.”

“Se você diz, testuda,” Ino murmurou, sabendo que Sakura queria nada mais do que confrontar o outro loiro e compreender qualquer que fosse o problema que eles estavam tendo, “Se você diz.”

Ainda assim, existia algo a respeito de toda essa situação que simplesmente não fazia sentido.


Naruto poderia honestamente dizer que as duas últimas semanas haviam sido as mais cansativas, mas gratificantes, de sua vida.

Manter a gravidez de Kensha - e sua chegada - em segredo de seus amigos e da Hokage não estava sendo fácil. Não que fosse por vergonha de Kensha ou de seu bebê - muito pelo contrario; ele queria gritar ao mundo que seria pai. Mas, somando-se a falta de coragem de contá-los a respeito de sua irresponsabilidade e inconveniente erro, ele também queria estar completamente preparado para provar a eles que poderia tomar conta daquela situação sem ajuda externa. Especialmente após o fiasco na sala de Tsunade.

Era mais do que medo de contar a Tsunade pelo o que ela poderia fazer com ele - estava com medo de que alguma forma pudesse perder o que havia se tornado a coisa mais importante para ele no último meio mês. Estava com medo de ser considerado incapaz de ser pai por ser um Jinchuuriki, ou por possuir tantos criminosos de rank-S atrás dele, ou simplesmente por ser tão jovem. Ele não queria que o bebê ou Kensha fossem afastados dele e conhecendo Tsunade, com seu desejo de protegê-lo (ou “paparicá-lo tardiamente” como ele gostava de chamar isso) era simplesmente o tipo de coisa que ela tentaria fazer. Ele queria se firmar com os próprios pés, possuir uma renda estável e estar completamente preparado para cuidar de Kensha e sua filha antes de realmente informar a respeito de sua porvindoura paternidade. Então, por enquanto, o plano era manter tudo aquilo em segredo o máximo que podia até que o bebê tivesse nascido.

Aquilo o deixou com o trabalho de providenciar uma renda maior para procurar por um apartamento melhor assim como coisas para o bebê. Todo o dia tinha vinte clones treinando com ele enquanto conservava outra parte de sua energia com mais três clones que trabalhavam para conseguir dinheiro. Tsunade ficaria mais do que desconfiada a respeito dele ter vários clones trabalhando em missões rank-D, desde que pareceria que ele havia declinado a oferta de treinar nas artes eremitas para fazer trabalhos de gennin, então ele havia pegado trabalhos civis.

A coisa boa de civis era que eles não poderiam dizer a diferença entre um clone e uma pessoa real - nem muitos ninjas conseguiam isso, também. Ele tinha um clone trabalhando em um bar no final da rua, outro trabalhando em construção de um novo apartamento e um terceiro clone trabalhando como garçom de um restaurante não muito longe de sua casa - todas as coisas que havia feito durante suas viagens com Jiraiya. O dinheiro que estava conseguindo era mais do que o triplo normal que um gennin conseguiria fazer.

Ele também fizera questão de manter todos aqueles trabalhos do lado em que morava da cidade para não levantar mais nenhuma suspeita de seus amigos. Claro, vendo-o comprar mais comida que o normal já era mais do que suspeito, assim como seu desaparecimento na barraquinha de ramen, mas todas aquelas coisas triviais ele ainda não conseguia se preocupar. E como vivia na parte mais “pobre” de Konoha, estava plenamente confiante que não iria se encontrar com qualquer um de seus conhecidos.

Sobre a parte de viver com Kensha... bem, fora preciso de grandes ajustes para viver com uma colega de quarto se comparado com alguém que morava sozinho, ainda mais com uma colega de quarto em suas situações. Mas àquelas súbitas mudanças de vida forçaram os dois se abrirem um com o outro ainda mais, tentando deixar nenhum esqueleto em seus armários, desejando criar um ambiente honesto para sua filha nascer.

Ele ainda poderia se lembrar de quando havia contado à Kensha seu maior segredo.

: FLASHBACK :

“Q-que?”

Naruto se encolheu ao perceber o choque naquelas palavras gaguejadas. Ele intensificou o aperto de suas mãos, temeroso que ela pudesse se afastar dele. O casal estava sentado em sua cama três dias após a chegada dela, e sua decisão de contar a ela sobre a Kyuubi subitamente parecera uma incrível péssima idéia.

“É,” ele murmurou, abaixando seu olhar para suas mãos unidas, “Eu -o quarto Hokage, ele não tinha muita escolha, entende... e o demônio, bem, ele é um puto grande parte do tempo mas realmente me dá chakra para sair de situações de risco...” ela ainda estava em silêncio, o encarando como se não soubesse quem ele era, “Por favor, Kensha, isso não muda quem eu sou. Eu ainda sou o pai dela - eu posso ser o melhor pai, juro! Por favor, apenas me dê uma chance, juro que o demônio não terá nenhuma influência em mim, e -“

Ela se aproximou e pressionou seus lábios contra os dele em um beijo suave e compreensivo.

“Está tudo bem,” ela sussurrou, afastando-se um pouco. Naruto encarou confuso em seus olhos castanhos.

“Huh?” ele soou inteligentemente, fazendo-a rir e o presenteá-lo com mais um beijo nos lábios antes de se afastar novamente.

“Está tudo bem,” ela repetiu, “Eu não me importo com o demônio. Se você diz que ele está seguramente selado em você, então eu não tenho razão nenhuma para acreditar que possa colocar nossa criança em perigo. Eu confio em você, Naruto.”

Naruto, por sua vez, estava achando tudo aquilo bom demais para ser verdade.

“Você... compreende que isso pode afetá-la? A forma como a vila pode tratar você ao saberem que você está envolvida com um demônio?”

“Naruto,”ela disparou austeramente - algo que ele já havia a visto fazer em suas estranhas mudanças de humor, “nunca mais diga que você é um demônio, estamos entendidos?”

Ele mordeu o lábio, “Me - me desculpe Kensha, eu não quis dizer dessa maneira. Mas por um longo tempo a vila teve problemas em ver através do demônio e eu... Eu não quer que isso aconteça a ela...”

Suas mãos alcançaram o ventre dela mais uma vez, algo que ele mais gostava de fazer. Sua filha, em resposta a sua aproximação, chutou para ele em sua própria forma de saudação. Seu sorriso não alcançou seus olhos enquanto ele continuava:

“Você não compreende as conseqüências que isso pode ter. Ela pode não ser inteiramente humana,” na verdade, ela não vai ser, “e os habitantes... bem, se eles perceberem - quero dizer, se isso for perceptível, pode ser mais difícil para ela levar uma vida normal.”

Kensha o encarou com um misto de compreensão e diversão.

“Naruto,” ela colocou uma mão docemente sobre sua bochecha, “Acho que posso dizer tranquilamente que nós dois não sabemos o que é levar uma vida normal. Nós dois sabemos das coisas horríveis que as pessoas são capazes de fazer. Mas é por isso que não precisamos nos preocupar.”

Ele arqueou uma sobrancelha a ela e ela continuou, acariciando as marcas em sua bochecha e enviando a ele vibrações reconfortantes, “Nós sabemos exatamente o que não queremos que nossa filha presencie; nós podemos salvá-la de solidão e dor porque nós sofremos disso antes. Nós dois lhe daremos tanto amor que ela jamais se sentirá indesejada.”

Naruto riu e acariciou sua mão. De algum modo ela conseguira fazer tudo aquilo parecer ok. Ela seria uma ótima esposa e mãe.

“Estou feliz que você veio - não poderia ter sido em horário melhor,” ele disse subitamente e ela franziu o cenho.

“Você está sendo sarcástico? Eu simplesmente acabei com todos os planos da sua vida. E sobre aquela história de ser Hokage ou salvar aquele seu amigo com treinamento? Eu apenas fiz tudo ficar mais difícil para você.”

Ele riu, “Não. Estou falando sério. Estava em um ponto da minha vida que eu não sabia mais o que estava fazendo... Se ir atrás de Sasuke ainda valia a pena, se eu poderia prosseguir sem o meu sensei, se eu realmente queria tudo isso... Você me deu uma nova e precisada perspectiva na minha vida e, por isso, eu sou eternamente grato.”

: FIM DO FLASHBACK :

Apesar de todo o estresse que ele estava sendo colocado durante as duas semanas em que tentava “ser um homem”, como Kyuubi havia dito, ele realmente estava achando que tudo aquilo valia à pena. Todo dia ele voltaria para casa após longas jornadas de trabalho e treinamentos que acabavam com ele para encontrar alguém esperando por ele - algo que ele desejava desde que se mudara para seu apartamento há mais de uma década. E não era apenas alguém que estava do outro lado da porta (e geralmente com uma refeição quente preparada); era alguém que o amava do fundo do coração. Alguém que massagearia seus ombros e lhe daria um beijo, alguém para segurar em seus braços e dizer todas as coisas que iriam fazer com o dinheiro que estavam conseguindo, alguém que estava grávida da sua filha e nada poderia fazê-lo mais feliz do que isso.

A cada dia ele se apaixonava mais um pouco por ela, assim como dissera que faria, e a cada dia ele estava mais certo de que tudo aquilo daria certo.

Sorrindo, Naruto pousou à soleira de sua porta e entrou em seu apartamento. No mesmo instante em que entrara no apartamento o clone que havia deixado com Kensha desaparecera, deixando-o saber o que havia acontecido naquele dia (pelo clone e por Kensha).

“Oi, meninas!” ele cumprimentou, deixando suas chaves sobre a mesa de café como era de costume.

Kensha ergueu o rosto da mesa da cozinha onde ela estava sentada, com uma caneta vermelha em suas mãos e alguns jornais espalhados ao seu redor. Seu rosto se iluminou com o som de sua voz.

“Ei! Adivinhe só? Acho que encontrei um bom apartamento e que nós possamos pagar! É dois dormitórios, um banheiro e uma cozinha e ainda tem vista para o parque!”

Naruto sorriu, entrando na cozinha e se inclinando por cima dos ombros dela para observar o anúncio circulado.

“Bem, olha só para isso! Bom olho, Kensha!” ele a elogiou, fazendo questão de beijar o rubor contente em suas bochechas. “É a primeira coisa que irei checar amanhã.”

“Você chegou tarde então espero que não se importe que eu tenha jantado sem você. As sobras estão no fogão,” Kensha disse, “Eu estava com tanta fome que não poderia esperar mais um pouco. Ela fica bem violenta se eu não a mantenho bem alimentada.”

“Não tem problema,” Naruto respondeu, brincando com a barriga dela, “Estou feliz que a minha menina tenha um apetite saudável.”

“É, e um chute saudável também,” Kensha resmungou secamente. “Eu não entendo porque ela fica tão ativa toda vez em que você está por perto.”

“Ela é um bebê esperto,” ele interpôs enquanto começava a reaquecer sua comida, “provavelmente já reconhece meu chakra. Mudando de assunto, já pensou em alguns nomes?”

Kensha pareceu um pouco ansiosa com aquela questão, algo logo suavizado em um rubor.

“Na verdade, sim, já pensei.”

Naruto colocou o prato à sua frente e a enviou um olhar questionador.

“Ah é...?”

Ela brincou com a caneta, mantendo seus olhos na tampa que ela colocava e retirava enquanto respondia:

“Quando eu estava... viajando,” ainda que a expressão dele tenha se mantido impassível, ela ainda percebeu um flash sombrio em seus olhos. Ela odiava trazer à tona os primeiros meses de sua gravidez; odiava a intensidade de culpa que ele sentia, “e eu não sabia se iria ou não encontrá-lo, decidi que gostava do nome Hitomi...”

“Hitomi, huh?” Naruto matutou sobre o nome.

“É, Hitomi. Porque eu estava torcendo para que ela herdasse os olhos do pai e assim sempre teria algo para me lembrar de você...”

Naruto arregalou os olhos ante aquela revelação e começou a ficar corado tanto quanto ela estava.

“S-sério?”

Ela riu com o súbito desconcerto dele, “É sim, seu bobo. E mesmo agora estando com você, ainda gosto muito do nome.”

Recuperando-se de seu pequeno embaraço, ele alcançou a mão dela na sua, “Bem, eu também gostei. E sabe de uma coisa? Acho que após ver o apartamento amanhã, começarei a falar das pessoas sobre nós.”

Os olhos de Kensha brilharam em contentamento. Desde que havia chegado, ela respeitara os desejos dele de manter seu relacionamento e sua gravidez sob o tapete, compreensiva com seus medos e seus desejos de protegê-la. Quando saía do apartamento dele, geralmente estava com um dos clones em um henge. Até mesmo nas visitas ao hospital para um check-upele estivera em um henge na maior parte do tempo. Mas mesmo com tudo isso ela possuía o desejo de andar ao lado de Naruto, não algum cara sem nome ou face, e mostrar para a vila que agora ele estava com ela e que ela o amava muito. Que ela odiava ter alguém tão sociável quanto seu noivo separado de seus amigos por causa dela.

“Isso é ótimo!” ela exclamou empolgada, “Não vejo a hora de conhecer seus amigos!”

Naruto riu, “Eu provavelmente vá levá-la para conhecer a baa-chan primeiro. Vai ser o pior encontro para mim, então é mais fácil de livrar disso de uma vez por todas. Depois a gente pode ver a Sakura-chan, e o Sai e o Kakashi-sensei.

“Pensei que você tivesse brigado com essa tal de Sakura?” Kensha disse suavemente, acariciando a mão dele com o polegar. Naruto a assistiu tocá-lo, sorrindo afeiçoado a ela.

“Foi só uma discussão boba, talvez menos do que isso até,” ele respondeu, “Não significava nada depois de tudo que já passamos. Ela ainda é uma das minhas melhores amigas. Acho que vocês duas vão se dar muito bem, ela -“

Uma explosão soou à distância, poderosa o suficiente para chacoalhar o vidro das janelas e tremer a água em seus copos. Segundos depois, o som de massas gritando foi ouvido pelas ruas. Naruto se ergueu, seu coração preso à garganta.

“O que foi isso!?” Kensha perguntou temerosa, batalhando para conseguir se erguer.

“Não sei,” ele disse e sua voz soou mais fria do que ela jamais pensara escutá-lo dizer. Ele abruptamente se aproximou dela e a ajudou a se levantar. Segurando sua face em suas mãos, ele a beijou e disse suavemente, “Fique aqui, vou deixar um clone com você. Isso aconteceu do outro lado da cidade, então o que quer que seja eu não vou deixar se aproximar mais da vila.”

Um clone apareceu em um segundo e em dois ele já estava colocando suas sandálias.

“Naruto,” Kensha gritou antes que ele pudesse partir, e ele se tornou com impaciência antes de percebê-la abraçando sua própria barriga, tensa, e as lágrimas em seus olhos, “Volte para mim.”

Ele enviou a ela um pequeno sorriso, um mais calmo do que ele realmente sentia.

“Eu prometo”

E então ele partiu.


Notas da Autora:

Antes de qualquer coisa, vamos deixar algumas coisas claras sobre a Kyuubi nessa fic: Kyuubi NÃO é um amigo do Naruto. Ele é um demônio mau. Ele NÃO vai “adotar” o Naruto como seu “filhote”. E ele é ELE. Macho.

E também, grande parte da cena do escritório da Tsunade eu retirei diretamente do capítulo 408 do mangá... Antes que eu estragasse tudo X3

Hitomi é um nome dado a meninas particularmente com lindos olhos, o que me faz pensar ser bonitinho então.

Strider714 foi quem me ajudou mais uma vez. E por isso vocês todos podem compreender o que está acontecendo nessa fic...ou pelo menos eu espero que estejam. Agradeçam a ele.

E finalmente, OBRIGADA por todas as review-ies! Eu sei que algumas pessoas enlouqueceram sobre essa coisa do Naruto deixar alguém prenha, mas o que eu posso dizer... ah, bem? C’est la vie?

R&R e eu darei opples e banonos!!


Notas da tradutora: Sim, eu sei que “opples” e “banonos” são maçãs e bananas, eu deixei assim por causa da piada em si. xD. Sobre a parte do “prenha” também foi algo exatamente que ela disse, exatamente com essas palavras (ta, mas em inglês... que seja xD).

Desculpem pela demora na tradução, essa coisa de final de ano, aniversário (porque eu sou azarada e nasci um dia depois do Natal), mais segunda fase de FUVEST foram coisas completamente exaustivas na minha opinião... Tentarei ser mais rápida, e até o final de janeiro acho que vou fazer um combo de postar dois capítulos seguidos - se eu conseguir conciliar tradução com as minhas fics... porque eu também sou sem vida e escrevo :B

Agradecendo às reviews de Saky-chan Haruno (que foi muito gentil em deixar meu tópico sobre a fic na comunidade NaruSaku do Orkut, aliás), Leah, Luana, Guiii e pedrokareborn (e sim, pode me chamar de Tammie-chan sem problemas xD).

Por ultimo, se você gostou desse capítulo e da fic, deixe um comentário, nem que for um “curti, vou acompanhar” para deixar uma tradutora e uma escritora feliz, porque eu acabo reportando essas coisas a ela e tal xD

É isso, até a próxima :D



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