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Mitzrael Girl
Author of 46 Stories

Rated: T - Portuguese - Supernatural/Adventure - Dean W. - Reviews: 6 - Updated: 01-01-09 - Published: 12-12-08 - id:4712746

Disclaimer: Supernatural não me pertence, faço este fic sem fins lucrativos, apenas por diversão.

A Herdeira de Hellsing

Para Lis,

Porque ela gosta do Dean e porque me fez escrever esse fic que eu estou gostando tanto!

Capítulo Um: Novato

Tinha acordado tarde naquela manhã de sábado, não tinha aulas na faculdade, estava simplesmente com um ótimo dia de folga. Claro que – como qualquer bom aluno –, deixara todos os trabalhos e relatórios para fazer em cima da hora por não ter o mínimo saco. E realmente não podia se culpar, sua prima chegara em sua casa para o almoço, e enfiara-lhe na cabeça a idéia de saírem durante a tarde para cavalgar um pouco. Não sabia de onde diabos ela tinha tirado aquela idéia… não queria mesmo cavalgar, não gostava de andar a cavalo e não gostava da altura… mas ela estava realmente insistente naquela tarde. Queria saber o que tinha acontecido com a jovem para ela de repente surgir com aquela idéia maluca.

Por volta das três da tarde, Lislie já ignorara todas as chances que tinha de fazer seus trabalhos e relatórios e cedera às pressões de sua prima para que fossem até o tal haras, para que a vontade da outra fosse finalmente satisfeita e pudessem passar uma hora cavalgando e jogando conversa fora. Tomou banho e trocou de roupa, prendendo os longos cabelos ondulados de um loiro claro num rabo-de-cavalo alto, para que não assanhassem muito com o vento. Sua prima já estava pronta desde que chegara em sua casa, e estava vendo-a terminar de se arrumar no quarto.

– Vamos indo agora, Lis? – perguntou a dona dos cabelos negros, sentada na cama da mais nova.

– Mas eu não quero andar de cavalo!!! – Lislie fez birra, virando-se para a prima e vendo-a se levantar, para ficar num tamanho pouco mais alto que o seu. – Só você mesmo pra me fazer sair com a pilha de coisas que tenho que fazer pra faculdade, Alisson. E ainda por cima! Pra andar a cavalo!!!

– Você precisa relaxar mais, priminha. – Alisson respondeu no seu habitual tom calmo, pousando as mãos sobre os ombros de Lislie e empurrando-a delicadamente para fora do quarto. – Seu pai já deve estar esperando pra nos levar.

– Tudo bem, vamos indo. Mas eu preciso voltar cedo, ainda preciso terminar as pesquisas e… – antes que terminasse de falar, Alisson voltou a interrompê-la.

– Esqueça as pesquisas agora. Vamos nos divertir um pouco. – Alisson disse, acompanhando-a até a saída da casa. – Prometo que te dou um sorvete depois.

– Tudo bem! – Lislie concordou, animada com a proposta.

Realmente, mesmo em seus 20 anos de idade, a jovem continuava a agir como uma criança certas vezes – na verdade, na maioria das vezes –, não que alguém realmente se importasse com isso… com todos os seus ataques de raiva, continuava a ser uma ótima pessoa, adorável.

Durante o caminho até o haras, nos arredores da cidade, as duas conversaram animadamente. Mas Lislie continuava achando a idéia de voltar atrás ainda mais agradável, embora a prima continuasse a insistir que deveriam tentar andar a cavalo uma vez na vida. De acordo com o que a mais nova entendera, Alisson tinha sido convencida por outros amigos, e conseqüentemente, para não se arriscar sozinha, convencera-a a tentar andar a cavalo também.

O pai de Lislie deixou-as à porta do Haras, com o horário de volta já marcado, para que fosse buscá-las dali a algum tempo. As duas concordaram e seguiram para a entrada do grande haras. Realmente precisava ser um pouco longe dos limites da cidade, afinal, um espaço tão grande, onde várias pessoas viam constantemente para cavalgar não podia ficar muito perto do centro de qualquer jeito, não teria espaço suficiente.

Lislie continuava temerosa quanto à idéia de ter que cavalgar. Precisaria descontar a frustração em alguém depois. Por sorte, Alisson se dera ao trabalho de falar com o recepcionista, os instrutores, e ela apenas seguia a prima até o celeiro onde seriam guiadas por um dos instrutores para cavalgarem.

Fitou os animais em celas separadas, parecia que todos eles tinham parado o que quer que estivessem fazendo para observar as novas visitantes do lugar. Era incômodo ter aquele monte de pares de olhos grandes e negros olhando em sua direção, e tinha uns maiores que outros, o que era ainda mais assustador. Alisson pelo menos parecia estar decidida a seguir adiante, ela não.

– Prima, será que não podemos deixar isso pra outro dia? – Lislie perguntou de maneira esperançosa. – Sabe, eles não parecem muito satisfeitos em terem que nos deixar cavalgar neles.

– Mas que idéia maluca é essa, Lis? – Alisson perguntou, sorrindo com a proposição da prima. – Vamos indo, não seja tão medrosa, priminha.

– O que eu fiz que agora está louca pra se vingar de mim? – Lislie perguntou, com seu habitual tom dramático.

– Não me fez nada, oras. – Alisson respondeu, virando-se para olhar o instrutor que agora selava dois cavalos com a ajuda de outro jovem assistente. – Vamos indo, não vai doer.

– Se eu cair, é claro que vai doer! – Lislie insistiu.

– E você não vai cair. – Alisson rapidamente completou, segurando-a pelo pulso e puxando-a para perto dos cavalos agora selados e do instrutor.

– Prontinho, estão selados e prontos para passear. – o instrutor disse, levando os cavalos até elas, segurando-os pelas rédeas. Ele tinha uma aparência jovem, cabelos pretos e curtos, da mesma cor dos olhos e era bem alto também.

– Nós mudamos de idéia… precisamos voltar pra casa agora e… – antes que Lislie terminasse de falar, Alisson tomou a palavra.

– Não mudamos não, vamos indo. – Alisson disse, seguindo o instrutor agora para fora do celeiro e continuando a puxar uma relutante Lislie.

– Você ainda vai me pagar por isso! – Lislie disse, num tom choroso.

Quando finalmente alcançaram os campos fora do celeiro, Alisson foi ajudada pelo instrutor para montar seu cavalo, de uma pelagem de cor marrom, com algumas poucas manchas beges. Quando Lislie foi fazer o mesmo, deu um passo para trás.

– Hey! Por que eu tenho que ficar com o maior?! – reclamou, não gostando da idéia. O cavalo que ia montar era completamente marrom e não parecia assim tão amigável.

– Não se preocupe, ele é bem calmo. – o instrutor disse, com um sorriso que ela supunha, tinha que ser reconfortante… mas o sorriso estava lhe dando vontade de bater nele e sair dali de uma vez.

– Tem certeza? – perguntou, ignorando seus pensamentos homicidas e olhando para o enorme cavalo, que não parecia ter uma expressão calma, na verdade, parecia não ter expressão nenhuma. Seria mais fácil se ele tivesse uma expressão como aqueles cavalos bonitinhos de Spirit.

– Tenho sim, venha, vou ajudá-la a montar. – o Instrutor disse, estendendo a mão para que ela se aproximasse do animal.

Ela olhou relutante para Alisson que estava interessada em acariciar a pelugem do cavalo no qual ela mesma estava montada e percebeu como o animal em que ela estava era manso, ele ainda não tinha movido a pata para nada, apenas esperando que o instrutor voltasse para ele. Alisson voltou-se para a prima ao perceber que esta a olhava fixamente.

– Vamos, priminha. Não é tão ruim quanto parece! – Alisson incentivou-a.

– Mas… mas… é altoo!! – ela choramingou, comparando o tamanho do cavalo que teria de montar ao tamanho do cavalo em que Alisson estava. Ele era bem maior. Olhou em volta e seus olhos pararam sobre um cavalo em tamanho minúsculo, não devia passar da sua altura. Ele estava ao lado de um cavalo umas duas vezes maior e estavam dentro de um cercado. – Ali! – apontou o jovem cavalo. – Eu posso montar aquele, não posso?

– Ele nasceu há algumas semanas, é só um filhote, não pode montá-lo. – o Instrutor disse, com um ar de riso ao observar o cavalo que a jovem apontava. – Não tenha tanto medo, este cavalo não vai lhe fazer mal, acredite.

– Eu não to com medo! – ela insistiu, tentando demonstrar que era uma pessoa tão corajosa quanto qualquer um, embora ainda estivesse completamente relutante em montá-lo. Arrependeu-se em seguida por ter dito.

– Então pode montar tranqüila. – o homem insistiu. – Venha.

– Pensando bem… – ela ia corrigir o dito, mas ele tinha lhe segurado a mão, e antes que ela pudesse resistir, já estava sentada em cima do lombo do cavalo.

– Pronto, não foi tão difícil assim. – o Instrutor disse, e ela precisou olhar para baixo para encarar o homem no rosto.

– C-como eu vim parar aqui?! – ela perguntou, como se tivesse feito aquilo de maneira inconsciente. – Ai meu Deus! É altooo!!! Socorro, alguém me desce daqui!!! – implorou.

– Não precisa disso tudo. – Alisson segurou o braço dela, como que para mostrar que estaria ao seu lado. – Relaxe, prima. Não vai cair daí, a não ser que se jogue.

– Aiii!!! – respirou fundo, olhando como a prima continuava calma como sempre. – Como você consegue fazer isso?! Já viu o tamanho dessa coisa?

– Eles não vão fazer mal. – o Instrutor disse, andando à frente delas, puxando ambos os cavalos pelo lado das rédeas. – Logo logo vai se acostumar e não vai mais querer parar de andar.

– Ah, vou sim… nunca mais monto nessa coisa! – Lislie insistiu, ainda relutante em olhar para baixo.

O cavalo dava lentos passos quase que programados, o corpo das duas jovens balançavam à medida que eles davam as passadas, guiados pelo instrutor. Alisson parecia ter se acostumado e estava ficando mais à vontade, ela, no entanto, queria descer dali o mais rápido possível. Seu coração quase saía pela boca quando ouviu a voz do instrutor mais uma vez.

– Bom, acho que agora vocês podem guiar sozinhas. – ele disse, parando e soltando as rédeas, mas não saindo do lugar. Alisson sorriu em aprovação, Lislie… ainda tentava encontrar a voz.

– VOCÊ ENLOUQUECEU?! – perguntou a plenos pulmões. – Você não pode soltar essa coisa, ele vai correr, eu vou levar uma queda, ele vai me pisar e eu vou ter uma fratura exposta e como ele vai ter corrido muito vocês não vão saber onde eu estou e vão demorar horas pra me achar e eu vou morrer de dor e de hemorragia.

– Você não vai morrer. – o instrutor disse, ligeiramente abismado pela súbita afirmação da mulher.

– Claro que vou! – ela insistiu. – Eu não consigo respirar… está ventilando demais aqui, quero uma sacola pra respirar, rápido, e me tire deste animal!!!

– Prima, não vai acontecer nada!!! – Alisson sorria das afirmações loucas da mais jovem.

– Vai sim! Eu sei que vai! Esse cavalo não gostou de mim desde a primeira vez que me viu! Ele está tramando, está se fazendo de bonzinho só para que você deixe a gente e então ele planeja me matar correndo até um penhasco próximo e parando de repente pra eu cair no despenhadeiro!!! E eu vou morrer com a queda por que minha cabeça vai se partir com as pedras lá embaixo! – ela choramingou, inventando cada vez mais coisas.

– Pode deixar, a gente se vira. – Alisson disse para o instrutor, ignorando as hipóteses malucas que surgiam na cabeça de Lislie.

– Tudo bem. – o instrutor saiu sem dar tempo para Lislie se recuperar do choque de ter sua própria prima conspirando contra si.

– M-mas! O que você fez?! Meu Deus, agora estamos perdidas! Nós vamos morrer!!! – Lislie choramingou em cima do cavalo, parecia ter esquecido que ainda estava ali em cima, pelo menos até olhar novamente para baixo.

– Não seja dramática, priminha… você gostou de passear. – Alisson disse, puxando as rédeas de seu cavalo para que ele desse uns pequenos passos para trás.

– Hei, o que está pensando em fazer?! – perguntou, sem ter a menor coragem de se virar para ver o que Alisson ia fazer. – Prima!!! Não me abandone!!!

– Não vou abandonar você. – Alisson disse e de repente, deu um tapa no cavalo em que Lislie estava montado, fazendo-o começar a trotar.

A jovem instintivamente se curvou para frente, quase abraçando o pescoço do cavalo para que não caísse.

– ALISSON!!! – ela choramingou, sem olhar para trás para ver a prima, o cavalo continuava no mesmo passo, trotando, e seu corpo balançava a medida que o animal dava os passos.

– Vamos lá, Lis, levante a cabeça, é bom sentir o vento no rosto. – Alisson disse e de repente já estava trotando ao lado esquerdo dela.

– NÃO QUERO!! ME TIREM DE CIMA DISSO!!! EU VOU MORRER! – insistiu, com os olhos fechados e ainda abraçada ao pescoço dele.

– Lis, se você apertar o pescoço dele, ele vai realmente ficar com raiva de você. – Alisson advertiu.

Imediatamente ela se sentou ereta, com receio de que o animal realmente ficasse com raiva dela e estivesse planejando a sua morte naquele exato momento. Segurou as rédeas firmes e engoliu em seco. Não podia ser tão difícil assim andar a cavalo, Alisson o estava fazendo tranquilamente. Mas ela não era a prima! Ela estava quase morrendo de medo ali em cima, sentindo que no próximo passo do animal, cairia.

– Juro, eu juro que alguém vai pagar caro por isso!!! – Lislie reclamou, tentando não olhar para baixo, sem saber como fazer o cavalo parar de andar naquela velocidade. Alisson sorriu ao ouvir o pensamento alto da outra e continuou a cavalgar, se afastando cada vez mais sem que ela percebesse. Se ficasse por perto o tempo todo, Lislie certamente não perderia o medo. – Vou descontar naquele instrutor de uma figa com aquele sorrisinho cínico dele, ele vai ver só, ele vai ver o que vai acontecer por ter me colocado aqui em cima! – apenas naquele momento ela se deu conta de que estava cavalgando sozinha e a cada momento se afastava mais do haras, mas se recusava terminantemente a olhar para trás e ver a que distância estava. – Alisson… cadê você?! Alisson!!! – não queria nem olhar direto para os lados para encontrar a prima, mas ela não respondeu.

Escutou vozes ao longe, mas não entendeu bem o que elas queriam dizer, na verdade, sentia que estavam se aproximando.

Volte aqui!!! – uma voz masculina aparentemente brava gritava em algum lugar atrás dela, o que a fez ficar ainda mais temerosa, o seu maldito cavalo não queria parar e nem fazia o grande favor de se virar para que ela pudesse ver o que estava acontecendo.

– Ai Meu Deus, agora eu vou morrer!!! – falava consigo mesma, sentindo as batidas do coração acelerarem.

Agora conseguia escutar o trote de algum cavalo se aproximando… mas este certamente estava correndo em sua direção. Gelou completamente quando sentiu um vulto passar ao seu lado numa velocidade incrível, por pouco não esbarrara nela, fazendo-a cair. Quase não conseguia respirar agora, quando continuou ouvindo vozes soando atrás de si.

Sam! O que diabos ‘cê tá fazendo?! Ele vai fugir desse jeito!!! – era a mesma voz de antes.

Dean, olhe pra frente!!! – a segunda voz soou mais ao longe, quase que incompreensível.

Ao som dessa última frase, ela escutou os galopes aumentarem, e de repente, escutou apenas mais um grito praticamente ao seu lado, com a mesma voz masculina inicial.

CUIDADO!

E alguma coisa esbarrou de verdade no seu lado e no cavalo que estava montada. Não gritou apenas por não conseguir encontrar a voz a tempo, apenas agarrou-se com força ao pescoço do cavalo quando ele se ergueu nas duas patas traseiras com o súbito impacto. O que quer que tivesse esbarrado nela, tinha se afastado agora, mas ela não queria abrir os olhos para ter certeza se caíra, se ainda estava em cima do animal, ou se ele ainda estava ou não sobre apenas as duas patas traseiras. Apenas tinha certeza de que o relincho que ele dera ao sentir o impacto já havia cessado.

– Ei moça, você está bem? – escutou mais uma vez uma voz masculina. Provavelmente a mesma que escutara atrás de si.

Lentamente, ela percebeu que ainda estava com os braços em volta do pescoço do cavalo, conseqüentemente teria que estar em cima dele, e felizmente, não tinha caído. Largou o pescoço do animal ainda relutante e ergueu um pouco o corpo, para que seus olhos pousassem sobre um homem alto, de cabelos castanhos curtos e um belo par de olhos verdes.

– O que aconteceu? – ela perguntou, de maneira relutante e ainda se perguntando se seria seguro sentar-se ereta no animal, deixando o medo se esvair um pouco ao ver o jovem com uma expressão aparentemente preocupada ao seu lado.

– Eu disse pra tomar cuidado… acabei esbarrando no seu cavalo. – ele disse, como se fosse uma coisa normal. – Você está bem?

– Se eu estou bem? – ela notou que o cavalo em que ele provavelmente cavalgara feito louco minutos atrás estava um pouco mais a frente. E instantaneamente foi tomada por uma raiva imensa. – VOCÊ É LOUCO POR ACASO?! TÁ QUERENDO ME MATAR?! EU PODIA TER CAÍDO, SABIA?! IA TER UMA FRATURA EXPOSTA POR CAUSA DE VOCÊ, ACHA QUE TÁ NUMA PISTA DE CORRIDA, SEU IDIOTA!!! SE EU NÃO ESTIVESSE AQUI EM CIMA VOCÊ IA VER UMA COISA!!! ME TIRA DAQUI, ME TIRAAA!!!

– Hei, calma aí… – ele sorriu sem graça, estranhando a ação da jovem que estava praticamente azul de susto.

– CALMA NADA!!! VOCÊ QUASE ME MATA E ME MANDA TER CALMA!!! SOCORRO!!! ALGUÉM ME TIRA DESSA COISA!!! EU VOU MORRER!!! – ela choramingou ainda mais alto, fazendo o outro levar as mãos até os ouvidos para abafar os gritos.

– Hei!!! Se você parar de gritar eu posso ajudar! – ele insistiu, tentando descobrir se era seguro descê-la do cavalo.

– Por Deus, me tira de cima disso!!! Eu quero sairrr!!! – pediu e mais parecia uma criança com o tom que usara.

– Calma! – ele disse, aproximando-se do cavalo e estendendo os braços para segurá-la. – Eu vou tirar você daí. O que está fazendo tão longe do Haras? Pelo visto não gosta de montar.

– Eu só quero sair de cima disso! – ela insistiu e antes que se desse conta, ele a tinha descido do animal com uma facilidade incrível.

– Já saiu, pronto. – ele falou, rindo do estado completamente histérico dela.

– Ah… finalmente. – ela respirou aliviada, e então, ergueu a cabeça para encarar os olhos verdes dele, mais uma vez sendo tomada pela raiva inicial. – Agora você vai ver uma coisa! Eu vou acabar com você!! O que pensa que está fazendo?!?! – ela começou a dar socos sucessivos no peito dele, o homem era bem mais alto que ela, recuou dois passos com a investida dela.

– Ow… já disse pra ter calma. – ele disse, recuando com a contínua investida dela. – Eu te salvei agora, não foi? Não vai acontecer de novo, garanto.

– Espero que sim. – Lislie concordou, colocando as mãos na cintura de uma maneira autoritária. – Mesmo que você não mereça… obrigada por me tirar do cavalo. – disse meio que a contragosto, parando para encarar os olhos esverdeados do rapaz.

Apenas naquele momento, mais calma, percebeu o quanto ele era bonito. Era bem alto – muito mais alto que ela –, tinha traços definidos e um físico aparentemente forte, disfarçado pela calça jeans, a camisa azul e a jaqueta surrada por cima. Bom, também precisava relatar que aquele sorriso convencido que tinha no rosto também era bem atraente. Não percebeu que ficara alguns minutos parada, apenas encarando-o, o que pareceu fazer o sorriso dele alargar-se mais. Desligou-se da imagem dele ao ouvir sua voz.

– Dean, Dean Winchester. – ele estendeu a mão para ela, ainda sorrindo-lhe.

Ela estendeu a mão para apertar a dele e parecia ter esquecido da raiva que estava do homem.

– Lis… – antes que terminasse de falar, outra voz a interrompeu, fazendo ambos virarem os rostos para o novo convidado.

– Dean! O que está fazendo?! Estamos deixando-o escapar! Pare de ficar atrás das mulheres e faça alguma coisa útil! – outro homem aparecera, montado em um cavalo negro, e não parecia nada feliz com o que estava acontecendo.

Ele tinha cabelos lisos e castanhos, mais escuros que o do tal Dean, os olhos eram de um castanho claro, não tão atraentes quanto os do homem com quem Lislie conversava no momento – ao menos na opinião dela.

– Droga. – Dean parecia ter subitamente se lembrado do que estava fazendo antes de esbarrar em Lislie. Largou a mão dela rapidamente se virando para montar o seu próprio cavalo, o outro homem já tinha voltado a cavalgar para longe. Ele virou-se para ela antes de começar a correr também. – Bom te conhecer, Lis… até outro dia. E cuidado quando montar de novo, não vou estar por perto toda vez.

– Não quero morrer com você por perto! – ela replicou, ficando irritada com a atitude dele, como se tivesse sido seu herói e não o cara que quase lhe matara.

Ele apenas sorriu de maneira convencida e bateu com os calcanhares no cavalo, fazendo-o disparar a toda velocidade na direção que o outro homem tinha ido. Ela ficou ligeiramente irritada pela aparente arrogância do sorriso dele, mas a irritação logo foi embora, afinal… tinha que admitir que o passeio até que tivera seu lado bom, muito bom por sinal. O lado bom tinha cabelos castanhos, olhos verdes e…

– Lis?! – uma voz conhecida chamou-a e ela interrompeu o pensamento para virar-se e encarar a nova pessoa. – O que aconteceu aqui? Como desceu?

– Está querendo dizer que não posso descer do cavalo sozinha? – ela perguntou, irritada com a idéia.

– Não foi bem isso que quis dizer… mas você parecia com tanto medo que achei que fosse impossível descer sozinha do cavalo. – Alisson disse em resposta.

– E você me deixou sozinha! – Lislie retrucou. – Que tipo de prima é você que abandona sua família querida ao relento, me jogando aos urubus e à morte sozinha nesse cavalo?!

– Vamos, não fique tão zangada, achei que fosse se acostumar com o cavalo, e ainda desceu sozinha dele! – Alisson disse em resposta, sorrindo e com a mesma calma de sempre.

– Eu não desci sozinha. – ela disse de uma maneira quase que automática ao lembrar-se do homem que a ajudara, e apenas depois parou para perceber que tinha mesmo falado aquilo para Alisson.

– Não? E quem a ajudou? – ela perguntou, curiosa e curvando-se sobre o lombo do próprio cavalo para apoiar-se no pescoço dele.

– Ah, vamos deixar isso pra lá, eu preciso voltar pra casa, tá tarde, e nunca mais subo nessa coisa de novo, entendeu?! – disse, de maneira decidida.

– Tá, tudo bem. – ela concordou, sorrindo da irritação da mais nova. – Vamos voltar para o celeiro, já deve estar mesmo na hora do tio vir nos buscar.

– E você ainda me deve um sorvete. – Lislie disse, cruzando os braços diante do corpo de maneira irritada.

– E você… – Alisson desceu do cavalo para puxá-lo pelas rédeas assim como o preto, já que sabia que a prima não voltaria a montar nem sob tortura. – Me deve a pessoa que a ajudou a descer do cavalo. O que está escondendo, priminha?

– Não estou escondendo nada oras. – Lislie respondeu, tentando se livrar da pergunta. – Ninguém me ajudou a descer.

– Era um homem bonito? – Alisson perguntou, percebendo a distração da prima acerca das próprias palavras.

– Era. – ela respondeu, fazendo Alisson começar a rir e ela se dar conta do que tinha acabado de falar. – Hei! Você me enganou!!! – disse, fazendo birra.

– Claro que não, você que estava distraída. – Alisson disse, ainda sorrindo. – Agora, vamos nos apressar, se ainda quiser tomar sorvete antes do tio chegar.

– Tá.

Durante o caminho, o assunto sobre quem teria ajudado Lislie a descer do cavalo foi parcialmente esquecido, mas ela tinha a ligeira impressão de que mais cedo ou mais tarde acabaria contando a história completa para a prima. Afinal, o que tinha de errado em contar o que tinha acontecido? Não tinha nada demais, simplesmente um cara quase a matara por ter esbarrado em seu cavalo, ela teve um habitual ataque histérico com a presunção dele e mesmo assim não pôde deixar de notar como ele era bonito com aqueles olhos atraentes e o sorriso convencido. Dean Winchester, era o nome que ele tinha lhe dito, e ela nem tivera tempo de se apresentar direito, ele a chamara só de Lis… se bem que não tinha nada contra o apelido. Mas quem tinha sido aquele outro que aparecera depois, interrompendo a maldita apresentação? E ele não tinha sido nem um pouco educado, parecia nem ter notado-a. Pensando bem… aquele homem chegara reclamando com Dean, lhe dizendo que tinham deixado alguém escapar… o que será que eram? Policiais atrás de algum fugitivo? Não… eles não tinham cara de policiais nem estavam vestidos como tal, e tinham cara de serem completamente irresponsáveis, principalmente o tal do Dean que esquecera completamente o que estava fazendo por estar conversando com ela. Não que aquilo não fosse uma coisa boa, mas… acabara de lembrar-se do vulto que passara primeiro por ela, nem tinha prestado muita atenção em quem era, se estava noutro cavalo ou não, com que roupa estava ou a cara que tinha, tão concentrada estava em manter-se firme no seu cavalo, mas devia ser aquele que eles estavam seguindo. Bom, o que quer que fosse, continuar pensando naquilo não a levaria a lugar nenhum… a não ser que seu pensamento pudesse atraí-los de volta para que explicassem.

Ignorou os pensamentos e entrou no carro de seu pai, com um sorvete de creme na mão, conversando vagamente com Alisson. Não demorou até que chegassem em casa. Ela praguejou ao perceber aquilo, se estavam em casa significava que precisaria fazer os trabalhos da faculdade, pesquisas, relatórios e derivados.

Precisou se despedir de Alisson quando ela disse que já estava voltando pra casa, ainda assim, prometeu que voltaria no dia seguinte para que saíssem, dessa vez, iriam simplesmente à Igreja, nada de cavalos, nada de quase morte, nada que pudesse colocar suas vidas em jogo. Uma coisa realmente relaxante na opinião de Lislie.

O resto da tarde e o começo da noite, ficou simplesmente começando algumas pesquisas e trabalhos enquanto conversava com alguns amigos na internet, o que a deixava ainda mais lenta para concluir a pesquisa.

Resultado de tudo, é que ela apenas acordou na hora do almoço no domingo daquela semana, e apenas por que Alisson chegara fazendo bagunça em sua casa. As duas conversaram muito durante a tarde, e não demorou muito até que precisassem sair para ir à Igreja. Era uma coisa que realmente as animava e relaxava ao mesmo tempo, passar algumas horas fora de casa… e com companhia boa, tudo se tornava ainda melhor.

Falando em boa companhia, Lislie continuava a lembrar do episódio do Haras no dia anterior. Não sabia porque exatamente, mas tinha gostado daquela companhia, mesmo que por alguns segundos. Ele parecia um cara legal, e bonito, obviamente, exceto pelo fato de praticamente tê-la derrubado do cavalo, o que não ajudava a melhorar a imagem dele diante dela.

– Prima… Lis… ACORDA, MULHER! – uma conhecida voz praticamente gritou bem ao seu lado, fazendo-a se sobressaltar.

– Ai, o que foi, Alisson? – ela perguntou, passando a mão sobre o ouvido, ainda assustada com o grito. – Não precisa gritar desse jeito!

– Como não precisa, você tava voando aí! – Alisson implicou, as duas continuavam a andar no meio da rua, na direção da casa de Lislie. – Tava pensando em quem?

– Em… ninguém, oras! Eu só tava lembrando que não consegui terminar os relatórios ontem, vou precisar ficar a noite toda no computador pra terminar. – Lislie implicou, cruzando os braços de maneira infantil.

– Sei, sei… – Alisson disse, voltando a olhar pra frente e continuando a andar no mesmo passo. – Bom, então vamos andar mais rápido pra chegar logo em casa.

– Tá bom… – Lislie concordou, agora prestando mais atenção na estrada a sua frente do que nos pensamentos avulsos em sua cabeça, mas de repente… conhecidas vozes soaram atrás de si… e como da última vez, vinham se aproximando gradativamente.

Só você mesmo pra me obrigar a fazer isso! Eu ainda não acredito!!!

Pára de reclamar, nós conseguimos a droga da água, não foi?!

Aqueles coroinhas estavam atrás da gente!!! E corra olhando pra FRENTE!!!

Foi apenas nessa hora que tanto Lislie quanto Alisson se viraram para ver o que exatamente estava acontecendo, e – por um grande infortúnio –, um homem esbarrou em Lislie, derramando o que parecia ser água em toda sua roupa, quase derrubando-a, se ela não tivesse dado alguns passos para trás com o impacto.

– Você está ficando louco?! – Lislie reclamou, vendo o estado que estava a sua roupa agora.

– Eu… não… acredito! – ele reclamou, batendo com a mão na testa. – Por que você tinha que estar na minha frente?!

– Eu?! Foi você que… – Lislie finalmente ergueu a cabeça para encará-lo e observou mais uma vez aqueles bonitos olhos verdes do dia anterior. – Ei! É você…!

– Não, imagina… meu espírito. – ele debochou, olhando mais para o vidrinho que estava agora vazio em suas mãos. Nem tinha prestado atenção na garota que estava na sua frente.

– Ah, não… tudo estragado de novo. – o outro homem, o mesmo do dia anterior, apareceu atrás de Dean, reclamando de maneira pesarosa.

– Hei! A culpa nem foi minha! – Dean reclamou de volta, irritado. – Agora vamos ter que voltar pra pegar mais!

– Ah, mas você não vai me fazer ir buscar aquela água de novo nem morto! – o outro respondeu.

– Você também devia ajudar, não é? – Dean reclamou, empurrando-o de leve pelo ombro. – Por que não pegou também? Ficaria de reserva!

– Eu não precisaria pegar nada se você não fosse tão descuidado! – o outro socou Dean de volta.

– Eu não sou descuidado! Foi um acidente, oras! – Dean reclamou mais uma vez, devolvendo o golpe do mais novo.

– E que belo acidente! Olhe pra frente quando estiver andando, não pode ser tão difícil assim! – o outro devolveu o golpe e eles estavam praticamente montando um ringue de luta ali, bem diante de Lislie e Alisson que ainda estavam tentando entender a situação.

– Mas ela estava na minha frente! – ele apontou para Lislie, bem atrás de si, sem se dar ao trabalho de virar. – O que queria que eu fizesse?!

– Seria bom se pedisse desculpas! – dessa vez Lislie se irritou, chamando a atenção dos dois que estavam brigando sobre si.

– Ei… você é a garota de ontem. – Dean constatou aquele detalhe finalmente, apontando de maneira inconsciente para ela.

– Não, imagina… meu espírito. – ela tirou sarro com ele, fazendo-o rir meio desconcertado. – Viu o que fez com a minha roupa?!

– Ah, não foi nada demais… já já seca. – ele disse vagamente. – Mas acabou toda a minha água, droga.

– E agora o que a gente faz? – o outro homem perguntou e ainda parecia irritado.

– Não sei… – Dean respondeu, ignorando Lislie mais uma vez. Deu de ombros. – Vamos morar na Igreja?

– Ai meu Deus. – ele suspirou pesadamente, irritado com o descaso do mais velho. – Você realmente não pode ser meu irmão.

– Pare de fazer drama e dar uma de esperto. A gente vai dar um jeito, eu sempre dou um jeito. – Dean falou agora num tom mais sério.

– Ah… então vocês são irmãos… – Lislie constatou, observando a cor dos olhos deles, esquecendo por um segundo da roupa molhada.

– Ahn? – Dean voltou a atenção para ela mais uma vez, lembrando-se de que a jovem estava lá. – Ah, é, esse idiota aqui é meu irmãozinho mais novo, o Sammy.

– SAM. – o outro fez questão de corrigir.

– Ah, que bom. – Lislie sorriu docemente. – E qual dos dois vai pagar a camisa nova?

– Mas eu já disse que foi só água! – Dean insistiu. – Isso não vai estragar a sua roupa!

– E quem me garante que era só água? – Lislie perguntou de maneira desconfiada.

– Por que eu ia mentir? – Dean perguntou. – E por que mulheres têm que fazer tanto drama por causa de uma roupa?

– Isso quer dizer que você vai pagar a nova? – Lislie perguntou.

– Não. – Dean disse. – Se quiser, te empresto a minha.

– Não aceite. – Sam advertiu. – Ele não deve lavar há umas duas semanas.

– Não se meta na conversa! – Dean implicou, socando o braço do outro de leve.

– Lis, nós realmente precisamos voltar pra casa agora. – Alisson finalmente se pronunciou depois de todo aquele tempo apenas observando a discussão. – Está ficando tarde.

– Ih, é mesmo. – Lislie disse, constatando no relógio a hora. – Vamos indo.

– Até outra hora. – Dean acenou brevemente.

– Ainda quero minha camisa nova! – Lislie disse, virando-se para sair do lugar, seguida por sua prima.

– Precisamos ir também. – Sam disse, virando-se para andar para o outro lado. – Você já estragou tudo mesmo.

– Eu não estraguei nada, oras! – Dean implicou de volta, seguindo o irmão e colocando o pequeno frasco de vidro no bolso. – A gente se vira com o que tem, como sempre.

– Claro. – Sam disse de maneira descrente. – Como tudo sempre dá errado.

– E eu sempre tenho que salvar sua pele, então não reclame… – Dean respondeu à altura.

Aquela foi a última frase que Lislie conseguiu ouvir claramente antes que eles saíssem do raio de sua audição.

– Então, era esse o cara em quem você estava pensando antes! – Alisson comentou assim que elas estavam longe o suficiente do raio auditivo.

– Eu não estava pensando em cara nenhum! – Lislie replicou de maneira infantil. – Já disse que estava pensando nos assuntos da faculdade.

– Tá, estava. – Alisson respondeu, sorrindo para a prima. – Ele tem olhos bonitos.

– Sim. – Lislie concordou de maneira quase que inconsciente. – Hey! Olha as coisas que me faz dizer!

– Ué, não deixa de ser verdade! – Alisson respondeu, enérgica e ao mesmo tempo calma. – Bom, então foi o cara que chamou sua atenção ontem no haras, não é?

– Ele não chamou minha atenção, ele quase me derrubou do cavalo! – Lislie replicou.

– Bom, não deixa de ser um modo de chamar a atenção. – Alisson respondeu, calma e sorridente como sempre.

– Pare de falar dele, vamos logo voltar pra casa, tenho um monte de coisa pra fazer. – ela disse, parecendo irritada com a insistência da amiga.

– Claro que tem, claro. – Alisson concordou vagamente, olhando para o caminho bem a sua frente.

Elas continuaram a andar pelas ruas na direção da casa da mais nova. Quando viraram numa das esquinas, Alisson ainda teve a maior certeza do mundo de que Lislie lançara um discreto olhar pelo caminho por onde os dois jovens rapazes misteriosos tinham desaparecido, mas contentou-se em ficar calada e não atormentar a prima desta vez.

Depois de se livrarem da presença dos irmãos, não demorou até chegarem em casa. Alisson não se demorou muito além do jantar, logo estava voltando para sua própria casa para arrumar as coisas que precisaria para a faculdade no dia seguinte, assim como Lislie.

Mais uma vez a jovem estava diante do computador, terminando alguns poucos trabalhos enquanto dava mais atenção aos amigos com quem conversava na internet. Claro, era sempre a mesma coisa, embora na maioria delas conseguisse terminar os trabalhos. No momento, quem entrasse em seu quarto, veria na tela do computador não os relatórios e trabalhos, mas sim uma janela de um popular programa de bate-papo.

Ainda assim a jovem se levantava constantemente para arrumar roupas, livros, cama, tudo teria que estar nos perfeitos conformes tanto para ela dormir quanto para ela sair na manhã seguinte. Além de, claro, levantar-se de cinco em cinco minutos para colocar sempre uma nova peça de roupa, reclamando estar com muito frio.

Quando ela finalmente foi para a cama – já estava praticamente dormindo sobre o teclado –, já passava da meia-noite, e teria que acordar cedo na manhã seguinte, para chegar igualmente cedo na faculdade e resolver os últimos detalhes de uma apresentação com seu grupo de amigos. Apresentações… odiava apresentações! Por que diabos tinha que falar na frente de toda uma classe? Tá que ela tava estudando pra ser advogada e juíza futuramente, mas ainda assim, não gostava de apresentações na frente de muita gente, sempre ficava nervosa e só faltava dar um surto.

No dia seguinte, era quase sete da manhã quando chegou à faculdade. As aulas só começavam de 8h30min, então ainda tinha tempo suficiente. Encontrou alguns amigos do seu grupo de trabalho, já reunidos na biblioteca de Direito.

– Bom diaaaaa!!! – cumprimentou na sua animação matinal, sorrindo largamente.

– Bom dia, Lis! – uma das garotas do grupo cumprimentou-a de volta, com beijos, assim como os outros presentes no local. – Bom, já começamos a arrumar tudo antes de você chegar, mas ainda faltam a Danny e o Alex.

– Aqui… – ela tirou algumas pesquisas e anotações e mostrou aos amigos. – Eu consegui terminar isso ontem…

– Ei, o que essa menina tá fazendo aqui? – um novo garoto apareceu, indicando Lislie de uma maneira quase que acusadora. – Desde quando pessoas do jardim de infância vêm pro bloco de Direito?

– Desde quando tem inteligência suficiente pra isso? – ela retrucou na mesma moeda.

Os outros riram e começaram a conversar sobre o trabalho, quando o jovem se sentou à mesa junto com eles e minutos depois a última garota do grupo apareceu para que terminassem os últimos ajustes.

Quando já era perto de 8h30min, eles arrumaram todo o material e saíram em grupo da biblioteca, como sempre, conversando e brincando uns com os outros – talvez seja irrelevante ressaltar que o alvo de maior parte das brincadeiras era Lislie. Quando saíram da biblioteca e já seguiam para o prédio, os olhos da menor pararam sobre uma pessoa conhecida que estava seguindo para o bloco de Direito também, mas ela ainda estava perto do estacionamento.

– Eu alcanço vocês depois! – Lislie disse, já seguindo na direção da prima, enquanto o seu grupo de trabalhos continuava andando até a sala de aula.

– Bom dia, priminha! – Alisson cumprimentou-a quando ela chegou perto o suficiente, e quando percebeu sua presença.

– Oiiii!!! – Lislie respondeu animada, beijando a prima como cumprimento. – Você chegou em cima da hora hoje.

– É, mas não me atrasei. – Alisson respondeu, começando a andar lado a lado com Lislie para dentro do prédio. – Pelo visto você veio bem cedo.

– Sim, vim terminar um trabalho com o meu grupo. – ela disse, sorridente.

– Pelo visto ficou pensando em outras coisas ontem. – Alisson disse, continuando com um sorriso largo no rosto.

– Sim, eu est… – ela começou a responder, mas subitamente se virou para ela, percebendo a resposta que estava prestes a dar. – Ei! Eu não estava pensando em nada!

– Não, claro, só estava na internet quando deveria fazer os relatórios. – Alisson disse vagamente. – Achou que eu estivesse me referindo a alguma outra coisa?

– Cl-claro que não! Não tem outras coisas. – Lislie respondeu, olhando para frente e começando a caminhar de maneira decidida. – Que outras coisas teriam?

– Os caras de ontem. – Alisson disse, olhando para o lado, mas Lislie não tinha percebido aquele detalhe, já que estava olhando fixo para o caminho à sua frente.

– Por que eu pensaria nos caras de ontem?! Eles estragaram a minha blusa e um deles quase me mat… – antes que ela terminasse a frase, Alisson a cortou.

– Não estou falando disso, olhe. – ela disse, indicando um lugar bem atrás de Lislie, para o qual olhava.

Lislie virou-se lentamente para observar o mesmo ponto que a prima e seus olhos caíram sobre dois homens que pareciam discutir. Estavam num bate-bate engraçado… igual no outro dia, quando os encontraram no meio da rua. Um deles golpeava e em seguida recebia o golpe. Pareciam duas crianças crescidas demais daquele jeito.

– O que eles fazem aqui? – Lislie questionou, pousando os olhos sobre as figuras conhecidas.

– Eu não faço idéia, prima. – Alisson respondeu, dando de ombros.

– É algum tipo de praga que eles me persigam? – Lislie perguntou, sem tirar os olhos dos irmãos.

– Bom… se é algum tipo de praga, eu não sei, mas você está gostando de revê-los não? – Alisson disse, sorridente.

– Claro que não! – Lislie disse, virando-se mais uma vez para começar a andar para a sua sala de aula. – Sempre que eles estão por perto acontece algo de ruim comigo, não queria rever ninguém.

– Sim, claro… imagino. – Alisson respondeu, seguindo com ela para dentro do prédio, a aula já estava prestes a começar e as duas ainda não tinham chegado às suas devidas salas.

Separaram-se no meio do caminho, seguindo por diferentes corredores, e logo ambas alcançaram as salas de aula. Para a sorte de Lislie, o professor ainda não havia chegado e isso era uma vantagem. Sentou-se no lugar que seus amigos haviam guardado previamente e entrou na conversa com eles enquanto ainda não havia sinal de professores.

Não demorou nem cinco minutos de conversa para seu professor de Direito Penal entrasse na sala, fazendo todo o barulho cessar. Os alunos sentaram-se em suas devidas carteiras e silenciaram, esperando pelo início da aula. A explicação começou a se decorrer como o habitual, apenas o professor com a palavra, enquanto ainda não surgiam as perguntas e discussões. Mais ou menos dez minutos de aula apenas e esta mesma foi interrompida, por leves batidas na porta. O professor parou a explicação e seguiu até a porta da sala, abrindo-a para falar com alguém que estava escondido pela parede… alguns alunos curiosos se esticaram para poder descobrir quem estava lá e se era alguém que lhes valesse o interesse.

Nem dois minutos de conversa e o professor voltou para dentro da sala de aula, mas não fechou a porta, na verdade, deu espaço para que uma nova pessoa entrasse… uma pessoa que certamente prendeu a atenção de Lislie.

– Pode sentar-se em alguma das cadeiras vagas do fundo. – o professor dirigiu a palavra para o novo convidado.

Ele meneou a cabeça positivamente e começou a andar até o fundo da sala, sendo seguido pelo olhar de todos os alunos, principalmente das garotas.

Sam? – Lislie indagou consigo mesma… será que estava vendo bem mesmo? Era aquele garoto irmão do tal Dean que vira no dia anterior?

A atenção de todos foi chamada pelo professor mais uma vez, que pigarreou alto.

– Bom… antes de voltar ao assunto principal da nossa aula… – o professor começou a falar. – A partir de hoje, percebam que teremos um novo aluno conosco, ele acaba de ser transferido… este é Samuel Winchester.

Os murmúrios começaram a rodar a sala diante da tardia apresentação do professor. A única pessoa que não estava comentando nada, Lislie, estava um tanto quanto deslocada pra associar a informação. Será que ouvira tudo certo? O seu professor de Direito Penal tinha acabado de apresentar aquele irmão maluco como um novo aluno do curso de Direito?

– Chega de conversas… terão tempo suficiente para isso mais tarde. Agora… continuando de onde paramos… – ele continuou a explicação, e apenas depois de lançar um olhar para as cadeiras mais afastadas da sua, ao fundo, foi que Lislie realmente se deu conta de que o professor estava falando sério, de que aquele cara ia mesmo estudar com ela.

Aluno novo?! – comentou consigo mesmo. – Só podem estar tirando com a minha cara.

Final do Capítulo Um

Olá pessoas!!!

Bom, apareci de novo, dessa vez com um fic de Supernatural!!! Até eu me assustei, pois é. Mas já faz tempo que escrevo esse fic e eu gostei muito do enredo dele, comecei escrevendo de presente para a Lis, e então, ela me deixou postar depois de muitos séculos. XDD

Bom, espero que gostem tanto quanto eu e a Lis gostamos dele. Comentários são bem-vindos, críticas ainda mais… já que não conheço tão bem ainda a personalidade dos irmãos Winchester, farei o máximo pra melhorar nas descrições.

Acho que é só.

Até o próximo capítulo!

P.S.: Bom… estou repostando esse capítulo aqui depois de uma review que recebi da Patrícia Rodrigues. Ela comentou que a personalidade do Sam estava agressiva, e realmente estava… faz tanto tempo que eu escrevi o capítulo e talz, e agora eu conheço um pouco mais deles. Então, eu consertei essa parte da personalidade dele, okay? Quanto ao fato da fic não estar centralizada nos irmãos, bom, eles vão aparecer mais no decorrer da história e dependeu muito do enredo do fic, até porque como eu não os conhecia muito bem, preferi começar por outra vertente, pra não acabar com a vida dos dois. Mas o ponto principal de eles não estarem como os principais é esse mesmo, sobre o enredo do fic. Muito obrigada pelo aviso, Patrícia. :D

E mais uma coisa que eu ia esquecendo… o fic não segue a série onde ela está agora, já na quarta temporada, eu suponho que essa história aqui se enquadra entre os capítulos ainda da primeira temporada, no máximo da segunda – e olhe lá.

Acho que era só isso pra acrescentar.



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