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Amigo-desafio I
De Tenie F. Shiro
N/A: Fic-Presente de Natal para Akio, Mary, Isa e Tharys.
Pra quem não queria começar o ano com pendências, eu estou cheia de coisas!
Bem, capítulo-presente de aniversario pro Akio-nii!
E, só pra terminar (ninguém vai ler essa fic mesmo), estou sentindo uma falta tremendamente grande de vocês (vocês = presenteados)! T-T
Ressaltando que esta fic não tem fins lucrativos e que Tsubasa e cia. São de autoria do grupo CLAMP. ‘-‘ V
Obrigada por ler e aguardo comentários!^.~
Abraços! (05/01/08)
Y-Y-Y-Y-Y-Y-Y-Y-Y-Y-Y
Capítulo 5 – O presente do Akio
15 de Dezembro de 2008 – Apartamento dos irmãos Shiro – 13h 10 min.
Tenie estava sentada à mesa circular da cozinha, com a lista telefônica entre os cotovelos apoiados sobre a mesa, a cabeça sustentada em uma das mãos. Em frente à lista, estava um pequeno caderno fechado, com um papelzinho retangular sobre ele, onde havia escrito: “Akio – Chapéu do Mago Clow”.
Tenie procurava por algo, na verdade, alguém. Continuou a passar as páginas amareladas, velozmente, provavelmente não estava lendo. De repente, ela pára e começa a olhar com atenção todas as linhas.
Em dado momento, um sorriso vitorioso forma-se em seus lábios. Ainda com o indicador sobre o papel, puxou uma caneta do bolso da jaqueta, grifando as seguintes palavras:
“Eriol Hiiragizawa.
Rua XXXXX, nº. YY
Tóquio -
Tel.: 5996 – 3899 (N/A: É uma parte do nome do Eriol (Eriol Hii) em números).”
Colocando a caneta no meio das páginas, ela repassou o número e foi até a sala, correndo para a sala de estar pequena e aconchegante. Pegou o fone e apertou as teclas rapidamente.
Chamou, chamou e chamou – enquanto isso, Tenie sentia que ia ter um treco – sendo atendido muitos toques depois:
-Você tem que parar de me fazer de capacho, seu moleque folgado! – grunhiu uma voz estridente do outro lado, um tanto longe do bocal.
-Olha o respeito, Nakuru! Eu te criei, seu mal-criado! – alguem respondeu, de longe.
-Seu? Eu sou uma garota!
-Só na sua cabeça oca...
-Como é?
-Alô? – Tenie estava assustada com aquilo.
-Ah, desculpe. Quem está falando?
-Aí é da residência do Sr. Hiiragizawa Eriol? Sou Tenie F. Shiro.
-Sr. Hiiragizawa... – a mulher do outro lado riu alto e de maneira escandalosa. – Ouviu essa, pivete? – ela voltou a falar, depois de ter recebido uma resposta que Tenie não ouviu – Sim, aqui mesmo. Gostaria de falar com ele?
-Sim, por favor.
-Só um minuto. – ela se afastou, gritando – Ô ! Pára de ficar jogando essa droga desse vídeo game e vem atender o telefone!
-Calma! Já vou, já vou.
Tenie aguardou, até ouvir uma voz masculina do outro lado da linha:
-Alô?
-Sr. Hiiragizawa? Sou Tenie F. Shiro e gostaria de falar-lhe por uns minutos.
-Srta. Shiro, pode chamar-me somente de Eriol. O que deseja? – sua voz era calma e muito doce.
-Bem, é que... Bem... O senhor deve conhecer uma pessoa muito próxima a mim.
-Quem? – Eriol estranhou, não conhecia nenhum Shiro, muito menos com F no meio.
Ela disse o nome. O rapaz arregalou os orbes azuis:
-Ah, sim. Ela. Se ela quer alguma coisa, mande-a ligar!
-Não, não é com ela. Eu quero o seu chapéu de mago Clow.
-Como é?
-Estou disposta a pagar o preço que impor. – desde que fosse a prazo, pensou. (N/A: ô pobreza! xD)
-Hm... Não gostaria de vir aqui para conversarmos melhor?
-Ah... – ela parou, hesitante. – Tudo bem, eu acho. A que horas devo estar aí? Eu moro longe.
-Que horas a senhorita acha que estaria adequado?
-Acho que lá pelas três e meia, quatro horas. Tudo bem para o senhor?
-Claro! E, por favor, não me chame de senhor. Somente de Eriol.
-Tudo bem, Eriol.
-Posso te aguardar?
-Sim. Estarei aí.
-Nos vemos, então.
-Claro.
Ele desligou o telefone, deixando uma pasma Tenie do outro lado.
“Ele tava me cantando, por acaso?” – pensou, ainda sem reação.
A garota jogou-se no sofá, suspirando. De repente, vozes vindas da cozinha fazem Tenie pular e correr até o cômodo.
Lá chegando, ela encontra dois rapazes muito lindos, um sentado em uma das quatro cadeiras em volta de mesa circular e o outro estava de frente para a pia, olhando a janela que ficava acima dela.
Quem estava falando era o rapaz que estava de costas para a porta, que continuou a falar, compenetrado:
-... ela não pode descobrir, não quero envolve-la nisso. Se ele descobrir que Tenie...
-Ele quem, Kamui? – Tenie estava parada, perto da mesa.
-Tenie... – murmurou, voltando-se, rapidamente.
-E aí, Ten-chan! – o outro acenou para ela, tentando distraí-la.
-Oi, Subaru-chan. – ela não tirou os olhos do outro. – Do que vocês falavam? Como entraram aqui?
-Ah, Tenie... Eu... Nós...
-Ele sentiu muito a sua falta! Não parava de falar de você o tempo todo! – Subaru estava a seu lado, num piscar de olhos, estava a seu lado, uma das mãos em seu ombro.
-Eu também senti falta dele. – disse, inexpressiva – Eu não consigo entender. Toda vez que você volta, volta cheio de mistérios e nunca me explica nada.
-Pelo que eu ouvi, você precisa estar nesse endereço mais tarde. – Subaru pôs o dedo sobre as informações sublinhadas na lista.
-Sim.
-Tem que sair logo, senão não vai chegar no horário. – Subaru deu um sorrisinho. – Se quiser, eu e o Ka-chan acompanhamos você até uma parte do caminho, temos alguns assuntos a tratar.
-Eu aceito. Subaru, poderia nos deixar a sós?
-Claro. Eu tô lá na sala, ok?
-Tá. – responderam os dois, ao mesmo tempo.
Tenie encostou a porta, enquanto Kamui sentava-se na cadeira onde estava Subaru:
-Senti sua falta. – começou ele.
-Eu também senti saudade. Você pretende me esconder a verdade, de novo?
-Tenie, por favor...
-Eu que lhe peço por favor. Eu sei que você se mete com coisas perigosas, mas pretende me esconder tudo até quando? Quando alguém que amamos se machucar?
-Sabe que as únicas pessoas que aprecio são você e Subaru.
-Eu sei. Mas, existem outras pessoas que se preocupam conosco e que podem se ferir, como a tia.
-Ela sabe se proteger. Mas, você...
-Eu não sei muito bem. E por isso mesmo você deveria me dizer!
-Se você souber, vai acabar se envolvendo. Se você souber sobre ele... Ele vai saber sobre você também!
-Quem te garante que ele já não sabe.
-Você não tem tempo para ficar perdendo comigo. Coma alguma coisa, eu vou levá-la até metade do caminho, ok?
-Tá – ela se moveu até o armário. – Kami-nii, quando eu voltar, você já vai ter ido embora?
-Por quê? – havia uma leve surpresa em sua voz, fazia muito tempo que ele não ouvia aquela pergunta.
-Por nada, só que é meio triste ficar sozinha aqui... Sempre.
-Sabe de uma coisa? – e, num piscar de olhos, ele estava ao lado de Tenie – Acho que posso ficar aqui mais que normalmente.
-Sério? – seus olhos brilharam.
-É. Se o...
-Seu namorado concordar. – alfinetou, com uma ponta de ciúmes na voz.
-O Subaru... Não... É... Meu... – Kamui estava um tanto corado e sem graça.
-Qual é, Kami-nii! Eu posso não saber de muita coisa, mas disso eu sei.
-hm... Sobre aquilo de mais cedo... Te conto tudo quando você voltar, ok?
-Ok. – ela esboçou um sorriso.
Tudo correu bem, até que Subaru e Kamui tiveram que se separar de Tenie. Kamui explicou como ela chegava à rua de uma forma segura, enquanto Subaru lhe explicou como cortar caminho para chegar lá.
Após as despedidas, Tenie correu até o fim da avenida, virando a esquina. Assim que ela sumiu, Subaru virou-se para o rapaz de olhos violeta, dizendo:
-Sobre o que sua irmã disse hoje, ela tem razão. Nossos recursos para protegê-la são poucos, já que sabemos que ela não quer ser protegida como uma criança.
-Ela ainda é uma criança. – Kamui continuou a olhar o final da avenida.
-Ou você conta a ela o que está acontecendo, ou a levamos conosco. Também podíamos deixá-la com... Bem, você sabe. – sua expressão deixou de ser tensa – É melhor não dizer o nome, senão ela aparece. Aquela lá é pior que a D. Alvara!
-Dona quem? Dona Alvará?
-Deixa pra lá, você não tem um pingo de bom humor, hein? – resmungou Subaru.
-Vamos logo.
...
Tenie olhou o relógio, eram três e quarenta e cinco. Se continuasse indo pelo caminho que o irmão indicou, iria se atrasar. Lembrou-se das palavras de Subaru:
“-Se você for por esse atalho, vai poupar os 20 minutos que você gastaria se for pelo caminho convencional! Mas é perigoso, então use-o somente se for necessário.”
Entrou na ruazinha quase perdida entre os grandes prédios, receosa. Não tinha tempo a perder. Assim que virou a esquerda, viu dois homens, um deles estava extremamente mal humorado, enquanto o outro parecia pensativo. Mesmo assim achou melhor ficar a certa distância.
Ela se aproxima um pouco, fitando o loiro. Ele era tão familiar.
De repente, o loiro vira seu rosto, encarando-a, sorridente. Ela sorri, tímida e corada.
De repente, o outro dispara, ríspido, como se achasse que não poderiam entendê-lo:
-Agora, como se não bastasse, ele deu de paquerar pirralhas!
O loiro parou, olhando-o abismado. De repente, a garota dispara:
-Vocês estão juntos?
O moreno virou-se com tudo, pronto para matar quem tinha dito aquilo. O outro interveio bem humorado como sempre:
-Não da maneira que a senhorita imagina. Além do que, ele não faz o meu tipo. – brincou, piscando para a menina, que riu.
“Eu sempre soube.” – pensou o ninja, não entendendo se era uma ironia ou verdade, já que ele sempre tinha aquele jeito de...
-Acho que ele não faz o tipo de ninguém.
-Cala a boca, seu retardado!
O barulho de vozes se aproximando faz com que a garota recomece a andar:
-É melhor vocês irem embora. Aqui é perigoso.
-Se é tão perigoso assim, o que uma pirralha como você faz aqui? – rebateu Kurogane, asperamente.
-Eu estou cortando caminho. Eu sei que é arriscado, mas eu preciso chegar logo ao meu destino.
-E, além de tudo, está falando com a gente, que você não conhece. – tornou o ninja.
-Não contem com isso. Não acho que dois viajantes que nem deveriam se entender a essa altura poderiam fazer alguma coisa. Sem dizer que, vocês não me parecem más pessoas.
-Opa! “Perae”! O que você disse?
-Parece que você sabe bastante. – sorriu Fay.
E, novamente, os três estavam distraídos, parados no meio da viela perigosa. E as vozes estavam cada vez mais perto.
De repente, um grupo aparece no começo da passagem. Tenie arregala os orbes escuros, murmurando, sentindo o ar sumir dos pulmões:
-Corram... – ela virou-se, as pernas trêmulas.
-Calminha aí, garota. – aquela voz não era nem do loiro nem do moreno, e não era nada amigável.
Ela parou abruptamente, as coisas ao redor giravam:
-“Dexa” eu adivinhar, vocês – ele apontou para Kurogane e Fay – são um casal gay e essa aí – ele olhou sugestivamente para Tenie – é a filhinha de vocês.
-Infelizmente, o senhor é péssimo pra adivinhações. – riu Fay, despreocupadamente.
-Os únicos viados aqui são vocês, seus retardados! – Kurogane não estava para brincadeira (N/A: Acho que ele gosta dessa palavra, “retardado”).
-“Cumué”? Seu...
O ninja não deixou que ele terminasse a frase, acertando seu rosto com a mão fechada. Os outros puxaram facas e canivetes, deixando Tenie em pânico, mais ainda:
“Vamos !” – pensou, tonta.
Suas pernas não se mexiam e ela assistiu, atônita, os dois acabarem com uma gangue com cerca de 10 pessoas.
Ao final, Fay fitou-a, com o costumeiro sorriso:
-Tudo bem com a senhorita?
-Acho que sim. Obrigada.
-Não a de que. Bem, poderíamos acompanha-la ata seu destino?
-Como é? – Kurogane não gostou da idéia.
-Acho que tudo bem.
-É que estamos perdidos, talvez encontremos nossos companheiros se formos com a senhorita.
-Não precisa me chamar de senhorita, senhor. – ela riu.
-Vamos indo, não to afim de lutar de novo. – resmungou Kurogane.
Como Subaru havia lhe dito, ao fim daquela viela estava a avenida onde residia Eriol. Logo ela avistou o número YY, do outro lado da rua:
-Acho que é aqui. Obrigada novamente. – ela curvou-se, cordial. – Se cuidem, senhores...?
-Eu sou Fay e ele é o Kuro-quete.
-Kurogane. – grunhiu.
-Foi um prazer, senhor Fay e senhor Kurogane. Espero que encontrem logo seus companheiros.
-Obrigado. Nos vemos. – Fay acenou com a cabeça.
Tenie correu até o outro lado, tocando a campainha da elegante casa de estilo vitoriano.
O loiro viu-a entrar, após uma moça de cabelos castanhos abrir a porta, recebendo-a com um sorriso. Depois ele fitou o chão, vendo as duas argolas, cada uma com um pingente, caídas no chão.
Abaixou-se, pegando-as. Examinou as duas:
-Ei, vamos logo, não suporto ficar mais um segundo aqui. – reclamou o ninja.
-Tá. – pela primeira vez, Fay não sorriu nem fez nenhuma piadinha infame. Simplesmente começou a descer a rua, calado.
Enquanto isso, Tenie entra na bela sala de estar da casa. Eriol estava sentado em uma poltrona azul-marinho, com a xícara delicada em uma mão e o pires em outra:
-Olá, senhorita Tenie. Imaginei que chegaria um tanto atrasada.
-Boa tarde. – ela curvou-se – Eu tomei um atalho, mas não vou fazer isso novamente.
-Imagino que não. – ele riu, pousando o pires e a xícara sobre a mesa de centro circular – Sente-se, por favor.
Ela sentou-se no sofá antigo, cujo estofado era da mesma cor do estofado da poltrona, tímida:
-Pois bem, a senhorita disse-me que gostaria de meu chapéu. Só que eu estou relutante em dá-lo à senhorita. Ele é tão antigo, trago-o de minha outra encarnação.
-Mentira! – disparou a moça de cabelos castanhos e compridos – Você mesmo costurou, e nem foi totalmente sozinho! Aliás, você costura melhor que muita moça por aí! Já pode casar, Eriolzinho! – alfinetou.
-Calado, Nakuru!
-Não me manda calar a boca! E eu sou uma garota!
Tenie deu uma risadinha discreta:
-Tudo bem, não é hora para discutir sobre isso. – ele encarou Tenie.
-Vou contar pra Mizuki-chan que você a está traindo! – cantarolou Nakuru.
-Depois eu me acerto com ele.
-O que ela disse é verdade?
-Sim. É melhor eu admitir, senão a outra lá vai te contar de qualquer maneira. Mesmo assim, me deu muito trabalho e eu gosto muito dele.
-Senhor Hiiragizawa...
-Eriol, por favor.
-Eriol, eu preciso desse chapéu. – ela explicou sobre o amigo-secreto e todo o resto – E estou disposta a aceitar o preço imposto.
-Hm... Você deve saber que minha velha amiga e sua conhecida, Yuuko, tem um rapaz que faz praticamente tudo na loja dela. Desde limpar até fazer pequenos serviços com relação à loja.
-Sim, o Kimihiro.
-Isso mesmo. Então, ela vive jogando isso na minha cara, então... – sua voz mudou – Nakuru, pode trazer, por favor?
-Claro, mestre. – disse com uma voz de deboche.
Em poucos minutos, ela estava com o chapéu em uma caixa. Nakuru ficou parada ali, com a caixa nos braços:
-O chapéu está aí, e é o original, feito por mim com muito esforço. E, ele pode ser seu...
-Por apenas 10 parcelinhas de 99,90 ao mês! – completou Nakuru, rindo.
-Onde foi que eu errei? – murmurou Eriol. – Desculpe por isso, senhorita Tenie.
-Tudo bem. Já estou acostumada, a Yuuko sempre faz isso com os outros. – ela riu.
-Continuando, você pode pagar o chapéu trabalhando para mim, o mesmo esquema do Kimihiro com a Yuuko. O que acha?
-Bem...
-Só que, tem uma coisa, não posso lhe dar o que você quer sem que você tenha terminado de me pagar.
-O quê? E quanto tempo demoraria?
-Um mês.
-Não tenho todo esse tempo! Tenho só 9 dias! Na verdade, 8.
-Tudo bem, então. Se você trabalhar para mim das seis as seis, eu te entrego no dia 24.
-Exploração! – reclamou Nakuru.
-Das seis às seis? Mas...
-Vamos, o que me diz?
-Seu explorador! – resmungou Nakuru – Você vai matar a menina!
-Nakuru, não seja enxerido.
-Eu sou uma GA-RO-TA! Mesmo que só de coração...
-Tenie?
-Isso não é certo. Das oito às cinco.
-Como?
-Eu não lhe dou motivo de desconfiança. Virei até pagar minha dívida, não sou uma caloteira. Tudo tem seu preço, e fugir não resolveria nada. – disse, séria.
-Tem razão. Das seis às cinco, então?
-Não tente me enrolar, das oito às cinco ou nada feito! E a Yuuko continuará a te atormentar.
-Hm... Você é esperta. Te entregarei o chapéu no dia 24, quando estiver saindo daqui, mas você terá que continuar vindo.
-Obrigada. Pode me chamar só de Tenie, de agora em diante.
-Está bem, Tenie. Pode começar agora.
-Hã? – ela demorou um minuto para sair do transe – O que devo fazer?
-Tenho uma coisa para mandar para Kaho-chan. Nakuru vai te entregar o que você precisa levar até o correio.
-Claro. Obrigada por aceitar minha proposta.
-Eu que agradeço. – ele sorriu, com aquela aura calma contagiante – Agora, se me dão licença, vou ligar para a Yuuko e ouvi-la se roer de inveja!
Assim que se afastaram o suficiente, chegando à cozinha, onde havia um pacote sobre a mesa redonda. Nakuru pegou-o, estendendo à Tenie:
-Era pra eu levar, mas eu não sou empregada do Eriol, só estou aqui para protegê-lo. Mas, olha, já ta selado e tudo, é só levar lá.
-Tá, obrigada. – Tenie sorriu. – Gostaria que me explicasse algumas coisas depois, por favor. Se a senhorita puder, claro!
-AAAAAAAAAAAI! Você é fofa!
-Errr, obrigada. Você parece uma amiga minha, acho que vamos nos dar bem.
-Também acho. É bom ter alguém educada e que não fique tirando sarro da minha cara toda hora.
-Bem, é melhor eu ir. Você sabe onde fica o correio mais próximo?
-Claro, deixa que eu te explico.
O dia correu bem, apesar de Tenie ter voltado um tanto tarde, por ter perdido o trem.
Chegando em casa, não havia nem sinal do irmão ou de Subaru, além do telefone tocar insistentemente:
-Alô? – o dia não foi desgastante. O correio mais próximo era bem distante, aliás.
-Tenie!
-Oi, Isa. Como vai?
-Bem e você?
-Bem. – não era o que a voz sugeria.
-Já conseguiu o presente?
-Está em progresso. – Tenie deu um sorrisinho vitorioso – Você conseguiu?
-Siiiiiiiiim! Estou tão feliz! Hoje eu conheci umas pessoas muito interessantes!
-Sério? – ela não estava com ânimo algum.
-Sim! Tinha três rapazes lindos!
-Por falar nisso, conheci dois loucos que se meteram com uma gangue inteira...
-Sério? – aquilo, sim, era uma voz animada.
-Arrã. Ambos eram bem bonitos, um deles até me era familiar... – houve uma pausa, enquanto ela passou uma das mãos em uma das orelha, o brinco não estava lá – AAAAH! Perdi meu... Meus brincos! Perdi os dois! Sacoooooooooooo!
-Tenie! Calma!
-Droga... A única coisa que me restou foi o colar... Droga. – ela passou a mão perto do pescoço, atrás do colar, que estava ali.
-Que brincos?
-Ah, acho que você não deve saber, quase nunca os uso. Que droga! – resmungou.
-Por que não volta pra procurar pelo caminho que você fez hoje?
-Nem a pau! – exaltou-se – Hoje eu fiz a besteira de pegar uma droga de um atalho e pensei que ia me tornar só mais um cadáver jogado na rua!
-Cruzes, Tenie!
-Cruzes... – repetiu, sem ânimo novamente. – Bem, preciso desligar.
-Tá. Beijos.
-Beijos. Até logo.
-Tchau!
Tenie ouviu um barulho vindo do quarto no fim do corredor. Andou, cautelosa, até o local. Passando por perto, ouviu o barulho do chuveiro:
-Tem alguém em casa?
-Ah, Ten-chan! – era Subaru.
-Oi. Você me assustou. – ela riu, aliviada, empurrando a porta do quarto do irmão. – Onde está Kamui? Ele não fugiu, né?
-Não. – respondeu, sentado na beirada da cama – Importa-se se eu ficar aqui hoje?
-Não. O namorado do meu irmão é sempre bem-vindo. – ela riu, divertida.
-Você entendeu errado.
-Discordo. Quando você vê-lo, diga que estou na cozinha, esperando as explicações.
-Certo.
...
Vamos avançar alguns dias...
...
20 de Dezembro de 2008 – Casa de Eriol – 12h 30 min
Tenie havia recebido, no dia anterior, uma carta de alguem muito importante para ela. No momento, após ter acabado tudo o que tinha para fazer, praticamente sozinha, ouvindo vagamente a briga entre Spinel Sun e Nakuru – que tentavam decidir se pediam comida italiana ou iam ao Mc Donald’s – ela lia a carta:
“15 de Dezembro de 2008.
Minha querida afilhadinha (^.~),
Senti muitas saudades suas! Como está, querida?
Eu estou bem. Hiro-kun, Maru-chan e Moro-chan também.
Eu andei recebendo visitas divertidas esses dias. Das suas amigas.
Eu até gostei da inglesinha, ela tem senso de humor e é enérgica! A sueca é tarada, mas eu gostei das histórias do caderninho preto dela. Por que ela não manda para uma mangaká especializada em yaoi?!
Enfim, hoje também fui visitada por um rapazinho muito simpático, além de fofo. Akio, conhece? xD
Hehe, hoje ele quase foi atropelado! Mas, eu sempre digo, fujam da Himawari!
Acho que você já soube do quase atropelamento. Mas, as boas novas são que – acho que você já deve saber também – o Aki-kun vai trabalhar para mim por tempo indeterminado! \o/
Viva! \o/
E, fiquei sabendo hoje, mais cedo, que você está trabalhando para o Eriol. Se ele te fizer alguma coisa, me diga que esse projeto de mago via ver só! Ò.óV
Enfim, acho que é só. Mande lembranças ao seu irmão e ao namorado dele.
Venha nos ver logo.
Ah! Não se esqueça de contar ao Akio que recebeu a carta, hein, Ten-chan?! Afinal, foi ele quem levou ao correio! ^.~
Feliz natal pra você!
Beijos,
Yuuko.”.
Tenie riu, divertida.
...
Vamos avançar de novo, para a manhã a tarde do dia 24.
...
24 de Dezembro de 2008 – Casa do Eriol – 17h 00 min.
Tenie entra na sala de estar, onde Eriol conversava com uma linda moça:
-Com licença.
-Tenie, que bom vê-la. – começou Eriol – Creio que já esteja de saída.
-É. – ela fitou a moça, que a analisava também. – A senhorita deve ser Kaho Mizuki, não é?
-Sim. E você é a Tenie. – Mizuki ergueu-se, curvando o tronco. – É um prazer conhecer a mais nova babá do Eriol. – ela bagunçou os cabelos de uma emburrada reencarnação do mago Clow.
-Igualmente, senhorita Mizuki. – Tenie curvou-se, dando uma risadinha.
-Bem, vou ficar aqui por bastante tempo e acho que Eriol estará menos... hm.. Histérico, digamos assim.
-Você está me magoando, Kaho-chan. – resmungou.
-Eu só estou brincando. Você deveria ser menos mal-humorado. – ela riu.
-Senhor Eriol...?
-Eriol, por favor. Eu me sinto muito velho sendo chamado de senhor.
Mizuki riu.
-É o chapéu, não? Ele está ali. – ele voltou os olhos para uma caixa embrulhada em papel laminado azul-marinho – Nakuru tomou a liberdade de embrulhar a caixa.
-Obrigada, senh... Eriol. Nos vemos amanhã?
-Sobre isso... – começou, meio carrancudo – Kaho me convenceu a te dispensar. Está livre de mim!
-Verdade? – seu tom de voz não se alterou nem um minuto.
-Sim. Ela disse que eu estou sacrificando muitos dias de aulas suas. Mas, você já está de férias mesmo!– protestou.
-Verdade. – ela suspirou. – Mas, se ia demorar um mês pra eu terminar de pagar, acho que até poderia continuar, se fosse depois da aula.
-Eriol exagerou com a história de um mês. Ele nem fez o chapéu totalmente sozinho.
-Não precisa entrar em detalhes, Kaho-chan. – comentou, sem graça.
-Bem, se precisar de mim pra alguma coisa, ligue. Obrigada por tudo, Eriol.
-Não a de que. Eu que agradeço. Não suma, entendeu?
-Ok. – ela cumprimentou ambos e saiu, com a caixa nos braços.
Nakuru acompanhou-a até a porta:
-Ligue de vez em quando.
-Digo o mesmo, Na-chan.
-Eu vou ligar, sim! Não pense que se livrou de mim! – ela piscou um olho.
-Nunca pensaria isso. Agora preciso ir, tenho que encontrar meu irmão antes de passar na casa do Akio.
-Tudo bem. Feliz Natal!
-Feliz Natal!
Tenie foi para casa e não havia ninguém lá. Não era surpresa.
“Podia ter dito tchau antes de ir, Kami-nii, seu bobo! Mas, acho que ele está muito ocupado tratando de assuntos de vampiro com o Subaru-chan” – pensou, chateada.
Mas, em compensação, havia um bilhete na geladeira, preso por um imã em forma de uma fatia de melancia, escrito: “Vamos te buscar na casa do Akio. Kamui.”
...
Vamos pular novamente, para a noite em que toda essa história começou a ser contada.
...
24 de Dezembro de 2008 – Casa do Akio – 23h 45 min.
Todos se reuniram próximos aos sofás, cada um com um embrulho. Antes, Tenie sussurrou para Mary:
-Vi o Momoshiro te esperando lá no fim da rua, com o carro.
-Mamãe deve tê-lo mandado vir me buscar... – suspirou.
-Eu começo! – anunciou Isa, levantando com o pequeno embrulho nas mãos – Minha amiga-secreta é uma pessoa de quem eu gosto demais! Ela não é daqui – isso ainda não esclarecia nada, porque nem Tenie, nem Tharys e nem Mary tinham nascido no Japão – e é uma loirinha muito espevitada! Minha amiga-secreta é a Mary! – ela estendeu a caixinha para a inglesa, que se levantava para abraçá-la.
-Se for uma falsificação, eu te pego, hein? – brincou, rasgando o papel. Havia uma pequena caixa de papelão sob o papel de bichinhos.
Ela abriu-a, encontrando uma caixinha redonda aveludada e uma foto sob a mesma. Pegou uma, depois a outra, com um sorriso. Na foto, aparecia Soel, já com seu novo brinco, segurando o antigo:
-Meus parabéns! - ela abriu a caixinha, depois de ver a assinatura da Mokona (“Mokona Modoki-chan ^o^ ”) atrás da fotografia. Havia ali o brinco dourado e reluzente da foto. – Brigada, coração.
Elas se abraçaram de novo e Mary prosseguiu com a brincadeira:
-Minha amiga-secreta é uma sueca, tarada, alucinada por Guns n’ Roses e, também, uma grande amiga! Ouviu, Tharys?!
Tharys levantou-se, a cena do abraço se repetiu. Tharys não acreditou que, dentro da caixa de presente decorada, estava a viseira do ninja:
-Ele vai ter um ataque. Brigada!
Mais abraços. Foi a vez da sueca continuar com o jogo:
-Minha amiga secreta é uma baixinha fofa, filha de uma modelo e um médico, que agora tem uma prima tosca morando na cidade. Mande minhas lembranças à Komatsu-chan, Isa!
Mais abraços. Isa já sabia o que era pelo formato. Rasgou o papel sem pestanejar, vendo adorável bolsa amarela com as asinhas brancas nas costas:
-Nãããão creio! Brigada, Tha-chan! – ela quase derrubou Tharys.
-Que bom que gostou, porque isso me deu muito trabalho! – ela sorriu de canto.
-Agora vai o Aki-chan, já que você é o anfitrião.
-Primeiro as damas, Tenie.
-Eu ainda preciso me recuperar do frio que estava lá fora. Vai você, eu insisto.
-Ok.
Ele se levantou, parando no lugar onde estava Tharys – e por onde haviam passado Isa e Mary.
-Vocês já devem saber quem é minha amiga-secreta...
-Mesmo assim, fala, Aki-chan! Nos dê pistas! – incentivou a ruivinha, animada.
-Bem, é uma garota meio tímida, que me deu um baita susto, porque não foi a escola todos esses dias e não atendia o telefone. Foi bom saber que você estava viva, Tenten!
-Desculpem preocupa-los. – Tenie ergueu-se, abraçando Akio. – Mas, eu estava muito atarefada! E a culpa é do Akio.
-Minha?
-Aliás, cadê o presente?
-Ali. – ele virou o rosto para a porta.
Ao lado dela estava o belo cajado dourado, com a pedra suspensa em seu topo, reluzindo com a luz da sala:
-Eu não estou acreditando!
-Não deu pra embrulhar. – ele riu, sem graça - A Yuuko me disse que era de um mago chamado Fay. Não sei porque ela disse isso, mas...
Tenie abraçou-o novamente, sem graça:
-Muito obrigada, Aki-chan.
-Não tem de que.
-Bem, vocês já sabem quem foi que eu tirei.
-Mas não custa nada falar umas pistas, né?
-Ok. Meu amigo-secreto é fofo e muito bonzinho, até demais de vez em quando, além de ser muito inteligente pra cálculos. Você merece, Aki-chan! – ela estendeu a caixa redonda, embrulhada no papel laminado azul-marinho, com uma fita azul clara envolvendo-o sobre o papel.
-Dá até dó de desembrulhar... – brincou ele. – Obrigado, Tenten.
-Você merece. – ela sorriu, ansiosa.
Desfez o embrulho cuidadosamente, sob protestos de Mary e Tharys, que queriam que ele rasgasse logo. Ele tirou a tampa da caixa circular, e viu o chapéu.
Tirou-o com cuidado, analisando, deslumbrado:
-Por isso você estava trabalhando na casa do Eriol!
-É. E por aquilo – ela apontou para o cajado – você virou escravo da D. Yuuko.
-Não tem problema, Yuuko é bem legal. E é divertido ficar lá.
-Vamos ver até quando. – brincou.
De repente, a porta se abre:
-Feliiiiiiiiiiiiiiiiiiiiz nataaaaaaaaaaaal!
Todos responderam, quase automaticamente, mas com a mesma animação:
-Ayame-san...
-Fecha a boca que o veneno tá escorrendo, Tharys. – ironizou Tenie.
-Oi, Aya-nii e... Onde está o Yuki?
-Foi passar o Natal com a namorada. Na verdade, ele não vai ficar aqui por muito tempo. Ele vai morar com a Maki-chan... Aquele safadinho! – brincou Ayame.
-Feliz Natal, Ayame-san. – Tenie curvou-se, cordialmente.
-Não precisa dessas formalidades, Ten-chan! Vocês já estão de saída?
-Sim. O Momoshiro já deve estar na porta da sua casa. – suspirou Mary.
Ouviram uma buzina. Akio foi olhar quem era:
-São seus pais, Mokona-chan! E parece que tem outra garota com eles...
-Quer carona, Tharys? Acho que a garota é a Nana-chan.
-Eu aceito! – Tharys não morava muito longe de Isa. – Ainda tenho que terminar de arrumar minhas coisas, vou pra Suécia essa noite.
-Ai, ai, ai, ui, ui, Silvio! – brincou Mary.
-E Tenie? Parece que não tem ninguém lá fora...
-Meu irmão deve aparecer já, já.
-Espero que sim.
Depois das despedidas e dos carros sumirem no final da rua, Tenie continuou olhando para os lados, esperando o irmão aparecer a qualquer momento:
-Ah! Akio, Yuuko pediu que eu lhe dissesse uma coisa.
-O quê?
-Você por acaso não andou indo ao correio ultimamente, andou?
-Sim. Levei uma carta para a Yuuko... Por quê?
-Aquela carta era pra mim, Aki-chan.
-Sério?!
-Arrã. Mas, lá vem eles! – ela acenou para Kamui e Subaru, que vinham vindo. – Feliz Natal, Aki-chan. Obrigada.
-Eu que agradeço.
-Nos vemos em breve?
-Atenda o telefone, pelo amor de Deus! Não suma e não morra!
-Pode deixar! O mesmo vale para você!
-Feliz Natal! Desculpem a demora!
-Não foi tanto assim, Kami-nii.
-Feliz Natal! – Subaru acenou com a cabeça. – Uou! O que é isso, Tenie?
-Chouriço!
-Feliz Natal! – retribuiu Akio.
-Bem, vamos, Ten-chan? Eu pretendo levar vocês dois para verem uma feiticeira muito inconveniente, que acham? – brincou Kamui.
-Seria bem legal. – sorriu a garota – Até mais, Aki-chan!
-Tchau!
Akio esperou que eles sumissem no fim da rua, depois entrou.
E aqui termina. Mas, não é o fim de tudo. Ainda há muito mais para saber do que poderia ser explicado nesses poucos seis capítulos.
Aguardo vocês na próxima.
Feliz natal e feliz 2009!
Nos vemos em breve!
Y-Y-Y-Y-Y-Y-Y-Y
N/A: Feliz 2009! Desculpem a demora absurda!
Bem, presente de aniversario pro Aki-nii! Espero que tenha gostado!
Obrigada por tudo e nos vemos em breve!
Kisus,
Tenie.