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My Boys
Capítulo 1: Encontro Grupal com traficantes armados e perigosos
- Testa, já ‘tá pronta?
- Quase, porca.
Ino sempre tinha idéias loucas e precisava de alguém idiota ao seu lado para compartilhá-las. A idiota da vez era eu. A gente estava se arrumando para um encontro grupal, algo bem comum pra nós, colegiais. O problema era que Ino decidira se encontrar com quatro integrantes da gangue da escola anexa à nossa, dentre eles o líder do grupo. Minhas pernas bambeavam enquanto ela revirava minhas coisas em busca de uma tiara qualquer. Ino não parecia temer nada, nem mesmo o mito de que eles seqüestravam as colegiais da parte feminina do colégio e as trancafiavam no banheiro para fazer coisas duvidosas. Outros diziam que eles, na verdade, tinham canivetes na meia e sempre levavam algemas nas mochilas. E que traficavam drogas. E que roubavam velhinhas e batiam nos gatinhos de rua. E que o cabelo do líder contrariava as leis da gravidade. Tudo parecia medonho demais para mim, mas a porca era a rainha da chantagem psicológica. Quando eu dei os primeiros sinais de negação aquele encontro patético, ela me ameaçou, dizendo que se quatro garotas não fossem eles a trancafiariam no banheiro, usariam o canivete e as algemas e bateriam nela e no gatinho dela até quando eles fossem velhinhos. Só lembrar dessa história me fazia tremer e ficar com uma cara muito feia e estranha.
- Ainda pensando no cabelo do líder da gangue, testuda?
- Ah, cala a boca, porca! – retorqui, franzindo a testa. Ela conseguia me tirar do sério.
- Sabe o que dizem por aí? – perguntou, num tom de pura seriedade.
- O quê?
- Que – respondeu, dando uma breve pausa que me deixou arrepiada. Ino podia amedrontar alguém quando queria – o líder da gangue é LINDO! Embora também digam que o cabelo dele parece esconder algum bicho. Sabe o que eu acho?
- O quê? – perguntei, preparando-me para outra pérola.
- Que é no cabelo dele que eles guardam as carcaças dos gatinhos espancados na rua. Quando estiver bem perto dele, presta atenção e vê se escuta uns miados.
- Ai, Porca, você é impossível. Já fez o teste do QI?
A expressão de Ino fechou de repente, ela parecia estar lembrando de alguma coisa.
- É aquele do barquinho?
Desisti de mais alguma conversa e terminei de arrumar meu cabelo.
lalalalalala
Hinata e Tenten não deviam saber que nos encontraríamos com quatro marginais ladrões de velhinhas e serial killers de gatinhos de rua. Provavelmente, elas nem sabiam que iríamos a um encontro grupal. Hinata era observadora, mas pareceu não desconfiar e Tenten era Tenten demais. Eu fui a única a perguntar qual era a tramóia da vez e Ino precisava confiar seu plano maléfico a alguém. Então digamos que a partir daquele dia eu caminhava para a beira de um precipício – oh, que dramático.
Quanto mais nos aproximávamos da lanchonete, mais eu tremia e me agarrava a minha bolsa. Tenten e Hinata riam das histórias de Ino sem nem imaginar para onde estávamos indo. E eu lá, toda dura, morrendo de medo de levar “canivetadas” e escutar miados. Nunca tive tanto medo de gatinhos de rua.
lalalalala
- Naruto?
- Sakura-chan?
- Neji-nii-san?
- Hinata-sama?
- Shika?
- ZZZZ
- Miau?
Tive uma crise de riso pelo resto da tarde. Rá rá. Aquela era a gangue? Naruto – meu amigo de infância totalmente lerdo e desorientado, Neji – primo psicodélico da Hinata, todo sistemático e estudioso, Shikamaru – amigo de infância da Ino que só vive dormindo... Putz, imagina só o Shikamaru-san assaltando uma velhinha? Os dois iam preferir tirar uma soneca juntos. Que piada! – e o líder que resolvera não aparecer. Ê, parabéns pra Ino! Grande gangue de delinqüentes juvenis ladrões de velhinhas e serial killers de gatinhos! Fiquei impressionada...
Tudo estava correndo muito bem obrigado, Naruto já tinha comido quatro hambúrgueres e Shikamaru continuava dormindo, mesmo enquanto Ino o batia com a bandeja. Até que um dos funcionários – muito lindo, por sinal – sentou-se na mesma mesa que nós, tirou o avental e deixou o bonezinho de hambúrguer sorridente na cabeça de Naruto. Ele disse que ia trocar de roupa e que já voltaria. Ino continuou rindo de Naruto – assim como todos na mesa, mas minha surpresa era tanta que eu procurei escutar realmente algum miado. Ele era o impossível Uchiha Sasuke, gangue da líder? Que bosta de gangue era aquela, onde o líder era um trabalhador honesto de uma rede de lanchonetes? Qual seria a próxima surpresa?
- Naruto, trouxe meus livros? – perguntou Sasuke, com aquela voz grossa que me fez tremer. Pelo menos alguma coisa estava certa por ali. Um líder de gangue com voz fina ia ser o fim!
- Hm... Vou ver na mochila.
Tchã Tchã Tchã Tchããããã. Ahá! Naruto iria abrir a mochila e eu definitivamente encontraria alguma algema por lá, ou então, pelo menos, um spray de pimenta!
E tudo que eu encontrei lá dentro foi ramen.
- Dobe... Não me diga que você esqueceu meus livros... – começou novamente Sasuke.
- Teme! Se eu trouxesse seus livros onde eu ia colocar meu ramen? Ah, francamente! – retorquiu Naruto, tão sério quanto Sasuke.
- Você é um idiota, Naruto!
- Eu sou um idiota? Devo te lembrar que quem esqueceu os livros primeiro foi você?
- Eu estava atrasado, seu estúpido! Porque eu tenho que trabalhar! E estudar! E fazer coisas que vocês não tem que fazer!
- Uou! Você se esqueceu que quem trabalha de homem ramen aqui sou eu? Quem paga mico sou eu! Você só trabalha aqui dentro, no ar-condicionado e com esse bonezinho de gay! Enquanto eu tenho que ficar vestido de homem ramen a tarde toda em frente ao Ichiraku, ganhando de bônus um mísero prato de ramen de porco!
- Isso lá é culpa minha? Seu idiota...
Acho que eles ficaram discutindo assim por mais meia-hora. Naruto sempre elevava o tom de voz, mas Sasuke-san permanecia calmo – cof cof – e contundente. Ele dizia o que pensava de um modo menos grosseiro e chamava o Naruto de idiota sem parecer um favelado. Ali, eu comecei a entender o porquê de ele ser o líder da gangue.
- Você sabe muito bem que um homem ramen precisa promover sua marca! E agora que o Ichiraku começou a vender pratos semiprontos, eu preciso revender!
- Hm... Naruto vai virar revendedor da Avon? – perguntou Shika, acordando, enquanto Neji ainda olhava o cardápio.
- Eu não sei porque eu tenho que conviver com vocês!
- All you need is love... All you need is love...
lalalalala
- Porca, você deve estar decepcionada - disse, quando eu e Ino fomos ao banheiro.
- Ah, eu estou um pouquinho sim... – admitiu, desanimada – Eu imaginava perigo, ação, canivetes! Não ramen e Shikamaru babando na mesa da lanchonete.
- Gangue, hum? Você tem certeza que eles realmente são uma gangue?
- Não sei, mas vamos tirar algum proveito do encontro. Pega seu celular e tira umas fotos do Sasuke-kun. A gente pode ampliar depois, colar num papelão, e andar com elas pra lá e pra cá! – respondeu, passando mais gloss e prendendo o cabelo num rabo de cavalo.
- Incrível como essas teorias mirabolantes parecem fazer parte do seu dia-a-dia, porca...
- Não são mirabolantes, você que é metódica demais. Falou do Neji-san mas é tão psicodélica quando ele.
Hinata e Tenten entraram no banheiro com expressões vitoriosas. Aparentemente, Tenten resolvera deixar o telefone ligado no gravador, a fim de gravar tudo que os garotos diriam para que pudéssemos escutar depois. Hinata se sentou na bancada do banheiro e começou a falar o que achava de cada garoto e das ações deles. Ela prestava bastante atenção em detalhes, por isso tirava notas altas e ajudava o resto da turma com os deveres de casa e etc. Ela nunca precisava assistir às aulas extras, mas ia à escola mesmo assim, para fazer companhia a nós.
- Ino, o Shikamaru-san é viciado em drogas? – perguntou Tenten.
- Sabe, às vezes eu acho que você é pior que eu... Não, Tenten, ele não é viciado. Ele só gosta de dormir porque diz que por enquanto não tem outro propósito de vida. Como ele é muito inteligente tira notas boas, mesmo dormindo em todas as aulas.
- Ah, Shikamaru-san é mesmo sortudo...
- Hm... Shikamaru-san não esteve dormindo o tempo todo, Ino-chan... – murmurou Hinata, no seu tom de voz baixo e meigo.
- Não? Como assim?
- Eu... Eu acho... Que eles têm algum plano por trás dessa fachada de bons moços... Neji-nii-san é bem fechado e quase nunca me diz nada... Por isso... Comecei a desconfiar dele. Mesmo morando na mesma casa que eu, ele não abre a boca pra nada. Parece saber que eu desconfio dele.
- Agora que você disse isso, Naruto está bem mudado também. Antigamente, ele não perdia a chance de chamar atenção, e agora ele parece evitar isso. Ele disse que quer sair do Ichiraku Ramen por chamar muita atenção por lá. Um integrante de uma gangue não poderia chamar atenção assim, certo?
- Exatamente o que eu penso... Sakura-chan...
- Então – começou Ino, ainda chocada – Vocês acham que eles realmente são uma gangue?
- Uma gangue perigosa, provavelmente – acrescentou Tenten – Nós poderíamos até mesmo ter escutas presas em nossas roupas.
- Oh não! Então, se isso é verdade, eles sabem que desconfiamos deles!
- Bem, é melhor ficarmos quietas – eu disse, olhando minhas amigas pelo espelho – Quando sairmos daqui, temos que parecer exatamente como estávamos antes de entrar neste banheiro. Não tentem achar nada, não desviem o olhar e não fiquem com medo. Se realmente temos escutas em nossas roupas – o que eu duvido muito – eles já sabem o nosso plano e não precisamos nos aterrorizar enquanto eles não fizerem nada conosco.
- Não podemos esquecer a possibilidade de eles não estarem tramando nada e isso ser apenas uma teoria em nossas cabeças... Vamos agir normalmente, como Sakura-chan disse... – completou Hinata, em murmúrios.
- Hai! – dissemos juntas, saindo finalmente do banheiro.
lalalalala
Sentamos-nos à mesa como se nada tivesse acontecido, mas nossos corações estavam tão frenéticos que eles provavelmente já escutavam as batidas. Sasuke continuou quieto, sem reação alguma a nossa demora no banheiro. Naruto disse que comeu mais um hambúrguer enquanto nos esperava, Shikamaru-san continuava “dormindo” e Neji estava sendo Neji, olhando atentamente os guardanapos e fazendo casinhas com palitos de dente.
- Tenten não estava se sentindo bem – era evidente que Tenten não conseguira disfarçar a surpresa, mas nosso plano não poderia falhar ali.
- Acho melhor irmos para casa então – disse Sasuke, levantando-se da mesa e levando nossas bandejas.
- Verdade...
- Se até mesmo a Tenten concordou, é melhor irmos embora mesmo. Naruto vai falir a lanchonete e Sasuke-san vai ficar sem pagamento.
Até um certo ponto, nosso caminho era o mesmo. Mas quando dobrávamos a esquina da casa de jogos onde eu torrava minha mesada nos domingos, Naruto e Sasuke seguiam para o norte. Ino e eu morávamos em casas vizinhas, Hinata morava junto com Neji, mas Shikamaru morava perto dos dois. O que faria Tenten seguir seu caminho sozinha. Mas, antes mesmo de eu e Ino nos oferecermos a levá-la para casa, Neji decidiu por nós duas e disse que iria com Tenten para casa, porque Shikamaru poderia levar Hinata e que Naruto e Sasuke nos escoltariam porque estávamos andando por aí com garotos de outra escola. Engoli seco e Ino pareceu perceber. Aquilo poderia não passar de um truque. Éramos oito pessoas. Quatro garotas e quatro garotos. Era evidente que eles poderiam fazer alguma coisa, já que eram maiores e mais fortes. Só pensar nisso me deixou amedrontada o suficiente pra começar a tremer e surtar. Naruto perguntou se eu estava com frio e ofereceu seu casaco, mas eu neguei e disse que podia agüentar com o meu.
Nos despedimos do grupo e fizemos o resto do caminho em silêncio. Ino ligou o celular e escutava música, Naruto e Sasuke conversavam sobre um dever de escola e eu captava tudo ao meu redor, com um dedinho na tecla verdinha do celular. O número da polícia já estava discado.
- Hm... Vocês querem sorvete?
- Naruto! O que é seu estômago, um buraco negro? – perguntou a porca, retirando os fones e olhando chocada pra ele, que sorria coçando a nuca.
- Eu quero!
- Hm... Eu gosto de sorvete de morango, dobe...
Eu fiquei um pouco chocada com a familiaridade daquela situação para qualquer um que nos observava na rua. Parecíamos um grupo de amigos em rumo à sorveteria. Eu não parecia assustada, Ino parecia completamente desligada do mundo e Naruto e Sasuke não pareciam gangsters. E tomaríamos sorvete. E depois eles prenderiam a gente num banheiro. Não era tão triste assim. Eles usariam o canivete e terminariam logo o negócio. Nos encontrariam caídas no chão, pálidas e plácidas, e então poderíamos ir para o céu tranqüilas, onde encontraríamos todos os gatinhos e viveríamos felizes para sempre. Definitivamente, não parecia ruim.
- Sakura? Você vai querer sorvete de quê?
- Hm? Eu... Vou querer sorvete de pistache.
- Já voltamos então.
Os dois nos deixaram esperando no banco e foram até a sorveteria sozinhos, para comprar nossos sorvetes. Ino se balançava inquieta e eu tremia dos pés à cabeça.
- Porca... Você acha que devemos correr?
- Claro que não. Não somos tão rápidas e eles nos alcançariam em segundos. Temos que esperar – respondeu, fechando a cara. Ela devia estar com tanto medo quanto eu.
- É. Vamos esperar.
Não demorou muito e eles chegaram, as mãos de Naruto respingando chocolate e Sasuke equilibrando três sorvetes na mão direita perfeitamente. Sasuke sentou-se na grama depois de nos entregar os sorvetes e Naruto gritou quando percebeu que seu uniforme estava completamente manchado de chocolate.
- Naruto, fica calmo – começou Ino – Passa Vanish que sai rapidinho.
- Vanish?
- É, aquele produto rosa, em pó.
- Ah, Vanish. Onde eu compro isso? – perguntou, coçando a nuca novamente.
Sasuke parecia impaciente e remexia na mochila irrequieto. Lembrei de voltar uma das mãos ao bolso do casaco, na esperança de apertar a tecla antes que eles nos atacassem com canivetes ou até mesmo antes que morrêssemos envenenadas. É, eu sempre fui muito dramática e sempre tive teorias mirabolantes. Não era a primeira vez que aquilo acontecia e certamente não seria a última.
- Hm... Naruto, Sasuke, está ficando tarde, e eu preciso estudar... Acho melhor ir para casa, minha mãe deve estar preocupada – comecei, temerosa. O que será que eles diriam?
- Bem, acho melhor irmos então. Temos que conversar no caminho sobre algo bem sério.
Engoli seco e apertei os olhos. Ino se levantou e acompanhou Sasuke e Naruto, que já estavam de pé e prontos para partir. Levei um tempo para me recompor e peguei então meu material, apressando o passo até alcançar os três.
Lalalala
- Hm. Vocês já foram espertas o suficiente e devem saber que realmente somos uma gangue, certo? – perguntou Naruto, num tom sério que me fez congelar.
- Bem, acho que sim – respondeu Ino, olhando centrada nos olhos de Naruto.
- Então precisam prometer que não contarão nada a ninguém. Duvidam demais da legitimidade de nossa gangue e isso é muito bom. Podemos agir sem suspeitas.
- Prometemos solenemente não dizer nada, Sasuke-sama, Naruto-sama. Protegeremos este segredo com nossas vidas – Porca era mesmo abusada. Eu morrendo de medo de levar canivetadas e ela brincando com a nossa sorte.
Os dois deram algumas risadas e conseguimos descontrair o ambiente. Hinata e Tenten deviam estar tendo as mesmas conversas com Shikamaru e Neji.
Lalalalala
Cheguei em casa frenética, subi correndo para o meu quarto, quase sem acreditar no que acontecera.
Hinata e Tenten me ligaram e contaram o ocorrido. Entramos no MSN e conversamos sobre o assunto. Sabíamos que se abríssemos a boca para contar algo, nosso destino seria bem pior que uma cabine de banheiro e um canivete. Ino disse não ter medo de mais nada e que sabia que Deus a protegeria de todos os males. Disse também que não era justo morrer antes de ganhar algum concurso de beleza e namorar algum astro de cinema. Então, ela definitivamente não deixaria que quatro adolescentes marginais perversos e sádicos acabassem com seus sonhos.
Sorri ao ler o rosário de queixas de Ino via MSN. Eu também guardaria segredo. Eu também tinha meus sonhos.
Aquele seria nosso segredo.
Lalalalala
E então, alguém gostou? Espero que sim sim.
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Beeeijos e boa semana, people!