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: B s . A A A    : full 3/4 1/2   : E E   : Light Dark Anime/Manga » Beyblade » Gwrach y Rhinbyn

H. Hiwatari S.
Author of 17 Stories

Rated: T - Portuguese - Mystery/Supernatural - Kai H. & Ray/Rei K. - Reviews: 21 - Updated: 07-26-09 - Published: 01-14-09 - id:4791658

Título: Gwrach-y-Rhinbyn.
Capítulos: treze ao total.
Autora: Helena Hiwatari Masako.
Gênero: terror, suspense, mistério, comedia, ação.
Observações: baseada na lenda bruxa da baba ou Gwrach-y-Rhinbyn.
Advertências: Beyblade não me pertence, nem um personagem usado aqui, muito menos a música. Palavreado um tanto inadequado.
Resumo: Em uma lenda, conta que o ultimo descendente da família terrorizada pela bruxa tinha sido morto. Mais seria o ultimo mesmo? Uma garota que não se lembra do próprio passado, um pacto, uma maldição, a bruxa, dois caçadores. A maldição acaba apenas quando a bruxa cair, isso não quer dizer que ela deve morrer.

Notas da autora: a parada é a seguinte: desde o capitulo sete da fic passada, não estava conseguindo continuar a estória. Sendo assim,resolvi reescrevê-la colocando mais terror e mistério. Também fiz modificações bem observadas na original, mais detalhes, expressões sarcásticas, violência e vícios alem da expulsão de alguns personagens devido às outras fics seguidas. Agradeço sinceramente a todos que leram e mandaram reviews na fic original.

Principalmente a Xia, Nany, Aislyn e Ana.

Fic de presente para Anamateia. (estou em dívida)

Legendas: Itálico-pensamento/sonhos do personagem.
Itálico entre aspas-fala do personagem ao telefone.

Música: Somewhere I Belong- Linkin Park.

Primeiro ato

“(When this began)”

Rodeado de amigos com seus sorrisos confortantes e sinceros, assim a aniversariante desta noite estava. Sentados em uma mesa redonda em um canto do bar, eles conversavam alto, riam e bebiam alegremente. Assim estava há uma hora, e assim ficaria até o amanhecer, pois ninguém estava a fim de abandonar a festa, mas aos poucos, o enorme grupo ia se dissolvendo cada vez mais. Ficando apenas os amigos mais chegados da garota que completou vinte e três anos há algumas horas atrás. Mesmo com a partida de alguns, não foi o suficiente para dispensar toda a alegria e felicidade misturada no álcool presente ali.

-Mas um brinde a nossa amiga, Ana...- disse um dos rapazes presentes erguendo sua garrafa no centro da mesa, lançando um olhar para a aniversariante. Outras garrafas foram erguidas, algumas cheias, outras pela metade e quando iam brindar, houve uma intromissão indesejada vindo da mais afastada. A “ mais certinha”

-Esse é o sétimo!- murmurou a garota, se ajeitando na cadeira. Ela apontou para as inúmeras garrafas vazias na mesa, e outras, a maioria, na mesa adiante onde colocaram as primeiras que foram esvaziadas. Elas não tinham sido recolhidas pelo garçom do balcão porque ao final da festa, iriam contar quantas bebidas tinham sido consumidas em apenas algumas poucas horas. É claro, se ainda continuarem conscientes dos atos tomados.

-Nem é tanto.- Max retrucou rindo com a expressão que sua amiga fez, acompanhando o movimento feito pela aniversariante de concluir o brinde proposto.

O tilintar dos vidros se batendo soou. Era música para os ouvidos deles.

-Depois fica bêbada e como vai pra casa?- dando uma “mamãe preocupada”, ela se levantou da cadeira e olhou sério para Ana, que deu seu sorriso zombeteiro e apenas fechou os olhos por alguns segundos.

-Eu bebo, fico doidona e a galera me carrega pra casa!- respondeu entre risos e logo mais mandou para dentro uma boa quantidade de bebida alcoólica, se levantou dando uma garrafa cheia para ela- Ae, tem dois caras aqui que dá pra me levar de boa, pra que se preocupar?- apontou para os dois que riam de qualquer coisa que acontecia a frente deles.

-De quebra, a gente que irá levá-los para casa...- tomou um pequeno gole e retornou ao seu acento vendo que sua amiga foi se juntar a cantoria dos dois rapazes bêbados. Um dos bons motivos que ela continuava ali seria pela amizade que tinham e por não ter mais ninguém no bar, apenas o dono que via televisão. Assim, pelo menos não passaria vergonha.

Mais conversas, risos e brindes. A cantoria mal feita por eles. Os ponteiros do relógio de movendo lentamente. Horas passadas sem perceber.

Estava chegando à hora de fechar, quando o mais velho deles fez todos se calarem ao erguer uma garrafa vazia e bater nela com algum objeto sólido mais próximo. Atentos a ouvir as ultimam palavras dadas, ele retirou do bolso um canivete pequeno e retirou a lâmina, mostrando-a aos olhares curiosos. Um momento de silêncio feito, a respiração de cada um podia ser ouvida e sentida. Ele suspirou pesadamente, olhou em volta se certificando que não haveria ninguém mais ali apenas o pequeno grupo. Aproximou-se mais na mesa, encarando cada um nos olhos. Entre a tensão colocada ali, ele murmurou colocando uma boa medida de suspense na voz:

-Vamos fazer um pacto.- ergueu seu canivete, deu um sorriso e fez o corte em seu dedo, deixando que o seu sangue molhasse a lâmina afiada. O líquido grosso e brilhante escorria, percorrendo um caminho estreito, chegando a pingar na mesa e molhar a toalha com manchas de gordura- Um de sangue.

Novamente ele sorriu. Maleficamente, ele sorri.

A vida dele durou pouco desde essa madrugada. Apenas três dias que pareciam serem apenas poucas horas.

Uma figura sinistra flutuava pelo corredor onde estava repleto de passagens para outros cômodos da casa, e enquanto percorria o caminho escuro, deixava para trás um rastro de gelo fino nas paredes congelando qualquer coisa, qualquer ser vivo. Ela tinha aberto a porta da frente sem causar um ruído para não mostrar sua chegada, ela não era um fantasma ou um espírito para percorrer cômodos e atravessar paredes e nem era um demônio que poderia controlar elementos. Ela era um ser sobrenatural diferente.

Curiosamente encarava a porta a sua frente e um sentimento de culpa a invadiu. Ela não era como os outros que matavam por diversão, ela fazia seu trabalho e se sentia culpada por tirar a vida de uma pessoa, pois ninguém tem direito de fazer isso. Mesmo com sua teoria, longas garras enrugadas com unhas afiadas saíram por debaixo de uma manta longa. Ela agarrou a maçaneta. Ela abriu a porta. Ela encarou o rapaz silenciosamente.

Ele estava deitado em sua cama, estudando para os exames finais da faculdade, e mantinha todo sua atenção no seu caderno. Não percebeu que havia alguma coisa atrás. Sentiu frio e passou por sua cabeça que tinha esquecido uma janela aberta, e quando foi se virar para conferir, sentiu algo arranhar literalmente sua garganta com apenas um golpe. Pensou que fosse seu colar que usava apertado, mas tirou essa hipótese ao sentir algo escorrer por sua pele, algo quente, manchando seu caderno de vermelho vivo, deixando escorrer o liquido viscoso em sua cama e trazendo aos seus olhos aquela horrível visão daquele ser de olhos dourados que saboreava seu sangue.

Tentou gritar em plena agonia, mas sua voz se recusava a sair, apenas se transformou em um sussurro rouco e baixo. Ela estava presa em sua garganta onde não encontrava um espaço em tanto sangue que brotava. Seu corpo amedrontado não conseguia se mexer, parecia que tinha sido congelado. Estava parado diante da morte esperando para que ela lhe oferecesse o ultimo golpe para separar seu corpo de sua alma. E mesmo estando naquele estado deprimente, nunca imaginou que a “Morte” seria uma criatura corcunda com assas longas e escamosas como as de um morcego.

O que ele não sabia, era que a Morte não era ela.

E o brilho de seus olhos desapareceu, pra sempre.

Uma lágrima caiu, mas não pertencia ao morto.

“I had nothing to say”

O tocar da música invadiu o local, vindo do seu celular esquecido em um canto qualquer no quarto. Em frente à televisão, um rapaz estava deitado de lado, quase cochilando enquanto ouvia o noticiário da madrugada. Ao seu redor, a caixa de primeiros socorros estava aberta e com ela, pedaços de esparadrapos espalhados davam um ar melancólico aquele lugar. As profundas feridas que tinha ganhado ainda provocavam dor, mesmo já tratadas. Elas ardiam como uma queimadura recém provocada. Elas não virariam cicatrizes. Estava cansado, tinha matado “alguns” hoje a noite, tantos que até perdeu a conta.

Quase sem munição, acabado, cansado e quase sem grana. Ele estava numa situação “ótima” até. Pelo menos estava vivo, mas muito longe de estar bem. Mas algo de bom aconteceu nesta noite, ele mandou para o inferno pelo menos três espíritos que estavam fazendo a “festa” na cidade. Atormentando algumas pessoas e matando crianças inocentes.

Novamente o toque do seu celular soou. E novamente ele resolveu ignorar. Estava com tédio demais para se levantar e atender o telefonema e quando ele estava com tédio, poucas coisas o livravam dessa corrente forte que o prendiam em sua vida miserável. Se fosse importante, ligaria de novo, ou deixaria uma mensagem.

E foi isso o que aconteceu.

-Kai Hiwatari. - anunciou uma voz- Estou muito ocupado para atender o telefone. Matando coisas ou assistindo televisão. Deixe recado, pensarei em retornar.- a gravação saiu rouca e irônica, e logo mais o barulho rápido e estridente liberou a caixa de mensagens. E como o esperado, uma voz conhecida soou.

-“Kai? Aqui é o Ray. “ -começou a falar, mas não teve chance de deixar recado, pois na mesma hora, o dono correu para atender a chamada tendo que arrancar seu casaco do móvel a tempo para conseguir aproveitar o telefonema e não gastar seus créditos.

-Fala.- disse rispidamente jogando seu casaco de volta para a cômoda de antes. -Espero que seja importante- tornou sua voz rude em ameaçadora, totalmente mortal para qualquer um, menos para quem o telefonou.

-“Sabia que estava aí.”- falou ironicamente, sabendo que tinha o tirado de seu divertimento diário. E fazer isso era muito mais divertido do que ir ao parque de diversões.

-Anda, diga o que quer.- murmurou impaciente, voltando para o sofá onde estava deitado. Olhou em volta procurando pela sua garrafa, e teve a terrível visão de vê-la caída ao lado com a metade do liquido derramado - Você me fez derramar minha bebida.- irritado deitou e vasculhou com a mão o chão a procura de sua bebida favorita.

-“Estou bem também, obrigado.”- disse alegremente ignorando tudo o que foi dito, suspirou deixando um tempo constrangido no ar -“Tenho algo interessante.”- comentou descontraído como se o assunto não fosse tão importante quanto a bebida.

E talvez não era.

-Então diga.- falou após ter batido no vidro molhado, as pontas de seu dedo se umedeceram e rosnou com raiva. Capturou a garrafa e a ergueu vendo que apenas restara um ou dois goles. Rosnou mais uma vez, só que mais alto para seu amigo ouvir do outro lado da linha e chateado consigo mesmo e desejando a morte de Ray, lenta e dolorosa, ele se dirigiu para a pequena geladeira no canto do quarto.

Ray fez um momento de suspense. -“Apenas se você vier até aqui.”- disse divertidamente e depois, deu uma risada discreta quando ouviu outro rosnado rouco.

Kai olhou para a geladeira, não tinha nada ali, apenas gelo e uma velha garrafa com suco. Bateu a cabeça no armário acima e a deixou ali, respirou fundo sentindo o ar entrar pelo seus pulmões, contendo o excesso de raiva. Apertou com força a palma da mão, e se sentiu um pouco aliviado. Não poderia provocar um deslize, não agora que fazia dois anos que “ele” não havia aparecido. Não queria ser a fonte desse problema novamente, “ele” o condenava a ser algo que não era.

-Onde?- foi tudo o que conseguiu pronunciar após se acalmar ao ponto de pensar direito.

-“Helsinki.”- respondeu -“E você vai vir, pois não tem nada melhor para fazer.”- disse direto, em tom decisivo como se já soubesse qual pergunta ele faria, terminando a conversa com o desligar do telefone.

E o som irritante do telefone foi ouvido. Suspirou desanimado e fechou seu celular, caminhando em direção a cama desarrumada.

-Pior que não tenho mesmo....- murmurou entre os dentes para si mesmo, arrumando a sua mochila de viajem. Jogando tudo o que lhe pertencia nela, sem se importar em amassar alguma roupa ou não.

É hora de voltar a caçar.

“And I get lost in the nothingness”

Seguia por uma estrada vazia que dava acesso ao seu destino inicial, com os faróis do carro ligados e mesmo assim apenas iluminava uma parte do trajeto, parecia que a luz fraca não conseguia conter a escuridão toda que o envolvia friamente. Era madrugada ainda e provavelmente o sol demoraria mais algumas míseras longas horas para aparecer. O jeito era apenas esperar pela chegada sem nenhuma esperança. As árvores ao seu lado ficavam para trás, formando esboços negros onde um famoso pintor identificaria como manchas de tintas em sintonia. Mas ele não era um pintor, muito menos crítico. Muito menos um humano. Ele era apenas um caçador, um caçador

(seis)

de demônios. Apenas isso. Um caçador com uma maldição. Uma maldita maldição que não tinha cura ou se tivesse, seria algo que nada poderia comprar, teria um preço exuberante. Uma maldição que o matava por dentro, sem nenhum remorso, sem nenhum sentimento de culpa ou compaixão. E as vezes, mesmo assim, a convivência se transformava em uma situação favorável para os dois.

Além disso era um viciado, não em drogas ou bebidas iguais aqueles que consumiam para tentar esquecer os problemas pelo menos por pouco tempo, igual a um velho amigo, esquecido pela sua memória que certamente estaria vagando sem destino agora, era viciado em outra coisa, algo mais mortal e satisfatório. Algo...Mais saboroso.

(Kai Hiwatari tinha seis)

Olhou pelo espelho do carro e viu seu reflexo, um rapaz russo de cabelos bicolores em duas cores de azul, e por uma fração de segundos, apenas uma fração ele percebeu que a cor dos seus olhos tinha mudado. De vinho tinto para vermelho vivo. Seu reflexo o encarava com um olhar brincalhão enquanto ele permanecia com um olhar frio e focado. Ele tinha voltado, mas não totalmente ao ponto de apoderar-se de seu corpo. Isso não muda a contagem de “quanto tempo”.

Ele apenas estava se esquecendo de tomar seu remédio, e se não agisse logo, “ele” tomaria conta de seu corpo, o aprisionando em uma cela construída na própria mente insana. E a transformação não era algo que dá para se sentar e apreciar o show. Viu-se que não tinha outra escolha

(seis anos)

a não ser aprisionar a fera.

Mantendo uma das mãos no volante, guiou a outra até o porta-luvas do carro e a abriu. Uma caixa de madeira foi vista, com rapidez a abriu e retirou um frasco contendo um líquido escuro, vermelho, com aparência pegajosa. Mandou um olhar para a estrada, diminuindo a velocidade. Balançou diante de seus olhos como se examinasse a evidencia coletada na cena do crime. Retirou a tampa e virou o conteúdo em sua boca, sem se importar em manchar seus lábios. Sentindo o líquido descer pela sua garganta, sentiu o forte gosto de metal em seguida. O doce gosto de sangue.

(Ele tinha seis anos quando ganhou essa maldição)

“inside of me”



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