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Author of 18 Stories |
Agradecimentos:
Xia: Mistérios e mais mistérios. Espero que tenha esclarecido algumas de suas perguntas...ou não 8D
Nany: agora que você falou, é verdade. Parece mesmo como aqueles seriados americanos de pessoas mortas que vão pra exames e tudo mais. Fico contente em saber disso...*olhar maligno*
Ana: Pena mesmo, acha que deveríamos ir ao velório dela (nah, se ela tiver um...)? Vai morrer mais gente sim, não se preocupe com isso 8D.
Aislyn: eu não especifiquei quando o Kai iria ganhar uma cicatriz. E obrigada por divulgá-la no seu Studio.
“Just stuck”
Tons de azul escuro dominavam o céu nesse começo de noite, dando-a um ar medonho.
Timidamente as estrelas começaram a aparecer na imensidão e o brilho delas já podia ser notado pelos viajantes. A lua surgia aos poucos entre as nuvens escuras, e o reinado do silêncio profundo começava a triunfar aos poucos. As ruas estavam começando a ficarem vazias e logo se tornariam ruas fantasmas, apenas iluminadas por poucas luzes. Uma fina camada de nevoeiro se formava entre os becos, invadindo aos poucos a cidade semi-adormecida, parecendo como uma legião de fantasmas percorrendo caminhos sem destinos. O vento frio entrava pelas frestas de janelas e portas, e tomava o rumo dos quartos infantis das casas, deixando as inocentes crianças com frio, enquanto dormiam encolhidas aos ursos de pelúcias para não terem medo dos pesadelos que iriam ter. Apenas poucos estabelecimentos ficaram abertos até a madrugada, mas não era de interesse para o russo no momento.
Ele tinha coisas melhores a fazer.
Em uma região mal iluminado pelo poste de luz, algumas borboletas noturnas voavam em volta da lâmpada, ele conversava num tom baixo no celular, olhando de vez em quando para os lados se certificando que não havia ninguém escutando. Deixava escapar “sim (s)” e “não (s)” e hora ou outra comentava vagamente alguma coisa. Em nenhum momento que esteve na conversa comentou o que tinha encontrado enquanto examinava o cadáver em pedaços quase já em alto estado de decomposição, Ray não precisava saber logo agora.
-Certo, encontro com você aí amanhã. - sussurrou suspeitamente antes de desligar o celular. Hora e data marcada, é melhor do que aparecer de surpresa e pegá-lo com alguma mulher, como nas outras vezes. Ray ainda continuava sendo um mulherengo apesar dos anos.
Um carro passou por ele rapidamente enquanto Kai jogava a mochila por cima dos ombros, os fios bicolores acompanharam sentindo da rajada de vento. Mandou um olhar para a lua que começou a aparecer, tentando organizar os próprios pensamentos. Pessoas retalhadas, a marca negra, enxofre encontrado, rastros do que seria gelo, o cheiro de velho nos corpos das vitimas, a decomposição acelerada, principais sinais de uma maldição lendária. O único problema seria saber o que estava causando isso.
O bater conhecido da capa ao vento soou e Kai se atreveu a olhar de onde vinha esse barulho. No outro lado da rua, após apertar os olhos para ver além do nevoeiro, a figura de alguém conhecido embreado nas sombras do beco foi reconhecida. Sentiu o forte cheiro do perfume marcante vindo naquela direção, rapidamente o rapaz abaixou a cabeça e deixou o belo par de caninos a mostra brilhando na imensa escuridão, as pupilas de seus olhos se dilataram e logo mais se tornaram num vermelho radiante. Soltou um rosnar baixo e rouco, mostrando-o estar irritado, era facilmente confundido com um rosnar de um lobo caçando, e teve receio se alguém teria ouvido.
Uma visão um tanto demoníaca.
(Adivinha quem é? Apelido com cinco letras.)
A voz do vampiro soou com desgosto, como se tivesse nojo de pronunciar aquele nome. Uma onda de lembranças o arrastou para trás, e como se quisesse fugir, começou a dar passos mais rápidos em direção a sua parada noturna. Não queria provocar confusões agora, não agora.
Ele não queria relembrar, ele necessitava fugir dele. O vento passou o cortando, a pele quente do rosto em contato com o frio noturno, a mudança repentina na cor dos olhos aconteceu e o diminuir dos caninos se realizou. E mesmo sem voltar a olhar para aquele ponto qualquer, sabia que não havia mais nada ali. A figura sombria teria sumido no nevoeiro.
Ele suspirou quando já estava em frente ao hotel.
A porta do estabelecimento humilde foi aberta, o tilintar do sino batendo contra o vidro soou revelando a chegada do desconhecido. A atenção da moça que estava lendo uma revista de moda atrás do balcão de atendimento foi direcionada para entrada, virando rapidamente a cabeça para ver melhor quem adentrava em seu território, alguns fios cor-de-rosa ficaram em frente aos grandes olhos dela dando um ar um tanto desleixado e rastros de uma aparência felina deixaram a mostra. Não era temporada e incrivelmente apareceu um freguês perdido procurando um abrigo ao cair da noite.
Os olhos grandes e inocentes focaram um rapaz alto de cabeça baixa, que parecia ter corrido pelo cabelo bagunçado e a respiração um tanto acelerada, segurando a mochila em apenas um dos ombros, e num momento eles transmitiram uma curiosidade mortal. Kai se aproximou dela que sorria incansavelmente. Retribuiu o sorriso em apenas um rápido mostrar de dentes, e se encostou ao balcão de madeira. Suspirou um “boa noite” rápido demais para que ela pudesse ouvir e responde-lo.
-Em que posso ajudá-lo?- ela lhe perguntou entusiasmada enquanto caçava uma caneta para anotar o pedido nas gavetas do balcão. Hora ou outra mandava um olhar rápido para ele, mas era ignorada plenamente.
-Gostaria de um quarto por três noites.- disse calmamente encarando aquele sorriso caloroso que surgiu, com outro sorriso sem qualquer sinal afetivo.
-Tem alguma preferência de quarto?- perguntou enquanto começava a abrir o livro, após a confirmação de que iria deixar um quarto ocupado.
-Não.- disse secamente. Ele percebeu o erro que tinha cometido sendo um tanto grosseiro para atendente, e com uma voz mais calorosa e amigável, ele se apresentou, esticando a mão para cumprimenta a moça atrás do balcão -Mike.
-Prazer, Mariah.- deu um sorriso em troca e o cumprimentou em um aperto mais formal do que esperava. Após soltar a mão dele, ela se virou rapidamente para pegar as chaves na prateleira. - O pagamento pode ser feito amanhã, vejo que o senhor deve estar cansado... Você ficará no quarto numero 13, é só seguir as escadas e continuar reto no corredor. - apontou para o corredor iluminado.
-Obrigado, a senhorita tem toda razão.-disse ao pegar as chaves fazendo uma expressão cansada por causa da longa viajem- Tenha uma boa noite, Mariah.- acenou com a cabeça e logo começou a caminhar para a direção apontada pela moça.
Talvez, Kai Hiwatari soubesse o porquê que Ray estaria vivendo ali.
Ela o desejou a mesma coisa, e observou discretamente ele se dirigir até a escada. Quando o perdeu de vista, voltou a preencher a ficha com o nome do viajante e o quarto que iria ocupar por alguns dias.
“hollow and alone”
A porta do quarto número treze foi aberta, a iluminação vinda do corredor infiltrava-se aos poucos naquela imensa escuridão noturna. Constatou que havia nenhum movimento a não ser pela vibração na cortina, devido às rajadas de vento, e nenhuma sombra ou algo que tomasse forma de um ser humano ou sobrenatural. Colocou a mão no bolso do casaco e abriu um pequeno bote, que poderia ser confundido facilmente com um batom ou um brilho feminino. Sujou a ponta do dedo e levou até um canto discreto da porta, fazendo uma escritura antiga, o símbolo da cruz envolta de um circulo fechado. E após isso, ele entrou no quarto onde iria passar a noite.
Uma pequena precaução para que a sombra vista na rua não o perturbasse.
Andando sem ligar as luzes, ele colocou a mochila na cama e logo em seguida se jogou nela. Ficou ali, deitado numa posição desconfortável, olhando o teto vazio, tento milhares de pensamentos percorrendo os caminhos perigosos de sua mente quase insana. A sensação de ter esquecido alguma coisa passou, mas não conseguia lembrar o que era.
Ele não se lembrava de quando fechou os olhos e não abriu mais.
“And the fault is my own”
Ela se atreveu a sair nessa hora.
Com passos rápidos e precisos ela descia a rua estreita feita de pedregulhos, penetrando cada vez mais na escuridão da madrugada sem lua, e ela escondida atrás das nuvens, por sua vez resolveu não acompanhá-la até em casa. Escutava atentamente a doce canção que o silencio resolver propor pra ela, como se fosse uma serenata no meio da noite, igual aos de livros de romance antigo. Estava voltando do velho bar, onde tinha comemorado o próprio aniversário apenas alguns dias atrás.
Ela não conseguiu beber muita coisa, não com aquela nítida visão do rosto dos dois amigos, sorrindo calorosamente embriagados. Apenas percebeu o que fazia ali, quando se tocou que nenhum deles iria aparecer para acompanhá-la em uma doce de pura diversão. E sentada na mesma mesa, no mesmo acento, e na mesma posição, ela permaneceu sozinha por longas e torturantes três horas, sem poder entender como o dom que possuía não tinha a alertado.
Sentiu uma corrente de ar passar por ela levando os longos e sedosos fios dourados para trás, e algo estranho dominou o ar. Ela conseguiu sentir isso e não precisava ser alguém “especial” para saber que algo perigoso se aproximava. Era como, quando você esta andando em algum lugar e tem a impressão que não deveria seguir em frente, então você entra em um estabelecimento nem mesmo sabendo por que.
Só que...Nenhuma loja estava aberta.
Então ela virou para a direita no final do quarteirão.
Em silencio ela ficou a espreita. Debaixo de uma sombra projetada pela arvore, ela encostou-se ao muro de tijolo fazendo com que seu rosto não fosse visto, tentou diminuir a respiração acelerada, talvez pelo mal passageiro, ou pela adrenalina que o medo causou.
E uma sombra asquerosa passou rente a ela.
“And the fault is my own”
Como um estralar de dedos de um mágico, ele acordou.
Suor escorria pela sua testa, os batimentos do coração estavam acelerados como se acompanhava uma batida eletrônica. A respiração irregular fazia com que os pulmões implorassem por mais oxigênio, algo que ele estava incapacitado de dar. Estava na mesma posição que caiu na cama, desconfortável. Mexeu os braços e sentiu os músculos se contraírem violentamente e a dor percorreu seu corpo de aparência frágil. Ele tentou se acalmar, fazendo com que a respiração se estabelecesse, e isso provocou uma pontada no peito, uma agonia na região do coração. Ele demorou para entender o que tinha acontecido.
Ele não era mais criança para se assustar com sonhos no meio da noite.
Ele não costumava ter pesadelos tão medonhos, quando ele dormia, tudo dormia nele. Inclusive o seu demônio interior.
Sentou-se na cama e mergulhou o rosto entre os dedos. O mesmo pesadelo, várias e várias vezes que se repete, como se fosse uma fita VHS em estado de repetição, e quando o filme acabava, não tinha a tela com barras coloridas. E mesmo quando revivia essa terrível lembrança, não se obtinha nenhum avanço para saber o que tinha acontecido desde o ponto final.
Respirou fundo sentindo seus pulmões queimarem, e se levantou rápido demais para fazer com que tudo a sua volta girasse. Cambaleando até a porta do banheiro, se segurava nos moveis que encontrava, deixando para trás um rastro de objetos caídos no chão. Com as mãos apalpou a parede em busca do interruptor e quando o encontrou, acendeu a luz.
Seus olhos se fecharam dolorosamente, e com as mãos em frente ao corpo, chegou cegamente até a pia do banheiro. Após um tempo, com a tontura quase extinta e os olhos acostumados com a terrível claridade, os abriu lentamente e encarou seu próprio reflexo estancando no espelho.
Uma forte dor o invadiu, percorrendo o corpo inteiro e fazendo-o fraquejar. Com força, ele se segurou nas bordas da pia para não despencar no chão. A caixa torácica se comprimiu, e parecia impossível de respirar, os pulmões estavam entrando em estado de possível explosão, os belos e longos caninos começaram a crescer cortando partes do par de lábios finos e o doce sabor do próprio sangue aguçou o paladar.
Ele tentava se controlar, mas não obtinha nenhum sucesso.
Ele tinha esquecido de tomar a droga que o mantinha vivo.
Sentiu um liquido quente escorrer pelo seu rosto descendo até o queixo, e pingar em suas vestes amassadas. Com cuidado ele tocou com as pontas dos dedos um pouco embaixo dos olhos e ao retirar, teve a visão daquele liquido vermelho escuro brilhante manchando a pele branca como a neve.
(Tão poético, Hiwatari. Qual romântico que não gostaria de chorar rios de sangue?)
A voz saiu divertida seguida por uma risada sarcástica e irônica.
Ele não era nenhum romântico.
Com ódio, ele voltou o olhar para o espelho, e se viu com os olhos totalmente preenchidos pela cor dourada. Os fios bicolores estavam tomados pela cor branca como o luar e vermelha como sangue, e com o mesmo sorriso cínico e melancólico estampado no rosto.
(você está chorando, chorando sangue (que é o que você merece por ser tão fraco, chorar), e eu não dou à mínima.)
Com as roupas encharcadas pelo suor e pelo sangue, ele sentia enjôo e desprezo de si ao mesmo tempo. Com ódio sedento, ele socou a parece com força, fazendo com que os azulejos se despedaçassem e pedaços finos cortassem sua mão. O local ardeu como se queimasse no meio de chamas dançantes. E a visão que ele teve foi de ver o inferno.
“Kiss my eyes, and lay me to sleep.”
E a imagem nebulosa de uma figura feminina e amorosa surgiu. E seus braços o envolveram fortemente em um abraço apertado naquela ilusão. E palavras confortantes se chocaram contra o ouvido atento dele. O coração ficou mais leve e a respiração se tornou estável. O doce cheiro do perfume de rosas misturados com o orvalho da manhã , ele conseguiu sentir, parecia que tinha voltado a ter sete anos, entrelaçado aos laços de sua mãe.
Ele sabia que era uma doce e maldosa ilusão, mas ele a amava mesmo assim.
“I wanna heal”
Fiz coisas vagas...eu sei. Eu sou má. OwO
Estou limpando meu pen-drive, antes que Aislyn comente alguma coisa como: "viu? sabia que não ia aguentar até junho xD" e coisas do gênero.