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EmptySpaces11
Author of 146 Stories

Rated: T - Portuguese - Hurt/Comfort/Drama - Reviews: 147 - Updated: 09-19-09 - Published: 02-06-09 - Complete - id:4845042

FÉRIAS DE VOCÊ

AUTOR: EMPTYSPACES11

DATA: JANEIRO DE 2009

NOTA1: Os personagens de Sobrenatural não me pertencem. Sou apenas uma fã que gosta de brincar com as inúmeras possibilidades que se apresentam na relação dos mesmos. Meus textos não têm fins lucrativos.

NOTA2: Os personagens criados para desenvolver a trama das histórias são de minha autoria. Os nomes, bem como suas características físicas e psicológicas, são fictícios. Se houver qualquer semelhança com qualquer pessoa, é mera coincidência.

NOTA3: Os lugares descritos nas histórias não existem e se, houver qualquer semelhança, considere mera coincidência. Alguns nomes são reais mas, juro, nunca estive lá. Pura imaginação.

ADVERTÊNCIA: Wincest. O conteúdo dessas histórias é adulto. Estão advertidos, portanto, os leitores.

Resumo: Depois de passarem um sufoco danado no rancho dos Barns, Sam e Dean têm que enfrentar os medos, o passado e um inimigo muito pior e inesperado.

FÉRIAS DE VOCÊ

Lembrando...

Os irmãos entraram no Impala e foram sumindo da vista de Barnaby e Judith Barn. Aquele casal tinha muito que reconstruir. E eles também.

Dean olhou para Sam no banco do passageiro. Seu irmãozinho tinha passado um bocado. Tinha sofrido muito. E no final das contas, o silêncio até seria compreensível, se ele não conhecesse Sam como ninguém.

Quer falar sobre o que aconteceu lá? – olhou de canto de olho para Sam. A estrada se abria na frente do Impala.

Sam balançou a cabeça negativamente.

Sabe que vai ter que falar um dia desses, não sabe? – puxou um pouco mais.

Sam suspirou e olhou para a janela.

Sammy...

Não força, Dean – reagiu rispidamente.

Tudo bem. Você vai superar tudo. Vamos dar um jeito – olhou para Sam do mesmo jeito de sempre, com extremo carinho e cuidado.

Dean seguiu calado. Não iria forçar nada. Daria tempo para que Sam se recuperasse. Acreditava que tudo poderia ser resolvido. Afinal, estavam juntos. E tinha sempre muito trabalho a fazer.

oOoOoOo

Já tinha percorrido mais quilômetros do que pretendia. Fecharia uma marca recorde. Mas de quinze horas no volante. Não tinham um rumo definido. Nem ele, nem Sam, tinham conversado sobre isso. Não queria saber para onde. Apenas queriam seguir. Apenas tinham posto os pés na estrada. Queriam distância de tudo aquilo. Queriam esquecer Leon. Queriam esquecer Carlos. Queriam esquecer o que havia acontecido. Cada um por seus motivos.

Depois daquele diálogo ao deixarem o rancho dos Barns, Dean não tinha mais tentado perguntar nada. Mal tinham trocado duas ou três palavras. Sam tinha simplesmente fechado os olhos e dormido. E quando acordava, vez ou outra, olhava para fora, evitando Dean. Dean sentia seu coração quebrar a cada batida toda vez que Sam fazia aquilo.

Tinham atravessado a noite nesse ritmo. Tinham parado para comer pela manhã numa lanchonete na beira da estrada. Sam não tinha tocado na comida. Dean insistiu uma única vez, recebendo uma resposta curta e grosseira. Sam havia dito que ele deveria cuidar do seu prato. Depois dessa parada, seis horas adiante, pararam novamente, para o almoço. E desta vez, nem Sam, nem Dean comeram o suficiente e com gosto. Não tinham trocado palavra alguma, além das que haviam dito para a garçonete. Levantaram quase que ao mesmo tempo. Dean pagou pelo almoço e seguiram adiante.

Sam se remexia no banco. Os sons não eram de sonhos. Eram de pesadelos. Dean sempre sabia quando Sam estava sonhando ou tendo pesadelos. Durante muito tempo achava que conhecia mais de Sam do que dele mesmo. Sua vida era ele. Tinha tentado dizer isso inúmeras vezes. Mas tinha falhado de tantas formas e de tão desastrosas proporções que pusera um fim em tentar dizer tudo o que sentia ao seu irmão.

— Sam... – primeiro foi um cutucão, de leve.

O irmão mais novo continuava a balbuciar coisas estranhas no banco de passageiro do Impala. Dean o havia observado por longos minutos. Não o queria perturbar. Deixou que ele pegasse no sono. Todos os acontecimentos ainda estavam muito vivos na cabeça de Dean, e muito mais vivos na de Sam.

FLASHBACK on...

Senhor Singer? Dean Singer? – o homem de uniforme branco tinha uma expressão séria e preocupada. Vinha de um corredor interminável, seguido por uma enfermeira que, ao chegar na ante-sala daquele bloco, agarrou os papéis das mãos do sujeito e seguiu em frente, entrando em um outro corredor. Carregava uma bandeja. Sam devia ter sido submetido à exames.

As paredes daquele lugar já estavam lhe dando nos nervos. Já era hora de alguém lhe dar alguma informação sobre seu irmão.

Levantou-se rapidamente, indo de encontro do médico.

Como está meu irmão? Eu posso vê-lo agora? – era tudo o que precisava. Estar do lado de Sam. Fazê-lo sentir-se apoiado.

Senhor Singer... – o médico começou cheio de dedos – Sou o doutor Hawks. Precisamos conversar. Por que não me acompanha?

Aquilo não era um bom sinal. Conversar? Conversar sobre o quê? Mas seguiu o médico até uma sala. O médico o mandou sentar-se e, após sentar-se também, esperou um minuto olhando diretamente para Dean.

Tem idéia do que seu irmão tem, senhor Singer? – perguntou tranquilamente.

Por que está me fazendo essa pergunta, doutor? Meu irmão sofreu um bocado nas mãos de criminosos. Não creio que o que eu tenha para dizer seja relevante, mas o que o senhor vai me dizer, sim, pode fazer toda a diferença.

O médico suspirou e sentou-se melhor na cadeira, colocando os braços em cima da mesa e cruzando as mãos.

Creia, senhor Singer, é relevante – disse sério.

Ele foi espancado... – a droga da palavra não queria sair diferente – E... – sacudiu a cabeça, desviando o olhar do médico – Eles abusaram dele...

Seu irmão, senhor Singer, foi violentado. Compreende a extensão dessa palavra? – e vendo que Dean estava assustado com o fato da frieza como a questão tinha sido posta – Ele vai precisar de assistência...

Olhe, doutor... Meu irmão precisa de mim. Essa é a única assistência que ele precisa. Certo?

Senhor Singer... As conseqüências do que ele sofreu não são visíveis. Se ele não conseguir trabalhar bem isso internamente, pode entrar em depressão e o senhor sabe...

A única depressão que Sam vai ter é aquela que vai ganhar se ficar aqui, nesse hospital. Creia, doutor... Meu irmão vai estar melhor do meu lado, voltando ao trabalho, ocupando sua cabeça.

Creio que não compreenda o que um estupro signifique...

Eu não quero mais falar sobre isso, doutor. Sou responsável por ele. Assumo os riscos. Quero saber como ele está fisicamente. Quantos dias ele vai ficar aqui.

FLASHBACK off...

“Compreendo muito bem o que um estupro significa...” Dean olhava para Sam, que ainda se mexia no banco. Não queria pensar naquilo. Não queria pensar em ninguém tocando em Sam. Seu irmão não merecia. Não poderia ter passado por isso. Ele era o culpado de tudo. Tinha falhado em proteger seu irmãozinho. Tinha falhado em afastá-lo de encrencas.

Sabia que teria que conversar sobre isso. Sabia que tinha que encontrar uma maneira de fazer Sam falar sobre o que tinha acontecido. Mas tudo era muito recente. Não queria forçar. Não queria pressionar. Isso poderia ser pior. Poderia fazer Sam se afastar mais do que já o sentia.

Seu irmãozinho estava longe. Estava muito aquém daquele garoto que era. Estava totalmente longe dele, Dean. Sabia que tinha cometido erros não confiando nele, não o deixando agir conforme seu pensamento. Mas tinha medo por ele. Tinha um cuidado incontrolável. Sabia que essa coisa de posse, de se sentir dono de alguém, tinha que ser revista. Sam tinha já lhe dito isso. Inúmeras vezes. Mas ele não conseguia!

Sentia ciúmes de Sam. Sentia-se totalmente amarrado à Sam. Amava seu irmão em níveis que nem mesmo ele compreendia. Sentia-se atraído por ele e lutava contra isso a cada momento do dia. Apenas Sam, não percebia.

Sam parecia estar mesmo tendo um pesadelo. “Não lembre, Sammy. Não lembre...” foi no que pensou Dean. E instintivamente tocou em seu irmão tentando acordá-lo, ao mesmo tempo em que prestava atenção na estrada.

— Sammy... – colocou a mão direita no peito de Sam. Sentiu sua respiração – Sammy... – pressionou o peito do irmão.

Quando Sam abriu os olhos e percebeu o toque, afastou a mão de Dean bruscamente, gritando.

— Não me toque! – e sentou-se, apertando-se contra a porta do carro, respirando ofegante e olhando assustado para Dean.

— Sammy...

— Nunca mais me chame assim – o medo tinha ido embora. Agora, tinha a voz firme e olhava para seu irmão com raiva.

Dean não disse nada. Diminuiu a velocidade e parou no acostamento, desligando o motor. Quando o barulho do motor cessou. Dean desceu do carro e caminhou até a parte de trás do Impala. Respirava rápido. Tinha um aperto no estômago. Queria soquear o mundo. Queria bater desesperadamente em alguém, em qualquer coisa que fosse. Sentia a raiva lhe comer por dentro. Mas precisava controlar-se. Por Sam. Precisava acalmar-se.

Sam tinha se assustado de seu toque. Tinha se afastado bruscamente, como se Dean o pudesse machucar. Estava no olhar de seu irmão mais novo. Estava lá, aquele medo, aquela coisa toda.

— Desgraçados... – resmungou, lembrando de Leon e de Carlos.

Quando ouviu a porta do carona abrir-se, fechou os olhos e tentou recompor-se. Tentou pensar claramente no que dizer. Precisava dar segurança para Sam. Precisava fazê-lo confiar nele, sentir-se seguro ao seu lado. Como ficar do lado de alguém que não é confiável? Tentava colocar-se no lugar de seu irmão. Sam tinha repelido o toque porque se sentia ainda em perigo, sentia-se ainda vulnerável. Estava claro isso. Dean precisava fazer com que seu irmão voltasse a sentir confiança em si próprio e nele, mesmo não estando diretamente envolvido no que aconteceu.

Sabia que Sam tinha esperado por ele, para salvá-lo. Sabia que Sam tinha esperado longas horas por ele naquela casa. Tinha esperado ser salvo. Tinha esperado que Dean o tivesse encontrado a tempo. Antes de tudo acontecer.

Sentiu Sam aproximar-se. Dean estava há poucos metros do carro, olhando a distância. Sentiu seu irmão respirar. Sentiu os passos inseguros de seu irmão menor.

— Dean... Eu... – a voz estava quebrada. Seu irmãozinho estava quebrado. Por dentro.

Dean fechou os olhos ao escutar aquelas palavras. Sam estava confuso. Baixou a cabeça. Tinha as mãos na cintura. Respirou mais uma vez, enchendo o peito e virou-se para encarar Sam.

— Não, Sam... Não fala nada... – Queria dizer tanta coisa. “Eu sinto muito.” Queria dizer que tudo tinha sido sua culpa. “Eu sinto muito, Sammy.” Mas não queria que seu irmão o visse frágil. Se Sam o visse frágil, como poderia permanecer ao seu lado? Como dar segurança sentindo-se impotente, sentindo-se também quebrado? – Olhe... Estamos ambos cansados. O que me diz de pararmos no próximo motel? Acha que agüenta mais algumas horas?

Sam concordou com a cabeça. Olhou ao redor. O campo aberto, o céu na linha do horizonte... Respirou o ar como se quisesse ficar entorpecido. Dean parecia tão distante.... Seu irmão estava ali e parecia muito longe. Sentia-se incapaz de dizer o que sentia. Sentia-se incapaz de sentir-se capaz.

Sam também sentia a raiva crescer dentro dele. Sentia que era capaz de odiar sem motivos. Sentia que era capaz de matar sem motivos. Tinha que começar a compensar todo aquele sentimento de medo, de incapacidade, de depreciação por si mesmo. O toque de Dean no seu peito tinha trazido lembranças horríveis.

Tinha esperado por seu irmão naquela casa. Tinha esperado que seu irmão o encontrasse a tempo. Sentia cada músculo de seu corpo contrair-se com a lembrança. Dean não tinha chegado a tempo. Não tinha...

Olhava para seu irmão e não conseguia sentir mais a mesma coisa que sentia antes. Tudo estava mudado. Tudo tinha tomado um rumo inesperado.

— Quer dirigir um pouco? Sente-se descansado para algumas milhas ao volante? – perguntou tentando fazer tudo parecer normal.

— Claro... Você dirigiu mais de doze horas seguidas – respondeu, dando mais uma olhada ao redor. Sua voz soou fria. Dean o olhou tentando identificar o que se passava, mas resolveu deixar para lá. Não era hora, nem lugar para discussões e o cansaço poderia fazer mais estragos do que benefícios.

Dean passou por ele, em direção da direita. Entrou no lugar do passageiro e esperou paciente pela volta de Sam. Cruzou os braços, fechou os olhos e espichou suas pernas. Nada estava bem. Definitivamente, nada estava bem.

Sam ouviu a porta do carro bater. Ficou parado por mais alguns instantes e seguiu para o lado do motorista. Sabia que Dean também não estava bem. Sabia que tudo o que acontecera havia mudado algo em seu irmão maior. Tinha tanta lembrança diante dos olhos que sentia-se a ponto de explodir.

Quando entrou no carro e viu Dean de olhos fechados, fingindo descansar, mordeu seus lábios e uma vontade enorme de gritar e sair correndo dali fez seu peito doer.

Deu a partida e dirigiu, silenciosamente até encontrar um motel. Entrou, estacionou, desligou o motor e chamou por Dean.

Dean o olhou ainda sonolento. Deu uma olhada ao redor. Recompôs-se.

— Tudo bem? – perguntou para Sam, tentando parecer o mais normal possível.

— Ta... – respostas monossílabas eram uma especialidade de Sam quando seu humor não estava bem.

Desceram do carro e dirigiram-se para a recepção. Era pouco mais de oito da noite. E o estacionamento do motel estava lotado. Dean sabia que algo não sairia bem. Tinha aquele pressentimento batendo-lhe na orelha.

O atendente os olhou. Sorriu sem jeito quando pediram o quarto.

— Temos apenas quartos com cama de casal – olhou com expectativa para a dupla.

Dean olhou para Sam. Sam balançou a cabeça negativamente. Dean olhou para o recepcionista. Puxou a carteira. Apresentou o cartão de crédito. Assinou o registro.

— Quarto dezoito, senhor – anunciou o jovem.

Dean recebeu as chaves e ao sair, deu mais uma boa olhada em Sam.

Sam o seguiu até o estacionamento. Ficou observando enquanto Dean retirava as suas coisas e as dele.

— Dean... – Sam não iria dividir a cama. Não dessa vez. Mas Dean parecia não querer ouvir. Não queria escutar – Dean... Espere.

Foi seguindo-o quarto a dentro. Dean colocou as bagagens no chão. Entrou no banheiro, trancando a porta. Sam ficou parado na porta do motel. Queria sair dali, e ao mesmo tempo queria explicar o que sentia.

Dean saiu do banheiro depois de três minutos. Sam entrou devagar. Estava prestes a abrir a boca quando seu irmão começou a falar.

— Tome um banho. Tome sua medicação. Tranque a porta – e rumou porta à fora.

— Espera! – Sam caminhou na direção dele – Onde... Onde vai?

— Vou dormir no carro, Sam – não tinha emoção na voz.

— Espera! – ele poderia tentar, por Dean. Poderia tentar vencer todo aquele turbilhão de sentimentos que bombardeavam sua cabeça e seu coração.

Dean olhou para Sam por um longo tempo. Sam ficou esperando por uma resposta.

— Descansa, Sam. Amanhã de manhã vamos procurar algo para fazer – e saiu.

Sam foi até a porta. Acompanhou Dean com o olhar até que ele entrou no banco de trás do Impala e trancou o carro por dentro. Sam entrou no quarto, trancando a porta e ficou lá, encostado nela. Desligou a luz. Agora, o escuro parecia não ter tantos monstros assim.

oOoOoOo



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