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N.A: A linguagem é simples. A filosofia é horrível. O carinho e a vontade de agradar são imensos. Parabéns, Prisma! Sinceramente, você merece algo bem melhor. Mas foi isso que eu consegui. Prometo que tentarei melhorar! Aishiteru.
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Ele não era real.
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Ele não existia, simplesmente. Quando ela tentava tocá-lo, sentia apenas o monitor vazio, vazio de sentimentos, vazio de qualquer indício de frio ou calor. Quando ela queria se declarar para ele, ele não demonstrava a mínima atenção. Era apenas energia luminosa sendo emitida. Só uma imagem congelada. Por que não poderia existir? Por que era apenas algo manipulado pelo seu criador? A garota não poderia seqüestrar esse criador e tornar o personagem para si?
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Pensamentos insanos.
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Esse é o pior tipo de paixão platônica, aquele que nunca nos dá certeza de nada. Certamente, mais terrível do que amar um morto, porque um morto já existiu, esteve ao seu lado, você já teve a sua chance, e sobraram as lembranças. Mas amar algo que não existe... Chorar por algo que não existe... Gritar o nome de algo que não existe... Querer ter momentos com algo que não existe... É horrível.
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Loucura, não é?
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Não. Não é loucura ter o seu exemplo de perfeição. As pessoas da realidade andam tão fúteis e vazias, que apreciar um desenho já não é tão ridículo. Ao menos o personagem tinha boas virtudes. Ele era corajoso, mas não ao ponto de ser ridículo, ele era forte. Tinha uma beleza sem igual, do ponto de vista da garota. Não costumava falar, nem precisava disso para chamar atenção e agradar aos outros. Seu sorriso já era o suficiente. Perfeito... Ou quase isso. Ele possuía um único defeito: Ser viciado em chocolate. Se é que isso pode ser tido como defeito.
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Era um gênio, enfim.
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Um gênio, coisa muito diferente do que ela poderia ser. Simplesmente não importava o tanto que ela se esforçava. Nunca era reconhecida. As pessoas continuavam a chamá-la de fraca, e só. Escrever ainda era a única coisa que ela gostava de fazer. Passava horas e horas com um caderninho à sua frente. Algumas vezes travava uma guerra contra a folha em branco, uma guerra inútil. Logo elas apertavam as mãos, a menina apertava a caneta, e a folha apertava a tinta em si.
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Tenho algo parecido com aracnofobia
Meu medo não é exatamente da aranha
E sim das perigosas teias de aranha
Elas lembram o que foi esquecido
Quando grudam, não largam
O meu amor é uma aranha
Já fui preso e condenado pela teia dele
E não quero, não mesmo
Mas sou apenas um insetinho
Prestes a ser completamente devorado
Por esta inexorável aranha
E não quero, não mesmo
Como falei no início,
O meu medo não é da aranha, do amor
Mas sim da teia de aranha
Ela que me prende a esse amor
Lembrando que eu fui esquecido, não é?
Será que algum dia serei lembrado?
Será que algum dia fui lembrado?
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Palavras soltas.
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Talvez ela fosse inútil mesmo. Só mais uma garota fraca. Sem sal. Cabelos castanhos. Olhos castanhos. Nada de diferente para oferecer ao mundo, a não ser sua irritante fraqueza, claro. Não importava o que fizesse ali, quem iria valorizá-la? Não importava mais nada, a não ser a tela do seu monitor, que ela acariciava com imenso carinho.
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Uma felicidade real.
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Repentinamente, os dedos dela pararam de caminhar. Ela retirou as mãos trêmulas da tela. Havia algo diferente. Ela não sentiu a textura de plástico do monitor, e sim algo como a pele de uma pessoa, mas uma pele não poderia ser tão macia. O que era aquilo? Ela sentiu um pouco de receio, mas recolocou as mãos trêmulas na imagem pausada do rosto dele. Foi um toque mínimo. Ela rapidamente tirou as mãos. Levantou-se na velocidade da luz, empurrando a cadeira para trás. Era isso mesmo: A pele dele.
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Ele era real?
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Ela continuou a se afastar do computador, tropeçando no nada. Olhava fixamente o computador, à medida que ficava mais distante, a imagem dele diminuía. Mas não se afastou o suficiente. Ainda pôde ver quando a imagem deixou de estar pausada. O rosto dele continuou cobrindo toda a tela, mas algo havia se movido: Um dos olhos. Foi um movimento singelo. Um simples piscar. Ele havia piscado para ela.
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Para ela.
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A menina não se conteve. Tropeçou de vez, por causa das nervosas pernas bambas. Fitou o chão por um mísero segundo. Quando levantou a cabeça, tomou o maior susto de sua vida, foi pior – ou melhor – do que vê-lo piscando para ela através da tela. Ele estava à sua frente. A imagem dele apareceu em cores mais realistas. Os traços dele estavam mais realistas. O olhar dele transmitia mais emoções do que um simples brilho computadorizado nunca conseguiria alcançar. Mais realista. Mas nem um pouquinho feio. Pelo contrário.
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Mais belo do que nunca.
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Ele estava em pé, brilhando como um deus. Ela estava jogada ao chão, fraca como sempre. Não gritava, não sorria, não chorava. O amor de sua imaginação fora trazido até ela por um portal chamado computador. Simplesmente não sabia o que fazer, além de ficar calada e suar como se estivesse em pleno deserto ao sol do meio-dia, claro.
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Claro, era fraca até para ser a princesa de um conto de fadas.
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Diante do nervosismo dela, ele sorriu. Perfeito. Seus cabelos eram compridos e escuros, contrastando com sua pele e seus olhos. Olhos peculiares. Olhos de cristais. Lindos, como o sorriso esboçado pelos seus lábios. O sorriso feito especialmente para ela.
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Por quê?
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Por que gênio como ele apareceu para a garota medíocre? Por que ele, de repente, depositou uma barra de chocolate em cima da mesa que o computador ocupava, para poder livrar suas mãos, e finalmente poder estendê-las à garota no chão? Por que ele a ajudava? Por que simplesmente não pegava a barra de chocolate de volta, como o seu título de chocólatra anônimo determinaria? Por que ele sorria para ela? Por que ele estava ali, afinal?
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Por quê?
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Ela olhou a mão estendida à sua frente e se perguntou se deveria pegá-la, se ela não sumiria com o seu toque. Enquanto ela se perguntava isso, a mão continuou estendida, assim como o sorriso no rosto dele. Ela parou de ser egoísta, e levantou seu braço, não por sua causa, mas porque estava preocupada com ele, não queria fazê-lo de bobo, deixá-lo esperando, cansando o seu braço. Por essa simples razão ela tocou a mão dele. E sentiu uma imensa felicidade.
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Ele existia.
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A mão dele transmitiu proteção ao levantá-la. Ela começou a agir como um robô apaixonado, respirava, continuava em pé, tudo por puro instinto de sobrevivência. Eles estavam frente a frente. Não era incrível. Se ela desse um passo, conseguiria sentir tudo o que esperava por anos. A súbita felicidade, recheada de muita surpresa, tomava conta de cada mera célula do corpo dela. Até que ela, também por instinto, desmanchou o silêncio.
- É mesmo você? – a voz dela saiu baixinha, como se fosse emitida por uma pessoa doente. Porém, dava para perceber, pelo brilho de seus olhos, que a garota não estava doente. Mas, se quiserem insistir na hipótese de doença, eu não discutirei. Apenas direi que o vírus era o Amor.
Ele a fitou. Era um olhar de espelho. Refletia a imagem da garota, o seu medo, a sua felicidade. Tudo transparente. Ela poderia se ler naquelas esferas. Mas os sentimentos dele eram ilegíveis, simplesmente. Nem o sorriso ele esboçava mais para agradar o espírito da garota. Até que alguns ruídos torturadores foram emitidos pelos beiços bem traçados:
- No próximo episódio, eu morrerei.
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O mundo desabou.
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A vida é medida por uma balança sem nome, conhecida por poucos. De um lado há a felicidade, do outro, a tristeza. Há duas unidades de medida: As lágrimas e os sorrisos. Temos de saber medir e lidar com ambos. Aquela menina estava aprendendo isso aos poucos. Estava depressiva, até que ele apareceu. De um instante para o outro, tudo pode mudar, e é necessário ser sábio. Só que a filosofia, repentinamente, parou de funcionar. Naquele momento, a balança havia quebrado, e a tristeza seria para sempre maior que a felicidade, com certeza.
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- No mundo real, você é mais bonita – falou o moreno, mudando de assunto, retirando a garota de seu depressivo mundo paralelo, lembrando que ele ainda estava ali.
- Seus cabelos são de chocolate.
Ele deu um passo à frente.
- Seus olhos são de chocolate.
Devorava a garota com os olhos.
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E ela gostou disso.
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Pela primeira vez, ela gostou de ser normal, de ter tudo castanho, de não ter cabelos loiros resplandecentes, de não ter cabelos negros contrastando com a pele, de não ter cabelo verde, azul, rosa, ou de qualquer cor diferente. Era o simples castanho. Castanho que o agradava. E isso era o que importava: Agradá-lo.
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Seria o chocolate dele.
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Até que a história parou de passar em trechos. Ela não observou nenhum detalhe. Simplesmente nada. Tudo foi rápido demais. Foi pega de surpresa. Quando se deu conta, o garoto já havia escondido dois passos da percepção lerda que ela possuía. E havia roubado outra coisa, algo que deve ser considerado bem mais importante: Um beijo. A demonstração perfeita de um filme romântico.
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Fechou os olhos.
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Os lábios se tocaram intensamente por um breve momento. Foi um toque simples. Cheio de sentimentos. Sentimentos bons. Eles estavam juntos, finalmente. O movimento durou pouco, levando em consideração o tempo. Durou uma eternidade, levando em consideração as emoções que ficariam na lembrança, guardadas como todas as coisas muito boas que acontecem na vida. Apesar de ter durado essa eternidade, ele terminou, infelizmente.
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Abriu os olhos.
Olhos arregalados, demonstrando sua agitação.
O suor lavava o seu rosto de surpresa.
A adrenalina drenava o seu sangue.
Inspirava e respirava na velocidade da luz.
O que aquela loucura toda significava?
Ela havia sonhado com o seu personagem de animê preferido.
Era tudo somente mais um sonho.
Um sonho que se tornou pesadelo quando ela acordou.
O pesadelo simplesmente era a vida real, porque ele não existia.
Sua fixação por aquele desenho havia crescido demais.
Não estava na hora de parar?
Ela não precisava tomar atitudes racionais?
A dúvida se acumulava entre a garota e o lençol que ela abraçava fortemente.
O que fazer ao se levantar do seu berço?
Ela estava pensando em jogar todos os episódios que possuía e todos os mangás numa lixeira inexistente, inexistente para que não houvesse maneira de recuperá-los.
Sim ou não?
Aquilo seria uma atitude racional, retirar de sua vista o que ela acreditava amar?
Sim ou não? Sim ou não? Sim ou não?
Sim, foi a decisão final.
Se continuasse daquela maneira, vendo aquelas mentiras, a tendência seria somente piorar.
Ela já estava parando de distinguir realidade e ficção.
Aonde chegaria?
A lugar nenhum.
Por isso, levantou-se da cama com uma vontade inabalável.
Em poucos passos, chegou à mesa de seu computador.
Começaria excluindo todos os episódios do animê de seu computador.
Já estava com toda a certeza do mundo acumulada em sua cabeça.
Mas enxergou algo que a abalou profundamente: Uma barra de chocolate derretida.
Ela não comia chocolate.
Ninguém entrava no quarto dela.
E aquele chocolate era igual ao... Não, não podia ser.
Tinha sido apenas um sonho, não?