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graay
Author of 17 Stories

Rated: T - Portuguese - Adventure/Romance - Sirius B. & Remus L. - Reviews: 1 - Published: 02-08-09 - id:4850017

Special Weapons and Tactics.

.Outubro de 2008.

A rua estava escura, apesar dos postes de luz dispostos de vinte em vinte metros. A curta garoa que acabara de cair em Glasgow fora suficiente para deixar as grandes e suntuosas árvores cobertas orvalho e as ruas retilíneas úmidas e escorregadias.

Sirius continuou caminhando, ouvindo somente o som de seus coturnos indo de encontro ao asfalto, de vez em quando pisando em poças rasas. Pondo ambas as mãos enluvadas nos bolsos de seu sobretudo, Black encolheu os ombros, tentando se proteger da brisa gélida que perpassava a cidade ocasionalmente.

Não conhecia muito sobre a Grã-Bretanha, no curto espaço de tempo em que esteve morando lá, a única coisa que sabia era que haviam ótimos Pubs no território britânico. E era para um deles que Sirius se dirigia naquela noite.

Virando uma esquina onde havia um banco onde um casal se beijava, Sirius suspirou,observando a pequena névoa formar em frente a sua boca e em seguida dispersar-se. Continuando sua caminhada, lastimava-se mais e mais a cada minuto que se passava, arrependido de ter escolhido ir a pé ao invés de simplesmente pegar um transporte público, a fim de não chamar atenção com o seu carro.

Finalmente uma pomposa casa se fez vista ao fim da rua. Feita somente por tijolos e madeira avermelhada, seu telhado era baixo e pontudo. Para cada janela havia um arranjo floral; Rosas e Tulipas, Anemonas e Amarilis, Crisantemos e Cravos.

Sirius remexeu-se, sentindo um calafrio incômodo. Apertou o passo, pisando em uma poça novamente, ao mesmo tempo em que observava a tal casa que exibia a palavra com letras itálicas garrafais em néon branco: Flox bem acima da porta

Um guarda estava na entrada do Pub e uma fila mediana se fazia presente ali, ocupando quase um quarto do quarteirão. Diferentes pessoas, diferentes personalidades. Sirius caminhou por entre elas, não se importando com os olhares que recebia e ignorando-os solenemente.

Chegou à porta, recebendo um olhar questionador do segurança, e tirou as mãos do bolso apenas para enfurná-las dentro do sobretudo, procurando algo. Quando o achou mostrou ao segurança, com um sorriso cínico. Este fitou Black descrente, mas por fim voltou-se para uma espécie de cartão negro, que havia sido dado a ele.

Sirius puxou seu relógio de bolso e deu uma olhada nas horas, e voltou-se para o segurança que o fitava com um sorriso temeroso.

“Pode entrar.” – ele disse, abrindo a corrente e dando espaço ao novo cliente, ouvindo alguns protestos vindos das pessoas na fila.

Ainda não estava cheio, mesas vazias e poucas pessoas encontravam-se no círculo iluminado dançando ao som de uma música romântica. Luzes que não davam total iluminação preenchiam quase que todo o ambiente, mesas com toalhas negras e cadeiras com forro azulado davam um ar ostentoso ao lugar.

Uma banda tocava em um palco. Seu vocalista, sentado em um banco, cantava teatralmente em um microfone com suporte, com um halo de luz ao seu redor. Fazendo uma expressão de desdém e soltando um muxoxo, Black virou-se para o balcão onde apenas um jovem de boina london branca, cujo cabelo não dava para saber a cor, estava sentado.

Sentando-se três cadeiras depois do rapaz, Sirius esperou o bartender vir atendê-lo. Se inclinando no banco, começou a observar o Pub, mais pessoas chegavam, retirando seus casacos pesados e ocupando as cadeiras, enquanto que alguns casais se levantavam e caminhavam para o círculo iluminado, aproveitando a música romântica.

Ele o estava observando.

Sentindo-se incômodo, Black voltou-se para o garoto, encontrando-se com olhos amarelados, parcialmente escondidos por uma franja loira. O rapaz sustentou o olhar o que fez o outro comprimir os olhos grises. Por fim, o mais novo soltou um risinho e voltou-se para a sua bebida.

Sirius estava pronto para falar algo, mas o bartender chegou a tempo e perguntou qual pedido ele faria.

Old Tom Gin” – Black pediu, esquecendo-se do adolescente ao seu lado.

“Você é corajoso...” – o rapaz disse, virando-se para Sirius, e só então este último pôde ver como ele se vestia. Uma camisa preta, um casaco branco gelo e uma calça jeans um pouco rasgada. Não pôde deixar de notar que ele era bonito. E de que havia mais bolsos do que pano propriamente dito em suas roupas.

“Posso saber o porquê?” – resmungou, retirando o casaco e a luva de couro, pondo-os no banco ao lado.

“Todos que eu conheci e tomaram essa bebida, não agüentaram a segunda dose.” – ele disse, sorrindo. Um sorriso com um quê de cinismo.

“Então você não conheceu muitas pessoas.” – Black retorquiu, prestando atenção no bartender que agitava sua bebida como uma malabarista.

“Todas elas eram homens durões que se achavam melhores do que realmente eram.” – o rapaz revidou, virando-se totalmente para o outro, apoiando o pé esquerdo no apoio do outro banco. – “E acredite, eu conheci muitas pessoas em apenas dezessete anos!” – ele exclamou, parecendo emburrado o que fez Sirius fitá-lo surpreso.

“Talvez dezessete anos seja pouco, então.” – comentou, sorrindo de lado provocadoramente para o garoto enquanto uma música mais agitada começava a tocar.

Ele semicerrou os olhos para Black, enquanto este remexia em uma carteira de couro vermelho procurando uma libra esterlina. Empurrou-a para o bartender com os dedos indicador e médio assim que este o entregou o pedido.

“Tudo bem, eu não ligo.” – ele ressoou depois de um tempo sem falar, observando o aparentemente mais velho. – “Que seja.” – completou, retirando seu pé do apoio do outro banco e voltando-se para frente.

Ambos ficaram em silêncio. Sirius apreciando sua bebida de olhos fechados, em plena degustação. O líquido escorria quente e seco por sua garganta, apesar de gelado. O sabor doce tomando todos os cantos de sua boca, sem deixar resquício algum.

O rapaz no banco ao lado remexia-se ao ritmo da música, que mudara para um ainda mais agitado. Sua perna direita subia e descia rapidamente em um compasso. Sua mão direita, de encontro a sua coxa, dava alguns socos leves, dando a impressão de que ele tocava uma bateria imaginária enquanto a outra segurava a bebida arroxeada. Sua cabeça, seguindo o ritmo da voz do cantor, oscilava em várias direções, quieta e calmamente.

Black voltou-se para o palco. Diferente de antes, quem estava ocupando a maior parte do círculo iluminado eram os jovens, e não os adultos dançando algum tipo de música a dois. Olhando para o adolescente, Sirius soltou um misto de risada e bufo, imaginando o quão grande era a vontade de ele ir lá e dançar.

Sweet child o’mine...” – o garoto cantarolou junto com o cantor, quieta e quase imperceptivelmente. E logo depois suspirou.

Sirius voltou-se para o seu copo, levando-o à boca, logo percebendo, com um muxoxo, que este estava vazio. Depositando-o ruidosamente no balcão, Black chamou novamente o bartender que se aproximou dele com um sorriso simpático e um olhar curioso.

“Outro.” – pediu, ouvindo o garoto estalar a língua entediado. Remexeu-se inquieto, aquilo estava o incomodando.

Voltou-se novamente para o círculo iluminado que ia se esvaziando ao fim da música. Fitou o cantor que ainda cantava teatralmente, por trás do microfone. E, como se lesse seus pensamentos, o garoto soltou outro muxoxo.

Decidiu-se observar o bartender que fazia seu Old Tom como algum malabarista habilidoso, jogando para cima e fazendo algumas manobras dignas. Quando constatou que já estava no ponto, pôs o líquido em um copo novo e limpo e entregou-o a Sirius, que o aceitou ouvindo um suspiro do adolescente, ao passo que a música mudava para uma mais lenta.

Black cerrou os olhos, apenas para logo depois abri-los novamente. “Por que você não vai dançar?” – perguntou impaciente, fitando o jovem enquanto pegava sua bebida gelada.

“Porque eu não estou a fim.” – resmungou, fitando o bartender fazer a bebida de outrem.

“Não é o que parece...” – sussurrou sorrindo, entornando outro gole. – “Eu iria se...”

“Então vamos!” – estimulou, fitando Black radiantemente, já ficando de pé.

Sirius piscou. – “Você disse que não queria.” – ele argumentou incerto, fitando o garoto esperançoso. – “E eu nem disse que iria!” – disse, olhando-o estranhamente.

“Então você não vai?” – perguntou, formando uma expressão de desdém, com uma sobrancelha arqueada, já sabendo a resposta.

Sirius hesitou um momento. Poderia ir dançar com o garoto, mas... – “Não.” – respondeu, tomando o último gole da bebida e sentindo uma inicial pontada de tontura.

O rapaz voltou a se sentar, recebendo a bebida e pegando-a a contragosto. Bebendo-a de um gole só, o garoto tornou a dizer. – “Você é muito sério. Não sabe como viver.” – comentou, secando os lábios com as costas da mão.

“Eu sei como é viver, e eu já vivi assim. Mas acabou.” – Black comentou nostálgico, passando o dedo indicador na borda do copo, circundando-a e produzindo um som ínfimo, imperceptível por baixo da música estridente que a banda ainda tocava.

“Sério, é?” – perguntou rindo cinicamente, enquanto observava o outro fitá-lo com os olhos semicerrados. – “Me diga, então.” – pediu, sorrindo.

“Eu até poderia dizer, mas...”

“Teria que me matar?” – perguntou, rindo, colocando sua mão frente à sua boca, como se não quisesse ser ruidoso, enquanto pedia outra bebida.

“Na verdade, seria ‘mas não quero’.” – respondeu arrogante, tirando o sorrisinho cínico dos lábios do rapaz.

“Entendo.” – assentiu, pousando o queixo na palma de sua mão, apoiada no balcão. – “Então...?” – começou, fazendo uma pausa indagadora, querendo saber o nome dele.

“Sirius Black.” – Disse, virando-se para o garoto, enquanto pedia outro Gim.

“Então, Sirius... Qual foi o triste fato que fez-lo parar de viver normalmente?” – inquiriu, sorrindo, seus olhos faiscando, enquanto o bartender entregava a sua bebida.

“Defina: Viver normalmente” – pediu, observando o rapaz pegar o pequeno guarda-chuva que havia em seu copo, e brincar com ele, aparando as gotinhas da bebida que caía, com a língua.

Black semicerrou os olhos grises lentamente, voltando-se para o balcão, sentindo uma incômoda sensação.

“Hm... Sei lá. Viver normalmente, oras! Fazer o que quiser e...” – ele fez uma pausa, pensando no quê exatamente ele queria dizer. – “e se divertir.” – concluiu sorrindo abertamente, seus olhos brilhando, vendo Sirius voltar a fitá-lo.

“Trabalho.” – disse, sem se importar em especificar qual trabalho era ou coisa do gênero, apanhando seu Old Tom.

“E é sobre o quê?” – indagou, pondo o pé no apoio do banco, as mãos ajeitando o capuz que havia no casaco.

“Você não me disse seu nome.” – Sirius interveio, lembrando-se da apresentação.

“E você não me disse seu trabalho.” – retrucou calmamente, pegando sua bebida de aparência escura.

“Nem pretendo dizer.” – retrucou, sorrindo pela primeira vez, com uma de suas sobrancelhas bem delineadas arqueada.

“Você devia fazer isso mais vezes!” – exclamou, soltando uma risadinha, batendo de leve a mão no balcão. – “Quero dizer, sorrir, sabe?” – explicou, mexendo na aba da boina.

“É estranho sorrir onde não se conhece ninguém, sabe.” – Black comentou, respirando fundo deixando o copo em cima do balcão. – “Acho que bebi demais...” – murmurou, tirando a longa franja negra azulada dos olhos e apoiando a cabeça na palma da mão que estava escorada na mesa.

“Eu ‘tô aqui bebendo há duas horas e você só com alguns drinks já fica bêbado? Que vergonha, Sirius Black.” – comentou brincalhão.

“Huh! O que você está bebendo, então?” – perguntou falsamente irritado, voltando a olhar para o garoto.

“Hm... Cuba Libre.” – respondeu, olhando para as mesas já ocupadas atrás de Sirius.

“E você quer comparar uma mísera Cuba Libre com Gim?” – Sirius riu sarcástico, jogando ligeiramente a cabeça para trás. – “Só brincando!” – exclamou, voltando-se para o loiro. – “Nem se você bebesse uns... Vinte e cinco copos de Cuba Libre você chegaria a um copo de Gim...” – bufou sorrindo.

“Eu não bebo muito!” – urgiu, parecendo irritado, apertando levemente as mãos em punho, ouvindo o outro rir sutilmente. – “E você...” – ele fez uma pausa, parecendo buscar algo em seu cérebro. – “pode me chamar de Lupin.”

“Lupin?” – perguntou curioso. – “Wow! Que sério...” – comentou falsamente assombrado, recebendo um olhar entre confuso e sério de Lupin. – “É a bebida.” – ele disse, fechando os olhos e embrenhando a mão na franja.

“Sei...” – interveio hesitante, acompanhando com os olhos os movimentos de Sirius. – “Tem Remus também, mas eu prefiro que me chame de Lupin.”

“Tudo bem, Rem...” – riu-se, voltando-se para Remus, seus olhos faiscando assim como o do garoto. – “Digo, Lupin.” – sorriu de um modo hipnotizador, fitando os olhos amarelados semicerrarem.


Lupin caminhava, observando a rua tortuosa a sua frente. Seus all stars pisando ruidosamente no asfalto de paralelepípedos úmidos e brilhantes, refletindo as luzes dos postes, formando desenhos assimétricos por eles.

Ao seu lado esquerdo, havia uma ponte simplória e de aparência obsoleta, sua cor era vermelha, que levava para o outro lado de Glasgow, a parte mais nobre. Lado este que Remus pretendia seguir.

Continuou andando, não queria chegar em casa. Sabia que ouviria repreensões e seria criticado, e sinceramente não estava a fim disso. Não se importando em molhar seus jeans, Lupin sentou-se no meio-fio e deitou a cabeça por sobre os joelhos, apenas ouvindo o som de sua respiração ruidosa e observando a névoa aparecer e dispersar.

E então, não era apenas a sua respiração que Remus conseguia ouvir, mas sim um som de passos, disfarçados, lentos e ínfimos. Poderia ser qualquer um. Qualquer um. E mesmo desdenhando e debochando de todos os cuidados que sua família tinha perante ele, Lupin sabia que aquela preocupação era real.

O garoto ergueu a cabeça, olhando para os lados rapidamente. Os passos pararam. Fitou o final da rua, não havia nada lá, nada além das sombras formadas pelas luzes dos postes de encontro às árvores. No outro lado, a única visão tida era a da rua principal, perpendicular à que o Remus se encontrava, iluminada por semáforos e carros que passavam velozmente por ela, seguindo seus percursos.

Esquerda, direita. Lupin se levantou, subindo no meio-fio, olhando por toda sua volta, em uma rodada lenta dentro de seu próprio eixo, nada. Observou cautelosamente, a ponte atrás de si. Era e longa e ampla, com uma ligeira inclinação na metade.

Pensando melhor, Remus preferiu levar quantas horas de sermões necessitasse do que ficar ali, naquela rua deserta. Seu cérebro já mandara a mensagem a suas pernas, para que elas se movimentassem, mas um sopro gélido em sua nuca fez seu sangue congelar e toda a informação que seu cérebro havia mandado, fosse perdida em alguma parte de seu sistema nervoso.

Se Lupin conseguisse prestar atenção a sua volta, conseguiria ouvir seus batimentos cardíacos aumentando.

Sentiu a mão do estranho agarrar sutilmente a sua cintura e a outra percorrer estranhamente frente ao seu tórax chegando a altura de seus olhos. Ele usava luvas negras de couro. Novamente sentiu um sopro em sua nuca, o fazendo arrepiar-se ligeiramente.

“Você esqueceu isto.” – ele disse, mostrando entre seus dedos indicador e médio uma nota de dez libras.

Reconhecendo aquela voz, Remus soltou sua respiração, aliviando seus pulmões. Esta cujo nem sabia que havia prendido momentos atrás.

“Sirius...” – ele suspirou, nunca tão contente de estar acompanhado ao invés de estar sozinho, virando-se e encontrando os olhos grises, brincalhões, pegando a nota estendida para si.

“Te assustei?” – Black perguntou debochado, sorrindo, enquanto subia no meio-fio e caminhava calmamente até a cerca que circundava a ponte e se encostava lá.

“Na verdade” – ele comentou, sentindo, agora, seu coração desacelerar. – “eu já o esperava. Eu só deixei o dinheiro lá pra você vir até aqui.” – mentiu descaradamente, seguindo os passos do outro e sentando-se, já sentindo uma umidade no jeans.

“Vocês...”

“Jovens? Ah, qual é!” – Remus interpelou-o, exclamando, enquanto movimentava suas mãos em sinal de desdém. – “Você não parece tão velho, Sirius. Ou melhor,” – falou, levantando-se e limpando a roupa. – “você não parece velho, definitivamente.”

“Quê?” – Black fez confuso, olhando o garoto fechar o zíper do casaco.

Vocês jovens são estranhos... ou Remus, você é estranho ou... Sei lá... Jovens são idiotas...” – ele falou, desdenhando, imitando alguma voz chata e irritante visivelmente exagerada.

“Lupin...” – Sirius chamou, coçando a ponte do nariz. – “Você bebeu algum outro tipo de bebida além de Cuba Libre?” – perguntou seriamente, analisando o rapaz a sua frente.

“Acho que não... Me desculpe... Eu só convivo com pessoas que falam isso da minha geração.” – realçou a última parte, como se imitasse alguém. – “Você já deve ter passado por isso, deve me entender.”- ele disse, parecendo curioso por saber mais sobre o moreno.

“Não...” – Black disse e riu, observando as feições confusas de Lupin. – “Não na verdade.” – completou, sorrindo, pegando um pequeno rolo em uma caixinha.

“Quantos anos você tem, então? Onde passou sua infância e adolescência? Não é possível não ter passado por nada disso!” – ele falou, vendo Sirius acender algo que se parecia com um cigarro. – “Hey! Qual é? Não perto de mim!” – exclamou, batendo na mão enluvada do outro, derrubando o cigarro no chão.

“Hey!” – Sirius reclamou, olhando o maço branco rolar pelo chão e ser pisado pelo mais jovem.

“Eu não suporto cigarros!” – exclamou, pisando com mais força e vendo as feições de Black mudarem para incredulidade.

“Isso não era um cigarro!” – Sirius reclamou, vendo seu “cigarro” enegrecido e amassado na calçada. – “Eu sou ex-fumante! E” – prosseguiu, desencostando-se da cerca e ficando de frente para o menor. – “isso me ajuda a esquecer o vício.” – disse por fim, suspirando, mexendo no bolso para pegar outro.

“Parar de fumar fumando?” – Lupin perguntou, sua sobrancelha erguida questionadoramente, sua expressão de pura descrença. – “Isso não ajuda! É só um meio de continuar fumando sem... Sei lá, matar os pulmões...”

“Exato.” – disse a contra gosto, agora pegando o isqueiro.

“Ah, me desculpe, então.” – Remus pediu, ainda um pouco desconfiado, pegando o cigarro do chão e entregando a Sirius. – “Toma, ainda...” – fitou o “cigarro” hesitantemente. – “serve... Eu acho.” – sorriu, vendo o rapaz olhá-lo seriamente e revirar os olhos.

Black acendeu o maço de “cigarro” e colocou-o entre os lábios, suspirando deleitosamente, olhando para o céu enevoado, enquanto se encostava novamente na cerca. Aquilo o acalmava tal como o cigarro verdadeiro. Olhou para o lado e Lupin o estava fitando estranhamente.

Pela força do hábito, soprou uma inexistente fumaça do seu fumo. Novamente suspirou em meio ao processo e, olhando novamente para a névoa espessa que estava sob eles, jogou a solução de seus problemas no chão.

“É, você tem razão.” – comentou, caminhando até o meio-fio e sentando-se nele.

“Sim!” – respondeu, seguindo-o com um sorriso amável.

Sirius encarou o jovem ao seu lado, sendo encarado de volta. – “Você não parece tão idiota...” – sorriu, flexionando os joelhos e apoiando as mãos enluvadas lá.

Remus sorriu bobamente. – “Não disse que vocês têm essas opiniões sobre nós!” – exclamou, apontando para Black.

“Vinte.”

“Quê?” – perguntou confuso, olhando para Sirius enquanto colocava as mãos em um dos bolsos do casaco. – “Vinte o quê?”

“Minha idade. Você tinha perguntado.” – respondeu, curvando-se para trás e apoiando o corpo nas mãos amparadas pela calçada.

“Oh,” – Lupin fez, arqueando as sobrancelhas claras. – “você é novo!” - comentou assombrado, observando melhor o mais velho.

“Pareço mais velho?” – Black perguntou seriamente, parecendo curioso, endireitando-se no meio-fio.

“Não, não!” – Remus disse, rindo sutilmente, fitando mais intensamente Sirius.

Ambos ficaram se encarando, suas respirações formando suaves névoas que se entrelaçavam. Os olhos grises varriam os amarelados com a mesma intensidade que estes últimos. Sirius deu um sorriso de lado, enquanto retirava as luvas das mãos, não rompendo o contato, e chegava mais perto do garoto que recuara ligeiramente.

Black, com as mãos já sem as luvas, tocou na nuca do garoto, aproximando-se dele. Por um segundo, Sirius hesitou, esperando que Lupin fizesse sua escolha, porém prosseguiu quando este continuou à espera do beijo.

E então, rompendo a distância entre eles, o mais velho tocou os lábios de Remus com os seus próprios, acarinhando a língua cálida do menor com a sua, perscrutando aquele lugar úmido e quente, tocando o palato dele, ouvindo o outro suspirar em meio ao beijo.

Black envolveu a cintura de Lupin, embrenhando-se por entre o casaco quente, entrando em contato com a pele igualmente cálida e lisa.

“Sirius...” – sussurrou, rompendo o beijo desengonçadamente, ainda de olhos fechados. – “O que você...”

“Você vai saber...” – Black sussurrou, puxando o garoto, parcialmente zonzo, para cima, o fazendo levantar-se.

Aos trôpegos, Sirius foi empurrando gentilmente o menor até encostá-lo na cerca que circundava a ponte. Seus olhos se encontraram, um faiscando de encontro ao outro.

“Eu poderia ficar bêbado apenas com esse beijo...” – argumentou, sorrindo, referindo-se ao gosto do Old Tom que impregnava a boca do moreno.

Levando sua mão até o lado do rosto de Lupin, o mais alto passou a beijar e sugar a área entre o pescoço e o ombro de Remus, enquanto este mergulhava a mão por entre suas madeixas negras.

Novamente, Black embrenhou sua mão por entre o casado felpudo do mais novo, fazendo com os dedos a trajetória do umbigo até o peito liso, quase sem músculos.

“Sirius...” – murmurou, fechando os olhos e arqueando a coluna, enquanto espichava o pescoço. – “Sirius... Eu...” – Lupin tentou dizer algo, mas a perna de Sirius em meio às suas, roçando em seu membro dificultava as coisas.

“Você está começando a...”

“Não...” – sussurrou, abrindo os olhos e circundando com ambas as mãos o pescoço do maior. – “Eu não sou desse tipo...” – argumentou, puxando ar para os pulmões, ar este que parecia nunca satisfazer o garoto. – “Na...” – Remus começou, sentindo a língua habilidosa de Sirius percorrer todo o caminho de sua mandíbula, chegando à sua orelha e a contornando. – “Si... Sirius... Na próxima ve-vez...” – Lupin choramingou, apenas sentindo as sensações que o mais alto provocava em si próprio.

“Tudo bem...” – Black concordou, agora beijando o canto da boca do menor. – “Na próxima vez.” – ele disse, sorrindo malicioso, afastando-se apenas para encontrar os olhos amarelados com as pupilas dilatadas e os lábios úmidos, lábios estes que não resistindo à tentação tomou-os com os seus próprios, lenta e gentilmente. Apenas querendo provar o gosto de Remus.

“Sirius...” – Lupin chamou novamente, virando o rosto, rompendo assim o beijo. – “Assim” – murmurou, encostando a testa na de Sirius e sorrindo docemente. – “fica difícil eu...” – Remus pediu inutilmente, sendo interrompido por outro beijo sedento, porém dócil, de Black.

Ambas as línguas travando uma disputa na qual havia um vencedor.

Sirius Black.

“Tudo bem, vai.” – resmungou, afastando-se do garoto, agora, atordoado.

Lupin pareceu hesitar, mas por fim, deu dois passos à frente, chegando perto de Sirius. – “Noite, Sirius.” – desejou, depositando um rápido beijo nos lábios do outro.

“Noite.” – falou, segurando a cintura delgada do menor, antes que ele se virasse, retirando a franja dos olhos amarelados. – “Não desapareça.” – acrescentou, fitando-o seriamente.

“Não pra você.” – murmurou, perpassando a bochecha pálida, porém corada por causa do frio, de Sirius com os nós do dedo.


“Sr. Lupin! Onde você esteve?” – Uma senhora de meia idade, magra e alta, perguntou vendo o garoto entrar sorrindo em casa. – “Seus pais ficaram preocupados!” – ela exclamou, andando pelo hall brilhante da casa dos Lupin.

“Sinto muito.” – Remus disse, sem se importar realmente, enquanto suspirava. – “Estarei no meu quarto.” – ele comentou, andando até o pé da escada.

“Ah,” – ela exclamou, fazendo o jovem olhá-la indagador. – “Er... Seus pais querem falar com o senhor.”

Lupin semicerrou os olhos, estranhando a governanta não olhá-lo nos olhos. – “Onde eles estão?” – perguntou por fim, seguindo até ela.

“Na sala.” – apontou, guiando o rapaz para uma sala ampla à esquerda. – “Com licença.” – ela disse, dando passagem a Remus e se retirando, não antes de receber um olhar indagador do jovem.

“Sim?” – o garoto questionou, contornando o sofá negro que havia quase no meio da sala, e sentando-se na mesa de centro ficando de frente para os pais que estavam de pé, em frente à estante.

“Rem, querido, nós decidimos que seria melhor contá-lo lá em cima.” – a mãe de Lupin disse insegura, torcendo suas mãos.

“No meu quarto?” – Remus perguntou, franzindo as sobrancelhas. – “Então pra que...”

“Não.” – seu pai interrompeu, fazendo um gesto com a mão, enquanto servia duas bebidas em copos de cristais. – “Tome.” – disse, oferecendo um terceiro copo distinto com, provavelmente, algum suco. – “Beba.” – ele pediu, recebendo um olhar hesitante da mulher.

Revirando os olhos, Lupin aceitou a bebida, tomando-a toda logo em seguida. – “Papai,” – ele chamou, mas foi interrompido por um barulho estranho e por seu pai, ao mesmo tempo.

“Vamos, Rem... E é na cobertura.” – John falou, andando até a imponente porta ornamentada, abrindo-a.

Remus suspirou, estava cansado e a única coisa que queria fazer era dormir. Subindo a escada, Lupin só conseguia pensar em apenas uma coisa, em como sua perna aparentemente estava pesada demais e como sua cabeça zumbia irritantemente.

Bebera demais, tinha noção disso. Noção esta que também tinha sobre não saber beber e nem estar acostumado a isto.

Seguindo seu pai, que agora vinha acompanhado de sua mãe, o garoto continuou a subir, agora na vertical, até encostar-se no corrimão e continuar o percurso, até chegar no segundo andar.

Longos corredores de granito branco com portas negras pareciam afobar Lupin, que suspirava e andava de uma maneira grogue, tentando deixar ambos os olhos abertos, enquanto algo parecia querer fechá-los a cada minuto que se passava.

Quando chegaram na mediana varanda ao fim do corredor, onde havia uma pequena escada em espiral, que levava para a cobertura, Lupin agradeceu aos céus por estar ao ar livre.

“Filho, está se sentindo bem?” – Remus ouviu sua mãe lhe perguntar, mas não assimilou muito bem a pergunta, apenas concordou, sentindo os braços da mulher o abraçando de lado.

Em algum lugar longínquo, o rapaz conseguiu perceber o som de asas, porém estrondosamente alto em sue ouvido, fazendo-o olhar para frente. Seu sono repentino sendo levado embora.

“O que é isso?” – perguntou, afastando-se de sua mãe, enquanto estancava a passada, olhando o helicóptero com sua hélice formando um círculo opaco no ar.

“Rem, querido, é para o seu próprio bem.” – John argumentou, segurando o ombro do filho. – “Você não correrá perigos e nem precisara de vigilância por vinte e quatro horas, coisa que você não gosta...”

“O... O que vocês estão pensando em fazer?!” – Lupin indagou, elevando a voz, sua cabeça zumbindo por isso, parecendo comprimir seu cérebro. – “Eu não vou sair daqui!” – gritou, afastando-se de seus pais, sentindo uma vertigem logo após. – “Não adianta...” – começou, mas foi interrompido ao sentir seus joelhos chocarem-se contra o chão. – “O que...” – parou sua fala. – “Vocês me drogaram...” – ele titubeou, fechando os olhos e espalmando ambas as mãos no chão gélido.

“Não! Filho...” – ouviu sua mãe chamá-lo e, enquanto ia sabendo que tudo ia ficando mais extremo, sua audição ia piorando e sua mente se nublando, soube que não veria mais Sirius. – “Olha... New York não é tão ruim assim, Rem, querido...”

“Vocês me drogaram...” – disse, lutando contra seus sentidos, forçando-se a continuar sóbrio. – “Vocês...” – novamente sentiu uma vertigem e uma cãibra tomou conta de todos os seus músculos. – “Eu...” – murmurou, sabia não fazer sentido e de repente notou o quão confortável aquele chão de mármore frio parecia confortável numa hora como essa. – “odeio vocês...” – e a última coisa que pôde ter noção, foi de seu corpo colidindo-se contra algo que não tinha noção se era macio ou não.


Yooo, minna-san, *-*'

Fic random, né? :x Não tive escolhas -q mas bem, :3 Amigo Oculto é Amigo Oculto, então... ;~ Espero que não tenha ficado algo idiota DEMAIS, :x
Bem, um milhão de 'thanks's pra Potty *-*' que betou essa fic com TOOODO o stress possível -QQQQQ e depois pra Lils que betou, too *-*' I LUV YOU, GUYS 8D q

Anyway, minha kenga oculta é...

... hihihih, DEEEENI *OOOO*!!! -q

Jaaaa na~



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