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Artemys Ichihara
Author of 40 Stories

Rated: T - Portuguese - Adventure/Humor - Reviews: 1 - Updated: 10-09-09 - Published: 04-25-09 - id:5018885

Era um laboratório escuro e solitário, como sua vida sempre fora. Por mais que sua mente lhe falasse que ele iria falhar, Koushaku Chouno não desistiria. Ainda que fosse imortal, ele queria uma nova vida, e não uma sobrevida eterna. Iria curar sua doença. Nem que isso lhe custasse um preço alto demais a pagar...

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Kazuki estava morto. Não no sentido literal, óbvio, mas treinar com Bravo era um desafio que ele não desejava nem para aquele que mais o odiava no mundo - até porque o ser em questão cuspiria até o sangue do óvulo não-fecundado que ele não tinha. Tokiko havia sido sequestrada. Não no sentido literal, pois se realmente o fosse, Kazuki não estaria sendo esfolado vivo por Bravo - ambos estariam procurando por ela. Pois bem, Mahiro havia sequestrado Tokiko para o seu dormitório, para que as garotas - Tokiko, Mahiro Sa-chan e Ma-chan - fizessem uma "festa para garotas".

Apesar de tais contratempos, tudo corria bem nos dormitórios do Colégio Particular Ginsei. Ou parecia correr bem...

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Havia seis meses que Koushaku havia se mudado para os dormitórios de Ginsei, e ali, ele conseguiu montar um perfeito laboratório compacto de alquimia. Perfeito aos olhos dele, claro, os olhos de Papillon Mask.

Aquele laboratório cobria um raio de dez quilômetros com sua alquimia. Era bem abrangente, não?

Resolveu iniciar sua experiência quando... Tudo deu errado. Uma faixa de luz cobriu os arredores de Ginsei, e Koushaku nada mais viu. Apenas voltou a enxergar cerca de duas horas depois, se dando conta de que estava em...

- É impressão minha ou eu estou em Kyoto?

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A cabeça de Kazuki doía. Ele se lembrava vagamente do acontecido: um chute no estômago, cordialmente desferido por Bravo; um enorme feixe de luz, seus olhos não enxergando mais absolutamente nada, sua cabeça batendo no chão, dor de cabeça. Kyoto.

Olhou para o lado e viu Tokiko. O que raios ela fazia naquele lugar? O que raios ele fazia naquele lugar? O que raios era aquele feixe de luz? E, afinal, por que raios de motivo aquela "Kyoto" lembrava tanto a era Meiji?

- Kazuki... - iniciou Tokiko, no seu tom de seriedade de sempre -, você tem ideia de onde nós estamos?

- Kyoto, eu acho. Já estive aqui, e já fui naquele restaurante - Kazuki, então, apontou para uma enorme placa, onde lia-se "Aoi-ya" -, mas ele era muito maior, tinha mais andares... E pegava quase um quarteirão inteiro da rua. Mas eu lembro bem que o nome era "Aoi-ya".

- Não está se confundindo? - perguntou Tokiko, desconfiada.

- Meu nome é Kazuki, não Mahiro. - o garoto respondeu, sorrindo. Tokiko olhou-o, ainda desconfiada, mas, olhando aquele sorriso, desistiu.

- Tudo bem, então. Vamos até o restaurante.

Levantaram-se (pois ambos estavam sentados), e foram em direção ao restaurante. Entraram no lugar, era realmente... Antigo. Rústico, por assim dizer. Ao serem percebidos, foram cordial e alegremente recebidos por uma garota (pelo menos era o que o ser humano aparentava, pois não passava de um metro e cinquenta) de cabelos negros um pouco abaixo do ombro, que usava um yukata rosa, com seu obi em tons de azul.

- Ah! Desculpem a demora! É que eu estava resolvendo umas coisas e... Bem, bem, no que posso ajudá-los? - a moça disse, alegremente.

- Aqui é o Aoi-ya? - perguntou Tokiko, seca. Ainda não confiara nas palavras de Kazuki.

- É sim - respondeu Misao, com um sorriso muito sem graça no rosto. - As pessoas deveriam ao menos ler o que se escreve nas placas - pensou.

- Hã... eu gostaria de saber exatamente onde estamos. - comentou Tokiko, ainda seca.

A garota suspirou.

- Aoi-ya restaurante e pousada, rua Kyosato*, número três. Kyoto, Região de Kinki, ilha de Honshuu, Japão.

- Você poderia, por favor, nos informar o ano? - desta vez, fora Kazuki quem os falava. A garota olhou para eles, e arqueou uma das sobrancelhas. - Ingleses estranhos. - pensou. Nunca havia visto ingleses com olhos puxados, fluentes em japonês e perdidos no tempo. Apesar de todas essas estranhezas, ela resolveu atender ao pedido das crianças.

- Estamos em 1888.

Kazuki e Tokiko se entreolharam, arregalando os olhos. Não podia ser. Além de terem parado numa cidade aleatória à sua vontade, vieram parar no séulo XIX?

- COMO? - gritaram em uníssono. Aquilo. Não. Podia. Ser. Verdade.

- É... Olha, minha paciência acabou. Peço mil perdões, mas vocês são muito estranhos. Vão pedir alguma coisa ou não vão?

A garota, de certa forma, lembrava Kazuki. Tokiko e seu amigo olharam para baixo, profundamente nos olhos da atendente (pois a mulher era realmente pequena!).

- Olha, a senhorita...

- Senhora - respondeu a mulher, fechando ainda mais a expressão.

- Então, a senhora é muito mal-educada, sabia? - perguntou Tokiko, sem paciência também. - Eu gostaria de falar com seu gerente.

A mulher sorriu cinicamente para o casal de amigos e simplesmente repondeu:

- Eu sou a gerente.

Os guerreiros alquimistas entreolharam-se, e Tokiko adiantou-se:

- Então, precisamos urgentemente falar com a senhora.

A mulher apenas olhou curiosamente para eles, e assentiu energicamente, levando-os para dentro do restaurante.

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Rokumatsu simplesmente disse:

- Era Meiji.

Okakura, Daihama e Mahiro olharam para ele, assustados. Não sabiam onde estavam, como haviam parado ali, e, sequer, se poderiam voltar.

- Você está brincando, não, Koushi? - perguntou Okakura, seu topete até murcho de medo.

- Não. Estou falando sério. Estamos na Era Meiji.

- E como você s-s-sabe? - perguntou Mahiro. Não era possível dizer se ela tremia de medo ou de excitação.

- Porque naquele calendário, diz que hoje é dia 9 de junho de 1888.

Todos olharam para o calendário, que ficava dentro de um restaurante chamado "Akabeko".

- A-acho que estamos em T-Tokyo. - comentou Mahiko, cada vez mais trêmula.

- E como sabe?

- Eu... já vi esse restaurante antes. Mas ele era muito mais... moderno.

Todos fitaram a jovem. Era óbvio que era mais moderno, uma vez que eles haviam - sabe-se lá como - parado no ano de 1888.

- Acho que o jeito é entrar e pedir informação. - sugeriu Daihama.

Todos entraram no estabelecimento.

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- Meu nome é Kazuki Mutou, e ela é Tokiko Tsumura.

- Prazer, meu nome é Misao Shinomori. Desculpem-me pelo meu tratamento mais cedo... Só que, vamos falar a verdade, vocês pediram. Podem falar o que lhes aflige.

- Não somos daqui. - Kazuki foi bem direto. E completamente evasivo.

- Sim, conte-me algo que eu não saiba - respondeu Misao, sorrindo - Vejo isso por suas roupas. São de onde?

- Não, Shinomori-san, a senhora não nos entendeu. Não somos daqui, deste tempo.

Misao arregalou os olhos, surpresa e curiosa. Suspirou e levantou-se.

- Esperem um momento, vou chamar uma pessoa.

E saiu rumo à porta da sala em que estavam conversando.

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- O que desejam? - uma garota de aproximadamente dezessete anos falava docemente ao quarteto completamente estranho que ali entrava. Mas ela não se importava. Seus amigos eram mais estranhos mesmo...

- Hã... É que... Você... - Okakura parecia estar interessado na garota. O seu topete, que estava completamente murcho antes de entrarem, havia voltado ao normal. Até o momento em que um garoto de cabelo espetado, portando duas espadas - uma de madeira e uma espada real - entrou no tal restaurante, procurando pela garota que os atendia.

- Tsu! Ah, Tsu, você está aí. - ele olhou para os quatro amigos (Okakura, agora, tremia, sem saber por quê). - Oe! - cumprimentou, acenando alegremente.

- Oooi! - respondeu Mahiro, que parecia tremer de excitação.

- Hã... De onde vocês são? - perguntou, curiosa e inocentemente, o garoto. Pelas roupas que usavam, pareciam ser ingleses.

Rokumatsu se apressou em chamar o garoto de canto, suspirou e começou a lhe explicar a sua situação. Ao terminar de contar o acontecido, acrescentou:

- Eu sei que você pode não acreditar nisso, mas, para a gente, isso é verdade.

- Tudo bem, eu entendo. Bem... acho que aqui vocês não terão sossego... Tsu...

A garota olhou para o rapaz, que lhe explicou tudo num volume de voz mais baixo, e então, lhe perguntou:

- O que acha do dojo?

- Eu acho que é um bom lugar! - a moça respondeu, balançando sua bandeja - Além de ficarem hospedados, Kenshin-san poderá enviar uma carta a Aoshi-san e perguntar-lhe o que ele sabe sobre isso! Afinal, Aoshi-san sempre sabe! - a garota disse, sorrindo, e acrescentou em um murmúrio - Mesmo quando ele não sabe.

- Então, vou levá-los até lá. Vocês - disse dirigindo o olhar ao grupo deslocado -, sigam-me.

Ninguém se objetou a obedecê-lo.

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- O que acha, Aoshi? - perguntou Misao, após ouvir a explicação dos dois jovens a sua frente.

- Foi alquimia. - respondeu o homem, que tinha longos cabelos negros, presos em um rabo de cavalo, com franjas que caíam sobre os frios olhos azuis e, ao contrário de sua esposa, era extremamente alto. - Só pode ser isso. Por acaso, vocês têm alguma relação com alquimia?

Tokiko e Kazuki se entreolharam, pois eles haviam omitido o fato de que conheciam alquimia, entretanto, eles sentiam que não conseguiriam mentir para o dono do restaurante em que ficariam hospedados até tudo se resolver.

- Somos guerreiros alquimistas... - respondeu, sinceramente, Kazuki.

Aoshi assentiu.

- Entendo... E além de vocês, existe algum alquimista nas redondezas do lugar onde vivem?

- Sim, tem o Koushaku. - Kazuki respondeu, sorridente.

- Esse alquimista - iniciou Misao - tem algum tipo de doença? Algo grave?

Kazuki e Tokiko assentiram, e Misao suspirou.

- Já até sei o que o idiota fez - a mulher disse. - Temos de achá-lo, ou vocês ficarão presos nesse tempo até o fim de suas vidas. Por acaso vocês moram em um lugar onde vivem muitas pessoas...

- Um cortiço, é o que ela quer dizer. - Aoshi explicou, e Misao fitou-o com o cenho franzido.

- Aoshi! Isso não é coisa que se diga!

Aoshi apenas suspirou, esperando a resposta dos garotos, que riram da situação. Kazuki apressou-se em explicar.

- Sim, onde a gente mora vive muita gente. Mas não moramos em um cortiço... Moramos? - Kazuki perguntou, olhando confuso para Tokiko, que negou. - Vivemos nos dormitórios do colégio onde estudamos, e Koushaku vive lá.

- Um colégio interno. - disse Aoshi em um tom neutro - Creio que ele usou o seu quarto como laboratório.

- Se eu pegar esse menino... - respondeu Misao, meio alterada. Ela estava começando a dar medo.

- Senhor Aoshi, como o senhor e a senhora Misao conheceram a alquimia? - perguntou Tokiko, meio tímida (o que deixou Kazuki muito intrigado).

Misao sorriu.

- Um okashira precisa saber de todas as coisas.

Quando Tokiko tomou ar para perguntar o que, exatamente, era "okashira", uma menininha de não mais de quatro anos de idade entrou no recinto, procurando por alguém.

- Mamãe, Kon te chamano na cozinha.

Misao olhou para a garota, sorrindo e sentou-a no seu colo.

- Espera só um pouquinho que a gente já vai, tudo bem? Olha, Hannya*, dê um 'oi' para os nossos convidados. Esse - apontou para Kazuki - é Kazuki Mutou e essa - apontou para Tokiko - é Tokiko Tsumura.

A garota sorriu energicamente, e saiu do colo da mãe, ficando em pé e fazendo uma reverência, dizendo seu nome logo em seguida:

- Meu nome é Hannya Shinomoli.

- Perdoem a pronúncia dela - disse Aoshi - Ela só tem dois anos.

- Então... O que vem a ser um "okashira"? - perguntou Tokiko, num tom sério que lhe era habitual, enquanto observava a pequena Hannya voltar para o colo da mãe. Parecia estar com sono.

- É o membro tomado como "chefe" de uma organização. No caso, da Onmitsu Oniwabanshuu.

Tokiko e Kazuki arregalaram os olhos.

- Beeeem - Misao cortou o silêncio incômodo que se instalara no local - como vocês caíram aqui com essas roupas estranhas, acho melhor trocá-las, e acho que também devem estar com fome.

Tokiko estava pronta para informar que não sentia seu estômago reclamar, quando Misao fitou-a com um olhar nada amistoso.

- Não ouse dizer que não sente fome.

Tokiko não soube se era real, mas teve certeza de que viu um par de kunais na mão direita da sua anfitriã.

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Koushaku olhou ao seu redor. Estava no meio de uma floresta densa, cujas copas das árvores não lhe permitiam ver o Sol. Sua cabeça doía, e ele sentia-se péssmo por seu experimento não ter dado certo.

- Ao menos, não fui desintegrado. - pensou, levantando-se. Teria muito o que fazer ainda.

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Aquele lugar era calmo. Parecia ser um bairro afastado do centro da cidade, o que explicava o fato de ser deserto daquele jeito. Avistoujma pessoa vindo e resolveu perguntar a ela onde estava.

- Estamos em Kyoto, moço - respondeu o senhor, sorrindo.

- Obrigado. Como faço para chegar à cidade?

- Vai por aquela estrada - respondeu o homem, cordialmente -, que o senhor chega na cidade. Desculpa perguntar, mas como eu te chamo, moço?

O rapaz olhou para o homem mais velho, respondendo-lhe:

- Pode me chamar de Bravo.

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O lugar não tinha nada além de árvores, gramados, arbustos e uma enorme mansão. Ali, era possível ouvir algumas pessoas declamando, em vozes alternadas, uma poesia que dizia: Em minhas mãos, uma arma/Em meu coração, um buquê/Nos meus lábios, vinho/Em minhas costas, uma vida.

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Notas do capítulo:

rua Kyosato - nome fictício de rua que eu inventei, baseado no nome do noivo de Tomoe, Akira Kyosato.

Hannya - segundo a tradução do mangá da JBC, Hannya é o nome de um personagem feminino do teatro Nô; logo, optei por colocar o nome do falecido onmitsu em uma garota.



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