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Tudo estava muito escuro. E estranho. Andavam por horas, e nada conhecido encontravam. Qual era o problema daquele lugar? O celular não pegava, o relógio havia parado e tudo era tão rústico e antiquado! Os ienes que tinham no bolso pareciam valer fortunas, e não tinham mais do que o suficiente para comprar um mangá. Todos os olhavam como se fossem estrangeiros, mesmo que suas aparências não faziam duvidar sua procedência nipônica. Nem mesmo Gozen Angel conseguia fazer alguma coisa com relação àquilo. Sem rumos para seguir, sentaram-se na frente de uma clínica médica, de nome "Takani".
- Shuusui - disse Ouka, num suspiro - Tem ideia de onde estamos?
- Não. - foi a simples resposta de Shuusui. Gozen-sama vistoriava o local com seus sensores, quando uma mulher saiu da clínica e avistou as crianças sentadas na porta de seu estabelecimento. Tinha estatura mediana, um pouco maior que o padrão para a média japonesa, longos cabelos negros e ondulados, olhos azuis-escuro e usava um traje estranho aos garotos sentados na porta do local. A mulher dirigiu o olhar a eles.
- Desculpe-me, mas... Vocês estão bem?
Ouka fitou a mulher, assustada. Tratou de transformar Gozen Angel em uma Kakugane novamente, e levantar-se, assim como estava fazendo seu irmão.
- Sim -, respondeu a garota - apenas não sabemos onde estamos.
A mulher fitou aos garotos, curiosa. Suspirou e, desistindo do seu horário de almoço, disse:
- Por que vocês não entram e tomam um pouco de chá? Assim vocês me explicam o que está havendo.
Os gêmeos assentiram. Shuusui perguntou:
- Como é seu nome?
- Megumi - respondeu a mulher - Megumi Takani.
E entraram na clínica médica em busca de respostas para o dilema que estavam vivendo.
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- Como assim, 2003*? - Megumi perguntou, com os olhos mais abertos do que sua face podia suportar. 2003? Eles estavam brincando, não?
- Sendo. - respondeu Ouka, quase em um sussurro. Megumi não conseguia acreditar, ainda.
- Mas isso é...
- Física e científicamente impossível? - perguntou Shuusui, no que Megumi assentiu. - Errado, senhorita Takani. É completamente possível... E compreensível.
Megumi observou os dois jovens com um olhar de curiosidade extrema no rosto. Ouka olhou para Megumi, e resolveu falar:
- Você já ouviu falar de alquimia?
- Sim - respondeu Megumi -, é a ciência que deu origem à quimica, à física e até à medicina de certa forma e...
- Não continue. - ordenou Shuusui - Você realmente nunca ouviu falar da real alquimia.
- Real... - Megumi murmurou. Levantou-se e começou a andar em direção à rua. - Vamos comer alguma coisa. Devem estar com fome, não?
Os irmãos assentiram.
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- Então quer dizer que essa alquimia é regida pela kakugane, que existem três tipos delas e que vocês trabalhavam para homunculus? - perguntou Megumi, enquanto eles almoçavam. Ela parecia já ter compreendido um pouco da situação, e, no momento, enumerava as evidências que os irmãos a tinham dado. O único problema era que Megumi parecia ser alguém muito difícil de acreditar por fazer parte do corpo científico e da área da saúde.
- Sim... E nós não temos a mais pálida ideia de quem fez isso conosco... E se fomos os únicos a vir parar aqui.
- O que o senhor vai desejar? - uma mocinha perguntava para uma mesa atrás deles. Parecia que um homem estava sentada nela. Megumi não conseguia reconhecer a voz com certeza, mas nela havia algo familiar...
- Peixe, arroz e saquê. O peixe pode ser o mais barato, assim como o saquê. A porção de arroz, a maior, por favor. - respondeu o homem.
Megumi olhou para trás, curiosa em saber a quem pertencia aquela voz. Seus olhos surpreenderam-se quando encontraram os olhos castanho-chocolate que não via há quase dez anos.
- Cabeça de galo... - murmurou num tom audível somente à Ouka e Shuusui.
- Quanto tempo, não, raposa? - o homem respondeu com aquele sorriso vagabundo de sempre. Os anos podiam passar, mas aquela personalidade deturpada parecia não ter a mínima vontade de mudar. Tal qual a personalidade de Megumi.
- Bem-vindo de volta.
- Thank you so much(muito obrigado). Você está... Diferente.
- É claro! O que você acha? Que só porque você passou nove anos fora do país todos iriam parar no tempo?
O homem sorriu.
- Claro. - ele respondeu, ainda sorrindo.
- Isso é muito egocêntrico de sua parte, Sanosuke Sagara.
- Eu sei, Megumi Takani.
Fitaram-se por cerca de dez minutos, enquanto Ouka, Shuusui e uma clandestina Gozen Angel assistiam concentradíssimos. Não entendiam nada, mas não ousavam cortar o pesado clima que se instalara no lugar, fosse com uma palavra ou com uma faquinha de cortar rocambole¹.
Silêncio. Dez, vinte, vinte e cinco segundos, que para os presentes pareciam minutos e que para os envolvidos pareciam horas, se passaram. Após esse período atemporal de não-som, Megumi perguntou:
- Pretende pagar a conta, senhor Sagara?
Sanosuke apenas sorriu.
- Velhos hábitos não morrem.
Megumi olhou para ele reprovatoriamente, e convidou-o para sentar junto do grupo.
- Senhorita - disse, chamando a garçonete que atendera Sanosuke -, os pedidos desse rapaz... Pode por na nossa conta. E... traga para essa mesa também.
A mocinha assentiu
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- ELES O QUÊ? - Sanosuke berrou com o vasilhame de saquê na mão. Não estava alcoolizado, estava apenas... Surpreso. Afinal, desde quando doninhas podiam se envolver com cubos de gelo? Se bem que o pelo delas era usado para fazer casacos de pele e esses casacos costumavam ser usados para aquecer as pessoas no frio, mas esse não era um argumento que fosse convencer Sanosuke Sagara a acreditar que existia uma família Shinomori.
- Casaram. Está confuso para você? - retrucou Megumi, sarcasticamente. Os irmãos e a Busou Renkin continuavam com seus pontos de interrogação na cabeça. "Aoshi? Misao? Shinomori? Gelo? Doninha? Que raio de conversa é essa?", pensavam.
- Oh, man... This' unbelievable! (Oh, cara... Isso é inacreditável!). E... você sabe sob quais circunstâncias eles... se... Juntaram? - Sanosuke ainda estava desconfiado. Nunca (quer dizer, ele até já se deu ao luxo de fazer um pouquinho) havia imaginado os dois juntos. Não que eles não combinassem. Ele apenas pensava que Aoshi não teria coragem de fazer aquilo...
- Claro! - Megumi disse, sorridente - Afinal, EU, fui uma das culpadas por tal coisa!
- Como?
- Três ml de soro da verdade, um quarto fechado e Misao de uniforme.
Sanosuke arregalou os olhos.
- Você não acha que três ml não é muito?
- Sim. Mas, naquele dia, ele disse TUDO o que achava de TODOS. Até que, se fosse mulher, aceitaria de bom grado se entregar para Kenshin. E que se tornaria lésbica por Misao. E que tinha vontade de ter experiências com Kamatari.
Sanosuke engasgou com o saquê. Shuusui sentia vergonha alheia pelo tal de Aoshi. Ouka segurava-se para não rir. Gozen Angel havia voltado à forma de kakugane.
- Isso é verdade? - perguntou Sanosuke, ainda meio mal.
- Não de todo.
- E quais partes não são verdade?
- Descubra por si mesmo. - respondeu Megumi, incitante, deixando Sanosuke extremamente irritado.
- Você acha que vai me fazer de bobo? - perguntou, começando a ficar furioso.
- Se eu acho? Cabeça de galo, meu querido... - disse Megumi, acariciando o queixo do moreno - Eu SEMPRE o fiz.
- Caham.
Todos na mesa olhavam para Shuusui, que intervira com um olhar de "por favor, mas ainda precisamos de ajuda". Megumi olhou para eles e assentiu, começando a explicar a situação das crianças com a seguinte frase:
- Você sabe o que é alquimia?
Sanosuke respondeu:
- Sim. Mas eu acho que alguém deve saber melhor.
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- Por que ele?
- Porque ele deve saber, oras.
- Continuo perguntando: por que ele?
- Porque ele é uma pessoa chata, que sempre sabe de tudo, mesmo quando não sabe.
- Por que não ela?
- Porque ela vai me enfiar a voadora e três kunais quando eu a ver.
- Verdade.
- Gente. Do que, de quem e por que vocês estão falando isso? - perguntou Gozen Angel, já devidamente apresentada aos nativos do passado. Eles olharam para a Busou Renkin robótica e disseram, em uníssono:
- Aoshi e Misao...
- Shinomori - disse Megumi.
- Shinomori e Makimachi, respectivamente - completou Sanosuke.
- Te custa muito acreditar que eles estão juntos? Se precisar de um motivo, te mostro uma foto da Hannya!
- Hannya?
- É, Hannya! Dela e do Kenji...
- Kenji?
- É, Kenji! - respondeu Megumi, alterando o tom de voz.
- GEEENTEEE, HELLOOOO! NÓS. PRECISAMOS. DE. AJUDA. Então, os senhores ADULTOS poderiam parar de agir como CRIANÇAS e se comportar DIREITO para nos ajudar? - berrou Gozen Angel. Todos ficaram calados.
- Bem - disse Sanosuke -, o que podemos fazer é o seguinte...
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Depois de quase duas horas acertando e entendendo coisas, ficara decidido que eles iriam para Tokyo assim que conseguissem mandar um telegrama para o Dojo Kamiya.
Shuusui e Ouka estavam sentados na varanda, juntos, olhando para o céu.
- Mesmo quando decidimos tomar caminhos diferentes, o destino parece querer nos unir novamente... - disse Ouka, na sua característica voz baixa. Shuusui se aproximou mais dela, colocando sua mão sobre a mão de Ouka, que sorriu com o gesto.
- Estamos ligados por muito mais coisas que sangue, Ouka. Estamos ligados pelo nosso mundo, no qual é apenas eu, você e mais nada.
- Mas nós não havíamos aberto mão desse mundo? - perguntou Ouka, confusa.
- Nunca... Nunca. - respondeu Shuusui - Afinal, como sempre fazemos, vamos nos casar no fim do dia e viver felizes para sempre. Né? - completou.
- Sempre. - respondeu Ouka.
E, clandestinamente, Megumi assistia à conversa dos irmãos, temerosa por um relacionamento incestuoso. Afinal, ela, como médica, sabia que relacionamentos incestuosos nunca davam certo. E nunca faziam com que as pessoas vivessem felizes para sempre.
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*2003 porque esse é o ano em que o mangá foi lançado (aparentemente, segundo a Wikipedia)
¹ Faquinha de rocambole que corta até ódio!!! Mih () ESSA É PRA VC!!
BGBG