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Disclaimer: Saint Seiya não me pertence. Faço este fic apenas por diversão, sem fins lucrativos.
The Judgment
Para Imouto e Tia Nat
I–I
Mu de Áries, defensor da primeira casa Zodiacal do Santuário de Atena, desviou a atenção de seu trabalho de consertar armaduras ao sentir aquilo. As presenças não eram exatamente extremas, não se comparavam ao cosmo dos cavaleiros de ouro… mas ainda assim, eram um tanto quanto singulares. Visivelmente mais fortes que os outros escalões de cavaleiros. Era muito difícil sentir presenças como aquelas próximas ao Santuário. Naquele momento, o dono dos olhos lilases teve certeza de que todos os cavaleiros de ouro que estivessem por perto tinham desviado a atenção do que estavam fazendo para focalizar seus pensamentos naquelas três novas pessoas.
Deixou as ferramentas de lado e seguiu na direção da entrada da Casa de Áries. Parou, olhando o horizonte exatamente na direção do campo de treinamento das amazonas.
– Novas amazonas…? – ele franziu o cenho, confuso com a informação recentemente adquirida. Não sabia que tinham chegado novas iniciantes ao Santuário, mas era o que parecia. Atena deveria estar a par daquilo. – É claro que está.
Deu as costas à entrada da casa e voltou ao seu trabalho, com as armaduras que precisavam ser restauradas.
Naquele mesmo momento que Mu tinha desviado os olhos da armadura, não apenas os demais cavaleiros presentes no Santuário, mas também a habitante da última casa tinha desviado a atenção. Ela parou na varanda de um dos enormes salões, com uma vista abrangente de todo o Santuário. Com as mãos apoiadas no gradil, observou o mesmo ponto que Mu e os outros cavaleiros de ouro tinham observado minutos antes.
– Finalmente chegaram… – ela sorriu fracamente, virando-se para um servo que esperava alguns passos atrás dela.
– Deusa Atena…?
– Traga-as. – Atena disse, fazendo um rápido aceno de cabeça.
O servo se curvou e saiu da sala.
– Depois de tantos anos… finalmente guerreiros qualificados para os postos de cavaleiros de ouro. – Atena comentou consigo mesma. – Ou melhor… amazonas.
Enquanto isso, no local alvo da atenção dos cavaleiros mais fortes do Santuário, três garotas tinham acabado de chegar, mas o simples ato de colocar os pés dentro do campo de treinamento das amazonas não provocou a mesma reação que a dos cavaleiros de Ouro. Em verdade, ninguém sequer notou a presença delas.
Entre mulheres, os costumes não precisavam ser mantidos e as três não se preocuparam em cobrir os rostos com as máscaras que tinham aprendido a usar desde criança.
As três tinham cabelos muito curtos, provavelmente para facilitar os movimentos durante os treinamentos. A primeira tinha os olhos azuis e uma pele muito clara. Os cabelos eram curtos e bagunçados, chegavam apenas na altura das orelhas. Era a mais alta entre elas. A segunda tinha os cabelos talvez dois dedos maiores, vermelhos como sangue, os olhos castanhos pareciam bem vivos e dispostos. A terceira era a que dava a maior impressão de cansaço, os cabelos na altura dos ombros, completamente repicados e assanhados, tal como a franja, eram da mesma cor dos olhos castanhos, quase negros.
– Há quantos anos a gente tá treinando? – Liadan, a dona dos olhos azuis, perguntou, sentando-se numa pedra qualquer e observando as outras amazonas em treinamento, a uma certa distância.
– Algumas… décadas? – Mina respondeu, passando a mão pelos cabelos vermelhos, contendo a vontade de bocejar de tédio.
– Quantas armaduras a gente conseguiu? – Liadan voltou a perguntar, suspirando entediada também.
– Nenhuma. – Alexia respondeu por fim, jogando uma mochila de lado e se sentando no gramado.
– Que saco…! – Liadan se jogou deitada na pedra, fechando os olhos para descansar.
– Bom, pra todos os efeitos, fomos mandadas pra cá pra conseguir nossas armaduras. – Alexia comentou, coçando um lado do rosto e tirando a franja de cima dos olhos.
– É… estamos atrás delas há mais de dez anos e não conseguimos nada. – Liadan reclamou.
– Das outras dezessete que treinaram com a gente durante esse tempo, quatro conseguiram armaduras de prata e duas de bronze. – Mina finalmente se rendeu ao cansaço da viagem e sentou no gramado também.
– E aquelas vacas ainda chegaram depois da gente! Vê se pode! – a dona dos olhos azuis reclamou, irritada. – Fomos praticamente as primeiras a chegar lá e as últimas a sair daquela ilha miserável! E pra onde nos mandam?! Pra outro campo de treinamento! E com armaduras?! É claro que não!
– Se está tão ansiosa para receber armaduras, devia treinar, amazona, e não reclamar.
A voz feminina era completamente nova aos ouvidos das três amigas. Liadan se levantou e as outras duas viraram o rosto para encarar a nova mulher no local. Ela tinha cabelos longos e esverdeados. Não vestia a armadura de amazona, mas apenas a armadura de treinamento. Entretanto, tinha uma máscara prateada com marcas azuis de um dos lados.
– Onde estão suas máscaras? – ela perguntou, ríspida.
– É um campo de treinamento de amazonas… não achamos que… – Liadan tentou responder, mas logo foi interrompida.
– Souberam desde o princípio o que era ser uma amazona. Renunciar a tudo para ter o direito de se igualar aos cavaleiros protetores de Atena. Acima de tudo, esquecer sua feminilidade para se provar tão boa quanto os homens que protegem a deusa. Acham que podem mostrar as faces assim, tão despreocupadamente? É uma desonra e uma afronta ao código das amazonas. Jamais devem ficar desprevenidas. – ela falou e parecia irritada.
– Não seja tão severa, Shina. – uma outra voz adentrou o ambiente e mais uma vez, as três novatas precisaram desviar a atenção para uma nova amazona que se aproximava. Esta tinha os cabelos castanhos e longos também. O mesmo estilo de armadura simples para treinamento cobria o seu corpo e o rosto estava escondido com uma máscara completamente prateada. – Vocês devem ser as novas amazonas vindas do pacífico, não?
– Sim. – Alexia apressou-se em responder. Já estava de pé, tal como as outras duas.
– O que Shina está tentando dizer é que… o Santuário tem mais iniciantes homens do que mulheres. É importante que evitem retirar as máscaras mesmo no campo de treinamento das amazonas. Sabem os destinos que aguardam aquelas que deixam os rostos serem vistos por um homem. Não queremos confusão no Santuário. – ela completou. O tom de voz era bem mais sereno do que o da amazona chamada Shina. – Eu sou Marin de Águia. Supervisiono os treinamentos, assim como Shina. Seremos suas tutoras por agora.
– Coloquem as máscaras. – Shina disse, desviando um pouco o rosto para o lado esquerdo.
As três jovens estranharam o súbito ordenado e, sem questionar, fizeram o que ela tinha dito. Em poucos minutos perceberam do que se tratava. Um homem de aparência não muito velha apareceu por trás de alguns arbustos, seguindo já na direção de Shina e Marin. Ele não parecia um cavaleiro, vestia típicos trajes gregos e parou diante das duas amazonas fazendo uma reverência.
– A Deusa Atena requer a presença das três novas amazonas que acabaram de chegar ao Santuário. – ele disse, rápido e simples.
Shina e Marin se entreolharam e então, viraram os rostos mascarados para as três novatas. Não podiam ver a expressão de surpresa delas por conta das máscaras, mas podiam imaginar. Afinal, acabar de chegar ao Santuário e ter um pedido direto para estarem sob a presença de Atena era uma coisa que raramente acontecia. Na verdade, nunca acontecera.
– A Deusa espera.
– Vão. – Marin fez um sinal com a cabeça para que seguissem o senhor.
As três recolherem as mochilas com os poucos pertences da viagem que tinham acabado de fazer e então, seguiram com o homem para fora do campo das amazonas, sendo observadas por todas as outras iniciantes e veteranas do lugar, principalmente por Marin e Shina, que sabiam para onde exatamente elas iam.
Quando elas alcançaram uma distância segura do campo das amazonas, com o servo de Atena andando a um passo diante delas, finalmente Liadan abriu a boca para quebrar o silêncio.
– Mas que mulherzinha chata! – ela reclamou, cruzando os braços de maneira emburrada. – Souberam o que era ser uma amazona… blá blá blá… recusaram isso e aquilo, blá blá blá… é uma desonra e afronta… blá blá blá! A gente vai ter que treinar com ela?!
– Vá começando a se acostumar e parar de tirar a máscara. – Mina riu da reação dela.
– Mas ela está em parte certa. – Alexia completou. – Não estamos mais numa ilha isolada no meio do pacífico. Praticamente não havia homens lá. Os poucos que passaram foram apenas para breves treinamentos. A nossa preocupação aqui em esconder o rosto vai ser bem maior.
– Vou enterrar a cabeça na areia e talvez isso ajude. – Liadan comentou, dando de ombros.
Mina estava prestes a responder à afirmação de Liadan quando pararam diante de um enorme lance de escadarias. As três pararam quase que automaticamente, observando os montes de rochas sobre os quais estavam construídos as mais importantes moradas do Santuário, as casas Zodiacais, a Ante-Câmara e finalmente, a casa ocupada por Atena, onde estava a estatueta dourada da deusa.
– Uow… – foi a exclamação que saiu dos lábios de Liadan quando observou a construção. – Vamos levar um século pra chegar lá em cima se formos acompanhando o passo dele…
Alexia pisou fortemente no pé de Liadan diante do comentário desnecessário dela. Teve ainda a impressão de que a outra ia revidar, quando o servo de Atena virou-se para ela para tomar a palavra.
– Senhoritas, é desnecessário que importunemos os cavaleiros de ouro. Estaremos tomando um caminho alternativo, mais rápido e comumente usado pelos servos. Se puderem me acompanhar…
Elas se entreolharam e então, seguiram o homem. Ele desviou do caminho das escadarias e pegou uma trilha de pedra bem ao lado das grandes casas.
– Esse lugar é cheio de invenção mesmo… – Liadan comentou, seguindo na frente.
Pelo caminho que elas percorreram, quase não dava para ver as casas zodiacais. Parecia mais que estavam mesmo completamente escondidas. Mas era estranho que durante as doze casas, as três sentiam como se alguém as tivesse observando – ou talvez, mais de um alguém.
– Que caminho demorado. – Mina reclamou, pulando mais umas pedras para alcançar o resto do grupo que já ia à frente.
– Se não tivéssemos treinado todos esses anos numa ilha… eu reclamaria. – Alexia disse, nenhuma delas sentia algum sinal de cansaço.
– Se não estivéssemos seguindo um ve… – Liadan começou a falar, mas parecia que Alexia já sabia o que estava por vir e a cutucou forte nas costas. – Tá, eu sei, eu sei!
– Você não presta. – Mina comentou, sorrindo de lado por trás da máscara.
– Não precisa começar com os elogios. – Liadan respondeu, mais à frente.
– Estamos chegando, senhoritas. – o servo disse, finalmente subindo um último lance de degraus esculpidos naquelas pedras para ter a vista da Ante-Câmara, onde era costume que o grande-mestre ficasse.
– Nossa… até que não foi tão longe. – Alexia olhou para a enorme casa, assim como as amigas.
– Putz… esse lugar é grande. – Liadan completou, continuando a andar atrás do servo.
– Bem vindas ao novo lar. – Mina falou, observando o enorme lugar.
O senhor continuou a guiá-las até que elas chegassem à entrada da ante-câmara. Parou diante das grandes portas duplas e fez um aceno para mais dois servos que estavam lá. Eles abriram as portas e deram espaço para que as garotas passassem.
Elas entraram, ainda seguindo o mesmo homem. A sala era enorme, havia um tapete vermelho no meio que levava até uma leva de escadas sobre as quais estava uma plataforma com o que parecia um trono, com detalhes em dourado e assento de veludo vermelho. Cortinas avermelhadas se estendiam atrás do trono, como se fosse um palco de teatro. Por uns minutos, elas ficaram curiosas em descobrir o que poderia ter lá, mas não durou muito tempo, o servo andou apenas até metade do caminho do tapete vermelho e virou para a direita. Havia mais portas duplas e enormes lá.
Ele abriu as portas e entrou, parando depois de dar dois simples passos.
– Minha Deusa… – fez uma reverência exagerada, sem ao menos levantar os olhos para encarar a garota dona de longos cabelos lilases que estava ali.
– Muito obrigada… pode se retirar agora. – Atena disse, fazendo um breve aceno de cabeça e andando na direção das três amazonas.
– Claro. – ele fez mais um movimento exagerado e se virou para sair.
Naquele momento apenas, as três garotas imediatamente se ajoelharam sobre um dos joelhos, abaixando as cabeças e ficando numa linha completamente reta diante de Atena. Era o tratamento que tinham aprendido a dar diante da presença de superiores de escalão. E com certeza, Atena estava alguns andares mais acima delas em questão de escalão. Possivelmente, um abismo inteiro acima delas.
– Não precisam se curvar. – Atena disse, parando a alguns passos de distância das três. – Podem ficar à vontade.
– Ainda be… – quando Liadan estava prestes a levantar, Mina bateu no braço dela.
– Fomos treinadas para isso, Deusa Atena. Devemos mostrar o devido respeito diante dos superiores. – Mina completou, enquanto ouvia sussurros incompreensíveis vindos de Liadan, provavelmente estava praguejando-a por aquilo.
– Aceitem meu pedido então. Peço que se levantem. – Atena retificou.
Naquele momento, Liadan olhou para Mina e depois Alexia. A última fez um breve aceno com a cabeça e então, as três se levantaram quase que ao mesmo tempo.
– Vocês são as novas amazonas… – Atena começou a falar, dando alguns passos para o lado. – Vieram do pacífico, não?
– Óbv…
– Sim. – Alexia respondeu, depois de cutucar Liadan com o cotovelo.
– Sem armaduras. – Atena virou-se para elas novamente. – Treinam há quanto tempo?
– Quatorze anos. – Mina respondeu antes que Liadan tivesse chance de tentar ser sarcástica de novo.
– É um tempo longo demais para se esperar uma armadura, não? – Atena comentou.
– Com certeza. – Liadan falou antes que tivesse a chance de ser interrompida por uma das amigas.
– Você está certa. – Atena sorriu. – Mas… peço que treinem mais um tempo para finalmente conseguirem suas armaduras…
– Foi por esse motivo que continuamos a treinar até hoje. E não vamos parar agora. – Liadan falou mais uma vez, sem perceber realmente que tinha interrompido Atena. Mas a Deusa não pareceu se importar, completou a sentença apenas quando ela terminou a frase.
– De ouro.
Atena não pôde ver as expressões completamente surpresas das três por conta das máscaras, e não poderia imaginar se amazonas tinham uma real expressão por trás destas. Mas as três sabiam perfeitamente as expressões uma da outra. E com certeza, o que Liadan mais queria fazer no momento, era gritar com a notícia.
– Mas… tem cer… er… de ouro? – Mina perguntou, também tentando associar a notícia, conseguindo mesmo se confundir com as palavras.
– Mina, filha da Inglaterra, aprendiz de ouro de Gêmeos. Terá sorte de ter dois mestres para treiná-la. – Atena disse, olhando para a dona dos cabelos vermelhos. – Liadan, descendente da Noruega, aprendiz de ouro de Áries, a linha de frente de defesa do Santuário. E por fim… Alexia, Germânia. Depois de tantos anos, a aprendiz de ouro de Sagitário.
– Isso não pode ser verdade… pode? – Alexia perguntou, tal como Mina, sem conseguir associar o que estava ouvindo.
– Eu creio que é a mais pura verdade. – Atena sorriu. – Eu só lamento que tenham que treinar ainda mais para conseguirem as armaduras. E apenas um dos cavaleiros de ouro citados não está mais em seu posto, portanto, as outras só poderão receber as armaduras quando seus mestres acharem que está na hora certa.
– Eu definitivamente não lamento. Nem um pouco. – Liadan finalmente se pronunciou e as amigas não se importaram em tentar conter a falta de educação diante de uma Deusa. – Finalmente vamos receber alguma coisa por quatorze anos quase morrendo! Vamos ter armaduras de ouro! Agora eu queria ver a cara daquelas outras que ficavam tirando sarro da gente na ilha…
– Já chega, Lia. – Alexia bateu de leve no ombro dela. Aquela atitude tinha certo limite fora do cerco de amigos.
– Você está certa. – Atena comentou. – Quatorze anos é tempo demais. Mesmo um cavaleiro de ouro chegaria ao posto mais rápido.
– Tá vendo! – Liadan falou, convencida, olhando para Alexia através da máscara.
– Vocês serão apresentadas aos seus mestres. – Atena falou. – Já mandei que os trouxessem aqui. Não deve demorar agora.
– Então não vamos precisar treinar com a amazona lá chata? – Liadan perguntou e dessa vez, levou tapa nos dois braços, das duas amigas.
– Vocês residirão oficialmente nas casas zodiacais a partir de agora. – Atena explicou. – O certo é que todas as amazonas, independentemente do status, estejam no campo de treino das amazonas. Mas a regra é diferente para os cavaleiros de ouro, por conta do treinamento flexível, vocês precisam estar com seus mestres a maior parte do tempo. Não se preocupem, mesmo nas casas zodiacais, a privacidade de suas identidades como amazonas será mantida.
– Isso é bom. – Liadan falou, sorrindo largamente com a idéia.
– Então… estaremos mesmo protegendo as casas zodiacais. – Alexia falou, como se quisesse se convencer daquilo.
– É o que espero… – Atena comentou consigo mesma, num tom baixo, provavelmente para que as outras não ouvissem. Mas aquilo era impossível com os sentidos tão bem treinados quanto os delas.
– Atena…? – Mina chamou a atenção da garota, mas ela logo sorriu em resposta.
– Não foi nada. – ela sorriu, quando ouviu batidas nas portas da sala. – Devem ser seus futuros mestres.
As três se viraram para as portas quando ouviram as batidas. Atena passou por elas e abriu as portas, fazendo um sinal com a cabeça para que elas a seguissem. Elas imediatamente o fizeram, movidas pela curiosidade de encontrar os futuros cavaleiros que as treinariam.
Quando saíram da sala, Atena tinha parado diante de três cavaleiros trajados em bonitas armaduras douradas. Os três fizeram movimentos quase que sincronizados quando a deusa apareceu. Tiraram os elmos e deixaram sob o braço esquerdo. Fizeram um breve movimento com a cabeça que se comparava a algum tipo de reverência.
O primeiro deles tinha longos cabelos da mesma cor dos de Atena. Os olhos também eram lilases e havia duas marcas em sua testa. O segundo segurava um elmo curioso, com duas faces dos lados, tinha cabelos tão longos quanto os do primeiro, em um tom azulado, tal como seus olhos. O terceiro tinha cabelos curtos e castanhos, os olhos eram verdes e incrivelmente expressivos… como alguém que sabia muito de muitas eras.
– Que bom que estão aqui. – Atena disse, fazendo um breve aceno de cabeça em resposta aos cavaleiros. Mas no momento, não era a Deusa que estava atraindo a atenção dos cavaleiros de Ouro, e sim as jovens que estavam atrás dela. Amazonas… certamente aquelas que tinham despertado a curiosidade de todo o círculo dos mais fortes cavaleiros do Santuário. E estando diante delas… aqueles cosmos ficavam mais únicos.
Atena sorriu levemente observando os cavaleiros e suas expressões curiosas. Era aquilo que preferia neles… podia ler suas expressões, diferentes das amazonas, que sempre se recusavam terminantemente a tirar as máscaras.
– Sabia que tinham percebido. – aquela simples frase fez com que os três virassem os rostos para Atena mais uma vez. – Essas… são as novas aprendizes de Ouro.
Mesmo as três amigas puderam notar um leve arregalar de olhos na expressão dos cavaleiros de Ouro.
– Imaginei que pudesse ser isso quando estava vindo para cá. – o dono dos cabelos azulados comentou.
– Amazonas de ouro… Atena… – o cavaleiro de olhos verdes franziu o cenho, como se não estivesse entendendo o que ela queria dizer.
– Isso mesmo, Dohko de Libra. – Atena respondeu, acenando a cabeça. – E como um dos cavaleiros mais antigos e experientes do Santuário… quero confiar-lhe o treinamento da nova amazona de Sagitário, Alexia. – ela fez um movimento com o braço, indicando a primeira amazona.
– Claro. – o cavaleiro fez mais um aceno com a cabeça. – Será uma honra treinar a amazona de Sagitário.
– Saga de Gêmeos, para sucedê-los… esta é a amazona Mina. – Atena apontou a dona dos cabelos vermelhos. – E por fim, a futura amazona de Áries, Liadan.
Saga e Mu acenaram as cabeças na direção das outras duas. Elas continuaram caladas, até que Atena falou uma última coisa.
– A partir de agora… eu as deixo sob sua proteção, cavaleiros de ouro. – Atena disse, virando-se para voltar até a sala em que estava momentos atrás.
Quando Atena entrou na sala, os seis ficaram a se encarar por algum tempo. Nenhum deles sabia o que era pra falar ou fazer. Naquele momento, as amazonas apenas encararam os seus futuros mestres, naquelas armaduras perfeitas que supostamente estariam vestindo em alguns anos. A única que não estava vendo a própria armadura era Alexia, cujo mestre era cavaleiro de um outro signo.
– Ahn… vamos ficar parados aqui o dia todo? – Liadan fez questão de perguntar, quebrando o silêncio que tinha se formado entre eles.
Os cavaleiros de ouro se entreolharam por um momento, até voltarem a encarar as garotas, sem aparentemente nada para falar… mas antes que uma delas voltasse a comentar alguma coisa, Dohko de Libra foi quem tomou a palavra.
– Acho que devemos levá-las até suas novas moradias. – Dohko comentou, olhando de uma para outra e passando os olhos rapidamente por seus companheiros de batalha.
– Dohko está certo. Precisam conhecer o lugar que vão proteger de agora em diante. – Mu concordou.
– Vocês são as primeiras aspirantes a cavaleiros de Ouro em anos. – Saga falou, no mesmo tom calmo dos outros dois. – Ou melhor, amazonas.
– Então imagino que deva ser uma coisa com a qual vocês ainda não estejam acostumados a lidar. – Mina falou, num tom que se aproximava a uma pergunta.
– Só é uma coisa… nova. – Dohko respondeu pelos outros. – Nos sigam, vocês vão conhecer as doze casas Zodiacais.
Ele, Saga e Mu caminharam na direção da saída, logo as três novas amazonas os seguiram. Os três ficaram calados, sequer se entreolhavam. Pareciam despreocupados, ou na verdade, preocupados demais e querendo conversar alguma coisa… claro, longe das três novatas.
– Que estranho… parece até que tem alguma coisa de errado em sermos escolhidas pra ser amazonas de ouro. – Alexia foi a primeira a falar, quando saíram da antecâmara. Os cavaleiros olharam para trás ao ouvir a voz dela… mas não adiantou tanto, naquele momento, ela usava o idioma natal de Liadan, norueguês.
– Tem razão… principalmente esse carinha aí que vai ser o seu mestre. Ele não parecia tão conformado quando Atena falou. Pena que ela tava de costas pra gente, ou dava pra ver a expressão dela. – Liadan concordou, no mesmo idioma, evitando que os cavaleiros de ouro as entendessem.
– Parece que tem alguma coisa que estão tentando esconder da gente… podemos descobrir. – Mina concordou, descendo o longo lance de escadarias até a décima segunda casa, a casa de peixes.
– Claro que vamos! – Liadan concordou, animada. – O que melhor pra fazer nesse fim de mundo?!
– Treinar… talvez? – Alexia respondeu, num tom irônico. – E fim de mundo era onde estávamos, não aqui.
– Não estrague a festa, Alex. – Liadan reclamou. – Vamos só fingir que eles estão escondendo alguma coisa de nós e que temos algo pra nos distrair enquanto isso. Deixe de ser tão certinha como uma amazona!
– Engraçado… achava que era esse o propósito. – Mina interveio na conversa.
Elas riram, quando finalmente ouviram a voz de Dohko chamando-lhes a atenção.
– Não queria ter que interromper… mas chegamos à décima segunda casa. A casa de Peixes. – Dohko avisou, quando pararam diante das escadarias que davam para a entrada da casa.
Pela primeira vez elas realmente pararam estupefatas com a beleza da casa. Era bem maior do que quando tinham visto a casa de Áries de longe. E mais bonita e cheia de detalhes nas colunas.
– Wow… vamos proteger casas assim agora…? – Liadan perguntou, curvando o pescoço para que seus olhos fitassem o topo das colunas, onde havia o nome da casa em latim.
– Se estiverem qualificadas para se tornarem reais amazonas de ouro. Talvez. – a voz que respondeu pertencia a Saga. Era o primeiro que estava subindo as escadarias e nem se dava ao trabalho de olhar para trás.
– Idiota. – Liadan reclamou, em norueguês.
– Venham. O cavaleiro de Peixes as aguarda. – Mu indicou as escadarias para que elas subissem.
– Espera? – Mina perguntou, arqueando as sobrancelhas.
Dohko acenou a cabeça em resposta e logo elas estavam subindo as escadarias para a plataforma de entrada da casa de Peixes. Quando elas finalmente alcançaram a plataforma, Saga estava parado diante da entrada, assim como os outros três cavaleiros de ouro. Não demorou até que um quarto homem saísse de dentro do local. Ele tinha longos cabelos de um tom azul perolado. Os olhos também eram claros, assim como a pele dele. Tinha um rosto muito bonito e também trajava sua armadura dourada. Carregava uma rosa em uma das mãos e o elmo tinha sido deixado de lado.
– Ah-há. Estava imaginando esse tempo a quem pertenciam essas presenças tão… diferentes. – o homem olhou diretamente para as três amazonas, ignorando os outros cavaleiros momentaneamente. – Muito prazer, jovens donzelas. Eu sou Afrodite de Peixes. É uma honra conhecer as futuras amazonas de ouro depois de tão longos anos. – ele fez uma reverência exagerada, sorrindo para as mulheres, sem desgrudar os olhos das máscaras delas.
– Você… sabia? – Liadan foi a primeira a se manifestar, como sempre. – Sabia que vamos treinar pra ser amazonas de ouro?
– Não teria como não desconfiar. – Afrodite respondeu. – Três cavaleiros de ouro convocados por Atena bem em vista a presenças tão perspicazes no Santuário. Nenhuma explicação mais lógica.
– Parece que sim. – Alexia concordou.
– Agora vejamos…? – Afrodite analisou-as por um segundo, olhando de uma para outra. – Qual de vocês teve o azar de ser aprendiz do Saga?
– Afrodite… – Saga chamou a atenção do outro cavaleiro num tom beirando o ameaçador.
– Acho que entenderam o que quis dizer. – Afrodite sorriu largamente. – Então… quais as casas que devo saber que estarão aprendendo a proteger de agora em diante?
– Eu sou Mina, futura amazona de gêmeos. – Mina foi a primeira a se apresentar.
– Hm… vai descobrir que vai precisar de muita sorte quando estiver treinando com o Saga. – Afrodite comentou num tom baixo o suficiente para que Saga e os outros não escutassem. – Torça pra treinar mais com Kanon.
– Ahn? – Mina arqueou as sobrancelhas por trás da máscara.
– E você? – Afrodite desconversou, apontando a rosa que ainda segurava para Liadan.
– Eu sou Liadan. Aprendiz de Áries. – ela respondeu prontamente, gostando da atitude daquele primeiro cavaleiro de ouro.
– Hmm… finalmente uma devida amazona de Áries. Estava duvidando se aquele moleque lemuriano teria capacidade para se tornar cavaleiro de ouro. Acho que ele se encaixa melhor só com as armaduras. – Afrodite divagava mais consigo mesmo do que com as amazonas.
– Afrodite. Acho que já chega, não? – dessa vez Mu que se pronunciou. – Precisamos levá-las pras suas novas casas.
– Ainda falta essa aqui. – ele apontou Alexia. – Vai ser a nova aprendiz de Dohko? Estava quase achando que realmente aquele cavaleiro de bronze ficaria no lugar dele.
– Sagitário. – ela corrigiu. – Alexia de Sagitário.
– Oh… – Afrodite arqueou as sobrancelhas num leve quê de surpresa. – Mais de quinze anos… finalmente temos um novo protetor da casa de Sagitário. Interessante.
– Agora que já estão devidamente apresentados… temos mais onze casas para visitar. – Dohko finalmente tomou a palavra.
– Você é sempre tão certinho, Dohko. – Afrodite balançou a cabeça pesarosamente, voltando-se para as três amazonas que ainda estavam paradas diante dele. – Bom, sintam-se à vontade para voltar à casa de Peixes. Ficarei feliz em companhias mais divertidas que esses aí.
– Pode deixar com a gente. – Liadan concordou, fazendo um sinal positivo com a mão e sorrindo por trás da máscara.
– Ótimo. – Afrodite sorriu em resposta. – Até depois então. E ah… não se aproximem das rosas. Nunca.
– Hm… certo. – Mina respondeu, depois que olhou para as duas amigas.
Finalmente elas deram as costas e seguiram para acompanhar os cavaleiros de ouro que ainda as esperavam. Em respeito, Afrodite acenou a cabeça rapidamente para os colegas, assim como estes responderam ao se virar para atravessar a conhecida casa de Peixes.
Apenas quando eles estavam fora da casa, na escadaria para a casa de Aquário, Alexia comentou sobre as rosas de Afrodite.
– Ele deve gostar muito das rosas pra falar desse jeito pra não nos aproximarmos. – ela comentou, pensativa.
– Eu sei do que ele gosta e não são só de rosas. – Liadan sorriu maliciosa.
– Você realmente precisa levar mais umas porradas na cabeça pra colocar o juízo pra funcionar de novo. – Mina falou. – Mas eu concordo.
– Seria bom seguirem o conselho sobre as rosas. – Dohko comentou, andando apenas alguns degraus a frente delas, enquanto que Saga ia mais adiante e Mu quase ao lado de Dohko.
– Então ele gosta mesmo delas. – Mina concluiu, dando de ombros.
– Gosta. – Dohko respondeu. – Mas acho que ele avisou pra vocês não morrerem envenenadas. Não queremos perder as amazonas de ouro antes mesmo de conseguirem as armaduras.
– Envenenadas? As rosas são envenenadas? – Mina perguntou.
– São uma das defesas mais letais da casa de Atena. Quando o Santuário está em perigo, é praticamente impossível atravessar as escadarias até a casa de Atena. As rosas de Afrodite infestam as escadarias, e só o próprio cavaleiro de Peixes resiste ao veneno delas. – Dohko explicou.
– Nossa… e ele não devia estar morto com isso? – Liadan perguntou.
– Não. – Dohko respondeu, pacientemente, já passando da metade do caminho das escadarias. – Os cavaleiros de peixes são treinados para lidar com o veneno das rosas. Eles se tornam resistentes a elas.
– Hm… interessante. – Alexia comentou.
– Parece que tem muita coisa desse lugar que não sabemos. – Mina comentou, em norueguês, quando Dohko acelerou o passo para acompanhar Mu alguns degraus à frente.
– E nem tinha como. – Alexia respondeu. – Ficamos presas naquela ilha desde que nos entendemos por gente. Já vimos mais homens aqui do que vimos a vida inteira.
– E isso é bom…! – Liadan sorriu convencida.
– Mas acho que deviam ter falado mais do que o básico sobre o Santuário. Só sabíamos que era aqui a morada de Atena e dos Doze cavaleiros de mais alto escalão. – Alexia comentou.
– E quem ia imaginar que realmente viríamos parar aqui? – Mina falou. – Vamos ter tempo pra aprender sobre todos eles… pouco a pouco.
– Já aprendi que com tanto homem num só lugar, não restou opção pro Afrodite senão mudar de lado. – Liadan disse, saltitando alguns degraus e contendo as risadas.
Em poucos minutos, elas tinham alcançado a décima primeira casa zodiacal, a casa de Aquário. Dessa vez, só precisaram terminar de subir os poucos degraus até a plataforma de entrada da casa para encontrar um cavaleiro que estava parado diante das colunas de entrada de Aquário. Este tinha os cabelos azulados, os olhos também eram claros e em tons azulados. Era o primeiro cavaleiro que as amazonas viam usando o elmo. Mas o dele era diferente, cobria apenas a testa, não formando um capacete completo. A armadura dourada reluzia tanto quanto as demais que elas tinham visto até então.
Saga, Mu e Dohko já tinham cumprimentado o cavaleiro, que continuava com uma expressão séria. Ele trocou algumas palavras com Saga, que estava bem ao seu lado, e então, virou o rosto para encarar as mulheres mascaradas.
– É um prazer conhecê-las… e uma honra ter amazonas no círculo de ouro. – o cavaleiro de aquário começou a falar, educadamente, sem mudar a expressão facial. – Eu sou Kamus de Aquário, defensor da décima segunda casa.
– Fala ae…
– A honra é nossa. – Alexia falou num tom de voz mais alto, depois de dar uma cotovelada nada discreta em Liadan. – Eu sou Alexia, próxima amazona de Sagitário.
– Mina, de Gêmeos. – Mina ergueu a mão, e por fim, Liadan.
– E eu, Liadan… de Áries. – ela completou, massageando o local atingido, e logo em seguida sussurrando em norueguês para Alexia. – Quer parar com isso?!
– Quando aprender a ser mais educada com os cavaleiros, talvez. Eles podem acabar com a gente em dois tempos! – Alexia retrucou, sussurrando também em norueguês, quando sentiu uma dor no pé e precisou se conter para não revidar.
– Tá aí pra você também. – Liadan retrucou e Alexia tinha certeza de que veria o sorriso sádico dela se não tivesse de máscara.
– As crianças estão chamando mais atenção do que precisam e do que uma amazona de ouro devia chamar, não? – Mina interveio, no mesmo idioma norueguês, olhando para os cavaleiros de ouro.
Naquele momento, Kamus tinha se virado para Saga para falar alguma coisa, que, sem muito esforço, elas conseguiram escutar.
– Tem certeza que vão ser amazonas de ouro? – Kamus perguntou, enquanto os outros três cavaleiros desviavam o olhar dele para as amazonas.
– É esse o propósito. – Saga falou e não parecia muito contente e nem muito inclinado a ter que treinar amazonas, como estava desde o início.
– Realmente não gostei desse cara. – Liadan fez questão de falar, cruzando os braços diante do corpo, lembrando-se de usar o norueguês para que eles não entendessem.
– É melhor irmos andando. Ainda temos muitas casas pra passar. – Saga disse, virando-se para sair do lugar, depois de acenar com a cabeça rapidamente para Kamus.
– Vamos, amazonas. – Dohko chamou-as, meneando a cabeça.
Elas acenaram afirmativamente e seguiram-nos, cumprimentando o cavaleiro de aquário rapidamente ao passar por este.
Os seis atravessaram a casa de Aquário, logo alcançando as escadarias para a casa de Capricórnio. As passadas dos cavaleiros de ouro eram rápidas, e depois de ver Saga conversando com Kamus algo que não puderam ouvir, era mais que óbvio que tinha alguma coisa por ali de que elas não estavam informadas.
– Vamos ter que ficar nessa baboseira de apresentação por todas essas casas? Vamos demorar o dia todo! – Liadan reclamou, em seu idioma.
– Tem razão, e estamos indo devagar demais. – Mina completou, suspirando de maneira cansada.
– Não dizem que os cavaleiros de ouro têm a tal velocidade da luz? Vamos ver se é verdade. – Liadan falou, descendo alguns degraus correndo, até alcançar os três cavaleiros de ouro e falar-lhes. – Hey! Sabia que vocês andam devagar demais pra cavaleiros de Ouro? Estão ficando velhos pra isso, não?
Ela sorriu sarcástica e saltou as escadarias na maior velocidade que conseguia alcançar, chegando em poucos minutos à entrada da casa de Capricórnio, parando na plataforma de entrada, virada para as escadarias onde os outros ainda estavam… ou quase todos.
– Boa tentativa, mas tem que ser mais rápida que isso.
Ela virou o rosto rapidamente para encarar o cavaleiro de Gêmeos que já tinha dado as costas a ela, seguindo para dentro da casa de Capricórnio.
– Boa tentativa, hein. – a voz agora era de Alexia, que passava pela garota ainda irritada e impressionada com as palavras e velocidade de Saga.
– Tem que ser mais rápida que isso. – Mina completou, passando por Liadan.
– Caladas, as duas! – Liadan reclamou, pisando forte para entrar na casa, praticamente quebrando o chão de pedra com a raiva que estava do cavaleiro.
Mu e Dohko apenas se entreolharam e sorriram, pelo menos algumas poucas coisas elas não guardavam apenas entre elas, em outro idioma. Com certeza que o que estavam falando o caminho todo particularmente era sobre os cavaleiros de ouro. Mas era tão novo ter amazonas no círculo de ouro que não era de se impressionar… e os boatos sobre elas também não iam demorar a surgir.
Elas ainda precisaram andar um pouco para dentro da casa até que encontrassem finalmente o cavaleiro de Capricórnio. Tal como os outros, também estava vestido em sua armadura dourada, exceto o elmo cobria o seu rosto. Ele falava alguma coisa com Saga, e virou-se para as amazonas quando elas se aproximaram mais.
– Essas são as novas aprendizes. – Saga emendou, dando a entender que estava exatamente apresentando-as ao colega antes que chegassem. – Mina, de Gêmeos; Liadan, de Áries; Alexia, de Sagitário.
– É uma proeza ter aprendizes de ouro aqui. Já fazem mais de quinze anos que não aparecem. – o dono dos cabelos negros portador da armadura de Capricórnio comentou. – Sejam bem-vindas, futuras amazonas de ouro. Eu sou Shura de Capricórnio.
– Obrigada. – Mina agradeceu pelas três.
– É mano, finalmente alguém vai colocar ordem nesse lugar. – Liadan se pronunciou e ouviu os suspiros derrotados quase que simultâneos de Mina e Alexia.
– Desisto. – Alexia e Mina falaram ao mesmo tempo.
– Que foi? – Liadan perguntou, olhando de Mina para Alexia.
– Incrível como mais de uma década de disciplina e treinamento não ensinaram bons modos a certas pessoas… – Alexia comentou consigo mesma, mas falando alto o suficiente para que ao menos Mina e Liadan ouvissem.
– Não enche. – foi a única resposta bem audível de Liadan.
– Que tal… a próxima casa? – Mina propôs, e estavam tão preocupadas em falar entre si que nem tinham percebido quando Mu e Dohko tinham passado por elas.
– Vocês não vêm? – Mu se virou para elas. Claro que Saga já tinha seguido o caminho, Dohko ainda esperava pelas três e Shura estava parado ali ao lado, observando as reações das novas amazonas.
– Opa… é pra já. – Liadan saiu na frente, passando direto por Shura. – Té depois!
Shura apenas acenou a cabeça em resposta. Foi o simples sinal que Mina e Alexia usaram para se despedirem educadamente, seguindo com os demais cavaleiros de ouro. Só tinham passado por três casas, ainda havia nove pelo resto do caminho.
Sem a mesma pressa de Liadan, eles desceram as escadas lentamente. Praticamente não trocaram palavras durante o caminho, sequer as amazonas conversaram entre si em norueguês.
– Qual é mesmo a próxima casa? – Mina perguntou, quando já estavam praticamente chegando nesta.
– Escorpião? – Alexia respondeu, relutante.
– Sagitário, não? – Liadan interveio.
– É a casa de Sagitário. – Dohko confirmou, quando finalmente chegaram diante das colunas de entrada da nona casa zodiacal.
– Nada mal, hein. – Liadan cutucou Alexia bem ao seu lado com o cotovelo.
Quando eles subiram as escadarias para a plataforma de entrada, os três cavaleiros de ouro estavam parados diante da entrada. As jovens amazonas se entreolharam, sem entender porque eles tinham parado.
– É a casa sem um guardião. – Mu falou, quando elas pararam diante deles. – A casa de Sagitário está vazia há muitos anos.
– É aqui que você fica, Alexia. – Dohko completou.
– Eh? – foi o único som audível que saiu dos lábios escondidos da amazona. – Eu fico?
– É a sua nova casa. – Dohko completou. – Precisa conhecê-la mais do que o resto do Santuário. É desse lugar que vai cumprir seu dever com Atena.
– Quer dizer… eu fico aqui… sozinha? – Alexia perguntou, olhando para a casa e percebendo como ela parecia bem maior agora que percebera que ia ficar lá.
– Isso. – Mu confirmou.
– Não seja descuidada. – Saga interrompeu. – Não fica inteiramente sozinha nas doze casas. Há servos que vão cuidar da casa e do seu bem-estar. São homens. Espero que os anos de treinamento no pacífico tenham-lhe ensinado a não se desfazer da máscara tão avulsamente.
– É por isso que sou amazona. – Alexia tentou esconder o sarcasmo na voz, mas foi inevitável. É claro que ela sabia sobre manter a máscara, principalmente num lugar que não conhecia direito. Se bem que tinha sido um bom aviso sobre os servos, ela nunca imaginaria que haveria mais deles nas doze casas.
– Ehh?! Ela fica aqui na boa e eu sou a única que vou ter que descer essa porrada de escadas até o final?! – Liadan fez questão de se pronunciar, pensando que ela seria a protetora da primeira casa.
Os três cavaleiros de ouro apenas a encararam por um minuto silencioso, talvez tentando imaginar se o que tinham acabado de ouvir era mesmo verdade. A pessoa que quebrou o silêncio não foi nenhum deles.
– Acho que isso foi um sim. – Mina deu umas palmadas no ombro de Liadan, que no momento, parecia completamente desiludida com a idéia.
Saga foi o primeiro a balançar a cabeça de maneira negativa. Parecia que a cada passo, ficava mais irritado com a idéia. Certamente não era o cavaleiro mais predisposto a treinar uma aprendiz.
Mu sorriu da jovem e Dohko apenas suspirou como qualquer pessoa que já viu coisas demais pra ter que continuar agüentando aquilo.
– Venha. – Dohko falou diretamente com Alexia. – Vamos sair da Casa de Sagitário, você é quem deve aprender o caminho.
– E os outros cavaleiros? Não preciso ir conhecê-los? – Alexia perguntou, já voltando a andar na direção da saída da casa, com a companhia das amigas e dos cavaleiros de ouro a guiá-las.
– Tudo em seu tempo. – Mu foi quem respondeu, fazendo com que o silêncio se instalasse entre eles de novo.
Alexia olhou para as duas amigas. Elas apenas deram de ombros diante do comentário do Cavaleiro de Áries e continuaram a seguir o caminho pela nona Casa Zodiacal, fracamente iluminada pela luz do dia.
Ao alcançarem o outro lado da casa, Alexia parou, observando as amigas e os cavaleiros de ouro seguirem pela plataforma até as escadarias que dariam na Casa de Escorpião.
– Até depois, a gente passa aqui pra fazer bagunça uma hora dessas. – Liadan acenou brevemente para Alexia, começando a descer as escadarias.
– É… tente não se perder dentro da casa. – Mina completou, seguindo a outra.
Alexia não respondeu exatamente, apenas acenou para as outras, ainda não acreditando que ficaria naquela casa dali em diante.
– Descanse por hoje. – Dohko falou e Alexia precisou virar-se, assustada ao perceber que o Cavaleiro de Libra ainda estava ali, ao lado dela. – O treinamento começará amanhã, esteja preparada.
– Sim. Estarei. – foram as últimas palavras dela até que Dohko seguisse com os demais cavaleiros.
Quando eles já tinham descido boa parte dos degraus, Alexia voltou a atenção para a enorme casa mais uma vez. No topo das colunas, bem na entrada da casa, havia o símbolo de Sagitário em alto relevo, bem modelado e detalhado. Observando daquele jeito… parecia um pouco mais real do que imaginava. Entrou na casa mais uma vez, contendo a vontade de seguir os outros e descobrir que tipo de cavaleiros encontraria ainda dali em diante.
– Pelo menos me pouparam andar todas essas escadas. – ela comentou consigo mesma, olhando para as escadarias e todas as casas que vinham em seguida. – Acho melhor fazer o que o Dohko disse e descansar… mas… onde?
Continua…