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No capítulo anterior:
– Eu já disse que tava por aí – James respondeu, emburrado.
– E... – Sirius disse em um tom arrastado e malicioso. – Esse mistério todo... Será que encontrou alguma donzela indefesa? – perguntou antes de cair na gargalhada.
[...]
– Meu nome é James Potter.
– Desculpe por não perguntar – Lily abaixou a cabeça.
– Ei – James riu alto. – Eu gosto mais da ‘Lily’ briguenta.
[...]
– Desculpe, senhorita – ele disse com um ar de riso. – Esqueci os modos. Meu nome é Jack e eu me curvaria perante a senhorita se não estivéssemos a metros do chão.
– Lily – a jovem murmurou enquanto estendia a mão para ele. É claro que não era ele. Que raios de esperança fora aquela? Ele não iria simplesmente aparecer um dia, sentar-se ao seu lado e dizer: ‘Eu não morri e resolvi voltar para casa’.
James beijou a mão dela com delicadeza, sem desviar seu olhar.
Capítulo II
– Onde você estava, Lílian? – a jovem ruiva parou de rir de algo que Alice contava quando ouviu o pai perguntar. As duas fizeram uma reverência, e Alice rumou para a cozinha já imaginando que o Sr. Evans iria expulsá-la aos gritos caso não saísse logo.
– Fui ver como está o jardim – Lily respondeu com simplicidade.
– Eu deveria vender aquela casa depois da mal criação de ontem! – o Sr. Evans exclamou furioso.
– Papai, eu lhe disse que não estava me sentindo muito bem – Lily falou tranquila.
Estava acostumada com aquele tipo de ameaça. Pelo menos duas vezes por semana ele dizia que iria vender a antiga Mansão Potter já que sabia o quão importante era aquele lugar para a filha mais nova, mas a ruiva simplesmente fingia não ouvir.
– A reunião ontem era especial – o Sr. Evans disse em um tom mais controlado. – Havia uma pessoa que eu queria que vocês conhecessem.
– Mais um pretendente, papai? – Lily perguntou enfadada.
– Apesar de pensar que já está na hora de a senhorita se casar – o pai disse severamente. – Não se trata de um pretendente. Irei chamá-lo para que você o conheça.
Lily ergueu levemente a sobrancelha. Se não se tratava de um pretendente, quem poderia ser então? A jovem não tinha a menor ideia, e ficou realmente curiosa com aquela novidade. Ocupou um dos lugares no sofá tentando desvendar aquele mistério, mas nenhuma possibilidade surgia em sua mente.
Ficou pelo menos cinco minutos neste suspense, até que o pai voltou, acompanhado de um rapaz de cabelos pretos e olhos amendoados, o rosto um pouco redondo, mas bastante bonito.
– Papai, o quê...? – Lily começou a perguntar, mas parou quando o Sr. Evans ergueu levemente a mão.
– Lílian, este é seu meio irmão – o Sr. Evans disse de sopetão. Assim mesmo, sem qualquer preparação. A jovem pensou que se estivesse de pé, certamente teria ido de encontro ao chão.
– Como... Como assim? – Lily indagou com a voz falha.
– Eu me relacionei com a mãe de Frank por algum tempo – o Sr. Evans disse sem se alterar, como se aquele fato fosse o mais banal do mundo. Lily sentia o mundo girar. Frank. Ele parecia ter a sua idade, então, isso significava que o pai havia tido um filho fora do casamento uma vez que à época já se encontrava casado.
Lily queria gritar, mas sua voz encontrava-se perdida em algum lugar do seu corpo. Seu pai além de admitir aquilo sem qualquer pudor ou vergonha, ainda havia feito uma festa para apresentar o filho bastado para a sociedade. Lily estava pouco se importando se ele era bastardo ou não. A verdade é que estava furiosa por seu pai ter traído sua mãe.
Mas o que poderia fazer? A sociedade hipócrita havia comparecido à festa e batido palmas para o que o Sr. Evans havia feito. É claro. Ele era o banqueiro mais influente da região. Ninguém queria desafiá-lo.
Então, fez a única coisa que poderia fazer e que iria agradar ao seu pai: Sorriu.
– Seja bem vindo, Frank – forçou-se a dizer. – Irá morar conosco, suponho.
– Ainda não está decidido – Frank respondeu, timidamente.
Uma das coisas que Lily tinha orgulho era de conhecer um pouco da pessoa pelo seu jeito, e podia perceber pelas poucas palavras e pela maneira como se portava, que Frank estava tão feliz quanto ela com aquela situação. Quis perguntar a ele a razão pela qual ele surgira em suas vidas após tantos anos, mas pensou na reação de seu pai e forçou-se a ficar quieta.
– Estou pensando em mandá-lo para um colégio interno – o Sr. Evans esclareceu.
Lily franziu a testa. Depois de oferecer uma festa para apresentá-lo a sociedade, iria escondê-lo em um colégio interno? Típico do Sr. Evans.
– Posso ir para o meu quarto agora? – perguntou, por fim. – Ainda não me sinto muito bem.
– Não se sente bem e já estava enfiada naquele jardim? – o Sr. Evans disse com desdém, e como resposta recebeu apenas um olhar de Lily como quem perguntava: ‘Posso ir ou não?’. – Vá logo de uma vez – falou impaciente. – Ah, Lily... – ela parou no meio do caminho, sem esperar coisa boa. Quando ele a chamava pelo nome era problema, quando ele a chamava pelo apelido era porque queria comunicar algo e não queria gritos. – Iremos a uma festa na casa dos Black amanhã à noite. Pode comprar um vestido novo.
Lily trincou os dentes. Festa na casa dos Black? Ela diria, tortura na casa dos Black. E ele ainda tentava suborná-la com aquela história de vestido novo!
– Obrigada, papai – mas foi a resposta que teve que escapar de seus lábios para evitar uma briga com o pai.
E subiu as escadas tentando não correr.
James caminhava pelas ruas de Londres sem ter muita ideia de para onde deveria ir. Não queria ir encontrar a gangue para saber o que iriam fazer naquele dia. Também não estava com vontade de encontrar com Sirius e Remus. Não queria ter que aguentar as insinuações dos amigos sobre possíveis encontros às escondidas com garotas.
Bom, até poucos minutos atrás estivera com uma garota.
Uma garota bonita demais para não tentá-lo.
Talvez não fosse uma boa ideia tentar falar com ela outra vez.
Lílian Evans era uma das garotas mais cobiçadas pelos rapazes da cidade. Certamente, não teria chance alguma de conseguir a atenção dela.
“Por que eu haveria de querer a atenção dela?”, James se perguntou emburrado. “Tenho que me concentrar em descobrir quem matou o meu pai e não ficar de flerte por aí!”.
– Mas que ela é bonita, isso é... – James murmurou enquanto um suspiro escapava-lhe dos lábios.
Era uma estranha coincidência que quando resolvera voltar à sua casa, encontrasse Lily.
Jamais imaginara que o pai dela tivesse adquirido a casa após seu desaparecimento. E ficou ainda mais surpreso ao constatar que ela deixara o jardim tal como ele era há dez anos. Ou quase igual, já que haviam algumas espécies novas de flores.
Assim como ela, também guardava aquele curto momento em que conversaram em um lugar especial da sua memória.
Entretanto, haviam se passado muitos anos, e sabia que as coisas não poderia ser como eram antes. Não eram mais crianças.
E ele tinha muito que resolver. Não poderia perder tempo pensando em Lily Evans.
– Mãe! Estou em casa!!! – James exclamou assim que passou pelo pequeno portão da humilde casa. E arregalou os olhos ao ver a senhora sair da casa com uma vassoura na mão. – Mãe... – murmurou assustado. – Mamãezinha do meu coração...
– Venha já aqui, menino! – James riu enquanto corria de um lado para o outro tentando escapar das vassouradas. – Você deveria estar na escola!!! E estava vagabundeando por aí!
– Hoje é um dia especial, mãe – James sorriu e a senhora estreitou os olhos em sinal de insatisfação.
– Será que você não entende que eu quero o melhor para você? – ela perguntou exasperada. – E se você não estudar...
– Eu sei, eu sei, mãe, não se preocupe – o rapaz sentiu-se um pouco mal por continuar mentido.
A verdade era que largara a escola há algum tempo. Fingia ir para a escola, mas a verdade era que praticava luta com espadas, arco e flecha e outras técnicas de luta.
Encontrara um homem que estava insatisfeito com o imperador e seu governo, e ele sabia lutar muito. James tivera a oportunidade de vê-lo defendendo algumas crianças que estavam sendo ameaçadas por guardas imperiais e ficou abismado com a técnica dele.
Demorou um pouco, mas conseguiu convencê-lo a treiná-lo.
Mas estava valendo muito a pena.
– Não adianta reclamar! – James falou por fim. – Hoje é seu aniversário e querendo a senhora ou não, eu vou enchê-la de mimos e beijos! – e foi a vez da senhora tentar, entre risadas, se esquivar do filho.
“Perdoe-me por não ser um bom filho...”.
Lily encarava sua imagem diante o espelho com uma vontade imensa de gritar. Por que tinha que ir naquela festa? A verdade era que não conseguia rebelar-se contra as ordens do pai. Não era corajosa o suficiente para isso. E tinha que aguentar esse tipo de festa pelo menos três vezes em um mês. Deveria estar acostumada, mas eram sempre as mesmas caras, as mesmas conversas vazias.
– A senhorita está ótima! – Alice exclamou, de repente, fazendo com que Lily quase gritasse de susto.
– Não entre assim no meu quarto! – exclamou exasperada.
– Desculpe-me – Alice pediu enquanto encolhia os ombros.
– Não – Lily disse rapidamente. – Sou eu que tenho que me desculpar. Estou um pouco nervosa.
– Eu não entendo o motivo... – Alice disse confusa.
– Estou com um mau pressentimento – Lily murmurou mais para si do que para a amiga. – Enfim, me ajude a prender o meu cabelo! Está grande demais!!! Não estou conseguindo dar conta de arrumá-lo sozinha.
Alice imediatamente foi atender ao pedido de Lily. Enquanto Alice terminava de prender os longos cabelos ruivos em um belo coque, Lily olhou-se mais uma vez no espelho. Não havia ido comprar um vestido novo. Tinha tantos no armário que haviam sido bem poucos usados.
– Esse maldito espartilho está me incomodando – Lily murmurou um pouco sem ar e recebeu apenas um sorriso de Alice como resposta.
Lily continuaria a reclamar, mas uma leve batida na porta a deteve.
– Pode entrar! – falou imaginando que fosse o pai ou o primo que viera apressá-la, mas a porta não se abriu e não houve nenhuma resposta.
Lily ergueu a sobrancelha, intrigada. Foi até a porta e ao abri-la deu de cara com o meio irmão recém descoberto.
– Frank? – falou surpresa. – Aconteceu alguma coisa? Você já deveria estar pronto!
– Na verdade... – ele começou em um tom quase inaudível. – Eu não sei o que vestir.
– Oh – Lily deixou a exclamação escapar dos seus lábios. – Alice! Rápido! Temos que ajudá-lo. Nosso pai ficará furioso se chegarmos atrasados na festa!!!
Mas Alice não saiu do lugar. Lily olhou para a amiga e percebeu que ela estava completamente estática enquanto olhava para Frank, e um leve rubor tingiu suas bochechas.
Lily não podia pensar muito no assunto naquele momento, mas de uma coisa tinha certeza: Alice não estava daquele jeito por choque ou escandalizada por seu patrão ter dito um filho fora do casamento.
Entretanto, pelo olhar de Alice, Lily podia afirmar que ela ficara era bem encantada com o novo morador da casa.
– Então, vocês podem me ajudar ou não? – Frank perguntou timidamente.
– Claro, Frank! – Lily disse rapidamente. – Vamos para o seu quarto ver o que você tem no seu armário.
Não foi muito difícil ajudá-lo. O Sr. Evans havia enchido o guarda-roupa com roupas novas para o filho. O mais difícil foi fazer Alice se concentrar em ajudar.
Demorou pouco mais de dez minutos para que Frank estivesse pronto.
– Obrigado – falou com um leve sorriso.
– Não há de quê – Lily retribuiu o sorriso. – Te jogaram nessa casa de qualquer jeito... Se precisar de qualquer coisa, é só falar comigo.
– Eu pensei que você tivesse ódio de mim... – Frank disse lentamente.
– Ódio? – Lily repetiu confusa.
– Ele traiu a sua mãe com a minha – Frank falou como se fosse obvio o motivo para Lily não gostar dele.
– Você não teve culpa disso – Lily balançou levemente a mão em um sinal de impaciência. – E não é hora de falarmos sobre isso, está bem?
Frank apenas olhava surpreso para Lílian. A garota soube que ele deveria estar esperando uma resposta metida e mimada.
– Você pode descer e avisar ao papai e ao Lucius que eu já vou? Meu cabelo ainda não está bom – Lily resolveu dar o assunto encerrado pelo momento. – E então, Alice? – perguntou a amiga assim que Frank as deixou sozinhas. – Precisa de um babador.
– Não fale assim! – Alice quase gritou fazendo com que Lily risse.
– Está mais vermelha que o meu cabelo, Lice! – Lily exclamou ainda entre risadas. – Depois vamos ter que conversar direitinho sobre isso.
– Não há nada para conversar – Alice murmurou nervosa.
– Sei, sei – Lily falou com falsete. – Agora irei para a minha tortura!
Não demorou muito para que deixassem a mansão. O caminho até a casa dos Black foi silenciosa. Lily percebia que Frank estava bastante nervoso, e que o Sr. Evans e Lucius fingiam que o garoto nem estava ali. Não tinha como sentir raiva dele. O pobre rapaz estava totalmente perdido naquela situação.
Quando chegaram foram recepcionados pela Sra. Black. Ela era viúva, e administrava os bens da família já que seu filho mais velho, Sirius, recusava-se terminantemente a envolver-se com os negócios da família. Como a família Black era extremamente tradicional, a Sra. Black não sofria com preconceitos.
– Fique comigo – Lily disse à Frank quando percebeu que ele não sabia para onde deveria ir. – Nosso pai vai falar de negócios, e você não entenderá nada. Eu posso ajudá-lo a entender um pouco sobre o banco e tal... Praticamente cresci no escritório do nosso pai e sei como as coisas por lá funcionam. Assim quando você começar a trabalhar lá, não vai se sentir muito perdido.
– Na verdade, ele quer que eu entre para guarda imperial – Frank disse rapidamente. – Lucius também irá se submeter ao exame.
Lily não teve tempo de responder, pois viu o pai vir na sua direção acompanhado por um rapaz que ela não conhecia. Imediatamente, Lily torceu o nariz. Já sabia que era mais um pretendente.
– Lílian – o Sr. Evans disse com um sorriso. Isso NUNCA era um bom sinal. – Este é Severo Snape. Ele é o chefe principal da guarda imperial e trabalha diretamente com o Imperador.
– É um prazer conhecê-la, senhorita Evans – Snape disse enquanto, sem pedir permissão, segurou a mão de Lily e a levou até seus lábios.
Lily sentiu o mundo girar, mas unicamente de nojo. Imediatamente puxou a mão e recebeu um olhar ríspido do pai.
– Com licença, não estou me sentindo bem! – disse antes de sair em disparada até a saída da casa.
– Lílian! Volte aqui agora mesmo!!! – escutou o pai chamá-la, mas simplesmente continuou andando.
Entrou na carruagem tentando não pensar na bronca que iria levar quando o pai chegasse em casa. Na verdade, estava pouco se importando. Simplesmente cansara de abaixar a cabeça e dizer ‘sim’ a tudo. Não iria se casar! Ele não iria obrigá-la a entrar em uma igreja vestida de noiva e aceitar qualquer um que empurrassem para ela!
– A senhorita já vai voltar? – o condutor da carruagem perguntou.
– Sim, por favor, me leve de volta – Lily respondeu sem hesitar. – Quando chegarmos à Mansão, diga para outra pessoa vir buscá-los.
– Claro, senhorita – o condutor disse já adiantando-se a fazer o cavalo andar.
Não era de ‘bom tom’ uma jovem voltar sozinha para casa àquela hora e muito menos deixar as cortinas da janela abertas, mas estava tão zangada com aquela conversa de casamento que estava mandando todas as convenções sociais para o espaço.
Nem ao menos esperou que o condutor da carruagem descesse para abrir a porta para ela. Assim que o transporte parou diante da casa, Lily desceu rapidamente. Ela foi até a parte da frente da carruagem e acarinhou o cavalo.
– Obrigada por me trazer rápido, Rui – disse ao animal. – Vou buscar uma cenoura para você.
O cavalo relinchou satisfeito, fazendo com que a ruiva risse.
– Tire-o desses arreios, por favor – Lily pediu ao condutor da carruagem. – Vou só até a cozinha para pegar algumas cenouras.
O condutor apenas fez um aceno positivo enquanto ia fazer o que a jovem patroa pedira. Não falou nada sobre ser perigoso soltar o cavalo assim porque Rui era o cavalo de uso particular de Lily.
Na verdade, ele não deveria estar fazendo aquele ‘trabalho pesado’ de puxar carruagem, mas o pai de Lily gostava de irritá-la mandando que os empregados colocassem o cavalo para fazer esse tipo de coisa.
Lily encontrou na casa tentando não fazer barulho. Sabia que seria difícil acordar os empregados já que eles dormiam em uma ala afastada, mas mesmo assim não queria que nenhum deles aparecesse perguntando se ela precisava de algo.
Já ia entrar na cozinha, quando ouviu um barulho vindo do escritório do seu pai. Por um minuto pensou ter escutado coisas, afinal, nenhum dos empregados deveria estar por lá, mas mesmo assim foi lá conferir.
E quando abriu a porta do escritório, gelou da cabeça aos pés ao ver uma figura trajando uma roupa totalmente negra mexendo nas gavetas da mesa. Olhou apavorada para o cofre, e viu que este estava aberto.
– Eu não sei quem você nem e nem o motivo pelo qual você está fazendo isto – Lily disse tentando manter a voz controlada. Temeu que ele pudesse estar armado, e fazer algum mal a ela, mas não poderia simplesmente deixá-lo fugir levando o conteúdo do cofre. – Mas, eu posso ajudá-lo. Você não precisa furtar nada...
“Droga!”, James pensou desesperado. “Ela deveria estar na festa! Por que voltou antes? Eu não fui cuidadoso o bastante!”.
Já havia entrado em várias casas, e jamais havia sido pego. Por que tinha que ser justamente ela que tinha que flagrá-lo?
Sabia que ela não tinha como reconhecê-lo. Estava escuro, e usava uma máscara de cobre que ocultava seu rosto do nariz para baixo, além de uma faixa vermelha amarrada em volta da testa e que domava um pouco seus cabelos revoltados.
O próprio James havia projetado aquela ‘armadura’, que era de cobre e ferro nos ombros, joelhos e abdômen para protegê-lo de possíveis golpes. O restante era de um tecido negro bastante flexível que lhe permitir correr rápido e saltar sem problemas.
Havia treinado e sofrido muito durante aqueles dez anos para colocar suas investigações em prática, e não poderia permitir que ninguém colocasse tudo por terra.
Por isso, fugiu.
Simplesmente, passou Lily correndo. Era rápido demais. Ela não conseguiu detê-lo.
– Espere! – ouviu Lily gritar, mas sabia que ela não se atrever a correr atrás dele com aquele vestido.
Pelo menos, era isso que pensava.
Tinha uma grande agilidade, e corria rapidamente pelos telhados da casa. Além disso, havia sido treinado por um mestre de artes marciais, especialmente kung-fu, e tinha facilidade de pular de uma casa para outra. Quem o visse, poderia dizer que ele era capaz de voar.
Assustou-se ao ouvir um barulho de cascos atrás de si. E quase se desequilibrou quando viu que Lily o perseguia a cavalo.
“O que deu nela?!”, pensou exasperado.
Acelerou o passo, e tentou despistá-la, mas Lily continuava em seu encalço sem dar qualquer descanso.
“Tudo isso por causa dessas jóias!”, James pensou com amargura. Ela não era diferente como ele havia pensado. Interesseira e mesquinha como os outros nobres daquela cidade.
Já estavam distantes da casa dos Evans.
Londres, por ser a capital da Inglaterra, era uma das cidades mais desenvolvidas do país, mas nem por isso, era exageradamente grande. James agradeceu aos céus quando viu que estavam se aproximando da floresta que ficava ainda dentro da zona urbana da cidade.
Estava cansado e não sabia por quanto tempo aguentaria aquela fuga. Aproveitou o escuro, pulou para o chão e velozmente escondeu-se na copa de uma árvore.
Viu quando Lily percebeu que o havia perdido de vista. Parou o cavalo e ficou olhando de um lado para o outro. James sorriu de lado.
Ninguém o pegaria tão fácil.
Ele virou-se para ir embora, mas ouviu o cavalo relinchar algo e rapidamente voltou-se para ver o que acontecia.
Lily tentava se segurar ao cavalo que se assustara com alguma coisa, e inclinava-se para trás. A jovem gritava pedindo calma ao cavalo, mas nada o fazia parar. Em um solavanco mais forte, o cavalo atirou a ruiva para trás, que sem ter como se segurar, caiu com tudo no chão.
James apertou com força o galho ao presenciar a cena. Lily desmaiou devido a queda e o cavalo, ainda assustado, correu de volta para a cidade.
Não podia simplesmente deixá-la desmaiada ali.
“Droga... Mas a culpa é dela por ter me seguido! E tudo por causa dessas jóias idiotas!!!”.
Resignado, foi até a garota e com cuidado a segurou em seus braços. A queda havia sido feia, e a manga do vestido dela estava empapada de sangue.
Como se segurasse um tesouro, a levou até uma casa abandonada que encontrara naquele caminho. Por sorte, não estavam muito longe.
“Mais um pouco e você descobria onde eu me escondo, sua garota teimosa!”
Era o seu esconderijo secreto.
Ninguém conhecia aquele lugar. James o encontrara casualmente enquanto explorava aquela parte da floresta em busca de algum lugar que servisse como ‘base’ e aquela casa antiga caiu como uma luva uma vez que havia uma entrada secreta e assim, mesmo que alguém encontrasse a casa, não poderia saber que ali embaixo estava escondido todo o seu equipamento, além dos frutos dos pequenos furtos que já cometera. Ainda não conseguira nenhuma pista do assassino do seu pai.
Com cuidado, James a colocou encostada ao monte de feno que estava no chão, e normalmente ele usava para cochilar um pouco. Não era confortável, mas teria que servir. Depois, correu até o kit de primeiro socorros que havia conseguido montar. Com cuidado para não acordá-la, levantou a manga da blusa dela para ver o ferimento e torceu levemente o nariz ao constatar que estava tão feio quanto imaginara que estaria.
– Com certeza se estivesse acordada iria reclamar e chorar de dor – James murmurou entre os dentes.
Ele estava realmente muito decepcionado por Lily ter agido daquela forma por causa das jóias.
Mas o que poderia esperar? Ela fora criada em meio ao luxo e regalias.
Estava terminando de limpar a ferida muito concentrado e não percebeu que a garota começou a acordar.
Ela conteve um gemido, e friccionou os olhos com força antes de abri-los.
O lugar em que estava era muito mal iluminado já que haviam poucas velas. Lily olhou para o teto tentando lembrar o que havia acontecido, e quase pulou ao recordar do ladrão e da perseguição a cavalo. Mas, permaneceu quieta ao perceber que o ladrão estava ajoelhado ao seu lado, cuidando do seu ferimento.
– Como...? – começou a perguntar, mas parou quando o rapaz a olhou severamente.
A ruiva teve que morder a língua para não soltar nenhuma mal criação. Ora, ele assaltava a casa e ainda tinha coragem de olhar para ela daquele jeito? Como se fosse ela a culpada do que acontecia. Esperou, pacientemente e sem reclamar da dor, que ele terminasse de fazer o curativo.
– Posso saber como eu vim parar aqui? – Lily perguntou assim que ele se levantou.
James não respondeu. Simplesmente foi até a mesa, pegou a caixa em que as jóias estavam e jogou sobre ela, sem qualquer cerimônia ou delicadeza.
Ansiosa, Lily abriu a caixa, e para a surpresa de James, foi jogando no chão a maioria das jóias, com certeza bastante valiosas. Até encontrar uma delicada corrente de ouro, com um pingente em forma de flor.
Lily jogou a caixa de lado e levou o objeto ao peito, sem esconder seu alivio.
– Pode ficar com as outras – Lily disse em um tom displicente que deixou James totalmente furioso. – Não me importo.
– Você fez essa loucura toda por causa de uma corrente?! – James perguntou exasperado, tentando camuflar o máximo a sua voz. Mas tinha certeza de que ela não gravara sua voz na memória por causa de uma única conversa.
– Loucura? – Lily ergueu levemente a sobrancelha. – Você invade a minha casa no meio da noite para furtar e eu que sou a louca?
James estreitou os olhos, mais irritado ainda com a resposta. Ela não parecia ter nem um pouco de medo dele, e isso era estranho. Afinal, ele era um ladrão, não era? Quem roubava, facilmente matava. Poderia muito bem apenas matá-la e assunto encerrado.
– Por que responde assim? – ele perguntou, por fim. – Deveria ter medo de mim!
Lily suspirou pesadamente e tentou se sentar de uma maneira mais confortável.
– Acho que se quisesse me ver morta, não teria me trazido para cá depois da queda – ela disse lentamente. – E muito menos teria cuidado do meu ferimento.
James trincou os dentes, mas ela não pode ver isso por causa da máscara. Ela era louca, tinha certeza disso.
– Por que você entrou na minha casa para roubar? – Lily perguntou sem hesitar.
– Por que você me seguiu? – James retrucou, irritado.
– Não me responda com outra pergunta! – a garota exclamou exasperada. – É irritante!
James girou os olhos.
Pelo jeito aquela noite seria bem longa.
Olá!
Mil perdões pela demora! Eu inventei de começar esse capítulo pelo final e tive um bloqueio danado! Mas consegui terminar. Tomara que a espera tenha valido a pena. E antes que perguntem... A Lily pegou o James no flagra pq ele ainda é novo nisso, mas com o tempo ele vai pegar o jeito e ninguém segura xDD
Thaty: Obrigada.
Jen Valentine: Tem muita água pra passar embaixo dessa ponte ainda... E o passado do James vai ser pouco a pouco.
lady Lily PCJG: O Peter vai aparecer sim, mas não como amigo dos marotos. E pode esperar que eles vão aprontar sim.
Lyn King: Valeu xD
Loo Lupin: Eu não sei pq, mas sempre imaginei o James como o Jonnhy Deep xDD Então meio que foi uma alusão ao Capitão Jack Sparrow.
Brenda Black-Cullen: Obrigada! Espero que vc goste desse fic tanto quando gostou de One in a million.
danda jabur: Obrigada por fazer uma exceção Xdd Quando a quem matou o pai do James... Mistérios xDD Só posso adiantar que não foi o Peter.
Lalah-Chan: Na verdade vai demorar um pouco pra ela descobrir a verdade sobre James - Jack – Prongs (apelido dele de ladrão...) xDDD
S2 Lily. S2: Eu acho que respondi algumas perguntas suas no capítulo. E ele vai terminar de contar a lenda logo xDD
Nany Dark: Obrigada. Eu também gosto de fics de época, mas nunca tinha tentado escrever uma, espero que não esteja muito ruim xD
Delly Black Fenix: Na verdade o James não está pensando no dinheiro por enquanto... Eu vou colocar a cena de como o pai dele morreu, aí vc vai entender pq o James quer tanto se vingar.
Beella P. Moony: Oi pessoa sumida! Vc já tinha lido parte do capítulo. Agora me diz do que achou do restante xD
Luh: Eu sei que começo de fic é meio chato pq vc quer saber o que vai acontecer logo xDD
Muito obrigada.
Até o próximo capítulo (que eu espero que saia mais rápido).
Branca Takarai.