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AS BROTHERS
AUTOR: EMPTYSPACES11
DATA: MAIO DE 2009
NOTA1: Os personagens de Sobrenatural não me pertencem. Sou apenas uma fã que gosta de brincar com as inúmeras possibilidades que se apresentam na relação dos mesmos. Meus textos não têm fins lucrativos.
NOTA2: Os personagens criados para desenvolver a trama das histórias são de minha autoria. Os nomes, bem como suas características físicas e psicológicas, são fictícios. Se houver qualquer semelhança com qualquer pessoa, é mera coincidência.
NOTA3: Os lugares descritos nas histórias não existem e se, houver qualquer semelhança, considere mera coincidência. Alguns nomes são reais mas, juro, nunca estive lá. Pura imaginação.
ADVERTÊNCIA: O conteúdo dessas histórias é adulto. Estão advertidos, portanto, os leitores.
Resumo: Lucifer Rising. Essa fic é mais uma espécie de universo alternativo. Meio que, um agora e depois, algo que aconteceu e, de repente, acontecerá. Drabble. Baseado na última cena da season finale.
AS BROTHERS
— I’m sorry...
Aquele que o olhava era seu irmãozinho. O seu Sammy de toda a vida. Puppy dog eyes. O cara por quem tinha vendido sua alma. Aquele que o olhava era o garoto rebelde, o gênio da família, o que se sentia diferente. O que queria ser normal. Era seu irmão mais novo. De volta. Era Sammy. Sammy com lágrimas nos olhos, olhando-o como se tivesse ainda cinco ou seis anos. Sammy implorando compreensão, implorando perdão, implorando casa. Pedindo carinho e conforto. Seu maninho estava lá, bem na sua frente outra vez. Aquele era quem ele conhecia mais do que ninguém. E estava ‘quebrado’. Tinha mais do que culpa naquele olhar. Tinha vergonha, e medo...
O que queria dizer engasgou. Entalou na garganta. Sammy estava quebrado. Podia perceber em quantos milhares de caquinhos sua alma e coração tinham se transformado. E podia sentir o medo. Medo da rejeição. Medo da punição. Medo das palavras que viriam. Medo pelo que tinha feito. Pelo que tinha sido. Pelo que era ou tinha se tornado.
E as palavras entalaram na garganta. Não podia pronunciá-las. Não devia. Não sabia como. O que queria dizer era muito, mas o que tinha ouvido e, principalmente, o que estava vendo nos olhos de Sam eram o suficiente para saber que estavam juntos outra vez e que palavra alguma traduziria o que estava sentindo. Não precisava mais de palavras. Não precisava mais dizer coisa alguma.
As palavras não saíram, mas estavam lá, presas. Estava preso em seu olhar também tudo o que ele sentia. Aquele olhar de irmão mais velho, presente, firme. A certeza de que sabia exatamente o que estava enxergando e de que agiria precisamente, como sempre o fazia, com verdade e justiça, mas com ternura, porque era disso que ele era feito agora, olhando para aqueles olhos. Era isso que queria dizer e não conseguia. Nunca tinha sido muito bom com as palavras...
Mas as palavras não eram importantes. Só seu olhar falaria. Era para resgatar tudo o que tinha se perdido. Era para assegurar que Sammy pertencia a ele. Que a casa de Sam era onde ele, Dean, estava. Que ele era seu irmão e era sua responsabilidade cuidar e protegê-lo. Que não importava nada. Não era coisa de sangue. Era coisa de alma. Coisa de coração. Eram irmãos e nada os poderia separar.
Quando o portal começou a abrir, seus instintos protetores entraram em ação. Precisava tirar seu irmão dali. Precisava cuidar de sua segurança. Precisavam correr. Fugir.
— Sammy, let’s go.
— Dean... He’s coming...
A luz o estava cegando. A luz do portal era intensa e a força que estava vindo com ela podia ser sentida por todo aquele lugar. Mas lembrou de sua fé. A fé que tinha construído. A imagem daquele que o tinha resgatado como homem. “Castiel...”, pensou. Queria poder...
— Temos que sair daqui – a voz de Castiel o surpreendeu. O anjo não perdeu um segundo sequer. Envolveu-o, assim como a seu irmão. Asas velozes contra a aparição de Lúcifer. Asas que o tempo e, tão pouco o demônio, alcançavam.
***
Depois que o anjo partiu, deixando-os em segurança, a única coisa que fez foi olhar outra vez para seu irmão mais novo. Quase não conseguia acreditar que estavam os dois ali, frente a frente. E lá estava ele outra vez, o olhar de Sammy. Puppy dog eyes. O olhar marejado do mais novo. O olhar que implorava qualquer palavra.
— Vamos... – indicou o caminho com a cabeça, mas o que queria dizer era tanta outra coisa – Precisamos nos preparar para combater o demônio – olhou para Sam, que agora, além de culpa e vergonha, tinha surpresa estampada na face.
— Dean... – a palavra quase não saiu claramente. Estava esperando. Estava...
Não podia ser diferente. Não podia deixar passar. Precisava dizer que não o estava acusando porque se sentia extremamente responsável também. Que não o considerava culpado, porque ambos tinham sido manipulados. Que não o queria longe, que não o queria nunca mais longe dele. E fez a única coisa que seu coração doente e cansado da separação queria: juntou seu irmão num abraço repentino, urgente e despojado. Estavam ambos carentes daquilo.
Fechou os olhos para guardar o momento. Prendeu a respiração para não desabar. Tratou de limpar a voz, pigarreando.
— Sammy... – o nome saiu num sopro. De uma vez só. Depois de um minuto afastou-se para olhar outra vez seu irmão e fez o que achou mais apropriado. Bateu em seu braço e sorriu de forma marota, meneando a cabeça, no trejeito de sempre, piscando o olho – Temos trabalho a fazer.
FIM