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PRIMAVERA EM FLOR
Capítulo I – A Nova Professora
Severus Snape subiu as escadas e adentrou o grande salão. Era um dia antes da volta às aulas e os alunos chegariam em algumas horas. O salão estava silencioso. Albus Dumbledore havia pedido a Snape que o fosse procurar em seu gabinete, pois precisava conversar com ele sobre alguns detalhes relativos ao novo ano letivo.
Com passos rápidos, Severus dirigiu-se à sala do diretor de Hogwarts. Aproximou-se da entrada e disse "- Mar revolto." Imediatamente a passagem se abriu, permitindo que ele seguisse. Assim que entrou no aposento, viu que o Dumbledore não estava só. Havia com ele uma mulher. Severus aproximou-se dos dois.
"- Desculpe-me, diretor. Achei que o senhor estivesse sozinho."
"- Ah, Severus, que bom que você chegou! Entre! Gostaria de lhe apresentar nossa nova professora. Esta é a Dra. Maria Gentili. Ela ficará responsável por ensinar línguas exóticas aos nossos alunos."
Snape só então olhou com mais atenção para a mulher que estava ao lado de diretor. Ela sorria para ele. Era uma mulher branca, cabelos castanhos claros, baixa e ligeiramente corpulenta. Devia ter uns 40 anos, um pouco mais, um pouco menos, ele calculou. Severus acenou brevemente com a cabeça para ela. Ela acenou de volta e seu sorriso não feneceu nem mesmo quando percebeu que ele não o retribuía.
"- Achei que o senhor quisesse conversar comigo a sós, diretor." - disse Snape.
Dumbledore sorriu levemente. "- Na verdade, você e a Dra. Gentili irão trabalhar juntos neste ano. Um grande amigo meu enviou-me uma enciclopédia raríssima de poções. O único problema é que ela foi toda escrita em dialeto Celta-Élfico e há apenas 3 pessoas no mundo que podem traduzi-la. Uma delas, para nossa sorte, é a Dra. Gentili, que graciosamente se dispôs a deixar a Itália, seu país natal, e vir para Hogwarts nos dar uma ajuda."
"- E quem são as outras duas pessoas?" - perguntou Snape em tom nada amigável.
"- Meu pai e meu irmão.", respondeu a mulher ainda sorrindo. Snape imediatamente notou que ela falava um inglês perfeito, sem qualquer indício de sotaque estrangeiro.
"- Suponho que nenhum dos dois esteja atualmente disponível pra o trabalho.", disse Severus, em tom menos amigável ainda.
"- Infelizmente não. Meu pai já quase não sai mais da Itália e meu irmão atualmente encontra-se no Egito, já que ele, além de lingüista, também é arqueólogo."
"- Bom, então acredito que não tenhamos escolha."
"- Não poderíamos contar com alguém mais gabaritado que a nossa Maria, humm ... desculpe-me ... Dra. Gentili", disse Dumbledore. "- Tenho certeza de que farão um excelente trabalho juntos. Afinal, vocês estão entre os melhores em seus respectivos expertises. O professor doutor Ângelo Gentili, pai da Dra. Maria, é conhecidíssimo e respeitadíssimo entre a comunidade bruxa."
"- Sim, agora que o senhor mencionou, eu já li alguns trabalhos do Dr. Gentili sobre a influência da temperatura e pressão na fabricação de poções.", disse Snape.
"- Certamente será um prazer trabalhar com o senhor, professor Snape. Meu pai me falou que o senhor é considerado o melhor Mestre de Poções da atualidade. Ele me pareceu muito impressionado com o senhor e devo dizer-lhe que meu pai não é do tipo que se impressiona com qualquer coisa."
"- Seu pai me conhece?". Snape olhava para a nova professora de maneira indiferente e incrédula – "- Se ela pensa que bajulação vai conquistar minha confiança, está muito enganada.", pensou. "- Eu detesto bajuladores!"
"- Na verdade ele ficou muito impressionado com o que leu sobre o senhor. Tenho certeza de que gostaria muito de conhecê-lo."
"- Seria uma honra conhecer um homem tão competente como o professor Dr. Gentili", disse Snape. "- De qualquer maneira, espero que a senhora faça jus à fama de seu pai."
O mal-estar pairou no ar. "- Hummm ...", disse Dumbledore, "- Já que os dois estão apresentados ... acho que podemos nos despedir agora. Precisamos nos preparar para a chegada dos alunos."
"- É uma excelente idéia.", concordou Snape, que logo saiu da sala do diretor, acompanhado pela nova professora. Ela era muito amigável, nada parecida com ele e logo perguntou se Severus conhecia a cultura Celta.
"- Sim, conheço bem." Ele respondeu, "- Mas nunca soube que houvesse uma língua Celta-Élfica. Isto é novidade para mim."
"- De fato, é novidade para a maioria da comunidade bruxa. Meu pai foi um pioneiro na tradução do dialeto e esse conhecimento acabou ficando dentro de nossa família."
"- Bem, é melhor eu me dirigir aos meus aposentos. Não gosto de me atrasar.", disse Snape.
"- Eu também preciso correr. Minhas malas ainda não estão desfeitas. Nos encontramos na hora da festa."
Snape viu quando a nova professora dirigiu-se para as escadas que levavam à torre onde ficava a casa de Corvinal. Quando ele virou-se para descer às masmorras, ouviu que ela o chamava novamente. "- O que será dessa vez?", pensou.
"- Foi um grande prazer conhecê-lo professor. Espero aprender muito sobre poções com o senhor."
Snape assentiu com a cabeça e virou-se novamente, dirigindo-se às masmorras. Não sabia o porquê, mas não tinha gostado daquela mulher. Talvez pelo fato de ela tê-lo tratado com tanta simpatia e cordialidade e de não ter se incomodado nem um pouco com suas maneiras secas. Continuou seu caminho até a porta dos seus aposentos. Murmurou o feitiço que pessoalmente havia inventado para abrir a porta e entrou. Era melhor ficar na frieza e escuridão das masmorras e preparar-se pra a algazarra e barulho que se seguiriam com a chegada dos alunos.
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