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- Só sendo muito idiota mesmo para enfrentar outro Cavaleiro de ouro e um Marina. Vai se arrepender, Kamus de aquário, por interferir no castigo que eu pretendia dar a essa assassina.
- Então fica pra uma próxima vez, Máscara da Morte.
- Milo, seu desgraçado. O que você fez comigo?
- Eu também não consigo me mexer.
- O efeito das agulhas escarlates são temporários não se preocupem. – quando viu Kamus seguindo um rastro de sangue pelo chão gritou pra seu amigo – Kamus, não sei exatamente o que aconteceu aqui, mas está me devendo uma explicação.
Kamus apenas acenou afirmativo para seu amigo e seguiu o caminho de sangue deixado por Sasha.
A muitos metros dali
A jovem que vestia roupa negra agora não se importava mais em cobrir seu rosto para não ser reconhecida. Estava toda machucada, cuspindo sangue e precisando se refugiar. Jogou alguns shurikens nos pneus dos carros que se aproximavam, conseguindo assim parar todos eles causando um engarrafamento. Agora sim ela podia atravessar a rua e alcançar a tampa do bueiro. Ela levantou a tampa com enorme dificuldade e tentou descer as escadas. Sem forças, caiu na água que passava abaixo da rua sendo arrastada pela força da correnteza. Teria se afogado se não fosse uma pessoa tão persistente. Segurou na beirada do canal, fazendo força pra sair dali conseguindo apenas retirar metade do seu corpo da água. Perdeu a consciência após tanto esforço.
Kamus viu a poucos passos, o tecido que cobria o rosto de Sasha no chão, ensopado de sangue. A sua volta tinha muitas pessoas discutindo, barulho de buzinas de carro, e um grupo de pessoas formando um circulo no meio da mais movimentada avenida de Atenas. Correu até o lugar onde as pessoas se acotovelavam para tentar enxergar alguma coisa no buraco. Kamus afastou todos, e entrou na galeria. Correndo pelo caminho que seguia a correnteza, ele viu Sasha debruçada na margem. Quando chegou perto, desejou que ela ainda estivesse viva. A respiração estava fraca. Kamus agradeceu mentalmente aos deuses por não ser tarde demais. Concentrou seu cosmo unicamente para curar as feridas dela. Eram muitas, e isso demoraria um certo tempo. Aos poucos ela foi despertando. Um grito de pavor escapuliu de sua garganta. Logo em seguida ela começou a falar num sussurro quase inaudível, e completamente desconexo:
- Monstros... estão por todos os cantos... Meu Deus, como farei para te salvar?
- Acalme-se Sasha. Está a salvo agora. – Kamus percebeu que nada que dissesse seria escutado por ela que devia estar muito abalada. O hematoma que viu em seu rosto, indicava que fora feito há alguns dias. – Quem bateu em você, Sasha?
- Solte-me, monstro... preciso fugir. Ele vai me matar...
- Ele quem? A pessoa que bateu em seu rosto? – Sasha se debatia e Kamus pode ver alguns resquícios de marcas no pescoço dela. O que levou a crer que o hematoma fora o mínimo que lhe havia acontecido. Tentando chamar sua atenção perguntou sério – Quem está te obrigando a praticar todos esses assassinatos?
- O que está acontecendo aqui, Kamus?
- Milo? O que faz aqui?
- Onde mais eu poderia estar depois de tudo o que aconteceu? E quem é ela pra merecer sua proteção depois do que ela fez?
- Agora não posso explicar nada, Milo. Ela está em estado de choque.
Antes mesmo que Kamus pudesse impedir Milo acertou Sasha com uma de suas agulhas escarlates. O cavaleiro de aquário olhou pasmo para seu amigo, e este respondeu as perguntas antes mesmo delas serem pronunciadas:
- Apenas acertei um ponto vital. Isso a fará se acalmar e descansar. Em uma pessoa normal não sei quanto tempo o efeito levará para passar. A questão agora é que arrisquei meu pescoço sem ao menos saber o motivo.
- Tudo o que posso dizer é que suspeito que alguém está forçando Sasha a tentar matar Saori.
- Sasha? Então vocês são íntimos...
- Milo, ela é apenas uma garota que está precisando de ajuda. Não faço a mínima idéia de quem seja a pessoa que está coagindo-a a fazer essas coisas. Tudo o que posso dar certeza agora é que alem de ter de fugir dos defensores de Athena, agora terá que fugir dessa pessoa também. E pelo que percebi, ela tem muito medo dessa, ou dessas pessoas.
- O único lugar seguro é o santuário. Lá ninguém a encontrará.
- Está louco, Milo? Saga está com a mão coçando para entregá-la as autoridades, e Sasha acha bem provável que será assassinada lá. E Mascara da Morte está doido pra matá-la sem querer saber de nada.
- Raciocina comigo... Do jeito que ela se feriu, qualquer um acreditaria que ela não resistiu aos ferimentos internos e seu corpo foi arrastado pela correnteza da água. Quem a está ameaçando poderá procurara-la, mas não vai encontrar o "corpo".
- Esqueceu Saga e Mascara da Morte.
- Ela vai ficar no meu templo. Eu sempre consigo levar algumas garotas sem que ninguém saiba. E se alguém a ver por lá, vão pensar que é uma das garotas com quem passo a noite. Até mesmo porque ninguém viu o rosto dela alem de nós dois.
- E Saga. Estou vendo que essa é a única saída neste momento. Mas se eu souber que a desrespeitou, Milo...
- Já vi que a garota já tem dono. Ta certo, Kamus irei respeitá-la como se fosse uma irmã. Agora temos que forjar as provas. – Milo pega um punhado do cabelo dela e corta usando a mão num rápido movimento, escutando o leve protesto de Kamus – O cabelo vai crescer novamente.
Milo entrega a porção de cabelos que cortou de Sasha a Kamus, e depois a pega no colo, aninhado-a contra o peito. Já estava tomando uma saída oposta a que veio:
- Pra onde você pretende levá-la?
- Vou deixá-la numa casa de tolerância, ao qual eu conheço a dona.
- Nem pensar. Não a deixarei ficar num lugar como esse.
- Não podemos sair na rua à luz do dia com ela assim. Nesse horário a casa está fechada, por isso não tem com que se preocupar. Quando eu voltar que será muito rápido, a gente vai ter que encarar Mascara da Morte e Sorento. E você, meu amigo, terá que representar muito bem o papel de quem perdeu alguém. Acha que consegue?
Depois de deixar Sasha num lugar que no momento seria o mais seguro para ela, Milo e Kamus partiram para o que seria sua missão mais difícil naquele dia, convencer a todos que ela estava realmente morta.
- Onde estavam?- pergunta Shura antes mesmo que os dois entrassem na sala do mestre, onde todos os dourados, os marinas, bem como Athena e Julian Solo aguardavam.
- Parece que estavam todos esperando por nós!
- Não brinque Milo, vocês dois estão bem encrencados e é bom que tenham uma ótima desculpa!- sussurrou o cavaleiro de capricórnio, tentando não ser ouvido pelos outros.
- Agradeço a sua preocupação amigo – disse Kamus num tom alto o suficiente para que todos os presentes pudessem ouvi-lo, mas não há nada para esconder.
- Parece bastante seguro Kamus! – respondeu Saga dando alguns passos na direção do cavaleiro de aquário.
- O suficiente, para que a única coisa que me pese é a morte de uma inocente.
Todos se olharam confusos, indagando uns aos outros o motivo para que Kamus julgasse a mulher que tentou matar Athena por duas vezes como sendo inocente.
-INOCENTE VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO! – Máscara da Morte parecia não acreditar no que ouvia – DEFENDE AQUELA MULHER, ME ATACA E AINDA SE DIZ FIEL À ATHENA!
- Tão fiel, que fui o único a perceber que essa assassina poderia estar sendo usada. E talvez se você perdesse algum tempo vendo noticiários ou se informando saberia do que estou falando.
- SEU... – disse Máscara da Morte sendo contido por Aioria, já que sua vontade desde o incidente da assassina era arrancar a força aquele olhar metido a superior do aquariano.
- Ele está certo, mas não é disso que viemos tratar. – disse Milo interferindo e jogando aos pés de Saga a máscara que cobria o rosto da assassina encharcado de sangue e um punhado do cabelo dela. – se isso servir como prova...
- Não sei, tenho minhas dúvidas, ela poderia ter usado isso para nos despistar. – disse Saga avaliando o material.
- Ela é humana, foi atingida por mim e por Máscara da Morte, se não encontrou socorro, provavelmente é como o Escorpião- disse Sorento que parecia não ver sentido naquela tola discussão.
-NÃO SE META MARINA! – disse de forma extremamente rude Máscara da Morte, que parecia estar procurando motivos para mandar alguém direto para o Yomotsu.
- Máscara da Morte ! – disse Athena finalmente se manifestando. - Sorento e Julian também tem interesses nessa reunião, além do mais são meus convidados.
Máscara da morte rosnou indignado, mas se calou diante das palavras de sua deusa, ainda que fosse um tolo violento ao seu modo ele amava e respeitava aquela jovem.
- Talvez seu cavaleiro tenha razão – disse Julian diante da intervenção de Athena, não vejo motivos para que eu e Sorento continuemos aqui, esteja viva ou morta meus marinas são fortes o suficiente para deter uma reles assassina. Além do mais não creio que a disciplina de seus cavaleiros seja um problema meu. Agradeço por sua hospitalidade mas vou me retirar.
E sem dizer mais nada fez um sinal para que Sorento o acompanhasse e saíram.
- Estamos todos cansados aqui, foi uma noite cheia e cansativa principalmente para alguns de nós – continuou Athena – Permanecerei no Santuário até que esse problema seja resolvido, aqui dentro não haverá problemas.
- Mas Athena! – Saga tentava protestar, inconformado com o fim daquela reunião.
- Descanse também Saga, conversaremos uma outra hora.
Continua...
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