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Prólogo
Não importa o quanto fossem feridos.
Os Cavaleiros de Athena nunca desistirão de lutar, não importa o que aconteça na Terra, não importa contra quem seja, não importa se sejam deuses ou meros humanos, eles sempre estarão lá, pela justiça, por Athena, pelo bem.
Como eles, simples humanos, poderiam elevar seus cosmos a um nível tão alto ?
Como possuíam tanta coragem ? Tanta força ?
Como seus punhos eram capazes de despedaçar montanhas, estrelas ?
A cada pergunta que os deuses faziam, mais aumentava a força desses cavaleiros, mais coragem e amor surgia naquela terra que parecia não ter outro destino se não ser acabada e terminar na mais profunda escuridão e no frio, mas graças a eles as flores puderam continuar a florescer nos campos e o sol a iluminar aquele mundo maravilhoso.
--“”—
Parecia estar sonhando, mas não era um sonho. Athena estava flutuando sobre o mar e a névoa a impedia de enxergar o que havia à sua volta, ela só conseguia ouvir o barulho do mar se movimentando com o vento frio e envergava apenas o céu estrelado lá no alto e a água abaixo de seus pés.
Logo uma certa agitação no oceano tirou toda sua tranquilidade, os longos cabelos liláses de Athena foram voltados para frente devido ao vento forte e no meio de fortes ondas que quase alcançavam seu corpo, alguém surgiu do meio da névoa e caminhou lentamente sobre a água, seus longos e brilhantes cabelos azulados balançavam calmamente, seus olhos azuis como o mar possuíam um brilho intenso e transmitiam serenidade, sua túnica branca parecia arrastar em um chão invisível e um forte cosmo emanava de seu corpo.
O homem se aproximou da reencarnação de Athena e levou uma de suas mãos até o cabelo da jovem, pegando suavemente uma pequena mecha e levando-a até seus lábios, beijou os fios, fechando suas orbes. Saori apenas sorriu, não se sentia nervosa, mas muitas perguntas invadiam sua mente naquele momento. Ela fechou os olhos por alguns segundos e logo voltou a abrí-los, olhando diretamente para o homem diante dela e quebrando o silêncio com sua voz.
-Julian, Poseidon. Como conseguiu voltar ? Por que estamos aqui ?
-Athena. Não importa como voltei, mas é bom revê-la.
-Não me diga que desejas dominar a terra mais uma vez ? Pois se quer fazer isso, saiba que será inútil a sua tentativa. Quase todos os seus generais marinas estão mortos e meus Cavaleiros estão prontos para impedí-lo mais uma vez !
-Acalme-se Athena, eu não quero dominar a Terra, ainda. Em meu sono, andei observando o comportamento de seus cavaleiros e estou seriamente preocupado.
-Preocupado ? Com o que ?
-O amor entre eles, isso pode impedí-los de lutar no futuro.
-Não, Julian ... o que os faz ter força e coragem é o próprio amor, é um sentimento maravilhoso.
-Acho que não é capaz de me entender no momento, Athena. Mas em breve ...
-O que pretende fazer agora ?
-Permita-me jogar uma maldição em pelo menos dois de seus cavaleiros, dependendo de como acabar, vou ter certeza que a humanidade poderá viver nesta terra. O que acha ?
Athena manteve os olhos quase fechados enquanto olhava para o canto esquerdo, o vento agora balançava seus cabelos para o lado e o silêncio voltou para o local. Ela respirou fundo e encarou Poseidon mais uma vez.
-Que tipo de maldição ? Se for para colocar a vida de meus Cavaleiros em risco, me recuso a aceitar.
-Não, não colocará suas vidas em risco.
-Me diga o que é, e quem são os dois cavaleiros que você quer ...
-Vejamos, Eu quero Cisne ... e Pegasus. Vou transformá-los em duas garotas.
A jovem se assustou ao ouvir o que Julian acabava de dizer, mas o ouviu atentamente enquanto o mesmo a explicava sobre as consequências da maldição, e como revertê-la, mas ela pensava porque ele estava fazendo aquilo, porque queria ver a reação dos Cavaleiros, ela sabia que se recusasse a proposta de Poseidon, ele tentaria dominar a terra novamente, e aceitando, retardaria esse acontecimento, nem que fosse por pouco tempo. Ela pensou por alguns segundos e seu imenso cosmo fez brilhar as águas do oceano e refletí-los, Saori mantinha um olhar determinado.
-Tudo bem, eu aceito. Estou confiando em você, Julian.
-Ótimo ... agora volte para seu santuário, Athena.
Antes que ela pudesse dizer alguma coisa, tudo á sua volta escureceu e Saori sentiu seu corpo cair no mar, afundando, afundando, afundando até ficar inconsciênte, caindo em um sono profundo.
Aos poucos, o som dos pássaros cantando lá fora chegou aos seus ouvidos, o suave barulho das árvores tendo suas folhas balançadas pelo vento. Logo a claridade fez com que seus olhos ardessem e os abriu devagar, colocando um dos braços na frente para que a luz não atrapalhasse. Estava de manhã. Saori havia voltado para seu santuário e estava no templo de Athena, o encontro com Poseidon parecia ter sido um sonho, mas não foi, suas roupas ainda estavam molhadas no chão e seu corpo estava coberto apenas por um lençol branco. Ela se levantou segurando apenas a parte da frente do lençol em seu peito e caminhou com os pés descalços até a metade do cômodo, logo alguém bateu desesperadamente na porta.
-Entre. –Disse Athena sem se importar por estar sem roupas. A pessoa logo empurrou a porta lentamente e deu alguns passos à frente, se assustando ao ver Saori daquele jeito, era Marin, ela vestia sua armadura de Águia e estava sem sua máscara.
-Athena ! Vista-se logo, algum cavaleiro pode vê-la assim ! Athena ... caiu uma espécie de raio aqui no santuário agora a pouco, parece que Seiya e Hyoga foram atingidos, mas seus corpos não foram encontrados ! todos no santuário estão desesperados.
-Sim, Marin. Eu sei ... foi a maldição de Poseidon.
-MALDIÇÃO DE POSEIDON ??! Ele não está preso naquela Ânfora ? O que ele fez ?
-Acalme-se, amazona. Poseidon está de volta ... ele jogou uma maldição em Seiya e Hyoga para ver uma coisa ... dependendo do resultado ele atacará a terra, eu aceitei para que tenhamos tempo de pensar em uma estratégia e o impedir novamente.
-Que tipo de ... madição é essa, Athena ?
-Seiya e Hyoga viraram duas garotas.
-O QUE ???!!
--“”—
E no coliseu do santuário, havia fumaça para todo lado, duas enormes cratéras haviam sido feitas pelos raios que caíram. Os guerreiros que alí treinavam no momento não se feriram, mas perceberam que Seiya e Hyoga haviam sido atingidos, mas seus corpos não estavam lá quando foram procurar.
Na vila de Rodório, que fica próxima ao santuário, uma vila pacífica com um povoado simples, todos se assustaram ao ver algo como duas estrelas cadentes caírem sobre o solo do centro da vila, causando um grande estrondo e quebrando várias pedras. Aos poucos, as pessoas se aproximaram para ver o que era e se assustaram ao ver que eram duas pessoas, duas garotas. Uma delas aos poucos se levantou, apoiava as mãos nos joelhos com certa dificuldade, ela mantinha os olhos fechados devido a poeira, seus cabelos eram castanhos, lisos e compridos até sua cintura, olhos castanhos, sua pele branca, seu corpo era muito bonito, pernas torneadas e seios grandes, ela vestia uma espécie de armadura prateada, todos imediatamente confirmaram que eram amazonas de Athena, pelos trajes. A outra amazona, que estava do outro lado, também vestia uma armadura, esta era de um tom meio azulado. Seus cabelos igualmente eram lisos e compridos, mas loiros, corpo perfeito, seus olhos eram azuis-claro e ela também parecia se levantar com dificuldades. Logo as duas amazonas começaram a andar igual, dando passos para trás, pareciam estar um pouco perdidas no meio do restante da poeira enquanto as pessoas as observavam em silêncio e assustadas. As duas se aproximaram de costas até baterem uma na outra, se assustaram e se viraram imediatamente, encarando a outra e arregalando os olhos.
- ... !! –O grito das duas fazia eco pela vila, elas se afastaram uma da outra e cobriram o rosto com as mãos, não acreditando no que estava vendo.
-Q-q-quem é v-você ? –Perguntava a amazona loira enquanto olhava para a outra entre os dedos.
-Como assim ?! Sou eu o Seiya ! E você, quem é ?
-SEIYA ???!! Como assim quem sou eu ? Sou eu, Hyoga ! Seiya ... melhor você olhar pro seu corpo ...
-Anh ? –A amazona morena lentamente abaixava os braços e virava a cabeça para baixo, a loira, desconfiada também resolveu olhar e se surpreenderam mais ainda.
-WAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH ... !! QUE ISSO ?!
-AI MINHA ATHENA ! Isso é um sonho ?! Não, não, é um pesadelo !!
-Não é um pesadelo, são vocês mesmos, Seiya, Hyoga. –Elas sentiram um imenso cosmo se aproximar e quando olharam para o lado, lá estava Athena, carregando seu báculo na mão direita e as olhando, sorrindo.
-O que disse ? –Hyoga parecia não acreditar ainda.
-Sim, são vocês mesmos. Essa foi uma maldição que Poseidon jogou em vocês, depois lhes explico os detalhes, mas só há um jeito de revertê-la ...
-Meu Zeus ... E que jeito é esse ... Athena ?
-Vocês terão que beijar um cavaleiro, um homem.
-O QUEEEE ???!!
Continua ...