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Rendição
Por Josiane Veiga
Sinopse: Ohno Satoshi é um cantor de sucesso, apresentador de um programa de variedades muito conhecido e também um ator talentoso. Tinha tudo na vida para se considerar feliz, no entanto, algo lhe faltava... E o que ele não imaginava era que tudo que mais ansiava estava ao seu lado... na pessoa do melhor amigo.
Personagens: Membros do Arashi. Os demais personagens que aparecerem são personagens originais meus, fictícios.
Gênero: Romance /Drama/ Comedia/ Yaoi
Classificação: 18 anos
Par Principal: Ohmiya
Nota da Autora: Primeiro fanfic deste estilo (boyband), estou realmente muito nervosa para postar. Na verdade, quase me faltou coragem, pois meu estilo de escrita é muito diferente dos das fãs em geral. Como já tenho mais de 30 histórias diferentes, (entre originais e fanfics) espalhados pela internet, o medo parece descabido, mas não o é. Uma estréia em um estilo diferente sempre causa pavor e receio. Então, por favor, tenham piedade! Se ficar totalmente ridículo, não me massacrem, apenas apontem o erro para que eu melhore no próximo capitulo. Se gostarem, comentem, sou uma pessoa com baixa estima e um comentário pode me ajudar e incentivar a continuar...
Capítulo especialmente dedicado a Konota, que quando descobriu que eu tinha a fic no PC e que tinha medo de postar, me incentivou a publicar, e a Rafinha, minha primeira amiga Arashifan. Fanfic também dedicada a todas as meninas do Arachikut, que sempre me tratam com tanto carinho.
Ah, nunca é demais ressaltar de que isso é apenas ficção escrita por uma fã e que talvez a personalidade de determinado membro do Arashi não fique fiel a imagem que eles passem as fãs. Dei apenas a minha visão sobre eles.
Enfim... boa leitura.
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Final do outono de 2006
Foi o som expressivo do relógio que o acordou. Virou a cabeça para o lado e percebeu a cama vazia onde havia passado mais uma noite infernal. Mexeu os lençóis e saiu do leito em direção ao banheiro. Não era a maldita cama desocupada que o incomodava! Ele sempre a teve assim, só para ele! À noite em claro era apenas reflexo dos seus próprios sentimentos machucados. Quando adormeceu, o sol já despontava no horizonte e pouco depois o despertador tocou...
Não... Não era a cama vazia... O que mais o importunava era a solidão!
Anos atrás, noites como essas eram inimagináveis. Após os shows, os amigos e ele iam para o quarto de hotel rir e se divertir. Acabavam dormindo todos no mesmo quarto, após comerem muita pizza e jogarem vídeo-game. A união era tão impressionante que acabaram se tornando uma família.
Mas os anos passaram, os compromissos cresceram e agora eles mal tinham tempo para almoçar juntos, quanto mais para ficarem a madrugada acordados, conversando.
Mas como culpar os amigos que agora seguiam seus próprios rumos? Ele devia aprender a ser mais ativo e também buscar seu próprio caminho!
Apertou a torneira e postou o corpo embaixo da água quente do chuveiro. Um banho relaxante iria ajudá-lo a começar mais um dia cheio de atividades que não o agradava e muito menos o entusiasmava.
Alguns minutos depois, vestido e segurando um jornal, mastigava um pedaço de pão. A mesa do café da manhã era sempre preparada pela eficiente empregada que cuidava dele quando a mãe não se encontrava em casa.
“Ninomiya Kazunari recebe elogios da crítica internacional pela atuação em Letters from Iwo Jima”
Um sorriso doce escapou de seus lábios ao ler a manchete em destaque. Nino-chan estava realmente fazendo sucesso. Merecido sucesso, diga-se de passagem! Ele sempre foi um grande artista, daqueles que sentem o personagem na alma, e então conseguem o transportar pro exterior.
-Acordou de bom humor! – exclamou sua empregada Yuki, aproximando-se dele com o bule de café.
Apesar de ela estar enganada, o rapaz estendeu a xícara para a mulher e sorriu.
-Estava lendo sobre Kazu...
Os olhos negros da japonesa de aparentemente quarenta anos demonstraram compreensão.
-Senhor Ohno-san sempre fica feliz quando fala sobre o senhor Ninomiya-san.
Ohno Satoshi encarou a empregada mantendo o sorriso no rosto, mas algo o incomodou naquele comentário. Já havia notado que realmente Nino trazia certa alegria a sua vida, e a ausência dele, agora nos EUA promovendo o filme em que atuava, o estava deixando angustiado. Mas, apesar das demonstrações públicas de carinho trocadas entre eles (e sempre consideradas parte de uma brincadeira), nunca pensou que a ausência do amigo em sua rotina, poderia ser uma das razões da sua crescente tristeza.
-É meu melhor amigo... – balbuciou à mulher, como se fosse a explicação óbvia.
Sim, Ninomiya era seu melhor amigo. Não que os outros membros da banda a qual participava não fossem importantes também, mas Nino era especial. Talvez porque o amigo tivesse uma personalidade tão diferente da sua, acabasse de alguma forma o completando.
-Senhor...? – o som da voz da empregada chegou a seus ouvidos.
Levantou os olhos negros para a mulher.
-Sim?
-Seu carona chegou.
Ignorou o olhar risonho da mulher e foi em direção a porta. Ter vinte e seis anos e não ter tirado a carta de motorista realmente era algo absurdo, ainda mais para um japonês. Por sorte, os amigos entendiam aquela esquisitice e sempre o ajudavam.
-Avise okaasan de que chegarei mais tarde está noite.
Desceu as escadas da porta frontal e encarou o rosto sorridente de Aiba Masaki, seu companheiro de banda e um de seus melhores amigos.
-Você chegou mais cedo! – falou, mau humorado.
-É assim que me agradece por vir buscá-lo? – Os olhos do loiro continuavam amistosos. – Eu moro do outro lado da cidade e me dispus a dar-lhe carona enquanto seu motorista particular não volta de... – a frase morreu na boca de Masaki e ele coçou a cabeça. – Para onde ele foi mesmo?
-Foi visitar a mãe no interior! Já lhe contei mil vezes!
-E devia sentir prazer em contar mais! – a risada de Aiba foi alta. – Sabe quantas pessoas no mundo todo sonham em serem buscadas em sua residência por um Aiba Masaki?
-Tirando as dementes?
-Não! As incluindo!
-Oh... não tenho idéia!
-Praticamente o universo feminino inteiro.
É verdade que havia acordado de mau humor, mas brincar daquela forma com o amigo acabou animando Ohno. Quando sentou-se no carro, já sorria.
-Leu o jornal hoje? – perguntou ao loiro.
Concentrado na direção, Aiba não o olhou para responder.
-Não. Tinha algo de importante lá?
-Uma matéria sobre o filme do Nino-chan...
-Unh... Isso não é novidade! Estão saindo matérias sobre ele todos os dias.
Voltando os olhos para a janela lateral, Ohno continuou:
-De repente, me peguei pensando que talvez seja mais vantajoso para ele ficar em Hollywood. O talento dele é grande demais até para a dramaturgia do Japão...
Um frear brusco quase atirou Ohno para frente e se não fosse o cinto de segurança, provavelmente teria voado pára-brisa adentro. Desesperado, olhou para o lado, tentando entender o que havia feito Aiba parar o carro daquela forma.
-O quê...?
Não pode continuar a pergunta, pois o loiro já saltava do veículo e corria para a rua. Sem saída, Ohno o seguiu.
-O que aconteceu?
Quando por fim se aproximou do companheiro, encontrou-o ao lado de um cachorro deitado.
-Eu o atropelei... – choramingou Aiba.
Pousando os joelhos no chão, Ohno tocou na barriga do animal.
-Acho que não... – tentou consolar o outro. – Está vivo! – tentou ser prático. – Vamos levá-lo para um veterinário.
Naquele instante, uma multidão já se aproximava e um engarrafamento se formava atrás do carro esportivo de Masaki. Quando ouviu os primeiros buzinados, notou que a situação poderia se tornar séria.
-Pegue o cachorro e vamos de uma vez! – tentou alertar o companheiro.
-Se ele morrer, eu morro junto!
“Sagitarianos!”, pensou Ohno, “sempre extremamente sensíveis”.
-Não vai acontecer nada disso! – disse firme. – Vamos levar o animal logo a um médico, pois se ficarmos aqui por mais tempo logo aparecerá a imprensa.
Como se sua voz fosse profética, o som de um “click” lembrando uma câmera fotográfica fez ouvir-se atrás de si.
-Mas que merda! – murmurou.
Ergueu as mangas da camisa branca que usava e aproximou-se do cão. Pegou-o no colo e o carregou até o carro.
-E tem gente que ainda acha que eu sou o líder por causa do Jankenpô! – murmurou para si.
Deitando o cachorro na parte de trás do veículo, os dois apressaram-se em sair do local.
-Obrigado Oh-chan!
O agradecimento de Masaki fez Ohno sorrir. De todos do grupo, considerava Aiba o mais sensível e doce. Era o loiro também que não tinha vergonha de chorar e dizer o quanto os amava. Aiba era uma pessoa incrível, e como todas as pessoas incríveis, tinha lá as suas excentricidades.
-Senhoras e senhores, aplaudam o salvador de cachorros mais bonito de Tokio!
Ao som de uras e vivas, Ohno encarou Sho Sakurai. O tom de piada se fazia presente desde que ele colocou o pé dentro do camarim, vindo de uma reunião com o diretor do programa de variedades que apresentava.
-Foi muito lindo... Vocês tinham que ter visto! Oh-chan segurou o cachorro nos braços e saiu correndo com ele em direção ao meu carro – contava Aiba, indiferente ao olhar atônito de Satoshi.
Percebendo que todos ali seguravam um riso debochado, Ohno ralhou com Aiba:
-Quer parar com isso! Por que contou pra todos?
-Não contei... quando chegamos, eles já sabiam!
-Como?
-Vocês dois foram assunto do programa de fofocas que passa neste horário! Uma telespectadora gravou seu ato heróico e a produção ligou para todos os veterinários de Tókio para descobrir onde vocês tinham levado o cachorro. Assim que encontraram o dito, foram para lá e gravaram uma entrevista exclusiva... – narrou Jun.
-Ah não... – murmurou Ohno.
-Ah sim! – garantiu Jun. – A apresentadora ainda terminou a matéria dizendo que pela primeira vez na vida, ela gostaria de ter sido um cachorro.
As risadas voltaram com força, enquanto Ohno sentava-se na cadeira para se preparar para o programa.
-Souberam do Nino-san?
A pergunta que mudava o rumo da prosa foi feita por Jun, enquanto este arrumava o cabelo.
-Li o jornal hoje e já soube do sucesso que ele está fazendo... Aliais, antes de Aiba atropelar o cachorro... – Ohno começou.
-Não! – Matsumoto o interrompeu. – Não falo disso!
Satoshi voltou o rosto para ele, buscando decifrar as implicações das palavras.
-Um produtor do filme que é amigo do nosso câmera, contou que Nino-chan está saindo com uma moça da equipe de filmagens.
Como se houvesse recebido uma punhalada nas costas, Ohno voltou os olhos para o espelho. O semblante não demonstrava nenhuma reação, tampouco o corpo fez pretensão de irar-se contra a notícia, mas ele sabia que tremia por dentro.
Mas, por quê?
Relacionamento com garotas eram bem comuns dentro do grupo, mesmo dentro dos padrões JE. O importante era a discrição, mantendo o relacionamento longe dos olhos da imprensa.
Nino já havia cometido a besteira de ter deixado vazar um namoro e havia sido severamente castigado por isso, não pelo dono da agência deles, mas sim pelas próprias fãs. Agora, ele arriscava-se novamente?
Era isso!
Essa sensação desconfortável que havia dentro dele não passava de um instinto natural de preservação do amigo.
-Nino-chan está saindo com uma garota e não contou a nenhum de nós? – a voz de Sho demonstrava incredulidade. – Isso só pode ser mentira!
-Seja como for, vamos torcer pra ele não se envolver em nada escandaloso... – murmurou Jun.
Em silêncio, Ohno encontrava-se perdido nos próprios sentimentos conflitantes. De repente, sentiu-se traído. A reação foi tão natural que até o assustou. Os pensamentos tentaram ir ao fato de que Nino era seu melhor amigo e grandes amigos não faziam algo como namorar alguém, sem contar um ao outro. Mas isso seria mentir ao próprio coração. Não! Não era esse o motivo! Mas então, por que estava sentindo-se assim?
Estava tão absorvido nas próprias duvidas que mal percebeu uma mão quente deslizar pela sua nuca, num carinho que ele já havia recebido tantas vezes que era impossível não reconhecer. Voltou o rosto e, surpreso, encontrou os olhos atentos de Ninomiya Kazunari.
-Oh-chan! – ele o cumprimentou. – Eu voltei!
Continua...