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Josiane Veiga
Author of 43 Stories

Rated: M - Portuguese - Romance/Drama - Reviews: 18 - Updated: 12-05-09 - Published: 07-23-09 - id:5241966

Rendição

Capítulo XXII

Por Josiane Veiga

Aiba Masaki observou o ambiente da sala privativa do bar que costumava freqüentar. Quando era mais novo, aquele local era seu ponto de encontro com amigos. Por causa da fama excessiva, nunca pode freqüentar bares comuns. Então, quando Hayato – um ex colega de escola – abriu aquele estabelecimento, uma sala com vista para todo o restante do ambiente fora reservada especialmente para Masaki.

A sala vip era tão discreta que Aiba a usou muitas vezes para comemorações românticas com Sho, como jantar dos namorados, festivais da primavera, etc. Entretanto, aqueles momentos felizes pareciam longínquos. Agora, por exemplo, não estava ali para nenhum tipo de encontro casual.

Voltou os olhos para o local, e tentou ver entre os rostos dos freqüentadores, aquela a quem estava esperando. Ainda demorou alguns minutos até ele finalmente ver a mulher loira chegar ao local.

Melanie realmente era linda. Uma beleza clássica adornada por um corpo fantástico. Era impossível não ser notada pelos homens que freqüentavam o local e, pasmo, Masaki percebeu que todos os rostos voltaram-se para ela. Por sorte, o garçom que o servia já esperava a chegada da moça, e a encaminhou a sala de Masaki.

-Seja bem vinda – Aiba a cumprimentou assim que a viu entrando.

O sorriso enorme dele constrangeu a loira. Por que ele sorria daquela forma? O que havia de secreto na alma daquele homem que transparecia em seus lábios?

-Achei que você não fosse vir – o loiro parecia sincero ao ajudá-la a sentar-se na cadeira. – Quer beber algo?

-Pode ser um martini... – Melanie falou, em voz alta.

-De jeito nenhum! – Aiba negou. – Você está grávida! – voltou-se para o garçom e pediu: - Traga dois sucos de laranja, por favor.

O membro do Arashi notou que a menção a gravidez deixou a jovem constrangida. Ela mordeu os lábios, e voltou os olhos para a vidraça negra que os separava do restante dos freqüentadores.

-Por que me convidou para vir aqui? –perguntou.

Parecia verdadeiramente curiosa, e aquilo fez Masaki rir.

-Queria que se divertisse um pouco. Eu sei que prometi que ajudaria você, mas um dos meus amigos sofreu um acidente, e acabei ficando ocupado...

Espantada, Melanie notou que Masaki Aiba realmente parecia constrangido por não a ter procurado por alguns dias.

-Você não tem que se justificar! – ela rebateu. – Não entendo porque age assim!

Masaki estranhou aquela jovem ficar na defensiva, como se devesse sempre temer alguém.

-Gomen, Mel-chan...

-Você não é o pai do meu filho! Não tem obrigação nenhuma! – Ela o interrompeu, e então suspirou alto. – Por favor, seja franco comigo: O que quer de mim?

Os olhos irrequietos da jovem fizeram Aiba sentir uma espécie de pena dela.

-Só quero ajudá-la... Eu juro que é só isso – garantiu. – Sei que está sozinha no Japão, sem família, e grávida... – ele murmurou. – Além disso, o filho é de Sho-kun...

Colocando os cotovelos na mesa, Melanie riu:

-Ele nem se importa...

Masaki sentiu o rosto esquentar por causa da raiva que estava sentindo por Sakurai. Não entendia como alguém humanitário como Sho pudesse estar sendo tão insensível com a mulher que estava esperando um filho dele.

-Bom, mas eu me importo! – Aiba voltou a sorrir pra ela.

Maldito sorriso!

Por que aquele homem tinha que sorrir daquele jeito puro? Melanie desviou novamente os olhos dele, sentindo-se estranha. Quando Masaki Aiba a encarava, a moça sentia-se nua, e ao mesmo tempo quente e ansiosa. Mas, ansiosa pelo quê? A loira francesa desconhecia. Nunca antes havia sentido aquilo por qualquer outro homem!

-Eu assisti ao programa de vocês hoje! – Melanie murmurou, tentando desviar os pensamentos daquela reflexão que tanto a incomodava.

-É mesmo? – Masaki ergueu as belas sobrancelhas finas, surpreso. - Gostou?

Foi à vez de ela sorrir.

-Sim. Mas achei que vocês fossem cinco, e não três.

-Oh, é que Nino-chan sofreu um acidente de carro...

-Ah, é claro! Eu vi na Tv... – ela o interrompeu.

-Sim, isso mesmo. E Oh-chan, nosso líder, está cuidando dele...

-Hum... – ela aquiesceu. – É um programa bem interessante, e bastante variado. Não é a toa que vocês fazem tanto sucesso – elogiou. – O ruim foi a entrevistada.... – confidenciou.

-A atriz que entrevistamos hoje? – Aiba pareceu surpreso. – Ela é muito famosa... – contou.

-Sim, mas parecia bobinha...

Aiba riu alto. Naquele instante, o garçom entrou com os sucos. Serviu-os silenciosamente, e saiu tão discretamente quanto havia entrado.

-Não é bobinha... – Masaki negou, enquanto bebia um gole do suco. – Na verdade, tudo isso é uma tática...

-Tática? Como assim?

-Essa atriz, assim como uma infinidade de garotas que conheço, tentam parecer kawais”, ou ingênuas. Acho que é pra chamar a atenção dos homens...

-Como assim? – Melanie estranhou a explicação. – Você quer dizer que no Oriente, as mulheres tentam aparentar uma falsa fragilidade para despertar nos homens um instinto primitivo de proteção?

Espantado com a perspicácia dela, Masaki concordou.

-É o que eu acho... – ele balbuciou. – Mas não todas. Graças a Kami-sama, ainda existem as autenticas!

Melanie voltou a beber seu suco. Por alguns segundos os dois ficaram em silêncio, observando a pista de dança do bar. Assim que uma das músicas tocadas parou, ela voltou novamente à atenção para o loiro.

-E funciona? – não resistiu a curiosidade.

-Como?

-A tática... – explicou -, funciona?

Parecendo pensar por alguns segundos, Masaki respondeu:

-Sim, em diversas situações. E não funciona somente com homens, mas também com mulheres, pois desperta simpatia...

Melanie não estava satisfeita com aquela resposta. Não era aquilo que ela queria saber!

-Com você – ela indagou, corajosamente -, funciona?

Aiba voltou a rir.

-Não, comigo não.

-Por que não?

-Sou o tipo de pessoa que detesta que as pessoas finjam para mim. Eu prefiro que uma garota seja espontânea, mesmo que isso signifique que ela seja um tanto bruta... tipo, como você!

De olhos arregalados, Melanie defendeu-se.

-Não sou bruta!

-Gomen! Não quis dizer isso! Na verdade, eu só sugeri que você sempre parece prestes a me atacar, mas não no mal sentido, e sim como uma fera machucada que quer se defender...

Parecendo compreender aquela explicação, ela voltou a atenção ao copo.

Sou o tipo de pessoa que detesta que as pessoas finjam para mim”

De repente, Melanie sentiu-se mal. O ar pareceu faltar e ela levantou-se de forma inesperada da cadeira.

-Algum problema?

-Vou pra casa – avisou-o.

-Por quê? Sente-se mal? O bebê...

-Estou bem! Apenas cansada! Boa noite...

-Espere, eu a levo...

-Não, obrigada!

Sem dar maiores explicações, a mulher saiu do bar rapidamente, como se mil demônios a perseguissem.

~~~~~~~0000~~~~~~~~

Audrey ouviu o som do telefone tocar duas vezes antes da pessoa a quem ligava atender.

-Alô?

-Você me garantiu que aqueles dois imbecis estavam separados! – Ela gritou com raiva.

-Como? – a outra pessoa pareceu assustada.

-Aqueles dois gays sujos: Aiba e Sakurai! Você me disse que eles haviam se separado!

-E se separaram! Eu mesmo ouvi tudo! Aiba disse a Sho que não poderia perdoá-lo...

-Cala a boca! – ela berrou. – Não minta para mim! Estive no apartamento de Nino ontem, e Aiba e Sakurai estavam lá!

-Eu não sei...

-Você é imprestável!

-Audrey...

-Cansei da sua incompetência!

-Me dê somente mais um dia! Amanhã de manhã eu termino com esse romance de uma vez!

-Só mais uma chance! Se você falhar, eu vou denunciá-lo a JE e você perdera seu emprego!

-Não, foi favor...

-Nunca mais você vai conseguir ficar perto daquele tal de Aiba...

-Por favor...

Audrey desligou o aparelho. Atirou-se sobre a cama da enorme suíte que ocupava no hotel central de Tókio. Olhando para o teto, a morena murmurou:

-Sujo... tão sujo quanto Masaki e Sho!

~~~~~~~0000~~~~~~~~

-Onde você disse que Masaki-san foi? – Ninomiya aconchegou-se nos braços do namorado.

O moreno e Satoshi estavam no sofá, em frente a uma enorme televisão, assistindo a um filme de artes marciais, e comendo pipoca. Aquele tipo de situação era incomum na vida deles, então tentavam aproveitar ao máximo.

-Eu não entendi direito... – Ohno murmurou, com os olhos vidrados no televisor.

Kazunari suspirou alto, como se estivesse irritado, e então olhou para baixo, mais precisadamente para o cão que estava deitado no chão à frente do sofá.

-Junior – chamou. – Você sabe onde Aiba-chan foi?

Ao ouvir seu nome, o cachorro de pêlos castanhos levantou a cabeça e encarou ao rapaz.

-Meu filho não fala, Nino-chan... – Ohno balbuciou, como se estivesse ensinando uma criança.

-E você também não! – Kazu reclamou.

-Eu estou olhando ao filme! – Satoshi se explicou.

Ninomiya remexeu-se novamente no sofá. Ohno já conhecia aquela atitude: Nino não havia gostado do filme, e agora queria conversar. Como ele sempre conseguia o que queria, o mais velho nem tentou lutar contra aquela atitude infantil. Desistiu de assistir a televisão, e pegando o controle remoto, desligou o aparelho.

O sorriso vitorioso que Ninomiya deu, trouxe uma sensação deliciosa a Satoshi. O Riida, por algum motivo, não se importava de perder aquelas guerrinhas de relacionamento. Ao contrário, ele sentia prazer por Kazunari se deleitar em controlá-lo.

-O filme não estava bom? –Nino perguntou, como se o provocasse.

Ao invés de responder, Ohno agarrou Nino e o fez deitar-se no sofá. Deitou por cima, e beijou os lábios do amado com carinho.

-Oh-chan...

Quando Nino falava daquela maneira, como num gemido, Ohno sentia todo o corpo enrijecer de desejo. Entretanto, eles haviam desfrutado do leito excessivas vezes naqueles últimos dois dias. Aquela paixão desenfreada estava lhe roubando as forças, e provocando dor em Ninomiya. Precisavam se controlar!

-Eu acho que Aiba-chan foi ao bar daquele amigo dele... – Ohno disse, apoiando o cotovelo no sofá e deitando a cabeça em uma das mãos.

-Você reparou como ele tratou Sho-kun da última vez?

-Sim – Ohno suspirou triste. – Eles estão brigados – contou.

-Brigados? Por quê?

-Sho-chan ficou de me explicar. Mas então eu acabei descobrindo sobre você... e todo o resto ficou em segundo plano...

Aquela frase fez Nino rir.

-Meu Oh-chan é tão cuidadoso...

-Com você, eu perco a noção do resto do mundo...

-Não se preocupe, amor. Eu sei que tanto Sho-kun, quanto Aiba-kun, compreendem. Eles sabem o que significa amar alguém...

Um sorriso casto despontou nos lábios de Satoshi.

-Me preocupo com eles... – murmurou ao namorado. – Aiba-chan e Sho-chan se amam, Eles só estão sofrendo separados...

-Mas não adianta a gente se meter sem ao menos saber direito o que está acontecendo...

-É... eu acho que o melhor é nos esperarmos por um deles querer se abrir.

Aquiescendo, Ninomiya circulou a cintura de Ohno com os braços e colou o corpo ao dele.

-E a nossa paz, Oh-chan? Até quando vai durar?

Acariciando o queixo de Nino, Ohno murmurou:

-Por favor, não se preocupe. Não vou deixar a Audrey fazer mal a você...

-Não quero ficar longe de você...

-Eu nunca vou deixar! – Ohno foi firme. – Nunca mais eu vou deixar ninguém tirar você de mim! E mesmo que um dia você não me ame mais, eu vou te obrigar a ficar comigo, entendeu?

Aquele Ohno possessivo era uma surpresa agradável a Kazu.

-Eu sempre te amei, Oh-chan.... e isso nunca vai mudar...

Voltaram a se beijar. Os lábios delicados de Ninomiya receberam os de Satoshi com devoção. Porém, logo Satoshi desviou dos lábios de Kazu e desceu para o queixo. Lambeu a pintinha escura que Nino tinha, e então olhou-o fascinado.

-Você é lindo... – gemeu.

Um sorriso arrogante marcou os lábios de Ninomiya,

-Sou mesmo! – confirmou. – Vamos pro quarto, Oh-chan?

Satoshi enrubesceu.

-Eu queria muito... mas você sentiu muitas dores hoje...

-A dor é normal, Oh-chan! – Nino contou. – Você é bem dotado – elogiou. – E eu sou um tanto... pequeno....

-Eu não quero que você sofra...

Nino riu.

-É uma dor misturada com prazer, Oh-chan... e eu não posso viver sem. Eu adoro sentir você dentro de mim, sua respiração excitada, seu rosto vermelho de paixão – aproximou a boca de Satoshi enquanto ia baixando o tom da voz, num murmuro. – Gosto do jeito que você geme meu nome... e principalmente, a forma como confessa seu amor por mim...

Não podendo resistir mais, Ohno agarrou os pulsos de Kazu.

-Vamos logo pro quarto! – dessa vez foi o Riida que ordenou.

Cruzaram pelo cachorro rapidamente, e correram em direção ao quarto. Quando a porta fechou-se, Junior ainda ficou observando a madeira clara que servia de proteção ao casal que desfrutava dos prazeres na suíte. O cão então baixou novamente a cabeça, e dormiu sereno, totalmente tranqüilo... Estava satisfeito... Seu pai estava feliz.

Continua...


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