
De escolha própria escolheu a solidão.
Rated: Fiction K+ - Portuguese - Drama - Remus L. & Sirius B. - Chapters: 2 - Words: 1,285 - Reviews: 8 - Favs: 5 - Follows: 1 - Updated: 09-19-09 - Published: 08-23-09 - id: 5326522
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De todas as coisas, a única que importa
I wish you'd never forget the look on my face when we first met
O garoto havia entrado na cabine distraidamente, sem se preocupar em saber se havia mais alguém lá. Jogou o malão de qualquer jeito no outro banco e sentou-se. Havia agora entre eles uma distância em que caberiam mais duas pessoas.
Remus olhou para o desconhecido pela primeira vez. Ele sempre associara, mesmo que inconscientemente, altura e idade, então imaginou que seu companheiro de cabine deveria ter doze ou treze anos. Tinha os cabelos bem cuidados e roupas impecavelmente limpas e novas. Por um momento, surgiu na sua cabeça, sem que ele pudesse saber por quê, a imagem de uma vitrine de doces.
Inconscientemente, Remus se encolheu quando o outro notou sua presença e se virou para ele. O garoto também o avaliou por alguns segundos, e logo depois sorriu. Um sorriso vago que não significava nada mais que um cumprimento polido.
Remus se pegou pensando porque um garoto de doze anos deveria ser tão educado e frio.
E então sorriu, mais abertamente que o outro, estendeu a mão e contrariou todas as expectativas que havia criado para sua socialização.
"Meu nome é Remus."
O garoto calado sorriu mais uma vez, com um pouco mais de emoção. Tinha visto nos olhos do outro, ainda que Remus não soubesse, o calor convidativo de uma amizade.
"Sirius."
Ele respondeu, simplesmente. Sem necessidade de sobrenomes e antepassados para ilustrar sua importância. Aceitou a mão estendida e viu as cicatrizes perto dos dedos. As roupas gastas e o algo mais nos olhos que lhe sorriam. Eram olhos tristes.
Sirius teve vontade de perguntar se estava tudo bem. Teve vontade de dizer que Remus era praticamente a única pessoa que não fazia parte da sua família que ele conhecia, e oficialmente a segunda com quem ele iniciava algo parecido com uma amizade.
Remus percebeu que ele vira as cicatrizes e puxou a mão de volta, lentamente. Sorriu mais uma vez e Sirius viu que seu estoque de simpatia era ilimitado. Queria conversar sobre Hogwarts, quadribol, fazer perguntas e ser respondido, mas algo o impedia.
Sirius se pegou pensando porque um garoto de onze anos parecia tão triste e mesmo assim ainda oferecia a mão para os outros e os encorajava a sorrir.
Entre tudo o que Sirius não tinha a oferecer, Remus escolhera o que ele mesmo também não tinha. Uniram suas solidões no aperto de mão e selaram, sem saber, uma família.
A porta da cabine foi aberta e James Potter, oficialmente a primeira pessoa com quem Sirius travara contato no Expresso, entrou trazendo um garoto com quem conversava animadamente. As apresentaçõs foram rápidas e quebraram o fio dos pensamentos de Sirius.
James e Peter completaram a distância entre ele e Remus.
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