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Sombras vacilantes pousavam e tremiam ocasionalmente na face da jovem mulher. Seu rosto, seu cabelo e sua expressão, mesmo que pálida à fraca luz das velas improvisadas; tudo nela me admirava, me embevecia, me colocava num curioso transe. Aquela mulher ainda respirava. O rosto e o corpo cobertos de ferimentos foram depositados no necrotério sem piedade, num tempo que não existia solução nem altruísmo. As pessoas eram somente pessoas, somente corpos sem expressão, sem amor, sem dor, sem rosto. Apenas almas cruzando seus próprios caminhos, traçando uma vida sem propósito nem emoção. E eu me perguntava o que fazer. Meus pés e mãos pareciam não corroborar com as instruções de meu cérebro, algo que oferecia perigo para um médico. Em especial a este médico. O sangue dela ainda corria e renovava em suas veias, e era tentadoramente doce, suave, sedutor. Chamava, implorava por mim. Mas eu podia ignorar, é claro. Além de princípios, isto era agora uma habilidade arduamente moldada à perfeição. E eu não podia desperdiçar tanto tempo e trabalho.
Antes que pudesse controlar meus movimentos novamente, já estava afagando o rosto, e quase abraçando o corpo que morria a cada segundo. Seu cabelo longo e sujo estava roçando em meu rosto frio, e seus pulsos vermelhos e feridos pousavam molemente e indiferentemente sobre seu peito, as mãos cruzadas em uma posição estranha. Minha mente já estava criando expectativas utópicas de um futuro com ela depois que saíssemos dali. Alguém às minhas costas sussurrou meu nome, e eu reconheci seu tom baixo e a raiva contida em cada sílaba da única palavra que pronunciou. Pousei meu rosto na omoplata fraca da mulher, absorvendo todo o aroma possível de seu sangue, enquanto contraía minha mandíbula em seu pescoço. As imagens de um futuro com esperança e com ela ainda estavam claras em minha mente quando ela gritou, enchendo o ar pesado do local com sua voz de soprano. E eu soube que não importava como. O que viria a seguir em minha existência seria melhor, apenas porque agora, eu a tinha comigo. Para sempre.
N/A: Então, espero que não tenha sido uma tentativa frustrada de escrever Twilight. :D Obrigada, e deixa um review com a opinião!