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: B s . A A A    : full 3/4 1/2   : E E   : Light Dark Books » Harry Potter » Luz na escuridão

Branca Takarai
Author of 53 Stories

Rated: M - Portuguese - Romance/General - James P. & Lily Evans P. - Reviews: 66 - Updated: 12-24-09 - Published: 09-27-09 - id:5406470

Resumo: Em todo caminho escuro há uma luz no final, e você, Lily Evans, é a minha luz. UA. Fic curta. Lily/James.

Nota da autora: Bom, mais um fic que era pra ser curto e que foi crescendo demais xD Mas não deverá longo, porém ainda não posso precisar o número de capítulos. E classificação vai ser M mesmo porque eu sou ousar um pouquinho dessa vez, mas nada de lemon. Algumas vezes, algumas cenas terão que ser repetidas porque o narrador é o James, mas a Lily também contará o seu ponto de vista da situação.

Luz na escuridão

Capítulo I

Seria hipocrisia da minha parte dizer que eu nunca tive uma vontade maluca de enxergar. Acostumei-me desde pequeno a ‘enxergar’ de outra maneira. Com o toque, a audição, olfato. Todos os meus outros sentidos eram bastante aguçados pelo fato de meus olhos não possuírem luz. Mas com certeza não era o mesmo que poder ver as cores, andar por aí sem precisar de uma bengala ou de um cão guia.

Às vezes eu ouvia a voz de alguém e queria saber como essa pessoa era, mas não era possível já que para isso eu tinha que pedir permissão para tocá-la e era lógico que eu não fazia com muita freqüência. Era difícil alguém querer se aproximar de mim. Normalmente o sentimento que eu conseguia inspirar nas pessoas era pena.

Amizade não fazia exatamente parte da minha vida. Amor? Conhecia apenas o amor incondicional que os meus avôs me davam. Eu devia ser muito feio mesmo. Nenhuma garota se aproximava de mim querendo algo. Mas eu não incomodava com isso, de fato. Minha avó dizia uma coisa que poderia parecer bobagem para a maioria das pessoas, mas era uma realidade: Quando tivesse de aparecer alguém, apareceria. Então, para que ficar pensando em coisas que ainda vão acontecer?

Minha mãe morreu durante o parto. Foi um golpe duro para o meu pai. Ele jamais se recuperou por tê-la perdido, mas não me culpava. Mas também não me amava. Ele bebia compulsivamente e normalmente esquecia que eu existia. Quando estava sóbrio, até que era legal comigo. Na prática, fui criado mesmo pelos meus avôs paternos.

A família Potter, proprietária da maior rede de supermercados do país, não era exatamente pobre então eu vivia muito bem. Meus avôs que tinham um costume simples, não gostavam de mansões nem de chamar atenção de ninguém. Então, meio que vivíamos como anônimos. Meu avô acompanhava todos os balancetes mensais dos negócios e tudo mais, mas deixava todo o trabalho de mídia com outras pessoas.

Eu estava no carro com o meu pai no dia do acidente. Ele havia bebido. E muito, diga-se de passagem. Eu apenas ouvi o baque surdo do carro se chocando contra alguma coisa muito grande. Sai praticamente ileso do acidente já que estava no banco de trás do carro com o cinto de segurança. Meu pai morreu no local do acidente. Minha avó diz que ele tinha um sorriso nos lábios, então deve ter ficado feliz ao encontrar minha mãe.

Eu poderia ser uma pessoa infeliz. Cego. Órfão.

Porém, eu não sou infeliz. De que adianta sentar e ficar me lamuriando pelas coisas ruins que aconteceram na minha vida? Eu não vou acordar amanhã enxergando perfeitamente bem.

Só que havia uma coisa que me irritava muito: quando meus avôs resolviam ser super protetores e me tratar como um inválido! Só porque eu não enxergava, não queria dizer que não era capaz de me cuidar sozinho!!! Mudamos-nos para um bairro mais calmo em Londres, o que estávamos antes era movimentado demais e meus avôs tinham medo já que eu ia e voltava da escola sozinho, então, eles arrumaram algo mais próximo do colégio, em uma ruazinha parada na qual quase não circulavam carros.

E eles não me deixaram sair para conhecer o bairro!

“Muito perigoso para você!”, disseram.

Como se eu fosse uma criança indefesa de 5 anos de idade!

Por isso que eu escapuli depois que eles dormiram. Não podia levar Aslam comigo para o passeio porque ele era meio barulhento – um ótimo cão guia – mas meio escandaloso (ainda mais quando sabia que eu estava fazendo algo de errado). Claro que já não havia mais ninguém na rua àquela hora da noite, mas eu só queria ouvir os sons da noite, e das pessoas em suas casas.

Andei por um tempo indefinido, e procurei não me afastar muito da casa.

Fiquei feliz ao descobrir que perto da casa havia uma praça. Com certeza Aslam ia gostar bastante de passear por lá. E durante o dia a praça devia ficar cheia de crianças. Eu gostava de ouvi-las brincar, faziam sons de alegria contagiante.

Fiquei algum tempo sentado em um dos bancos, e depois comecei a minha volta para casa. Toquei levemente o relógio especial que usava e já passava da meia noite. Com certeza se um dos meus avôs acordasse, iria fazer um escândalo, então era melhor voltar antes que o bairro inteiro fosse mobilizado.

Empurrei o portão bem devagar, sem fazer qualquer barulho, e me dirigi até a entrada da casa, mas bati em alguns degraus. Franzi ligeiramente a testa. Nossa casa não tinha uma escadaria na entrada. Com certeza eu entrara na casa errada (e bem, a culpa era dos donos por não trancarem o portão).

Virei-me para ir embora, quando ouvi o som de água. Parecia que alguém estava nadando. Curioso, segui o som.

– O que está fazendo aqui? – ouvi alguém perguntar, em um tom exasperado e muito nervoso.

– Ah... – com certeza não fora uma boa ideia. – Desculpe. Acho que entrei na casa errada.

– Como assim você acha? É claro que entrou, seu idiota! – a garota retrucou furiosa.

Parecia que ela estava encolhida dentro da água, como se tivesse medo de que eu estivesse vendo alguma coisa muito ruim. Quase deixei uma risada amarga escapar dos meus lábios.

– Bom, provavelmente eu contei os passos errados e acabei entrando em alguma casa antes ou depois da minha – respondi com simplicidade.

– Passos? – ela repetiu sem entender. A voz dela era bem agradável de se ouvir, e eu queria forçá-la a falar mais.

Eu ergui a bengala que usava para me guiar quando estava sem Aslam e acho que ela compreendeu tudo.

– Ai, que susto – a garota disse em um sussurro, mas que eu consegui captar. – Se você enxergasse com certeza eu estaria em uma situação muito embaraçosa... Mas não estou dizendo que fico feliz por você cego, é que...

– Tudo bem – sorri quando ela começou a se enrolar com as palavras. – Não precisa tentar se explicar.

Ouvi o barulho da água, e depois passos ao redor da piscina. Ela pisava no chão com delicadeza. Com certeza deveria ser bem leve.

– Mas fico curioso para saber o motivo pelo qual você estaria em apuros.

Aguardei em silêncio, a resposta não veio logo, então pensei que ela não iria responder.

– Na verdade, eu tenho mania de nadar quando estou sem sono – ela respondeu, e percebi que estava hesitante. – Pra ficar cansada, sabe.

– Acho que sim – falei um pouco perdido. Não entendia muito bem o que tinha haver com ‘pegá-la em uma situação constrangedora’.

– Nadar... Sem nada – foi um murmúrio rouco e eu abri ligeiramente a boca, e depois comecei a rir ao imaginar a situação. – Não é pra rir! – ouvi o pé dela batendo levemente no chão.

– Já se vestiu agora? – perguntei ainda com ar de riso.

– Sim – ela disse emburrada. – Quem é você afinal de contas? Não lembro de tê-lo encontrado por aqui.

Ela não usou o conhecido ‘tê-lo visto por aqui’, provavelmente não queria me ofender.

– Mudei-me para cá hoje com os meus avôs – expliquei rapidamente. – Eles me tratam como uma criança, e não me deixaram sair para conhecer o bairro então escapuli escondido. Contei os passos até onde fui, mas, como disse antes, devo ter me distraído um pouco. Meu nome é James – estendi a mão para ela, esperando que ela retribuísse o cumprimento.

– Lily – ela murmurou timidamente, tocando a minha mão levemente e senti como se tivesse levado um choque de duzentos e vinte volts.

A mão dela era macia, os dedos finos, as unhas longas. Eu poderia ficar ali a segurando pelo resto da noite. Desejei naquele momento mais que nunca poder ver para observar a expressão dela e saber se ela sentira o mesmo que eu quando nossas mãos se tocaram.

– Seus avôs tinham razão para não deixá-lo sair. É perigo... Para... Para.. – Lily ficou sem saber como completar a frase.

– Para alguém como eu – completei a frase por ela.

– Não foi bem isso que eu quis dizer – Lily murmurou, sem graça.

– Eu sairia de todo jeito – balancei levemente os ombros, displicentemente. – E já estou acostumado a não poder ver o caminho como todo mundo. Às vezes uso a bengala e outras tenho o meu cão guia.

– Faz tempo que você está assim? – Lily perguntou hesitante.

– Nasci assim – respondi com simplicidade.

– Eu nunca lidei com uma situação assim! – Lily exclamou, e sua voz soou confusa. – Em seu lugar não gostaria de ouvir ‘Sinto muito!’ ou ‘Coitadinho! Como dever ter sofrido!’. Então, não sei bem o que dizer ou fazer.

– Diga que irá ser minha amiga – falei em um impulso. Lily ficou quieta, e eu podia ouvir sua respiração irregular. – Você... Poderia me mostrar o bairro, se quiser claro.

– Claro, James – eu tinha certeza de que ela sorria. E não pude deixar de corresponder. Senti que algo muito bom estava começando em minha vida.


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