Harry Potter + Supernatural Crossover »

Breathe Me
Author:
Dark K. Sly PM
O fim de todos os erros. O começo de todos os caminhos. continuação de Silent Lucidity. CROSSOVER
Rated: Fiction M - Portuguese - Romance/Supernatural - Harry P. & Dean W. - Chapters: 11 - Words: 33,631 - Reviews: 123 - Favs: 45 - Follows: 18 - Updated: 02-07-12 - Published: 06-03-10 - Status: Complete - id: 6022596
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Breathe Me

Capítulo Dez

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Be my friend
Hold me, wrap me up
Unfold me

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O pavor de Harry era tão imenso que Dean quase conseguia ver o sentimento emanando do rapaz. Não era apenas medo, ou apreensão, era pavor, simples e puro, um medo tão imenso que ele não conseguia nem mesmo entender como ele ainda estava de pé.

"Olá, Harry.", disse o homem que havia acabado de entrar na casa, depois de passar seus primeiros momentos ali admirando a criança no colo de Harry.

O filho deles dois, através de um casamento falho, fruto de um estupro para salvar a vida de Harry.

Harry, no entanto, não respondeu, e o homem foi em sua direção a passos lentos, cada movimento seu acompanhado pelos olhos de Dean, Sam e Severus. Ao primeiro sinal de uma ameaça, os três estavam prontos para intervir. O mais novo dos homens na sala apenas fechou os olhos e respirou fundo, apertando o filho contra si. A criança tinha os bracinhos passados em volta do pescoço de Harry, e escondia seu rosto no pescoço do pai, sentindo seu medo, e percebendo que algo ali não estava bem.

Lágrimas fizeram uma aparição nos olhos de Harry mais uma vez, e quando o homem loiro e alto parou na frente de Harry com um sorriso nos lábios, o moreno respirou tremulamente, como se tomando coragem.

"Você parece demais com ele.", Harry disse em uma voz baixa e trêmula, fazendo o sorriso de Draco desaparecer.

"Eu sinto muito.", ele respondeu, "Por tudo."

Harry encarou Draco durante mais alguns segundos, e então balançou a cabeça, trocando um olhar rápido do Dean e Severus, e saindo da sala.

Assim que ele havia cruzado a porta, Scorpius levantara a cabeça, e olhara para o homem que havia assustado tanto seu pai, e pela primeira vez desde o dia de seu nascimento, Draco pôde ver seu filho – uma mistura perfeita dele e de Harry, os olhos verdes e o nariz pequeno do pai, os cabelos claros, e os lábios finos dele.

Quando a porta da sala se fechou, por um gesto da varinha de Severus, Draco se voltou para o homem, com um ar intrigado.

"Você disse que precisava de minha ajuda, Severus. O que aconteceu?"

Durante a hora seguinte, Draco fora informado de todos os detalhes do que havia acontecido nos últimos meses. Os desaparecimentos, Bellatrix invadindo a casa onde estavam, os rituais tentados, mas falhos, e a sua descoberta de que precisavam de alguém com o sangue dela nas veias para terminarem com aquela criatura de uma vez por todas.

E durante todo o tempo Draco havia concordado, e sorrido, e dito que era claro que ele ajudaria Harry, e era claro que ele salvaria seu filho. Quando o homem havia se retirado para o quarto de hóspedes que Severus havia preparado para ele, Dean e Severus trocaram um olhar que dizia exatamente a mesma coisa – Draco Malfoy tinha um plano, e nenhum deles iria gostar do que estava para acontecer.

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"Eu não tive a intenção de te assustar antes."

A voz que vinha da porta do seu quarto era calma e contida. Era voz dele e ao mesmo tempo não era. A entonação era diferente, o tom. A maneira como as palavras eram faladas. Elas não tinham a mesma frieza apenas o mesmo timbre.

Harry teve de respirar fundo, e lembrar-se, o tempo todo, de que Draco nunca havia feito nada para prejudicá-lo, não depois de seu casamento, e Draco tinha uma mulher e um filho para cuidar.

"Não leva muito para me assustar.", Harry respondeu, virando-se no chão em frente à cama onde estava sentado para poder ver Malfoy escorado à porta do seu quarto, em um gesto displicente que o afastava ainda mais de seu pai.

Draco levou um segundo para continuar a falar, olhando para o outro lado da cama, onde o bebê brincava com um gato no chão, ao lado de Harry. O menino estava distraído, jogando uma bola para o gato, que ia buscá-la bem menos vezes do que apenas olhava para o garotinho com um leve ar de tédio em sua expressão, fazendo a criança rir.

"Ele é lindo.", Draco disse, olhando com carinho para seu filho. Harry sorriu tremulamente de volta, dando de ombros.

"Ele é perfeito.", respondeu, correndo as mãos pelos fios lisos do filho, que o olhou, sorrindo, e então fixou os olhos no homem parado à porta, como se medindo o seu valor. Julgando-o menos interessante que seu gato, deu as costas aos dois, gatinhando atrás do bichano até a outra parede do quarto – bem longe de Draco.

"Como vai Gabrielle?", indagou Harry, lembrando da mulher que o havia ajudado, e da menina que ele - quando ainda conseguia, quando ainda era Harry Potter - havia salvado do fundo do lago.

O rosto de Draco se transformou em um segundo, fechando-se como Harry havia visto o rosto de Lucius se fechar tantas vezes antes, e não pôde conter o tremor de medo que percorreu sua espinha, nem o início de um pedido de socorro mudo que tentou sair de sua garganta.

Draco foi salvo de ter de responder quando ouvir passos atrás de si – o homem desconhecido mais baixo, o que tinha olhos verdes e cabelos curtos, estava parado atrás dele, com uma expressão pretensamente ameaçadora no rosto. Ele era mais alto que Draco – certamente também mais forte -, mas Draco era um bruxo, e aquela pessoa à sua frente era um trouxa.

"Dín!", Scorpius gritou quando viu o homem, e Draco teve de conter a chama de ciúmes que se acendeu em si quando o tal Dean cruzou a extensão do quarto em passos largos, e pegou o garotinho no colo, colocando-o no alto sem esforço algum, fazendo a criança rir.

Harry, ainda sentado no chão, observou a cena com um sorriso se formando em seu rosto, esquecendo-se completamente de Draco, ainda no batente de sua porta.

Aquela era a sua família. Seu filho. O homem que o havia gerado. A família que deveria ser sua. Severus poderia voltar a ser um bruxo sem precisar se esconder, Harry poderia ter uma casa no campo, ele e Scorpius, onde Draco poderia passar seus dias e suas noites cuidando deles tão bem, ou muito melhor, do que qualquer trouxa jamais poderia.

Era a sua família, e trouxa nenhum iria impedi-lo de tê-la.

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Àquela noite, Dean, Sam e Severus explicaram para Draco o que eles iriam fazer. Partiriam no dia seguinte, ao amanhecer, e convocariam Bellatrix na casa de Bobby, onde havia todo o tipo de proteções possíveis. Com a ajuda de Draco, o ritual estaria no fim em apenas alguns minutos, e então era de volta para as suas casas, suas vidas, e fim de todo o drama.

Harry havia ficado calado durante toda a explicação, buscando, vez por outra, os olhos de Severus ou de Dean, e Draco o observava calmamente – ele poderia se acostumar com Harry. Ele havia perdido muito do que o fazia Potter, seu odiado colega de escola, e havia algo de diferente nele, de menos masculino, de menos forte.

Não havia atração, ou amor, mas ele poderia se acostumar. E poderia ter outros filhos, o medibruxo havia dito que Harry ainda tinha a capacidade de gerar. Uma poção era tudo do que precisava, e Draco poderia ter uma família mais uma vez.

Quando todo o plano fora delineado, Draco apenas concordou com um aceno de cabeça.

"É claro que eu farei tudo o que vocês pedirem. Mas eu quero pedir uma coisa em troca.", seu olhar foi para Harry, que estava sentado à sua frente, com as mãos sobre a mesa. Com um gesto rápido, ele pegou as mãos de Harry entre as suas, e viu o tal Dean começar a afastar a sua cadeira, como se fosse se levantar e jogar Draco para longe de Harry.

Sem se importar com isso – ou com o tremor nas mãos do outro rapaz, que tinha a mesma idade que ele e, no entanto, parecia tão mais jovem -, Draco olhou Harry nos olhos, antes de começar a falar.

"Eu prometi, no dia em que ajudei você, Severus e Scorpius a fugirem da mansão, que eu jamais tentaria tirar seu filho de você, e eu não vou fazer isso. Nunca.", ele tomou fôlego, não precisando fingir as lágrimas que vieram aos seus olhos, "Gabrielle faleceu no parto da nossa filha. O bebê também não resistiu, era prematuro, e o medibruxo não conseguiu salvá-la. Eu não tenho desejo nenhum de me casar outra vez, não agora, e Scorpius pode ser o único filho que eu jamais terei. Eu quero pedir permissão para ficar aqui depois que Bellatrix for mandada de volta para onde quer que ela vá. Apenas dois ou três dias, apenas para conhecer melhor meu filho, meu único filho, antes de ir embora. Por favor."

Os olhos de Harry corriam de Severus para Dean, e ele voltou a olhar para Draco com algo entre pena, medo e recusa. Ele queria dizer não, estava claro, mas também não tinha coragem – o homem os estava ajudando, e tudo o que ele pedia era um dia ou dois com seu filho.

Como Harry iria negar?

Sem dizer uma palavra, Harry apenas acenou afirmativamente com a cabeça, levantando da mesa e indo para seu quarto, fechando a porta atrás de si.

Draco observou Dean levantar e ir atrás dele, enquanto Severus começava a colocar regras na sua estadia.

Mas Malfoys não seguem regras.

Eles as fazem.

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"Você poderia ter negado.", disse Dean, fechando a porta atrás de si, e sentando ao lado do rapaz na cama. Harry tinha os ombros caídos, as mãos no colo, e a respiração alterada, como se tentasse se acalmar.

"Scorpius também é o filho dele. E ele... ele prometeu. Ele fez um voto, se ele tentar tirar Scorpius de mim, ele morre. O Voto garante isso. Eu só...", ele respirou fundo mais uma vez, virando para Dean completamente, seus olhos marejados de lágrimas, mas nenhuma caindo.

"Você vai ficar comigo amanhã, não vai? Quando eles foram matar Bellatrix?", Dean apenas acenou afirmativamente com a cabeça, "Você pode... Ficar aqui? Enquanto Draco estiver aqui, você fica também? Eu sei que você tem a sua vida, e as caçadas, e eu não devia pedir, mas eu... Eu confio em você.", a declaração final fora feita em voz tão baixa que Dean mal a ouviu, mas sorriu ao fazê-lo e, em um gesto que ele jamais teria ousado em nenhum outro momento, puxou Harry contra si, abraçando-o firme contra seu peito, sentindo a tensão se dissipar no corpo menor do que o seu, sentindo as mãos pálidas de Harry se agarrarem à sua jaqueta de couro, enquanto ele respirava fundo.

"Eu fico aqui por quanto tempo você quiser.", respondeu, em voz baixa.

E sentiu Harry sorrir contra seu peito.

Naquele momento, naquele exato momento, Dean soube que faria qualquer coisa por Harry.

Qualquer coisa.

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Severus não conseguia mais ver Draco Malfoy em Draco Malfoy. Ele não conseguia mais ver nem mesmo o homem que o havia ajudado a tirar Harry e seu filho da Inglaterra, nem o garoto que o idolatrava em seus primeiros anos em Hogwarts, nem o rapaz que achava que ele estava tentando roubar sua glória. O que ele via em Draco Malfoy era Lucius – o Lucius de antes da Guerra e da perda de Narcissa, mas Lucius mesmo assim.

Ninguém ganhava a reputação que Lucius sempre tivera sem alguma justificativa para tudo o que diziam a seu respeito. E algo que Lucius sempre dissera era que sua família vinha em primeiro lugar, sua família era mais importante que tudo, e pela sua família, ele faria qualquer coisa.

As palavras eram, é claro, muito tocantes, mas nem sempre a dimensão de qualquer coisa ficava claro para quem as ouvia.

Lucius havia matado pela sua família. Ele acreditava que os nascidos trouxas estavam infestando e infectando seu mundo, e por isso se juntara a Voldemort – ele se tornara um Comensal da Morte pela sua família.

Ele acreditava que Arthur Weasley era uma desgraça em forma de bruxo, e tentava desacreditá-lo de todas as maneiras possíveis – ele quase havia matado uma criança de onze anos de idade pela sua família.

Todas as torturas, as missões, os crimes, os feitiços – tudo fora pelo que ele mais prezava, Draco e Narcissa, sua família. E agora, no brilho determinado nos olhos de Draco, Severus via refletida a mesma obsessão que seu pai tivera: de fazer qualquer coisa pela sua família, não importa que a sua família fosse se prejudicar por isso.

Por causa de Lucius, Draco tivera que passar por três anos no inferno, com seu pai preso, e então tentando matar Dumbledore, e então tendo que ser o anfitrião de Lorde Voldemort em sua casa. Por causa de Lucius, Draco perdera a sua mãe. Perdera a sua casa, perdera o próprio Lucius, e então perdera Gabrielle e a sua filha não nascida: por causa de tudo o que Lucius havia feito.

E ele fizera tudo aquilo pela sua família.

A maneira como Draco havia olhado para Harry e Scorpius naquela manhã, quando entravam no carro antigo de Dean, com Sam ao volante, dizia a Severus mais do que jamais quisera saber – dizia a ele que Draco, agora que já não tinha mais mulher ou outros filhos, via Harry e Scorpius como sua família, e seu olhar lhe contava que ele faria qualquer coisa pelos dois.

E qualquer coisa era uma gama ampla demais de possibilidades para que Severus se sentisse confortável com o homem.

Bellatrix fora convocada, presa, e expurgada para onde quer que ela tivesse ido sem nenhum problema maior do que aguentar seus gritos e ameaças vãs – mesmo quando viva, a verdade era que o perigo naquela mulher residia na sua loucura, e não em poder verdadeiro. Bobby havia se despedido de Severus com um firme aperto de mão, e a promessa de que se eles precisassem de ajuda, não hesitassem em chamar – algo que Severus realmente não desejava ter que fazer, nunca mais.

Draco, no entanto, não apertara a mão de ninguém, nem falara com Sam ou Bobby mais do que o necessário. Estava óbvio que ele não considerava nenhum dos dois caçadores dignos de sua presença, e ele só conversava com Severus, que, ao menos, também era um bruxo.

Ao deixá-los na frente de sua casa, para voltar à casa de Bobby, Sam Winchester havia avisado a Severus que assim que Dean quisesse que Sam viesse buscá-lo, ele precisava apenas telefonar. O fato de que Dean ficaria na casa com eles não pareceu agradar Draco nem um pouco, e, assim que ele havia entrado na casa, pedira desculpas, e se retirara para seu quarto.

Severus conseguiu respirar um pouco mais aliviado quando Malfoy o deixou sozinho, e saiu à procura de Harry e Scorpius – e, obviamente, Dean.

Harry e o caçador perceberam a sua presença no mesmo instante, levantando o olhar da grama, onde Scorpius brincava com uma bola colorida. Em passos rápidos ele foi até onde os três estavam, conjurou uma cadeira, e se sentou, não se dando à indignidade de sentar no chão, uma ação que fez Harry sorrir, e Dean rir baixinho em consequência disso.

"Acabou?", perguntou Harry, e Severus concordou com um aceno de cabeça.

"Foi muito mais rápido do que imaginamos. Com Draco lá, o ritual funcionou na primeira tentativa, Bellatrix não teve nem tempo de tentar reagir. Singer fez um ótimo trabalho de pesquisa.", ele comentou, fazendo Dean sorrir, orgulhoso.

"Ele é o melhor. Sam não fica para trás, mas Bobby tem anos de experiência."

Severus acenou afirmativamente com a cabeça, concordando.

"Está acabado. Bellatrix definitivamente não vai mais ser um problema, e nós podemos voltar a viver nossa vida normalmente.", ele disse, fazendo Dean fazer um som de descrença, que ele não explicou, apenas voltando a olhar para Scorpius.

Alguns minutos se passaram, e Harry levantou, indo em direção à casa, para pegar água para seu filho, que já havia secado a garrafa que tinha perto de si.

"Aquele engomadinho é problema, Severus. Eu não sei o que ele está tramando, mas ele está tramando alguma coisa. Vocês só vão ficar bem quando ele estiver longe daqui.", Dean disse em voz baixa, para que Harry não pudesse ouvi-lo.

Severus suspirou, antes de olhar para o bebê que considerava seu neto.

"Eu sei, Winchester. Esse é o único motivo pelo qual eu permiti que você continuasse aqui. Malfoy quer alguma coisa, e eu não sei o que é, mas algo muito ruim está para acontecer."

Os dois homens pararam de falar quando Harry se aproximou, trazendo copos e uma jarra de suco. A tarde passou rápida, no jardim, e os três adultos quase esqueceram que havia uma quarta pessoa na casa, em seu quarto, planejando.

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Draco sabia que, se fosse agir, teria de agir rápido. Ele podia perceber que Severus não confiava nele, e o caçador e Harry confiavam ainda menos. Ele havia pedido três dias, e Severus iria supor que, caso ele fosse fazer algo, deixaria para o último dia.

E era por isso que Draco estava decidido a partir agora.

Seu plano era simples. Quando todos estivessem dormindo, ele selaria a porta de Severus e do tal Dean com feitiços, entraria no quarto de Harry, e faria um ritual de união com ele. Simples, fácil, e impossível de escapar depois, já que Harry não tinha mágica, e não poderia lutar contra ele. Uma simples chave do portal depois, já que ele não poderia aparatar com Harry ou Scorpius, já que eles não tinham magia, e eles estariam a caminho de casa.

Quando algum tempo passasse, e Harry viesse a aceitar que Draco agora era a sua família, ele avisaria para Severus onde estavam, e o homem poderia se juntar ao mundo a que pertencia mais uma vez.

O ritual era simples, usado desde os tempos mais antigos para consumar casamentos e uniões há séculos. Ele só precisava consumar a sua união com Harry, e então efetuar um ritual – que ele havia passado a tarde preparando longe dos olhos de Severus e Dean.

Quando ele havia saído de seu quarto àquela noite, seus braços, ocultos pelas mangas longas de suas vestes, estavam cobertos em Runas feitas com seu próprio sangue. Realizando o ritual sozinho, ele estaria se estabelecendo como o dominante de sua relação, o papel normalmente ocupado pelo homem durante esse ritual, e iria garantir que Harry não poderia ir contra as suas ordens expressas.

Ele ignorou solenemente a voz em sua consciência que lhe dizia que ele estava fazendo com Harry o que seu pai havia feito – não era verdade. Seu pai havia se casado com Harry para torturá-lo. Ele estava fazendo isso para ter a sua família de volta, para cuidar de seu filho, e esperar que Harry continuasse a seu lado.

Ele aprenderia a amar Harry, assim como Harry aprenderia a amá-lo. Eles eram família.

Tudo daria certo.

O jantar aconteceu, em maior parte, em silêncio. Seu filho fora alimentado por Harry, e Draco tentara, inúmeras vezes, fazer com que o rapaz conversasse com ele, mas Harry parecia assustado demais para manter uma conversa. Severus tinha um ar de reprovação o tempo todo em seu rosto, e Draco estava, na verdade, convencido de que tirar Harry dali era o melhor que poderia fazer pelo rapaz – ele tinha tanto medo o tempo todo que era óbvio que Severus não estava tomando conta dele da maneira correta.

Dean Winchester mal tocou na comida, e se fazer caras ameaçadoras fosse uma profissão, o trouxa certamente se sairia muito bem, pois era só o que ele parecia fazer.

Dando um beijo em seu filho, que escondeu o rosto no pescoço de Harry em seguida, assustado com o contato de alguém desconhecido, Draco se recolheu cedo. A porta de seu quarto estava entreaberta, e ele deitou sob as cobertas, de luzes apagadas, até que todos estivessem deitados.

Harry foi o primeiro a ir, colocando Scorpius em seu quarto, e indo com a caixinha trouxa que lhe deixava ouvir o que acontecia no quarto de seu filho para o seu quarto, fechando a porta atrás de si. Dean fora o próximo, parando à porta do quarto de Draco e espiando sem nenhuma vergonha para dentro, saindo dali quando vira que ele estava deitado e, aparentemente, adormecido.

Severus fora o último, colocando um feitiço que o avisaria caso Draco saísse do quarto, e então indo para o seu, trancando a sua porta.

Draco esperou.

Esperou que a casa silenciasse, e que os segundos passassem por ele um a um, respirando controladamente, tentando não ficar nervoso. Ele precisava fazer isso certo, não podia falhar, ou iria acabar com a sua última chance de ter uma família. O relógio marcava três horas e alguns minutos da madrugada quando ele se levantou, sem fazer um único ruído, graças aos feitiços que já havia feito. Da porta de seu quarto, sem se atrever a sair dele, ele apontou a varinha para a porta diretamente em frente à sua, onde Severus dormia.

"Clausum aeternum.", sussurrou, vendo o jato de luz esverdeado se espalhar pela porta do homem. Ele repetiu o processo na porta do quarto de Dean, silenciou o quarto de Scorpius, para que nenhum som entrasse lá, e então saiu de seu próprio quarto, sabendo que deveria agir rápido – o feitiço era uma tranca permanente, mas Severus certamente encontraria uma maneira de sair de seu quarto, assim que o alarme soasse, e ele já deveria ter soado.

Com passos rápidos, mas silenciosos, ele foi até o quarto de Harry, destrancando a sua porta com um simples Alohomora.

Harry não dormia pesado. Assim que a porta de seu quarto se abriu, ele se sentou na cama, assustado, olhando em volta, e seus olhos se arregalaram, com medo, ao ver Draco parado à sua porta.

Mais um feitiço sussurrado, e a porta de Harry também estava selada – eles só sairiam dali como um casal, unidos para sempre, para tirarem seu filho daquela casa, e irem embora.

Ele jamais deveria ter deixado Harry partir.

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Severus havia acordado antes mesmo do alarme soar – ele acordara quando uma voz havia sussurrado algo no corredor. Levantou-se rápido, e tentou abrir a sua porta, mas sem sucesso. Draco a havia trancado com algum feitiço, e Severus se apressou em pegar a sua varinha, e tentar desfazer o que quer que o rapaz tivesse feito.

Ele podia ouvir os passos no corredor, e porta de Harry ser trancada.

Com a respiração acelerada, ele lançava feitiço sobre feitiço sobre a porta, tentando abri-la com desespero, mas sem sucesso.

Ele precisava ajudar Harry, seu filho precisava de sua ajuda, e ele não conseguia sair do quarto.

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Dean não havia nem mesmo fechado os olhos àquela noite. Ele ficara acordado, sentado na beira da cama, limpando as suas armas, como havia visto seu pai fazer tantas vezes quando queria se acalmar.

Alguma coisa ia acontecer, ele podia sentir na pele, e ele jamais conseguiria dormir sabendo que Harry estava em perigo.

Quando viu algo esverdeado brilhar por entre as frestas da porta, levantou apressado, arma na mão, e tentou abrir a porta de seu quarto – sem sucesso. A chave não estava trancando a porta, mas algo não deixava que ele a abrisse, e ele deu um soco na madeira, frustrado.

"SEVERUS! HARRY! O QUE ESTÁ ACONTECENDO?", ele gritou, socando a porta.

"DRACO NOS TRANCOU, ELE ESTÁ NO QUARTO DE HARRY, E EU NÃO CONSIGO DESFAZER O FEITIÇO.", ouviu o grito de Severus.

Magia mantinha a sua porta trancada.

Encarando a porta, Dean respirou fundo, e correu as mãos pelo cabelo curto, voltando a olhar para a cama, ele quase sorriu.

Bem, era hora de descobrir quanta magia ia conseguir mantê-lo preso naquele quarto, se a porta já não estivesse mais ali.

Pegando uma das espingardas que mantinha consigo, carregou as balas de verdade que ainda tinha, e disparou – ia levar algum tempo, mas ele ia sair dali e proteger Harry, nem que fosse a última coisa que fizesse.

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"Draco? O que você está fazendo aqui?", Harry perguntou, sua voz um mero sussurro na noite, cheia de pavor e medo.

Draco lançou um feitiço silenciador em volta do quarto, que impediria que os sons de fora entrassem no quarto – ele não queria que as tentativas de Dean e Severus perturbassem esse momento.

Com um gesto calmo, ele acendeu a luz da cabeceira de Harry, vendo o outro rapaz em um pijama simples, branco, de um tecido fino. Tirando as vestes que tinha sobre a pele, Draco estava nu em frente ao homem que iria ser seu marido em alguns instantes, e viu Harry congelar por alguns segundos, toda cor fugindo de seu rosto.

Ele se ajoelhou sobre a cama, avançando sobre o rapaz que se encolheu contra a cabeceira, balançando a cabeça.

"Você não é Lucius, não, não, não.", ele sussurrava, e Draco estendeu uma de suas mãos, pegando o rosto de Harry nela, e mantendo-o seguro e virado para si.

"Eu não sou ele, Harry. Eu sou o pai do seu filho. Nós somos uma família. Eu vou cuidar de você, eu juro.", com mais um gesto de sua varinha, a camiseta de Harry havia desaparecido, e só então o rapaz parecia haver notado o sangue em seus braços.

"O que você... Draco, não. Não, não.", ele voltou a murmurar, tentando se defender, mas sem atacar Draco nenhuma vez, como se não pudesse atacar alguém.

A mão que estava no rosto de Harry desceu pelo seu torso, empurrando-o contra a cama, e Draco ajoelhou-se sobre ele, que se debatia, chorando, e tentando empurrá-lo para longe.

Ele não era Gabrielle. Ele não tinha a delicadeza de suas mãos, ou a beleza de seu sorriso. A suavidade de seu toque, a maneira como ela parecia se derreter contra ele, e como era sua com um sorriso nos lábios.

Harry era mais bruto. Mais firme, menos feminino, mais homem. Ele jamais seria Gabrielle, mas Draco poderia se acostumar, ele tinha certeza disso.

Sem uma palavra, ele afastou os joelhos de Harry, que se debatia cada vez mais, tentando empurrá-lo, ou desalojá-lo de cima de si, sem sucesso algum – Draco tinha a magia do seu lado, e um físico que era naturalmente maior que o de Harry, que já estava enfraquecido pela preocupação dos últimos dias.

"DEAN!", Harry gritou, "SEVERUS! NÃO!"

Draco desceu sua boca contra a de Harry, calando-o com um beijo violento, que tinha muito mais o desejo de calar do que desejo apenas. Afastando-se, ele buscou o cós da calça de Harry, puxando-a para baixo com força, ouvindo o tecido se partir sob seus dedos.

Com uma de suas mãos, ele prendeu as mãos de Harry sobre a sua cabeça, ignorando os gritos de Harry, cada vez mais desesperados e altos, pedindo por Dean, por Severus, por ajuda, e, por fim, implorando a Lucius que parasse.

Draco se ajoelhou mais uma vez, virando Harry de bruços na cama, empurrando o rosto do rapaz contra o travesseiro, abafando seus gritos. Ainda ajoelhado, ele afastou as pernas de Harry, colocando-se entre elas, e Harry se debateu mais uma vez, livrando-se da mão que segurava seu pescoço, gritando mais alto do que nunca, sentindo a pele de Draco contra a sua.

"Eu juro que nunca mais vou te machucar assim.", Draco sussurrou contra Harry, e então, quando ia investir contra o rapaz tão mais frágil, a porta do quarto pareceu explodir, pedaços voando para todos os lados, e tudo o que Draco viu foi Dean Winchester com algo metálico apontado para ele.

Houve dor excruciante durante um segundo inteiro, e então Draco não sentiu mais nada.


R E V I E W !

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