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Nunca daríamos certo
Author:
Joe Tyler PM
John passa no novo apartamento de Matt para ver como o garoto está depois do término do relacionamento com Lucy e descobre coisas interessantes. Slash.
Rated: Fiction T - Portuguese - John M. & Matt F. - Words: 1,436 - Reviews: 1 - Favs: 2 - Follows: 2 - Published: 02-19-12 - Status: Complete - id: 7851137
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Os eventos aqui se passam depois do final do filme Live Long and Die Hard (Duro de Matar 4.0 no Brasil). Só uma pequena provocação.


Não daríamos certo


Thomas Gabriel não era mais uma ameaça, o garoto estava bem e inventara de sair com a sua amada filha logo depois de todo aquele circo que quase destruíra os Estados Unidos por completo. O rapaz ajudara a salvar o país, era um herói, um bom moço com bom coração e boas intenções. John não duvidara disso, mesmo que estreitasse os olhos toda vez que os visse juntos e de mãos dadas. Até que o fim veio e Lucy terminou tudo sem grandes explicações. Ela parecia irritada quando lhe contou – ela sempre fora irritadiça perto do pai, mas tinha melhorado. Aquela fora uma recaída e tanto. John teve pena e no final de seu turno foi de carro até o apartamento novo do rapaz, ver como este estava. Tocou a campainha e ignorou as várias câmeras de segurança, mesmo sabendo que estava sendo observado através delas. Achou que talvez Matt estivesse ficando paranoico demais.

Teve certeza depois de esperar que ele abrisse treze trincos.

- Hey, John, o que faz aqui? Entra, eu estava fazendo café agora mesmo.

- Às quatro e meia da manhã, garoto?

- Deus ajuda quem cedo madruga, não é? Então, eu estou precisando de um extra nessa força.

Matt riu hesitante da piada e fechou a porta assim que John passou por ela. Ultrapassou-o e seguiu para a cozinha, deixando o quarentão na sala que mais parecia ser um posto especializado da inteligência do FBI. Tirando pelos bonequinhos espalhados. Figuras de ação, se McClane não estava enganado. Bonecos de adulto. Isso o fazia lembrar de bonecas infláveis, mas procurava não relacionar isso ao mais novo ou lembraria da filha e do fato que eles provavelmente compartilharam daquele grau de intimidade.

Matt voltou da cozinha e ofereceu-lhe café em uma xícara de Star Wars. John sentiu-lhe o fundo com as mãos antes de levar aos lábios, bebendo aos poucos para evitar se queimar. O rapaz sentou-se na cadeira giratória de rodinhas e se virou na direção do visitante, devagar. John pensou que ouviria um "Estava esperando por você..." mas Matt não tinha um gato branco para acariciar. Ao invés disso ouviu uma pergunta sem jeito.

- Não veio aqui me dar uma reprimenda porque Lucy terminou tudo, né? Porque, olha, eu já estou bem zoado com isso.

- Não, vim ver como você estava, garoto.

Matthew pareceu surpreso e então sorriu, escondendo isso com a caneca, bebendo e esperando que a vermelhidão em suas faces fosse tomada como reação ao calor do líquido escuro que engolia. Não foi, mas John apenas sorriu de lado e fingiu que nada acontecera. Sentou-se no sofá de courino logo a frente do mais novo, encostando-se e relaxando. A peça parecia barata de tão feia, mas era muito confortável.

- Obrigado.

Um momento longo de silêncio desconfortável descortinou e Matt observou o chão, as janelas, os vincos nos tacos que compunham o forro do teto até perguntar, mais indeciso e sem jeito que da primeira vez.

- Ela...Lucy disse porque terminou comigo?

- Não, mas ela pareceu bem brava.

Justin afirmou com a cabeça mais uma vez e suspirou, abalado. Mesmo assim ele parecia menos tenso do que antes e isso despertou a curiosidade de John McClane que era quase um polígrafo ambulante. Ele bebeu de novo, ignorando o stormtrooper no fundo da caneca e inclinou a cabeça de lado enquanto voltava a encarar Matt. O garoto se encolheu progressivamente na cadeira e nessa altura John já tinha certeza que ele estava mentindo ou escondendo algo.

- Por que? Ela deveria?

Outra vez Matt desviou o olhar. McClane ergueu-se e caminhou calmamente pela sala, evitando fios e sacos de salgadinho que encontrou em um canto. Voltou-se para Matt quando o café acabara e apoiou a caneca sobre a lareira falsa. Cruzou os braços e o encarou.

- Melhor contar agora, rapaz... Você sabe o que eu penso sobre isso. Não gosto que escondam nada de mim.

- B-bem...Eu e ela, nós nunca...nunca transamos. Porque eu não queria. Ela começou a me achar fraco e gay e por mais que eu explicasse que era por medo de você ela não aceitou e me largou.

John não entendia ao certo o motivo, mas se alegrava. Um ponto para a "pureza". Mesmo que sua filha estivesse agindo como uma ninfomaníaca.

- E foi só por minha conta que vocês não fizeram nada desse gênero? Parece exagerado demais.

Matt remexeu-se na cadeira como se subitamente ela tivesse sido invadida por pulgas. Balançou a cabeça afirmativamente, coçou o nariz e então olhou de lado para John, como se no fundo de sua alma ele torcesse para que o homem tivesse um pequeno problema na memória e esquecesse essa pauta. John não tinha e ele foi obrigado a limpar duas vezes a garganta para que sua voz saísse inteligível o suficiente.

- Hm, bem... Ela também se irritava, você sabe como ela fica quando está irritada, né, John? Enfim, ela se irritava porque eu sempre perguntava de... de você. De como andava o seu trabalho, se tinha dado notícias, essas coisas.

O hacker nunca fora muito alto mas parecia ainda menor conforme se encolhia, tentando se esconder dos olhos firmes do mais velho. O detetive continuava achando aquilo tudo muito estranho. Faltava algo, uma pequena conexão. Lucy não terminaria por falta de sexo e por conta de perguntas sobre o paradeiro de seu pai. Uma hipótese batia-lhe à boca, e ele não se refreou em perguntar, o olhar severo.

- Está apaixonado por mim, garoto?

O rapaz engasgou e tossiu alto, derramando um pouco de café nas calças, vermelho como um pimentão e evitando como o diabo foge da cruz olhar McClane nos olhos. Ergueu-se, com a desculpa de levar a caneca para a cozinha e no trajeto todo negou com veemência. John encostou-se no batente da porta e assistiu o garoto lavar a peça de louça e enchê-la com água da torneira, vencendo a tosse com largos goles, piscando muito e lacrimejando.

- Você não seria o primeiro. Não acontece com frequência, mas já aconteceu antes. As pessoas criam ligações com quem as salva. Eu só não sabia que você era gay.

- Eu não sou! Não mesmo, John, escute...Isso foi realmente ridículo. Eu não estou...apaixonado, Meu Deus, eu jamais me apaixonaria por você! Você é pai da minha ex, é mais velho, não entende nada do que eu gosto, é mandão, muitas vezes irritante...

- Já entendi.

- … e gosta de desconcertar as pessoas, acha que tudo se resolvem com explosões...

- Pode parar, Matt, já deu pra entender.

- … e ainda por cima chama minhas figuras de ação que valem uma grana preta de bonequinhos! Viu, nós nunca daríamos certo!

John ergueu uma sobrancelha e sorriu de lado do jeito superior que sabia ser odiado pelo moreno. O desespero dele na tentativa de arranjar os argumentos e a hipótese cogitada no final davam a resposta até para quem não fosse treinado para interrogatórios. O rapaz realmente teria sido feito de purê caso tivesse terminado nas mãos de Gabriel ou na prisão. Desencostou-se do batente e deu de ombros.

- Você falou igualzinho à minha ex-esposa. Menos a parte dos bonequinhos.

O quarentão deu meia-volta e pegou o casaco que havia deixado no sofá, vestindo-o enquanto esperava que Matt abrisse a porta. Tinha ido ver se ele estava bem e, tirando seu estado natural, estava ótimo. Quando o menor soltou o último ferrolho o detetive não resistiu ao desejo de provocar, agarrando-o pelos braços e jogando-o contra a porta. Sentiu-o tremer e lentamente aproximou o rosto do de seu anfitrião, como se fosse beijá-lo. Parou a milímetros de distância e encarou-o. Ele estava de olhos fechados e lábios entreabertos como uma garota esperando o grande beijo do líder dos jogadores de futebol no baile de formatura. Soltou-o e girou a maçaneta, abrindo a porta e fazendo-o se afastar cambaleante. Parou no umbral e olhou pra ele com ar divertido.

- De fato, acho que não daríamos certo. Eu gosto bastante de sexo, e você parece bem frágil pra seguir o meu ritmo.

John fechou a porta atrás de si, deixando um garoto atordoado para trás. Matt ainda correu para a janela, espiando escondido o detetive entrar no carro e partir. Suspirou e engoliu em seco. Ainda estava arrepiado. Ia acabar se masturbando deitado na cama só de lembrar daquele quase beijo e daquela frase.

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