
Há muito tempo Bernardo não vive uma vida sem problemas. E tudo piora, quando ele descobre que está apaixonado por seu melhor amigo, e que um de seus colegas de classe... Não era bem como todos imaginavam que ele era.
Rated: Fiction T - Portuguese - Romance/Hurt/Comfort - Chapters: 5 - Words: 11,320 - Reviews: 1 - Updated: 07-06-12 - Published: 06-08-12 - id: 8197453
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WARNING: O plot da fanfic toda é mais gay que um arco-íris ou seja: ;)
Filipe estava atordoado, sem contar que muito confuso. Mas, de novo, seus pensamentos foram interrompidos quando a ação repentina de Siney o surpreendeu. Ele nunca pareceu o tipo agressivo, ou melhor, não para chegar a esse ponto. O outro garoto agarrou a gola da camisa de Filipe e gritou para ele, num tom ameaçador "Você contou, não contou?"
"Quê? Eu nem sei do que você est–"
"Não se finja de idiota, ok. Não finja que você não era o único a duvidar que eu– uhm–"
"AHA! Eu sabia! Eu sabia que eu estava certo! Eu sabia que você era g–"
E empurrando-o para o chão, e ameaçando bater nele, muito, disse "Não se atreva a dizer isso na minha frente. Não se atreva a dizer isso para qualquer pessoa nesse mundo. Diga qualquer coisa, menos... Isso. Porque é nojento, e eu não sei nem o porquê de eu continuar nessa escola cheia de v–"
E esse havia sido o momento. Realmente o momento. Filipe nunca havia nem mesmo pensado em pensar em machucar alguém fisicamente. Nunca. Mas depois do que esse garoto havia feito para ele? Depois de todos os "bilhetinhos" com xingamentos, dizendo que ele tinha nojo do que Filipe era; que ele deveria morrer, e tentar de novo na próxima vida, tentar ser normal, era o que ele escrevia. E de repente, tudo voltou para ele, como em um trailer de um filme. Tudo o que todos já haviam feito com ele, todos que odiavam quem ele era sem ao menos conhecê-lo.
Alguns dizem que Filipe havia perdido a cabeça naquele momento, mas não. Ele tinha plena consciência do que estava para fazer. Porque ele estava com raiva, de tudo e de todos.
Então ele bateu em Sidney. Não só uma vez. Não só duas. Várias. Várias vezes, para ele poder sentir o que ele sentia todas as vezes que esse tipo de coisa acontecia com ele.
"Mas o qu–?" disse, num tom de voz assustado, antes que Filipe o interrompesse.
"Agora é a minha vez de falar. E você vai escutar." E com o grunhido que Sidney deu, Filipe continuou "Não, querido, não. Você não tem nenhuma outra opção", e o empurrou para o chão.
"Hm, deixe-me pensar aqui. Pensar, em primeiro de tudo, porque eu estou sendo tão bonzinho com esse garoto que me odeia tanto. Ah, sim, é porque... Como era aquele ditado mesmo? O que as celebridades falam? Ah, é. Karma is a bitch. E tudo vai voltar pra você algum dia, porém dez vezes pior."
E então ele falou. Falou de como tudo aquilo era errado, guardar esse segredo sob essa "ameaça de morte" que Sidney havia lhe dado. Ameaçou contar, se ele fizesse mais alguma coisa, sim. Mas prometeu que não iria. "Não é meu segredo para contar", disse ele.
Era outro dia chuvoso, mas hoje o dia estava horrível, completamente horrível. E frio, muito frio. Bernardo estava sentado em casa, sem fazer nada, só pensando. Pensando em como sua vida iria se transformar em um verdadeiro inferno se ele fosse... bem... aquilo. Não era como se ele fosse mudar, ele não iria. Mas– mas era errado, não era? Todos sempre diziam que era errado, que–que se as pessoas fossem desse jeito...
E bem lá no fundo, ele deu graças a Deus que seus pensamentos foram interrompidos por um SMS novo.
(17:33)
Hey, baby! :D
Ugh, ele odiava quando Julia mandava essas coisas aleatórias para ele. Odiava. Mesmo. Mas fazer o que né? Ela era sua... namorada. Ele tinha que respondê-la. E ele passou um tempo pensando no que falar. Porque ele achava– ele achava que aquela era a hora. Ele precisava contar para ela. Contar a verdade. Tudo. Afinal, Juli havia sido sua melhor amiga desde sempre (sim, isso é um dos vários sinais de homossexualidade que ele dava desde... sempre, também?), mas essa ótima amizade, a melhor amizade que ele uma vez já tivera, para falar a verdade, havia sido praticamente estragada quando ela disse que estava apaixonada por Bernardo. E o que ele podia fazer, certo? As pessoas estavam começando a suspeitar, e Julia era linda. Sempre foi.
(17:40)
Ei, Juls. Como é que você tá?
(17:40)
Ótima, Bê! E você, como tá?
Isso algumas vezes era assustador, sério. Por Deus, como essa garota conseguia responder SMS' tão rápido? Será que ela levava o celular para o banheiro também?
(17:44)
Não, não tá tudo bem. E eu preciso de você. Não como namorada, não desse jeito, Ju. A gente não é assim, é? A gente nunca foi. Não sei por que isso tudo começou, mas eu não deveria ter seguido adiante. Eu sei que é rude. Juro que sei. Sei que a pior coisa– não, não, a pior pessoa é aquela que termina uma coisa assim por telefone, SMS, computador, até. Mas eu não estou terminando, porque isso nunca realmente começou.
Júlia está ligando
B. atendeu. Ele podia ouvir um fungo do outro lado da linha, e estava se sentindo horrível, horrível mesmo, mas ele precisava de sua melhor amiga. Precisava dela mais do que qualquer coisa nesse mundo. Precisava dela porque ela seria a única que o entenderia, não, não a única que o entenderia. A única que não o julgaria.
"B, você tá aí? Que que houve?"
"Olha, Jul, primeiro de tudo... me desculpa. Me desculpa se eu te fiz sentir mal, se– se eu te fiz chorar. Não, peraí, esqueça o se. Eu sei que fiz, e eu sinto muito. Eu sinto muito, muito mesmo, Ju. E eu me sinto horrível mas– Mas eu preciso da minha melhor amiga. Preciso de você."
"Eu senti sua falta, Bernardo. Senti tanto a sua falta."
"Mas o–"
"Foi por isso que eu me apaixonei por você, sabe? Porque você era, bem... assim. Você era o garoto mais doce e eu era sua melhor amiga. Nós dividíamos segredos, ríamos da cara dos outros, e falávamos mal de pessoas" disse, em meio a uma risadinha que só dava quando estava com seus amigos mais íntimos.
"Eu também senti sua falta, Júlia. Senti muito a sua f–"
"Bleh, Bernardo", resmungou brincando, dando ênfase na última sílaba do nome dele. "Vamos parar com essa baboseira, vai? Me conte que que anda acontecendo nessa tua cabecinha."
E ele contou, contou tudo o que aconteceu desde que eles pararam de ser amigos assim, contou tudo o que ele sentiu e tudo o que ele sente.
"Meu. Deus. Bernardo. HA! Eu sempre soube, sempre sempre sempre! Isso é tão demais! OMG! Eu tenho um amigo gay! Gay! MEU MELHOR AMIGO É GAY! 100% GAY! E suspostamente apaixonado pelo melhor amigo! Jesus, isso daria um baita de um filme! Um filme para Oscar, Bernardo. O-S-C-A-R. Pera... eu namorei um garoto gay, meu Deus minhas amigas vão morrer de inveja de mim! Bêêêê! Você tem que sair do armário! Você não pode ficar guardando esses sentimentos para você mesmo! Sabia que, eu já li que quando uma pessoa fica no armário muito tempo, ela fica muito oprimida, sei lá, e algumas até se suicidam! Você não vai se suicidar, vai B.? Você sabe que eu sempre vou estar aqui por você, não sabe? Ah, Deus, eu nunca devia ter sido sua namorada! Ser sua amiga dá de 10 à 0!"
"Ju, Ju, Ju, cale a boca um instante?"
"Rude", cantarolou.
"Sério, Jules." riu. "Eu sei que eu tenho que assumir isso, mas– é que eu ainda não tenho certeza de nada, sabe? Eu não sei direito o que eu sou. E antes de saber o que eu quero, eu tenho que saber quem eu sou... Né?"
"Tá, tá, que seja. Não adianta me enrolar com essas coisas, Bernardo. Eu só não quero que você sofra com isso, apenas. Mas sério você viu que Nanda marcou a festa para esse fim de semana? Os pais dela estão fora e bem, você sabe. Você tem que ir! Vai ser a festa, você sabe. Todos vão", disse, tendo certeza que havia colocado ênfase o suficiente em todos porque, bem... Eram todos.
"Acho que vou sim, Juls. Só por sua causa também, né! Ver minha melhor amiga bêbada? Não perco isso nem se me pagarem! Ops, tenho que desligar, falo com você mais tarde. Tem alguém batendo aqui na porta, beijo"
E desligou.
Bernardo estranhou muito, muito mesmo, que alguém tivesse batido na porta de sua casa às 5:30 da tarde de uma quarta-feira. Mas mesmo assim, na hora, ele não percebeu que poderia ser o pior e que esse momento poderia estragar todo um dia que depois seria conhecido por "Reconciliação dos melhores amigos", ou alguma coisa assim.
Bateram na porta de novo, e a cada toque, seria como se a pessoa tivesse com mais raiva, ou com pressa, alguma coisa assim. Do mesmo jeito, ele não percebeu. Nada. E continuavam a bater, de novo, de novo e de novo.
"Já vai!", gritou Bernardo para a porta, esperando que as batidas repetidas parassem por um momento. Até que ele finalmente foi até a porta, e, claro, não conseguiu nem se mexer direito quando viu o que o esperava. Porque, bem, não era uma visita agradável, na verdade, isso nem podia se considerar uma visita, podia? Seria possível se considerar uma visita quando o seu– E, como sempre, seus pensamentos foram interrompidos. Mas dessa vez, por sua própria voz.
"Eduardo."
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