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Elanor Pam
Author of 11 Stories

Rated: K - Portuguese - Humor - Reviews: 14 - Published: 06-29-02 - id:839276

A lanchonete

Diante da lanchonete, um garotinho estava de pé.

Parecia um garotinho quase normal; um tanto descabelado, com cabelos escuros e mechas douradas na frente. Pequeno, franzino, parecia não ter mais de onze ou doze anos, com os olhos grandes, tímidos e cheios de uma inocência pura e líquida que parecia não conseguir sumir com a idade. Estava usando uma jaqueta um tanto larga para ele, com as mangas longas ameaçando lhe cobrir as mãos, colarinho aberto e levantado. Meio desleixado. Ainda assim, era adorável.

Tudo que merecia alguma atenção especial a seu respeito era o enorme cordão ao seu pescoço, com uma pirâmide pendurada, que chamava muita atenção num menino que, apesar de tantos traços característicos, não mereceria mais que duas ou três olhadelas.

A pirâmide era toda dourada.

Todos os olhos corriam de seu rosto pálido para ela, de seus olhos para o olho esculpido em uma das faces dela.

Um olho desconcertante. Fundo. Astuto.

Parecia enxergar a todos mais profundamente que os olhos inocentes do garoto.

Ela brilhava ao sol fraco.

O menino luzia de suor sob o sol fraco.

Abria e fechava um par de mãos trêmulas, que pingavam suor.

Ele mordia o lábio, olhando para a porta da lanchonete. Enxugou as mãos na calça, num movimento lento e inseguro. Parecia decidido, o mais decidido que poderia parecer sem tirar o olhar assustado e sem mover um centímetro adiante.

Estava ali fazia dez minutos; finalmente reunira coragem para entrar, mas não achava que ia sobrar alguma pra fazer o que importava. Mesmo assim, queria tentar. Ele era medroso e sabia bem disso, mas queria tentar, mesmo que não conseguisse.

Respirou fundo e subiu a escadinha, abrindo a porta de vidro fosco. Parecia que estava indo para o cadafalso. Uma garçonete adolescente, alta e notavelmente bonita o viu entrar, e abriu um grande sorriso para ele, o cabelo curto e liso balançando com o movimento.

Ele vermelhou como um sinal de tráfego, e parecia querer sair correndo.

Andando com uma graça inconsciente, ela se aproximou dele, se inclinando para ficar mais perto de seu rosto.

– Yuugi! Você está bem? Está suando.

Ele tentou falar, mas sua voz parecia ter decidido dar um rolé em algum lugar onde não era audível.

– Está vermelho. Veio correndo?

Ele balançou a cabeça, desistindo de procurar pela garganta.

– Olhe, tem uma mesa vaga aqui. Quer alguma coisa? Veio lanchar ou só falar comigo?

Ele desabou na cadeira, sentindo as pernas moles. A pirâmide tilintou, chocando-se com os botões da jaqueta. Ele a segurou, como se esperasse que ela lhe desse coragem, e por um momento o olho esculpido nela brilhou com simpatia, e até pareceu sorrir.

– Anzu-san… – ele começou. Pareceu um esforço titânico.

– Pode falar, quer uma coca-cola?

– Bem, eu… – ele murmurou.

– Sim?

– Eu, eu… queria dizer… – sua voz estava falhando de novo, e ele não estava conseguindo respirar direito. Agarrou o pano da calça com força, tentando manter a calma. – Queria dizer que… – engoliu em seco – …eu… gosto…

– Hm?

– Gosto… gosto de… gosto de Coca-cola, mas preferiria um guaraná.

A jovem sorriu, se endireitando, com um ar muito profissional.

– É pra já!! – ela girou nos calcanhares, o cabelo girando e ricocheteando em seu rosto liso, andando a passos largos para o balcão.

Quando o som de seus passos sumiu, ele deitou a cabeça na mesa, sem se preocupar com o baque audível.

– Covarde – murmurou ele. – Covardecovardecovarde.

Alguém, que tinha olhos muito perceptivos, mais tarde juraria ter visto uma sombra translúcida, idêntica ao garoto, mas com um olhar adulto, flutuar sobre ele, dando tapinhas em seu ombro; um companheiro desta pessoa não viu nada a não ser uma ondulação indefinida, mas ouviu claramente uma voz murmurando:

– Não se martirize. Poucos têm a coragem necessária para isso.



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