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Monocyte
Author:
YuMorino PM
Uma fanfic normal com uma história própria.
Rated: Fiction K+ - Portuguese - Drama/Romance - Babydoll - Chapters: 6 - Words: 3,547 - Updated: 03-30-13 - Published: 11-09-12 - id: 8688706
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O outro dia já chegara e parecia que tinha durado uma eternidade. Estar em uma casa nova e em um ambiente novo sem ao menos saber o destino que teria aquela situação pode ser considerado algo um pouco mais desesperador do que parece. Quando uma situação é desesperadora e bastante clara, como estar numa ilha sem nenhum barco ou sinalizador cercado por índios canibais famintos, é meio inevitável você estar gritando de horror enquanto imagina como será terrível ser assado e comido por canibais, mas quando uma situação é desesperadora e calma ao mesmo tempo, enquanto o seu silêncio de dúvida se mistura com o silêncio do destino, talvez isso seja mais assustador ainda, porém nós geralmente insistimos ficar calmos e apostar com otimismo o nosso futuro, que tem 50% de ser tão feliz o quanto queremos. Se formos pensar bem 50% são o mesmo que 0% e quando você aposta nisso, é capaz de você cair com a cara no chão e chorar o bastante pelo seu engano, tanto quanto é capaz de você ficar realmente muito feliz e viver de bem com o seu ego.

Muita gente acredita que ter seu corpo ferido, por qualquer causa, é bem pior do que ter seu espírito ferido, porém não chegam a se lembrar de que enquanto o seu corpo tem células que se regeneram, o seu espírito só pode se regenerar com algo abstrato. Vaidade ou orgulho, talvez possam vir a regenerá-lo por um tempo, porém só vínculos inquebráveis o podem restaurar completamente.

Depois de fazer sua higiene matinal, Emily fora tomar seu café da manhã. Não tinha conseguido dormir muito, por isso acordou mais cedo. O café da manhã já estava pronto, a casa ainda estava bem bagunçada, mas era reconfortante sentir o cheiro aquecedor de torradas e chá, havia um bom tempo que não sentia mais aquela sensação de certa união. Sua família não era muito próxima e ela também era indiferente a isso, mas de vez em quando é bom o ser humano ter uma refeição matinal feito por uma pessoa da família, o ser humano não foi feito para viver sozinho. Assim, naquela situação, se começou um dos poucos diálogos que são feitos quando um não tem nenhuma meta para convencer o outro.

As torradas estão prontas. – disse sua mãe, mesmo sabendo que era algo bem óbvio, pois Emily já estava indo pegar uma – acho que foi bom ter gastado nessa torradeira.

É. Eu vejo. – disse Emily ao morder a torrada, que trouxe ao lugar um som crocante e mais vivo.

Hoje eu vou levar o seu formulário de transferência para a Lennox School, uma escola de bastante mérito que existe aqui. – disse sua mãe com um tom de orgulho, talvez para mostrar mais entonação à filha em relação à nova escola. Após um tempo sem resposta, suspirou – Então... eu espero que você se dê bem lá e estude bastante para ter um bom futuro.

Eu geralmente não tenho mais nada para fazer, então não se preocupe, eu vou estudar. – disse Emily e logo após deu um gole no seu chá.

Bem, aqui em casa tem uma internet potente, Wi-Fi à longa distância, aparelhos para se exercitar, uma biblioteca enorme. Fico preocupada em você ficar se entretendo com outras coisas em vez de estudar. – disse a mãe.

Eu não gosto muito de eletrônicos, e talvez sua filha acessar a biblioteca não devesse ser uma preocupação sua, não acha? – perguntou Emily num tom meio despreocupado.

Ha, é mesmo, não é? – deu uma risada pequena ao mesmo tempo de um suspiro de alívio – Me desculpe, acho que realmente não devo me preocupar com você. Você sempre se mostrou uma filha exemplar, duvidar de você deve ser a última coisa que devo fazer na vida. – sorriu – Bem, vou arrumar algumas coisas e já vou atrás da sua nova escola. Hoje mesmo você começa a estudar, tudo bem?

Tudo bem. – disse Emily, tentando não parecer tão antipática e forçando um sorriso pequeno. Sua mãe realmente não merecia uma expressão de indiferença enquanto estava finalmente se preocupando com sua filha. A situação não requeria um sorriso no rosto de ninguém, mas as pessoas geralmente sorriem, para não parecer que estão com raiva, e mesmo Emily não gostando de seguir esse tipo de coisa, a sua mãe provavelmente não pensava o mesmo.

Após o café da manhã, talvez o mais falante da vida de Emily, o pai dela desceu as escadas olhando o relógio, parecia meio atrasado, uma imagem típica quando seu pai é um homem de terno e maleta. Comeu qualquer coisa e saiu correndo, as únicas palavras que disse foi um "Bom Dia." e um "Até mais." Pelo menos esse fora um dia dos que ele dissera algo, talvez estivesse feliz com a ideia de um lugar novo, era uma situação diferente de todo modo. Geralmente ele está apressado demais. Desde o seu tempo de juventude tivera insônia e tomava muitos remédios para controlar o sono, mas acredito que seu trabalho deva o estressar bastante, não há quem chegue a dormir desse modo.

O dia estava bem calmo, a névoa ainda fazia o dia cinzento, mas o jardim que havia em volta da sua "quase mansão" não deixava de ser bonito, aliás, ao menos ainda havia um jardim ali, as cerejeira que na rua haviam estavam bem raquíticas e quase não havia uma única flor. O dia parecia ser bem longo em um aura assim, enquanto sua mãe estava fora, Emily ficava sentada num balanço que havia no jardim. Demorou um bom tempo para que a sua mãe chegasse com a sua matrícula pronta. Ao passar esse longo tempo escutou o barulho das chaves ao abrirem o portão da frente o qual a despertou de um pequeno transe enquanto estava segurando nas cordas do balanço e com a cabeça içada para trás, como geralmente fazemos quando criança e ainda estamos experimentando a sensação de provar um balanço de todas as maneiras e jeitos possíveis. Sua mãe trazia um sorriso no rosto, vitorioso. Parecia que tinha conseguido o que saíra em busca.

De 12h30, ou seja, já já você deve estar a caminho da sua nova escola. A Lennox School realmente parece ser uma escola de grande mérito. É enorme! – disse entusiasmada – Olhe só o seu uniforme, é lindo! Vou pedir para a empregada cuidar muito bem dele para que você vá para a escola bem certinha. Não quero pessoas pensando que minha filha é uma mendiga, eu tenho um nome a prezar. O material você vai receber lá.

Huh, parece ser confortável. – disse Emily calmamente após içar-se de volta a posição normal e olhar para o uniforme.

E é. – disse sua mãe – Vá logo se apressar que eu tenho que ir ao meu trabalho também, enquanto não consegui transferência, devo viajar um bom tempo até lá. Não quero que me atrase.

Tudo bem. – pegou o seu novo uniforme e foi se aprontar.

Enquanto sua mãe preocupava-se com sua própria carreira e nome, Emily estava um pouco receosa quanto a sua nova escola, parecia perfeita demais, não sabia se sua mãe estava exagerando, mas provavelmente ela não exageraria em relação a isso, pois era muito exigente, sempre queria tudo do bom e do melhor. Não entendia como em um local como aquele existia uma escola assim, o uniforme era realmente confortável e bonito, parecia ser feito de um tecido caro e o modelo lembrava um uniforme de marinheiro.

Após pronta Emily se olhava no espelho, seus cabelos loiros quase brancos estavam alinhados, e o uniforme lhe caíra bem, mas não era sobre isso que estava interessada. Ela se olhava nos olhos, como se a desafiar-se e perguntar-se "quem sou eu?" ou "o que estou fazendo?" Talvez fosse algo mais profundo, porém o que se via era uma garota que não tinha expectativas sobre o seu futuro e nem ao menos o conhecia. Estava indo para ver no que resultava, como sempre fizera. Só esperava que não houvesse problemas futuros e que o que acontecera antes não se repetisse mais.

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