
O carro anda velozmente pela estrada,
as paisagens são apenas borrões na janela,
nos quadros perdidos de minha visão...
O vento susurra palavras a mim esquecidas;
todas essas vozes perdidas
apenas trazem as lembranças , outroras perdidas
no mais eterno deserto: o meu coração !
eu me perco em palavras,
gestos , sentimentos...
todo o passado passa por entre os meus olhos
como as passagens que o carro deixa para trás;
Acordei em meio a noite,
com aquela sensação de vazio que me remete as perguntas que sempre tento
descobrir as respostas, tudo que encontro é a dor em minha cabeça, uma cicatriz
em meu peito e feridas em minha alma.
Fazia frio naquela noite, por isso eu estava levando meu sobretudo.Passei a mão
no cabelo para ajeitá-lo e olhei para a estrada mesmo sem enxergar seu
fim,suspirei e vesti o casaco.Quando começei a sair a chuva decidiu aparecer ,
já não bastasse a bruma que envolvia a cidade , uma coisa um tanto estranha
para a cidade tropical em que eu vivia;levantei meu rosto para o céu e deixei
que as gotas d'água caíssem sobre o meu rosto, elas eram pesadas e rápidas ;
talvez o céu estivesse com raiva de algo e estivesse a mostrar o seu poder,
pois trovões ressoavam ao longe e chegavam tempos depois até mim...
Me perdi em pensamentos , lembrei das nuvens cinzentas que a tarde anunciavam a
chegada de um tempo ruim , lembrei de amores que se foram , amizades que
ruiram...Devo ter passado 5 minutos a tomar chuva e pensar; devo andar pois
tenho um compromisso.Enquanto caminhei pela chuva , com minhas mãos enfiadas no
bolso , procurei pensar no que eu estava fazendo, no que eu me metera; já era
tarde pois o meu destino já tinha sido traçado quando eu fiz a minha escolha...
Olho para as minhas mãos, elas estao completamente cheias de cicatrizes , marcados
pelos tempos de luta...Eu, há tempos desejo descobrir o meu nome; meu
verdadeiro nome...
Tempestade Sobrenatural
Quando a vela se apagar
Com o vento vindo de uma direção
sombria;
Eu então pararei a minha prece
E abrirei meus olhos
Sem medo de enfrentar o que veio
me buscar...
A casa vazia, o silêncio sepulcral,
As paredes sujas e podres
Indicam o mal que impera neste
local;
As vibrações oscilam
freneticamente
Enquanto um vento gélido passa
sobre mim...
Chegando ao local funesto
Meus olhos encontram o sobrenatural
E eu sou mergulhado em um pesadelo!
Como um vórtice escarlate
Ele entra e tenta roubar minha
lucidez,
Eu consigo vencer, mas não sem
levar as cicatrizes de batalha;
Gotas da minha alma caem naquele
lugar...
Uma tempestade caótica passa pela
minha vida
E testa a minha força espiritual,
Esse dom que mais parece uma
maldição;
Porque deus coloca sobre os ombros
de um ser humano tal fardo?
Lutando pela vida a cada instante
Em um universo invisível e
deturpante
Eu apenas posso seguir em frente
Buscando todas as armas e defesas
para não perecer sem luta.
O Santo jorra sangue de seus olhos,
O cachorro late ferozmente contra
o seu medo,
A criança chora pela presença do
mal
Enquanto as portas rangem e o piso
arranha;
Na escuridão dorme o profundo
silêncio
Que espreita pelas nossas almas!
Ainda posso ver aquela criança de
olhos ocos
A acenar um adeus para mim,
Você sente a presença de alguém
E quando vai olhar, não tem
ninguém...
Um vulto você vê
Mas quando vai olhar já não está
mais lá...
Eu já não ligo mais,
Apenas passo enfrentando o que vem
ao meu destino
Até que meus ossos estejam pesados
demais
E meus olhos cansados se fecharem
para sempre;
Meu coração baterá apenas mais uma
vez
E meus lábios sussurraram uma
última poesia
Que eu fiz dessa vida ingrata e
misteriosa
Que é ser um sensitivo...
Petrus Heligan