Capítulo XVII

Edward caminhava pela praça da aldeia de Masen, ao lado de Lorde Eleazar e de Emmett, enquanto supervisionavam os cavalos do senhor Denali sendo carregados com suprimentos para a viagem rumo à Escócia. A neve já não caia mais desde que o sol nascera e seria prudente se Eleazar aproveitasse aquela trégua que o inverno estava dando. Viajar com o clima tão instável não era prudente, e naqueles casos, o melhor a se fazer era apressar-se o máximo que podia. Além disso, Edward se pegava ansioso pela partida dos Denila, pois só assim poderia retornar para a segurança de sua fortaleza ao lado de Isabella.

Havia relutado um pouco em trazê-la até a aldeia, sabendo que os Volturi poderiam está em qualquer lugar, mas seria uma grande desfeita com Lady Carmem se sua esposa não os acompanhasse e Edward não queria perder a amizade dos Denali. Necessitava de alianças fortes naquele momento em que uma guerra contra Alec e Jane pairava ao seu redor. Alem disso, já estava mais do que em tempo de seus aldeões conhecerem a nova senhora de Masen.

-Bem, creio que já está tudo pronto para que possamos partir e seguir viagem. – Disse Lorde Eleazar para Edward após certificar-se de que já tinham tudo do que necessitavam para a travessia da fronteira highlander – Fico grato por sua hospitalidade, e espero que resolva seus problemas com Lady Isabella. E como forma de agradecimento pela estadia, o que me dizem de tomarmos uma última jarra de cerveja na Taberna do Ermitão enquanto nossas esposas nos levem a falência? Posso apostar tudo o que tenho como Carmem gastou metade das moedas que lhe dei em tecidos e bugigangas de mulheres.

-É nessas horas que agradeço por não ser casado! – Comentou Emmett fazendo com que os três rissem.

-Não se preocupe irmão – Disse Edward dando uma leve tapa nas costas de Emmett – Pretendo desencalhá-lo antes que o inverno acabe. Já está mais do que na hora de você criar juízo e constituir uma família.

-Pelos céus Edward, ainda tenho uma longa vida pela frente! Não diga isso nem de brincadeira. O que será das beldades dessa aldeia sem mim?

-Arranjaram outro cavalheiro que aqueçam suas camas. Uma boa esposa é exatamente o que você precisa para amadurecer um pouco. – Disse Edward vendo Emmett revirando os olhos em sinal de desagrado.

Sabia que seu irmão relutava em casar-se, e o compreendia agora mais do que nunca. Afinal, jamais imaginara que ter uma esposa fosse algo tão trabalhoso. Tinha que tomar cuidado com tudo o que dizia, fazia ou até mesmo pensava, ou do contrário poderia acabar magoar os sentimentos de sua Lady. Estava acostumado a lidar com as mulheres, mas Isabella não era qualquer uma... Não! Ela era delicada, mas ao mesmo tempo forte; sensível, porém sempre prestativa; e, para seu total desespero, extremamente atraente e extremamente ingênua. Olhou em torno da praça, buscando por ela, todavia não via a sua jovem esposa em lugar algum... Onde poderia estar?

-Agradeço o convite para a jarra de cerveja. – Disse Edward sentindo-se um tanto apreensível – Mas acho melhor irmos atrás de Lady Carmem e de minha esposa. Estou começando a ficar preocupado com a demora das duas.

-É normal que as mulheres demorem quando estão comprando tecidos para vestidos! – Apontou Eleazar achando que o amigo exagerava no cuidado com Isabella – Escute o que estou lhe dizendo, sua maior preocupação deve ser com as moedas que devem está esbanjando em alguma dessas barracas.

-Sei disso, mas Isabella não conhece essa aldeia e pode acabar se perdendo no meio dessa multidão... Não devia tê-la deixado só por tanto tempo.

-Oras, há soldados por todos os lados Edward, e alem disso Carmem está com sua jovem senhora. Duvido que alguém tente chegar perto delas com uma tagarela como a minha esposa falando o tempo todo!

-Ainda assim acho melhor encontrá-las. Isabella pode querer comprar algo e eu não a dei nenhum ouro.

Sem querer estender a conversa ainda mais, Edward começou a caminhar em direção a feira, sendo seguido por Emmett e Eleazar. Sabia que podia está agindo como um homem ciumento que não quer tirar os olhos de sua esposa, mas não podia arriscar! Tinha ordenado que seus homens circulassem pela aldeia, garantindo que nada de errado acontecesse e até deixara um de seus soldados responsável por vigiar Isabella, mas senta que algo estava errado. Não tardou a encontrar Lady Carmem com suas duas damas de companhia, escolhendo fazendas de veludo em uma das barracas, mas não viu sinal de Isabella.

-Oh, nunca vi tecidos tão maravilhosos como estes! – Exclamou Lady Carmem ao ver seu marido se aproximando, referindo-se a duas fazendas de veludo amarelo que suas damas carregavam – E paguei uma verdadeira pechincha pelos dois! Irei fazer os vestidos mais belos de toda a corte, vocês verão...

-Carmem, onde está minha esposa? – Interrompeu Edward antes que a mulher passasse o resto da manhã falando sobre coisas superfulas. Sabia que estava agindo de modo rude, mas não estava com paciência para o falatório de Carmem.

-Lady Isabella? Ela estava bem aqui até agora a pouco... Não era meninas?

As duas damas de companhia fizeram que sim com a cabeça, mas pareceram um tanto desconfiadas. Lady Carmem passou a olhar em torno de si própria, como se acabasse de dar pela falta de Isabella. Edward não gostou nada daquilo e já estava a ponto de sair procurando por sua esposa em todas as barracas da feira, quando viu o soldado a quem encarregara de vigiar Isabella correndo em sua direção. O homem parecia sem fôlego, como se estivesse correndo há um bom tempo e isso deixou Edward ainda mais em alerta.

-Lorde Edward, Lady Isabella... Perdi-a de vista faz alguns minutos...

-E por que demônios não veio até mim assim que ela desapareceu de seus olhos?! – Indagou perdendo toda a paciência que restava e fazendo um esforço hercúleo para não gritar a plenos pulmões. Aquela situação estava ficando cada vez mais perigosa.

-Estava buscando por ela meu senhor! Vi-a conversando com uma criança na Viela do Trasgo, mas me distrai com um mendigo pedindo esmolas que esbarrou em mim... Quando me livrei do pedinte, vi-a entrando no Beco da tinturaria, e corri para alcança-la... Mas o senhor sabe como é difícil passar por todos aqueles lençóis pendurados, e eu a perdi de vista quando cheguei às margens do rio.

-Maldição! – Praguejou Edward tentando conter sua fúria. Olhou para o soldado que ainda recuperava o fôlego e o deu ordens claras – Junte todos os homens e comecem a vasculhar cada canto desta feira. Irei com Emmett até as margens do rio.

Edward empurrou o soldado para o lado e foi em direção a Viela do Trasgo. Não precisou ordenar para que seu irmão o acompanhasse, pois sabia que Emmett iria com ele a qualquer lugar. Será que sua jovem esposa havia tentado fugir novamente?! Não... Não podia ser! Eles estavam se dando tão bem, que não podia acreditar que ela estivesse apenas fingindo tudo aquilo. Talvez estivesse perdida como suspeitara no início ou simplesmente quisesse dá uma volta pelo rio. Mas ainda assim...

Quando finalmente chegou a Viela, seguiu pelo beco da tinturaria, mas não viu sinal de Isabella! Os lençóis que estavam estendidos ao logo do beco dificultavam sua passagem e Edward se pegou imaginando mil e uma coisas. Céus, estava ficando cada vez mais furioso, cada vez mais preocupado. Já estava praticamente nas margens do rio quando identificou um pequeno par de pegadas pela neve que só poderiam pertencer a sua esposa.

-Parece que ela seguiu o rio a cima. – Disse Emmett enquanto analisava as pegadas ao lado dele.

-Sim. – Concordou sentindo-se um tanto confuso.

Se Isabella estivesse mesmo tentando fugir, teria seguido o rio no mesmo sentido que a correnteza, uma vez que aquilo a levaria até a bendita queda d'água. Então, por que demônios seguiu o caminho oposto? Além disso, não havia outras pegadas no chão além das dela, e nem mesmo sinais de que houvera alguma briga. Ela estava sozinha afinal! Foi enquanto se fazia tais questionamentos que sentiu o cheiro de fumaça vindo correnteza acima.

-Algo está queimando! – Disse Emmett farejando o ar.

-É o que parece... Mas não há casas habitadas nas margens do rio desde a última inundação e até onde eu saiba a oficina do ferreiro fica longe do bosque. Então, de onde vem esse cheiro?

Disposto a descobrir o que estava em chamas, Edward seguiu rio acima. Algo lhe dizia que encontraria Isabella se encontrasse o fogo! Não sabia explicar ao certo de onde exatamente vinha essa sensação, mas não se ateve a isto. Seu irmão vinha bem atrás de si e os dois já caminhavam por alguns minutos quando ele ouviu um grito pedindo por socorro. Sem pensar duas vezes, começou a correr cada vez mais rápido, deixando Emmett para trás, jurando que escutara a mesma voz o chamando pelo nome... A voz de Isabella!

A neve era escorregadia, e havia partes em que a água do rio havia congelado, mas Edward não diminuiu o ritmo. Não demorou muito até que encontrou a velha cabana do oleiro completamente em chamas. A porta parecia uma cortina de fogo e parte do telhado já havia caído... Não entraria naquele inferno, se não tivesse escutado novamente a voz de Isabella o chamando de dentro da cabana. Sem pensar duas vezes, começou a chutar a porta, cuja madeira cedeu facilmente, uma vez que já estava parcialmente consumida pelo fogo.

Ouviu quando Emmett gritou de longe para que ele não fizesse isso, mas sem dar ouvidos ao irmão, Edward cobriu a cabeça com sua capa de peles e pulou para dentro da cabana, passando pelas chamas que bloqueavam a entrada. Graças a umidade que impregnava o solo devido a proximidade do rio, o fogo ainda não havia alastrado-se por todo o interior do cômodo, mas o calor que fazia ali dentro tornava difícil raciocinar e a fumaça o fez tossi compulsivamente.

-Isabella! – Gritou enquanto a buscava com olhos atentos. A incandescência do fogo não o permitia enxergar ali dentro, mas ele não desistiu. Sabia que ela estava lá... Sentia isso! Sentia! – Isabella, responda!

Não obteve resposta e já começava a sentir o desespero tomando conta de si. Foi então que, em um canto próximo a uma das paredes, teve um vislumbre do que devia ser a barra do vestido púrpura que sua esposa usava. Tentou chegar até aquele local, mas havia uma viga caída completamente em chamas entre ele e Isabella. Deu dois passos para trás e sem pensar duas vezes no que fazia, correu de encontro às chamas, pulando a viga e aterrissando com firmeza ao lado do corpo de sua esposa.

-Isabella! – Chamou novamente enquanto a segurava em seus braços e afastava algumas mechas de cabelo do rosto dela, que haviam se soltado da enorme trança que usava.

A pequena lady tinha o rosto sujo por cinzas e a pele encharcada por suor. Por um momento, Edward achou que ela não o responderia, até que Isabella finalmente abriu seus grandes olhos violetas e o encarou de modo torpe. Sentiu seu coração disparar ao fitar aquelas ires...

-Eu sabia que você viria... – Disse ela com um meio sorriso pouco antes de tornar a fechar os olhos novamente e deixar sua cabeça pender para trás.

Edward tinha que tirá-la dali! Mas como? Não podia tornar a pular a viga enquanto segurava Isabella em seus braços. Não tinha espaço suficiente para pegar impulso e saltar... Teria que tirar a viga de seu caminho se quisesse passar por ela, e foi exatamente isto o que fez. Enrolou Isabella com seu manto e a colocou sobre seu ombro direito, para só então empurrar a viga com sua mão esquerda. Sentiu a luva de couro que usava ardendo perante o fogo, mas não deixou que a dor chegasse a sua mente... Tinha que tirar sua esposa dali!

Quando finalmente conseguiu afastar a viga o suficiente para que pudesse passar, Edward abriu caminho pela cabana em chamas, passando pela entrada até que finalmente conseguiu sair daquele inferno! O vento frio o atingiu em cheio ao chegar ao lado de fora, e encontrou uma pequena multidão o aguardando.

-Edward, está louco? No que estava pensando para entrar em uma cabana em meio às chamas...? – Repreendeu Emmett com os olhos arregalados ao ver o irmão, mas logo calou-se ao ver Lady Isabella desacordada em seus braços – Pelos céus... Ela estava lá dentro...

-Não cheguem perto! – Ordenou em voz de comando para que os camponeses que haviam sido atraídos pelo fogo não se acumulassem ao redor de Isabella. Ela precisava respirar.

Tomando todo o cuidado do mundo, Edward depositou o corpo de sua pequena esposa no chão coberto de neve, mas ainda a manteve em seus braços. A jovem lady respirava de modo agitado e ruidoso, como se tivesse prendido a respiração por muito tempo, e com mãos trêmulas se agarrou a túnica dele, como se temesse que alguém os separassem. Edward via que ela devia ter inalado muita fumaça, e começou a abrir a gola de seu vestido, para permitir que respirasse com mais facilidade.

-Como sabia que ela estava lá dentro? – Indagou Emmett parecendo ainda não acreditar no que via.

-Ela gritou por mim. Você não ouviu?

-Não... Não ouvi absolutamente nada.

-Como não ouviu? Ela gritou várias vezes... – Seu irmão continuou olhando-o como se ele estivesse falando alguma sandice. Teria imaginado a voz de Isabella?

-Oh meu deus! – Gritou Lady Carmem que praticamente corria em sua direção e se ajoelhava ao lado de Isabella, sendo seguida de perto por seu marido Eleazar, que parecia impressionado com a situação – Ela ficará bem não ficará? Diga que não está ferida...

-Ela é minha esposa. – Respondeu Edward sem tirar os olhos do rosto de Isabella – É obvio que ficará bem.

Sim... Isabella era forte e resistiria aquilo assim como resistiu a tantas outras catástrofes. Era sua esposa e por isso ele sempre a protegeria, não importa se tivesse que perder a própria vida para isto. Não conseguia tirar os olhos de cima dela, vendo sua respiração de passarinho se acalmando pouco a pouco e suas bochechas rosadas devido ao calor do fogo.

Não sabia quanto tempo passara ali, mas antes que precisasse dar ordens, a carruagem que trouxera Lady Carmem e sua esposa já estava parada próximo a eles. Provavelmente fora Emmett quem providenciara aquilo, mas Edward não se deu ao luxo de perguntar. Apenas carregou Isabella até o veículo e pediu desculpas aos Denali por não os escoltar pessoalmente até as fronteiras de Masen, ordenando que seu irmão fizesse isso em seu lugar.

A multidão ao redor deles já estava consideravelmente concentrada, e Edward não queria que Isabella torna-se a si em meio aquele mar de gente. Sendo assim, deu ordens para que o condutor os levassem o mais rápido possível de volta a fortaleza de Masen, dando graças aos céus por ter conseguido evitar uma verdadeira tragédia. O que teria feito se Isabella morresse queimada naquela cabana? Céus... Se colocaria louco, certamente! Preferia não pensar nisto... Quando se deu conta, estava apertando-a entre seus braços, cheirando de forma compulsiva seus cabelos que agora também fediam a fumaça.

Estava tornando-se cada vez mais dependente dela... Jamais sentira semelhante coisa por mulher alguma, mas por Isabella não era apenas desejo, era algo a mais. Sentia uma necessidade imensa de protegê-la, de tê-la sempre ao seu lado, de descobrir cada vez mais seus segredos e de conhecê-la como ninguém... Céus! Havia caído em seu feitiço.

Quando Bella tornou a abrir os olhos, já estava deitada em sua cama, em seu quarto no topo da torre leste da fortaleza de Masen. Com um salto, se pôs sentada e sentiu sua cabeça rodar devido ao movimento brusco... Seu corpo estava coberto apenas com uma delicada camisola de seda branca, mas sentia seu peito apertado, como se suas costelas estrangulassem seus pulmões. Era como se sua pele queimasse e tossiu de forma feroz, enquanto levava a mão ao peito para apaziguá-lo.

-Não devia se levantar tão rápido, milady! – Exclamou Sue materializando-se de modo repentino ao lado de Bella. Desde quando a velha senhora Clearwater estava ali?

-O que houve? Estou confusa...

-Não se recorda? – Indagou com um terno sorriso enquanto torcia um pedaço de linho para remover o excesso de água e forçava Bella a deitar-se novamente, para aplicar a compressa sobre sua testa – Lorde Edward a tirou de dentro de um verdadeiro inferno... Por sorte a senhora não sofreu nenhum ferimento, mas inalou muita fumaça e teve um pouco de febre. Só deus sabe o que teria lhe acontecido se meu senhor não a tivesse salvo!

A sensação do pano úmido e frio em sua testa fez a cabeça de Bella melhorar, e as palavras de Sue finalmente chegaram a seus ouvidos. Recordou-se dos acontecimentos de forma nebulosa, como se uma cortina de brumas lhe bloqueasse a mente. Ainda assim, se lembrou de seu marido carregando-a nos braços para fora da cabana em chamas, do vento frio lhe açoitando o rosto quente, do ar voltando para seus pulmões. Teria morrido se não fosse por ele. Edward a salvara novamente! Sim, ele a salvara.

-Onde está meu marido?

-Estou bem aqui. – Disse Lorde Edward que acabara de adentrar no leito, parecendo cansado e aliviado ao mesmo tempo.

Ele agora usava uma túnica mais simples e parecia ter se banhado novamente, pois trazia os cabelos molhados e em completo desalinho. Fez sinal para que Sue saísse e os deixassem a sós, e automaticamente, Bella sentiu uma estranha sensação em seu interior. Uma certa paz misturada com algo que beirava a plenitude. Quando finalmente ficaram sozinhos, Lorde Edward caminhou até a cama e sentou-se na cadeira que Sue havia deixado ao lado desta. Passou um momento apenas a encarando, como se tentasse ter certeza do que via, e por fim pegou outro pedaço de linho úmido.

-Como se sente? – Indagou ele enquanto, com a ponta do tecido, limpava a bochecha de Bella que ainda estava suja de cinzas.

-Um pouco confusa... Mas ficarei bem. Obrigada por me salvar novamente. – Disse sentindo seus olhos enchendo de lágrimas em uma mistura de alívio e gratidão.

-Prometi que a protegeria. Não faço mais do que a minha obrigação...

Bella baixou a cabeça e deixou que as lágrimas escorressem por seu rosto. Céus, por mais que tentasse, só trazia problemas para Lorde Edward! Quando deixaria de ser um estorvo para ele? Sentiu quando seu marido enxugou suas lágrimas com o pedaço de linho, e se forçou a parar de chorar. Já não era mais uma menina assustada, era a Lady de Masen!

-Eu teria morrido se não fosse por você... Como conseguiu me encontrar a tempo?

-Um de meus guardas viu quando você correu atrás de uma criança, no beco da tinturaria. Pensei que você tinha seguido para o rio, como sempre fazia quando tentava fugir, mas acabei sentindo o cheiro da fumaça e... Acho que a ouvi gritando o meu nome.

-Gritando? – Bella sentiu-se confusa. Lembrava-se de ter sussurrado o nome dele, mas não gritado...

-Sim. Mas isso já não importa mais não é mesmo? Eu a encontrei e agora você está aqui comigo. Apenas diga-me, o que fazia naquela maldita cabana em chamas?

-Um menino roubou o colar de safira que você me deu no dia de nossas bodas e eu corri atrás dele para recuperar a joia... Foi ai que esbarrei em um homem. – Começou a explicar enquanto encarava aqueles olhos verdes, esperando encontrar fúria, mas apenas viu preocupação – Ele me disse que sua esposa estava em trabalho de parto e eu me ofereci para ajudá-lo enquanto ia até a casa da curandeira. Quando cheguei à cabana que ele havia indicado, alguém traçou a porta e... E ateou fogo.

-Já havia visto este homem antes? Em algum lugar...?

-Não. Creio que nunca o vi em toda a minha vida. Parecia um simples camponês e estava tão preocupado... Não pensei que isso fosse me acontecer!

-Não devia ter ido atrás do garoto por conta de um colar! Não sei o que teria feito se você tivesse morrido naquela cabana... – Por um momento, ele parou de falar e pareceu envergonhado por expor sua preocupação perante a ela.

-Perdoe-me. Sei que fui imprudente e não tornarei a fazê-lo.

-Isabella... Estive pensando e a única explicação que consigo encontrar para tudo isso é a de que os Volturi estão tentando matá-la a qualquer custo. – Sim, Bella concordava com aquilo, mas não ousou dizê-lo em voz alta – Você precisa confiar em mim... Tem que me dizer o que sabe sobre eles para fazer com que Alec deseje tanto silenciá-la.

Bella desviou os olhos dos dele, mas Lorde Edward a segurou pelo queixo de modo delicado, para fazê-la tornar a encará-lo novamente. Foi só então que ela percebeu as ataduras que enfaixavam a mão esquerda dele. Céus, seu marido havia se queimado! Sem pensar duas vezes, segurou o pulso de Lorde Edward e deslizou os dedos pelas faixas de linho, como se tentasse fazê-las desaparecerem.

-Sua mão... Por tudo que há de mais sagrado, você a queimou... Por minha causa!

-Não se preocupe com isso, não foi nada de grave. Ainda posso manusear a espada perfeitamente bem com a mão direita. – Disse Edward tentando acalmá-la. Não queria que Isabella ficasse agitada, afinal, ela havia acabado de passar por uma situação traumatizante! Toda a paz do mundo seria pouca para ela. – Tente apenas manter o foco de nossa conversa e me diga o que os Volturi tanto temem que você fale...

Isabella o olhou com suas profundas ires violetas, e por um momento Edward acreditou que ela finalmente revelaria seu segredo. Mas antes que sua jovem Lady pudesse abri a boca, a entrada repentina e sem aviso de Emmett no quarto os atrapalhou.

-O pegamos! – Disse seu irmão mais novo parecendo tão agitado que não percebeu que interrompera algo realmente importante – O menino que atraiu Lady Isabella até o beco da tinturaria. Está no pátio externo agora mesmo, esperando você interrogá-lo. O encontrei quando voltava para Masen após ter escoltado os Denali... Ele está com o colar de safira que você dera a Lady Isabella.

-Estou indo. – Respondeu Edward parecendo agora tão agitado quanto o irmão – Isabella, fique aqui e descanse. Regressarei o mais rápido possível.

-Mais eu...

Bella não teve tempo de concluir sua frase, pois seu marido saiu do quarto sem lhe dar oportunidade de se quer pronunciar uma palavra a mais. Céus, eles haviam pego o menino que roubou seu colar... Isso não era nada bom! Bella sabia que era costume os grandes senhores feudais realizarem julgamentos, e que muitas vezes a pena para furto era cortar a mão esquerda do ladrão. Seu próprio pai fizera aquilo inúmeras vezes em Forks.

Mas não podia permitir que uma criança, por mais que tenha roubado o seu colar de safira e a atraído para uma armadilha, perdesse uma das mãos! Até poderia ser justo, mas era cruel! Sem pensar duas vezes, levantou-se o mais rápido que pôde da cama, vestiu a primeira túnica que encontrara em seu baú sem se quer amarrá-la corretamente antes de jogar a capa de peles que ainda fedia a fumaça por sobre seus ombros, e saiu do quarto, apoiando-se nas paredes. Desceu as escadas com dificuldade, mas quando chegou ao portão do salão principal, sentiu-se paralisada.

Uma verdadeira multidão havia se aglomerado no pátio externo, e todos pareciam ansiosos para ver o julgamento. Como o crepúsculo já havia chegado, inúmeras tochas estavam acesas para que pudessem iluminar o pátio. Bem no centro, um garotinho estava ajoelhado, parecendo assustado e olhando para todos os lados. Bella o reconheceu imediatamente. Viu quando seu marido se aproximou do menino, acompanhado por Sir Emmett e imaginou como aquela cena deveria parecer aterrorizante para uma criança que não devia ter mais do que nove anos. Não queria olhar, mas se forçou a ver.

-Silêncio! – Ordenou Lorde Edward, fazendo com que toda a multidão se calasse e depois se referindo ao menino – Diga-me seu nome, garoto.

-Meu nome é Peter, senhor... – Respondeu o menino em um fio de voz, parecendo que choraria a qualquer momento.

-Meus homens encontraram você em posse deste colar, escondido por baixo de seu gibão. Isso é verdade? – O menino pareceu pensar um pouco, mas no final ele sabia que não adiantava mentir. Havia sido pego em flagrante.

-É sim, meu senhor... É verdade...

-Então você confessa que roubou este mesmo colar do pescoço de minha esposa, Lady Isabella Cullen, senhora de Masen? – O menino pareceu medir suas palavras novamente, mas qualquer um saberia que mentir para um homem tão autoritário quanto Lorde Edward parecia ser uma opção inviável.

-Confesso.

O barulho que surgiu criado pelas enumeras vozes que gritavam "contem-lhe a mão" fez o coração de Bella saltar. Céus, não podiam fazer isto com uma pobre criança... Será que ninguém via o quão o menino estava assustado? Que seu rostinho sujo estava marcado pelas lágrimas que deveria ter derramado? Fez menção de correr até o local do julgamento, mas a voz de seu marido exigindo silêncio fez suas pernas travarem.

-Vocês todos sabem que, nas terras de Masen, a pena por furto é a amputação da mão esquerda do criminoso. – Disse Lorde Edward enquanto tirava sua espada da bainha, fazendo com que lágrimas viessem aos olhos de Bella. Não podia acreditar que seu marido seria tão cruel assim, ao ponto de fazer aquilo – E aqui temos um jovem infrator da lei.

-Não... Por favor, meu senhor... – Gritou o menino enquanto era posto de joelhos pelos homens de Edward e tinha sua mão esquerda estendida, para que todos vissem. O menino não suportara mais e acabara caindo no choro novamente, mas aquilo não pareceu comover a ninguém. Bella tentou correr até o garoto, sentindo a neve congelando seus pés, pois havia se esquecido de causar as botas. Mas tropeçou no último degrau da porta, caindo com as mãos espalmadas no chão – Clemência, por favor, clemência... Não fiz por minha conta e risco... Juro-o! Não fiz por minha conta e risco!

-Não? – Repetiu Edward enquanto erguia a lâmina de sua espada e preparava-se para cortar a mão do menino. Parecia que estava conseguindo chegar onde queria – Se não fez por sua conta e risco, então por quem fez?

-Um homem, meu senhor... Um homem me pediu para que atraísse a dona do colar até o beco da tinturaria! – Respondeu o menino entre soluços tentando falar o mais rápido que podia – Disse que seria só uma brincadeira e que no final me daria pão e leite... Não o fiz por mal! Juro! Se soubesse que ele iria atrair sua esposa para aquela cabana em chamas, não teria aceitado fazer isso...

-Sabe o nome deste homem?

-Não, meu senhor. Mas eu o vi nos últimos dias frequentar a Taberna do Ermitão. Disse que não era de nossa aldeia e que estava só de passagem.

-Então você fez o que um completo estranho mandava apenas para conseguir pão e leite? Sabe o quão tolo e parece?

-Eu estava faminto, meu senhor... – Choramingou o menino, fazendo com que o coração de Bella ficasse ainda mais apertado no peito – Faz dias que não como direito. Estou peregrinando de aldeia em aldeia há mais de um ano, desde que meus pais morreram. Só queria um pouco de pão, só isso...

-Lamento por sua desgraça. – Disse Edward enquanto via os grandes olhos castanhos do menino parecerem ainda maiores – Mas ainda assim, você cometeu um delito, e deve ser castigado por tal ato.

Edward olhou para a multidão, se preparando para dar o seu veredicto. Detestava aquela parte do seu trabalho, mas não podia deixar o garoto completamente impune, caso contrário todos os ladrões da aldeia se sentiriam a vontade para afanar objetos alheios. Mas também não queria cortar a mão daquele pobre garoto, cujo único crime foi ter fome. Para deixá-lo ainda mais incomodado, viu no meio da multidão, os ruivos cabelos de sua esposa, que o encarava com temor no olhar. Ótimo! A última coisa que queria agora era que Isabella visse a forma dura como ele agiu para intimidar aquela pobre criança, e fazê-la falar perante a todos a verdade.

-Você roubou em minhas terras, e por sua culpa minha esposa quase ardeu nas chamas de uma cabana. Mas ainda assim, não foi sua intenção causar todo este mal. Levarei em consideração sua tenra idade e o fato de ser a primeira vez que o pegamos roubando, mas não posso deixá-lo impune. Seu castigo será trabalhar para meus soldados como pajem, por um ano e um dia, sem receber nada por isto, além de comida e abrigo. Caso tente fugir de suas obrigações ou cometa outro delito, não poderei poupá-lo de um castigo mais severo, disso eu garanto.

Bella sentiu o ar saindo de seus pulmões e só então percebeu que estava prendendo a respiração. Céus... Por um momento pensou que Lorde Edward realmente cortaria a mão daquela pobre criança, mas agora compreendeu que tudo o que ele fizera fora apenas para fazer com que o menino falasse a verdade! O castigo que ele dera ao garoto, na verdade estava mais para uma benção! Agora aquela criança teria um teto onde dormir e comida na mesa por um ano e um dia.

Lorde Edward estava mostrando-se um homem sábio e justo. Poupara aquele pobre inocente e ainda fizera com que todos acreditassem que na verdade, o estava castigando! Deveria ter confiado mais nele e em seu julgamento. Quando se deu conta, notou que seu marido estava vindo em sua direção, e lembrou-se das ordens claras que ele havia lhe dado antes de sair de seus aposentos.

-Lamento por tê-lo desobedecido, milorde... – Disse Bella enquanto baixava os olhos com vergonha de encará-lo – Mas tive que sair do quarto. Não podia ficar trancada enquanto uma pobre criança era julgada por um crime que supostamente cometeu contra mim. Tive que vir até aqui.

-Entendo, mas espero que você não torne a fazer isto novamente. – Repreendeu seu marido em um tom de voz que apenas ela podia ouvir – Você está em perigo, e deve ter mais cuidado com sua segurança. Há muitos curiosos aqui que apenas queriam ver o desfecho desse caso e não sabemos quem é ou não confiável. Quanto ao julgamento, lamento que tenha visto.

-Oh, de modo algum! – Exclamou Bella agora o encarando nos olhos – O senhor foi muito justo, e me alegro por ter visto este seu lado.

-Ainda assim não me orgulho disto. Tive que assustar uma pobre criança para obter uma confissão limpa. Agora a única coisa que quero é um prato quente e beber um pouco de vinho antes de dormir.

-Sim. Mas não antes de me deixar cuidar de sua mão. – Disse Bella enquanto o segurava pelo braço, e o levava para dentro do castelo, fazendo com que Edward risse de sua atenção.


Ufa... Por pouco o garotinho n perdia a mão :/

Eu não diria que a Bella é azarada. Eu diria que é sortuda, pq né, com um homem como o Edward pra salvar ela sempre... hahaha

Meninas, meus sinceros agradecimentos a Nanda, Marjorie, Ginny M. Wesasley P, Brennda Silva, Thesleen Urils, Jana Masen, Josiane Cardoso, Ina Clara, Milena, Adriana Paiva, JOKB e Talilima! Adoro saber a opinião de vcs, afinal, é para vcs que eu escrevo ^^

Bem, amanhã as coisas irão ficar quentes (no bom sentido agora! Não queremos mais ver fogo né? hahaha). Vcs n perdem por esperar.

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