N/A: Acho que nem preciso dizer, mas que fique claro: nenhum dos personagens dessa história pertence a mim, são todos fruto da imaginação tão brilhante de Rick Riordan. Na verdade uma delas é criação minha sim, a Barbie, mas ainda assim ela foi "criada" para representar uma das filhas de Afrodite que aparece em "O Último Olimpiano" sugerindo que monstros odeiam Givenchy, só o que fiz foi dar a ela um nome e uma personalidade.

Capítulo 01: Prólogo

Acampamento Meio-Sangue, junho de 2008.

Quintus, o novo professor de esgrima, conferia sua lista e designava cada um a sua nova dupla. Silena Beauregard esperava seu nome ser chamado com o mínimo de entusiasmo possível: ela ODIAVA esses joguinhos de batalha e a ideia de passar sua noite correndo atrás de escorpiões enlouquecidos não estava no seu Top 10 de "momentos divertidos", mas era obrigatório e ela tinha que dar um bom exemplo pros seus irmãos. Ou pelo menos QUERIA dar, como forma de compensar todas as besteiras que vinha fazendo – e que ninguém sabia que ela fazia.

Sua animação só saiu do nível negativo quando seu nome veio seguido do de "Charles Beckendorf". Assim que Quintus os chamou juntos ela viu um pequeno sorriso torto iluminando aquele rosto sempre tão sério. Ele olhou para ela e Silena retribuiu como sempre retribuía o olhar de garotos interessantes: deu uma piscadela e abriu um enorme sorriso. Ela não fazia de propósito, essa reação simplesmente saltava de seu do rosto antes que ela pudesse responder e geralmente causava um breve momento de paralisia no garoto em questão. A garota não podia culpá-los, tinha total noção do quanto era linda!

Ao fim da chamada foi andando na direção dele, novamente sorrindo. Ele parecia tímido e determinado, como sempre, e ela simplesmente adorava isso. Beckendorf, por sua vez, tinha plena noção da aproximação de Silena, mas permaneceu esperando onde estava, simplesmente não sabia como começar a conversar com ela. Esperou até o último segundo que a educação lhe permitiu e virou o rosto em sua direção. Deuses, como era bonita!

- Oi – falou, finalmente. (Como era difícil pronunciar qualquer palavra...)

- Oi! – O cumprimento da garota era muito mais espontâneo, alegre, despojado. Nem parecia que estava prestes a executar uma atividade que, até alguns minutos atrás, estava odiando profundamente. – Parece que você vai ter que se virar comigo. Por favor, tenta não ficar muuuito desapontado, ok?

- Desapontado? Por que eu estaria desa...

- Ah, por favor! Eu sei muito bem que não sou lá a melhor dupla pra se ter num momento desses, vai... Mas pode deixar que vou me esforçar pra ser uma companheira legal pra você. Ok?

- Hã... Ok... – Ele queria falar. Queria falar que ela era justamente a dupla que ele queria. Mas as palavras não saíam... – É. Vamos, ah, vamos...

- Pra floresta? Vamos!

Andavam pela floresta atentos a qualquer barulho que poderia vir de escorpiões gigantes – apesar de não saberem exatamente que tipo de barulho fazem escorpiões gigantes – mas além dos ouvidos apurados e os passos cuidadosos não assumiram nenhum outro tipo de medida a ser adotada em momentos como aquele. Silena já não era uma boa estrategista normalmente (mal sabia direito como "vigiar a retaguarda"), que dirá ao lado de um garoto do qual gostava, e Beckedorf, bem, naquele momento não estava com cabeça pra pensar naquilo. O perfume de grife que exalava da garota já era seu velho conhecido e estava perto demais pra ser verdade, mais inebriante do que nunca.

Os pensamentos deles foram interrompidos quando uma massa enorme saiu de trás de um arbusto a poucos metros deles revelando um dos escorpiões de Quintus. A tarefa era simples: matar o monstro e torcer para que o embrulho na sua cauda contivesse o prêmio que daria a eles a vitória, mas Silena não estava pronta para aquela aparição repentina e instintivamente deu alguns passos para trás silenciosamente. Só não contava que no seu caminho haveria um enorme galho de árvore: se pé tropeçou ali com força e ao cair pra trás deu um grito que chamou a atenção tanto de seu aliado quanto da presa.

Beckendorf se esqueceu do perigo por um momento ao ver Silena caída no chão, mas o barulho das presas indo em direção à garota o levou de volta à realidade em segundos. Desembainhou a espada e cortou a cabeça do monstro antes que ele pudesse chegar perto deles e, enquanto via o bicho se dissolvendo em cinzas, não conseguia acreditar na sorte de ter conseguido aquilo com um golpe só. Ele conhecia muito bem sua espada, tendo sido ele mesmo quem havia a forjado, mas um golpe daqueles era bom demais pra qualquer um. Ouviu então um gemido atrás de si e lembrou que deveria prestar socorro à sua companheira caída.

- Silena! Ai, caramba, você tá bem?

- Não... Acho que eu torci meu pé...

Ele ajudou-a a se sentar e então se sentou também, ao seu lado. Suando frio da cabeça aos pés aproximou as mãos das pernas dela e se pôs a examinar seu tornozelo.

- Bom, – disse o garoto – eu não sou nem um pouco bom nessa função de curandeiro, mas parece que está tudo certo. Assim que o jogo acabar Quíron ou um dos caras de Apolo podem tentar te ajudar. Quer ajuda pra ficar em pé?

Ele fez menção de se levantar, mas ela o segurou pelo braço:

- Nós não podemos ficar aqui um pouco, sentados? Só, só até eu melhorar um pouquinho de nada?

O local onde ela o segurava formigava, apesar da pouca força com que ela o apertava. Não tinha como dizer "não" para aquele olhar.

- Claro. Claro! – era só o que ele conseguia falar.

- Ótimo! - disse Silena, jogando sobre ele o sorriso mais brilhante que tinha. Por um momento nem pareceu que sentia dor alguma – Obrigada por não deixar aquele bicho me comer, inclusive. Eu falei que seria completamente inútil nessa missão, não falei?

- Você não foi inútil, Silena, foi pega de surpresa. Eu também fui. Na verdade minha cabeça estava completamente fora do jogo...

Ele queria dizer, queria dizer que estava pensando nela. Mas, mais uma vez, não conseguia.

- Eu também não estava prestando muita atenção, mas não é desculpa. Você não caiu que nem uma jaca e ficou com a perna estragada, né? Sinto muito mesmo.

- Não precisa "sentir muito". Só estou aliviado que você tá bem. Quer dizer, em partes... Fiquei preocupado.

- Sério? Você ficou preocupado comigo? As pessoas não têm o costume de se preocupar comigo...

Ela disse aquilo com uma pontada de amargura na voz. Na verdade a última frase saiu sem querer, mas intimamente ela sabia que "as pessoas" das quais se referia tinham nomes. Seus pais – tanto a parte humana quanto a divina – e Luke estavam no topo daquela lista.

- Todo mundo se preocupa com você, Silena. Todos nós nos preocupamos um com os outros aqui! E, bem... – Beckendorf respirou fundo para tomar coragem – Eu me preocupo bastante com você, em especial. De verdade.

Eles se olharam por um momento. Poderiam ter sido segundos, minutos ou horas, mas mantiveram o olhar um do outro. Silena começou a sorrir e já ia dizer alguma coisa quando ouviram gritos diversos vindo de algum ponto da floresta, seguidos de um urro de vitória.

- Bom... – disse Silena, odiando completamente aquela interrupção – parece que alguém achou o monstro certo. Ou então os escorpiões aprenderam a falar.

Beckendorf se levantou e a ajudou a fazer o mesmo. Só então se lembrou do pacote que havia ficado pra trás quando cortou a cabeça do escorpião fora. Ainda segurando Silena com uma das mãos, o tirou do chão e percebeu que estava vazio. Sem vitória pra eles, então.

Foram andando pela floresta, Silena apoiada pelo garoto. Trocaram poucas palavras no trajeto e ao chegarem ao local onde as duplas tinham sido designadas viram Clarisse La Rue e Lee Fletcher celebrando sua vitória com coroas de louros na cabeça. Quase todos estavam ali, observando os chalés de Ares e Apolo levantando os dois nos ombros. Se juntaram ao grupo e Silena percebeu que ele ainda estava com o braço em volta de sua cintura. Ela então apoiou a cabeça em seu braço, uma vez que não alcançava o ombro, e ficaram ali, naquele pequeno momento que para qualquer outro não significaria nada, mas que parecia ser um começo para os dois.

Não tardou muito foi notava a falta de Percy Jackson e Annabeth Chase (que Silena achava que formavam um casal perfeito, por sinal, e não via a hora de juntá-los) e todos rumaram para a floresta para encontrar a dupla perdida. Beckendorf ia se juntando ao grupo quando Silena o puxou para perto de si.

- Obrigada por hoje, Charlie. Eu não queria fazer parte desse jogo, mas no final gostei muito. Acho que nós formamos uma boa dupla!

O cérebro de Beckendorf foi a mil por hora. Ela havia o chamado de Charlie, enquanto todos ali apenas se referiam a ele pelo sobrenome e nem mesmo sua mãe, que sempre o chamava de "Charles", jamais o dera apelidos. Ela havia gostado muito daquela pequena missão, mas nada de realmente emocionante havia acontecido com eles. "Formamos uma boa dupla"... Por que aquela palavra final soava para ele mais como "casal" do que qualquer outra coisa? Aquilo estava mesmo acontecendo ou eram seus sentimentos o enganando? O que deveria dizer num momento daqueles?

Silena, porém, sabia que ele não falaria nada. Se apoiou em seu ombro e conseguiu dar um beijo em sua bochecha. Enquanto o garoto a olhava ainda anestesiado com suas palavras e aquela atitude inusitada, ela piscou para ele novamente e foi mancando em direção à floresta para achar os amigos desaparecidos, torcendo para pegá-los no flagra em meio a um beijo apaixonado ou algo parecido.