i. hamal (alpha arietis)

#toda combustão acompanhada de desenvolvimento de luz, calor e, geralmente, de chamas.
#abril de 2004
#in the beginning when we were winning when our smiles were genuine

existe aquele instante em que Mello e Serena apenas se encaram. os olhos se refletem - azul céu e chocolate ao leite. existe algo bonito nisso, Serena pensa. ela pensa em quando chegou a Wammy's House, no meio de abril, e quando viu Mello pela primeira vez. ele nem lhe parecera minimamente importante ou interessante; afinal, o único foco dela era tentar arranjar uma forma de fugir de lá.

(ele a seguiu naquela primeira noite - ele só tinha sete anos, como ela, como poderia ter imaginado que ela fugiria? depois Serena pensou que ele só devia ter escutado o barulho. ela era silenciosa, mas não tão cuidadosa quanto seria tempos depois)

algo bonito - Mello gostava de chocolates e ela gostava de observar o céu enquanto arquitetava planos de fuga. quase riu ali, mas deu um mero sorriso, porque era difícil rir enquanto o beijava.

com a boca de Mello sobre a sua, Serena pensava em como ele era quente. não de um jeito erótico nem nada do gênero, ele sempre fora assim. desde criança. sempre que eles se encostavam ela tomava um susto - era como se Mello fosse inteiramente feito de energia e toda aquela energia acabasse sendo demais para ficar só no plano das ideias. como se só o cérebro de Mello não suportasse todo aquele calor, então tivesse que deixar a pele dele quente e o rosto avermelhado e os olhos em constante movimento.

Mello segura a cabeça dela com força, e Serena pensa que não poderia ser diferente. que todo aquela energia um dia queimaria e ela acabaria sendo invariavelmente tocada - lá estava a prova. ela e Matt, os mais próximos do incêndio ambulante que era Mello.

era quase engraçado - ele era todo ímpeto e ela também, como não acabariam explodindo juntos? Serena quase desejava que realmente explodissem juntos, não que simplesmente acabasse queimada. assim doeria menos.

mas naquele momento, só havia espaço para a ferocidade de Mello, e boca e dentes. Serena de novo quase riu, pensando em como ele era quase infantil. quase infantil, com aqueles rompantes de raiva e de alegria; como cada sentimento de Mello era facilmente visto no seu rosto - com Mello não havia disfarces; ele era a pessoa mais verdadeira que ela conhecia.

ele para de beijá-la e eles se encaram de novo. os olhos de Mello brilham no escuro, e Serena só consegue pensar que são duas chamas na noite. ele e os olhos dele. ele e ela, também.


N/A: AHÁ. Quem sacou a vibe sacou, quem não sacou depois pergunta porque eu sei que só gente amiga vai ler essa fanfic mesmo (aquelas). Breves explicações: a Serena é personagem da Lady Murder (que eu me apropriei brevemente); o primeiro # tem um dos significados da palavra "fogo" do dicionário michaelis; e o terceiro, um trecho da música the everlasting, do maniac street preachers (obrigada, ezra! - que não vai ler isso, mas anyway). acho que errei a mão de leve com a Serena (ou não). Ah, sim. A fic pode ou não ser cronológica (só quem em uma ordem aleatória - digo, pode ou não ser, depende mais de quem lê etc). Mais alguma coisa que você quer dizer para ninguém em particular, senhorita Abracadabra? ah, sim. eu curto signos.

Desafio dos 15 brigadeiros - bloco Raio - tema Fogo.
Desafio dos 465 com Lady Murder.