Capítulo 1: Reencontro

"Acho que é aqui..."

A garota de cabelos castanhos e olhos amendoados passava pelos corredores da nova universidade e tentava encontrar seu quarto, questionando se estava no prédio correto. Não era apenas uma universidade, mas sim Harvard, e nada menos do que Direito era a carreira que ela tinha escolhido para a sua vida. Afinal, o pai sendo do exército e a mãe, apesar de falecida, tendo sempre apoiado sua genialidade nas escolhas dos mais diversos livros quando criança, só poderiam apoiar. Seu coração havia ficado a mil quando soube da aprovação e, em poucas semanas, conseguiu ajeitar tudo o que precisava para se mudar. Não foi difícil afastar-se do pai porque ele já passava bastante tempo viajando, mas não queria dizer que seria fácil, não só pela distância de casa, como também pelo estudo em si. Harvard. Quem diria.

Mal havia encontrado seu quarto quando trombou com um rapaz e quase que a mochila se esparramou pelo chão.

- Ah! Me desculpe, eu estava... Distraída. - A voz foi mais lenta ao fitar o rapaz. Não era possível que logo ali reencontraria alguém tão precioso: seu melhor amigo de infância. - Alex?

- Meu Deus... Helena! - O garoto, também de cabelos castanhos e olhos de mesma cor, esqueceu-se completamente da mochila para apertá-la em um abraço saudoso e por anos guardado para tal reencontro. - Não acredito! O que faz aqui?!

- Eu que pergunto! Você está gigante e... Nossa, faz quanto tempo?

- Uns 10 anos, para mais. - Ele sorria animado e gentil para ela, bagunçando seus cabelos em seguida. Sempre foi um garoto bastante animado, brincalhão e de bem com a vida, e mesmo a vida adulta não tinha tirado isso dele. E ela, também gentil e cheia de risos, continuava a mesma. - Então, Direito?

- É, pois é. Mas e você? Eu jurava que iria seguir os passos dos seus pais.

- Eles também juravam, até eu vir com essa ideia dois anos atrás. Não imagina como que a mamãe ficou quando soube. - Ele respondeu aos risos, finalmente ajudando-a com a mochila.

Seus pais eram ninguém menos que Layla Hamilton e Yuri Killian, ex-estrelas do Kaleido Star que desde muito tempo já dividiam o circo como diretores. Kalos abandonara o posto das decisões para ficar apenas como o maior acionista - apesar de ainda sempre dar suas sugestões aos seus "aprendizes" de 30 e poucos anos -, e Layla também havia criado uma escola para treinos particulares a atletas promissores que desejavam um futuro no grandioso Kaleido. A essa altura, o circo tinha conseguido se fixar em um dos melhores do mundo, especialmente no quesito não-itinerante: era impressionante como conseguiam lotar os assentos em todas as novas temporadas, especialmente no verão. Alex, o filho mais velho, acompanhou todo esse processo desde pequeno, mas por algum motivo cósmico não sentiu que deveria seguir esses passos. Apesar disso, considerou seriamente fazer uma faculdade de administração para poder ajudá-los, mas o Direito lhe falou mais alto.

- E o que te fez escolher Direito, Lena? Ah, desculpe, ainda posso te chamar assim?

- Claro que pode! - Ela lhe abria de novo o sorriso contagiante, enquanto ainda procurava pelo seu quarto. - Eu tive alguns problemas no passado que me fizeram pensar sobre... E eu sempre gostei de ler, gosto da ideia de ajudar pessoas e também das leis em si. Nem via o tempo passar enquanto estudava para entrar aqui, sabia?

- É? Que bom, porque eu sofri um pouco - Ele riu. Também tinha um riso gostoso e divertido e ela logo se (re)encantava com ele. Pois sim, o coração da garota, desde pequena, já tinha um espaço especial para ele, e aquele reencontro despertou o que havia sido tão bem guardado e cuidado na memória. Eram muito pequenos para terem sequer pensado em se relacionar, mas agora, por encontrá-lo, sabia o quanto tinha gostado dele naquela época e, pelo visto, não havia deixado de. Ele logo a ajudou a encontrar o seu quarto e ela anotou no mapa dos dormitórios onde que ficava para não se perder mais.

- Foi fácil com a sua ajuda, obrigada. E onde você está?

- De nada. Estou no mesmo prédio que você, mas no corredor de lá. Aqui, ó. - Ele puxou uma caneta de outra cor e fez um pequeno circulo ao redor do dormitório que representava o dele. - Quando quiser, é só chamar. E espero que sua companheira de quarto seja mais cheirosa que o meu.

- hahahaha eu também espero!

- Nos vemos, então, Lena.

- Até, Lex. - Ela lhe sorriu de novo e sorriu ainda mais ao ver que ele deixou também anotado o seu celular. Ele definitivamente não havia mudado nada: ainda sabia surpreendê-la o tempo todo.

Em poucos dias, Helena quase enlouqueceu com o volume de livros para ler e trabalhos para fazer, mas felizmente sua colega de quarto era bastante dedicada, organizada e a ajudou bastante a se encontrar - e, ainda bem, não era fedida. Ficou contente em saber que Alex estava na mesma turma que ela e, com o passar dos dias, arranjaram bons amigos e montaram um grupo de trabalho e de estudos. Os primeiros meses seriam bastante complicados para se adaptarem à enxurrada de estudos, mas juntos dariam um jeito de se organizar.

Foi como se jamais tivessem se separado: um complementava a ideia do outro, suas conversas não tinham fim e a admiração também não. As escapadas à noite para poderem se divertir um pouco nos clubes da universidade foram se tornando frequentes, até ambos tomarem a iniciativa de darem o primeiro beijo. Foi como completar um ciclo, momentaneamente interrompido por infelicidades da vida, e agora graciosamente retomado. Enquanto todos os outros tentavam encontrar uma real razão para estarem ali, eles ao menos haviam encontrado alguma. Em pouco tempo já se tornaram namorados, e foi como se sempre tivessem sido, tão natural que foi a junção.

- Amor... Eu estava pensando numa coisa.

- Lex, você sempre faz isso. - Ela lhe sorriu, pausando a leitura com o lápis sobre a palavra a qual havia sido interrompida. - É só termos de ficar em silêncio, lendo coisas diferentes, que você começa a divagar.

- E você sempre me escuta, será que daqui 50 anos vai ser assim, ou eu vou levar uns tapas? - Ele brincou de volta e beijou seus cabelos. - Eu só fico me perguntando por que você não foi para o Kaleido, sabe. Você gostava tanto...

- Gosto, ainda. mas, sei lá, os estudos me pareceram uma ideia melhor. Eu vivia treinando no tempo livre, na verdade. Treinei até entrar aqui.

- Oh, mesmo? A mamãe vai ficar feliz em saber. Você tinha talento, ainda deve ter.

- É? Ela acha? - Helena sorria toda admirada. É claro que era fã dos pais dele, e principalmente de Sora Naegino, também ex-estrela do Kaleido Star e atual professora de algumas matérias por lá. Na verdade, ainda atuava de vez em quando, mas em papéis muito específicos e não principais - ainda que, graças ao brilho que sempre teve, suas performances sempre trouxessem um quê espetacular a qualquer peça que participasse. Helena admirava o circo desde que se conhecia por gente, e sempre que pôde, aprendeu alguma coisa a respeito das técnicas. - Na verdade... Acho que depois que a mamãe faleceu, eu perdi um pouco a vontade... Ela era a mais empolgada...

- Hm... Pode ser, mas... Acho que vale a pena tentar o próximo teste. - Ele lhe sorriu e ela ficou sem entender.

- Como assim?

- O próximo teste é nas nossas férias daqui, amor. Na verdade, eu ia te convidar a passar as férias por lá de todo jeito e, se quisesse, poderia tentar.

- Tentar... Entrar no Kaleido? Mas é tão difícil quanto Harvard!

- Ora, você já entrou em Harvard, não é? - Ele sorria. - Se quiser, te ajudo a treinar até lá nas horas vagas. Eu posso não ser muito bom fazendo, mas já olhei meus pais fazendo tantas vezes, e tantas vezes corrigindo os outros, que devo conseguir ajudar.

- Mesmo? Acha mesmo? - Helena respondia mais empolgada. - Eu... Eu não sei, teria que pensar... Afinal, eu me dediquei tanto para entrar aqui, né?

- Ah, isso sim, mas tem tempo até lá. - Ele a puxou de leve para si para afagar seus cabelos enquanto caminhavam até o quarto dele. A essa altura, revezavam quem ficava no quarto de quem todos os dias, sem que os monitores soubessem. - Mas, independentemente disso, iria passar as férias comigo?

- Claro! Ainda não tenho muitas notícias do papai... Não tem previsão dele voltar ainda... Então não teria por que voltar para casa. Iria ficar por aqui mesmo.

- Que bom, então. A mamãe vai adorar te rever, viu como ela ficou feliz no telefone quando ligamos?

- Haha é, quem diria... Eu que sou fã e ela é que fica feliz em saber de mim!

- Nossa, falando nela. - Sorriu, puxando o celular para atender à mãe. Infelizmente, ela não estava como ele achou que ela estaria. - Oi mã! Ligou em uma boa hora.

- Filho, desculpe, não é boa hora. De forma alguma. - Ela parecia aflita.

- Que houve, mã'?

- Laura, ela... Ela ligou para você esses dias? Sabe de algo?

- O que eu deveria saber...? Onde ela está?

- Esse é o problema... Nós achamos que ela fugiu.

- O quê?!


Nota da autora: TCHARAN! Missed me? haha que nada, eu vivo por aqui, apesar do delay nas publicações :P eis aqui o meu presente especial à minha leitora mais fiel, conhecida como Lauren Strada: THE FUTURE, HONEY! Eu resolvi começar a escrever a história dos filhos de Layla, Yuri e companhia para que não aconteça o que me aconteceu com a fic anterior: históricos quilométricos para ler, ou então incompletos. Há coisas que jamais irei recuperar daquela época para poder reescrever de forma decente a vocês e por isso terei de reinventar, sendo que gostaria de manter a fidelidade do passado. Então, para que isso não aconteça agora (porque faz um pouco mais de um ano que comecei essa história do futuro com a minha onee-linda-chan Luiza Boragina), começo desde já a escrever.

Só há um problema: essa história, eu ainda não sei se vai ter fim. Pode ser que depois de um determinado ponto, não haja mais o que escrever e aí eu simplesmente pare de atualizar capítulos (mas calma, eu avisarei se isso for acontecer xD), ou então pare por um bom tempo e retome quando tiver algum conteúdo. Ou simplesmente termine a fic, quem sabe? O que eu sei é que é muita informação nova que eu não quero misturar com a velha e muito menos perder, portanto, aí está :D espero que gostem (e me dêem reviews, eu amo reviews, mais que doce!)