Capítulo 11 – Quer Saber

Draco retornou àquela noite para a sonserina, cheio de pensamentos. Fazia tempo que ele queria o grifinório, mas ele soube esperar até que fosse uma boa hora para o garoto também. Ele tinha ficado extremamente feliz (e bastante excitado) de ver a cama na Sala Precisa. Mas o sexo o tinha surpreendido muito. Ele nunca tinha sido tomado de uma necessidade tão grande de fazer com que a outra pessoa sentisse prazer, ele tinha encarado a entrega de Harry, quando o garoto disse que confiava ele, quase que como um presente.

Depois, quando Harry o tomou para si, ele tinha se sentido absolutamente preenchido e completo. Nunca tinha sido assim, com homem algum. Não que Draco já tivesse se relacionado com uma multidão de garotos, mas tivera parceiros sexuais o suficiente para a intensidade desse momento com Harry o assustar. Claro que ele sabia que tinha sentimentos fortes pelo grifinório, afinal, não tinha sido sempre assim?

No entanto, o assustava pensar o quão forte eram esses sentimentos. Será que ele e Harry eram juntos tão maior do que um namoro de colégio? Será que ele amava Potter? Draco tinha medo do amor. Tinha sido ensinado a ele que o amor era uma fraqueza. O amor fazia com que as pessoas se arriscassem, uma emoção tão forte podia deixar nublado a coerência e o raciocínio de alguém. Foi com esse pensamento que o sonserino dormiu.

Na manhã seguinte, Draco acordou cedo e se arrumou no banheiro comum, deixando o salão comunal da sonserina, enquanto todos ainda estavam despertando e se vestindo. Ele comeu rapidamente seu café da manhã na mesa da sonserina quase vazia, a não sei por alguns poucos colegas de casa que tinham acordado mais cedo. Enquanto comia, ele viu Hary chegar com Granger e os dois ocuparam um lugar na mesa da Grifinória. Quando acabou, Draco levantou-se antes que mais colegas chegassem e se encostou na porta do Grande Salão. Alguns minutos depois, Harry e Granger também levantaram e vieram em sua direção.

- Bom dia, Malfoy. – Granger cumprimentou.

- Bom dia. – ele respondeu educadamente.

- Por que acordou tão cedo? – Harry quis saber. – Nós temos o primeiro tempo livre hoje de manhã.

- Perdi o sono. – Draco respondeu, brevemente. – Não está faltando um membro do Trio de Ouro da Grifinória? Achei que vocês não andassem por aí separados.

- Rony ficou dormindo. – Disse Granger, parecendo muito irritada. – Eu falei que deveríamos aproveitar esse tempo livre para estudar, mas parece que ele acha que os NIEMs serão como um teste qualquer. Quer dizer, se chama Níveis INCRIVELMENTE EXAUSTIVOS em Magia por algum motivo, não?

Draco viu Harry ignorar sabiamente o rompante da amiga a respeito do Weasley e ficou feliz em seguir o seu exemplo.

- Quer ir conosco para a biblioteca? – Harry convidou.

- Não, não estou muito no clima para estudar. – Draco recusou. – Vão vocês.

Granger já se virava para seguir o caminho da Biblioteca.

- Vai indo na frente, Mione, já encontro você. – Harry disse a amiga, que assentiu, e os dois garotos a observaram se afastar.

Quando estavam sozinhos, Harry perguntou:

- Você está bem?

Draco se surpreendeu, ele sempre foi bastante inexpressivo quanto às suas emoções. O sonserino não estava exatamente bem, embora também não estivesse triste ou chateado. Ele apenas estava confuso e apavorado quanto a verdadeira intensidade de seus sentimentos em relação ao grifinório.

O seu olhar

Cruzou meu olhar

Me mandou os seus sinais

Te quero mais

- Não sei ao certo, falamos disso outra hora. – Draco foi sincero. Ele observou o Grande Salão que já começava a encher.

- Tudo bem, podíamos nos encontrar mais tarde, na Sala Precisa. – o grifinório sugeriu.

- Duas noites seguidas? – Draco perguntou, surpreso. Harry nunca tinha sugerido aquilo antes.

- Ao menos que você esteja muito cansado. – Harry jogou as palavras no ar de um jeito provocante, usando propositalmente a mesma frase que Draco tinha usado na noite anterior para sugerir sexo.

- Já está viciado? – Draco abriu seu sorriso mal intencionado, aproximando-se do grifinório, tocando sua cintura.

- De maneira alguma. – Harry riu e sussurrou em seu ouvido. – Apenas tive a impressão que você ainda não tinha me dado a exata dimensão do quão gostoso você é.

O corpo de Draco apertou um pouco o de Harry na parede. O sonserino não sabia de onde tinha vindo toda essa desinibição do outro, mas estava adorando. Aquelas frases saindo da boca de Harry eram como fogo em sua excitação.

- No que diz respeito a isso, ainda tenho muito a te mostrar. – Draco confirmou, sussurrando de volta. – Mas, me diga, você não está um pouco dolorido?

Harry encostou os lábios na orelha da Draco, fazendo-o arrepiar por completo.

- Não o suficiente. – ele disse.

E então saiu andando na direção da biblioteca, deixando Draco parado olhando para sua figura de costas, níveis altíssimos de excitação percorrendo seu corpo e ele sem ter como disfarçar.

Sou um rio em seu desvio

Tento em ti me percorrer

E quer saber?

Tanto faz

- / -

Draco deixou o salão comunal da sonserina no horário que tinham combinado. O sonserino já estava muito excitado, toda aquela provocação de Harry na hora do café da manhã tinha atormentado o loiro o dia todo. Quando Harry o cobriu com a capa da invisibilidade, Draco o abraçou por trás no corredor mesmo, fazendo com que o outro sentisse sua excitação.

- Draco... – Harry sussurrou baixo e hesitante.

O louro nada respondeu e os dois seguiram brevemente até a sala precisa. Assim que entraram, Harry encarou Draco:

- Você quer conversar sobre...? – o sonserino entendeu que o outro estava querendo saber o que tinha deixado Draco estranho pela manhã. Mas não era hora pra isso.

Draco calou Harry com um beijo intenso e erótico, sua ereção apertada na calça do uniforme escolar, roçando no corpo do moreno. Arrancou sua própria roupa com uma velocidade impressionante e o grifinório, entrando no clima, o seguiu com igual rapidez. Os dois se encararam nus, os olhos de Draco estavam febris de desejo. Ele queria Harry Potter desesperadamente. Draco empurrou o corpo do grifinório contra a parede, de costas pra si. Começou a beijar o seu pescoço e nuca com paixão, sentindo a pele de Harry arrepiar; enquanto esfregava seu corpo nas costas e nádegas do moreno.

- Você me deixou excitado o dia todo. – o sonserino falou, próximo ao ouvido do outro. – Agora é minha vez de enlouquecer você, Harry Potter.

O sonserino sentiu o outro estremecer com aquela promessa. Draco seguiu beijando o corpo de Harry, descendo um lento caminho através das costas do grifinório. Quando o loiro ajoelhou no chão, ele fez com que o outro ficasse na posição que ele desejava. Puxou o quadril de Harry para trás, fazendo com que ele apoiasse apenas os braços na parede. Ele trouxe delicadamente uma das pernas do grifinório mais para a esquerda, fazendo com que Harry mantivesse as pernas mais abertas.

Draco admirou o corpo nu do moreno, sentindo-o totalmente entregue. Harry ofegava, completamente excitado. E então, o sonserino fez o que sabia que o outro jamais imaginaria, aproximou seu rosto das nádegas e Harry e o beijou ali, naquela zona tão erógena. O grifinório gritou ao sentir a língua de Draco movimentar-se, inundando-o da mais lasciva e libidinosa sensação que ambos já tinham experimentado. O grito de luxúria de Harry tinha sido uma injeção de excitação em seu corpo. O sonserino se demorou naqueles carinhos por vários minutos, sentindo o corpo de Harry tremer de prazer.

- Ah, Draco. – o grifinório gemia incoerentemente. – Isso é... Ah... Merlin... Draco.

Quando Draco se levantou do chão, disse próximo ao ouvido do outro:

- Você jamais será capaz de gemer outro nome.

O sonserino introduziu dois dedos umedecidos pelo óleo lubrificante no interior do grifinório. Seus dedos se movimentaram durante algum tempo no interior do outro, abrindo passagem pro que viria a seguir. Draco estranhou a sensação de posse que tomou conta do seu ser. Harry era seu, aqueles gemidos eram seus. Só ele veria o grifinório se contorcer e gritar de prazer daquela forma. E com esse pensamento, deixou-se enterrar-se com lentidão no grifinório, sentindo cada centímetro do outro apertando-o.

Por dentro de ti me tranquei

Vem me soltar

Ou venha me prender de vez

Você é uma ilha, minha armadilha

Tudo em volta é só seu

Harry Potter gritou novamente, quando o sonserino estava completo dentro dele, preenchendo-o. Draco viu o grifinório abrir mais as pernas e trazer o quadril mais pra trás, oferecendo-se e entregando-se pra ele. A visão do grifinório daquela forma, desejando-o dentro dele, o enlouquecia. Ele queria ouvir Harry Potter implorar, sem aguentar de tanto prazer, de tanta necessidade. Assim, começou a movimentar-se com uma lentidão exagerada. Logo começou a sentir Harry movimentar-se e jogar seu corpo contra ele. Draco segurou o quadril do outro, para o impedir.

- Draco, por favor. – Harry implorou.

- O que você quer, Harry? – ele queria ouvir o garoto dizer.

- Draco... – o grifinório gemeu.

- Eu quero ouvir você pedir. – o loiro instigou. – Do que você precisa?

- Eu preciso sentir você me fodendo com força. – Harry implorou, completamente entregue.

Draco sentiu seu próprio corpo estremecer ao ouvir aquilo, jamais na vida o sonserino tinha estado tão excitado. Ele abraçou Harry pela cintura e se jogou pra dentro dele com força. Draco fazia movimentos fortes, rápidos e ritmados; fazendo Harry gemer novamente o seu nome. O sonserino se sentia dando tudo que tinha, entrando e saindo do corpo de Harry do modo mais intenso que conseguia.

O grifinório parecia enlouquecido, Draco sentiu todo o corpo de Harry tremer e perder as forças, enquanto gozava violentamente, sem que sua ereção tivesse sido ao menos tocada. Draco precisou sustentar o corpo do outro para mantê-lo de pé. Ao ver o grifinório gozar daquele jeito, estimulado apenas pelos movimentos do loiro no interior de seu corpo, Draco foi tomado pelo mais intenso orgasmo que já sentira na vida.

Os dois pareciam estar fraquejando após aquele prazer tão avassalador, por isso Draco puxou Harry pra cama e os dois se deitaram lado a lado, esperando o corpo voltar a um estado de normalidade. Depois de alguns minutos, quando os garotos já conseguiam fazer algum movimento além de respirar ofegantemente, Draco deitou-se de lado, virado para Harry. O grifinório, por sua vez, virou-se também e puxou Draco Malfoy para um beijo febril.

- Eu preciso provocar você mais vezes. – Harry sorriu e abraçou o sonserino. – Eu nem imaginava que era possível um orgasmo assim, sem nem ao menos você me tocar.

- Nunca aconteceu comigo. – loiro ponderou. – Você devia estar sentindo muito prazer.

- Muito. – Harry confirmou, envolvendo o outro em seus braços.

Draco se deixou abraçar pelo outro, sentindo-se completamente feliz pela confirmação desnecessária do evidente prazer que causara ao grifinório. Tinha sido realmente um momento extremamente intenso, tão intenso que passou pela mente do sonserino que ele podia ter machucado o outro.

- Eu não machuquei você? – Draco questionou.

- Não. – ele assegurou. – Na hora tudo o que eu queria era...

Draco viu o outro hesitar.

- Diga... Por favor. – o sonserino pediu. – Me excita muito quando você diz.

- Na hora tudo o que eu queria era sentir você mais forte e mais fundo dentro de mim. – Harry murmurou.

Draco sentiu todo o seu corpo arrepiar, ele adorava ouvir a voz de Harry lhe dizendo aquelas coisas. Aquele garoto meio tímido e bastante inexperiente, entregando-se totalmente ao sentimento de luxúria que o loiro proporcionava. Ele se lembrou de Harry gemendo o seu nome incoerentemente, pedindo por ele, e então sentiu a excitação voltar a tomar seu corpo.

- Você me enlouqueceu. – Draco murmurou de volta. – O jeito como gritava meu nome.

Ele viu Harry sorrir.

- Você tem toda a razão. – o garoto apontou.

- Sobre o que? – o sonserino questionou.

- Eu nunca mais serei capaz de gemer o nome de ninguém. – ele disse baixo, visivelmente tentando deixar de lado a inibição.

A fala do grifinório fez com que Draco se lembrasse do sentimento que tivera na hora. Ele tinha desejado, no calor do momento, que todo o prazer do grifinório apenas pra ele. O sonserino nunca havia sido tão sensível e possessivo quanto aos seus parceiros sexuais. Mas Harry era muito mais do que isso, Harry tinha mudado tudo nele e despertado os mais estranhas e avassaladoras emoções.

- Eu jamais suportaria que você estivesse assim com outra pessoa. – ele fez força para expressar seus sentimentos, que normalmente tentava inibir. – Eu quero que todo o seu prazer seja meu.

Onde estou eu?

Me olhou assim

Mudou tudo em mim

O amor enfim aconteceu

Me acendeu

Tanto faz

Ele viu Harry arregalar um pouco os olhos.

- Eu também quero isso. – o olhar do grifinório era doce e urgente. – Eu quero que você seja meu, para sempre.

Para sempre. Aquela expressão latejou um pouco na cabeça de Draco. Quando foi, ele se tentava lembrar, que aqueles dois inimigos acabaram ali, jurando eternidade? A felicidade que Draco sentiu quando ouviu aquela frase confirmou a si próprio que o que ele mais queria e ansiava era a confirmação de que o grifinório queria estar com ele para sempre. Aquilo significava muito, significava dividir a vida com a outra pessoa, significava estar do seu lado para o que der e vier, significava amor. A palavra amor o inundou, ele nunca achou que a pronunciaria, quando deu por si já entreabria os lábios, mirando os lindos olhos verdes do Menino-Que-Sobreviveu.

- Eu amo você. – o loiro soltou, de uma vez. Depois horrorizou-se. Como um sonserino e um Malfoy, tudo nele gritava dizendo que ele nunca deveria dizer aquelas três palavras juntas. Mas ele não podia se segurar, finalmente tinha entendido a evidente e arrasadora verdade do que sentia por Harry. – Ontem, e agora hoje, foi diferente de tudo que eu já experimentei. Era isso que me preocupava de manhã.

Harry abriu os lábios, encarando firmemente os olhos azuis do outro. O olhar permitiu que o sonserino soubesse que o grifinório compreendia totalmente seus receios.

- Não tenha medo de me amar, Draco. – ele disse, os olhos brilhando. - Eu também amo você.

O que foi passado, é ontem

O que importa, é o agora

Pra ser eterno

Tem que esquecer do amanhã

Tem que fechar os olhos

Tem que morrer

E renascer depois

Tem que ser a dois

E eu estarei aqui

Pra te fazer feliz

Te ver sorrir

FIM