Therese entrou apressadamente no Oak Room, o restaurante onde Carol estaria às 21 horas. Procurou desesperadamente os cabelos dourados da sua amada. Olhava ao seu redor, observava cada mesa e cada divisão. Seu coração batia fortemente e ansioso. "Raios!", pensou Therese. Será que estava no restaurante certo? O seu atraso foi tão grande que perdeu a oportunidade de dizer tudo o que sentia? Diversos pensamentos invadiam a mente da moça e todos eles eram negativos. O pânico começou a invadir o corpo de Therese e as suas pernas não se moviam. Belivet olhou para o relógio que estava pendurado na parede esquerda do restaurante e os ponteiros marcavam 21:45 horas. Um breve alívio apoderou seu coração e Therese caminhou pela sala com os olhos carregados de desejo e quando o medo estava a tomar posse do seu olhar um belo veslumbre foi avistado.

Lá estava ela! Bela como na primeira vez em que se encontraram. Carol estava rindo, provavelmente de uma piada, seus gestos suaves e o seu sorriso faziam a jovem mulher desejar cada vez mais estar presente naquele convívio. Belivet caminhou lentamente em direção à mesa onde se encontrava o grupo, sempre olhando fixamente para a dona do seu coração. Sentia medo, desejo, alegria e receio, mas o seu corpo automaticamente se movia sempre em frente.

Enquanto conversava, Carol sentiu a necessidade de desviar o olhar dos seus acompanhantes e viu algo que lhe aqueceu a alma. Nunca antes esteve tão agradecida por confiar em seus instintos. Olhou com admiração e felicidade para a moça. Seu corpo envolveu-se num misto de sentimentos que faziam Carol desejar saltar da cadeira e beijar Therese. Os seus olhares cruzaram-se ferozmente e através do olhar ambas sabiam o que queriam.

- Desculpe, vai desejar algo? – perguntou o empregado observando a moça que já permanecia de pé durante algum tempo.

Os olhares cortaram-se e desviaram-se para o empregado numa rapidez espontânea.

- Eu… eu… apenas estava… - Therese não sabia o que responder. Ela não podia dizer que estava ali parada a ganhar coragem para expressar os seus sentimentos pela mulher que ama, pois não?

- Ela está connosco. Pode trazer uma cadeira, um prato e talheres, se faz favor? – a voz de Carol fez o coração de Belivet acalmar, mas ao mesmo tempo ficava ansioso por saber o que iria acontecer.

O empregado acenou afirmativamente com a cabeça e encarregou-se do pedido enquando a moça se derigia para a mesa onde a mulher mais velha se encontrava.

- Eu convidei Miss Belivet para se juntar a nós. Espero que não se importem. Therese, esses são Miss Wright, Mr Brown e Mr Turner.

Therese cumprimentou-os com um aperto de mão e de seguida sentou-se ao lado de Carol. Ambas fixaram o olhar com um sorriso doce por um breve momento.

- Deves estar esfomeada! – argumentou Carol segurando num gesto meigo a mão de Therese.

- Não, eu estou bem. Apenas quero um whisky com gelo.

O empregado sorriu e dirigiu-se ao bar para ir burcar o pedido. Carol olhou para a moça intrigada com o solicitado. Mas compreendia totalmente a necessidade de uma bebida forte, pois se a sua amada estivesse a sentir o mesmo que a sua alma sentia, iriam ser precisas várias bebias para acalmar.

A conversa alongou-se por alguns minutos e discutiam opiniões sobre madeira de cor escura ou madeira de cor clara, diversas decorações e estratégias para aumentar as vendas de imóveis. Belivet não percebia muito bem do assunto nem tinha nenhum interesse em participar no diálogo, apenas admirava a presença de Carol e saboreava o cheiro do seu perfume.

- Qual é a sua opinião, Miss Belivet? – perguntou Mr Brown, curioso por saber o que a mente de uma mulher silenciosa pensava.

Therese estava completamente distraída, nem sabia qual era o tópico da conversa. Deu um pequeno gole no seu copo de whisky e respondeu com toda a sinceridade:

- Quando estamos com dúvidas sobre algo devemos sempre seguir o exemplo de quem tem talento e sabe o que faz. Acredito sinceramente que Miss Aird tem um dom para a decoração de interiores e acho que a sua opinião deve ser previligiada.

Após dizer os elogios o medo penetrou o coração de Therese. Será que perceberam os seus sentimentos por Carol? Será que Carol iria entrar em pânico e nunca mais se iriam encontrar? "Que idiota! É claro que desconfiaram de alguma coisa! Que burra!", pensando em tudo o que poderia acontecer a moça permanecia tranquila enquando o seu interior explodia de nervosismo.

- Bem, parece que as mulheres venceram – gritou Miss Wright de alegria por o poder feminino ter vencido o debate.

Belivet nunca sentiu um alívio tão grande por ter sido interrompida de algo. Olhou para a sua amada, mas esta apenas soltava gargalhadas juntamente com sua amiga desviando o olhar da jovem.

O jantar terminou, as damas e os cavalheiros despediram-se e dirigiram-se para seus carros.

Therese esperava pacientemente por um táxi enquanto pensava em tudo o que aconteceu durante a noite.

- A noite está magnífica, porém um pouco fria, não achas?

A mulher mais nova olhou rapidamente na direção da voz e encontrou a pessoa que mais desejava. Carol estava ao seu lado com um casaco de pêlo castanho-claro olhando atentamente as estrelas. A moça não se cansava de observar tanta beleza.

- O que disseste no jantar sobre mim… - Belivet ao ouvir tais palavras susteve a respiração e o seu corpo congelou. Sabia que tinha estragado tudo. Nem tiveram uma conversa satisfatória para ambas desde… o afastamento e já começara a elogiar em público.

- … Foi muito agradável. É bom saber que pensas tão bem de mim depois de… tudo. Fico contente – o olhar cheio de ternura de Carol fez Therese sentir-se confortável.

- Como poderia dizer o contrário? – um sorriso passageiro emergiu da pequena boca da moça.

Carol aproximou-se da sua amada e acariciou sua face rosada do frio.

- Meu anjo, colocarias em consideração a hipótese de me acompanhares até ao meu apartamento?

Therese ouviu a pergunta que mais ansiava, mas que também a colocava apavorada. Fechou os olhos sentido o toque da mulher mais velha e cheirando o perfume sublime que aumentava o seu desejo. Agarrou a mão que estava sobre a sua face e acarinhou-a por alguns segundos. Confiante em si olhou para o rosto perfeito de Carol e respondeu:

- Sim