Bilhetes

Por: Aryam


Observações: 1x2, 3x4, 5x?. UA. Narração em primeira pessoa: Wufei.

Nota da autora: Esta fic é uma continuação indireta da história Bilhete (que é focada no Quatre). Não é necessário lê-la para entender esta, mas está no mesmo "universo".

Sumário: Wufei percebe que todos os seus melhores amigos são gays e pior... estão namorando. Não só ele é hétero como é solteiro e as garotas de sua escola pensam que ele também é gay... até começar a receber bilhetes de alguém claramente interessado nele.


Fanfic participante do PROJETO PILOTOS GUNDAM WING: SEMANA WUFEI CHANG

Início: 26 de julho de 2017

Em nome de Nataku, estamos de volta com o Projeto Pilotos! Depois de muitos perrengues, Illy e eu postaremos uma série de fanfics traduzidas e originais nos perfis: Aryam McAllyster, Illy-chan H. Wakai e Illy-chan e Grupo GW Traducoes, aqui mesmo no Fanfiction net.

O objetivo do projeto é explorar individualmente cada um dos potencialmente complexos cinco personagens principais da série Gundam Wing.

Em 2012, tivemos a Semana Trowa Barton e, desta vez, nosso grande homenageado será Wufei Chang, um personagem muitas vezes usado como escada cômica, o chinês histérico mal-humorado com uma katana, o machista arrogante, o sabonete de cadeia de L5, o Dragão Trágico da Justiça.

Wufei é, na minha opinião, o personagem que mais sofre na série Gundam Wing sem precisarmos buscar seu passado em mangás e no Episódio Zero (que é controverso se é considerado canon ou não); mesmo ignorando o fato de ele ter perdido a esposa (fato apenas mencionado no Episódio Zero), nós vemos Wufei perder sua família inteira e sua colônia — incapaz de fazer nada para impedir — perder seu arqui-inimigo (alguém que ele respeitava muito como oponente), perder seu objetivo de vida após o fim da guerra, seu rumo e até sua identidade (que o leva a trair seus companheiros pilotos em Endless Waltz). Wufei é alguém cujo o luto o levou de intelectual a um soldado solitário obcecado por força e justiça.

Esperamos que essa série de fics possa trazer à tona várias facetas de Wufei Chang. Com certeza me ajudou a vê-lo com outros olhos, já que nunca vi muito carisma neste chinês quase que estereótipo, que, por vezes, me fez pensar que ele fora jogado na série. Para quem não sabe, uma curiosidade: este personagem foi criado num primeiro momento como um africano e mudado posteriormente.

"Preciso determinar por mim mesmo se paz à custa das vidas das pessoas realmente pode ser definida como paz. E vou me tornar o próprio mal para descobrir!" [Wufei Chang para Heero Yuy em Gundam Wing: Endless Waltz]

Escolhi fics que gosto bastante de autoras que respeito no fandom. Espero poder compartilhar excelentes trabalhos!

Boa leitura e força, Dragão!


1

O dia estava ensolarado. Era sábado à tarde e eu observava a interação de meus quatro melhores amigos, ao redor da mesa numa praça tomando sorvete. Comi a última colher de baunilha, pensativo. Era estranho. Isso já acontecia há um tempo, mas somente agora, quando engoli a massa gelada, que finalmente entendi o que era esse sentimento diferente toda vez que me reunia com eles.

Eu me sentia um alienígena.

Na verdade, desde quando Quatre começara a namorar esse rapaz, Trowa. Não que fosse culpa dele. De jeito nenhum. Pra ser sincero, eu nunca diria isso em voz alta, mas ele é um cara legal. Além disso, faz o loiro feliz, então foi aprovado. E apesar de não ser muito bom de conversa, é um bom amigo também. Afinal, eu não era um exemplo de simpatia para exigir isso de ninguém.

Duo, por outro lado...

Ele ficara com os dois pés atrás por uns bons três meses quando os dois começaram a se encontrar. Ficou um pouco reservado com Trowa no início, mas fizera questão de conhecê-lo melhor, e com Duo, não tem como fugir; é o tipo de pessoa que se ama ou se odeia. Não tem meio termo. A maioria escolhe a primeira opção. Uns mais que os outros.

Que é o caso de Heero.

Quando o conheci, não nos demos muito bem. Ainda não somos "compadres", mas podemos contar um com o outro. Nossas ideias simplesmente não batem. Talvez nossos gênios sejam tão parecidos em alguns aspectos que não se cruzam de modo algum. Entretanto, eu ficara particularmente impressionado pela dificuldade que ele passou ao enfrentar a família para ficar com Duo. Não foi fácil, mas tanto ele quanto o bobão do meu amigo precisavam de todo o apoio possível, e eu com certeza não os deixaria na mão. Ele já conhecia Trowa antes disso tudo e pareceu não se incomodar com a adição no grupo.

Era realmente engraçado de ver. Heero e Duo sempre foram bem discretos com esse relacionamento deles. Para quem não os conhecia, acharia que eram somente bons amigos. Porém, quando Trowa começou a andar conosco, notei que Heero começou aos poucos a ser mais... Possessivo? Quando estávamos todos juntos, ele estava sempre tocando alguma parte do corpo de Duo; quando sentávamos, como agora, ele colocava uma mão na perna do outro por debaixo da mesa ou envolvia sua cintura com o braço. Embora ele parecesse começar a ficar mais à vontade, provavelmente por passar tanto tempo com o casal de pombinhos que não soltavam as mãos para quase nada. Era como se todos eles precisassem se reafirmar.

Às vezes acho que só eu reparo nessas coisas.

Duo diz que eu reparo demais e Quatre, que eu interpreto demais. Talvez estejam certos.

— Vocês quatro... — comecei a falar e eles pararam a conversa e me olharam surpresos pela minha voz finalmente soar após longos minutos sem dar sua contribuição — são meus melhores amigos — Duo trocou um olhar cúmplice com Heero e voltou-se para mim espantado, enquanto Trowa e Quatre apertaram mais as mãos. — E todos vocês são... — respirei fundo tentando conter minha revolta sem fundamento — gays.

Alguns segundos de completo silêncio reinaram por nossa mesa. Trowa me olhou inexpressivo como se não acreditasse na minha afirmação, vi o sorvete de Quatre começar a derreter e escorrer na sua mão, Heero tinha as sobrancelhas juntas em concentração parecendo procurar um significado obscuro por trás de minhas palavras e Duo me encarava com olhos arregalados até que sorriu. Um riso escapou de seus lábios e Quatre logo se juntou a ele. Trowa deu um sorriso e Heero chacoalhou a cabeça.

— E você... — Duo tentava dizer entre as risadas — só percebeu... isso... agora?

Ergui uma sobrancelha. Esperei. O riso diminuiu. Perceberam que eu ainda estava sério e voltaram a me encarar. De repente senti meu rosto se enrubescer de leve. Droga.

— Eu sou o único solteiro — isso soou pior do que tinha planejado. — Sabiam que as pessoas do colégio acham que também sou... como vocês? E eu quero conhecer garotas. Garotas que não acham bonitinho eu ser o único gay solteiro do grupo que tentam me apresentar para seus irmãos, primos e colegas necessitados.

De forma indireta eu culpava Heero. Até uns meses atrás ninguém, além de nós, sabia de seu relacionamento amoroso com outro homem, mas problemas familiares (recusa de aceitação dos pais) e pessoais (leia-se: ciúmes) o fizeram deixar mais evidente o fato de namorar outro cara.

Quatre nunca fora muito bom em ser discreto com sua camisa rosa e jeito delicado. Sim, é um estereótipo, mas o que mais se pode dizer se quando alguém perguntava sobre sua preferência sexual ele ficava todo corado e começava a balbuciar?

Antes de Duo começar a usar um anel de compromisso, ele tinha garotas se jogando aos seus pés. Eu nunca fui a Simpatia em pessoa, ao contrário dele, mas era fácil me aproximar delas assim, tendo um amigo que as atraia. Era como se eu o usasse de imã, mas agora o anel se tornara um repelente...

Eu estava por conta própria e não estava dando muito certo. Sabe, o meu maior problema de andar com apenas rapazes gays é que me acostumara demais com essa masculinidade, essa falta de cuidado e carinho. Não que eles não sejam melosos de vez em quando, mas por mais que eles sejam homens namorando homens, isso não mudava o fato de eles serem... caras.

Apelidos carinhosos? Xingamentos. Beijos doces? Roubados a força. Carinho? Agarra pelo braço e joga na parede. Declaração de amor? Não precisa falar. Bombom no aniversário de namoro? Que se dane, eles nem se lembram. E quando lembram, é jogo de vídeo-game, caixa de cerveja, cd ou ainda uma camiseta porque a outra foi rasgada na comemoração do dia dos namorados no motel.

As meninas querem romance. E as que não querem, exigem no mínimo uma certa... delicadeza. Agora, eu sou faixa preta de kung fu. Delicadeza?

Eles ficaram sem reação. Eu sabia que não era intencional, e que, de certa forma, eu estava sendo irracional, mas podia ver que sentiam... pena de mim.

Senti raiva. Frustração. Levantei de supetão para evitar descontar tudo em cima deles e fui dar uma volta.

A culpa não era deles. Eu daria um jeito de me resolver.

Continua...


Capítulos participantes da Semana Wufei Chang

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Perfil Aryam McAllyster:

Bilhetes [1 a 6 — Aryam]

Don't cry for me [Merula]

Ex-general [DSA]

God Child 1 [Sunhawk]

Kiss the cook – Chef Chang [Kracken]

Lawless Hearts [19 — Kracken]

Midnight tea [Sunhawk]

O Batedor de ovos [Lys ap Adin]

Off the top [1 e 2 — Kracken]

Overthought [Blue Soaring]

Pudor intermitente [Aryam]

Realisations [1 e 2 — Keiran]

Seven days of drunkness [Merula]

Tácito [Aryam]

The Talk [Kracken]

Tough love [Blue Soaring]

Wild little Wu-chan [Raihne]

Jornada 2 [Aryam]

Darkside tales [1 e 2 — Maldoror]

Office gossip [Sunhawk]

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Perfil Illy-chan H. Wakai:

Ciclo de Memórias [2 — Illy-chan]

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Perfil Illy-chan e Grupo GW Traducoes:

Everybody breaks [1 e 2 — The Warrior Kai]

Falling from grace [Ino Fan]

Dialogues [Katsudon]

Memory ghosts [1 a 4 — Babaca]

Growing up [1 a 8 — Celina Fairy]

Blade [Kracken]

Butterfly kisses [Celina Fairy]

Dark silences [Sunhawk]

Crawlspace [Hotaru]

Perfection [Celina Fairy]