Marco Cinco

As reclamações estridentes da Hermione e as desculpas desesperadas do Rony ecoavam escada abaixo. Gina, como Harry as estava ignorando.

Grossos pingos de chuva gotejavam nas grandes vidraças da janela saliente como lágrimas de um milhar de carpideiras. Harry estava de pé na janela, espiando através do aguaceiro. Gina estava sentada no sofá, observando o namorado. Ele estava de costas para ela e sua mão direita estava no topo da cabeça. Seus dedos se torciam e penetravam seus cabelos já despenteados. Ela estava prestes a perguntar se ele achava que deviam mudar de planos quando ele falou, aparentemente antecipando a pergunta dela.

– Não está chovendo do outro lado do estreito, Gina – disse. O barulho do andar de cima se reduziu e ele tirou a mão do cabelo. – O tempo bom parece estar vindo nesta direção. Acho que as nuvens vão passar logo. Com sorte, poderemos ter um churrasco no seu jardim dos fundos afinal.

Antes que Gina pudesse responder, houve um barulho de estouro do lado de fora da janela. A cabeça de Harry deu um tranco para a esquerda. Ele fitou pela janela, deu um aceno breve e se virou de volta para a sala.

– É o Jorge – disse quando a campainha tocou. – Ele ainda está com a barba, ao menos com parte dela, a despeito do que todos lhe disseram no domingo. Você acha que ele está ok, Gina? Ele não parece bem.

– Eu disse a ele no domingo, ele está bebendo demais e não está comendo o bastante – Gina respondeu ao se levantar. – Parece estar pior do que nunca este ano. Ele entra em depressão no aniversário e não sai dela até depois do aniversário da Batalha. Você devia pedir a ele para o ajudar com a moto, Harry. Ele gostaria de ajudar e precisa da distração; se não se mantém constantemente ocupado, ele se deprime.

A campainha tocou de novo, agora com mais urgência.

– Ele está ficando molhado – Harry disse.

– Não tanto quanto Rony e Hermione ficaram – disse Gina, mas ela foi até o saguão para deixá-lo entrar.

– Você demorou – Jorge lhe disse quando ela abriu a porta.

Gina olhou o rosto dele. – E você está ridículo – ela lhe disse.

Todo mundo reclamou que o bigode estava comprido e desarrumado – Jorge protestou. – Então o raspei e um pouco da barba também.

– Não o bastante – disse Gina. – Quando Harry e eu estivemos nos Estados Unidos no ano passado, em Washington, vimos uma estátua de um dos presidentes deles. Ele tinha uma barba assim; chama-se cortina de queixo. Mas a dele não era rala e desgrenhada e, embora eu só tenha visto imagens em preto e branco dele, estou bem certa de que não era ruiva tampouco. Todos sabemos que você é um idiota, Jorge, você não precisa parecer idiota.

– Não vim aqui para ser insultado. – Jorge protestou.

– Onde você vai não importa. Você tem os restos sarnentos de um gato laranja grudados no seu queixo – Gina disse acidamente. – Se você acredita seriamente que pode aparecer na minha porta com essa aparência e não ser insultado, você realmente não me conhece muito bem, não é?

Jorge riu. – Não ligo para o que você pensa, vou mantê-la – ele disse teimoso, enquanto alisava os ralos tufos de sua barba desgrenhada.

– Vou deixar passar dessa vez – Gina disse. – Mas estou lhe avisando, Desorelhado, a próxima vez que você vier aqui, vai deixar a barba do lado de fora. – Ela conduziu o irmão até a sala de estar.

– Oi, Jorge – disse Harry.

– Tarde, Harry, Rony já está aí? – perguntou.

Gina notou o sorriso malicioso no rosto do irmão. – Você sabia, não? – ela disse.

– Sabia o quê? – perguntou Jorge. – Que na primeira vez que a visitei, Rony ajustou a chave de portal para um local na praia que estava abaixo do nível da maré alta? Claro que sabia. Tenho olhos, e cérebro. Quando sugeri hoje para o segundo teste do espelhofone, chequei a tábua de marés e percebi que a maré estaria alta. Foi por isso que aparatei direto na sua porta da frente.

Jorge abriu a boca e bateu com as mãos nela, numa pantomima de choque. – Rony não chegou no mar, chegou?

– Aparatação acompanhada, ele estava com a Hermione – disse Harry.

Jorge urrou de rir.

Parte de Gina queria ficar brava com ele e ela sabia que uma parte de Harry também. Mas Jorge estava rindo. Ela trocou um olhar com o namorado. Sorriu com a lembrança da chegada de Rony e Hermione, ele molhado e descontente, ela ensopada e indignada. Harry percebeu o ânimo dela e, como ela, lutou para não rir.

– Seu babaca maldoso – disse Rony ao entrar na sala. Jorge deu de ombros desdenhoso.

– Não é culpa do Jorge – disse Hermione ao seguir o namorado pela porta. – Foi você quem nos aparatou no mar. De todas as coisas estúpidas que você já fez...

– Essa não está nem nas dez mais – Harry observou alto, cortando as reclamações de Hermione antes que ela começasse de novo. Harry cruzou os braços e deu à amiga um riso irônico. Está, Hermione? Admita.

Para óbvio alívio de Rony, Hermione riu. – Não, não está – ela admitiu. – Mas a água estava gelada e havia um correnteza forte. Se Rony não tivesse me agarrado, eu teria perdido o pé.

– Certamente é tarefa do Rony fazer você perder o pé – Gina observou.

– Certamente é minha tarefa dar suporte a ela também, Rony retorquiu. Hermione sorriu.

– Boa tentativa, Rony, mas sabemos que você é inútil – disse Jorge.

– Não é – Hermione protestou.

– Pelo menos consigo me barbear direito – Rony disse ao irmão. – Você se barbeou no escuro ou algo assim? Lamento contar-lhe, Jorge, mas você esqueceu de um pedaço bem grande debaixo do queixo.

– Não começa – disse Jorge. Ao menos não aparatei no mar com a minha namorada!

– Você não pode, porque você não tem uma ... – começou Rony bravo. Hermione puxou a manga de Rony, e ele parou no meio da frase.

Gina imediatamente preencheu o silêncio e tentou acalmar as coisas. – Você disse que teria o Marco dois pronto em um mês, Jorge – Gina lembrou a ele. – Isso foi há dez semanas! Você teve problema?

– Eu o tinha pronto em um mês, doce Ginevrinha – Jorge lhe contou. Não tinha, Roniquinho?

– Tinha – Rony concordou. – Mas nós tivemos problema...

– O Marco dois foi um desastre – disse Jorge. – Então Rony e eu começamos de novo. O Marco três quase funcionou, mas não gostei dele. E então o Rony não gostou do Marco quatro. Você vai ser a primeira pessoa a testar o Marco cinco. Fora eu e Rony, só a Fenella e o Terêncio viram esta versão. Vamos ver se você consegue quebrá-lo.

– Vou fazer um chá para nós todos – Harry ofereceu. – Tente não destruir a coisa antes de eu voltar, Gina.

– Assei alguns biscoitos de gengibre ontem, Harry – ela lhe disse – Eles estão no pote de biscoitos verde.

– Gengibre? Meus favoritos! São tão bons quanto os da mamãe? – Jorge perguntou.

– São melhores – disse Harry ao sair da sala.

– Então a Hermione não é a única a ter um puxa-saco como namorado – Jorge bradou depois dele.

– Ei – Rony protestou.

Gina simplesmente levantou o dedo médio para Jorge. – Nada de biscoito para você, Desorelhado – ela lhe disse.

Jorge a ignorou e, ao invés, berrou para Harry. – Só espere até eu contar à mamãe o que você disse acerca dos biscoitos dela, Potter – ele gritou pelo saguão abaixo.

– Eu vou contar à Molly que só disse que os biscoitos da Gina eram melhores porque não queria magoar os sentimentos da minha namorada – Harry berrou. – Sua mãe vai me perdoar!

Gina riu. – Bom plano, Harry!

Jorge se virou para a irmã, riu e a abraçou. – Merlim! Você realmente o está transformando num Weasley! Muito bem – disse-lhe. Ele a largou e fez um franzido de testa fingido. – Dez semanas de trabalho, e você nem me alimenta com biscoitos caseiros. Isso não é justo, mas você vai mudar de ideia quando vir esta beleza! Sente-se e prepare-se para se maravilhar.

Gina deu uma bufada desdenhosa, mas se sentou na poltrona. Hermione e Rony sentaram lado a lado no sofá e observaram em silêncio quando Jorge tirou uma caixinha do bolso e a entregou a ela. A caixa era de um preto tão escuro que parecia estar sugando a luz. Tinha cerca de quinze centímetros de comprimento por sete e meio de largura e não tinha mais de um centímetro e meio de profundidade. Na frente, com letras em prateado tipo espelho estava a palavra: "ESPELHOFONE " e abaixo dela, numa letra menor, cursiva, estavam as palavras "um produto G.W. ".

– Nota máxima pela caixa, Jorge – disse Gina. – É discreta e de bom gosto. Então, obviamente, você não teve nada a ver com ela.

– Eu lhe disse que ela perceberia – disse Rony. – Eu fiz o design da caixa. Achei que precisávamos fazê-la parecer classuda.

– Fora a escrita prateada, parece a caixa em que este colar veio – disse Hermione. Ela levantou a fina corrente prateada em torno do pescoço. – Foi o meu presente de natal do Rony – ela contou a Jorge.

– Não é como se você não tivesse roubado boas ideias – Rony protestou, quando o seu irmão o xingou. – De fato esta coisa inteira foi roubada. O espelhofone original era apenas uma cópia mágica do telefone celular da Hermione.

– Era! – disse Jorge firmemente. – Este não é, Rony e você sabe que não.

– Você disse que não o tinha mudado muito – acusou Hermione, lançando um olhar furioso ao namorado. – O que vocês fizeram?

Gina levantou a tampa. Apoiado no cetim negro almofadado que revestia a caixa estava um espelho. A moldura era uma madeira de nogueira bem polida e de aparência sólida e os cantos eram suavemente arredondados. A coisa toda tinha cerca de seis centímetros e meio de largura, onze centímetros e meio de altura e não mais de oito milímetros de grossura. O espelho estava ajustado dentro deste sólido bloco de madeira. Não havia manual de instruções porque não havia espaço dentro da caixa. Dentro da tampa estavam as palavras "Por favor, siga as instruções do Espelhofone ".

– Não parece nada com um celular. Onde estão os botões? – Hermione perguntou.

– Tiramos eles completamente no Marco três – Rony admitiu. Apressadamente ele se virou para falar com a irmã. – Hermione não esteve envolvida no design desde o Marco um. Fomos eu, Jorge e Fenella. Terêncio ajudou também. Fenella o arrastou para resolver um problema de Aritmancia, algo a ver com a função de calcular e o algas ritmo de identificação.

– Algoritmo – Jorge interviu.

– Não conseguimos nos livrar dele – Rony continuou, ignorando a interrupção de Jorge. – Acho que ele pensou que a Fenella estava passando tempo demais com o Jorge.

– Ele não precisa se preocupar quanto a isso disse Jorge. – Ela não é meu tipo.

– Não sabia que você tinha um tipo – observou Gina. – Fora sexo feminino.

– Tenho os meus padrões – Jorge lhe disse. Havia pouca convicção na sua voz.

– Mas não parece um celular – Hermione protestou. – É fino demais e comprido demais e largo demais. Parece um espelho.

– É porque é um espelho, Hermione – disse Gina. Acho que parece legal e, como é tão fino, provavelmente cabe no meu bolso tão facilmente quanto a versão menor e mais gorda do Marco um. E você me disse que dez anos atrás os celulares eram do tamanho de um tijolo. Talvez em dez anos os telefones trouxas pareçam com este.

Quando levantou o espelho da caixa, Jorge disse – Boas vindas ao seu novo Espelhofone, você é quem o possui?

Gina olhou para cima. Os lábios do irmão não se moviam; a voz dele parecia vir do próprio espelho.

– É automático – Jorge explicou. – Ele fala para a primeira pessoa que encosta nele.

– Por que usar a sua voz? – Gina perguntou.

– Por favor responda a pergunta! – o fone disse firmemente. – É você que possui este novo espelhofone? Responda sim ou não.

– Era eu, ou Rony ou Fenella, então eu fiz – disse Jorge. – Agora responda a maldita pergunta.

– Sim – disse Gina.

– Por favor olhe o espelho e diga o seu nome – o espelho lhe disse.

Gina o levantou, contemplou seu reflexo e disse – Gina Weasley. – Houve uma descarga de luz vinda do espelho e mesmo Gina piscando e se mexendo, seu reflexo não se moveu.

– Bem-vinda ... Gina Weasley – o fone disse. Embora a voz de Jorge estivesse falando a maioria das palavras, o nome de Gina estava na voz dela própria. – Seu espelhofone agora está ativado. Você não tem contatos e, portanto, não pode usar muitas das funções do espelhofone. Por favor, toque a tela para ver as opções.

Antes que o indicador de Gina tocasse o vidro, Hermione estava de pé, balbuciando excitada. – Instruções verbais, registro instantâneo de propriedade...

Ela espiou por cima do ombro de Gina e foi bem a tempo de ver a imagem de Gina dissipar-se. Quando desapareceu, surgiu escrita no vidro.

"Como... contatos, jogos", Hermione leu. A escrita está muito clara. Vocês usaram o feitiço de Proteu, acoplado com...

– Hermione! – Jorge berrou. – Isto é um teste! Rony sabe praticamente todas as respostas. Estou surpreso que ele tenha conseguido manter segredo para você. Ou cala a boca e deixa a Gina tentar entender, ou vai para algum outro lugar e pergunta ao Rony.

– Mas...

– Eu lhe conto depois, só observe, por favor – Rony pediu.

Com algum esforço, Hermione parou de saltitar em volta, excitada, e ficou quieta.

Gina pôs o dedo na palavra Como... e a escrita mudou. Gina leu as opções: Como adicionar outro espelho aos seus contatos; Como escrever uma mensagem; Como fazer uma imagem...

– Ele pode fazer uma imagem! – Hermione deu um gritinho. – É espantoso, como...

– Por favor, Hermione – Rony disse. Ele enfiou a mão no bolso. Tenho um para você e um para o Harry também. Levantou, colocou uma das caixas negras na mesa e entregou a outra para a namorada. – Vamos fuçar neste na cozinha. Você pode me fazer todas as suas perguntas enquanto o Jorge observa para ver se as instruções são à prova da Gina.

Quando saíram, Jorge revirou os olhos. – É tão mais fácil trabalhar sem a pequena madame sabida lançando perguntas e fazendo sugestões a cada instante – ele murmurou.

Gina riu e tocou as palavras Como adicionar outro espelho aos seus contatos.

Primeiro encontre alguém com quem queira falar. Depois encoste o seu espelhofone no dessa pessoa. Daí siga as instruções.

– Você chegou até aqui sem problemas, Gina, Jorge lhe disse. Ele tirou um espelhofone idêntico do bolso. A escrita e as imagens e os jogos são simplesmente detalhes atraentes. O importante é que chegamos a uma maneira de fazer um espelho que efetivamente se autoencanta. Não há limite para o número de contatos que você pode ter – Jorge pausou e sacudiu a cabeça. – isso não é bem verdade. O Terêncio diz que... Jorge tirou uma tira de papel do bolso e leu. "Por causa das restrições aritmânticas criadas pela codificação das conexões, o número destas é restrito a onze ao cubo, o que dá...", ele tirou outro pedaço de papel do bolso "mil, trezentos e trinta e um..."

– Mais de mil conexões, deve bastar – Gina começou.

Jorge sacudiu a cabeça e chiou para ela se calar.

– O máximo é, portanto, o milésimo, tricentésimo, trigésimo primeiro número primo, ou dez mil, novecentas e cinquenta e sete conexões – disse Jorge, sacudindo o pedaço de papel. – Eu escrevi, para o caso de alguém perguntar. Agora, quer tentar isso? Jorge levantou seu espelhofone e Gina encostou o dela nele.

– Contato entre ... o incrível Jorge Weasley ... e... Gina Weasley – os espelhos anunciaram. O identificador gravado de Jorge era bem mais alto e menos formal do que o de Gina. – Por favor coloque um dedo no espelhofone.

Gina seguiu a instrução e Jorge a imitou. Ela estava se habituando às instruções verbais e às súbitas trocas entre a sua voz e a de Jorge.

– Gina Weasley... – o espelhofone perguntou. – Você quer estabelecer contato com ... o incrível Jorge Weasley?

– Sim – Gina disse.

O espelhofone então repetiu o processo com Jorge.

– Contato estabelecido... Gina Weasley... por favor, forneça um nome identificador para ... o incrível Jorge Weasley – o espelhofone disse.

– Desorelhado – disse Gina. Jorge riu.

Quando o processo se repetiu Joge disse – Harpia.

Gina afastou seu espelhofone do de Jorge.

– Gina Weasley... para contatar... o incrível Jorge Weasley... simplesmente toque o espelho e diga... Desorelhado.

Enquanto o telefone de Gina falava, o de Jorge repetia sua versão da mensagem.

– É isso – disse Jorge. – Você pode enviar mensagens escritas também, mas vou deixar você destrinchar isso sozinha. Não foi fácil colocar as instruções no espelhofone, mas foi mais fácil do que simplificar o manual de instruções original. Guarde-o, também há um para o Harry. Veja se pode sacar o que mais ele pode fazer. Tente quebrá-lo e me conte o que você acha. Não vamos colocá-lo em produção até ter certeza de que funciona.

– Chá e biscoitos de gengibre – disse Harry ao entrar na sala carregando uma bandeja. – Deixei Rony e Hermione na cozinha. Por alguma razão ela está tentando explicar ao Rony o que são números primos. Mesmo sendo evidente que ele não quer saber.

Gina sentou-se de volta na sua cadeira, encostou no espelhofone e disse – Desorelhado. – Sua voz ecoou de volta do espelhofone de Jorge.

Jorge tocou seu espelho e disse – Olá, Gina. – Seu rosto apareceu no vidro e piscou para ela. – Muito mais fácil do que apertar botões e discar números, não é? – perguntou.

– Pode se servir de biscoitos – ela lhe disse através do fone.

– Obrigado.

– Muito impressionante – Gina disse. – Mas como se rompe a conexão?

Jorge não respondeu, simplesmente deixou seu espelhofone cair em seu bolso. Sua imagem imediatamente desapareceu do espelho de Gina.

– Sem contato com a pele, sem conexão? – Gina perguntou.

– Correto – Jorge confirmou. – E não importa quantas vezes você fala o meu nome. Se eu não tocar o meu e falar, você não consegue me contatar.

– Desorelhado – disse Gina, ainda segurando o fone. – Desorelhado!

Jorge cruzou os braços e o eco da voz dela continuou a vir de seu bolso.

– Desorelhado! – Gina disse novamente. Jorge tirou o espelhofone do bolso. – Até que enfim! – Gina disse, mas sua voz não ecoou do espelho. Jorge deixou-o cair de volta no bolso. Tocar no fone e falar – Jorge disse. Se eu não a aceitar, a única palavra que o espelho envia é o nome identificador.

– Meu irmão desorelhado é um gênio – disse Gina experimentalmente. Só a palavra desorelhado ecoou de volta.

– Muito engenhoso, mas como fazê-lo parar de falar? – Harry perguntou, enquanto abria a caixa que continha o seu próprio espelhofone. – Se eu estiver numa missão, não quero alguém gritando o meu nome na hora errada. Poderia ser perigoso.

Jorge franziu o cenho. – Droga! Você não pode – disse. – Este é um bom ponto, Harry. Não vejo como evitar que a mamãe tenha um espelhofone e não a quero gritando o meu nome do meu bolso o dia inteiro. Vou ter uma palavra com o Rony e vamos pensar como acrescentar um feitiço de silêncio ao Marco seis.

– Seria bom se você pudesse achar uma maneira de silenciosamente fazer o Harry saber que estou chamando – disse Gina pensativamente. – Talvez você pudesse acoplar o feitiço silenciador a uma azaração de dança. Se o espelhofone começar a dançar no bolso de Harry, então ele saberá que alguém está chamando, mas não haverá qualquer ruído.

– E posso mostrar-lhe facilmente quem é – disse Jorge, puxando os pelos esparsos sob o queixo. – Eu me perguntei acerca de colocar uma imagem de quem chama no espelho. Não coloquei porque quando você pega o espelhofone e atende, você pode ver quem chama. Mas fazer o espelho dançar e colocar nele uma imagem de quem chama seria fácil.

Ele se serviu de um biscoito de gengibre, mordeu-o e lançou um olhar pensativo à irmã. – Não diga à mamãe – disse, acenando com a metade do biscoito não comida. – Mas acho que Harry tem razão, estes são melhores que os dela.

Hermione entrou correndo na sala de estar. – Esta é uma peça mágica notável – ela disse. – Uso muito inteligente do feitiço da memória corporal e é tão útil! Vamos ligar, Gina. – Ela levantou o espelho. – Harry você nem abriu sua caixa ainda! O que estava fazendo?

– Comendo biscoitos de gengibre – Harry lhe contou.

– Biscoitos de gengibre! Onde? – perguntou Rony.

Jorge tentou esconder o pote.

–*–

– Gina – mal se ouvia a voz de Harry por cima do burburinho, mas Gina ouviu.

– Oi, Harry – ela disse, tirando o espelhofone do bolso do jeans que estava pendurado num gancho à sua frente. – Onde você está?

– Estou retido numa localidade minúscula, chamada Baltimore – ele lhe disse. – É no sudoeste da Irlanda. Desculpe, Gina, isto parece grave, uma família inteira foi morta e parece ser a Maldição da Morte. Não vou poder chegar...

– É só um amistoso, um teste para os jogadores da Inglaterra recém-selecionados – Gina lembrou a ele, tentando manter sua voz livre de desaponto. – E estou na Polônia. Você nunca chegaria aqui antes do jogo começar.

– Com quem você está falando? – perguntou Barbara Boothroyd, vindo ficar ao lado de Gina.

Os olhos de Harry se arregalaram – Posso vê-la! – disse, virando sua cabeça para longe do espelho.

– Vista as suas vestes, Babs – disse Gina, virando o espelho de lado, fora do alcance da batedora de seios nus. – Você está dando uma visão e tanto para o Harry.

– Há uma jogadora de quadribol nua atrás de seu outro ombro também, Gina – disse Harry, enrubescendo. – É melhor eu ir. Tchau. – Com isso, ele rompeu a conexão.

– Você estava falando com o Harry Potter! Esse é um espelho mágico? Onde você o arrumou? – Barbara perguntou.

– Meus irmãos o fizeram – disse Gina. – Ainda é uma versão experimental. Ao contrário da maioria dos espelhos, este não tem apenas um par associado. Ele se conecta com um monte de outros espelhos. Jorge e Rony estão procurando algumas pessoas para testar a próxima versão. Você estaria interessada?

– Sim – disse Barbara com entusiasmo enquanto fechava o sutiã.

– E quanto a você, Maddie? – Gina perguntou à outra mulher membro do time.

– Certo – ela disse.

– Ótimo. Vejam isso. – Ela olhou o espelho de volta e disse – Desorelhado.

– Estou ouvindo o rádio, Gina – Jorge disse. Faltam apenas três minutos para o começo do seu jogo! Há algo errado?

Gina virou ligeiramente o espelho. – O que você acha de poder dizer "como testado pelo quadro feminino da seleção de quadribol da Inglaterra" em seus anúncios? – ela perguntou.

– Olá, Maddie, e olaaaá, adorável Babs – Jorge berrou. – Você é a batedora mais bonita que já vi! Vocês duas estão interessadas em obter um espelhofone de graça? Venham me ver quando voltarem ao Reino Unido e podemos discutir os termos. Podemos fazê-lo num jantar, se quiserem.

Barbara Boothroyd espiou o espelho. – Nem morta eu ia querer ser vista na companhia de alguém com uma barba tão ridícula – ela disse.

– Posso raspá-la – Jorge ofereceu.

–Temos que ir, Jorge – Gina disse.

– Então, quando tivermos o espelhofone pronto para a venda... – Jorge começou.

– Se você quiser que apareçamos em qualquer anúncio, podemos discutir os termos – Gina lhe disse. – Tchau.

Ela soltou o espelhofone no bolso.